Ficha técnica
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Lisette Lagnado assina o ensaio que acompanha a série Quartos, com fotos de Rochelle Costi que combinam o interesse pela vida privada com uma crítica à crise da moradia em São Paulo. A curadora destaca a capacidade da artista gaúcha de capturar a memória afetiva dos espaços. A obra de Costi também está presente na abertura da revista, na série "50 Horas - Autorretrato Roubado", em que investiga o próprio corpo no ato de ser olhado por outros. Também é dela o pôster da edição, distribuído exclusivamente aos assinantes.
Duas matérias neste número tratam da relação da fotografia com a mineração. A fotógrafa e arquiteta Valentina Tong percorreu a serra capixaba para documentar a maior indústria de rochas ornamentais do país, destacando a relação entre a arquitetura e o extrativismo mineral. As fotos de Pedras marcadas são acompanhadas de um texto da arquiteta Gabriela Leandro Pereira, que analisa essa relação conflituosa e compara as paisagens registradas por Tong às fotos de família de seu avô marmoreiro na mesma região.
Já a pesquisadora canadense Siobhan Angus revela a cadeia de exploração de trabalho e de recursos naturais por trás do discurso de imaterialidade e de praticidade associado à fotografia ao longo de sua história. No ensaio Mineirando a história da fotografia, Angus destrincha essa relação oculta a partir da análise do cartão-postal de uma greve de mineiros em Cobalt, no Canadá, no início do século 20.
A revista ressalta um assunto que teima em estar em evidência ainda no século 21: o do controle dos corpos das mulheres pelo Estado patriarcal. Em Você não morre, a editora francesa Marie Sumalla e a jornalista iraniana Ghazal Golshiri lembram a morte da jovem curda Mahsa Amini pela polícia moral da República Islâmica do Irã, em 2022, episódio que desencadeou uma onda de protestos no país. Em imagens e textos que combinam histórias pessoais e anônimas, elas fazem a cronologia dessa luta pelos direitos das mulheres.
Ainda nesta edição, um ensaio visual da artista argentina Liliana Porter. que mescla fotografia, pintura, desenho e instalação em obras híbridas, que jogam com os limites entre o mundo e sua representação. A professora Adriana Amante ressalta a intertextualidade no gesto de Porter, comparando a artista ao escritor Jorge Luis Borges.
A convite da ZUM, o fotógrafo Renan Teles, do coletivo Vilanismo, produziu imagens inéditas para a série Esmeraldas não é Cohab porque tem elevador (2017-26), em que retrata amigos e parentes no conjunto habitacional onde cresceu, em Itaquera, Zona Leste de São Paulo. A partir das fotografias, a escritora Lilia Guerra relembra a infância vivida “nos predinhos” na mesma região.
A ZUM #30 apresenta também o novo trabalho do fotógrafo estadunidense Tyler Mitchell. No livro Wish this was real (Aperture, 2025), Mitchell celebra a vida negra no passado e no presente dos Estados Unidos combinando memórias pessoais, moda e performance. Para a pesquisadora Sarah Lewis, Mitchell cria um idioma visual para questionar como é possível criar um terreno estável em meio à precariedade.
Tel.: 11 2842-9120
Conhecido pela trajetória no cinema experimental e na animação, Borowczyk encontrou em "Contos Imorais" um ponto de inflexão na carreira. O filme ampliou a notoriedade internacional dele ao combinar apuro visual, referências literárias e um erotismo frontal que causou escândalo em diversos países. A produção integrou a Seleção Oficial do Festival Internacional de Cinema de Locarno e conquistou, posteriormente, o Prix de l'Âge d'Or, premiação ligada ao legado surrealista europeu.
A estrutura do filme percorre séculos distintos. Na primeira história, um jovem e sua prima experimentam a descoberta sexual em uma praia isolada. Em seguida, uma adolescente francesa mistura fervor religioso e fantasias íntimas enquanto cumpre um castigo. O terceiro segmento revisita a figura lendária da condessa húngara Erzsébet Báthory, associada a histórias de crueldade e obsessão pela juventude. O encerramento leva o espectador à Itália renascentista para acompanhar uma versão particularmente transgressora da família Bórgia, liderada por Lucrécia, seu irmão Cesare e o papa Alexandre VI.
O roteiro é assinado por Walerian Borowczyk com contribuições inspiradas na obra do escritor surrealista André Pieyre de Mandiargues. A narrativa dialoga com fontes literárias, lendas históricas e relatos que desafiam os limites entre realidade e imaginação. Essa combinação ajuda a explicar por que o filme continua sendo objeto de estudo tanto por pesquisadores do cinema quanto por especialistas em surrealismo e representação da sexualidade.
