segunda-feira, 29 de setembro de 2025

.: Últimos dias da Semana Tupiniquim no Cineflix Santos são uma celebração


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

A edição 2025 da Semana Tupiniquim está fechando com chave de ouro no Cineflix Miramar, localizado em Santos. O festival, que homenageia a produção cinematográfica nacional, segue até o dia 1º de outubro, oferecendo ao público santista a oportunidade de assistir a uma seleção especial de filmes que refletem a diversidade, a criatividade e a riqueza do cinema brasileiro.

Nesta segunda-feira, às 15h00, será reexibido o filme "Sonhar com Leões", com uma interpretação emocionante de Denise Fraga, que mergulha na história de personagens em busca de seus sonhos e de uma identidade própria, abordando temas como superação, pertencimento e relações familiares. Às 17h00, a hilariante comédia "Uma Mulher Sem Filtro" traz à tona a jornada de uma mulher que decide romper com as convenções sociais e falar tudo o que pensa, em uma mistura de humor e reflexão sobre autenticidade. 

Às 19h00, o premiado "O Último Azul" convida o público a um universo pós-apocalíptico, combinando ficção científica e drama para explorar questões sobre memória, humanidade e o impacto das escolhas individuais. Encerrando o dia, às 21h00, "Dona Flor e Seus Dois Maridos", clássico absoluto do cinema nacional, retorna às telonas com Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça, em uma narrativa que mistura humor, erotismo e a magia da cultura brasileira, sendo uma das maiores bilheterias de todos os tempos.

Na terça-feira, às 15h00, a programação começa com "Uma Mulher Sem Filtro", repetindo o sucesso da segunda-feira e proporcionando risadas e reflexão sobre liberdade pessoal. Às 17h00, "O Último Azul" retorna para aqueles que desejam se aprofundar na trama futurista e em suas metáforas sobre o presente. Às 19h00, "Sonhar com Leões" volta à tela, reafirmando sua mensagem de esperança e resiliência. O dia se encerra às 21h00 com "Luiz Gonzaga - Légua Tirana", cinebiografia que celebra a vida e a obra do Rei do Baião, mostrando sua influência na música e na cultura brasileira, enquanto narra os desafios e triunfos do artista nordestino.

Quarta-feira, último dia do festival, será dedicado a maratonar os destaques do evento. Às 15h00, "O Último Azul" será apresentado novamente, seguido por "Sonhar com Leões", às 17h00. Às 19h00, o público poderá se divertir com "Uma Mulher Sem Filtro", e, encerrando a Semana Tupiniquim às 21h00, o drama contemporâneo "Motel Destino" explora relações humanas complexas, dilemas éticos e emocionais, em uma narrativa que mistura tensão, paixão e introspecção.


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sábado, 27 de setembro de 2025

.: Entrevista com Claudette Soares: "De Tanto Amor" na música


Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Murilo Alvesso.

Claudette Soares pertence a uma categoria rara de intérprete de nossa MPB. Capaz de reviver canções consagradas com sua interpretação suave e singular. Mesmo tendo surgido em um período fértil, com outras grandes cantoras, ela sempre conquistou o seu espaço com garra e perseverança. E continua na ativa: seu mais recente lançamento foi um disco com canções de Chico Buarque. Em entrevista para o Resenhando, ela conta como foi seu início na música e revela quem foram seus ídolos. “Sou muito grata a Deus pelo dom de cantar”.


Resenhando.com - Você surgiu em um período com outras grandes cantoras. Na sua opinião, o que havia no País para revelar tantas intérpretes talentosas ao mesmo tempo?
Claudette Soares - Era um momento de glamour, de grandes talentos e de estrelas maiores. Como dizia Elis Regina, cada cantora tinha um estilo e uma voz que você identificava na primeira frase musical. Era um momento muito lindo, muito grandioso e graças a Deus eu comecei nessa fase. E com as estrelas sempre respeitando as novas cantoras que surgiam . Eram realmente amigas mesmo.


Resenhando.com - No início quem eram os seus ídolos na música?
Claudette Soares - Bom, eu sempre gostei de música americana, jazz. Apesar de não ser uma cantora desse estilo. Eu adorava Judy Garland, Frank Sinatra. Nos Brasil, eu tinha como ídolo a grande musa da Bossa Nova, Sylvinha Telles, a primeira cantora moderna do Brasil. Ela foi uma das maiores amigas da minha vida. Eu também gostava muito da Dalva de Oliveira, maravilhosa e da Nora Ney, com aquela voz rouca e sensual. Eu queria ser igual a ela, ter aquela voz.


Resenhando.com - Você participou de festivais nos anos 60. Na sua opinião, hoje em dia esses festivais seriam positivos para revelar novos talentos?
Claudette Soares -  Bom, eu acho que os festivais hoje não seriam como foram nos anos 60. A criatividade anda meio em baixa. Mas é claro que há exceções. Eu acho que a música brasileira moderna, criativa, não está tendo muito espaço. Musicalmente falando, os festivais hoje não teriam  a grandiosidade e a musicalidade que tiveram nos anos 60.

Resenhando.com - Você gravou dois discos antológicos com o Dick Farney. Já pensou em realizar algo em parceria com outros nomes da música?
Claudette Soares - Olha, não pensei não em fazer uma parceria por enquanto. Minha parceria com o Dick Farney foi perfeita e me deu muito prestígio na música. O Dick Farney sabia, porque eu falava isso pra ele. Sou muito grata ao Dick por ele ter me escolhido para esse trabalho, que realmente se tornou antológico.


Resenhando.com - O seu maior sucesso foi o disco "De Tanto Amor", com a música de Roberto Carlos. Você chegou a gravar outras músicas dele?
Claudette Soares - Na verdade, eu já tinha gravado dele a "Como É Grande o Meu Amor por Você", com arranjo maravilhoso do Cesar Camargo Mariano.Foi em 1967, em pleno auge da Bossa-nova, eu ousei cantar algo que vinha da Jovem Guarda. O Roberto gostou tanto que falou que iria fazer uma música para mim. E acabou fazendo duas: "De Tanto Amor" e "Você", ambas lindas em parceria com o Erasmo Carlos.


Resenhando.com - Seu disco mais recente foi dedicado a obra de Chico Buarque. Foi difícil escolher o repertório?
Claudette Soares -  Não foi difícil não escolher um repertório do Chico Buarque. Ele é incrível, um dos maiores desse mundo. Tenho verdadeira paixão por ele. A ideia era reviver canções dos anos 60 e 70 que não tinham sido regravadas, mescladas com outras da produção mais recente dele. E ele não só liberou as gravações como ainda participa cantando comigo em uma das faixas. Foi uma emoção enorme para mim.


Resenhando.com - Qual o segredo para manter essa sua extraordinária longevidade na música?
Claudette Soares - Sou muito grata a Deus pelo dom de cantar. Canto desde os dez anos de idade. Desde essa época eu só queria cantar. Graças a Deus eu sou muito disciplinada. Eu não grito, não tomo gelado. Conheço muitos cantores que tomam gelado e cantam acima de seu tom. Nada contra quem faz isso. Mas eu procuro me preservar.

