quinta-feira, 8 de setembro de 2016

.: RPDRAS 2x1 e 2: Precisamos falar sobre Roxxxy, Phi Phi e Adore

Por Helder Miranda

Em setembro de 2016

CONTÉM SPOILERS

"RuPaul Drag Race - All Stars 2" é mais sobre redenção do que qualquer outra coisa. Ao reunir dez drag queens que marcaram as edições anteriores do programa, a "rainha má boazinha" RuPaul se depara com uma avalanche de torcidas alucinadas.

Adore Delano (6ª temporada), Alaska Thunderfuck (5ª), Alyssa Edwards (5ª), Coco Montrese (5ª), Detox (5ª), Ginger Minj (7ª), Katya (7ª), Phi Phi O’Hara (5ª), Roxxxy Andrews (5ª) e Tatianna (2ª). Agora, em vez de dublar pelas "vidas", as queens dublam pelos seus "legados". E isso embute toda a responsabilidade que está por trás das interpretações mais impressionantes que elas dão às canções, porque representam mais do que fãs, são bandeiras ambulantes das mais diversas causas. 


A presença maciça de participantes da quinta temporada, a que teve mais audiência, promete corrigir alguma injustiça entre as participantes que pousaram por lá. Alaska, embora tenha perdido na final para Jinkx Monsoon, foi a que mais trabalhou e a que tem mais popularidade nas redes sociais. Mas talvez tenha errado em entrar logo depois de o marido, a drag Sharon Needles, ter sido coroado na quarta temporada, ficando à sombra dele durante a primeira passagem pelo programa. Agora, separada e livre de comparações, tem tudo para fazer uma trajetória brilhante.

Há algumas presenças questionáveis, como Coco Montrese (ela própria pronuncia Cocô), que só teve uma história no programa por causa da briga com Alysa Edwards. Foi a primeira eliminada do "All Star 2", com a cor de Doritos e tudo mas, segundo consta, RuPaul disse que haverá uma reviravolta e Coco pode voltar, assim como Tatianna, a drag dos primórdios do programa, segunda eliminada.


Tatianna é a mais feminina de todas, e também a que sofre certa discriminação por ser da segunda temporada, ou algo como "ultrapassada", segundo a linha de raciocínio das outras competidoras. Tatianna, por sua vez, disse que evoluiu demais desde a primeira participação e que não estava para brincadeira. Mas uma injustiça de Alaska, logo no segundo episódio, colocou a moça para fora da competição. Aguardemos o que pode acontecer.

Os dois primeiros episódios, no entanto, foram sobre Roxxy Andrews e sua transformação de vilã a mocinha após ter entrado em contato com a reação das redes sociais diante das atitudes que ela mostrou na quinta temporada. A mudança não foi apenas física, Roxxxy emagreceu muito e se tornou uma personagem curvilínea, deixando de fazer parte da cota das "queens" tamanho GG do programa. Lembra demais Geisy Arruda, e mas não é mais a megera da quinta temporada, que fez jogos psicológicos com a vencedora, Jinx. Ela parece estar regenerada e seguiu uma linha coerente ao eliminar uma amiga que havia sido pior em detrimento das outras que se saíram melhor. Se "RDRAS2" é sobre redenção, Roxxy, que sabe a dor de sair "queimada" de uma edição, sintetiza tudo isso. 


No outro extremo, está Phi Phi Ohara, que chegou com o discurso de querer "limpar a barra" por ter sido bem mau-caráter na quarta temporada, ter perseguido a vencedora de sua edição e prejudicado pessoas com os conselhos mal-intencionados que distribuía. Na primeira oportunidade, no "All Star 2", fez isso com Alyssa, que não "caiu na dela" e manteve a personagem Joan Crawford no "Snatch Game". 


Roxxxy foi mais ingênua e deixou de interpretar Sofia Vergara para dar lugar à uma versão da própria Alaska, claro que o desastre seria iminente. Phi Phi é do tipo que não confia em si própria e precisa que, semanalmente, outras se saiam piores do que ela para permanecer, pelas beiradas, e quem sabe vencer. Ironicamente, quem leu melhor as artimanhas de Phi Phi foi Tatianna, a segunda a ser eliminada por conta do antigo "Rolaskatox" que é tão... quinta temporada! 


Já sobre a desistência de Adore, há pouco a dizer e muito a ser esclarecido. Adore levou, com ela, a expectativa de vários fãs e tirou a vaga de uma "queen" que aproveitaria melhor a chance, deixou uma participante ser eliminada para, enfim, fazer um papelão. Quando entrou para a segunda participação no programa, estava ciente de que críticas pesadas viriam, não era uma novata. Que Adore é chorona e não lida bem com as críticas, é um ponto conhecido aos que acompanharam a sexta temporada, mas abrir mão da participação do programa não deixa de ser egoísmo.

É claro que as lágrimas dela foram verdadeiras e não se pode julgar o emocional das pessoas, mas Adore precisava justificar o motivo de sua desistência e o caminho mais fácil seria atacar a dureza das palavras de Michelle Visage, que nem foram tão duras assim. Adore teve medo e não soube enfrentar, o que é tudo contrário ao que "RuPaul Drag Race" prega. Enquanto o "All Stars" trata sobre redenção, "Drag Race" diz respeito a se superar. Nesse caso, durante essa segunda participação pífia, Adore não se enquadrou em nenhuma das propostas de "RuPaul".


Ranking
  • Alaska Thunderfuck (5ª temporada) 
  • Alyssa Edwars (5ª temporada)
  • Detox (5ª temporada)
  • Ginger Minj (7ª temporada) 
  • Katya (7ª temporada)
  • Phi Phi O’Hara (5ª temporada) 
  • Roxxxy Andrews (5ª temporada) 
  • Tatianna (2ª temporada - Top 8) 
  • Adore Delano (6ª temporada - desistente - Top 9)
  • Coco Montrese (5ª temporada - Top 10) 
Sobre o autor

Helder Miranda é editor do Resenhando.com há 12 anos. É formado em Comunicação Social - Jornalismo e licenciado em Letras pela UniSantos-Universidade Católica de Santos, e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP. Atuou como repórter em vários veículos de comunicação. Lançou, aos 17 anos, o livro independente de poemas "Fuga", que teve duas tiragens esgotadas.
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