domingo, 12 de maio de 2024

.: Da obra de Anton Tchékhov, "Outros Malefícios do Tabaco" faz temporada


O projeto foi contemplado pelo Edital Funarte Aberta 2023 e os ingressos custam R$30. Em data a ser divulgada brevemente, haverá uma sessão do espetáculo com tradução em Libras - Linguagem Brasileira de Sinais. Cena de Outros Malefícios do Tabaco. Crédito: Andreza Spina

A peça "Outros Malefícios do Tabaco", em cartaz até dia 1° de junho, às sextas e sábados, às 20h00, na Sala Augusto Boal do Teatro de Arena Eugênio Kusnet, traz à cena um protagonista que pretende expor à plateia uma conferência sobre o tabaco, porém, enquanto a palestra prossegue, os dados científicos são frequentemente interrompidos por revelações pessoais da personagem cuja oratória funde-se a temas díspares transformando seu relato em frações de pensamentos e estilhaços de sentimentos. O elenco é composto por Barros Batista e Thiago Morrinho. A direção é de Ju Lima.

A encenação é resultado da releitura da obra "Os Males do Tabaco", de Anton Tchékhov que, a despeito de ter sido escrita há mais de um século, continua a oferecer inúmeras reflexões acerca de questões sociais e existenciais. O espetáculo ultrapassa a proposta da dramaturgia original ao dar espaço a uma nova personagem possibilitando um ousado (des)encontro.

Em 2024, o ator e produtor teatral Barros Batista retoma e aprofunda pesquisas acerca da obra do escritor russo Anton Tchékhov, propondo a adaptação da dramaturgia original e sua encenação através do "Núcleo Cultural Um homem só e todo mundo”. O diretor teatral Ju Lima e o ator e músico Thiago Morrinho juntam-se à nova temporada, oferecendo elementos de ousadia e atualização de uma obra potente.


Ficha técnica
Espetáculo "Outros Malefícios do Tabaco"
Dramaturgia: Barros Batista
Direção e iluminação: Ju Lima
Elenco: Barros Batista e Thiago Morrinho
Assistente de produção: Clara Auricchio / Talita Guerra
Assessoria de Imprensa: Diogo Locci
Produção executiva: Barros Batista e Ju Lima
Arte gráfica: Nilza Cristina
Fotos: Andreza Spina
Realização: Núcleo Um Homem Só e Todo Mundo


Serviço
Espetáculo "Outros Malefícios do Tabaco"
Temporada: até dia 1° de junho de 2024, sextas e sábados, 20h
Local: Sala Augusto Boal - Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Doutor Teodoro Baima, 94, Sala Augusto Boal, Vila Buarque)
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia). Vendas via Sympla.
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 45 minutos

.: "Entre Franciscos, o Santo e o Papa" faz temporada no Teatro Sérgio Cardoso


Peça de Gabriel Chalita, com  Paulo Gorgulho e César Mello, chega a São Paulo e propõe uma reflexão sobre tragédias atemporais da humanidade. Foto: Guilherme Logullo


Oito séculos separam um jovem de Assis, cidade  no centro da Itália, e um de Buenos Aires, capital da Argentina, que em comum têm um nome: Francisco. Mas não só: ambos dedicaram suas vidas  a levar alívio e dignidade aos desassistidos em suas próprias épocas. Agora,  em pleno século XXI, ambos se encontram e trocam pensamentos: querem  entender como o barulho todo do mundo, de ingratidão, desamparo e ganância, tem crescido e abafado a mensagem de amor ao próximo. O local do encontro? Uma lavanderia. Este é o ponto de partida de "Entre  Franciscos, o Santo e o Papa", a nova peça de Gabriel Chalita, com os atores César Mello e Paulo Gorgulhoque  está em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso (Sala Paschoal Carlos Magno) até dia 30 de junho.

"Entre Franciscos, O Santo e O Papa” mostra o Papa Francisco preocupado e cansado dos problemas do cotidiano. Ele entra na lavanderia do Vaticano, local que mandou construir para a população de rua e encontra um homem. Inicialmente, ele não percebe, mas este homem é São Francisco de Assis e, aos poucos, o diálogo entre essas duas icônicas figuras vai revelando dores, incertezas, mas também amores, fé e reflexões sobre os grandes dilemas da humanidade.  

A lavanderia não é um estabelecimento comercial qualquer: trata-se da chamada "Lavanderia do Papa Francisco", inaugurada em 2017 em Roma, para que a população de rua tivesse como lavar e passar suas roupas e mantas. Desde então, o projeto já ganhou unidades em Gênova, em 2019, e outras duas em Turim, no ano passado.  

Na peça, o Papa Francisco vai à lavanderia, quando, cansado da realidade inclemente do mundo de hoje, com fome, guerra e outras tragédias, precisa de uma pausa para descansar e refletir. Lá, um dia, encontra um jovem acompanhando a lavagem de suas roupas, à espera ao lado da máquina de  lavar. E começam a conversar. Chalita diz que, ainda que sejam duas figuras religiosas, os diálogos e as angústias que cada um traz à conversa transcendem as divisões religiosas. “Você poderia assistir essa peça e esquecer que são o papa e São Francisco. São apenas dois homens”, diz.  

A inspiração para colocar os dois personagens no palco veio de uma imagem do cotidiano, explica Chalita. “Um dia, caminhando por uma grande cidade, vi um senhor idoso sentando-se ao lado de um homem, morador das ruas, para cuidar dele. A imagem ensinadora lembrou dois Franciscos, o santo e o papa”, diz o autor. São Francisco é interpretado pelo ator César Mello, conhecido por seu  trabalho em novelas da TV Globo, como “Viver a Vida”, “Lado a Lado”,  “Sangue Bom” e “Babilônia”. E seu talento nos palcos é mais conhecido por seu trabalho em musicais, como “Rei Leão” e “Wicked”. Os diálogos de seu personagem na peça de Chalita são todos baseados no que dizia São  Francisco. “É muito bom encontrar ‘personagens-professores’, que mudam a dinâmica da sua vida, te questionam, te incomodam”, diz o ator. 

O Papa Francisco, por sua vez, é interpretado pelo ator Paulo Gorgulho,  que estreou na TV em 1984, e, desde então, já viveu dezenas de papéis na TV e no cinema, como a novela “Pantanal” (1990), o filme “O Jardim Secreto de Mariana” (2021) e a série “Todo Dia a Mesma Noite” (2023). Compre o livro "Entre  Franciscos, o Santo e o Papa", de Gabriel Chalita, neste link.