"Cade Você"

"Carolina"

"De Tanto Amor"

.: Oportunidade na música: curso de violão erudito em São Vicente


Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Uma boa notícia para quem deseja obter conhecimentos sobre violão erudito. O Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente estabeleceu uma parceria com o maestro João Argollo para oferecer um curso introdutório sobre o violão, sob a perspectiva da música erudita

Segundo o maestro João Argolo, o curso tem uma duração de um mês com quatro aulas, nas quais os alunos terão informações sobre a evolução do instrumento. O custo da matrícula será de R$190,00 e visa atender tanto o aluno iniciante como os que já praticam o violão erudito.

Natural de Aracaju. Argolo  iniciou seus estudos de violão com seu pai, João Pires Argolo. Teve como mestres Alvino Argolo (Brasil), Amilcar Rodrigues Inda (Uruguai) e Jodacil Damaceno (Rio de Janeiro). Estudou harmonia com Armando Quezada (México), Laura Maria Abrahão (São Paulo) e análise fraseológica com Marcelo de Camargo Fernandes (São Paulo). Graduou-se pela Faculdade Paulista de Arte (FAP-Arte), na classe do violonista e professor Pedro Cameron além de participar de cursos de aperfeiçoamento com mestres como Henrique Pìnto (SP) e Eduardo Castañera. Fez-se apresentar no III Festival Internacional de Granada Espanha, com Eliot Fisk  e foi solista na abertura da masterclasse de Manuel Barrueco no Festival Internacional de Córdoba Espanha.

Em seu primeiro CD, João Argolo e Convidados , contou com a participação do Quarteto Origens, formado por seu irmão Alvino Argolo, José Ricardo e Eduardo Castañera. Lecionou na Universidade de Três Corações (UNINCOR). Atuou como dirigente do corpo docente do Conservatório Municipal de Artes de Guarulhos e coordenador musical do Grupo Origens. As inscrições para o curso são feitas na sede do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente, que fica na Rua Frei Gaspar, no Centro de São Vicente. O telefone é (0xx13) 3469-3520.



quarta-feira, 24 de setembro de 2025

.: Crítica: "Vidas ao Vento," a aposta arriscada (e cansativa) do Studio Ghibli


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

No vasto catálogo do Estúdio Ghibli, "Vidas ao Vento", uma das atrações do Ghibli Fest, no Cineflix Santos, é provavelmente o filme mais controverso - não por polêmicas externas, mas pela própria natureza. Inspirado na vida do engenheiro aeronáutico Jirô Horikoshi, responsável por projetar aviões de guerra no Japão do início do século XX, o longa-metragem reflete sobre sonhos, amor e sacrifícios em meio a um país em transformação. Na prática, porém, o resultado soa mais como um extenso vídeo institucional do que como a poesia animada que tornou Hayao Miyazaki um mestre universal da animação.

O filme é belíssimo em cada quadro, como era de se esperar. As paisagens rurais, os cenários urbanos em modernização e as máquinas voadoras são pintados com a delicadeza característica do estúdio. A trilha sonora de Joe Hisaishi também cumpre seu papel, trazendo melancolia e grandiosidade na medida certa. No entanto, a narrativa não consegue decolar. Ao tentar documentar praticamente toda a trajetória de Horikoshi, Miyazaki entrega um épico arrastado, em que a beleza visual não basta para compensar o ritmo lento e o excesso de didatismo.

Em vez da leveza mágica de "Meu Amigo Totoro" ou da força arrebatadora de "A Viagem de Chihiro", "Vidas ao Vento" aposta em um realismo quase austero. Os personagens parecem sufocados por uma sucessão de eventos que mais informam do que emocionam. O espectador, ao longo das mais de duas horas de projeção, tem a sensação de estar diante de um documentário ilustrado - primoroso, mas que não dialoga com a mesma intensidade afetiva das outras obras do estúdio. É como se Miyazaki tivesse trocado o encantamento pela cartilha histórica, resultando em um filme que respeita seu homenageado, mas dificilmente cativa quem busca a alma vibrante do Ghibli.

Ainda assim, não se trata de um fracasso completo. Há momentos de lirismo - especialmente nos sonhos do protagonista, em que a aviação volta a ter o brilho da fantasia. E há também o amor trágico vivido por Jirô com Naoko, que injeta alguma humanidade em meio à rigidez da biografia e traz a tona o dilema clássico do estúdio: viver entre o dever e o desejo. Porém, como um todo, o longa parece perder a mão. Belo, cuidadoso, mas cansativo, "Vidas ao Vento" é talvez o filme mais difícil de rever do Ghibli.

Curiosamente, pela densidade e tom sóbrio, "Vidas ao Vento" pode interessar mais a estudiosos de história, engenharia ou mesmo da trajetória de Miyazaki, que sempre se confessou fascinado pela aviação. O público que chega esperando mais uma experiência emocionalmente arrebatadora, no entanto, corre o risco de sair da sessão com a sensação de ter assistido a uma obra de enorme valor estético, mas sem alma. Se em outros títulos o estúdio mostra como é possível voar mesmo sem asas, aqui, paradoxalmente, as asas estão lá - mas o voo é pesado demais.

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.: Entrevista: Kiko Barros, filho de Plínio Marcos, fala sobre legado


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Plínio Marcos era um homem de palavras inteiras - nunca foi de meias palavras. Cuspia verdades, chutava convenções e transformava a precariedade em cenas poéticas. Mais de duas décadas após a morte dele, o autor que os censores temiam e que os palcos reverenciam completaria 90 anos em 2025. Para celebrar a data, São Paulo recebe um grande encontro que une teatro, samba e literatura, sob a batuta de Kiko Barros, filho do dramaturgo.

Kiko não apenas preserva a memória do pai: ele a expõe, sem nenhum tipo de maquiagem. Nesta entrevista, ele fala sobre a intimidade de conviver com o homem que foi, ao mesmo tempo, mito e pai, sobre o risco de transformar Plínio Marcos em relíquia domesticada e sobre a atualidade cortante de uma obra marcada pela censura, pela rebeldia e pela devoção à voz dos esquecidos que insiste em incomodar e resistir. Compre os livros de Plínio Marcos neste link.

