sábado, 24 de janeiro de 2026

.: Tuca Oliveira anuncia primeiro show da turnê do álbum “A Nossa Vez”


Apresentação que ocorrerá em São Paulo, no Bona Casa de Música, marca o início da turnê do álbum “A Nossa Vez”, novo trabalho autoral do cantor e compositor mineiro. Foto: Daniela Toviansky

O cantor e compositor mineiro Tuca Oliveira apresenta, no próximo domingo, dia 25 de janeiro, às 19h30, em São Paulo, o primeiro show da turnê do álbum “A Nossa Vez”, trabalho mais recente do artista e seu terceiro álbum de estúdio. A apresentação acontece no Bona Casa de Música e marca o início da circulação ao vivo do disco, que consolida a fase mais madura e autoral de sua trajetória na MPB.

Lançado recentemente, "A Nossa Vez" reúne 12 faixas de autoria de Tuca Oliveira, revelando um repertório que transita entre lirismo, melodias marcantes e arranjos que dialogam com a tradição da música brasileira contemporânea. A produção é assinada por Júlio Raposo, e o álbum conta com participações especiais de Elba Ramalho, Milton Guedes e Catharina, ampliando o universo sonoro do projeto.

No palco, Tuca apresenta as canções do novo trabalho, em um show pensado para destacar a força do repertório, a relação direta com o público e a identidade artística que vem colocando o cantor entre os nomes em ascensão da nova MPB. O espetáculo também percorre momentos importantes de sua carreira, conectando músicas do álbum a composições que ajudaram a construir sua trajetória. O show marca o ponto de partida da turnê de "A Nossa Vez", que seguirá por outras cidades ao longo de 2026. Os ingressos já estão disponíveis neste link.

.: Montagem do Grupo XPTO, “As Pedras de Javier”, ganha temporada em SP


Unindo literatura, mitologia e fantasia, o espetáculo convida o público a embarcar numa viagem imaginária que começa na guerra de Troia. 
Foto: Osvaldo Gabrieli

A mais recente montagem do Grupo XPTO, “As Pedras de Javier”, ganha temporada em São Paulo, no Teatro Arthur Azevedo, a partir de 24 de janeiro, com apresentações gratuitas aos sábados e domingos. Na peça, um jovem misterioso narra as aventuras de seu mestre Javier, um bonequeiro que percorreu o mundo contando histórias e apresentando suas peças de Teatro de Bonecos. Em suas viagens, Javier recolhia pedras “para aliviar o peso das montanhas”; a cada nova pedra recolhida, surgia uma nova história a ser contada. Após a sua morte, Javier deixa ao jovem pupilo a missão de seguir recolhendo pedras pelos caminhos da vida para contar histórias que se passam nos mais variados lugares e épocas.

Unindo literatura, mitologia e fantasia, o espetáculo convida o público a embarcar numa viagem imaginária que começa na guerra de Troia, atravessa a odisseia do rei Ulisses na ilha das sereias, alcança uma outra ilha mítica chamada Hy Brazil, desce até o sul do Chile para revelar a lenda do navio Caleuche, e culmina numa jornada pela Índia, onde Javier encontra a Árvore da Vida.

Esta montagem é uma homenagem ao poeta, escritor e bonequeiro argentino Javier Villafañe, personagem icônica do Teatro de Bonecos mundial. Sua obra envereda por caminhos onde o mágico, o surreal e o causo popular se misturam. A peça nasceu a partir de um personagem criado por Javier Villafañe - “O Homem que Carregava Pedras para Aliviar o Peso das Montanhas” - que funcionou como disparador da dramaturgia original deste projeto. Aqui, esse personagem ganha protagonismo e uma história pessoal, transformando-se numa espécie de pupilo que acompanhou, desde muito jovem, os passos do poeta titeriteiro.

“Aprendi a fazer teatro de bonecos ainda muito jovem guiado pelas histórias que meu mestre, Ariel Bufano, contava sobre Javier Villafañe, seu mentor — o velho titeriteiro errante cuja lenda atravessou a América Latina, Espanha e toda a Europa. Sempre me encantou o pensamento surrealista, delirante e luminosamente livre de suas obras. Este espetáculo nasce como um breve sopro dessa memória, contada para as novas gerações pela voz de um pupilo imaginário, para que o rastro poético de Javier continue sua caminhada a descobrir novas histórias para serem contadas”, afirma Osvaldo Gabrieli, autor e diretor.


XPTO Brasil
O Grupo Teatral XPTO é uma companhia de teatro brasileira fundada em 1984 que tem uma proposta de pesquisa baseada na integração de múltiplas linguagens artísticas, com destaque para o Teatro de Animação, Teatro Físico, Performance, Música, Artes Plásticas, Vídeo e Dança. Seu trabalho é conhecido por espetáculos (28 criações no total) com grande apelo visual e musical, que contribuem de forma substancial para a formação do teatro brasileiro contemporâneo.

O grupo recebeu 42 prêmios no Brasil – APCA, Mambembe, Shell, APETESP, Governador do Estado, Fundacen, Coca-Cola e Panamco, entre outros – e 2 prêmios internacionais: Prêmio Villanueva - Cinco melhores espetáculos internacionais de 2014 (Cuba) e Citação de Mérito da Organização Arlyn Award Society (Canadá), em 2019.

O XPTO já se apresentou em todas as regiões do Brasil e em mais 13 países, entre os quais Argentina, Uruguai, Colômbia, Venezuela, Cuba, Portugal, Espanha, França, Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Hong Kong e Índia.

Ficha técnica
Espetáculo “As Pedras de Javier”

Dramaturgia, Direção, Cenografia e Iluminação: Osvaldo Gabrieli
Música original e sonoplastia: Beto Firmino
Ator contador de histórias: Tay Lopez
Videoartista: Tiago Carvalho
Operador de luz: Mauricio Aparecido Matos
Cenotécnico: Valdemir Leite
Produtora executiva: Sofia Safira Papo
Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro
Produção: Grupo XPTO – Cooperativa Paulista de Teatro
Este projeto foi contemplado pela XXIª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro — Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa

Teatro Arthur Azevedo
Avenida Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca / São Paulo
Telefone para informações – 11 26045558
Dias 24, 25 e 31 de janeiro e 01, 07, 08, 14 e 15 de fevereiro de 2026
Sábado e domingo às 16h00
Nos dias 1° e 8 de fevereiro haverá tradução em LIBRAS
Gratuito - Presencial
Duração: 45 minutos
Classificação Indicativa: livre / recomendado a partir de 7 anos
Gênero: Teatro de Animação / Teatro de Objetos / Contação de Histórias

.: A banalidade do mal e a história da homossexualidade no Reino Unido


Por Helder Bentes, escritor e professor. 