Amor filosófico
Trata-se de uma peça sobre “o amor filosófico que está em cada um de nós,  nosso caráter, crenças e dúvidas”, diz o diretor do espetáculo, Fernando  Philbert – que já foi indicado, em 2019, ao Prêmio Shell por “Todas as Coisas Maravilhosas”. “É preciso caminhar para encontrar respostas e às vezes elas ainda não existem”. 

O cenário da peça – uma lavanderia – funciona como uma maneira figurada de se representar o que os dois personagens conversam ao longo da peça. No diálogo entre os Franciscos, ambos vão tentando lavar, por assim dizer, as dores e tristezas do mundo. A lavanderia questiona, então, “quais são os barulhos do mundo e os caminhos que estamos tomando. Por meio da dimensão humana desses personagens, a peça quer inspirar o público com  reflexões do mundo contemporâneo”, explica Chalita. 

A peça é apresentada pelo Ministério da Cultura, Rede D'Or, Instituto YDUQS e  Estácio, e tem o patrocínio da Ternium e do Grupo Qualicorp. Ficará em cartaz até 30 de junho de 2024, sextas, sábados e domingos, às 18h. A direção de produção é de Guilherme Logullo, a cenografia de Natália Lana, os figurinos de Karen  Brusttolin, o desenho de luz de Vilmar Olos e a realização da Luar de Abril. Garanta o seu exemplar de "Entre  Franciscos, o Santo e o Papa", escrito por Gabriel Chalita, neste link.

Ficha técnica
Espetáculo "Entre Franciscos, o Santo e o Papa"
Elenco: Paulo Gorgulho e César Mello
Texto: Gabriel Chalita
Direção: Fernando Philbert
Cenografia: Natália Lana
Desenho de luz: Vilmar Olos
Figurino: Karen Brusttolin
Trilha sonora: Gui Leal 
Design gráfico: Igor Gabriel Paz
Direção de produção: Guilherme Logullo
Assistente de direção/produção: Renata Ricci Assessoria de imprensa: GBR Comunicação Idealização: Gabriel Chalita
Realização: Luar de Abril 

Serviço
Espetáculo "Entre Franciscos, o Santo e o Papa"
Temporada: de 10 de maio de 2024 a 30 de junho de 2024 Horários: sexta, sábado e domingo, às 18h
Local: Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno Endereço: Rua Rui Barbosa, 153 - Bela Vista - São Paulo/SP Duração: 70 minutos
Bilheteria oficial: sympla.com.br
Telefone: (11) 3288-0136
Valores: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada) Vendas on-line: http://linktr.ee/entrefranciscos
Lotação: 143 lugares + 6 espaços de cadeirantes
Classificação: livre.

.: Pinacoteca de São Paulo apresenta mostra panorâmica de Cecilia Vicuña


"Cecilia Vicuña: sonhar a Água - Uma Retrospectiva do Futuro" é a primeira grande exposição da artista chilena no Brasil que fica em cartaz de 18 de maio a 15 de setembro. Na imagem, o quadro "As Lágrimas de Tara (Uma Oração pelo Mundo)", de 2021


A Pinacoteca de São Paulo apresenta a exposição "Cecilia Vicuña: sonhar a Água - Uma Retrospectiva do Futuro" no próximo sábado, dia 18 de maio, na Grande Galeria do edifício Pina Contemporânea. Primeira grande mostra da artista chilena Cecilia Vicuña no Brasil, a retrospectiva reúne cerca de 200 obras que abrangem os 60 anos de sua produção. Com curadoria de Miguel A. López, a mostra apresenta o compromisso de Vicuña com as lutas populares, o respeito aos direitos humanos e a proteção ambiental. Entre os trabalhos que são destaque na Pinacoteca estão a instalação "Quipu Menstrual" (2006), criação site-specific para a Pina, e a obra "Fidel e Allende" (1972), exposta apenas nessa etapa da itinerância.

Cecilia Vicuña é poeta, artista visual e ativista feminista. Boa parte de sua produção se volta para sua relação com seu país natal, a cordilheira dos Andes, as lutas feministas, a memória têxtil pré-colombiana e a emancipação das comunidades indígenas. Desde os anos 1960, a obra visionária da artista dedica-se a honrar o equilíbrio e a reciprocidade do mundo natural. Seu trabalho valoriza a dimensão ritual, medicinal e curativa da arte. A exposição tem patrocínio da Goldman Sachs, na cota Prata, e apoio da Embaixada do Chile no Brasil.

Sobre a exposição
"Sonhar a Água" foi originalmente organizada pelo Museu Nacional de Bellas Artes de Santiago do Chile e itinerou para o Malba, em Buenos Aires, antes de chegar à Pinacoteca de São Paulo. O nome da exposição representa um convite para mudarmos nossa relação com a terra. “Sem umidade não há humanidade”, nos lembra Vicuña. Suas criações não são somente depoimentos sobre o passado, mas também sobre todos os testemunhos de um futuro aberto – assim como essa retrospectiva, que apresenta sua obra como uma experiência que não é definitiva, mas sim viva e em construção.

O trabalho "Quipu Menstrual, o Sangue dos Glaciais", originalmente concebido pela artista em 2006, foi criado como uma ação ritual para a anulação de um projeto para extração de ouro por meio da destruição de três geleiras no norte do Chile. Adaptada especialmente para o espaço da Grande Galeria, a instalação é composta por nós de lã na cor vermelha e constituem um bosque penetrável, no qual os visitantes são convidados a circularem em seu interior.

“A poética de Vicuña abraça tudo e nada ao mesmo tempo, contamina linguagens, desconhece hierarquias e se expressa com uma forma sísmica. Pode tomar a forma de poesia, pintura, escultura, colagem, desenho e muito mais. Seu trabalho se conecta com a forte tradição de experimentação poética desenvolvida no Brasil desde os anos 1950, em que a poesia se converte em um motor de pensamento crítico e mobilização social”, comenta o curador Miguel López.


Núcleos da exposição
1. "Tribu No"
Em setembro de 1967, Vicuña escreveu No manifiesto. O documento deu origem ao Tribu No, um grupo de jovens artistas e poetas de Santiago que, como ela, buscavam expressar sua oposição às forças conservadoras do Chile. As improvisações da Tribu No, que consistiam em dançar livremente, falar por muitas horas, pintar, tecer, jogar e escrever peças de teatro infantil para a televisão, estavam influenciadas pelos experimentos autorreflexivos que ocorriam no campo da poesia e da expansão internacional do happening.