No elenco, destacam-se Lise Danvers, Fabrice Luchini - que anos depois se tornaria um dos grandes nomes do cinema francês -, Charlotte Alexandra, Paloma Picasso, filha do pintor Pablo Picasso, e Florence Bellamy. Cada segmento possui identidade própria, mas todos compartilham a mesma intenção de questionar os códigos morais que, ao longo da história, tentaram regular os corpos e os desejos.
Uma das curiosidades mais conhecidas envolve o episódio de Erzsébet Báthory. Para criar o célebre banho de sangue da condessa, a produção utilizou cerca de 30 galões de sangue suíno verdadeiro, uma decisão que contribuiu para a reputação extrema da obra. Outra particularidade é que o projeto originalmente possuía um quinto segmento, "La Bête". O episódio acabou removido da montagem principal e posteriormente expandido para se tornar o cultuado longa "A Besta" (1975), outro título fundamental da filmografia de Borowczyk.
O impacto de "Contos Imorais" jamais se limitou às cenas de nudez que escandalizaram plateias nos anos 1970. O filme permanece relevante porque encara a moralidade como construção histórica, variável e frequentemente contraditória. Entre o refinamento plástico e a provocação deliberada, Borowczyk desafia o espectador a observar como diferentes sociedades condenaram desejos que, muitas vezes, coexistiam discretamente nos bastidores do poder, da religião e da aristocracia.
Décadas após sua estreia, "Contos Imorais" continua dividindo opiniões. Alguns enxergam uma obra de arte ousada; outros, um exercício de provocação levado ao limite. O fato é que poucos filmes do período conseguiram preservar tamanho poder de inquietação. Essa capacidade de desconfortar explica a permanência do filme no imaginário do cinema europeu.
Ficha técnica
"Contos Imorais" | "Contes Immoraux" (título original)
Gênero: drama, erótico, antologia, romance. Duração: 125 minutos (2h05). Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1973. Idioma: francês, com trechos em italiano e húngaro. Direção: Walerian Borowczyk. Roteiro: Walerian Borowczyk, baseado em histórias de André Pieyre de Mandiargues. Elenco: Lise Danvers, Fabrice Luchini, Charlotte Alexandra, Paloma Picasso, Florence Bellamy, Pascale Christophe, Marie Forså. Distribuição no Brasil: sem distribuidora nacional registrada atualmente; lançado nos cinemas brasileiros em 20 de setembro de 1982. Cenas pós-créditos: não.
Publicado pela Globo Livros, o romance de 368 páginas tensiona a história da arte e a desigualdade urbana ao colocar em paralelo o sofrimento final de Vincent van Gogh em Auvers-sur-Oise e a deriva de Igor Brown, jovem que se vê envolvido no roubo de uma pintura do mestre holandês guardada clandestinamente no Rio de Janeiro de 2024. A obra expõe as entranhas do mercado de arte de alto padrão, a invisibilidade social e o crime de colarinho branco sob a atmosfera ágil de um thriller policial.
O bate-papo abordará a arquitetura literária desenvolvida por Silvestre para costurar as duas épocas, as exigências de pesquisa histórica do romance e o papel das artes visuais como motor de suspense na literatura de ficção. Para os profissionais do setor editorial, o encontro traz à tona discussões sobre construção de personagens complexos, ritmo narrativo e a preparação de textos que equilibram rigor factual e apelo comercial. Para participar, basta se inscrever neste link.
Sobre o escritor
Autor do recente romance "O Último Van Gogh", publicado pela Globo Livros, Edney Silvestre é vencedor dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti de Melhor Romance por "Se Eu Fechar os Olhos Agora", adaptado para minissérie pela Globoplay. O romance "A Felicidade É Fácil" está sendo adaptado para um longa-metragem a ser rodado em São Paulo pela produtora Mixer Filmes. Obras dele foram publicadas na Inglaterra, França, Estados Unidos, Sérvia, Holanda, Itália, Alemanha e Portugal.
Natural de Valença, no estado do Rio de Janeiro, filho de uma operária de fábrica e um dono de armazém, foi correspondente internacional da Rede Globo e do jornal O Globo, de 1992 a 2002. Cobriu os atentados ao World Trade Center, a devastação do Iraque após duas guerras, a visita do Papa a Cuba, voou dentro do furacão Floyd com os Hurricane Chasers, reportou direto do tapete vermelho do Oscar em Hollywood.