Assisti ao filme "Meu Policial" na Amazon Prime e fiquei fascinado. Tudo no filme é lindo, desde a fotografia dos cenários do Reino Unido, espaço da narrativa, à revelação de Harry Styles como ator. É ele quem interpreta o policial que dá nome ao filme. Mas para que vocês não pensem que gostei do filme apenas por causa de Harry no papel principal, eu devo dizer que a história se passa ao final da década de 50 do século XX, e é contada sob uma perspectiva das memórias registradas num diário lido por uma das personagens, quando todos os envolvidos já estão idosos, com uma sequência cênica que alterna entre o tempo da narrativa e o tempo na narrativa. Essa alternância é responsável por um dos efeitos catárticos do filme, ao lado de contexto histórico, lições sobre arte, opressão sexual e sexista, convenções sociais, amor, egoísmo, ciúmes, imprudência, inconsequência e fugacidade da vida. 

Em meados do século XX, o Reino Unido vivia sob o peso da Emenda Labouchere, desde 1885. Tratava-se de uma Lei que punia a homossexualidade masculina como indecência grave entre homens. Nesse contexto histórico, Patrick, o curador de arte de um museu britânico, conhece o policial Tom e se apaixona por ele. Mas Tom é um gay no armário, influenciado pela cultura homofóbica e com ideais pequeno-burgueses de se casar, ter filhos e constituir família. Apesar das dificuldades impostas por esse contexto, eles desenvolvem um romance secreto. 

Até que Tom casa-se com a jovem Marion, com a permissão de Patrick, que concorda em dividi-lo com uma mulher, já que não tinha outro jeito. Era preciso manter o emprego de ambos e, ao menos para Tom, o casamento era uma instituição mantenedora de sua carreira como policial. Ao longo do enredo, Marion descobre fazer parte de um triângulo amoroso. Movida por impulsos de ciúme, ela denuncia Patrick ao museu. Ele perde o emprego, é preso, e isso deixa Tom apavorado. Menos por preocupar-se com Patrick que por medo de perder seu emprego, seu casamento e sua imagem social. 

Marion arrepende-se, tenta consertar a merda que fizera e que poderia respingar em seu próprio lar, mas não adianta. A existência do diário lido na alternância temporal ao longo do filme torna-se prova documental do triângulo amoroso, e Tom acaba expulso da polícia. Passa a hostilizar Patrick por isso, e Marion é a única que, mesmo traída, sente alguma compaixão por Patrick. Anos mais tarde, ela se propõe a cuidar de Patrick já idoso e doente em sua própria casa, obrigando Tom a se confrontar com o passado e assumir as consequências das escolhas que fizera de se casar com uma mulher, mesmo sendo gay. 

"Meu Policial" é uma adaptação do livro homônimo escrito por Bethan Roberts e lançado em 2012. O filme, porém, é de 2022. A autora se inspirou na vida de E.M. Forster (1879-1970), escritor inglês que viveu uma história parecida com a trajetória do policial Tom Burgess.

Este filme propõe reflexões profundas sobre a perniciosidade de leis homofóbicas e a importância do combate à homofobia. Leis homofóbicas acabam gerando o cidadão sistêmico que a filósofa Hannah Arendt denuncia na banalidade do mal. Ela descreve de que maneira as pessoas comuns, não necessariamente sádicas, normalizam atentados contra os direitos humanos, por absoluta falta de consciência crítica. apenas aderindo, sem pensar, à burocracia ordinária de instituições como os diversos sistemas e aparelhos político-ideológicos do Estado e da cultura. Foi assim que o mal se tornou rotina no nazismo e em diversos outros sistemas que extrapolam os regimes totalitários. E essa banalidade acontece até hoje em diversos segmentos da vida social. 

Tom se via apenas como um policial que deveria cumprir tarefas de policial e de cidadão comum de um Estado homofóbico, sem questionar a moralidade de suas ações, sua própria homossexualidade, sua covardia, suas escolhas, a objetificação de Marion e do próprio Patrick, tampouco sobre o futuro, a velhice e a iminência compulsória da morte. Outro aspecto interessantíssimo do filme é que ele pode ser lido por perspectivas que se comunicam entre si. 

Da perspectiva heterossexual, Marion representa um tipo social vitimizado pela construção sistêmica da heterossexualidade. Como, por exemplo, um gay casar com mulher, para atender a uma reivindicação social, já é uma maldade banalizada, o cinespectador hétero tende a hostilizar Tom, o representante dos gays no armário.  Da perspectiva homossexual, porém, o filme mostra como a dicotomia coragem/medo classifica a comunidade LGBTQIAPN+. Tom representa o medo. Patrick, a coragem. Salvaguardadas as proporções da heterossexualidade compulsória que criminaliza quaisquer outras variantes sexuais. 

Isso abre a obra para um preenchimento concretizador que vai depender da inteligência e da alteridade de quem estiver assistindo ao filme. O espectador menos inteligente vai tentar achar, entre as personagens do triângulo amoroso, quem é o vilão, e provavelmente pode ser que Tom seja classificado como tal. A verdade, porém, é que a vilania desse enredo não reside em nenhum personagem. Todos são vítimas de um sistema que legitimou o preconceito homofóbico com base num critério ordinário e banalizado, igual se fizera com o racismo. 

A mim sensibilizou sobretudo a velhice de homossexuais que se mantêm fiéis a si mesmos e não aderem às compulsões ordinárias da heteronormatividade, mesmo correndo o risco de serem cobrados por serem quem são.  Outra proposta reflexiva interessante que esse filme traz nas entrecenas é sobre o poder do conhecimento adquirido através dos estudos. Estudar a linha do tempo da história da (des)criminalização da homossexualidade no Reino Unido foi uma das primeiras coisas que esse filme fez em mim. Há uma história secular de discriminação homofóbica no Reino Unido, tanto que as Leis que libertaram os gays só foram revogadas recentemente, na primeira década do século XXI. 