Resenhando.com - Plínio Marcos dizia que era “repórter de um tempo mau”. Se ele vivesse em 2025, em meio a redes sociais, fake news e cultura do cancelamento, que reportagem maldita ele escreveria?
Kiko Barros - O título "repórter de um tempo mau" que ele mesmo se deu, veio da maneira profunda que escrevia seus textos puxando do âmago, e muito em função do descontentamento diante das situações que retratava. Isso acontecia quando escrevia as peças teatrais e também quando escrevia nos jornais e revistas a partir de 1968, em meio à ditadura e à censura que sofreu. Hoje, se estivesse adaptado às redes e internet, não faltaria assunto. Já naquela época ele dizia sobre o perigo dos  poderosos controlando a cultura, do risco de artistas ficarem reféns de subsídios de governos inescrupulosos. Acredito que escreveria os mesmos textos, as mesmas crônicas, e tentaria com esses textos todos despertar o ser humano. Certamente tentaria subverter o ser humano para se desapegar de bens materiais chamando atenção aos problemas do homem, denunciando a opressão e as injustiças. Faria de seu teatro e de suas crônicas palco para discutir profundamente os problemas do homem, como dizia: "o Teatro só faz sentido se for uma tribuna livre para se discutir os problemas do homem".


Resenhando.com - Há quem considere o teatro de Plínio brutal e pessimista. Outros o enxergam como um retrato amoroso da miséria humana. Na intimidade, seu pai era mais próximo do carrasco ou do poeta?
Kiko Barros - Meu pai era um artista genial, muito sensível e muito generoso, ficava incomodado com as injustiças sociais e instigava o ser humano para buscar sua vocação e se libertar. Muitas vezes, brigou por suas ideias. Acredito que ele era próximo do poeta, do ator, do artista. Ele admirava profundamente atores e atrizes e toda a magia que levam. Teatro é uma magia, você aprende , mas ninguém te ensina. Mas esteve muitas vezes em frente ao carrasco e sempre pronto para debater, para argumentar e para subverter e libertar aqueles que se permitissem ser abraçados pela arte e pela vocação.


Resenhando.com - Você cresceu convivendo com o homem por trás do mito. Que lembrança doméstica, aparentemente banal, revela melhor quem era Plínio Marcos?
Kiko Barros - A simplicidade no dia a dia, a capacidade que ele tinha de se comunicar, com pessoas de todas as classes, e também de brigar com essas mesmas pessoas. Uma pessoa generosa que não tinha medo de errar e usava a força da sua vocação para seguir seu caminho com alegria, com coragem e muita coerência. 


Resenhando.com - Como filho, você se sente guardião de um legado ou cúmplice de uma obra que ainda incomoda porque cutuca feridas abertas da sociedade?
Kiko Barros - Hoje sinto sim que tenho um legado de extremo valor. Desde o início do ano, com maior intensidade, estou catalogando e iniciando a digitalização do acervo. Além das obras teatrais que já foram publicadas, temos mais de 1500 contos e crônicas que foram publicados a partir de 1968, diversas colaborações e colunas até 1999, quando ele morreu. Textos sobre futebol, samba, sobre teatro, sobre cotidiano, política, ainda muito atuais com humor e que pretendemos disponibilizar em publicações diversas.


Resenhando.com - Muitos dramaturgos acabam domesticados pela academia ou pelo mercado. O que impediria Plínio de ser transformado, hoje, em peça de vitrine para intelectuais higienizados?
Kiko Barros - O próprio Plínio, seus ideais... As mesmas coisas que impediram no passado. Plínio estudou até a quarta série do primário, esse tipo de intelectual higienizado não se interessa pela obra do Plínio. Chama de maldito, e tal... Eles querem esconder, apagar. A discussão  proposta por Plínio nos seus textos não agrada os poderosos, basta ver que não temos nenhum apoio ou patrocínio para esta celebração do maior dramaturgo de seu tempo. 


Resenhando.com - Seu pai foi censurado, perseguido e muitas vezes tratado como marginal. Se pudesse escolher: preferiria que Plínio fosse lembrado como gênio do teatro brasileiro ou como subversivo incorrigível?
Kiko Barros - Preferiria  que fosse reconhecido como gênio do teatro que foi, e ainda é, e também como contador de histórias, mas sabendo o período complicado que ele viveu. Eu me orgulho muito da fibra que ele sempre teve ao lutar pela liberdade, na tentativa de despertar o ser humano das garras do poder opressor. O genial escritor é subversivo e ainda nos encanta e desperta.


Resenhando.com - Você também é ator. Já se pegou disputando espaço com a sombra do sobrenome “Marcos”? Qual é o preço de carregar o peso dessa herança?
Kiko Barros - Já fui ator. Tive oportunidade de trabalhar com grandes artistas além da minha família, mas era muito jovem,  durante dois ou três anos eu trabalhei com diversos artistas, inclusive meu pai. Agora, eu fico a frente da obra dele com muita alegria. Não tem preço, é um processo necessário e de grande aprendizado. Nesta segunda-feira, estarei no palco do teatro de Arena Eugênio Kusnet  para celebrar a obra e os 90 anos do Plínio, estão todos convidados para esta festa. 


Resenhando.com - O evento dos 90 anos mistura samba, teatro e literatura. Se tivesse de resumir Plínio em um gênero musical, ele seria mais samba de raiz, punk rock ou rap de periferia?
Kiko Barros - Nosso evento apresenta estas três vertentes, com teatro em algumas cenas, leituras de textos, com lançamento da nona edição "Inútil Canto e Inútil Pranto pelos Anjos Caídos", livro que reúne cinco contos e, com o Samba do Kolombolo, mostrando as raízes do samba paulista. Sim, Plínio seria samba, seria manifestação cultural tradicional, seria  resistência cultural. Mesmo não sendo músico, Plínio escreveu muitos sambas e fez grandes parceiros no samba, foi o maior divulgador e incentivador do samba paulista, fundador da maior banda de carnaval de São Paulo nos anos 70 fazendo shows e gravando dois discos, um deles, o disco mais importante do samba paulista. 


Resenhando.com - Há quem diga que Plínio Marcos sempre escreveu contra o poder, fosse ele político, econômico ou moral. Que poder, em 2025, ele mais adoraria afrontar?
Kiko Barros - Todos. Qualquer  poder é embrutecedor e covarde. Ele se dizia anarquista, mas a maneira dele ia muito além de um rótulo, sabia bem a força transformadora de uma poesia, e percebia como ninguém essa força. Muitos acham que seus textos eram pornográficos, subversivos. Ele sempre soube a poesia contida nos seus textos, e mesmo muitas vezes sendo bruto, nunca perdeu a doçura da poesia.


Resenhando.com - Qual pergunta você gostaria que fizessem a Plínio Marcos hoje - e que resposta imagina que ele daria, sem papas na língua?
Kiko Barros - Em determinado momento da vida ao visitar  presídios, fazendo palestras e debates, pediram para Plínio dar um conselho para os detentos.... ele disse: "Fujam!!".