2. "Pinturas, Poemas e Explicações"
Cecilia Vicuña começou a pintar em meados dos anos 1960. Se viu influenciada pela arte indígena e mestiça produzida entre os séculos XVI e XVII. O encontro com a pintora Leonora Carrington em 1969 também se mostrou significativo para sua produção. Suas pinturas estão carregadas de energia feminina e desafiam o controle patriarcal das normas culturais. As peças incluem mulheres que protestam nas ruas, fantasias de animalidade, filosofia andina, mitos e folclore popular, além de representações de personagens políticos ou ativistas feministas e dos direitos civis. Este núcleo apresenta algumas de suas primeiras pinturas produzidas em Santiago, Londres e Bogotá, junto com textos explicativos da própria artista.


3. "Artistas pela Democracia"
No dia 11 de setembro de 1973 aconteceu o golpe militar no Chile. No ano seguinte, Vicuña fundou em Londres, junto com David Medalla, John Dugger e Guy Brett, uma organização em solidariedade ao país, chamada Artistas pela Democracia. A organização mobilizou art istas e intelectuais internacionais, que doaram e produziram obras que seriam leiloadas em benefício da luta chilena para restaurar a democracia. Este núcleo reúne uma série de documentos, fotografias e materiais impressos relacionados com as campanhas de solidariedade com o Chile.


4. "Vicuña na Colômbia"
Em 1975, Vicuña deixou Londres e viajou para a Colômbia, um dos poucos países da América do Sul que não estava vivendo uma ditadura. A artista se estabeleceu em Bogotá, onde viveu por cinco anos. Ainda que vivendo em condições muito precárias, Vicuña atravessou um período de explosão criativa no qual deu vida a centenas de desenhos, colagens e pinturas, ações em espaços públicos, oficinas educativas, projetos cenográficos no Teatro La Candelaria, em Bogotá, e filmes experimentais em 16 mm, feitos nas ruas da cidade.

5. "Palabrarmas"
Em 1973, Vicuña começou a produção de uma série de desenhos, colagens, vídeos e performances que refletiam sobre o papel da poesia em um tempo de repressão política e desaparecimentos forçados na América do Sul, e de violência imperial em todo o mundo, de causadora de distorções de discursos públicos e desinformação. Produzidas inicialmente em Londres e Bogotá, as Palabrarmas aludem aos paradoxos entre arte e política revolucionária. Ao mesmo tempo, transitam de uma poesia baseada na linguagem aos poemas escultóricos, performáticos e especiais para criar consciência sobre o modo em que as palavras dão forma à paisagem social do mundo. A artista continua realizando Palabrarmas até os dias de hoje.

6. "Quipu Desaparecido"
O "Quipu Desaparecido" faz alusão ao legado de sequestros e assassinatos por motivos políticos perpetrados por várias ditaduras latino-americanas do século XX. Ao adotar esse nome para o projeto, Vicuña estabelece uma conexão direta com a eliminação do quipu e de outras tradições indígenas por parte dos conquistadores espanhóis, que no século XVI se propuseram a extinguir esses métodos de comunicação altamente codificados e, por isso, para eles, potencialmente subversivo.


7. "Precarios"
As primeiras obras precárias de Vicuña foram criadas na Praia de Concón, no Chile, em 1966. As pequenas assemblages, feitas de madeira flutuante, seixos, penas e cordas, foram concebidas como oferendas sagradas e como um refúgio da vida microscópica. As peças abriam um diálogo expandido com a natureza: quando subia a maré, as ondas as levavam. Com o passar dos anos, a artista continua produzindo essas obras e se referindo a elas indistintamente como “performances rituais”, “metáforas espaciais” e “poemas multidimensionais”.


8. "Quipu Menstrual"
Michelle Bachelet foi eleita como a primeira mulher presidente do Chile em 15 de janeiro de 2006. Nesse dia, Vicuña emitiu seu voto de uma forma diferente: instalou seu Quipu menstrual (O sangue dos glaciais) aos pés do El Pomo, uma montanha na região metropolitana de Santiago. Dez meses depois, a artista expôs uma versão adaptada para o Centro Cultural Palacio de La Moneda, em Santiago, composta por 28 nós de lã cor de sangue e um vídeo que documentava a performance ritual anterior na geleira. A instalação estava acompanhada de uma carta que Vicuña escreveu para Michelle Bachelet. Na carta, pedia que anulasse a autorização do Projeto Pascua Lama, que visava destruir três geleiras ao norte do Chile para a extração de ouro. Na Pinacoteca, a instalação ganha uma versão feita para o espaço da Grande Galeria, além do vídeo que documenta seu voto ritual em El Plomo, em 2006.

Sobre a artista
Cecilia Vicuña (1948, Santiago, Chile) é uma poeta, artista e ativista. Seu trabalho se debruça sobre o mundo moderno, olhando para a destruição ambiental, direitos humanos e homogeneização cultural. Nascida e criada em Santiago, no Chile, a artista vive no exílio desde 1970, ano do golpe militar contra o presidente Salvador Allende. A artista é cofundadora do grupo “Artistas pela Democracia”, criado em Londres, em 1974. Em 2022 ganhou o Leão de Ouro da Bienal de Veneza pelo conjunto de sua obra. No mesmo ano, foi comissionada pela Tate Modern de ocupar o icônico espaço Turbine Hall.


Serviço
Exposição "Cecilia Vicuña: sonhar a Água - Uma Retrospectiva do Futuro"
De 18 de maio a 15 de setembro de 2024
Curadoria: Miguel A. López
Edifício Pina Contemporânea (Grande Galeria)
De quarta a segunda, das 10h00 às 18h00 (entrada até 17h00)
Gratuitos aos sábados - R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios - válido somente para o dia marcado no ingresso
Quintas-feiras com horário estendido B3 na Pina Luz, das 10h às 20h (gratuito a partir das 18h)

.: Cristovão Tezza revisita tempos de sociedade alternativa no sul em livro


Antes de se tornar o renomado romancista, cronista e crítico que é hoje, Cristovão Tezza, durante os anos de 1968 a 1976, fez parte de uma comunidade de teatro, no litoral do Paraná, liderada pelo escritor, dramaturgo e teatrólogo W. Rio Apa (1925-2016). Da rica experiência comunitária, de onde se firmou o seu fascínio pelo mundo artístico e literário, ele escreveu "Ensaio da Paixão", romance com fortes traços autobiográficos, lançado originalmente em 1986, e que agora ganha uma nova edição revista pelo autor, restaurando a estrutura inicial que ele tinha alterado para uma edição publicada nos anos 1990. 

Para a nova edição de "Ensaio da Paixão", o premiado autor fez alterações no texto e escreveu um posfácio inédito, em que reflete sobre as mudanças comportamentais e na linguagem dos anos 1970 para cá. A edição conta ainda com texto de orelha assinado pelo crítico Manuel da Costa Pinto. O romance com pitadas de realismo mágico, como estava em voga na época, trata de sua juventude, inspirado nos anos em que fez parte de uma comunidade de teatro e de uma sociedade alternativa em uma ilha isolada no sul do pais em plena ditadura militar. 