Antes disso, em meados do século XIX, a Lei de Sodomia previa pena de morte, prisão perpétua e trabalhos forçados aos gays. No último quartel do século XIX, mais precisamente em 1885, entra em vigor a Emenda Labouchere, que contextualiza o filme. Essa emenda criminaliza relações sexuais entre homens, mesmo no privado. O escritor Oscar Wilde é um exemplo emblemático real do rigor dessa emenda. Ela foi o ordenamento jurídico que o condenou a dois anos de prisão com trabalhos forçados, o que prejudicou sua saúde, sua vida financeira e destruiu completamente sua imagem social. 

Essa emenda vigorou por quase um século no Reino Unido. Somente a partir de meados do século XX (1967), países como Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte começaram a descriminalizar a homossexualidade. Mesmo assim, os atos homossexuais deveriam ser consensuais, os envolvidos deveriam ser maiores de 21 anos, e tudo deveria permanecer no privado. O filme se passa nos anos de 1950. Então o enredo não alcança essa fase. Somente em 2001 a idade de consentimento para relações homossexuais foi igualada à idade consentida para héteros, 16 anos. E a abolição total das leis anti-homossexuais só acontece em 2008. Considerando-se que nenhuma cultura secular se desconstrói do dia para a noite, o Reino Unido não deve ser um lugar para onde os gays devam migrar. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

.: Quais as cenas adicionais de "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei"?


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

A reestreia de "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei" na Rede Cineflix e em cinemas brasileiros, neste sábado, dia 24 de janeiro, em versão estendida, recoloca na tela grande o capítulo final da trilogia dirigida por Peter Jackson, agora como parte das comemorações pelos 25 anos de "A Sociedade do Anel", adaptação do clássico de J. R. R. Tolkien. Lançado originalmente em 2003, o longa-metragem - vencedor de 11 Oscars, incluindo Melhor Filme, Diretor e Roteiro Adaptado - volta ao circuito, quando a Warner Bros. Pictures promove a exibição integral da trilogia em sessões especiais, um filme por dia, sempre em versão legendada. Trata-se de um convite tanto à memória afetiva de uma geração quanto à descoberta, em escala monumental, de uma das experiências cinematográficas mais ambiciosas do século XXI.

Concluindo a jornada iniciada dois anos antes, "O Retorno do Rei" acompanha a aproximação do desfecho da Guerra do Anel. Enquanto Frodo (Elijah Wood) e Sam (Sean Astin) avançam rumo à Montanha da Perdição, enfrentando o esgotamento físico e a manipulação final de Gollum (Andy Serkis), os povos livres da Terra-média se reúnem para resistir ao cerco de Sauron. Gandalf (Ian McKellen) tenta salvar Minas Tirith do colapso moral e político imposto por Denethor (John Noble), Aragorn (Viggo Mortensen) assume o peso de sua herança e lidera homens, elfos e anões rumo a uma última esperança, enquanto Éowyn (Miranda Otto) rompe expectativas e protagoniza um dos momentos mais emblemáticos da saga.

Dirigido por Peter Jackson e escrito por ele em parceria com Fran Walsh e Philippa Boyens, a partir da obra de J.R.R. Tolkien, o filme encerra a trilogia com uma combinação rara de espetáculo épico, emoção íntima e rigor técnico. Não por acaso, tornou-se a maior bilheteria mundial de 2003, ultrapassando a marca de US$ 1,1 bilhão, além de figurar entre os títulos mais premiados da história do cinema. Para a crítica internacional, de veículos como The New York Times, The Guardian e Variety, o longa-metragem consolidou o feito de transformar uma obra considerada “infilmável” em fenômeno cultural e industrial, capaz de dialogar com públicos distintos sem sacrificar densidade dramática ou coerência narrativa.

A diferença entre a versão exibida originalmente nos cinemas e a versão estendida agora reapresentada é substancial e vai além do mero acréscimo de minutos. O corte de cinema tem cerca de 201 minutos; a versão estendida ultrapassa 250, acrescentando aproximadamente 50 minutos de cenas inéditas ou ampliadas. Esses acréscimos aprofundam personagens, relações políticas e consequências morais da guerra. Há mais tempo dedicado à loucura de Denethor, ao desgaste psicológico de Frodo, ao protagonismo de Éowyn no campo de batalha e, sobretudo, à dimensão simbólica do poder. 



Quais são as cenas adicionais de "O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" (com spoiller)
Na versão estendida de "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei", a narrativa ganha fôlego adicional e densidade dramática logo nos primeiros movimentos. Após a vitória em Isengard, Saruman surge novamente no alto da torre de Orthanc, protagonizando uma cena ausente do corte de cinema. O antigo mago enfrenta Gandalf, Théoden e Aragorn em um embate verbal carregado de ironia, ressentimento e decadência moral. A sequência encerra definitivamente seu arco, revelando o custo da corrupção pelo poder e oferecendo um desfecho mais coerente para um personagem central da trilogia.

Em Minas Tirith, a versão estendida aprofunda o colapso psicológico de Denethor. Cenas adicionais mostram sua relação abusiva com Faramir, marcada por humilhação e desprezo, deixando mais explícito o contraste entre o amor perdido por Boromir e a rejeição ao filho sobrevivente. O uso do Palantír por Denethor é sugerido de forma mais clara, reforçando que sua loucura não é apenas fruto do desespero, mas também da influência direta de Sauron. Gandalf, por sua vez, ganha mais espaço como figura política e estratégica, não apenas como guia espiritual.

A jornada de Aragorn, Legolas e Gimli pela Senda dos Mortos é significativamente expandida. O Exército dos Mortos não surge apenas como um recurso narrativo imediato, mas como um desafio moral e simbólico: almas presas por juramentos quebrados, que exigem de Aragorn mais do que coragem: querem legitimidade, palavra e liderança. O encontro é mais tenso, sombrio e ritualístico, reforçando o peso histórico da linhagem do herdeiro de Isildur.

A Batalha dos Campos de Pelennor também se torna mais extensa e brutal. Há novas escaramuças, maior atenção aos horrores da guerra e ao impacto humano do conflito. Merry e Éowyn ganham cenas adicionais após a queda do Rei-Bruxo de Angmar, enfatizando não apenas o heroísmo do feito, mas suas consequências físicas e emocionais. Éowyn, ferida e exausta, deixa de ser apenas símbolo de bravura para se tornar corpo vulnerável em meio à devastação.

