quinta-feira, 30 de abril de 2026

.: Crítica: "O Grande Arco de Paris" retrata frustração de arquiteto

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em abril de 2026


O drama francês "O Grande Arco de Paris" (L'Inconnu de la Grande Arche), exibido no 2º Festival de Cinema Europeu IMOVISION, na Cineflix Cinemas de Santosbaseado no romance de 2016 de Laurence Cossé, começa na seleção de um projeto audacioso do arquiteto dinamarquês, Otto von Spreckelsen. Pouco conhecido, o vencedor do concurso de 1983 organizado pelo presidente François Mitterrand para projetar o Grande Arco de La Défense alinhado ao Louvre e ao Arco do Triunfo, esbarra em sucessivos desafios para a construção do monumento.

Como se não bastassem as dificuldades de complexidade do projeto e a implicância da administração de Mitterrand para erguer tal projeto audacioso, no caminho surgem disputas políticas e a vida pessoal do dinamarquês, a corrosão da relação dele com a esposa gera um conflito capaz de chegar a ficar por um fio. Embora, na vida real, a esposa de Spreckelsen tenha negado a forma como a relação e os conflitos foram retratados na produção, apontando que certas tensões não ocorreram de fato. Para tanto, o longa exibe um alerta a respeito antes de exibir seus 104 minutos de duração.

Intenso, Claes Bang ("O Homem do Norte" e "Drácula") imprime todas as frustrações de Johan Otto von Spreckelsen diante do projeto que seria sua grande realização profissional, além das igrejas que construiu em seu país natal. No entanto, diante de entraves durante o processo de construção do monumento, que jogam no colo dele restrições técnicas que implicam em sinuosos jogos de poder, precisa ponderar reais desejos para a vida. Vale a pena conferir!


A equipe Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN


"O Grande Arco de Paris" (L'Inconnu de la Grande Arche). Gênero: Drama. Direção: Stéphane Demoustier. Roteiro: Laurence Cossé e Stéphane Demoustier (baseado no romance de mesmo nome de Laurence Cossé, publicado em 2016). Duração: 1h 47min. Distribuição: Imovision. Elenco: Claes Bang como Johan Otto von Spreckelsen (o arquiteto dinamarquês), Sidse Babett Knudsen, Xavier Dolan, Swann Arlaud, Michel Fau. Sinopse: França, 1983. Determinado a deixar sua marca na história, o presidente François Mitterrand lança um ambicioso concurso internacional de arquitetura: erguer o monumental Grande Arco de La Défense, alinhado com o Louvre e o Arco do Triunfo.

Trailer de "O Grande Arco de Paris"




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Imagem do filme "Michael". Foto: Mary Ellen Farias dos Santos


Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em abril de 2026


A vida é cíclica e grande parte dos quarentões iguais a mim, aprenderam isso com a animação "O Rei Leão", lá em 1994. Eis que em pleno 2026, um até logo doloroso se concretiza hoje. 

Desde quando ouvi um grupo comentando sobre o encerramento, a não aceitação do que a princípio, parecia que aconteceria dia 29 de abril, foi inevitável. Contudo, a colher de chá de mais um dia para conseguir lidar com o amargor da pausa veio como um alento.

Em meio a um atropelo de emoções, o 2º Festival de Cinema Europeu IMOVISION com a exibição de filmes tocantes como "As Cores do Tempo" e "Amiga Silenciosa", que tratam as mudanças ao longo dos séculos, trouxeram um afago. Além de ajudar a viver ao máximo, naquele espaço tão agradável, as histórias sonhadas e transformadas em filmes.

Ao assistir pela terceira vez a cinebiografia tão comentada, "Michael", a linda homenagem musical sobre a vida e carreira do Rei do Pop, Michael Jackson, dirigida por Antoine Fuqua e estrelada por seu sobrinho, Jaafar Jackson, recebi a oportunidade como um brinde que resultou na efervescência emocional ao refletir que logo mais aquele lugar deixaria de existir. Inevitavelmente, lágrimas escorreram ao som de um dos maiores ícones culturais do século XX.

Assim, para a Cineflix Cinemas fica a mensagem final do longa "Michael", "e sua história continua...". Afinal, a produção de Michael: Parte 2 foi oficialmente confirmada. 

Portanto, fica um valeu para a cidade de Santos, pois está aí a promessa de novos e melhores ares em Praia Grande. Que venha a evolução do lugar da diversão!


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Instagram: instagram.com/maryellen.fsm


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"Michaelé a grande atração da Cineflix Cinemas de Santos


A unidade Cineflix Cinemas de Santos, localizada no Shopping Miramar, exibe hoje, dia 30 de abril de 2026, a cinebiografia sobre o eterno Rei do Pop "Michael", o drama nacional "Rio de Sangue", com Giovanna Antonelli, a animação "Super Mario Galaxy: O Filme" e a comédia de ação policial nacional com Fernanda Montenegro e Ary Fontoura, "Velhos Bandidos" Compre antecipadamente os ingressos aquihttps://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.

Estão disponíveis para venda baldes colecionáveis da animação "Super Mario Galaxy: O Filme" e de "O Diabo Veste Prada 2"A unidade de Cinemas Cineflix Santos, fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga.

O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no GonzagaConsulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.


"Michael"(Michael). Gênero: Cinebiografia. Direção: Antoine Fuqua. Roteiro: John Logan. Duração: 2h 06min. Distribuição: Universal Pictures Brasil. Elenco: Jaafar Jackson, Colman Domingo, Nia Long, Miles Teller. Sinopse: A trajetória nos Jackson Five até se tornar o maior artista do mundo. Foca na ambição criativa e na vida pessoal do "Rei do Pop".

