domingo, 24 de dezembro de 2017

.: Crítica: "O Quebra-Nozes", do Ballet Bolshoi, merece ser visto

Por Helder Moraes Miranda, em dezembro de 2017.


Todos deveriam assistir, pelo menos uma vez na vida, alguma apresentação do Ballet Bolshoi. Perder o preconceito da barreira do idioma, se for o caso, ou do "não gostar de musicais" sem nunca ter uma imersão completa em um grande espetáculo.

Tive a oportunidade de assistir, no Cine Roxy 4, a apresentação do espetáculo clássico “O Quebra-Nozes” e a sensação é única e meio que inimaginável: como assistir a um espetáculo de ballet dentro de um cinema? A resposta é uma só e uníssona: é incrível. Mas um espetáculo de ballet pode ser considerado uma peça de teatro ou um show?

Não sei, mas tenho certeza de que gostaria de voltar muitas vezes por uma série de fatores que pontuam uma apresentação dessas dentro de um cinema. A começar pelo aconchego da poltrona, que lhe abraça e você se sente confortável para assistir uma história contada por música e dança. 

Na sala de projeção, a maioria do público era composta por pessoas mais velhas, que verdadeiramente se emocionaram em silêncio e embarcaram na história do boneco de madeira que ganha vida e se transforma em um príncipe. O silêncio no ambiente, em detrimento da música que tocava a todo o momento na tela, foi, também, o fio condutor."O Quebra-Nozes" é o conto perfeito de Natal, já que, acompanhados de seus outros brinquedos que também ganham vida, o príncipe e a menina Marie embarcam em uma aventura inesquecível. 

Durante a chegada, do outro lado da tela, as pessoas que iriam assistir no Teatro Bolshoi, em Moscou, também estavam esperando, de lá. O Teatro, abrindo um parênteses antes de prosseguir, é uma das melhores escolas para dançar balé e é um edifício histórico em Moscou, capital da Federação Russa, que foi desenhado pelo arquiteto Joseph Bové para abrigar espetáculos de ópera e balé.

Quem assistiu no cinema teve a sensação de que estava dentro do espetáculo. Há uma abundância de cenários, figurinos e bailarinos talentosos unidos para contar essa clássica história natalina - e, também, muitas vezes não se sabe para onde olhar devida a suntuosidade de gente talentosa e coisas que gritam aos olhos em absoluta sincronia. Muitas vezes, esquece-se de que está no cinema e o público quer aplaudir ao mesmo tempo que as pessoas que estão presenciando no próprio local.

Assistir ao vivo de Moscou deve ser mágico, mas ver no cinema é uma emoção difícil de descrever com palavras, pontuada pela orquestra ao vivo, abaixo do palco, uma prática comum em musicais de primeira linha. No intervalo, para o segundo ato, e antes do início, uma repórter dava informações e fazia entrevistas nas línguas russo, inglês e francês. 

Haverá apresentações de outras peças no ano que vem. O Cine Roxy 4 fica na avenida Ana Costa, 465, no Shopping Pátio Iporanga, em Santos. Se eu fosse você, não perderia por nada. 

*Helder Moraes Miranda escreve desde os seis anos e publicou um livro de poemas, "Fuga", aos 17. É bacharel em jornalismo e licenciado em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura, pela USP - Universidade de São Paulo, e graduando em Pedagogia, pela Univesp - Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Participou de várias antologias nacionais e internacionais, escreve contos, poemas e romances ainda não publicados. É editor do portal de cultura e entretenimento Resenhando.




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