Um dos maiores expoentes da literatura brasileira dos últimos tempos, ele é autor de mais de 20 livros, incluindo "O Filho Eterno", com o qual foi vencedor dos principais prêmios do país, como o Jabuti, Portugal Telecom, Prêmio São Paulo e Zaffari & Bourbon, entre outros. Seus livros já foram adaptados para o cinema brasileiro e para o teatro no Brasil, na Argentina e em Portugal. Compre o livro "Ensaio da Paixão", de Cristovão Tezza, neste link.


"Ensaio da Paixão" revisitado
A partir de sua vivência pessoal, Tezza elaborou uma narrativa ficcional e satírica, ambientada nos anos de chumbo da ditadura militar. O romance conta a história de um grupo peculiar – composto por habitantes de uma ilha isolada na região sul do Brasil, a Ilha da Paixão –, que se reúne em torno de um único objetivo: encenar a Paixão de Cristo. A peça é produzida todo ano na ilha sob direção de Isaías, o autoproclamado profeta da região.

Apesar dos choques entre as personalidades de seus integrantes, de sua diferenças sociais, de suas desvairadas paixões políticas, ideológicas, sexuais e artísticas, o excêntrico rebanho se prepara, em conjunto, para ensaiar e produzir a peça de maneira espontânea, sem seguir nenhum roteiro ao pé da letra. Enquanto se preparam para a grande apresentação, eles combinam trabalho e prazer, ao mesmo tempo em que gozam da liberdade que a ilha proporciona. Contudo, são vistos pelas autoridades repressoras do país como um grupo subversivo e uma forte ameaça à ordem vigente.

Neste romance, Tezza usa o realismo mágico – traço marcante da literatura da época – combinado ao humor explícito, de ritmo acelerado, para dar um exemplo de como funcionavam as comunidades alternativas dos anos 1970 e de como elas eram vistas pelo Estado. A ilha, a formação de um grupo em prol de algo maior que ele próprio, a repressão exercida por um governo autoritário: todos os elementos compõem uma saborosa alegoria de nosso país. Em "Ensaio da Paixão", o autor parece compreender, de forma quase catártica, o impacto que seu período na comunidade de Rio Apa teve em sua vida pregressa, quando era apenas um jovem revolucionário e transgressor radical do “sistema”, e na sua vida presente, como escritor e literato renomado.

Em um posfácio inédito, escrito especialmente para esta edição, o autor avalia as diferenças culturais entre o momento atual e a época de sua juventude, iluminando certos aspectos do livro. Mas, diferenças à parte, Cristovão Tezza continua o mesmo rebelde de sempre: “[A literatura] é uma experiência pessoal destinada não a ensinar o que o autor sabe, mas para ele mesmo descobrir, pela escrita, o que ainda não sabe, e eventualmente partilhar com o leitor. É uma atividade de risco, um ato de existência e um território livre; ela tem de ser um território livre para fazer sentido.” Garanta o seu exemplar de "Ensaio da Paixão", escrito por Cristovão Tezza, neste link.

Sobre o autor
Cristovão Tezza nasceu em Lages, Santa Catarina, mas desde criança vive em Curitiba, Paraná. Publicou duas dezenas de obras, entre elas os romances "Trapo", "O Fotógrafo", "A Tensão Superficial do Tempo" e "O Professor". "Os Contos de Beatriz" criaram a personagem que reaparece em "Um Erro Emocional", "A Tradutora" e "Beatriz e o Poeta". A publicação de "O Filho Eterno", em 2007, teve um impacto inédito no panorama ficcional do país: o livro ganhou os mais importantes prêmios literários brasileiros e foi traduzido em uma dezena de países. Recebeu na França o prêmio Charles Brisset, de melhor ficção do ano, e, em 2011, foi um dos dez finalistas do prêmio IMPAC-Dublin de obras publicadas em língua inglesa. Além das obras de ficção, lançou duas coletâneas de crônicas, "Um Operário em Férias" e "A Máquina de Caminhar"; outras duas de textos críticos, "Leituras: resenhas & Ensaios" e "Literatura à Margem"; e sua autobiografia literária, "O Espírito da Prosa".

.: Sérgio Vaz no "Provoca": "Não adianta a gente ficar romantizando a favela"


Edição inédita com o escritor e fundador da Cooperifa vai ao ar nesta terça-feira, dia 14 de maio, na TV Cultura. Foto: Beatriz Oliveira


Na próxima terça-feira, dia 14 de maio, Marcelo Tas conversa, no "Provoca", com Sérgio Vaz, poeta, escritor, agitador cultural, idealizador da Semana de Arte Moderna da Periferia e fundador da Cooperifa. No bate-papo, ele conta sobre a interrupção do Sarau da Cooperifa; comenta como era a periferia há 40 anos e a mudança no comportamento dos jovens hoje; fala de poesia e muito mais. Vai ao ar na TV Cultura, a partir das 22h00.

Tas pergunta por que o Sarau da Cooperifa decidiu "dar um breque": “Acho que pós-pandemia muita coisa mudou. E a gente está tentando entender ainda o que é que mudou em nossa comunidade, na cena literária, na cena da periferia (...) estão chegando muitos jovens, com muitas propostas, e esses jovens de hoje são muito mais rápidos, inteligentes, têm muito mais sede do que a minha geração (...) pela quantidade de saraus, slams e batalhas de rimas, isso prova que a juventude se apropriou da palavra. A literatura tá comendo miudinho na mão da molecada (...) a periferia nunca leu tanto como agora, só que talvez não estejam lendo livros que estão nas grandes livrarias (...) uma coisa legal na cena negra e periférica é que a gente começou a partir em busca do nosso leitor, se o nosso povo não lê, então é a prova que ele está pronto para ler”, diz Vaz.

E como ressignificar a favela sem cair em uma romantização ou naturalização da pobreza?, pergunta um internauta. “O Brasil precisa de políticas públicas voltadas para o povo brasileiro, diminuir essa distância social, fazer o dinheiro circular nesse país para que a gente possa ter de volta o que a gente paga de impostos, que é a educação pública de qualidade. A gente não pode mais culpar o pobre pela pobreza, o negro pelo racismo, o professor e professora pela falta de educação (...) não adianta a gente ficar romantizando a favela e ficar mudando o nome, não é isso que vai mudar o que as pessoas sofrem. Eu costumo dizer que só quem gosta da favela é quem não mora nela, porque a favela é um lugar ruim”, afirma.