"Rio de Sangue" (nacional). Gênero: Thriller, Ação, DramaDireção: Gustavo Bonafé. Roteiro: Felipe Berlinck, Dennison RamalhoDuração: 1h 46 minutos. Distribuição: Disney. Classificação Indicativa: 16 anos. Elenco: Giovanna Antonelli (Patrícia Trindade), Alice Wegmann (Luiza), Antônio Calloni, Felipe Simas, Sérgio Menezes, Fidélis Baniwa, Ravel Andrade. Sinopse: Patrícia, uma policial afastada após uma operação fracassada e jurada de morte, se refugia no Pará. A trama engrena quando sua filha Luiza, médica em missão humanitária, é sequestrada por garimpeiros, forçando Patrícia a agir.  

"Super Mario Galaxy: O Filme" (The Super Mario Galaxy Movie). Gênero: Animação, Aventura, Comédia. Direção: Aaron Horvath e Michael Jelenic. Roteiro: Matthew Fogel. Duração: 1h 39 minutos.  Distribuição: Universal Pictures. Sinopse: Desta vez, a trama expande o universo cinematográfico para uma missão intergaláctica onde Mario e seus amigos devem deter uma nova ameaça cósmica. O filme marca a introdução da Princesa Rosalina e conta com a participação de Bowser Jr.

"Velhos Bandidos"(nacional). Gênero: Comédia, ação, policialDireção: Cláudio Torres. Roteiro: Cláudio Torres, Fábio Mendes e Renan Flumian. Duração: 1h 33min. Distribuição: Paris Filmes. Elenco: Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Bruna Marquezine, Vladimir Brichta, Lázaro Ramos. Sinopse: O longa acompanha o casal de aposentados que planeja um assalto audacioso a um banco para garantir uma aposentadoria tranquila. Para executar o plano, eles recrutam dois jovens comparsas, mas acabam sendo perseguidos por um obstinado investigador. 


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quarta-feira, 29 de abril de 2026

.: Crítica: "As Cores do Tempo" é espiral constante de vivências geracionais



Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em abril de 2026


Heranças sempre trazem labirintos a serem decifrados. Na produção francesa e belga "As Cores do Tempo" (La Venue De L'avenir ), há complicações maravilhosas que, ao longo de 2 horas e 4 minutos, entrega poesia visual de perfeita contemplação. Exibido no 2º Festival de Cinema Europeu IMOVISION, na Cineflix Cinemas de Santos, o longa dirigido por Cédric Klapisch ("O Próximo Passo"entrega drama, enquanto transita pela comédia.

Em "As Cores do Tempo" um grupo de mais de trinta herdeiros, no tempo presente, descobre estar conectado por laços familiares, uma vez que cada um é descendente de Adèle Meunier (Suzanne Lindon, de "Jovens Amantes"), mulher que deixou uma casa de família na Normandia, fechada desde 1944. Reunidos pelo interessado na compra do terreno com a antiga casa com previsão para ser estacionamento de um grande shopping, alguns herdeiros acabam se aproximando por conta de uma pintura que chama a atenção do professor Abdelkrim (Zinedine Soualem, de "Bonecas Russas").

No filme de fotografia belíssima e contemplativa, é um retrato impressionista que desenha a trama que envolve do início ao fim, incluindo o pintor Claude Monet e a prostituta Odette (Sara Giraudeau, de "O Destino de Haffmann") para formar a narrativa de Adèle Meunier. Ora saindo do presente para o passado, entrelaça duas linhas temporais (1895 e 2024/2025). 

Enquanto num tempo distante, uma jovem sai de um vilarejo, após a morte da avó, em busca da mãe na grande Paris, em tempos mais modernos, seus descendentes decidem o que será feito de seu imóvel fechado desde os anos 40. Com delicadeza, "As Cores do Tempo" constrói constantemente um espiral em que as vivências de gerações distintas se sobrepõem, relacionando a arte, a memória e a passagem do tempo. Imperdível!


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"As Cores do Tempo" (La Venue De L'avenir ). Gênero: Drama, Comédia. Direção: Cédric Klapisch. Roteiro: Cédric Klapisch. Duração: 2h 06min. Distribuição: Imovision. Elenco: Suzanne Lindon: Adèle Meunier (1895), Paul Kircher: Anatole (2025), Vassili Schneider: Lucien, Abraham Wapler: Seb / Claude Monet (1874), Olivier Gourmet: Claude Monet (1895), Philippine Leroy-Beaulieu: Sarah Bernhardt, Vincent Pérez: Tio Théophraste, Cécile De France: Calixte de La Ferrière, Vincent Macaigne: Guy, Julia Piaton: Céline. Sinopse: O filme destaca a transição da ancestral Adèle, de 20 anos, que sai da Normandia para Paris no final do século XIX, conectando sua história com a de seus descendentes. A trama é descrita como um épico familiar com o estilo humanista do diretor.

Trailer de "As Cores do Tempo"





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terça-feira, 28 de abril de 2026

.: Nova edição de “Desemprego e Outras Heresias”: romance de Bruno Inácio


Com escrita fragmentada e fluxo de consciência, livro esgotado desde 2023 ganha nova edição pela Sabiá Livros e consolida a linguagem cortante do autor paulista.


