domingo, 24 de maio de 2015

.: O porquê de Gisele Bündchen, por Helder Miranda

Por Helder Miranda
Em maio de 2015

Após a übermodel anunciar aposentadoria, muita gente ainda se pergunta o motivo de Gisele Bündchen não ter renovado o contrato com a famosa grife “Victoria’s Secret”, anos antes. 

Na época, ela tinha 26 anos, e a gigante americana representava 80% dos ganhos dela. A marca queria contratá-la por mais alguns anos, e o que parecia o caminho natural para todos não aconteceu, porque Gisele, depois de todos esses anos, resolveu contar que, com as mudanças naturais do corpo,não estava mais se sentindo bem fazendo aquilo. 

Durante três meses, a modelo refletiu, orou e meditou até que, no dia da decisão final, seguiu a intuição e rompeu de vez. O tempo mostrou que ela estava certa. Hoje, mesmo aposentada tão jovem, está entre os principais nomes das modelos de todas as épocas.

.: Dilma Roussef e Jô Soares, amigos íntimos?

Por Helder Miranda
Em maio de 2015

Ninguém entendeu a visita informal que o apresentador Jô Soares fez para a presidente Dilma Rousseff, em Brasília. 

No encontro, que durou quase duas horas, ela disse a Jô que, na década de 1970, quando o Brasil vivia sob a ditadura militar, o humorístico "Faça Humor, Não Faça Guerra", que Jô fazia parte, era a sua alegria. 

Os dois ainda conversaram sobre o livro "O Homem que Amava os Cachorros", do cubano Leonardo Padura, que conta os últimos anos de vida do revolucionário russo Leon Trotski, e a trilogia sobre Getúlio Vargas, de Lira Neto. No final da conversa, ela prometeu ir ao "Programa do Jô" para retribuir a visita. 

Choveram críticas na internet, mas pensa que ele se abalou? Autor de livros e peças de teatro aclamados, ele confessou em recente entrevista que leva a vida como uma brincadeira. “Porque, senão, vira um inferno, vira trabalho”, finalizou.

.: Transtorno raro faz pessoas terem aversão sexual

Por Helder Miranda
Em maio de 2015

É raro e pouco conhecido, mas existe um transtorno caracterizado por rejeição extrema e persistente a todo tipo de contato genital com outra pessoa. 

Para as pessoas que sofrem disso, a simples ideia de se relacionar sexualmente gera nojo e ansiedade. Ela se sente ameaçada e passa a sentir um medo intenso, por isso faz o possível para evitar qualquer tipo de contato físico. 

Embora existam poucos estudos científicos sobre esse mal, há tratamento, que é feito à base de terapia sexual e medicação, se houver necessidade. Terapias comportamentais também são indicadas. Por isso, é bom não se desesperar: para tudo, há sempre luz no fim do túnel.

sábado, 23 de maio de 2015

.: Ana Souto no Provocações: A dificuldade de se fazer teatro

A dramaturga  explica por que não é conhecida do grande público. A edição inédita com o apresentador Antônio Abujamra vai ao ar na terça-feira


A dramaturga Ana Souto é a convidada do Provocações em edição inédita, comandado por Antônio Abujamra, que vai ao ar nesta terça-feira, dia 26 de maio, às 23h30, na TV Cultura.

Apaixonada por livros desde os cinco anos de idade, Ana Souto conta o que a fascina nas artes cênicas: “A primeira coisa que me chamou a atenção no teatro não foi nem o ato de atuar, mas o texto. Eu achava lindo aquilo, as pessoas falando o texto”.

Com 24 anos de carreira e apaixonada pelo teatro documental, a dramaturga explica por que não é conhecida do grande público. “Ser celebridade nunca foi uma meta. O meu currículo é bem variado, mas eu nunca tive tantas produções, pois levantar um projeto demora dois ou três meses”.

