sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

.: Documentário “Innsaei”: educação deveria privilegiar o autoconhecimento


Por Oscar D’Ambrosiojornalista e crítico de arte.

Seguramente em muitos momentos você já teve a impressão que é melhor confiar na intuição do que em gráficos ou estudos muito elaborados. É disso que trata o documentário “Innsaei – O Poder da Intuição”, dos diretores islandeses Hrund Gunnsteinsdottir e Kristín Ólafsdóttir. O título provém de palavra do idioma natal daquele país que significa “mar interior”.

O eixo do filme está em mostrar como a educação, desde a escola, deveria privilegiar o autoconhecimento e o exercício de se colocar literalmente na pele das outras pessoas. Isso permite, por exemplo, em uma das melhores cenas, que as crianças entendam como natural o comportamento do lobo mau que, por estar com fome, buscar comer os três porquinhos.

Acima da classificação de mocinhos e bandidos, estaria o entendimento das motivações dos outros. E esse seria o primeiro passo para o começo de um diálogo sincero e produtivo, no qual seria possível reduzir a hipocrisia e as mais variadas formas de violência, principalmente as motivadas por diversas formas de conceber o mundo na política ou na religião.

A grande homenageada do filme é a queniana Wangari Muta Maathai (1940 – 2011), professora e ativista política, primeira mulher africana a receber o Prêmio Nobel da Paz pelo seu trabalho de plantio de árvores no continente. Ela surge como um modelo de alguém que seguiu sua intuição para realizar um trabalho imortal.

Merece também destaque no documentário a participação da performer iugoslava Marina Abramovic, que, em 2010, no MOMA – Museu de Arte de Nova York, ficou, durante os três meses de sua exposição, durante 700 horas, sentada, sem se mexer, disponível ao público. Longas filas se formaram para passar um minuto em silêncio olhando para ela.

A reação de pessoas chorando ou se emocionando nesse breve momento perante a enigmática artista é apresentado como um dos argumentos em favor do poder da mente e da intuição, não em um sentido místico ou como como alternativa à ciência, mas como uma disciplina a ser colocada ao lado da Matemática ou da Economia. E não seria realmente bom mesmo ter uma educação mais aberta ao diferente e inclusiva?

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