.: Vida e obras de Plínio Marcos são celebradas em programação especial


No debate "Plínio Marcos: Memórias e Causos", com a mediação de Renata Zhaneta, o ator Ricardo (Kiko) Barros e diretor Oswaldo Mendes recordam as histórias e a trajetória de Plínio Marcos. Foto: Marcos Muzi 

 
Entre os dias 25 de setembro e 4 de outubro, o Sesc Santos reúne espetáculos e debate na programação “Plínio Marcos - 90 anos” para celebrar as nove décadas de nascimento de Plínio Marcos. Nascido em Santos - SP, em 29 de setembro de 1935, começou no teatro amador na sua cidade natal por incentivo de Patricia Galvão - Pagu. Ator, diretor, jornalista, e um dos mais importantes dramaturgos do teatro brasileiro, faleceu em 1999, em São Paulo. A obra dele, que retratou a dura vida das pessoas marginalizadas, foi resistência e deixou um legado, com temas sociais e políticos de seu tempo, e que se fazem atuais.

O ator e pesquisador Ricardo (Kiko) Barros, filho de Plínio Marcos, e o jornalista e dramaturgo Oswaldo Mendes, autor da biografia de Plínio Marcos intitulada “Bendito Maldito”, e mediação da atriz e diretora Renata Zhaneta, falam sobre as histórias e trajetória de Plínio Marcos, marcada pela visceralidade e pela representação dos excluídos, no debate "Plínio Marcos - Memórias e Causos". O encontro acontece no dia 25 de setembro, quinta-feira, às 20h00, no Auditório. A entrada é gratuita. A partir de 14 anos.

Participam do debate Ricardo (Kiko) Barros - filho do dramaturgo brasileiro Plínio Marcos. Atualmente é o representante legal da obra de Plínio, curador do acervo e coordenador de sua digitalização. Participa e realiza eventos e ações relacionadas à obra de Plínio Marcos. Oswaldo Mendes - Ator, Autor de teatro e jornalista, cofundador da Associação Paulista de Críticos de Arte e ganhador do Prêmio Jabuti por "Bendito Maldito - Uma biografia de Plínio Marcos" (Editora Leya). Renata Zhaneta - Atriz, Diretora e preparadora corporal. Atualmente responde pela direção artística da EAC Wilson Geraldo. Iniciou sua carreira em Santos em 1974, quando conheceu Plínio Marcos. Desde então manteve contato com o autor nos grupos dos quais participou. Realizou montagens de alguns textos do dramaturgo, tanto em escolas de teatro como profissionalmente. Como atriz, participou de Navalha na Carne com o Grupo TAPA.

A peça "Dois Perdidos numa Noite Suja - Delivery", com direção de José Fernando Peixoto de Azevedo, tem no elenco os atores Michel Pereira e Lucas Rosário. A obra conta a história de dois jovens da periferia, Tonho e Paco, que dividem uma residência estudantil e trabalham como entregadores delivery. Dias 26 e 27 de setembro. Sexta e sábado, 20h, no Auditório. Os ingressos custam de R$12,00 a R$40,00. Duração de 90 minutos. A partir de 16 anos. Tradução em Libras na sessão de 27 de setembro.  

"Eu Fiz Por Merecer - O Tempo e o Verbo de Plínio Marcos" é uma peça escrita por Oswaldo Mendes, com Walter Breda, Fernando Rocha, e Oswaldo Mendes no elenco e direção. Um ator formado nos musicais encontra dois atores das antigas para fazer um espetáculo que divirta, arrebate e ajude as pessoas a enfrentarem esses tempos difíceis. Depois de reclamar dos parceiros que só falam de gente morta e de um tempo que não é o dele, o ator concorda em trazer à cena o tempo e o verbo de um artista do teatro, Plínio Marcos, inspirados na sua biografia "Bendito Maldito". Dia 30 de setembro. Terça, 20h00. Auditório. Os ingressos custam de R$ 12,00 (credencial plena) a R$ 40,00 (inteira). Duração: 60 minutod. A partir de 16 anos.  

O espetáculo "Inútil Canto e Inútil Pranto pelos Anjos Caídos", encenado por Ícaro Rodrigues, com texto de Plínio Marcos e direção de Roberta Estrela D’Alva, une teatro, performance e poesia falada para refletir sobre o universo do sistema prisional brasileiro. Inspirado na vivência do ator como educador na Fundação Casa, o espetáculo constrói uma narrativa entre a ficção e relatos reais, num corpo-espaço em estado de alerta, esgotamento e resistência. Dias 3 e 4 de outubro. Sexta e sábado, 20h00. Auditório. Os ingressos variam de R$ 12,00 (credencial plena) a R$ 40,00 (inteira). Duração de 60min. A partir de 12 anos. Tradução em Libras na sessão de 4 de outubro. 


Sobre o Plínio Marcos
Plínio Marcos (1935 - 1999) nasceu em Santos e iniciou sua trajetória artística no circo, atuando como palhaço Frajola. Em 1958, o contato com Patrícia Galvão (Pagu) e o teatro amador santista despertou nele o interesse pela dramaturgia. Em 1959, escreveu sua primeira peça, Barrela, inspirada em um episódio real de violência carcerária. O texto marcou sua estreia como dramaturgo e o colocou sob a vigilância da censura, que proibiu a obra por mais de vinte anos.

Nos anos 1960, em São Paulo, trabalhou como camelô, vendedor de álbuns de figurinhas, técnico da TV Tupi, administrador e ator na companhia de Cacilda Becker, no Teatro Arena e no grupo de Nydia Lícia. Foi considerado “dramaturgo maldito” em razão das constantes perseguições da censura às suas obras durante a ditatura militar, mas tornou-se símbolo de resistência cultural e artística.

Autor de títulos como: "Dois Perdidos numa Noite Suja" (1966), "Navalha na Carne" (1967), "Quando as Máquinas Param" (1967), "Homens de Papel" (1968), "O Abajur Lilás" (1969), "Balbina de Iansã" (1970), "Querô, Uma Reportagem Maldita" (1979), "Madame Blavatsky" (1985) e "Balada de Um Palhaço" (1986).  Sua obra é marcada pela denúncia social e pela força cênica de suas personagens. Além do teatro, escreveu romances, contos e crônicas, mas sempre reconheceu que sua escrita nascia voltada para o teatro. Atual, sua obra dramatúrgica é referência na representação dos excluídos no Brasil e na luta pela liberdade de criação nas artes cênicas. Faleceu no mês de novembro de 1999, em São Paulo.