A diretora  fala sobre as dificuldades de se fazer teatro no Brasil e explica as condições de financiamento para a produção cultural, sobretudo a teatral. Segundo ela, existe uma disparidade entre o dinheiro que vai para os projetos subsidiados pela Lei Rouanet, que estão sob curadoria de empresas, e o que vai para os produtores independentes, aqueles que fazem diálogos horizontais com a sociedade, “aqueles que estão na contracorrente, que querem falar das coisas que não estão na moda...”, explica. Ela completa dizendo: “Eu me considero um deles [produtor independente], e tenho essa dificuldade, que é conseguir subsídio para essas temáticas e questões que são prementes da sociedade”.

Ana Souto fala ainda de sua experiência na oficina de roteiro da TV Globo: “Como roteirista, estou sempre buscando essa qualidade do entretenimento que a dramaturgia traz”.

.: Fique cara a cara com um Velociraptor em Resort

Você já imaginou ficar frente a frente com um Velociraptor? A partir deste fim de semana, no Universal Orlando Resort, você poderá fazer isso!


Férias como você sempre sonhou no Universal Orlando Resort – onde cada segundo de adrenalina, de surpresa e de arrepio conta. É o único lugar onde você pode transformar “passar um tempo com sua família” em “passar um tempo como uma família”. Juntos, vocês podem sobrevoar Hogwarts com Harry Potter, pendurar-se pelas ruas com o Homem Aranha, tornar-se um Minion na divertida e emocionante atração Despicable Me Minion Mayhem e juntar-se ao Optimus Prime na luta para salvar a humanidade na nova mega atração TRANSFORMERS: The Ride – 3D. E você pode, agora, entrar em The Wizarding World of Harry Potter – Diagon Alley.

O Universal Orlando Resort abriga dois incríveis parques temáticos: o Universal Studios Florida e o Islands of Adventure da Universal; quatro magníficos hotéis temáticos no local: o Loews Portofino Bay Hotel, o Hard Rock Hotel, o Loews Royal Pacific Resort e a mais nova adição, o Cabana Bay Beach Resort da Universal; além do Universal CityWalk, um complexo exclusivo de entretenimento e gastronomia, que oferece restaurantes, lojas e boates únicos. E, localizado a apenas alguns minutos do Universal Orlando Resort, está o Wet n’ Wild, o principal parque aquático de Orlando.

O Universal Orlando Resort faz parte da NBCUniversal, uma empresa da Comcast. Siga o Universal Orlando Resort no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

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.: Crônica: O verdadeiro arroz de festa, por Mary Ellen Farias dos Santos

Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em maio de 2015



Sabe aquele grão que para muitos povos representa o alimento da vida e da imortalidade? Em várias culturas é considerado de origem divina? Traduz também um simbolismo de abundância entre povos do oriente? No ocidente é símbolo de felicidade e fertilidade? Não!? Este é o arroz, o protagonista deste caso verídico.

Foi um ato tão simples, mas que teve uma tremenda consequência. Estávamos no supermercado e, com toda a intenção de facilitar o trabalho, embora maridão tenha relutado, decidi separar mais alguns itens das cestas básicas, que estavam no porta-malas. Sim! Já havia subido alguns, mas precisava do achocolatado, açúcar e do arroz. Exato! O bendito, ou divino, alimento da imortalidade, abundância, felicidade e fertilidade.

Entre duas caixas, com o auxílio do maridão, comecei a organizar em uma o que serei doado e, na outra caixa, o restante dos produtos que iríamos subir para o apartamento. A verdade é que nem foi possível concluir toda a divisão, não. Assim que ergui o saco de arroz, foi um choque. Mais de um quarto dos grãos de arroz que estavam na embalagem saltitaram nos cantinhos mais escondidos do porta-malas e no chão do estacionamento do supermercado.

Desesperador? Demais. Afinal, o relógio já marcava 22 horas e quase 30 minutos, tendo o carro e o chão do supermercado naquele estado... Ver aquilo foi de cortar o coração, em meio a uma crise, tanto alimento no chão, mas... Não tinha jeito! 
O saco? Já estava estourado, ou seja, independente de onde quer que o arroz fosse retirado, o show seria garantido. 