Com uma escrita fragmentada, direta e construída em fluxo de consciência, o romance "Desemprego e Outras Heresias", escrito por Bruno Inácio, ganha nova edição pela Sabiá Livros, após o esgotamento da primeira edição. A obra investiga os efeitos duradouros do fanatismo religioso no ambiente familiar e reafirma a força literária de um autor que aposta na tensão entre forma e conteúdo. 

Trata-se de um romance inquietante sobre os traumas provocados por uma ruptura familiar. De forma crua e cortante, o autor traduz em linguagem o estado mental do protagonista, criando uma atmosfera de constante tensão, isolamento e desolação. A segunda edição conta com texto de orelha de Marcelo Labes, prefácio de Cintia Brasileiro, fotos de Lucas Orsini e textos de quarta capa assinados por Xico Sá, Carla Guerson, Pedro Augusto Baía e Gael Rodrigues. A capa, o projeto gráfico e o posfácio são de Andreas Chamorro.


Família, fanatismo e desamparo
Escrito em um fluxo de consciência não linear, o romance acompanha Fábio, um publicitário que vive em São Paulo, distante de sua cidade natal, e enfrenta o isolamento, o desemprego e a falta de perspectivas. A narrativa alterna entre passado e presente, costurando a melancolia da vida adulta com lembranças de uma infância marcada por culpa, rejeição e episódios familiares tensos. Quando Fábio recebe um pacote enviado por seu irmão, é lançado a um mergulho involuntário nas memórias desse passado, fazendo emergir um mistério que atravessa toda a obra e conecta essas duas pontas de sua existência.

As relações familiares estão no centro do interesse literário de Bruno Inácio. “Ao longo dos séculos, a literatura tem se aprofundado nas mais diversas dinâmicas possíveis entre pessoas de uma mesma família e, ainda assim, o tema parece longe de estar esgotado”, afirma o autor. A desolação com que o protagonista encara a vida desde a infância é tão visceral que provoca no leitor a dúvida sobre o caráter autoficcional da obra. Bruno reconhece que parte da história dialoga com uma experiência pessoal: o desemprego. “Quando mudei de cidade, pensei que não teria dificuldades para encontrar trabalho, mas fiquei quase um ano e meio sem ocupação formal”, relata.

Ainda assim, o autor destaca que o romance nasce do encontro entre vivências distintas. “Resolvi escrever uma história que juntasse a questão do desemprego com outro tema que já me causava bastante preocupação: os impactos do fanatismo religioso na formação de crianças e adolescentes”, explica. Compre o livro "Desemprego e Outras Heresias", de Bruno Inácio, neste link.


Linguagem própria e amadurecimento literário
Mesmo diante de temas densos, Desemprego e outras heresias se constrói como uma obra coesa e instigante, consolidando o estilo próprio de Bruno Inácio: frases curtas, secas e diretas, que intensificam o ritmo da leitura e o impacto emocional da narrativa. Essa linguagem, já presente em seu livro de contos de estreia, ganha maior fôlego e complexidade no romance. “Foi desafiador construir uma história mais longa e compor um personagem tão complexo quanto o Fábio, alguém repleto de manias e contradições internas”, comenta o escritor.


Referências literárias e o fascínio pelo poeta do rock brasileiro
Bruno Inácio nasceu em Ituverava, interior de São Paulo, e vive desde 2018 em Uberlândia (MG). É graduado em Jornalismo pela Universidade de Franca, mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Uberlândia e pós-graduado em Psicanálise e Análise do Contemporâneo (PUCRS), Cinema e Produção Audiovisual (USCS) e Literatura Contemporânea (Centro Universitário Barão de Mauá). É colaborador do Le Monde Diplomatique, Jornal Rascunho e São Paulo Review. Já publicou textos em veículos como Rolling Stone Brasil e Estado de Minas.

Na literatura, estreou em 2022 com "Desprazeres Existenciais em Colapso" (Patuá) e "De Repente Nenhum Som" (Sabiá Livros), lançado em 2024. Desemprego e outras heresias, publicado originalmente em 2022, retorna agora em nova edição após o esgotamento dos 500 exemplares iniciais.

O interesse pela escrita surgiu ainda na adolescência. “Até os vinte e poucos anos me dediquei à poesia, depois, passei a escrever prosa e me encontrei”, conta. Entre suas referências literárias estão Marcelino Freire, Marcela Dantés e Carlos Eduardo Pereira, além de Caio Fernando Abreu, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles.

Outro nome fundamental em sua formação estética é Cazuza. Trechos de músicas do cantor aparecem em passagens relevantes de Desemprego e outras heresias, especialmente canções dos primeiros discos do Barão Vermelho. “Cazuza me impacta desde a adolescência e me hipnotiza até hoje com seus versos, o mesmo acontece com Fábio, protagonista do livro”, afirma o autor.


Trecho do livro (p. 24)
“Fui demitido pela razão mais lugar-comum dos últimos anos: a falência.
A crise não veio sem aviso prévio, como uma tia inconveniente.
Enviou cartas.
Deixou mensagens na secretária eletrônica.
Fez sinal de fumaça.
Então apareceu.
Descalçou os sapatos.
Se acomodou no centro da sala.
E ficou.
Não bastou mudar a gerência. As estratégias. Nem
pôr a vassoura atrás da porta. Quando me dei conta, estava prestes a colocar meus objetos numa caixa de papelão e sair para nunca mais voltar.
Cena recortada de um desses filmes preguiçosos de Hollywood. Na ficção, um recomeço-pré epifania. Na vida real, uma merda”.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

.: Entre "O Pai, a Faca e o Beijo", Thiago Sobral escreve o romance da omissão


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com

Há romances que não se contentam em apenas contar uma história. Eles cutucam, provocam, obrigam o leitor a encarar a vida de uma maneira mais pragmática. "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral, é um desses livros que estabelece uma relação de gato e rato com o leitor justamente porque não entrega facilmente o que ele quer. A cada página desse excelente livro de estreia, publicado pela Editora Patuá, a sensação é de se estar diante de uma tragédia anunciada - e, ao mesmo tempo, a de testemunhar um beijo negado, ou acompanhar a trajetória daqueles que se suicidam em vida.