Um dos acréscimos mais emblemáticos ocorre diante do Portão Negro. A Boca de Sauron aparece como emissário do mal, exibindo supostos pertences de Frodo e provocando desespero nos líderes aliados. A cena explicita a guerra psicológica travada por Sauron e testa os limites da esperança de Aragorn e Gandalf, reforçando que a batalha final não se dá apenas com espadas, mas com informação, medo e manipulação.

Em Mordor, a caminhada de Frodo e Sam é prolongada por momentos de silêncio, exaustão e desespero. A versão estendida enfatiza o colapso físico de Frodo e a solidão radical da missão, enquanto Sam assume, de forma ainda mais clara, o papel de sustentação ética e afetiva da jornada. A tensão com Gollum é ampliada, tornando seu fim ainda mais trágico e inevitável.

O pós-guerra também ganha novos contornos. A coroação de Aragorn é mais cerimonial, reforçando a restauração simbólica da ordem. Os reencontros são mais demorados, permitindo que o espectador assimile o custo emocional da vitória. Por fim, a despedida nos Portos Cinzentos é estendida, sublinhando a melancolia que atravessa o encerramento da trilogia: a vitória sobre o mal não apaga as marcas deixadas pelo caminho, e nem todos podem permanecer no mundo que ajudaram a salvar.


Ficha técnica
“O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” | “The Lord of the Rings: The Return of the King” (título original) | “O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei” (título em Portugal)
Gênero: fantasia épica, aventura. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2003. Idioma: inglês. Direção: Peter Jackson. Roteiro: Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens (baseado na obra de J.R.R. Tolkien). Elenco: Elijah Wood, Sean Astin, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Orlando Bloom, Miranda Otto, Andy Serkis, Cate Blanchett, Hugo Weaving, entre outros. Distribuição no Brasil: Warner Bros. Pictures. Duração: 251 min (versão estendida). Cenas pós-créditos: não.

Assista no Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos
Dia 22 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" | Sala 3 | 18h00
Dia 23 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - As Duas Torres" | Sala 3 | 18h00
Dia 24 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei" | Sala 3 | 18h00
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.







.: Com single "Bruxa" lançado, Banda Gatos Feios prepara o primeiro álbum


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Pri Nakano

A banda paulista Gatos Feios lançou recentemente o single “Bruxa”, já disponível em todas as plataformas digitais. A faixa carrega uma atmosfera sombria que remete às trilhas sonoras de séries dos anos 80 e 90, combinando mistério, desejo e intensidade com uma pegada visceral de punk rock. E integra o primeiro álbum da banda que está em fase de finalização.

Com refrão contagiante em inglês e uma letra que aborda estados de feitiço, veneno e maldição, “Bruxa” mergulha em um universo simbólico de magia, perdição e sedução. O resultado é uma verdadeira poção sonora que equilibra energia crua, melodia e personalidade. Formado em 2010, em Caieiras (SP), o grupo surgiu inicialmente revisitando clássicos do rock dos anos 50, com influências que iam de Elvis Presley a Jerry Lee Lewis. Com o tempo, os músicos perceberam que o som ganhava identidade própria e decidiram investir em composições autorais.

A projeção na cena paulista veio rapidamente, especialmente após uma apresentação marcante no tradicional Baile dos Anos 60 de Caieiras, que ampliou a visibilidade do grupo. Em 2011, a banda lançou as faixas “Eu Era Tão Seu Amigo”, “No Bar Todo Mundo é Amigo” e “Jornada Para Te Conquistar”, disponíveis nas plataformas digitais.

Atualmente, a banda finaliza seu primeiro álbum completo, intitulado “Eu Sou Produto”, previsto para lançamento em fevereiro de 2026. O disco contará com dez faixas inéditas e aposta em uma mistura autêntica de Punk Pop, Rockabilly, Jovem Guarda e Rock Nacional, gravadas com Paulo Albino (mesmo produtor de Edu Falaschi) no Estúdio Zero. O novo trabalho promete consolidar o Gatos Feios como uma das apostas do rock independente paulista e ampliar sua circulação pelos palcos do Brasil.

Musicalmente, a banda transita com naturalidade entre o punk rock, o rock alternativo e o rock nacional, equilibrando peso, melodia e letras diretas. As influências vão de nomes internacionais como Green Day, Ramones, The Clash e The Offspring, passando pelo punk brasileiro clássico de Cólera e Inocentes, até referências do rock nacional como Titãs, Legião Urbana, CPM 22, Charlie Brown Jr. e Ira!.

Com letras que refletem o cotidiano, as contradições sociais e emocionais e a exposição excessiva do mundo contemporâneo, o Gatos Feios aposta em um som honesto, sem filtros e carregado de energia de palco. “Bruxa” antecipa uma nova fase criativa da banda, que segue fortalecendo o circuito independente e conectando passado e presente do rock brasileiro com atitude e identidade própria.

"Bruxa"

.: #VivoLendo: Revista Cuipatã - N.º 1: Dossiê 40 Anos Vila Socó


Por 
Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.
O mangue virou altar de sacrifícios

Saudamos o surgimento da Revista de Ensaios e Literatura Cuipatã, nome que nos remete ao idioma dos povos originários, ao tupi-guarani, com o significado poético e abrangente de água que desce da serra ao qual a oralidade nos trouxe à denominação atual de Cubatão. Neste primeiro número a publicação, cujo projeto foi premiado pelo Conselho Municipal de Política Cultural, disseca o trágico incêndio ocorrido na Vila Socó em fevereiro de 1984. 

A publicação se insere no mais completo dossiê impresso até hoje sobre a inesquecível catástrofe, nos revelando com rigor científico e acadêmico toda a dimensão do sofrimento humano e social das vítimas, o descaso das autoridades, a inércia do judiciário e a apatia e frieza do regime militar.

A primeira parte é composta pelo editorial e por onze ensaios altamente elaborados, com extensa referência bibliográfica, onde a visão de cada colaborador nos elucida sobre a problemática da tragédia noturna, a ineficaz contagem oficial dos mortos, a imputação pela Petrobras da culpabilidade aos próprios moradores, a acusação, sem provas, de furto e estocagem domiciliar de combustível extraído de uma tubulação sem manutenção adequada e que cortava o subsolo pantanoso da favela. 