Serviço
"Plínio Marcos - 90 anos"
De 25 de setembro a 4 de outubro
 

Debate
"Plínio Marcos - Memórias e Causos"  
Com Ricardo (Kiko) Barros e Oswaldo Mendes
Mediação de Renata Zhaneta
Dia 25 de setembro. Quinta-feira, às 20h00
Auditório
Grátis. A partir de 14 anos

Espetáculo
"Dois Perdidos numa Noite Suja - Delivery"
Dir.: José Fernando Peixoto de Azevedo
Dias 26 e 27 de setembro. Sexta-feira e sábado, às 20h00
Auditório
Ingressos: R$ 12,00 (credencial plena). R$ 20,00 (meia-entrada). R$ 40,00 (inteira)
Duração: 90 minutos
A partir de 16 anos
Tradução em Libras na sessão de 27 de setembro


Espetáculo 
"Eu Fiz Por Merecer - O Tempo e o Verbo de Plínio Marcos" 
Com Walter Breda, Fernando Rocha e Oswaldo Mendes
Dia 30 de setembro. Terça-feira, às 20h00
Auditório
Ingressos: R$ 12,00 (credencial plena). R$ 20,00 (meia-entrada). R$ 40,00 (inteira)
Duração: 60 minutos
A partir de 16 anos


Espetáculo 
"Inútil Canto e Inútil Pranto pelos Anjos Caídos"
Com Ícaro Rodrigues. Direção de Roberta Estrela D'Alva
Texto de Plínio Marcos
Dias 3 e 4 de outubro. Sexta e sábado, às 20h00
Auditório
Ingressos: R$ 12,00 (credencial plena). R$ 20,00 (meia-entrada). R$ 40,00 (inteira)
Duração: 60 minutos
A partir de 12 anos
Tradução em Libras na sessão de 4 de outubro


Venda de ingressos
As vendas de ingressos para os shows e espetáculos da semana seguinte (segunda a domingo) começa na semana anterior às atividades, em dois lotes: on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e portal do Sesc São Paulo: às terças-feiras, a partir das 17h00
Presencialmente, nas bilheterias das unidades: às quartas-feiras, a partir das 17h00


Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento
Terça a sexta, das 9h00 às 21h30 | Sábados e domingos, das 10h às 18h30    


Sesc Santos      
Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida        
(13) 3278-9800          
Site do Sesc SP  
Instagram. Facebook. @sescsantos

.: A reestreia de “Reparação” no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em São Paulo


O espetáculo conduz o público a um salão de beleza, espaço emblemático da sociabilidade da época, misturando ficção e depoimentos reais colhidos sobre uma jovem violentada por dois colegas de escola no interior de São Paulo, e apresentando ao público várias versões sobre uma mesma história. Fotos: Mari Chama
.


De 25 de setembro a 12 de outubro, o diretor e dramaturgo Carlos Canhameiro estará no Teatro de Arena Eugênio Kusnet com o seu novo espetáculo "Reparação", após temporada de estreia no CCSP. A peça encerra a chamada "Trilogia da Cor Local", em que cada espetáculo conduz o público a uma imersão por um lugar tipicamente brasileiro. As apresentações acontecem de quinta a sábado, às 19h00, e, aos domingos, às 18h00, com ingressos entre R$ 20,00 e R$ 40,00.

Nas encenações de Canhameiro, o cenário nunca é apenas um pano de fundo, mas um elemento central na construção da narrativa e na imersão do público. Na "Trilogia da Cor Local", esse recurso ganha ainda mais força: cada peça recria ambientes de forte carga simbólica e cultural dos anos 1980, explorando aspectos da vida cotidiana das classes baixa e média brasileiras, em espaços que misturam sociabilidade, conflito e memória.

“Em 'Agamenon 12h', situamos a ação em um camelódromo; em 'xs CULPADXS', em um bar típico da década; e, em 'Reparação', a escolha foi por um salão de beleza dos anos 80”, explica o dramaturgo e encenador. “O que me interessa é pensar como esses espaços cotidianos revelam camadas da nossa cultura e ao mesmo tempo são um terreno farto para a teatralidade. O espaço expande o texto e o texto se reinventa dentro desses espaços”.

Inspirada em um caso real ocorrido no interior paulista nos anos 1980, Reparação parte da história de uma jovem violentada por dois colegas de escola. Grávida, ela é forçada pela própria família a deixar a cidade, num gesto que soma à violência física o apagamento simbólico de sua existência. Para construir a dramaturgia, Canhameiro entrevistou diversos moradores e pessoas ligadas ao episódio, reunindo uma ampla gama de perspectivas sobre o caso. Desses encontros, 23 depoimentos foram escolhidos para integrar a dramaturgia final, que entrelaça as vozes reais a cenas ficcionais, num jogo entre memória e imaginação que tensiona as múltiplas versões de um mesmo fato. Compre os livros de Carlos Canhameiro neste link.


Sobre a encenação
A partir dos relatos coletados, o dramaturgo Carlos Canhameiro construiu quatro cenas dialogadas, inteiramente ficcionais, que imaginam situações-chave relacionadas ao tema central. Esses momentos inventados se entrelaçam aos depoimentos reais, compondo uma narrativa que expande a memória e tensiona suas lacunas. “Meu interesse não é apenas narrar um episódio específico, mas investigar como diferentes versões de um acontecimento operam na realidade e, a partir disso, pensar no que pode ser uma reparação”, afirma Canhameiro.

O espetáculo se desenrola em um salão de beleza - espaço emblemático da sociabilidade dos anos 1980 - concebido por José Valdir Albuquerque e pelo próprio dramaturgo. Esse ambiente potencializa a experiência estética e crítica da peça, evidenciando como a vida cotidiana se mistura às fraturas da memória, da violência e da vingança.

Para ampliar a imersão do público, a manicure Maria França e a cabeleireira e maquiadora Rosa de Carlos participam ativamente da encenação, intervindo na preparação do elenco durante as apresentações. O elenco é formado por Daniel Gonzalez, Fábia Mirassos, Luiz Bertazzo, Marilene Grama, Nilcéia Vicente e Yantó.

A trilha sonora, criada e executada ao vivo por Yantó, traz a atmosfera musical da década, com destaque para canções da banda Roupa Nova, que marcam o imaginário popular do período. Já os figurinos de Bianca Scorza evocam diretamente os anos 80, com suas cores vibrantes e exageros, enquanto as perucas utilizadas pelo elenco completam a referência estética desse tempo.


Sinopse do espetáculo "Reparação"
“Reparação” transporta o público para o espaço simbólico de um salão de beleza dos anos 80, lugar de confidências e transformações. Inspirada em um caso real do interior paulista, a peça combina depoimentos e ficção para revisitar a trajetória de uma jovem violentada por dois colegas de escola, que, após engravidar, é obrigada a deixar a cidade. Seis anos depois, retorna com a filha para apresentá-la ao pai, e o reencontro coloca em choque passado e presente, entre a possibilidade de reparação e o risco do desfecho trágico.