O romance gira em torno de Santiago e Davi, o “Pirueta”. À primeira vista, parece uma história simples: dois homens tentando se aproximar, ainda que cercados por obstáculos, o principal deles é o embate com um pai que faz o que faz para proteger o filho da maledicência de uma cidade pequena. Mas Sobral não entrega um romance de amor no molde previsível. Em vez disso, o autor cria um campo de batalha em que as palavras são mal-entendidas, cada gesto se converte em desentendimentos e cada omissão para evitar o confronto carrega mais peso do que qualquer briga consumada. 

Santiago é o retrato da desesperança: um jovem que parece já ter desistido de si mesmo. Ele também é um paradoxo ambulante: homossexual e homofóbico, negro e racista, puritano e promíscuo, apaixonado e cruel, detestável e vítima das circunstâncias. O protagonista despeja todo tipo de chorume verbal, na fala e nos pensamentos, e ainda assim o leitor insiste em torcer por ele, como se a esperança de redenção pudesse surgir exatamente de quem mais nega a própria possibilidade de mudança e, sobretudo, de ser feliz.

Esse jogo perverso de expectativas é uma das forças do livro. Thiago Sobral não oferece personagens fáceis, mas desafia o leitor a se apegar a eles mesmo assim, como quem insiste em cuidar de uma planta que já nasceu murcha. Essa insistência faz parte da experiência da leitura desse livro: torcer pelo impossível. Mas não são apenas Santiago e Davi que sustentam o enredo de personagens carismáticos e fortes. 

Ao redor deles, um coro de personagens secundários amplia a sensação de claustrofobia emocional. A mãe, apresentada como doce e pilar da família, falha justamente por se omitir - a bondade dela é uma forma de covardia. O padre, que poderia ser refúgio espiritual, é ao mesmo tempo hipócrita e humano até demais, pois também revela-se incapaz de escapar dos dilemas dele. E Severo, o pai opressor e antagonista do próprio filho, representa a insatisfação destilada em cada atitude controversa. 

A falta de conciliação é a espinha dorsal de um livro que se constrói sobre a falha, a omissão e a impossibilidade. Cada gesto que poderia resolver é adiado e cada fala que poderia curar é engolida em um universo onde ninguém é de ninguém e todos se rejeitam o tempo todo. A escrita de Thiago Sobral é impregnada de fé, que no livro não aparece como dogma, muito menos como consolo. O autor, ex-seminarista, sabe quando a religião aperta e escreve sobre espiritualidade sem devoção cega, nem medo de expor as contradições de um universo que insiste em pregar amor enquanto ignora conflitos que poderiam ser resolvidos com uma fala mais incisiva. É uma literatura de coragem porque não teme nomear a ferida.

A influência de Machado de Assis é visível. Não se trata de copiar estilo do Bruxo do Cosme Velho, mas de herdar a ironia fina, a capacidade de desmontar o humano pela sutileza, o gosto pelo pessimismo elegante. Thiago Sobral parece olhar para os personagens que ele cria com a mesma frieza do autor de "Dom Casmurro" diante de Bentinho e Capitu: sem absolvições fáceis e muito menos recorrer ao melodrama.

Curiosamente, a leitura também evoca o cinema. Como no clássico "Casablanca", há uma sensação de destino interrompido, de que os protagonistas sempre carregarão um espaço vazio, um amor não realizado, um “barraco” abandonado em Cubatão, cidade que é cenário de toda essa história, e que traz o peso de uma geografia real para dentro do mito da separação eterna."O Pai, a Faca e o Beijo" é uma ode à liberdade, que nasce do confronto com o que se tentou calar. 

É a liberdade que pode ser percebida nos escombros, no beijo interdito, no pai irredutível e violento, no filho em fuga, naquilo que se faz escondido e no que se varre para baixo do tapete. Não é exagero dizer que também é um soco no estômago. Não há catarse porque não há reconciliação, e talvez esteja aí a ousadia maior do livro: recusar ao leitor a ilusão de que a vida sempre encontra um jeito. Compre o livro "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral, neste link.

domingo, 26 de abril de 2026

.: Entrevista com Ana Paula Renault, a campeã do "BBB 26"


Dez anos após a polêmica participação no "BBB 16", a veterana retornou ao reality com intensidade, sem máscaras e sem medo de se expor. Foto: Beatriz Damy

Ela entrou de cabeça no jogo e não escondia de ninguém: “estou aqui pelo prêmio”. Na noite da última terça-feira, dia 21 de abril, Ana Paula Renault se consagrou como a grande campeã do "BBB 26", conquistando 75,94% dos votos em uma trajetória marcada pela autenticidade e determinação. Dez anos após a polêmica participação no "BBB 16", a veterana retornou ao reality com intensidade, sem máscaras e sem medo de se expor. Transformou a sinceridade em estratégia, revelou o jogo dos adversários e conquistou a confiança do público. Entre embates memoráveis, ironias afiadas e uma postura firme diante das divergências, Ana Paula mostrou que não apenas participou do programa, mas mergulhou de corpo e alma na disputa e saiu vitoriosa.
 