O que você diria agora para uma criança que está em alguma periferia pensando em poesia?, pergunta Tas. “Estude. Porque dá para ser poeta sendo pintor, sendo motorista de ônibus, sendo diarista, advogado, não precisa largar o estudo para ser poeta (...) nós estamos precisando elevar o nível de conhecimento nas nossas quebradas”, reforça Sérgio. Compre os livros de Sérgio Vaz neste link.

Lançado pela Global Editora, o livro "Flores da Batalha" leva a poesia contemporânea àqueles que lutam diariamente pelos seus ideais. Sérgio Vaz, o poeta da periferia, completa 35 anos de intervenção urbana com a arte da poesia. A obra integra o segundo título de "Flores", que teve início com "Flores de Alvenaria", publicado em 2016. Criando poesia como alimento da alma, o escritor dá esperança e voz àqueles que foram negligenciados por muito tempo.

Os textos do autor relatam, de maneira profunda e honesta, as dores e a alegria de viver na periferia de São Paulo. O prefácio é assinado por Emicida que, como muitos outros moradores periféricos, teve Sérgio Vaz como inspiração para descobrir a poesia e o universo literário. Garanta o seu exemplar de "Flores da Batalha" neste link.


Sobre Sergio Vaz
Sérgio Vaz é considerado o "Poeta da Periferia". Morador de Taboão da Serra (Grande São Paulo), além de escrever, é agitador cultural nas periferias do Brasil. É criador da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia) e do Sarau da Cooperifa - movimento que transformou um bar da periferia da zona sul de São Paulo em centro cultural. 

O projeto promove o encontro de leitores e escritores, leva a poesia às escolas, entre outras ações culturais, e já influenciou e deu origem a quase 50 saraus, além da publicação independente de mais de 100 livros. Seu trabalho é reconhecido em vários países e já recebeu diversos prêmios. Pela Global Editora, publicou as obras "Colecionador de Pedras""Literatura, Pão e Poesia" e "Flores de Alvenaria"Compre os três primeiros livros de Sergio Vaz neste link.


.: Romance “Um Caminho Particular do Futuro” questiona a dualidade da pureza


Uma história de vivência e elaboração do luto que soa original e provocativa ao leitor. No novo romance, “Um Caminho Particular do Futuro”, lançado pela Editora Reformatório, o escritor e diplomata Ricardo Bernhard revisita, com inventividade, um tema clássico da literatura. No romance, acompanhamos o drama de uma mãe que decide mudar-se para a sua casa de veraneio na serra fluminense depois da morte do filho caçula. No vilarejo, frequentado pela família nas férias, Francine tenta resgatar as memórias felizes da infância e juventude de Cláudio. No entanto, o dia a dia na serra traz à tona informações desencontradas sobre o filho, revelando nuances inesperadas da sua personalidade. Abalada, Francine se vê movida a tentar compreender decisões tomadas pelo caçula ao longo da vida. 

Segundo o autor, uma das motivações do livro é explorar os desdobramentos dramáticos de certa visão radical a respeito do cumprimento de deveres morais. “Queria investigar de que maneira o rigor moral, no contexto de uma vida de classe média comum, pode acabar precipitando ações ou posturas questionáveis”, comenta Ricardo, acrescentando: “A culpa ou um senso de insuficiência pode levar alguém com uma índole pura a cometer um ato inominável”.

Na obra, composta por 27 capítulos, o leitor acompanha as reflexões de Francine conforme são despertadas pela interação com as pessoas próximas no vilarejo e pelas memórias da vida em família. Destaque para a relação entre a narradora e Isabela, uma das vizinhas da casa da serra. Amiga de infância dos filhos de Francine, Isabela é descrita pela protagonista com um misto de desdém e curiosidade instigada pela própria personalidade misteriosa e pouco amistosa. A aproximação entre as duas se mostra fundamental para o desenlace da trama.  A honestidade com que o autor apresenta a protagonista sem cair no maniqueísmo de taxá-la como boa ou ruim é uma das virtudes da obra — Ricardo oferece ao leitor o retrato de uma pessoa complexa, com pensamentos, sentimentos e ações contraditórias. 

Isso não quer dizer que o escritor redime a narradora de suas falhas morais. Ao contrário, a cada página vai se desenhando e ficando mais claro que esse comportamento enviesado a impediu de, entre outras coisas, captar as múltiplas facetas e as inquietações de Cláudio. A forma como o autor detalha esse percurso emocional da protagonista, que vai do atordoamento do luto a uma espécie de resignação, é outro mérito de “Um Caminho Particular do Futuro”. Há também uma riqueza na caracterização de cenários, ambientes, situações e personagens. O leitor vai, a cada página, descobrindo peças do quebra-cabeça que ao final formarão o quadro que Francine tenta vislumbrar desde as primeiras revelações na casa de veraneio.   

O fim da trama não mostra somente a resolução do mistério, mas coloca quem está lendo em frente a dilemas que ultrapassam as páginas da obra e tendem a acompanhá-lo depois do encerramento da leitura. “Queria que o leitor experimentasse as mesmas incertezas de Francine e fosse levado a questionar se a empatia e a compaixão podem entrar em conflito com os próprios conceitos de certo e errado”, observa o autor do romance. Compre o livro “Um Caminho Particular do Futuro”, de Ricardo Bernhard, neste link.


Reencontro com a escrita e a escolha pelo romance
Ricardo Bernhard
formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2009. No mesmo ano, o jovem, nascido em 1986, ingressou na carreira diplomática. Como diplomata trabalhou em Brasília (DF), Ottawa (Canadá) e Dublin (Irlanda). Desde 2022 atua na embaixada do Brasil em Pretória, capital da África do Sul. 

A carreira literária é recente. O primeiro romance do autor, “Litoral Noir (Editora Madrepérola), foi lançado em 2021. No ano seguinte, ele publicou “Os Vilelas” (Editora 7Letras). Ricardo acredita que “Um Caminho Particular do Futuro” tenha pontos em comum com seus dois primeiros livros, em particular no que se refere à centralidade das questões morais. Por outro lado, o escritor revela que buscou mudar a linguagem no seu terceiro romance. “Tentei escrever num estilo mais direto, que viabilizasse camadas distintas de leitura, incluindo a que se prende estritamente ao desenvolvimento do enredo”, explica. 

Ainda que a estreia no universo literário tenha sido há poucos anos, o fascínio do autor pelo ofício remete à adolescência. Na época, escreveu contos e chegou a enviá-los para concursos. Durante um período, deixou a criação de ficção de lado para dedicar-se aos estudos da carreira diplomática. Retomou a escrita por volta dos 25 anos, quando trocou o gênero literário ao qual se dedicava. “Entendi que os romances eram um veículo mais apropriado para o meu estilo narrativo”, esclarece o autor. 