Ainda nos Estados Unidos, criou o primeiro programa internacional de entrevistas da GloboNews, o "Milênio", onde apresentou pensadores como Noam Chomsky, Gloria Steinem e Edward Said, autores como Alice Walker, Edward Albee e Salman Rushdie, artistas como Juliette Binoche e Barbra Streisand.
De volta ao Brasil, foi repórter especial do Jornal Nacional e do Globo Repórter. Por 15 anos apresentou o GloboNews Literatura, onde entrevistou o italiano Umberto Eco, o português José Saramago, a sul-africana Nadine Gordimer, o turco Orhan Pamuk, o peruano Mario Vargas Llosa, o nigeriano Wole Soyinka, além de autores brasileiros estreantes e consagrados – Milton Hatoum, Adélia Prado, Ariano Suassuna, Elvira Vigna, Victor Heringer, Ana Maria Gonçalves, Marcelo Moutinho, Lygia Fagundes Telles. Silvestre é autor de quatro livros de jornalismo, inclusive a biografia profissional "Segredos de Um Repórter", e oito de ficção. Compre os livros de Edney Silvestre neste link.
Sobre o mediador
Manuel da Costa Pinto.é jornalista, crítico literário e mestre em teoria literária e literatura comparada pela USP. É autor dos livros "Albert Camus: Um Elogio do Ensaio" (1998), "Literatura Brasileira Hoje" (2004), "Antologia Comentada da Poesia Brasileira do Século 21" (2010) e "Paisagens Interiores e Outros Ensaios" (2012); organizador e tradutor de "A Inteligência e o Cadafalso e Outros Ensaios", de Albert Camus (1998), organizador de "Camus, o Viajante" (2019), com textos sobre o Brasil do escritor francês, e do "Diário Confessional de Oswald de Andrade" (2022). Criador da revista Cult, foi colunista do jornal Folha de S.Paulo (2003-2016) e coordenador editorial do Instituto Moreira Salles. Atuou como curador da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) de 2011 e curador da programação literária da Feira do Livro de Frankfurt de 2013, que teve o Brasil como país homenageado. Atualmente, é editor-chefe e apresentador do “Entrelinhas”, programa semanal sobre literatura da TV Cultura, e curador, pelo Brasil, do Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa. Compre os livros de Manuel da Costa Pinto neste link.
Com ingressos esgotados no Tucarena até maio, o espetáculo “O Mercador de Veneza” migra para um teatro maior e abre novas sessões aos sábados e domingos de junho e julho, agora no Tuca, em São Paulo. A peça vem realizando um feito: até agora não houve nenhuma sessão em que não tivessem sido vendidos todos os assentos. O projeto é uma coprodução da Kavaná Produções e Baccan Produções. À frente do elenco, Dan Stulbach dá vida ao icônico agiota Shylock, já interpretado por nomes como Al Pacino, Laurence Olivier e Pedro Paulo Rangel. A direção é de Daniela Stirbulov. Mergulhando em temas como preconceito e intolerância a todos aqueles que são estrangeiros, a montagem é uma reflexão acerca das transformações nas relações humanas e tensões sociais que transcendem séculos.
“Lidar com os desafios shakesperianos é abrir espaço para o risco, para o confronto com o que somos — e com o que podemos ser. E expandir o entendimento sobre a vida: as relações humanas em sua complexidade e contradições. Tudo está ali. Vilões e heróis se confundem nas máscaras sociais. A obra, atravessada por tensões religiosas e preconceitos, nos confronta com questões sobre intolerância, identidade e justiça - tão atuais quanto no tempo em que foi escrita”, reflete a diretora, Daniela Stirbulov.
A trama acompanha Antônio, um mercador que contrai uma dívida com o agiota judeu Shylock para ajudar seu amigo Bassânio. Como garantia, estipula-se a retirada de uma libra da carne de Antônio. Com o não pagamento da dívida, o contrato desencadeia um julgamento dramático, colocando em pauta temas como justiça e preconceito. Sob a direção de Daniela Stirbulov, “O Mercador de Veneza” se desloca da Itália do século 16 para um cenário contemporâneo, em que questões como o antissemitismo, o preconceito racial, e as guerras motivadas pelo lucro e pelo capital ganham mais potência frente à narrativa. O agiota Shylock é alçado a protagonista nesta montagem, que busca narrar a história a partir de seu ponto de vista.