No entanto, tentei ver aquilo com um olhar positivo. Voltei ao dia do meu casamento e lembrei de pedir que não levassem arroz para jogar nos noivos. No buffet, fomos recebidos com pétalas. Menos desperdício, né? Bem, voltando ao ocorrido, de certa forma, aquele arroz que caiu no porta-malas e no chão do supermercado, foi a nossa chance, como casal, de receber uma... chuva de arroz.



* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista. Twitter: @maryellenfsm 

.: Lenine, Marcello Antony e Jarbas Homem de Mello no Metrópolis

O músico pernambucano canta faixas de seu recém-lançado disco, Carbono, e conta detalhes do projeto. Já os atores falam sobre o musical Chaplin, em cartaz em São Paulo. 



Neste domingo, dia 24 de maio, o Metrópolis recebe o cantor Lenine, que acaba de lançar seu último trabalho autoral: o disco Carbono. A edição também destaca outra novidade da cena cultural paulistana: o espetáculo Chaplin – O Musical. Para falar sobre a peça, o programa conta com a participação de seus protagonistas, Marcello Antony e Jarbas Homem de Mello. Apresentado por Adriana Couto, Cunha Jr. e Marina Person, o Metrópolis vai ao ar às 20h, na TV Cultura. 

Gravado em estúdios no Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Amsterdã, o álbum Carbono é a base do show homônimo de Lenine lançado no dia 30 de abril. A turnê, iniciada na capital paulista, irá percorrer o Brasil e o mundo. No palco do Metrópolis, o músico pernambucano mostra algumas das músicas que integram o projeto e detalha o processo de produção do disco, que vai da viola pantaneira ao afro jazz.

Já os atores Jarbas Homem de Mello e Marcello Antony, em cartaz em São Paulo com Chaplin – O Musical, conversam com os apresentadores sobre o espetáculo. Eles dão vida, respectivamente, a Charles Chaplin e Sydney, o irmão mais velho do ator e cineasta. Produzida por Claudia Raia, a peça, original da Broadway, percorre a carreira do artista desde sua infância até a consagração perante o público e a crítica, e desde o último dia 14 está no Theatro Net SP.

Serviço
Metrópolis
Domingo (24/5), às 20h, na TV Cultura

.: Ter ou não ter acesso ao dinheiro público. Eis a questão!

Por: Manoel Marcondes Machado Neto


Agora foi a vez do consagrado cineasta Cacá Diegues dar o seu pitaco na discussão tipo “fita-banana” da hora – o financiamento público baseado em incentivos fiscais à cultura, no Brasil.

Saiu em defesa da democracia, da coisa pública, da necessária indistinção entre cidadãos perante a lei e das iniciativas artísticas em sua diversidade.

Ora, Cacá “choveu no molhado”, dando prosseguimento à querela entre o atual antigestor da Funarte e uma consagrada atriz... ou será que consagrada é a mãe dela, e eu estou confundindo as Fernandas?

Explico: o primeiro contendor, tendo assumido a Funarte no início do ano, declarou a que a entidade “envelheceu”, “perdeu musculatura e propósito”, e que, por causa disso, passará por uma “reengenharia” (o uso deste termo é meu; ele não o invocou) – sob sábios consultores “ad hoc” – e voltará com um plano de ação no fim do ano. Quem, neste país, recebe um ano de prazo para começar a administrar? Só no MinC, mesmo, este “desimportante” ministério – como certa vez cravou (o consagrado) diretor teatral Aderbal Freire-Filho.

De quebra, numa entrevista posterior, o mesmo senhor, ex-colunista d’O Globo, “achou” que verbas incentivadas não deveriam encher as burras de artistas “consagrados”... mexendo em vespeiros de vaidade.