Atualmente a criação ficcional faz parte de sua rotina. “Escrevo uma hora por dia, de segunda a sexta, assim que acordo”, revela, observando que a meta é cumprir essa hora diária, com disciplina, mas sem cobranças quanto ao número de palavras. O empenho tem mostrado resultados. Ricardo trabalha agora no seu quarto romance, ainda sem data para o lançamento. Garanta o seu exemplar de “Um Caminho Particular do Futuro”, escrito por Ricardo Bernhard, neste link.


Confira um trecho do livro (pág. 49) :
O Cláudio parecia, na verdade, viver fora do tempo, ou viver como se a passagem do tempo fosse irrelevante para ele. Isso, em primeiro lugar, é que o cobria com aquele ar remoto, às vezes frio, ausente. Pois a abertura à banalidade do que está acontecendo agora, a troca despretensiosa de frases sobre o que acabamos de vivenciar ou de sentir, é que nos trazem para as circunstâncias presentes, permitem que formemos conexões afetivas, nos conferem uma impressão de normalidade. O Cláudio parecia não reconhecer a importância disso. Parecia disposto a se doar apenas ao que era essencial. E o que era essencial para ele aparentava ser tão transparente! Não era nada fora do comum, eram os objetivos previsíveis de quem tinha uma personalidade conservadora — permanecer, continuar, manter, segurar, eram os verbos moderados das suas prioridades ponderadas.

.: Com Ewan McGregor, adaptação de "Um Cavalheiro em Moscou" estreia


Inspirada no aclamado best-seller internacional de Amor Towles, a minissérie "Um Cavalheiro em Moscou" estreia na plataforma de streaming Paramount+. A adaptação do romance, que passou quase um ano na lista de mais vendidos do jornal The New York Times e foi apontado por Barack Obama como uma de suas leituras favoritas de 2017, é estrelada pelo premiado ator Ewan McGregor e por Mary Elizabeth Winstead. A tradução é de Rachel Agavino.

A história de "Um Cavalheiro em Moscou" começa cinco anos após a Revolução Russa, quando o Conde Aleksandr Rostov é acusado de não ter abraçado os ideais bolcheviques e condenado a passar o resto dos dias confinado no Hotel Metropol — endereço que era sinônimo de sofisticação e opulência para a antiga aristocracia russa. Habituado a sua confortável suíte, Rostov se vê preso em um simples alojamento no sótão, anteriormente destinado a mordomos e criados. No entanto, apesar de ter lhe tirado seus privilégios, o novo regime nunca seria capaz de tirar a elegância e a cortesia inatas do aristocrata.

Em meio às convulsões sociais que afetariam para sempre a Rússia e o mundo no início do século XX, o Conde descobre as engrenagens por trás de toda a pompa e a grandeza do luxuoso hotel e conhece os responsáveis pelo funcionamento desse ecossistema. Para dominar as circunstâncias, ele precisa transformar em lar aquele desconfortável alojamento e usa sua personalidade cativante para formar uma nova família e aprofundar os laços com as pessoas que cruzam o seu caminho. Somente ao se adaptar às mudanças do mundo, que nunca param de entrar pelo saguão, ele encontra algo até então inédito em sua vida: um propósito verdadeiramente nobre. Compre o livro "Um Cavalheiro em Moscou", de Amor Towles, neste link.

Sobre o autor
Amor Towles nasceu em Boston, Estados Unidos, graduou-se pela Universidade Yale e recebeu o título de mestre em língua inglesa pela Universidade Stanford. Após trabalhar por mais de 20 anos no mercado financeiro, passou a se dedicar em tempo integral à escrita. Seu primeiro livro, "Regras de Cortesia", foi publicado em 2011 e virou um best-seller na lista do jornal The New York Times. Lançou também o romance "A Estrada Lincoln", considerado um dos melhores livros de 2021 por Barack Obama e recomendado também por Bill Gates. Atualmente, Towles mora em Manhattan com a esposa e dois filhos. Amor Towles / Foto: David Jacobs. Garanta o seu exemplar de "Um Cavalheiro em Moscou", escrita por Amor Towles, neste link.

.: A Feira do Livro confirma mais 11 autores para a terceira edição


Festival a céu aberto acontece entre 29 de junho e 7 de julho e conta, até o momento, com 35 autores brasileiros e internacionais na programação principal. Imagem da Feira do Livro em 2023. Foto: Divulgação/Gabriel Guarany


A Feira do Livro, que chega à sua terceira edição em junho, apresenta mais 11 autores convidados para a programação principal. Realizada na praça Charles Miller, em frente à Mercado Livre Arena — Pacaembu, A Feira do Livro foi criada em 2022 pela Associação Quatro Cinco Um, organização sem fins lucrativos voltada para a difusão do livro, em parceria com a Maré Produções, empresa especializada em eventos e exposições de arte. A edição terá nove dias de duração e reunirá alguns dos principais destaques da cena literária brasileira e internacional para debates gratuitos, a céu aberto.

Entre as novidades estão dois nomes da cena literária argentina Betina González, autora de "Las Poseídas" ("Bazar do Tempo") e ganhadora do prêmio Tusquets e Michel Nieva, autor de "Dengue Boy" (editora Record), lançado em fevereiro deste ano no Brasil e contemplado pelo prêmio O. Henry, um dos mais reconhecidos dos Estados Unidos.

Em busca pela bibliodiversidade, um dos princípios que norteiam o evento, figuram na programação o psicanalista e professor Christian Dunker, o expoente da literatura periférica no Brasil Sérgio Vaz e a psicóloga indígena Geni Núñez. As escritoras brasileiras Adelaide Ivánova, Lilia Guerra e Julia de Souza também estão confirmadas e comentarão seus últimos romances publicados, que partem de narrativas sensíveis para tratar de questões sociais e íntimas.

Estreantes na ficção estão Pablo Casella, autor de "Contra Fogo" (Todavia), lançado em março, e Odorico Leal, autor de "Nostalgias Canibais" (Âyiné), a ser lançado no final de maio. Com mais de 100 convidados na edição anterior, a organização d’A Feira do Livro optou por divulgar os nomes em fatias ao longo do ano, com a programação completa a ser apresentada no final de maio. 

Os autores se apresentarão em dois palcos que funcionam simultaneamente, um deles montado na praça e outro no Museu do Futebol, parceiro da Feira do Livro. Neste ano, a organização também prevê palcos menores, para debates e lançamentos com dois ou três autores, em formato “pocket”, sempre mantendo o espírito de uma “aldeia” efêmera em pleno asfalto paulistano, nas palavras de Álvaro Razuk, diretor de arte e arquitetura. Além dos espaços de programação, A Feira do Livro tem mais de 150 expositores, entre editoras e livrarias, que vendem seus livros em tendas e bancadas montadas no meio da rua. 

