segunda-feira, 20 de novembro de 2017

.: Entrevista com Carlos Minuano, autor da biografia de Clodovil Hernandes

"Clodovil não era fácil. E escrever sobre ele, muito menos".
Carlos Minuano, jornalista e autor de "Tons de Clô",
 a primeira biografia de Clodovil Hernandes


Por Helder Moraes Miranda, em novembro de 2017.

Autor de "Tons de Clô", a primeira biografia do estilista, apresentador de programas na televisão e deputado federal Clodovil Hernandes, Carlos Minuano promete polêmica ao revelar histórias ainda desconhecidas do grande público. 

Lançada pela editora Best-Seller, a obra promete decifrar, ou quase, a personalidade de Clodovil que, com temperamento intempestivo e colecionador de desafetos, era amado e odiado pelas mesmas características que o consagraram: a autenticidade e a irreverência.

O livro revela os bastidores da vida regada a luxo, glamour e sexo, que foi interrompida em 2009 e até hoje é envolta em muitos rumores, mistérios e dúvidas. Conhecido por contratar garotos de programa, Clô, como era apelidado, sempre teve dificuldade para lidar com a sexualidade, mas usava bordões que falavam disso como uma maneira de se defender.

Carlos Minuano, o autor da obra, é jornalista e pós-graduado em cinema. Em 20 anos de carreira, já escreveu nos principais veículos do país, como no jornal Folha de S.Paulo, revistas Carta Capital e Rolling Stone, além de diversas publicações da editora Abril. Atualmente, é repórter do jornal Metro (Band) e colaborador no portal UOL.

Ele está estreando no audiovisual com uma websérie sobre sexualidade, protagonizado pela escritora Nalini Narayan, que deve estrear ainda esse ano no YouTube. E também trabalha em um próximo livro sobre a bebida psicodélica ayahuasca. "Tons de Clô" será lançado na próxima quarta-feira, dia 22 de novembro, a partir das 19h, na livraria da Vila da Fradique Coutinho.

RESENHANDO - Como surgiu a ideia de escrever um livro sobre Clodovil Hernandes?
CARLOS MINUANO - Começou em uma reportagem para o UOL, fui cobrir a inauguração de um espaço em homenagem a ele em Ubatuba. Nessa viagem, comecei a conhecer algumas histórias e falei sobre elas com meu amigo Guilherme Fiúza. Ele começou a por pilha na história até que o Carlos Andreazza, do grupo Record, me ligou e me convidou para fazer o livro.

RESENHANDO - O que foi mais desafiador em escrever essa biografia?
C.M. - Tudo foi desafiador. Clodovil não era fácil. E escrever sobre ele, muito menos. Digo isso porque ele não deixou herdeiros, e em seu círculo de amizades encontrei uma boa quantidade de pessoas que decidiram não colaborar com o livro. Deu bastante trabalho.

RESENHANDO - Quando você percebeu que estava na hora de parar de pesquisar e começar a escrever?
C.M. - Foram dois anos de pesquisa e redação, encontrei muita coisa que demandava mais tempo de apuração. Mas trabalho em um jornal diário e a vida por lá não é fácil. Estourei o prazo algumas vezes e quando a paciência da editora estava acabando percebi que era hora de começar a escrever.

RESENHANDO - De que maneira teve acesso às histórias secretas de Clodovil, como a contratação de garotos de programa?
C.M. - Em uma pesquisa, ao buscar uma informação, acontece de se encontrar muitas outras. Uma fonte pode levar a outras, e foi isso o que aconteceu no caso da biografia do Clodovil. Várias pessoas que entrevistei me contaram histórias sobre os garotos de programa.

RESENHANDO - Houve algum ponto da biografia de Clodovil que o chocou?
C.M. - O mais chocante foram histórias sobre a morte dele, mas que não pude contar no livro, por falta de provas, tempo e recursos para investigação. Tem muito a ser apurado na fase pós-morte.

RESENHANDO - Dos desafetos públicos que Clodovil tinha, qual é o mais controverso na sua opinião? 
C.M. - Foram muitos. Não sei dizer qual o mais controverso. O mais impactante, talvez, tenha sido a briga com o programa "Pânico na TV". Foi o que mais desequilibrou Clodovil. 

RESENHANDO - Clodovil estava certo em relação às brigas que comprava?
C.M. - Isso é muito relativo. Ele comprou algumas brigas importantes e pagou caro por isso. Por exemplo quando criticou ao vivo o processo da constituinte, em 1988, que estava sendo aprovada de maneira não tão transparente. Perdeu o emprego por isso. Mas em tantas em outras, não tinha razão alguma. Foi por puro destempero mesmo. Clodovil era assim.   

RESENHANDO - No mundo politicamente correto e careta de hoje, Clodovil conseguiria se tornar o Clodovil Hernandes que ele foi? Teria mais dificuldades ou facilidades?
C.M. - Difícil dizer isso. Penso que seria a mesma coisa. Um desfile de encrencas e confusões, mas sempre com muito estilo e autenticidade.

RESENHANDO - Conhecedor da história de Clodovil, aponte a principal qualidade e o principal defeito dele.
C.M. - Sua principal qualidade acho que foi a autenticidade. O defeito, sua mania de se envolver em brigas e confusões. 

RESENHANDO - Por que Faustão e Silvio Santos se recusaram a falar sobre Clodovil em seu livro?
C.M. - Bom, sei lá, mas acho que talvez porque não costumam dar entrevistas mesmo.

RESENHANDO - Depois de biografar a obra do estilista, qual é a sua opinião pessoal sobre ele?
C.M. - O Clodovil era cheio de contradições, mas me impressionou seu lado criativo, o profissionalismo e a espontaneidade. Foi sem dúvida uma pessoa incrível.

*Helder Moraes Miranda escreve desde os seis anos e publicou um livro de poemas, "Fuga", aos 17. É bacharel em jornalismo e licenciado em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura, pela USP - Universidade de São Paulo, e graduando em Pedagogia, pela Univesp - Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Participou de várias antologias nacionais e internacionais, escreve contos, poemas e romances ainda não publicados. É editor do portal de cultura e entretenimento Resenhando.

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