O rescaldo oficial ao amanhecer revelou a morte de noventa e três pessoas. Porém, somente de crianças, segundo registros posteriores de matriculados nas escolas, a soma alcançou aproximadamente 500 vítimas desaparecidas. O horror reverbera até aos dias atuais. O Grupo Teatral Coletivo 302 encenou a peça “Vila Socó” com profundo impacto artístico e emocional e a revista traz, ainda, no primeiro caderno, extensa entrevista com os integrantes da premiada troupe teatral cubatense.

A segunda parte, denominada Caderno Literatura, traz poemas, crônicas, contos e reflexões sobre o tema implícito da edição e dá voz, também à temática literária livre a cargo de marcantes autores, os quais mantêm a qualidade geral da publicação. Reverenciamos aos editores Douglas Gadelha Sá, Márcio Gregório Sá e Milton Ricardo Junior, assim como ao coordenador editorial Ademir Demarchi pelo árduo e relevante trabalho de manterem viva, através da Revista Cuipatã, a memória e a dor das vítimas e familiares, protagonistas involuntários, da maior tragédia urbana brasileira destes últimos quarenta anos.

.: No Sesc Digital, drama "Bom Trabalho" é inspirado em romance "Billy Budd"


Em cartaz no site sesc.digital e no app Sesc Digital, o drama "Bom Trabalho", de Claire Denis, revisita a masculinidade, o desejo e o autoritarismo em uma história inspirada pelo romance "Billy Budd" de Herman Melville, ambientada na Legião Estrangeira. 

No filme, o oficial da Legião Estrangeira, Galoup, relembra sua vida outrora gloriosa, liderando tropas no Golfo de Djibouti. Sua existência lá era feliz, estrita e regrada, mas a chegada de um jovem recruta promissor, Sentain, planta as sementes do ciúme na mente de Galoup. Acesse gratuitamente sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.


"Bom Trabalho"
Direção: Claire Denis | França | 1999 | 91 minutos | Ficção | 16 anos
Elenco: Denis Lavant (Galoup), Michel Subor (Bruno Forestier) e Grégoire Colin (Gilles Sentain). 
Disponível até 20 de março de 2026  


Aplicativo Sesc Digital
Filmes de ficção, documentários, produções originais, shows, mostras e festivais dão vida à nova plataforma de streaming do Sesc São Paulo. Disponível para Apple e Android, o app Sesc Digital é uma ferramenta intuitiva com acesso gratuito a vídeos em até 4K. Compatível com Chromecast e AirPlay, permite ao usuário assistir às obras audiovisuais sem cadastro e gerenciar perfis para toda a família. 


Sesc Digital
  
A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. No ar desde 2020, a plataforma Sesc Digital apresenta gratuitamente ao público conteúdos de diversas linguagens artísticas, como teatro, música, literatura, dança, artes visuais, entre outras. Com curadoria do CineSesc, a programação de cinema oferece ao público, filmes premiados, clássicos e contemporâneos, ficções e documentários, produções brasileiras e de várias partes do mundo. Saiba mais em Sesc Digital.

.: TV Cultura exibe documentário inédito sobre o escritor Otto Lara Resende


Neste sábado, dia 24 de janeiro, a TV Cultura leva ao ar o documentário inédito "Otto: De Trás P/ Diante", sobre o escritor e jornalista Otto Lara Resende (1922-1992), dirigido por Helena Lara Resende e Marcos Ribeiro. A exibição acontece às 23h00. Para contar essa história, foi recriado o escritório na casa de campo que pertenceu ao escritor. 

O ator Rodolfo Vaz interpreta Otto; a atriz Júlia Lemmertz lê trechos de sua obra; e a viúva, Helena Pinheiro de Lara Resende, e sua filha temporã, a jornalista Helena Lara Resende, revelam bilhetes e trechos de cartas inéditos. O jornalista e escritor Humberto Werneck também participa do filme, pontuando e comentando fatos da vida de Otto. Tal qual o seu personagem, o filme é acessível a todos, seja através da emoção, do informação, da reflexão, do humor, e sobretudo através de sua humanidade. Compre os livros de Otto Lara Resende neste link.

.: Documentário "Limpam com Fogo" investiga incêndios em favelas de SP


Em cartaz no site sesc.digital e no app Sesc Digital, o documentário brasileiro "Limpam com Fogo", de Rafael Crespo, Conrado Ferrato e César Vieira, investiga incêndios em favelas paulistanas, revelando as engrenagens da especulação imobiliária e suas conexões com o poder público, enquanto os moradores encontram dificuldade para receber ajuda, denunciar e garantir seu direito à moradia. 

Entre análises de especialistas e depoimentos marcantes das vítimas, o filme investiga os reais motivos por trás da seletividade do fogo, e explora a relação entre empresas do setor imobiliário e os vereadores que participaram da CPI dos Incêndios em Favelas na Câmara dos Vereadores de São Paulo. Acesse gratuitamente sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.


"Limpam com Fogo"
Direção: Rafael Crespo, Conrado Ferrato e César Vieira | Brasil | 2016 | 84min | Documentário | 14 anos
Disponível até 20 de março de 2026  


Aplicativo Sesc Digital
Filmes de ficção, documentários, produções originais, shows, mostras e festivais dão vida à nova plataforma de streaming do Sesc São Paulo. Disponível para Apple e Android, o app Sesc Digital é uma ferramenta intuitiva com acesso gratuito a vídeos em até 4K. Compatível com Chromecast e AirPlay, permite ao usuário assistir às obras audiovisuais sem cadastro e gerenciar perfis para toda a família. 


Sesc Digital
  
A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. No ar desde 2020, a plataforma Sesc Digital apresenta gratuitamente ao público conteúdos de diversas linguagens artísticas, como teatro, música, literatura, dança, artes visuais, entre outras. Com curadoria do CineSesc, a programação de cinema oferece ao público, filmes premiados, clássicos e contemporâneos, ficções e documentários, produções brasileiras e de várias partes do mundo. Saiba mais em Sesc Digital.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

.: E os indicados ao Oscars 2026 foram... "O Agente Secreto" garante quatro

A cerimônia da 98ª edição do Oscars, marcada para o dia 15 de março de 2026 e o Brasil garantiu quatro indicações ao Oscar 2026, como filme brasileiro "O Agente Secreto", dirigido por Kleber Mendonça Filho. São elas: "Melhor Filme", "Melhor Filme Estrangeiro", "Melhor Ator" (que faz história como o primeiro brasileiro indicado nesta categoria principal) e "Melhor Direção de Elenco", nova categoria. Antes do Oscar, o filme nacional já havia vencido prêmios importantes como o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama para Wagner Moura. 