"Entrei sem estratégia definida, porque achava que precisava sentir o elenco e o jogo. [...] Minha estratégia acabou sendo expor a estratégia dos outros, porque desde o primeiro dia eu dizia que estava jogando. Muitos floreavam objetivos diferentes, pareciam ter vergonha de admitir que estavam lá pelo dinheiro, mesmo estando numa casa cheia de diamantes, ouro e dinheiro na decoração. Alguns forjavam personagens: um era o bom moço, a outra a gatinha... Eu observava isso e sentia a obrigação de expor para o público, para que nos julgassem de forma transparente. Então, meu jogo era expor o jogo dos outros e irritar quem me irritava", conta. Na entrevista a seguir, Ana Paula analisa os principais acontecimentos e estratégias de jogo que a levaram ao primeiro lugar.
 
Depois de dez anos da sua primeira participação no reality, você aceitou o desafio de retornar ao Big Brother Brasil. Quais foram as maiores diferenças entre essas duas experiências? 
Ana Paula Renault - Eu acho que a principal diferença foi o meu foco. No "BBB 16" eu entrei para viver uma experiência dentro dos Estúdios Globo, queria entender como era a casa do "BBB". Achei que ficaria apenas uma semana, para depois contar às minhas amigas como tinha sido. Minha irmã mais nova sempre foi muito fã do programa, ela assinava o pay-per-view porque naquela época era na TV a cabo. Então, ela me incentivou a ir, nem que fosse só para conhecer e contar para ela como era. Entrei nesse novo mundo mais na brincadeira, pela diversão, pelo oba-oba de estar na Globo. Já agora, 10 anos depois, entrei focadíssima na missão que meu pai me deu. Alcancei meu objetivo graças a todas as pessoas que me apoiaram do início ao fim, porque nada teria valido a pena sem elas. Tenho plena convicção de que cumpri minha missão porque o público esteve comigo.
 

Durante a competição, você foi vista como uma jogadora estratégica e sagaz. Quais eram suas estratégias de jogo para conquistar o grande prêmio?
Ana Paula Renault - Entrei sem estratégia definida, porque achava que precisava sentir o elenco e o jogo. Falei isso mais de uma vez. As coisas foram se desenhando naturalmente, eu fui percebendo situações que caíam no meu colo. A partir desse desenho, fui juntando pontos, cada participante dava uma nota e eu fui dançando conforme a música. Minha estratégia acabou sendo expor a estratégia dos outros, porque desde o primeiro dia eu dizia que estava jogando. Muitos floreavam objetivos diferentes, pareciam ter vergonha de admitir que estavam lá pelo dinheiro, mesmo estando numa casa cheia de diamantes, ouro e dinheiro na decoração. Alguns forjavam personagens: um era o bom moço, a outra a gatinha... Eu observava isso e sentia a obrigação de expor para o público, para que nos julgassem de forma transparente. Então, meu jogo era expor o jogo dos outros e irritar quem me irritava.

 
Junto com Juliano, Milena e Samira você formou o grupo dos "Eternos", que em determinado momento se juntou ao grupo do quarto “Sonho do grande Amor”. Depois de algum tempo, esse grande grupo rachou. Na sua opinião, qual foi o motivo desse rompimento? 
Ana Paula Renault - Com o grupo do "rendez vous" — vamos dar nome aos bois — já me disseram que eu estava ofendendo pais e mães de família, mas eu sou bruxona e desumana, ofendo gratuitamente. Então pode colocar que será "rendez vous" pra sempre, só de ódio, pra irritar quem me irrita. Meu objetivo era nos salvar do quarto voar, mas em determinado momento eles chegavam com três opções de voto e não nos escutavam. Os homens achavam que sabiam de tudo, teorizavam como Mestres dos Magos. Depois compraram as caixas do poder, sabiam que havia algo dentro e não nos contaram. Mentiram para a Tia Milena dizendo que não tinha nada, quando na verdade havia coisas, ainda que bobagens. Um dia, na academia, durante manutenção interna, o Juliano comentou sobre o conteúdo das caixas e o Babu e o Boneco começaram a cortar a fala dele. Olhei para Milena e Samira e entendemos que estavam nos privando de informações. Percebemos que só nos usavam e que aquilo acabaria. Então decidimos fazer nosso próprio jogo, juntos ou separados, mas sem mais fazer parte de um grupo que não nos escutava nem trocava de forma digna.
 

Os “Eternos” permaneceram juntos apesar das divergências internas. Como você ajudava a equilibrar essas diferenças entre os integrantes do quarto? 
Ana Paula Renault - Tentando manter a lucidez de todos. Eu sou uma pessoa que tem antipatias fortes e fico cega por elas, e falava muito isso com Juliano, Milena e Samira. Gostava de ouvir as opiniões deles sobre nossos adversários e até sobre mim mesma. Essa troca genuína nos mantinha lúcidos. Respeitávamos muito uns aos outros e aprendi que devemos aprender com todo mundo, porque não existem verdades absolutas. Acho que foi isso que nos manteve unidos ao longo do trajeto.
 