Confira os convidados da terceira edição d’A Feira do Livro, confirmados até o momento: Adelaide Ivánova, Bernardo Esteves, Betina González,  Caetano W. Galindo, Camila Fabbri, Camila Sosa Villada, Christian Dunker, Claudia Piñeiro, Dan, Geni Núñez, Henry Louis Gates Jr., Iara Biderman, Jabari Asim, Jamaica Kincaid, João Moreira Salles, Julia de Souza, Lilia Guerra, Luiz Felipe de Alencastro, Mar Becker, Marcelo Viana, Marcos Bagno, Maria Adelaide Amaral, Martinho da Vila, Michel Nieva, Nara Vidal, Natalia Timerman, Odorico Leal, Pablo Casella, Rita Lobo, Rodrigo Hübner Mendes, Rosa Freire d'Aguiar, Sérgio Vaz, Stênio Gardel, Tatiana Salem Levy e Vera Iaconelli.


Quem faz A Feira do Livro
Associação Quatro Cinco Um é uma organização sem fins lucrativos dedicada a levar o livro para o centro do debate na sociedade brasileira. Seus principais projetos são a revista de crítica de livros Quatro Cinco Um, que tem edição impressa, digital, em podcasts e newsletters, a editora de livros Tinta-da-China Brasil, com foco em literatura e ensaio, e o festival literário A Feira do Livro, criado em parceria com a Maré Produções Artísticas no Pacaembu, em São Paulo. Maré Produções é um escritório de arquitetura especializado em exposições e feiras culturais. Entre as suas realizações recentes está a exposição internacional Amazônia, de Sebastião Salgado.

Serviço
A Feira do Livro
Data: de 29 de junho a 7 de julho de 2024
Local: Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada Gratuita
Realização: Associação Quatro Cinco Um, Maré Produções e Ministério da Cultura e Governo Federal, por meio da Lei de incentivo à Cultura (Lei Rouanet)
Patrocínio: Itaú Unibanco e Redecard
Apoio: Dois pontos
Parceria de mídia: Revista Piauí
Parceiros: Museu do Futebol, Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativa do Estado de São Paulo, Associação Vaga Lume e Meliá São Paulo Higienópolis

sexta-feira, 10 de maio de 2024

.: Resenha de "Planeta dos Macacos: O Reinado", longa cheio de camadas

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em maio de 2024


Uma ficção clássica capaz de ainda provocar reflexões está em cartaz na "Cineflix Cinemas". Eis "Planeta dos Macacos: O Reinado", o quatro filme da trilogia "Planeta dos Macacos: A Origem" (2011), "Planeta dos Macacos: O Confronto" (2014) e "Planeta dos Macacos: A Guerra (2017)", lança a inversão intrigante de papéis entre macacos e humanos, levando o público a praticar a empatia quando o clã a que Noa (Owen Teague) pertence se aproxima da extinção.

Com direito a uma impecável trilha sonora capaz de dar mais emoção a cada cena de ação e suspense, permitindo, inclusive, que o público tenha a sensação de estar inserido na floresta com os protagonistas. Na boa trama dirigida por Wes Ball, sem pressa e com o nítido intuito de contar uma história hipoteticamente possível, humanos foram reduzidos a sobreviver e se esconder nas sombras. Tudo dá base e força para o vilão Proximus, equivocado e cheio de maldades egocêntricas.


Todavia, "Planeta dos Macacos: O Reinado" deixa certas situações levemente confusas ou incompletas, como por exemplo, o acesso ao tão desejado cofre, pelos "mocinhos" da história e também pelo vilão Proximus. O longa de 2h25 de duração reforça que o humano é um ser não muito confiável, sendo os animais muito mais puros e inocentes. 

A produção com roteiro de Josh Friedman, Rick Jaffa, Patrick Aison, Amanda Silver é cheio de camadas provocativas e efeitos especiais de primeira, seja nas expressões dos olhos, os pelos dos animais e, principalmente, nas cenas de embates ou quedas. Tudo contribui para a imersão na trama. Vale a pena conferir nas telonas Cineflix Cinemas!


Em parceria com o Cineflix Cinemas, o Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar Shopping. O Cineclube do Cineflix traz uma série de vantagens, entre elas ir ao cinema com acompanhante quantas vezes quiser - um sonho para qualquer cinéfilo. Além disso, o Cinema traz uma série de projetos, que você pode conferir neste link. Compre seus ingressos no Cineflix Cinemas Santos aqui: vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN

* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Twitter:@maryellenfsm 


"Planeta dos Macacos: O Reinado" ("Kingdom of the Planet of the Apes "). Ingressos on-line neste linkGênero: ação, aventuraClassificação: 14 anos. Duração: 2h25. Ano: 2023. Idioma original: inglês. Distribuidora: 20th Century Studios. Direção: Wes Ball. Roteiro: Josh Friedman, Rick Jaffa, Patrick Aison, Amanda Silver. Elenco: Owen Teague, William H. Macy, Freya Allan, Kevin Durand, Peter MaconSinopse: O longa realiza um salto no tempo após a conclusão da Guerra pelo Planeta dos Macacos. Muitas sociedades de macacos cresceram desde quando César levou seu povo a um oásis, enquanto os humanos foram reduzidos a sobreviver e se esconder nas sombras.


Leia+

.: Diário de uma boneca de plástico: 10 de maio de 2024


Querido diário,

Preciso desabafar e vai ser bem aqui... É que ainda estou incomodada com o excesso de olhar puritano direcionado para a cantora Madonna, por conta de seu lado totalmente polêmico. Tentei e tentei, mas não há meios de entender tanto conservadorismo destilado para a gringa que sempre foi assim.

Por que tanta polêmica? Afinal, ela fez apresentações muito mais ousadas em outras turnês, por exemplo. Cruzes em chamas, pole dance vestida de freira. O que certos brasileiros, as "pessoas de bem" -que se auto intitulam assim-, esperavam ver no show no Rio de Janeiro? 

Aliás, até gente dessa trupe sublime que transpira pureza, por estar acima do bem e do mal marcou presença e até assistiu o show completo pela Tv. Curioso, né?! Nem eu que queria muito assistir no meu recanto, consegui. Fui passear e acabei perdendo boa parte do começo.

Madonna é o que é até hoje por ser libertária em todos os aspectos, principalmente quando se trata de sexualidade. Então, em pleno 2024, com a internet na ponta do dedo para acessar, as pessoas esperavam uma senhora recatada e do lar no palco que celebra seus 40 anos de carreira?! Francamente!