Ficha técnica
Espetáculo "Reparação"
Encenação e dramaturgia: Carlos Canhameiro
Elenco: Daniel Gonzalez, Fábia Mirassos, Luiz Bertazzo, Marilene Grama, Nilcéia Vicente e Yantó
Manicure em cena: Maria França
Cabelo e maquiagem em cena: Rosa De Carlos
Trilha Sonora e música ao vivo: Yantó
Cenário: José Valdir Albuquerque e Carlos Canhameiro
Iluminação: Gabriele souza
Assistente de iluminação: Diego França
Figurinos: Bianca Scorza (acervo Godê)
Videografia: Vic von Poser
Técnico de som: Pedro Canales
Técnico de luz: Finn Fernandes
Técnico de vídeo: Ana Lopes
Produção: Mariana Pessoa e Leonardo Inocêncio
Apoio: Cine Dom José, FJ Cine - Giscard Luccas e Jasmim Produção Cultural
Livro: Editora Javali
Piano - Be my husband: Daniel Muller
Assessoria de imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques, Daniele Valério e Carina Bordalo
Prêmio Zé Renato
Este projeto foi contemplado pela 19ª Edição do Prêmio Zé Renato — Secretaria Municipal de Cultura e economia criativa


Serviço
Espetáculo "Reparação"
Duração: 105 minutos | Classificação: 16 anos
Teatro de Arena Eugênio Kusnet
Data: 25 de setembro a 12 de outubro, de quinta a sábado, às 19h00, e, aos domingos, às 18h00
Endereço: Rua Dr. Teodoro Baima, 94 - Vila Buarque
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada)
Compras pela bilheteria física ou pelo Sympla: www.sympla.com.br/reparacao

terça-feira, 23 de setembro de 2025

.: Entrevista com Daniel Perroni Ratto: poeta assume o risco da insubordinação


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Daniel Perroni Ratto escreve para se expor. Em "Destemida Ferrabraz", publicado pela editora Algaroba, sétimo livro dele, o poeta, jornalista e editor decide encarar um dos maiores riscos que um escritor homem pode correr na contemporaneidade: falar com e através da voz feminina. Mas o que poderia soar como apropriação, vira, nas mãos dele, um gesto de reverência, insubordinação e amadurecimento.

Entre o épico medieval de Ferrabrás, os cordéis de Leandro Gomes de Barros e as panelas fumegantes da avó dele, Dagmar, no Ceará, o poeta compõe um caleidoscópio em que o feminino não é metáfora distante, mas presença íntima. A cada resposta, ele mostra que a “destemida” não nasceu apenas da imaginação, mas do sangue, do suor e da cabidela feita no alpendre.

Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, Daniel Perroni Ratto fala sobre amadurecimento, erros reconhecidos, a arrogância masculina que precisa ser desarmada, e a poesia como possível antídoto - ainda que microscópico - contra a violência de gênero. Com a coragem de quem sabe que a palavra nunca basta, mas sempre insiste, Ratto transforma lembrança em verso e  verso em corpo.


Resenhando.com - Você diz que “Destemida Ferrabraz” traz à tona o feminino do seu eu-lírico. Como é que um homem aprende a calar a própria voz para dar lugar à de tantas mulheres silenciadas?
Daniel Perroni Ratto - Na verdade, se reparar, nunca disse que “Destemida Ferrabraz” traz à tona. A poeta e produtora cultural Marta Pinheiro, no posfácio e quarta capa, a escritora, poeta finalista do Jabuti, Íris Cavalcante e o icônico professor da UFC e jornalista, Ronaldo Salgado, tiveram a mesma leitura em seus textos, pois o livro assim se apresenta, creio. Sobre calar a própria voz, a gente aprende na lida, na vida, na família. A capa do livro, linda pintura da escritora e artista plástica, Deborah Dornellas, representa as matriarcas da minha família, do lado paterno, lá no Ceará. Então, desde pequeno, o respeito e a reverência. Também aprendemos a olhar para nossos próprios erros, a reconhecê-los e não querer mais fazê-los, pois o machismo é estrutural, é milenar. Esse processo é um aprendizado de toda uma vida, até pegar aquela carona para além-mar.


Resenhando.com - “Ferrabraz” é nome de cavalo bravo, de serra do Sul, de personagem mitológico. Em que medida essa destemida figura feminina do título é uma invenção poética e em que medida ela é autobiográfica?
Daniel Perroni Ratto - Deixo aqui, o que escrevi em nota, no livro: "Minha avó do Ceará, Dagmar Ferreira da Costa, tinha o apelido de Ferrabraz, que no Nordeste é sinônimo de gente valente, forte, destemida, corajosa, dura e até bruta". Ela era assim. A origem da palavra “Ferrabraz” vem da idade média, de poemas épicos, alexandrinos e assonantes, apareceu primeiro em francês antigo e contava a história de Ferrabrás, um gigante, cavaleiro sarraceno, rei de Alexandria e filho de Balão (Balan), emir da Espanha muçulmana, que enfrenta os paladinos do rei francês, Carlos Magno. Existem adaptações em holandês, inglês e italiano, na Renascença. Em Portugal, desenvolveu-se no século XV, através de folguedos e autos populares. Aqui, no Brasil, virou literatura de cordel sob a pena de um dos mais importantes cordelistas, o recifense, Leandro Gomes de Barros (1865-1918), que escreveu os folhetos “Batalha de Oliveiros com Ferrabrás” e “A Prisão de Oliveiros”. Ferrabrás virou o adjetivo Ferrabraz e foi se popularizando pelos sertões. Pois sim, este livro, para além de tudo que diz, é uma homenagem às mulheres nordestinas que sobrevivem às condições áridas de suas regiões natais e às mulheres retirantes, feito minha avó, que saiu do Ceará e criou seis filhos fazendo marmita em Santos, litoral do Estado de São Paulo.


Resenhando.com - Em tempos em que o termo “lugar de fala” gera ruído e medo entre escritores homens, você decidiu mergulhar de cabeça numa poética feminina. Em algum momento pensou: “isso pode dar ruim”?
Daniel Perroni Ratto - Nunca pensei se podia dar errado. O que seria do poeta ou de qualquer artista se não pudéssemos sentir a poesia no outro, no mundo, no universo?


Resenhando.com - Se a poesia fosse um corpo, qual parte você acha que “Destemida Ferrabraz” representa: o útero, o punho ou a garganta?
Daniel Perroni Ratto - "Destemida Ferrabraz" representa o corpo do etéreo, da matéria escura, dos átomos, da poesia.


Resenhando.com - O livro parece ser tanto um ato de reverência quanto um gesto de insubordinação. Qual mulher da sua vida - morta ou viva - você acredita que se irritaria mais com o livro?
Daniel Perroni Ratto - Sim, pode ser, também, reverência, já dita em outra resposta. Insubordinação sim, ao status quo milenar de dominância do macho-alfa. Por que você acha que as mulheres se irritariam com o livro?


Resenhando.com - Você já escreveu sobre São Paulo, amor, delírio e drinques flamejantes. Agora, decide escrever sobre mulheres com uma intensidade quase mística. O que aconteceu com você nos últimos anos para esse deslocamento acontecer?
Daniel Perroni Ratto - Aconteceu aquela coisa de amadurecer, saca? Tudo tem sua hora, não é mesmo? O sentimento e a intuição vão fluindo do subconsciente (há quem diga que não existe), ao mesmo tempo em que a cognição se expande. Alguns livros que li durante a adolescência e não entendi porra nenhuma, quando adulto, os li novamente e, entendi, compreendi e senti.