Da fita-banana também participou Fred Coelho, direto de sua atual coluna semanal no mesmo veículo.

- O senhor é o famoso quem?

A segunda contendora alega que não se pode definir – para punir – “consagrados”. E, agora, vem Cacá – na seção “Opinião” do mesmo jornal – dizer-nos que é impossível, além de não democrático, definir o que, ou quem, é consagrado... ou não.

Seria muito fácil para parlamentares sérios – que não ficassem apenas digladiando-se por emendas, quadras de futebol e centros de “assistência social” de bairro – definir, por emenda constitucional, que não devem receber incentivos (integrais) aqueles artistas com contratos vigentes – portanto remunerados – em emissoras, gravadoras, empresas cinematográficas, editoras, produtoras e que tais, estabelecendo uma prática que a Lei Sarney inspirou... a de faixas de benefício. Por exemplo; apenas quem doava (sem fazer propaganda) é que tinha renúncia de 100% da quantia investida em cultura. Para patrocinar e bradar aos quatro ventos a sua “filantropia”, os capitães de indústria tinham que colocar uma boa dose de “dinheiro bom” (na acepção usada pelo atual ministro da Cultura, desde os tempos em que era secretário-geral da pasta), ou seja, do seu próprio bolso.

Dinheiro “ruim”, para o ministro, deve ser o do povo...

Ora, caros consagrados e não consagrados, a CNIC (Comissão Nacional de Incentivo à Cultura), há muitos anos não estabelece o que é “cultural” ou não. Também não faz distinção entre produções como “Xuxa contra o baixo-astral” e “Amarelo manga”. Não se atém a aspectos “comerciais” ou “de vanguarda” de cada propositura. Todos têm o sagrado direito de pedir patrocínio fundado sob verbas públicas federais (renunciadas pelo imposto de renda de pessoas físicas à base de 6% do imposto devido, e jurídicas, com 4% idem). Do “Ovo” do Cirque du Soleil à quermesse de São José da esquina, “every body and every cabra” saem das longas reuniões da CNIC em Brasília com seu certificado debaixo do braço – e partem para mobilizar recursos, mundos e fundos.

Só que – um pequeno, mas especial detalhe – “entrega-se”, em valores “captáveis” certificados, mais de dez vezes o valor total que a poderosa Receita Federal do Brasil permitirá renunciar no final de cada período anual. Ou seja, há um funil cruel, uma “malha fina”, a qual estreitará a oferta de cultura à população.

OK, você venceu...

E aí vem a ditadura dos departamentos de marketing das grandes empresas para definir quem vive e quem sucumbe... para voltar no ano que vem “de pires na mão”. Resultado: 85% dos recursos vão para produções que “acontecem” no eixo Rio-São Paulo-Brasília e 3% dos “proponentes” (Petrobras e suas coligadas à frente) ficam com 50% do total de recursos.

A refinaria REDUC, por exemplo, ocupa, polui e arrecada impostos (além de gerar lucros-parte da base de cálculo dos impostos da Petrobras) no município de Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro. Quanto será que “retorna” ao município, em termos culturais, dos patrocínios da petroleira?

A verdade é que o Ministério da Cultura de hoje é pálida representação do que foi sua idealização por Celso Furtado – que desejava o “enriquecimento cultural da sociedade” com a ação de um órgão recortado no figurino do Ministère de la Culture et de la Communication da França. (Repararam que o ministério que cuida de conteúdo é também o que cuida de antenas, satélites, cabos, pinos e tomadas?).

O antídoto das leis de incentivo, após três décadas, tornou-se veneno – isto sem deixar de lembrar que incentivo fiscal é matéria típica temporária, que após fomentar novas práticas deve sair de cena para irrigar outros setores de atividade. A virtude do “mecenato” empresarial (com dinheiro público) transformou-se em vício e, hoje, espraiada a ideia de “incentivo fiscal” por estados e municípios de entrega a gestão da cultura ao empresariado privado tornou-se a ÚNICA coisa que se poderia querer batizar de “política cultural”. O que não o é, absolutamente.