“Estar à frente da direção me possibilitou criar um universo contemporâneo. A história, escrita no contexto do capitalismo emergente do século XVI, foi transportada para os anos 1990 - década marcada pela aceleração da globalização e pelo surgimento de uma nova ordem mundial. Estabelecemos a Bolsa de Valores como espaço central, implantando a atmosfera das negociações financeiras do tempo presente e o dinheiro como motor principal das relações”, conta a diretora.
No centro do palco, uma estrutura acrílica transparente elevada cria um tablado para os atores. No alto, um painel circular de led desenha palavras e frases ligadas à ação. Há um operador de câmera captando imagens em tempo real, também projetadas no painel. A música é executada ao vivo por uma baterista no palco.
A produção do espetáculo é assinada pela Kavaná e pela Baccan Produções, sob a liderança de Cesar Baccan e Marcelo Ullmann, que também integram o elenco. Com atuação destacada pela qualidade, os produtores vêm consolidando uma trajetória marcada por obras de relevância artística e apelo de público, como “O Nome do Bebê”, com Bianca Bin, “A Pane”, com Antônio Petrin, e “Um Inimigo do Povo”, de Henrik Ibsen. Mais do que viabilizar montagens, Baccan e Ullmann desenvolvem projetos que transitam entre o clássico e o contemporâneo, equilibrando rigor estético, comunicação com o público e consistência de produção, enquanto avançam com novos projetos em desenvolvimento.
Ficha técnica
Espetáculo "O Mercador de Veneza"
Texto: William Shakespeare. Direção: Daniela Stirbulov. Tradução, Adaptação e Assistência de Direção: Bruno Cavalcanti. Elenco / Personagem: Dan Stulbach / Shylock; Augusto Pompeo / Duque; Amaurih Oliveira / Lorenzo e Príncipe de Marrocos; Cesar Baccan / Antônio; Gabriela Westphal / Pórcia; Júnior Cabral / Graciano; Marcelo Diaz / Lancelotte Gobbo; Marcelo Ullmann / Bassânio; Maria Clara Strambi / Jéssica; Rebeca Oliveira / Nerissa; Renato Caldas / Solânio e Tubal; Thiago Sak / Salarino e Príncipe de Aragão. Baterista em cena: Caroline Calê. Cenografia: Carmem Guerra. Cenotécnico: Douglas Caldas. Desenho de luz: Wagner Pinto e Gabriel Greghi. Figurino e visagismo: Allan Ferc. Assistente de figurino: Denise Evangelista. Peruqueiros: Dhiego Durso e Raquel Reis. Direção de movimento: Marisol Marcondes. Aderecista: Rebeca Oliveira. Consultoria sobre Shakespeare: Ricardo Cardoso. Vídeo e imagem: André Voulgaris. Fotos: Ronaldo Gutierrez. Design gráfico: Rafael Oliveira Branco. Operação de luz: Jorge Leal. Operação de som: Eder Sousa. Motorista: Cosme Araujo. Assistente de produção: Amanda Nolleto. Produção executiva: Raquel Murano. Direção de produção: Cesar Baccan e Marcelo Ullmann. Produção: Kavaná Produções e Baccan Produções. Assessoria de imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Sephany.
Serviço
Espetáculo “O Mercador de Veneza”
Reestreia sábado, dia 6 de junho, às 20h00
Teatro Tuca – Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes / São Paulo. Telefone: (11) 3670-8455.
Sábados, às 20h00, e domingos, às 17h00 (as sessões dos dias 13 de junho, 4, 5, 11 e 19 de julho dependem dos jogos do Brasil na Copa do Mundo).
Ingressos: R$ 200,00 e R$ 100,00 (meia-entrada) na bilheteria terça-feira a sábadp, das 14h00 às 20h00, e domingo, das 14h00 às 18h00, ou em https://bileto.sympla.com.br/event/118833?share_id=1-copiarlink
Capacidade: 672 espectadores
Duração: 1h50
Gênero: comédia dramática
Classificação indicativa: 12 anos
Acessibilidade: sim
Temporada: até 26 de julho
Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com
Em junho de 2026
A essência da animação de sucesso dos anos 80, chega aos cinemas em 2026 mesclada a uma releitura cinematográfica humanizada para os tempos de hoje. Eis "Mestres do Universo" a aguardada produção do herói fortão de tanguinha e botas que, diante do perigo, para salvar seu povo, ergue a espada do poder a um sonoro: "pelos poderes de Grayskull... eu tenho a força!". Vale destacar aos saudosistas que é uma boa priorizar a versão dublada do longa, uma vez que Garcia Júnior reinterpreta o príncipe Adam (Nicholas Galitzine, de "Continência ao Amor"), com bônus de ter a voz da dubladora Marisa Leal (Ariel na animação Disney, Baby em "Família Dinossauro") como Roboto.