Resenhando.com - A crítica diz que seu novo livro é uma travessia entre o masculino e o feminino. Que homem você era antes de escrevê-lo - e que homem sobrou depois da última página?
Daniel Perroni Ratto - Aprendi ao longo da vida a reconhecer meus erros, tomar a responsabilidade por eles e decidir que não quero repeti-los. Essa construção não é de uma hora para outra e só acontece se deixarmos o ego, a arrogância, a soberba, de lado. E como disse ali, ela só cessará no último respiro.


Resenhando.com - Avó Dagmar, tia Mirtes e a poeta Laís aparecem como pilares da sua travessia poética. Se uma delas pudesse narrar “Destemida Ferrabraz” no seu lugar, o que mudaria na história contada por você?
Daniel Perroni Ratto - A história de vida delas, penso, é a própria narrativa de cada uma delas.


Resenhando.com - Você acredita que a poesia pode ser um antídoto contra a violência de gênero - ou ela ainda é um terreno muito confortável para o machismo?
Daniel Perroni Ratto - Acredito sim. Mesmo que em nanoescala. Um grão de areia. Claro que entre os pares, a literatura ainda é muito machista. Lembro de estar numa mesa de boteco, há uns dez anos, com a poeta Alice Ruiz e o poeta Lau Siqueira, em São Paulo. Conversávamos exatamente sobre isso e eu comentei que o termo “poetisa” foi criado no século XIX por homens poetas, com uma conotação depreciativa ou condescendente. Falei do poema de Cecília Meireles, “Motivo”, onde ela se afirma poeta: “Eu canto porque o instante existe/e a minha vida está completa./Não sou alegre nem sou triste:/sou poeta”. Nessa hora, a Alice falou que era isso mesmo, a palavra poeta já era uma palavra feminina e o homem, se quiser, que seja poeto.


Resenhando.com - Se a “Destemida Ferrabraz” pudesse levantar da página e encarar o poeta que a inventou, o que ela te diria que você ainda não teve coragem de escrever?
Daniel Perroni Ratto - Se a Destemida Ferrabraz que deu nome ao livro, minha avó Dagmar Ferreira, lá do fogão a lenha do alpendre do sítio, cozinhando uma galinha a cabidela, diria: “Niel, pegue o sangue que deixei ali e um mói de coentro no terreiro”. Galinha a cabidela sem sangue e sem coentro inexiste, saca?

.: Literalistas: autor de "Sob o Céu de Isaías", Vítor Kappel indica dois livros

 
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

O escritor Vítor Kappel vem conquistando leitores e crítica com seu romance de estreia "Sob o Céu de Isaías", publicado pela editora Patuá, obra que equilibra humor agridoce e reflexão sobre identidade, amadurecimento e pertencimento. Carioca de Nova Friburgo, engenheiro de formação e romancista por natureza, ele já lançou o livro no Rio de Janeiro e participou da programação da Casa Queer durante a últiima Flip - Festa Literária Internacional de Paraty. Entre compromissos literários e a recepção calorosa que vem recebendo, Kappel mantém o hábito de ler em paralelo. E é justamente sobre esse exercício de trânsito entre universos narrativos que ele fala ao Literalistas. Compre o livro "Sob o Céu de Isaías", de Vitor Kappel, neste link.

"Adquiri ao longo do tempo o hábito de ler dois livros ao mesmo tempo. Talvez para habitar universos paralelos que se iluminam mutuamente. Assim acontece ao alternar entre 'Meu Nome é Laura', de Alex Andrade, e 'Uma Tragédia Latino-Sertaneja', de Fellipe Fernandes. De um lado, a delicadeza íntima da identidade, um romance comovente sobre um menino que se descobre mulher trans, dividido com maestria em três partes, uma prosa tocante e uma estrutura perfeitamente alinhada com a transição da personagem. De outro, a história em um território pouco explorado na literatura brasileira, o cerrado de Goiás. Contando a vida de Miguel, peão que vive sob desejo reprimido e que tem a vida alterada com a chegada de Ernesto, agrônomo mexicano, a obra combina uma escrita única, potente, revigorante e poética, equilibrando tempos e movimentos ao tratar de temas como identidade, repressão social e amor. Ambos representam a beleza da literatura contemporânea atual, nesse encontro harmonioso entre forma e conteúdo. Um privilégio poder ler esses dois autores", justifica.

E se nas leituras indicadas ele encontra ecos de identidade, desejo e pertencimento, em "Sob o Céu de Isaías", Kappel faz ressoar sua própria voz: a de um narrador que, com humor e ternura, acompanha o amadurecimento de um jovem em meio às contradições de uma cidade pequena, em meio a laços afetivos, descobertas e conflitos que o empurram para fora das grades invisíveis de uma sociedade homofóbica. Um romance de formação que, ao mesmo tempo em que diverte com peripécias inesperadas, emociona ao iluminar o delicado processo de se tornar quem se é.

.: Biblioteca Nacional promove debate sobre a importância dos quadrinhos


A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) - vinculada ao Ministério da Cultura (MinC) - realiza na próxima terça-feira, 30 de setembro, a partir das 14h00, mais uma edição do programa Leitura em Debate. Desta vez, o tema será a importância dos quadrinhos na formação do leitor. O evento acontece no Auditório Machado de Assis, na sede da FBN, no Centro do Rio, com entrada gratuita e transmissão ao vivo no YouTube (@fundacaobibliotecanacional). As convidadas para o debate são a diretora artística do Instituto Ziraldo, Adriana Lins, e a historiadora e pesquisadora da FBN, Raquel França. A mediação ficará a cargo da escritora Anna Claudia Ramos.


Sobre as convidadas
Adriana Lins é artista visual, designer, fotógrafa e diretora artística. Ao longo de mais de 30 anos de atuação, participou da organização e do design de dezenas de títulos e desenvolveu conteúdos para exposições, projetos audiovisuais e editoriais. Sobrinha do escritor e cartunista Ziraldo (1932-2024), é fundadora do Instituto que leva o nome de seu tio, criado em 2019 com o objetivo preservar e divulgar a obra do artista. Em 2025, lançou o livro “O Caminho das Sete Tias” (Ed. Melhoramentos), com ilustrações suas e texto inédito de Ziraldo.

Raquel França é historiadora e pesquisadora da Fundação Biblioteca Nacional. Coordena o Projeto Periódicos & Literatura, da FBN. Foi professora de História na Rede Estadual do Rio de Janeiro e mediadora à distância no curso de Licenciatura em Pedagogia, na Fundação CECIERJ. É coautora dos livros “Passado em Caleidoscópio: versões quadrinizadas da Independência do Brasil no Sesquicentenário e Bicentenário” (Appris, 2022) e “O Dia a dia da Independência” (Appris, 2023 – apoio jornal O Dia), ambos elaborados com apoio da FAPERJ.