Um dos seus destaques no "BBB 26" foram os apelidos que você criou para seus adversários, e a forma bem-humorada e irônica com que conduzia as conversas. De que forma isso a ajudou no jogo?
Ana Paula Renault - Isso me ajudava a não sucumbir. As pessoas tinham julgamentos muito fortes e distantes da realidade sobre mim, muitas vezes perversos, que me diminuíam. Se o público comprasse essas ideias, eu estaria ferrada para o resto da vida, e isso sempre martelava na minha cabeça. Então, quando vi que não entendiam meu sarcasmo e ficavam perdidos, percebi que era uma forma de irritar todo mundo e seguir firme.
 

Enquanto esteve na casa, Alberto Cowboy e Jonas foram seus alvos no "BBB". O que te incomodava no jogo deles e qual era sua estratégia para eliminá-los? 
Ana Paula Renault - Os dois se faziam de bons moços, defensores da moral e dos bons costumes, mas nós entendíamos que não era bem assim. Eles escorregavam quando esse personagem não estava presente. Tadeu sempre dizia: "a estratégia é de vocês", e eu sempre respeitei o jogo de todos. Mas achava justo que o público visse também o que eles faziam quando a máscara estremecia. Minha estratégia era mostrar quem eles realmente eram.


Quais foram os momentos mais especiais da temporada para você?
Ana Paula Renault - O dia em que entrei na casa e o dia em que saí. Marcam o início e o fim.
 

Quais são seus próximos planos depois de participar do "BBB 26"? O que deseja fazer daqui para frente? 
Ana Paula Renault - Tomar banho. Comer. Esperar a lua cheia para cortar o cabelo. Ir à minha dermatologista e continuar irritando quem me irrita. Porque o mundo não pode parar.

.: Entrevista: Milena Moreira Lages, a "Tia Milena" do "BBB 26" fez história


Com personalidade marcante, Milena Moreira Lages fez história no "Big Brother Brasil". Foto: Beatriz Damy

De volta ao mundo real, Milena tomou consciência de que fez história no "Big Brother Brasil". A Pipoca que foi mais longe na disputa em 2026 alcançou o segundo lugar no pódio da temporada. Jogadas arriscadas, conflitos e provocações frequentes fizeram parte de seu dia a dia no programa. A amizade com os “eternos” foi um dos pontos altos de sua jornada no reality show. Ao lado de Ana Paula Renault, a mineira esteve no centro dos embates que agitaram a edição, e colocou em prática atitudes controversas contra os adversários que despertaram reações diversas no público.

Além de tudo isso, a babá e recreadora mergulhou num intenso processo de autoconhecimento. Seu maior medo no "BBB", declara, era ser esquecida. Hoje, ela acredita que a rebeldia e a coragem foram características que lhe levaram tão longe. “Eu deitava na cama e pensava: ‘Gente, o que eu vou fazer?’ Era procurar uma treta ou um paredão, está entendendo? Era o único jeito de ser o centro. Machucar não dava, não era opção. Então era paredão ou tretar”, detalha. A ex-participante já planeja um possível retorno ao reality como veterana, e na entrevista a seguir, conta quais são seus planos mais próximos. Tia Milena também revela suas primeiras percepções depois de deixar o confinamento.
 

Pouco antes do final da temporada, você afirmou que não era mais a mesma pessoa que entrou pela porta no dia 12 de janeiro. O que mudou na Milena de 100 dias atrás e a Milena que saiu ontem como a segunda colocada do ‘BBB 26’? De que forma essa experiência te transformou?
Milena Moreira Lages -
Mudou tudo! Aquela Milena existiu, eu sei que ela está aqui dentro ainda, mas ela deu espaço para uma Milena melhor, para uma evolução. Essa experiência me transformou de todas as maneiras.
 

Logo nos primeiros dias na casa, você estabeleceu uma relação de amizade com a Ana Paula Renault. Como se deu essa conexão entre vocês duas? 
Milena Moreira Lages - O Brigido tirou a Ana Paula da primeira prova e logo após isso eu caí. Quando eu chego na casa, o Juliano (Floss) vem e me dá o conforto. Aí eu lembro que eu tinha brigado com a Sol e ele não deixou a Sol cair. Eu fiquei brava com ele e falei: “Cadê a Ana Paula?”. A única pessoa naquele momento que me veio à cabeça foi ela. Não vamos esquecer de quando eu entrei na casa e falei “a última é ela”. Eu falei: “Olha elaaaa, cadê o seu bordão?”. E ela com cara de “por que vocês estão esperando isso de mim?”. Foi uma conexão verdadeira e real. Se depender de mim, do meu coração e da minha mente vai permanecer igual. Nós somos eternos. Aquela frase do Tadeu eu não gostei muito, não – “Que seja eterno enquanto dure”. Mas é a mais pura verdade, porque a gente não pode entrar na mente das pessoas. Elas têm seu próprio pensamento.
 