Com direção de Travis Knight ("Bumblebee"), o filme de 2026 é um resgate de nova roupagem que absorve um pouco da história de "Superman". Quando criança, o pequeno príncipe Adam sobrevive a um ataque tenebroso de Esqueleto (voz de Luiz Carlos Persy como Esqueleto, Jared Leto, de "Esquadrão Suicida", "Morbius" e "Tron-Ares") a Eternos. Enviado para a Terra junto de sua espada os dois se desencontram.
A produção não retrata como Adam se formou, se foi adotado ou cresceu num orfanato. Agora, um homem que ainda tenta encontrar a espada perdida e também sua cara-metade, tenta sobreviver no maçante trabalho para se manter vivo. Outra falha do longa, no caso visual, está no primeiro embate do herói em Etérnia com um vilão, numa ponte estreita em que com um gancho, o rival marca o chão. Contudo, em todo o confronto, tal feito simplesmente some da tela, deixando a ponte em perfeitas condições.
Perdido na Terra, vivendo como um reles mortal com lembranças curiosas da infância, após 10 anos, ele é reencontrado por Teela numa situação de puro enfrentamento. Toda a pancadaria remete muito a sequência de "Homem-Aranha De Volta para Casa" (2021) quando doutor Octopus encontra o cabeça de teia na ponte ou ainda o mais antigo "Deadpool" (2016) no confronto que acontece durante os créditos iniciais do filme. Em tempo, Adam tem Hussein (Christian Vunipola) como amigo na Terra, o que também remete a nova franquia de "Homem-Aranha" com Ned Leeds (Jacob Batalo).
Bebendo da fonte de "Superman", "Mestres do Universo" faz lembrar da cena das cartas na saga "Harry Potter", sendo que aqui o que voa pelo ambiente são os desenhos do menino que retratam lembranças de sua infância. Há também um pouco de "O Senhor dos Anéis" na Montanha da Perdição quando Adam joga um rival direto no fogo ardente.
Assim, Adam volta para Etérnia que está destruída tendo o Esqueleto no comando, estando sedento pelo poder absoluto, almejando ter em mãos a espada do poder. Sem ter conhecimento da força descomunal que tem, por carregar o descrédito do pai, o jovem Adam tenta se enturmar com as figuras que conheceu na infância e pareciam sem sentido para os humanos. Afinal, Adam prioriza a conversa antes de partir para o braço o que só alimenta a desconfiança dos outros.
Ao ser enjaulado com Teela, Adam reencontra Mentor, que acaba sendo a representação viva do que Esqueleto fez com Etérnia. Destruído, o pai de Teela encontra a força que precisava no regresso do herói, voltando a seus tempos áureos de auxiliar a família do rei de Etérnia. Em meios a diversos embates, Adam se redescobre e a magia do herói da música brasileira do "Trem da Alegria", acontece na telona de cinema. Sim! "Mestres do Universo" é o tipo de produção para se assistir na telona de cinema com estilo.
Para alguns que imaginavam ver nos cinemas a reprodução das animações dos anos 80, "Mestres do Universo" pode ser frustrante. Contudo, para amarrar todo o histórico do príncipe Adam, certas mudanças são aceitáveis. Vale lembrar que o herói dos músculos de aço já ganhou um longa-metragem em 1987 que fracassou, mesmo tendo Dolph Lundgren como protagonista. E ele marca presença na nova produção em um encontro do tipo o antigo e o atual Adam, numa academia quando o jovem pede um conselho de iniciante.
Com três cenas pós-créditos, "Mestres do Universo" pode não ser um filmaço que preencha os requisitos de fãs de produções da Marvel, mas consegue ser um super filme de resgate saudosista com potencial para sequências de qualidade. Imperdível!
"Mestres do Universo" ("Masters Of The Universe"). Gênero: Ação, Aventura e Fantasia. Direção: Travis Knight. Roteiro: Chris Butler, Aaron Nee e Adam Nee. Duração: 2h 13 minutos. Classificação Indicativa: 14 anos. Distribuição: Sony Pictures. Elenco: Nicholas Galitzine como Príncipe Adam / He-Man, Camila Mendes como Teela, Idris Elba como Duncan / Man-At-Arms, Jared Leto como Esqueleto, Alison Brie como Maligna. Sinopse: O filme acompanha a jornada do Príncipe Adam para salvar Eternia e aceitar seu destino como He-Man
Trailer de "Mestres do Universo"
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