Leitura em Debate
Retomado pela FBN em agosto de 2025, o programa mensal Leitura em Debate tem como público-alvo mediadores de leitura, educadores, bibliotecários, escritores, ilustradores e interessados no universo da literatura. Realizado anteriormente entre 2008 e 2011, o Programa trouxe diversos convidados do Brasil e do exterior para debater temas ligados à literatura e à mediação de leitura, além de ter realizado algumas edições em Feiras do Livro. Em 2015, os encontros converteram-se no livro “Leitura em debate: a literatura infantil e juvenil na Biblioteca Nacional”.


Serviço
Leitura em Debate - “A Importância dos Quadrinhos na Formação do Leitor”
Terça-feira, dia 30 de setembro, das 14h00 às 16h30.
Auditório Machado de Assis, Biblioteca Nacional. - Rua México, s/nº (entrada pelo jardim).
Transmissão ao vivo: https://www.youtube.com/watch?v=ayeBuAfPFnI
Evento gratuito

.: Plínio Marcos é celebrado em evento que une teatro, samba e literatura


Em 2025, Plínio Marcos completaria 90 anos. Para marcar a data e reverenciar a trajetória de um dos maiores nomes da cultura brasileira, um grande encontro artístico será realizado em São Paulo, reunindo teatro, samba e literatura.

Idealizado, produzido e dirigido por Kiko Barros, filho do autor, o evento reforça a atualidade da obra de Plínio, que segue desafiando, emocionando e inspirando novas gerações. A celebração contará com intervenções artísticas, leituras dramáticas, música e depoimentos que ressaltam a dimensão provocadora e sensível de sua criação.

A programação está marcada para o dia 29 de setembro de 2025, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, espaço histórico da cidade de São Paulo. A concentração do público começa às 18h, com atividades previstas das 19h às 22h. A entrada é gratuita, com possibilidade de contribuição voluntária.

Entre os destaques, estão apresentações de grupos como a Cia Caco de Vidro, Cia dos Trilhos, Cia Fagulha e Cia Lazzari, além da participação do grupo de samba Kolombolo. Nomes como Ana Silva, Clau Carvalho, Fernando Rocha, Ícaro Rodrigues, Oswaldo Mendes, Rodrigo Mangal e Walter Breda também integram a lista de artistas convidados.

A ficha técnica do evento traz ainda a participação de Jessica Oehlerick na assistência de produção, Cláudio Koca na iluminação e som, e o design gráfico de Sesshy. O encontro tem apoio da Fundação Nacional das Artes (Funarte).

Mais de duas décadas após sua morte, a obra de Plínio Marcos segue viva nos palcos, na música e na literatura, reafirmando a relevância de um artista que fez do teatro um espaço de resistência, denúncia e poesia.


Serviço
90 anos de Plínio Marcos: Teatro, Samba & Literatura
Segunda-feira, dia 29 de setembro de 2025
Concentração às 18h; programação das 19h às 22h
Teatro de Arena Eugênio Kusnet – Rua Doutor Teodoro Baima, 94 – São Paulo/SP
Entrada gratuita – contribuição voluntária

.: "Estrela da Casa": Brenno Casagrande faz da emoção uma marca registrada


Brenno Casagrande marcou o "Estrela da Casa" e já prepara novos voos na música. Foto: Globo/ Gabriel Vaguel


O baiano Brenno Casagrande conquistou o público do "Estrela da Casa" com voz doce, carisma e forte presença de palco, marcada pela herança musical que carrega do pai, também cantor. Durante sua trajetória no talent show, emocionou com interpretações cheias de verdade, criou laços fortes com os colegas de confinamento e surpreendeu ao se arriscar até na dança - momento em que recebeu, em tom carinhoso, o apelido de “novo Léo Santana”. 

Quarto eliminado da segunda temporada do programa, Brenno sai grato pela experiência e já com os olhos voltados para os próximos passos da carreira. Em entrevista, ele fala sobre as apresentações favoritas, os aprendizados que leva para a vida e os planos de lançar músicas inéditas, parcerias e até um grande audiovisual.

O que foi mais especial na sua participação no "Estrela da Casa"?
Brenno Casagrande - Foi me redescobrir como pessoa, como artista, me desbloquear para muitas coisas, como dançar. Estão me chamando de novo Léo Santana, sei que estou muito longe disso, mas estão me chamando. Eu dancei em todos os festivais. Tem pessoas na equipe que mudaram a minha vida, tanto nos ensinamentos de dança quanto de voz e carreira. Vou levar o que aprendi e seguir assistindo para aplicar essas dicas na minha trajetória, através da TV mesmo.


Qual foi sua dinâmica preferida?
Brenno Casagrande - Compor. A dinâmica do jingle é muito boa, mas a que mais me marcou foi a do "Desafio - Estrela da Casa". Na última, eu ganhei com os meninos com uma música falando sobre fé. Mas a minha música preferida do programa foi o jingle para o "Criança Esperança".


De qual apresentação sua você mais gostou?
Brenno Casagrande - A minha apresentação preferida foi a primeira, quando cantei "Vai Sacudir, Vai Abalar", música do meu pai. Eu estava muito emocionado, achei que ia chorar feito louco, mas consegui segurar a onda. Só chorei quando a apresentação acabou. Estava imune, estava leve. Foi a mais emocionante, sem dúvidas.


Quais aprendizados você está levando do "Estrela da Casa" para sua carreira?
Brenno Casagrande - Aprendi que a gente tem que manter a nossa verdade, que o carisma conta bastante, e que é importante deixar uma marca registrada nas pessoas. Acredito que deixei essa marca, porque ontem vi um vídeo de todos reunidos na sala de composição cantando a música do meu pai, me homenageando e fazendo a flecha, que é o sinal que eu criei. Fiquei muito emocionado, foi a única vez que chorei depois de sair do programa. Tive certeza de que estou na vida deles para sempre.


O que faria diferente, se tivesse a chance?
Brenno Casagrande - Talvez eu tivesse me esforçado mais para ganhar a imunidade e não ser eliminado ontem. Mas, quanto aos meus comportamentos, não me arrependo. Fui quem eu realmente sou. Já liguei para o meu irmão, para minha esposa, para minha mãe, para o meu pai... todo mundo me parabenizou pelo meu comportamento, pelas minhas falas e posturas. Então, se agradei minha família, não tenho mais o que mudar.


Na sua opinião, quem tem mais chances de sair vencedor ou vencedora? E pra quem fica sua torcida?
Brenno Casagrande - Hanii, Thainá e Juceir. São meus três favoritos. Estou torcendo igualmente para os três.

Quais são os próximos passos da sua carreira?
Brenno Casagrande - Lançar músicas. Tenho muitas em parceria com outros artistas. Quero fazer um audiovisual lindão, continuar brilhando... Meu lugar ao sol chegou, né? Então, agora é brilhar pelo Brasil afora. E para as pessoas que acompanham o programa e têm o sonho de estar aqui: não desistam. Eu fui um sonhador, sonhei muito em estar aqui, e em 2025 consegui entrar no "Estrela da Casa". Então, é sobre não desistir.

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