Enquanto a UNESCO prescreve o investimento de pelo menos 1% do orçamento público à cultura, sob pena de inanição e morte de características, valores e patrimônios culturais, o Brasil tem a coragem de chamar de ministério – ao qual nenhum partido político candidata-se, diga-se de passagem – um órgão com cerca de 0,05 a 0,08% do orçamento da União, ano após ano; e isto, ANTES, dos malditos “contingenciamentos” – que já chegaram, na história recente, a 52% do total dos orçamentos!

Seria de melhor tom, sobretudo em época de corte de ministérios, ouvir o eco da teimosa sigla “MEC” e devolver a Cultura à esfera da Educação – de onde, aliás, nunca instituições como a combalida, e agora antigerida Funarte, deveriam ter saído.


Sobre o autor Manoel Marcondes Machado Neto: É doutor em Ciências da Comunicação pela USP, pesquisador e professor associado da Faculdade de Administração e Finanças da UERJ. É cofundador do Observatório da Comunicação Institucional e líder do grupo de pesquisa "Gestão e Marketing na Cultura” junto ao CNPq. É autor de quatro títulos de referência na área comunicacional e coautor de outros três títulos. Secretário-geral do Conrerp1 entre 2010 e 2012, foi eleito “relações-públicas do ano” em 2013. Edita o portal www.marketing-e-cultura.com.brDoutor pela USP com a pioneira tese “Marketing Cultural: características, modalidades e seu uso como política de comunicação institucional” e professor associado da Faculdade de Administração e Finanças da UERJ. Lidera o grupo de pesquisa “Gestão e Marketing na Cultura” junto ao CNPq, atua na área e estuda o campo desde 1983. Edita o website “Marketing e Cultura: comunhão de bens”, é autor do livro “Marketing Cultural: das práticas à teoria”, e coautor do livro “Economia da Cultura: contribuições para construção do campo e histórico da gestão das organizações culturais no Brasil, 1920-2010”, com a contabilista e mestre em Administração Lusia Angelete Ferreira.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

.: Um coração pode se dividir entre dois amores? Dona Flor!

Por Eduardo Caetano
Em maio de 2015

“Ah, se a juventude que esta brisa canta/ ficasse aqui comigo mais um pouco/ Eu poderia esquecer a dor/ De ser tão só, para ser um sonho”. Os versos da música “Eu e a brisa”, de Johnny Alf, embalaram o romance de Dona Flor e Vadinho, na minissérie “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1998), reapresentada na última semana numa nova roupagem para o especial de 50 anos da Rede Globo. Apesar da versão mutilada, já que não é nada fácil transformar 20 capítulos em dois episódios, sempre é bom rever Dona Flor.

Gosto tanto desta trama que já assisti à versão inédita e todas as reprises da minissérie, fui ver a peça há alguns anos, vi e revi o filme, assim como já fiz a leitura do livro que originou todas as outras produções. E por mais de uma vez.

Eu, particularmente, acredito que Dona Flor é a obra mais complexa de Jorge Amado. Defendo esta ideia pelo conflito sentimental em que vive nossa protagonista. A trama, em si, poderia ser comparada a tantas similares, se não fosse o tempero baiano que Amado coloca para conduzir a narrativa. Característica mantida em todas as versões. 

Ao entrar na casa de Flor, nós, todos nós, sentimos que estamos na sala de alguém bem próximo. Seja no livro, filme, minissérie ou peça. É só tirar os sapatos para não sujar o assoalho encerado e pedir um copo de água fresca, do filtro de barro, para prosear com Flor. Ela adiou as aulas da sua escola de culinária “Sabor e Arte”, que funciona em sua sala, para nos receber. E preparou moqueca de siri mole, banhada no azeite de dendê, e arroz fresquinho para o almoço. De sobremesa, bolo de puba.

