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quarta-feira, 6 de maio de 2026

.: Na Reserva Imovision, “Omen” expõe feridas coloniais e provoca o espectador


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com.

Após anos vivendo na Europa, Koffi retorna à República Democrática do Congo em busca de reconexão com as origens, mas encontra um território marcado por desconfiança, conflitos culturais e feridas históricas ainda abertas. É nesse terreno simbólico e profundamente político que se constrói “Omen” (“Augure”), filme dirigido pelo multiartista congolês Baloji, que também assina o roteiro ao lado de Thomas van Zuylen. O filme estreia nesta quinta-feira, dia 7 de maio, na plataforma de streaming Reserva Imovision

Protagonizado por Marc Zinga, ao lado de Yves-Marina Gnahoua e Marcel Otete Kabeya, o drama acompanha o retorno de um homem que já não pertence completamente nem à Europa, onde viveu, nem ao Congo, de onde saiu. A narrativa parte de um gesto simples, o pagamento de um dote ao pai, para desdobrar tensões familiares e sociais que revelam camadas profundas da experiência pós-colonial africana.

Selecionado para a mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2023, quando venceu o prêmio Nova Voz, o longa-metragem se destaca não apenas pelo reconhecimento internacional, mas pela forma como articula estética e discurso. Baloji, que construiu carreira na música antes de migrar para o cinema, imprime à obra uma linguagem visual marcada pelo simbolismo e pelo realismo mágico, dialogando com tradições cinematográficas europeias e latino-americanas.

Entre as imagens mais fortes do filme está a raspagem do cabelo de Koffi antes do retorno à África, gesto que sintetiza o apagamento cultural e a desconexão identitária do personagem. Ao chegar a Kinshasa, ele enfrenta acusações de feitiçaria e manifestações físicas interpretadas como possessão, evidenciando o choque entre crenças locais e influências ocidentais - muitas delas herdadas do próprio processo colonial.

Inspirado, segundo o próprio diretor, pela morte do próprio pai, “Omen” também carrega uma dimensão íntima, refletida na busca constante de Koffi por uma figura paterna ausente. Esse vazio ecoa como metáfora das rupturas provocadas pela diáspora africana e pelas imposições históricas da colonização europeia, tema que atravessa o filme com força e complexidade. Ainda que enfrente oscilações narrativas, especialmente na introdução de subtramas que nem sempre se sustentam, o filme se firma como uma obra relevante pela capacidade de provocar e tensionar. 


Ficha técnica
“Omen” | “Augure” (título original)
Gênero: drama
Duração: 1h32
Classificação indicativa: 14 anos
Ano de produção: 2023
Idioma: francês e lingala
Direção: Baloji
Roteiro: Baloji e Thomas van Zuylen
Elenco: Marc Zinga, Yves-Marina Gnahoua, Marcel Otete Kabeya, Lucie Debay, Eliane Umuhire
Distribuição no Brasil: Imovision
Cenas pós-créditos: não


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