A organização do seu pódio mudou do início do jogo para o final. Enquanto a Samira foi para o segundo lugar, a Ana Paula foi para o terceiro. O que provocou essa mudança? 
Milena Moreira Lages - Eu expliquei para a Ana Paula. A Samira estava num momento muito difícil, eu nunca vi ter medo de paredão daquele jeito. Eu era a louca que gostava do risco do paredão. E o pessoal aqui fora sofria muito com isso, porque eu praticamente pedia para ir ao paredão. Inclusive, em um que eu fui indicada, quem me indicou falou: “Ela pediu, é só por isso”. Foi uma semana que o Juliano se aproximou muito da Ana. E eu, quando eu vi aquele momento da Samira no paredão, acolhi e me aproximei muito mais dela. Quando eu vi aquilo, foi uma mega surpresa para mim, fiquei muito brava. Gente, como assim? Essa é a hora de colocar ela, essa é a hora de o público ver que os eternos são eternos ainda. Então, quando eu falei meu pódio, acho que foi uma surpresa até para Ana também, apesar de ela ter me falado que não foi tão surpresa assim, porque eu estava muito ligada à Samira. Eu fiquei muito brava com o Juliano e com a Ana. E, no fim, eles estavam certos, né? Porque foi o pódio dos dois que vingou. Eu dormi e, quando acordei, a primeira coisa que eu falei foi: “Ana, por que vocês fizeram isso com a Samira?”. Mas depois eles me explicaram e hoje eu super vejo e entendo que a gente não manda no pensamento, no coração das pessoas. É o natural, é o que a pessoa tá sentindo. Uma coisa que o Tadeu falou e a Ana falava também é que é semana após semana, dia após dia. Em um segundo pode mudar tudo, um milésimo. E mudou, né? 
 

Você foi apontada pelo público como uma das mais marcantes Pipocas do "Big Brother Brasil". O que te levou ao segundo lugar do "BBB 26", na sua opinião?  
Milena Moreira Lages - A rebeldia e o fato de não ter medo. É um conselho que eu dou sempre para quem se inscreve: vá sem medo. Você vai sofrer depois... porque agora a minha ficha está caindo. Eu desliguei o botão daqui de fora, eu me priorizei. Lá era a minha vida, era como se não existisse ninguém aqui fora. Eu precisava disso para viver lá dentro. Eu precisava desligar a conexão que eu tinha aqui fora para me conectar lá dentro. Só que eu voltei, eu tenho a conexão e o botão teve que ser ligado novamente. É como a gente sempre disse lá: nunca julgar externo, sempre jogar com as armas que nós temos dentro da casa. E cancelar pessoas também não, tá, gente? Nessa edição não tem cancelamento. É uma edição divertida, legal e histórica, como muitos disseram. Então, zero cancelamento, viu? 
 

Você também foi reconhecida pelo jogo arriscado e dizia, lá dentro, que gostava da adrenalina. Qual era a sua estratégia para vencer o "BBB"? 
Milena Moreira Lages - Eu deitava na cama e pensava: “Gente, o que eu vou fazer?” Era procurar uma treta ou um paredão, está entendendo? Era o único jeito de ser o centro. Machucar não dava, não era opção. Então era paredão ou tretar. E treta sem sentido não dava certo. Falei: “O único jeito é o paredão. Vambora, vou atrás dos meus embates e vou desafiar eles. Você é corajoso? Me coloca". E eles me colocavam. Eram os dias em que eu dormia melhor. Todo mundo louco lá dentro por não querer sair; o povo aqui fora arrancando os cabelos. Eu deitava e dormia. Inclusive o Tadeu falava: “Mas que confiança é essa?”. Era porque eu sabia que quem me olha não dorme e os vivos aqui fora também não dormiam não, viu? 
 

Alberto Cowboy e Jonas foram grandes adversários seus ao longo da temporada. O que a incomodava no jogo deles? 
Milena Moreira Lages - Só eles ganhavam prova; juntos foram oito lideranças. Inclusive a liderança em dupla foi de quem? Dos dois! Por isso que eu dei o monstro para o Jonas. Com certeza um queria colocar a Ana Paula e o outro queria me colocar. Eu falei: “Gente, vamos resolver esse trem logo de uma vez? Toma o seu monstro, já que você gostou de colecionar colares. E por favor, gente, palmas pra mim”. Aí me bateram palma. Eles entraram em consenso – ainda não vi essa parte do programa – e me colocaram, tudo bem. Desde o primeiro paredão, eu não me permiti mais ser pega de surpresa. Eu com aquela mira no braço e todos falavam: “Ele não vai te colocar, ele não vai te colocar...” O que ele fez? Ele me colocou. Apesar de me incomodar o fato de não conseguir vencer prova, o público não ia tirar eles de lá porque eles ganhavam. É um mérito deles: o físico, o mental. Mas eles me incomodavam em tudo. Principalmente pela questão da Ana Paula. Eles estavam sempre ali tentando. E ela também não era uma santa, né? Ela também tentava. Nós tivemos um jogo muito parecido nessa questão de ir atrás dos embates.
 

Com a postura mais provocativa, você se tornou alvo logo na primeira semana, mas também demonstrava segurança ao encarar as berlindas. Como lidou com essa ameaça constante de deixar o reality?  
Milena Moreira Lages - A primeira foi terrível, porque na minha cabeça o primeiro que sai é sempre o esquecido. Não sei como foi com a Aline (Campos), mas nas outras edições, o primeiro nunca é lembrado. Eu sempre tive o medo de ser esquecida. Se fosse para sair, que eu tivesse feito algo que presta, algo para ser lembrada. Mas no fundo, no fundo, tinha um medo. Eu só não ia demonstrar isso para os meus adversários. Sabe por quê? Porque se eles não me conhecem, eles podem julgar o tanto que eles quiserem errado. Eu me conheço e é o que importa. Era o que a Ana sempre dizia: “A nossa vantagem é que eles não nos conhecem. Deixa eles pensarem que nós somos destemidas, que nós não temos medo”. Foi isso que nos ajudou a chegar até aqui. 
 