E nossa professora de culinária tem uma dúvida que abre o livro e também seu coração: por que o paladar humano precisa do doce e do salgado? Por que ela, Florípedes Paiva Madureira (ou seria Dona Flor dos Guimarães?) precisa dos dois maridos? Um coração pode se dividir entre dois amores?

Flor vive uma tórrida paixão com Vadinho. Tímida, porém sensual, ela se envolve com o jeito alegre e sedutor do malandro, letrado em vadiagem, que ia ganhando seu corpo e coração sem pedir licença. A marca deste romance é a intensidade. 

Vadinho leva Flor ao delírio. E ao altar. Mas também vai do 8 ao 8000. Nomeado como fiscal de jardins pela Prefeitura de Salvador, Vadinho batia ponto era nos bares, nos cassinos e nas camas das prostitutas. Dona Rosilda, sua sogra, era a maior inimiga porque o dinheiro que sustentava a casa era o que Flor ganhava na escola de culinária. E o juízo ele perdia a cada noite, a cada amante, a cada esquina. Se é que um dia teve!

Noites em claro esperando sua volta, bebedeira e, por vezes, agressões. Sofrimento e desilusão, mas, também, os melhores beijos, as piadas e a leveza da alegria, serenatas, sexo sem o mínimo de pudor, pele na pele, o coração a palpitar.

E, de repente, Vadinho morre. E no domingo de Carnaval. Na minissérie, falece no bloco afoxé Filhos de Gandhi. Nas outras versões, vestido de baiana ao farrear com os colegas. Em todas nas ladeiras da Bahia. Um mal súbito o leva a óbito. 

Flor fica viúva muito jovem, ao despertar dos 30 anos. Sua vida era ele. A nossa protagonista, em vida, morre junto. Fica depressiva, mastigando a solidão em silêncio e lágrimas. Sente falta das carícias, da risada, das brincadeiras, das manias do cotidiano. E assim vai levando: sem graça, sem cor, sem sabor, sem gosto. Sem gostar. Morta-viva!

Até que o tempo, quase dois anos, revela na vida da nossa protagonista o quarentão doutor Teodoro Madureira, farmacêutico por vocação e profissão. Após se dedicar a uma mãe doente que viera a falecer, doutor Teodoro vive para sua farmácia e à Orquestra de Câmara Filhos de Orfeu, na qual toca o instrumento fagote.

Ela já o conhecia, mas nunca havia reparado nele. Teodoro é um homem sério, responsável, organizado, trabalhador, fiel, tímido, metódico. Nem se Vadinho voltasse ao mundo e nascesse do avesso seria parecido com ele. O doutor surge como o porto seguro de Dona Flor. Não só no aspecto financeiro, mas principalmente no sentimental. A professora de culinária se apaixona por ele. Teodoro leva Flor à paz. E ao altar.

“Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar” é o lema do farmacêutico. O esposo perfeito, que lhe garante uma lua-de-mel numa pousada, uma vida tranquila e confortável, uma casa organizada e tem um ótimo relacionamento com a sogra, é muito mais do que ela pediu a Deus. Desconfia até que não acrescentou nada a sua vida. 

No entanto, a esposa sente que a timidez do marido faz com que ele tenha uma série de barreiras entre quatro paredes. E acaba, momentaneamente, acostumando-se com isso. A marca deste romance é a estabilidade. Teodoro a ama cegamente e eles vivem um casamento romântico e pacato. Estável. Linear. Entediante...

Eis que o sobrenatural dá o ar da graça
E quem pode com um coração dividido entre dois amores? Nem mesmo a morte! Após um ano casada com Teodoro, Flor quer o finado marido de volta. E recebe a visita de Vadinho! O morto surge, nu e debochado, para lhe tirar o juízo de mulher direita.

Ela reluta em acreditar, mas fica novamente caidinha na conversa do malandro. Mesmo depois de morto, ele ainda balança seu coração. A professora de culinária diz que não pode trair seu marido. Nem mesmo com... seu outro marido!