O anúncio feito em 22 de janeiro de 2026 também trouxe outro feito, colocando o longa "Pecadores" em destaque como o filme com mais indicações ao prêmio, somando 16, duas a mais do que "A Malvada "(1950), "Titanic" (1997) e "La La Land: Cantando Estações" (2016). Até então, o recorde era dividido entre os três filmes, somando 14 indicações. Assim, "Pecadores" representa uma ameaça ao favoritismo de "Uma Batalha Após a Outra", que tem 13. Confira a lista dos indicados!


Melhor Filme

O Agente Secreto

Uma Batalha Após a Outra

Bugonia

F1: O Filme

Frankenstein

Hamnet

Pecadores

Marty Supreme

Valor Sentimental

Sonhos de Trem

Melhor Filme Internacional

O Agente Secreto

Foi Apenas Um Acidente 

Valor Sentimental

Sirât 

A Voz de Hind Rajab 

Melhor Ator

Timothée Chalamet - Marty Supreme

Ethan Hawke - Blue Moon

Wagner Moura - O Agente Secreto

Michael B. Jordan - Pecadores

Leonardo DiCaprio - Uma Batalha Após a Outra


Melhor Atriz

Jessie Buckley - Hamnet

Rose Byrne - Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

Kate Hudson - Song Song Blue: Um Sonho a Dois

Renate Reinsve - Valor Sentimental

Emma Stone - Bugonia


Melhor Direção

Chloé Zhao - Hamnet

Josh Safdie - Marty Supreme

Paul Thomas Anderson - Uma Batalha Após a Outra

Joachim Trier - Valor Sentimental

Ryan Coogler - Pecadores


Melhor Ator Coadjuvante

Benício Del Toro - Uma Batalha Após a Outra

Jacob Elordi - Frankenstein

Sean Penn - Uma Batalha Após a Outra

Delroy Lindo - Pecadores

Stellan Skarsgård - Valor Sentimental


Melhor Atriz Coadjuvante

Elle Fanning - Valor Sentimental

Inga Ibsdotter Lilleaas - Valor Sentimental

Teyana Taylor - Uma Batalha Após a Outra

Wunmi Mosaku - Pecadores

Amy Medigan - A Hora do Mal


Melhor Roteiro Original

Blue Moon

Foi Apenas Um Acidente

Marty Supreme

Valor Sentimental

Pecadores


Melhor Roteiro Adaptado

Bugonia

Frankenstein

Hamnet

Uma Batalha Após a Outra

Sonhos de Trem

Melhor Direção de Elenco

Hamnet

Marty Supreme

Uma Batalha Após a Outra

O Agente Secreto

Pecadores


Melhor Animação

Guerreiras do K-Pop

Zootopia 2

Elio

Arco 

A Pequena Amélie


Melhor Documentário

Alabama: Presos do Sistema

Embaixo da Luz de Neon

Rompendo Rochas

Mr. Nobody Against Putin

A Vizinha Perfeita


Melhor Fotografia

Marty Supreme

Frankenstein

Pecadores

Uma Batalha Após a Outra

Sonhos de Trem


Melhor Figurino

Avatar: Fogo e Cinzas

Frankenstein

Hamnet

Marty Supreme

Pecadores


Melhor Montagem

F1: O Filme

Marty Supreme

Uma Batalha Após a Outra

Valor Sentimental

Pecadores


Melhor Design de Produção

Frankenstein

Hamnet

Marty Supreme

Uma Batalha Após a Outra

Pecadores

Melhor Trilha Sonora

Bugonia

Frankenstein

Hamnet

Pecadores

Uma Batalha Após a Outra


Melhor Canção Original

"Dear Me" - Diane Warren: Relentless

"Golden" - Guerreiras do K-Pop

"I Lied to You" - Pecadores

"Sweet Dreams of Joy" - Viva Verdi

"Sonhos de Trem" - Sonhos de Trem


Melhor Maquiagem e Penteado

Frankenstein

Kokuho

Pecadores

Coração de Lutador: The Smashing Machine

A Meia-Irmã Feia


Melhor Som

F1: O Filme

Pecadores

Sirât

Frankenstein

Uma Batalha Após a Outra


Melhores Efeitos Visuais

Avatar: Fogo e Cinzas

F1: O Filme

Jurassic World: Recomeço

Pecadores

O Ônibus Perdido


Melhor Curta Animado

Butterfly

Forevergreen

The Girl Who Cried Pearls

Retirement Plan

The Three Sisters


Melhor Curta Documentário

All the Empty Rooms

Armed with a Only a Camera: The Life and Death of Brent Renaud

Children No More: "Were and Are Gone"

The Devil is Busy

Perfecly a Strangeness


Melhor Curta

Butcher's Stain

A Friend of Dorothy

Jane Austen's Period Drama

The Singers

Two People Exchanging Saliva


Leia+

.: Crítica: "O Agente Secreto" é filmaço imperdível com a cara do Brasil

.: Crítica: furioso e envolvente, “O Agente Secreto” é a alegoria do tubarão

.: Crítica: "Uma Batalha Após a Outra" é filmaço que vai dar Oscar a Sean Penn

.: Resenha: "Pecadores" é experiência cinematográfica vampiresca de blues

.: Crítica: "Bugonia" faz deboche que reforça conspirações ideológicas

.: “Hamnet: a Vida Antes de Hamlet” não "passa pano" para William Shakespeare

.: Crítica: "Marty Supreme" reflete a imaturidade de quem nega a realidade

.: Atuação forte de Timothée Chalamet será pedra no sapato de Wagner Moura

.: Crítica: “F1 - O Filme” acelera com emoção e homenagens a Ayrton Senna

.: "Zootopia 2" é dinâmico ao tratar preconceito, discriminação e opressão

.: Crítica: "Elio" é versão masculina de Lilo sem um Stitch criador do caos

.: Crítica: "Avatar: Fogo e Cinzas" é novelão empolgante pautado na família

.: Crítica: “Song Sung Blue: Um Sonho a Dois” vai do felizes para sempre e cai no real

.: Angela Figueiredo encara a ditadura e recusa suavizar a dor em “1975”


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.comFoto: divulgação

Em "1975", espetáculo escrito por Sandra Massera e protagonizado por Angela Figueiredo, a memória dos desaparecimentos forçados durante a ditadura uruguaia ganha corpo em uma encenação solo, íntima e politicamente incisiva. Em cartaz na Arena B3, no Centro Histórico de São Paulo, a montagem recusa o conforto da distância histórica e aproxima o público brasileiro de um trauma que atravessa fronteiras e décadas.