Quais foram os momentos mais especiais da temporada para você? E os mais difíceis? 
Milena Moreira Lages - Com certeza o primeiro foi a conexão que eu tive com a Ana, depois a conexão com a Samira. A lealdade que eu tive. E as pessoas não entendiam a lealdade que eu tinha com o Breno. Eles tinham que assistir à casa de vidro para saber o porquê. O Breno me salvou de ser desclassificada ali mesmo. Eu consegui lá dominar esse meu jeito explosivo. Eu fiquei a ponto de machucar alguém e isso não era o que eu queria. Não era nem tanto pela explosão, é porque isso não é de mim mesmo. 
 

Na prova do finalista, você se desentendeu com a Ana Paula por conta do apoio ao Leandro. Como foi essa questão para você?
Milena Moreira Lages - Eu não queria que o sonho de ninguém acabasse, essa foi a minha frase. Mas é um jogo e o sonho de alguém tem que acabar para o do outro continuar. Inclusive, não é só no jogo, na vida também. Mas aqui a gente consegue controlar um pouco; lá não, está na mão do público. Depois que eu saí do primeiro grupo, quando ficou eu, Ana, Juliano e Samira, eu tive uma certa resistência de aceitar outras pessoas. E eles me apoiaram a aceitar o boneco, porque foi o único do quarto branco e da “família feliz” que sobrou. Então, eu fui aplaudida e senti que eu estava fazendo o certo em abraçá-lo: “Você é um eterno agora”. Só que depois eu me senti mal porque parecia que eu não estava sendo fiel, não estava sendo leal com ele em querer que ele saia a qualquer custo. Sendo que ele estava no quarto, ele estava no eterno. E era isso que eu tentava explicar e eles não entenderam muito. Outra coisa que foi polêmica foi a voz. Eu amo a voz e eu sempre falei, desde o primeiro paredão, que a melhor parte é conversar com ela naquele papo com o emparedado. Aí quando a Ana veio para mim e falou: “Tia Milena, já é uma vitória. Já é grande não ter subido nós três, que era um medo desde o início.” Aí eu virei para ela e falei: “Não, a melhor parte para mim é a voz. A segunda é essa”. Aí ela largou minha mão. Mas é óbvio que eu fiquei feliz de não ir o Juliano, eu e a Ana, porque era melhor o Boneco ter saído do que eu, do que a Ana. Sobre as informações da prova, na verdade, foi mais uma brincadeira. Inclusive, ele não estava dormindo. O cara ficou seis dias no quarto branco, acordado. Você acha que numa prova, para garantir a final, ele iria vacilar e dormir? Jamais ele dormiria ali. E essa foi a informação pela qual eles brigaram comigo e o Juliano até ficou com o pé atrás de me passar... Estudar comigo, porque eu não considero que ele passou a informação. Acho que foi uma forma diferente de eu estudar, que eu pegava melhor. Aí foi uma brincadeira para descontrair, foi o susto. 
 

Se tivesse a chance, faria algo diferente no "BBB"? 
Milena Moreira Lages - Faria tudo igual. Porque se eu não tivesse feito, eu não estaria aqui onde eu estou hoje. Inclusive, eu voltarei. Eu sei que haverá novas regras, mas venho em busca do meu primeiro lugar. E que fique bem claro, eu estou muito feliz que cheguei na final e estou aqui vivendo uma vida que jamais imaginava. Eu estou mega feliz pela Ana, sério. Eu e o Juliano estamos explodindo de felicidade por ela. Ela é milionária, inclusive vai pagar a minha viagem internacional todinha (risos). O combinado é que o milionário paga. 
 

Que aprendizados ficam dessa experiência tão longa e tão intensa? 
Milena Moreira Lages - O maior aprendizado é o da descoberta, de se remontar e saber que tudo que você acredita e vive não é verdade. Ou pode ser verdade e sempre se adequar, sempre se redescobrir. Eu descobri umas dez Milenas que eu não sabia que existiam, que eu trouxe para cá. Elas vão ter que continuar dominando e é isso aí.
 

Quais são seus próximos planos depois de participar do ‘BBB 26’? O que deseja realizar daqui para frente? 
Milena Moreira Lages - Eu só queria uma casa para a minha mãe; para mim, depois eu correria atrás. Uma coisa que o "BBB" ensinou é: “jamais tenha planos”. Ou tenha planos, mas siga o baile, gente. O que vier é lucro. Inclusive, eu sei que tem muitas “publis”. Se a Globo quiser renovar comigo, se ela quiser que eu cante, eu canto. Se ela quiser que eu vire atriz, eu viro. Viro produção também... eu estou aberta a tudo. Tudo que vem é um aprendizado para o futuro, para esse novo crescimento da Milena.
 

Que amizades deseja cultivar fora da casa? 
Milena Moreira Lages - Ana, Samira e Juliano. Com os três eu desejo muito continuar aqui fora. Eu vejo os “eternos” bem velhinhos sentados ali, lembrando de tudo e rindo. É engraçado que eu crio afeto pelas pessoas muito facilmente. Mas lá eu tentei não criar esse afeto, porque a gente sofre. Não tem como amar sem sofrer. Inclusive, a Ana ficou muito brava comigo. Eu não esqueci tudo que a Jordan fez, mas naquela noite do pijama foi a primeira vez que eu me permiti olhar de verdade nos olhos dela e ter uma conversa normal, sem ter na cabeça de “ela é sua inimiga, ela é terrível; lembra de tudo o que ela fez com você...”. Eu lembrava, mas foi a primeira vez que eu me permiti olhar para ela, conversar. E eu senti realmente que ela ficou feliz ali pela minha conquista com o RBD e por estarmos os cinco ali.
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