Neste momento da trama, a influência do candomblé na cultura baiana prevalece. Toda a magia da Bahia fica a serviço da literatura de Jorge Amado, tornando totalmente verossímil esse triângulo amoroso absurdo. 

Um romance sobrenatural!
Dona Flor quase fica louca de tanta confusão que Vadinho arruma. Ô espírito sem luz! Mas está feliz, como nunca em toda sua vida. Porém, preocupa-se com a dimensão que as coisas vão tomando. E recorre às mães de santo para fazerem com que Vadinho volte para o lugar dos mortos, de onde nunca deveria ter saído. Nunca?!

Flor se arrepende, e clama a todas as forças espirituais que mantenham Vadinho ao seu lado. E ela ao de Teodoro. A vida segue. E Dona Flor termina seguindo a procissão com seus dois maridos, o vivo e morto. 
No filme, a cena é finalizada com trechos da canção “O que será? (à flor da terra)”, de Chico Buarque. 

“O que será, que será?/ que vive nas ideias desses amantes/
Que cantam os poetas mais delirantes/ Que juram os profetas embriagados/ Que está nas romarias dos mutilados/ Que está nas fantasias dos infelizes/ Está no dia a dia das meretrizes/ No plano dos bandidos, dos desvalidos/ Em todos os sentidos, o que será, que será?/ O que não tem decência, nem nunca terá/ O que não tem censura, nem nunca terá/ O que não faz sentido.”

Um coração pode se dividir entre dois amores? Quem sabe? Flor está feliz, muito feliz, inacreditavelmente feliz. Completa!

“Ah, se a juventude que esta brisa canta/ ficasse aqui comigo mais um pouco/ Eu poderia esquecer a dor/ De ser tão só, para ser um sonho.”

Ficha técnica:
Livro “Dona Flor e seus dois maridos” (1966) – Jorge Amado
Filme “Dona Flor e seus dois maridos” (1976) – Bruno Barreto, da obra de Jorge Amado
Minissérie “Dona Flor e seus dois maridos” (1998) – Dias Gomes, da obra de Jorge Amado
Peça “Dona Flor e seus dois maridos” (2007) – Pedro Vasconcelos, da obra de Jorge Amado

.: Naruto Night terá pré-estreia do filme “The Last Naruto”

O Cine Roxy, dá continuidade ao projeto de realizar pré-estreias gratuitas e exclusivas na Baixada Santista para convidados, a fim de disseminar os filmes que estrearão no circuito. Na próxima terça-feira, 26 de maio, a partir das 21h, na sala 4 do Cine Roxy 5, o cinema, em parceria com a distribuidora Playarte, promove o “Naruto Night”, ação para divulgar o lançamento do aguardado anime “The Last Naruto: o Filme”.

Na ocasião, haverá desfile cosplay e exposição de miniaturas promovidos pelo grupo Animelan, e a pré-estreia do filme. A ação tem apoios da loja Cult Comics e do HP Geek Bar, dois espaços que doarão os prêmios para as três melhores fantasias do desfile, do Nerd Cine Fest Santos e do CineZen.

Apesar de ser para convidados, convites serão sorteados. As vinte primeiras pessoas que enviarem para eventoscineroxy@gmail.com nome completo e RG mais nome completo de um acompanhante receberão um par de ingressos cada. É preciso esperar confirmação por email. Com a confirmação efetuada, o premiado poderá retirar seu par apresentando RG na bilheteria do Roxy 5, no dia do evento.Também serão sorteados convites na fan page do Cine Roxy: www.facebook.com/cineroxyoficial.

A iniciativa repete os êxitos do “Dragon Ball-Day Santos”, realizado em 2013 para promover o filme “Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses”, e da avant-première de “Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário”, realizada em 2014 dentro da programação do Nerd Cine Fest Santos. Nas duas ocasiões, aconteceram ações culturais.