Ao assumir não apenas a atuação, mas também a co-direção, a tradução e a adaptação do texto, Angela Figueiredo transforma o palco em espaço de escuta e reflexão. A peça não busca reconstruir fatos de maneira documental, mas sustentar emocionalmente aquilo que foi apagado pela violência de Estado e pelo silêncio que se seguiu. Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, a atriz fala sobre memória, ética, solidão, juventude sob regimes autoritários e o teatro como lugar onde a dor não é suavizada.

Resenhando.com - "1975" fala de desaparecimentos forçados, mas também de tudo aquilo que nunca voltou a ser dito. O que dói mais em cena: a violência explícita do Estado ou o silêncio que se instala depois dela?
Angela Figueiredo - 
A dor e as emoções da personagem não estão apenas na violência explícita do Estado, mas também no silêncio, na angústia, na perda, nas dúvidas e nas reflexões da sua vida.

Resenhando.com - Em um espetáculo construído a partir de cartas, lembranças e ausências, o que você precisou inventar para dar corpo ao que historicamente foi apagado. E também o que você se recusou a inventar por respeito à memória real?
Angela Figueiredo - Precisei criar as partes que faltavam, misturando-as com a minha juventude e as experiências daquele período. Também troquei essas ideias com Sandra Massera, autora do texto, uruguaia e co-diretora com quem trabalhei no processo da primeira montagem. Percebemos que, mesmo vivendo em países diferentes, estávamos ligadas pelo mesmo pensamento juvenil da época. Não quis separar os sentimentos e as experiências que vivi no Brasil da história que estou contando. As ditaduras no Brasil e no Uruguai, tiveram muitas coisas em comum e despertaram sentimentos parecidos.

Resenhando.com - Há algo de profundamente político em escolher uma atuação solo para falar de um trauma coletivo. Você sente que essa solidão em cena dialoga com a solidão das famílias que esperaram por respostas que nunca vieram?
Angela Figueiredo - Não sinto solidão em cena, represento a dor das famílias que esperam por respostas que nunca tiveram.

 Resenhando.com - Depois de tantos anos transitando pela televisão, pelo cinema e pelo teatro, o que "1975" exige de você como atriz que nenhuma novela ousou exigir?
Angela Figueiredo - Este espetáculo me exige o domínio do todo, pois, além de co-dirigir e atuar, traduzi e adaptei o texto. Cuido de todos os detalhes. Já no cinema, na televisão e em espetáculos com equipes maiores, as funções são divididas: as equipes são grandes, muita gente para fazer muita coisa. Aqui, trabalho com uma equipe pequena e estou envolvida em todo o processo.

Resenhando.com - A peça revisita a ditadura uruguaia, mas o público brasileiro inevitavelmente faz suas próprias conexões. Em que momento você percebeu que "1975" deixou de ser “sobre o outro país” e passou a ser perigosamente próxima de nós?
Angela Figueiredo - Sempre pensei que a peça dialogava com a nossa história no Brasil, mas essa percepção se tornou ainda mais clara quando entendi que a violência e o trauma são os mesmos que vivemos aqui. A peça se passa no Uruguai, mas essa história poderia ser passada   em nosso país também.

Resenhando.com - Existe o risco de transformar a dor histórica em produto cultural “bem-acabado”. Como você e Sandra Massera lidaram com o limite entre encenação, ética e memória viva?
Angela Figueiredo - Busquei uma abordagem baseada no respeito à memória da história dolorosa do passado. A encenação foi pensada para manter essa memória viva, como a personagem faz, usando obviamente a poesia do texto para chegar diretamente ao público sem a preocupação de suavizar o sofrimento. Independentemente da dor, a vida segue de alguma forma, e alguns momentos apenas aliviam a dúvida sem fim.


Resenhando.com - O espetáculo propõe uma escuta sensível, quase íntima. Em tempos de discursos ruidosos, polarizados e violentos, você acredita que o teatro ainda é um espaço de escuta, ou virou um lugar de resistência silenciosa?
Angela Figueiredo - Acredito que o teatro é um espaço de escuta, reflexão, resistência e poesia também. Não sei se silenciosa ou barulhenta; depende de como as pessoas recebem o espetáculo.

Resenhando.com - Ao longo da carreira, você interpretou personagens em universos muito distintos. O que permanece em você depois de cada sessão de "1975" que não ficava após um dia de gravação na televisão?
Angela Figueiredo - As personagens não vão comigo para casa. Eu as deixo no camarim, depois que tiro o figurino, independentemente do texto.

Resenhando.com - Há uma geração inteira que não viveu as ditaduras latino-americanas e outra que tenta relativizá-las. O que você espera que esses jovens levem consigo ao sair do teatro: incômodo, informação ou responsabilidade?
Angela Figueiredo - Espero que o espetáculo possa informar, sensibilizar ou despertar a curiosidade daqueles que não vivenciaram ou não sabem o que aconteceu nesse período. Mais do que isso, o texto também traz uma reflexão sobre perda, solidão e memória.

Resenhando.com - Em cena, você carrega memórias que não são suas, mas que são transmitidas por você o tempo todo. Existe um momento em 1975 em que a atriz desaparece e sobra apenas alguém tentando sustentar aquilo que a história tentou enterrar?
Angela Figueiredo - A peça é uma ficção construída a partir da realidade daquela época. As memórias não precisam ser minhas para que eu possa expressá-las e transmiti-las. Durante todo o espetáculo, estou ali como atriz, vivendo aquela história. Naquele momento, tudo é real.

Ficha técnica
Espetáculo "1975"

Texto: Sandra Massera
Direção: Sandra Massera e Angela Figueiredo
Elenco: Angela Figueiredo
Direção de vídeos e fotos: Nanda Cipola
Assistente de direção: Claudinei Brandão
Cenografia e figurinos: Kléber Montanheiro
Iluminação: Amarílis Irani e Maria Julia Rezende
Trilha sonora: Branco Mello e Sandra Massera
Programação visual: Vicka Suarez
Operações técnicas: Nanda Cipola, Maria Julia Rezende
Realização: Casa 5 Produções

Serviço
Espetáculo "1975"

Dias 24 e 25 de janeiro, às 14h30 e 17h00
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/114362/d/355042/s/2395274?