Ah! É muita falsidade disfarçada a todo custo para apregoar a moral e os bons costumes que os próprios não seguem, pois escondem suas sujeiras absurdas bem direitinho debaixo do tapete, né?! Como já cantava Rita Lee em "Reza", "Deus me ajude da sua raiva. Deus me imunize do seu veneno".

Detalhe maior para quem se sentiu ultrajado pela Tv, bastava  trocar de canal ou desligar o aparelho. Mas a verdade é que a Globo registrou um aumento de audiência no horário do show, então... rsrs

Beijinhos pink cintilantes e até amanhã,


.: Catia de França: disco autoral marca os 50 anos de carreira


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. 

Um disco que une o passado e o presente, que resgata memórias e perspectivas ao longo de 77 anos bem vividos. Em 12 faixas inéditas, músicas que revelam desde os sentimentos juvenis até às incertezas da censura imposta aos artistas brasileiros. “No Rastro de Catarina”, novo disco da multiartista paraibana Cátia de França, chega às plataformas digitais com toda força e vitalidade de uma artista com influências em diversas gerações da música brasileira.

Com seis discos lançados entre 1979 e 2016, Cátia de França transita entre palcos e parceiros musicais dos quatro cantos do país. Sua história envolve evolução de ritmos, experimentações e parcerias com artistas como Zé Ramalho, Dominguinhos, Sivuca, Lulu Santos, Chico César, Elba Ramalho e Bezerra da Silva em seus discos.

“No Rastro de Catarina” é uma obra que expõe a poética e sonoridade múltipla de Cátia de França. O disco percorre toda a história da artista, desde “Indecisão”, um poema de amor escrito quando Cátia tinha 14 anos e só agora musicado, ao mergulho em seu envelhecimento com “Malakuyawa”, cantando sobre seus cabelos brancos, veias aparentes e sorriso sem dentes. “No Rastro de Catarina” foi gravado em João Pessoa, terra natal da cantora, no Estúdio Peixeboi. O disco foi produzido pelo selo Tuim Discos, também da Paraíba. O lançamento no exterior será pelo selo Amplifica Music.

A banda foi composta só por músicos paraibanos: Cristiano Oliveira (viola, violão e violão de aço), Marcelo Macêdo (guitarra e violão de aço), Elma Virgínia (baixo acústico, baixo elétrico e fretless), Beto Preah (bateria e percussões) e Chico Correa (sintetizadores e samplers), que também assina a produção musical do disco ao lado de Marcelo Macêdo. O disco conta ainda com participação de Gláucia Lima no vocal, Dina Faria na direção artística e Felipe Tichauer na masterização.

Cátia de França representa na MPB aquele tipo de personagem inusitado, capaz de surpreender sempre com sua sonoridade a cada trabalho realizado. E nem mesmo os seus 77 anos representam uma barreira no processo criativo de sua música, que permanece fértil e interessante.

"Fênix"

"Negritude"

"Conversando com o Rio"



 

quinta-feira, 9 de maio de 2024

.: "Murdle - Volume 1", de G. T. Karber: quebra-cabeça literário chega ao Brasil


Best-seller mundial, quebra-cabeça literário inspirado em jogo on-line desafia o leitor a desvendar assassinatos, encontrar pistas ocultas e construir uma trama de suspense usando os métodos de um detetive.


Considerado pelo The Washington Post um dos dez melhores presentes para os amantes de livros, "Murdle - Volume 1" chega ao Brasil pela Intrínseca após fazer história no mercado editorial britânico. O livro de quebra-cabeças de mistério e assassinato, do escritor norte-americano G.T. Karber, foi o best-seller do Reino Unido no Natal de 2023 ao superar o número de vendas do novo livro de Richard Osman. O britânico, também publicado pela Intrínseca no Brasil, é autor da série O Clube do Crime das Quintas-Feiras, considerado o maior fenômeno literário do país desde Harry Potter.

Apontado por Osman, um dos mestres do cozy mystery, como um “fenômeno absoluto”"Murdle - Volume 1 arrebatou o Reino Unido ao oferecer entretenimento com um quebra-cabeça literário para toda a família. São cem enigmas de mistério curtos e divertidos que desafiam a descobrir quem matou, como, onde e por quê. A partir da análise de pistas e informações dadas por testemunhas, o leitor, ao lado do detetive Logicus, é convidado a desvendar misteriosos assassinatos.

“Há criptogramas para decodificar, depoimentos de testemunhas para examinar e muitos outros segredos para desvendar. À medida que for avançando e os mistérios começarem a se tornar mais desafiadores, você descobrirá que a sua habilidade de raciocínio será testada, porque a lógica é uma coisa esplendorosa, e sempre há técnicas novas a se aprender e novas deduções a se fazer”, explica o autor.

Com base em sua experiência em histórias imersivas no estilo “quem matou”, G.T. Karber criou um fio narrativo que conduz o leitor ao longo do livro. O escritor apresenta personagens e cenas de crime que se repetem para oferecer uma trama completa a partir da junção dos capítulos. Cada caso pode ser desvendado separadamente ou em sequência. Todos os homicídios guardam um segredo escondido e a obra contém uma mensagem que só pode ser decifrada após todos os casos terem sido desvendados.

Repleto de ilustrações, códigos e mapas, "Murdle - Volume 1" apresenta uma narrativa bem-humorada e perspicaz que envolve e conduz o leitor por enigmas com diferentes níveis de dificuldade — do básico ao impossível. Ao final do livro uma dica e a solução de cada caso são oferecidas ao leitor. Na apresentação, o leitor é introduzido ao universo de "Murdle" e recebe orientações para a resolução dos mistérios, além de ter acesso ao primeiro caso resolvido pelo maior cérebro do mundo na solução de mistérios: o dedutivo Logicus. Compre o livro "Murdle - Volume 1", de G.T. Karber, neste link



Sobre o autor
G.T. Karber, criador do popular jogo on-line "Murdle", cresceu em uma pequena cidade no Arkansas. Ele se formou, com distinção summa cum laude, em matemática e literatura inglesa pela University of Arkansas e em seguida mudou-se para Los Angeles, onde obteve o mestrado em belas artes pela School of Cinematic Arts da University of Southern California. Como secretário-geral da Sociedade dos Mistérios de Hollywood, uma organização independente, supervisionou a encenação de dezenas de obras imersivas no estilo “quem matou?” na região de Los Angeles. Foto: Annie Lesser. Garanta o seu exemplar de "Murdle - Volume 1", escrito por G.T. Karber, neste link.

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