Sobre o filme
Dois anos após os acontecimentos da Quarta Grande Guerra Ninja a lua começa a cair em direção a Terra, ameaçando destruir tudo. Naruto e seus aliados se preparam para salvar todos os envolvidos em uma batalha final emocionante.
Direção: Tsuneo Kobayashi.
Duração: 112 minutos.
O longa estreia oficialmente no circuito em 28 de maio.


Cosplay e exposição
O desfile cosplay e a exposição de miniaturas serão realizados pelo Animelan, o  grupo de fãs de animes (animações japonesas) e cultura pop japonesa mais antigo em atividade na Baixada Santista. Iniciou suas atividades em 13 de março de 2004, realizando exibições de animes e seriados tokusatsu como Jaspion e Changeman.  Desde então, anos se passaram e o grupo hoje é reconhecido e convidado a vários eventos do gênero, tanto regionais quanto em São Paulo e região. Integraram a programação do “Dragon Ball-Day Santos”, em 2013, e do da pré-estreia de “Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário” (dentro do Nerd Cine Fest Santos), ambos os eventos no Cine Roxy. Mensalmente realiza um encontro na Gibiteca de Santos.

Marionetes do Guarujá se apresentam no projeto "Conchinha"

O projeto "Conchinha", realizado pela Secretaria Municipal de Cultura de Santos, recebe neste domingo, 24 de maio, entre 10h30 e 11h30, o grupo Marionetes do Guarujá. 

Antes e depois da apresentação haverá distribuição de pipoca. Ao fim, o público também pode levar para casa bolas de gás. Tudo gratuitamente. O evento acontece na Concha Acústica de Santos. 

Todos os domingos, sempre das 10h30 às 11h30, o Conchinha recebe espetáculos teatrais, contação de histórias, entre outras atrações, sempre de forma gratuita com distribuição de pipoca antes e depois do evento e entrega de bolas de gás. Mais informações do Marionetes Guarujá: http://www.marionetesguaruja.com.br/.

.: Secult Santos recebe inscrições para o Mapa Cultural Paulista

Estão abertas entre os próximos dias 25 e 29, no Departamento de Formação e Pesquisa Cultural da Secretaria de Cultura de Santos (Secult), as inscrições para a fase municipal do Mapa Cultural Paulista, programa da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo realizado por meio da Organização Social de Cultura Abaçaí Cultura e Arte. O edital de chamamento público, com as regras de cadastramento, foi publicado na edição de sexta-feira (22), na página 14 do Diário Oficial de Santos.

Em sua edição 2015/2016, o Mapa Cultural contempla as expressões artísticas Artes Visuais – categorias Artes Plásticas, Desenho de Humor e Fotografia; Literatura – categorias Conto, Poema e Crônica; e Música Instrumental – categorias Solista e Conjunto; além de criações em Teatro, Vídeo, Dança e Canto Coral. Todos devem ser inéditos no evento.

O programa é aberto a qualquer pessoa ou grupo de São Paulo, desde que tenha residência comprovada há mais de dois anos no Estado. Para a inscrição, gratuita, os interessados devem ter idade mínima de 14 anos e se dirigir ao Deforpec (Av. Rangel Pestana, 150, no Cais Vila Mathias), das 9h às 12h e das 14h às 18h, entre segunda (25) e sexta-feira (29). 

Seletivas da primeira fase
Ao término das inscrições, a Secult divulgará o cronograma da seletiva dos trabalhos na Cidade, que serão avaliados pelo mínimo de dois e o máximo de três jurados para cada expressão artística. A comissão julgadora, composta por membros com notório saber comprovado, terá ao menos um representante de outro município.  

O regulamento completo do Mapa Cultural, criado em 1996 e dividido em quatro fases (Municipal, Regional, Estadual e Circulação), abrangendo artistas das 13 regiões administrativas do Estado de São Paulo, pode ser acessado no site www.mapaculturalpaulista.org.br.
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