Sobre a B3
A B3, a bolsa do Brasil, tem o compromisso de apoiar a democratização do acesso à cultura, por meio de parcerias e patrocínios que facilitem o acesso da sociedade a esses espaços. Em 2023, a bolsa do Brasil apoiou 25 projetos, e possibilitou que mais de 95 mil pessoas acessassem os 7 museus patrocinados por meio do oferecimento também de dias de gratuidade. Dentre as instituições apoiadas estão o MASP, a Pinacoteca de São Paulo, o MIS, o Museu Judaico e MUB3, na capital paulista, o Instituto Inhotim, localizado em Minas Gerais, e o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Além das gratuidades, a bolsa do Brasil patrocina ainda uma série de iniciativas culturais, como musicais, eventos e exposições.


Sobre a Aventura

Fundada em 2008, e liderada por Aniela Jordan, diretora artística e produção e geral, Luiz Calainho, diretor de marketing e negócios, e por Giulia Jordan, diretora geral de venues, a Aventura é referência na produção de espetáculos de altíssima qualidade, que tornou o mercado de teatro musical um dos principais segmentos da economia criativa no Brasil. A empresa se estabeleceu como uma grande aliada da multiplicidade artística, fundamental para o desenvolvimento social, econômico e cultural. A sua missão é transformar grandes ideias em realidade, criando fortes conexões entre marcas e projetos. São mais de 40 produções, de espetáculos inéditos e de versões da Broadway, como “Elis, a musical”, “A Noviça Rebelde”, “Sete”, “O Mágico de Oz”, “SamBRA”, “Chacrinha, o musical”, “Romeu & Julieta, ao som de Marisa Monte”, “Merlin e Arthur, um sonho de liberdade” e o infantil “Zaquim”. Em 2022, a produtora inovou com o primeiro musical em formato de série do país, o “Vozes Negras – A Força do Canto Feminino”, e com o musical “Seu Neyla”, apresentado em dois palcos com o uso da internet para criar uma experiência diferenciada no espectador, além de estrear uma parceria com a Disney - Pixar com o espetáculo “Pixar in Concert”. Com o objetivo de democratizar o acesso à cultura, criou a Cia Stone de Teatro, projeto de teatro itinerante no interior do Brasil e é a responsável pela produção da Cia de Ballet Dallal Achcar. Ao todo, foram mais de 3,8 mil apresentações e cerca de 4,5 milhões de espectadores, mais de 16 mil empregos diretos e indiretos gerados, números que não param de crescer. 

.: “Ser Mulher Não é Para Qualquer Um”: Nany People reestreia peça


Entre risos e lembranças, o espetáculo ficará em cartaz quintas, às 20h, até 29 de janeiro, e é inspirado na nova biografia da atriz e humorista, com passagens hilárias e episódios marcantes da sua trajetória. Foto: Moisés Pazianotto

Nany People começa o ano celebrando a sua vida e trajetória. A atriz e humorista está em plena comemoração dos seus 60 anos de idade, 50 anos de carreira, 40 anos da sua chegada a São Paulo e 30 anos de TV da forma que mais gosta: nos palcos. E agora, ela inicia 2026 em clima de festa em uma nova temporada do seu show: “Ser Mulher Não é Para Qualquer Um - O Espetáculo”, até dia 29 de janeiro, no Teatro Mooca. Baseada na sua nova biografia, a peça ficará em cartaz todas as quintas do mês.

Em cena, Nany relata episódios, histórias, causos e inspirações da sua vida e carreira, de maneira muito bem-humorada e com muita beleza. O texto é de Flávio Queiroz e a direção artística/conceitual de Marcos Guimarães. Com a ajuda de projeções e números musicais, o espetáculo vai passeando por toda a trajetória da artista mineira, que se tornou um dos maiores ícones do humor brasileiro. Em um país em que se fala tanto de etarismo, Nany People é a prova viva de que a idade não impacta na produção ou na criatividade, quando se ama o que se faz!

“É um grande tributo à minha trajetória. 'Ser mulher não é pra qualquer um' é mais do que uma peça, é um mergulho divertido, emocionante e verdadeiro nas histórias que me transformaram na mulher que sou hoje”, conta Nany. Com o “jeitinho Nany de ser”, a humorista vai relembrando acontecimentos que marcaram a sua carreira, especialmente nos últimos dez anos, e que estão relatados em sua nova biografia: “Ser Mulher Não é Para Qualquer Um - A Saga Continua”, também assinada por Flávio Queiroz, publicada pela Umanos Editora.

"Esse espetáculo é um presente que eu me dou e compartilho com o público! Uma viagem pelos últimos dez anos - das novelas às maratonas de shows, das viagens aos meus amores de quatro patas - e, claro, a alegria de ter meu nome reconhecido por inteiro. Tudo isso com muito humor, porque, afinal, ser mulher não é pra qualquer um!", brinca a diva.

Em “Ser Mulher Não é Para Qualquer Um - O Espetáculo”, Nany People celebra seis décadas de vida e uma carreira marcada por coragem, versatilidade e muito bom humor. Baseada em sua nova biografia, a peça percorre os momentos mais marcantes de sua trajetória - especialmente os últimos dez anos - com histórias, causos e revelações que passam pelas novelas na TV aberta, a maratona de viagens pelos palcos do Brasil e bastidores da sua vida pessoal.


Ficha técnica
“Ser Mulher Não é Para Qualquer Um - O Espetáculo”
Um espetáculo de Nany People e Marcos Guimarães
Com Nany People
Texto: Flavio Queiroz
Direção de cena: Marcos Guimarães
Concepção visual: Marcos Guimarães
Direção musical: Ricardo Severo
Iluminação: Ronny Vieira
Figurino: Fábio Ferreira
Assessoria de imprensa: Prisma Colab
Produção Executiva: MG8 Cultural

Serviço
"Ser Mulher Não é Pra Qualquer Um - O Espetáculo"
Temporada até 29 de janeiro, quintas
Horário: 20h00
Local: Teatro Mooca
Endereço: Rua Capitão Pacheco e Chaves, 313 - São Paulo
Valores: R$ 120,00 (inteira), R$ 60,00 (meia-entrada)
Link de vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/113434/d/350086 

← Postagens mais recentes Postagens mais antigas → Página inicial
Tecnologia do Blogger.