Filme de Cédric Klapisch chega à Reserva Imovision depois de passagem pelos cinemas brasileiros e pelo 2º Festival de Cinema Europeu Imovision
Uma casa abandonada na Normandia, fotografias antigas, objetos esquecidos e uma mulher que deixou sua terra natal em 1895 são os pontos de partida de “As Cores do Tempo”, novo filme de Cédric Klapisch, que estreia na Reserva Imovision nesta quinta-feira, dia 8 de outubro. Depois de dez semanas nos cinemas brasileiros e da participação no 2º Festival de Cinema Europeu Imovision, a produção franco-belga chega ao streaming da distribuidora para reencontrar o público em uma história que aproxima duas épocas e transforma uma investigação familiar em uma espécie de viagem pela memória.
Na trama, quatro primos distantes recebem uma herança inesperada: uma antiga casa que permanece intocada desde os anos 1940. Seb, Guy, Céline e Abdel são encarregados de examinar o imóvel e acabam encontrando fotografias, cartas, pinturas e outros vestígios ligados a Adèle, ancestral que viveu naquele lugar. Aos 20 anos, ela deixou a Normandia e partiu para Paris, onde entrou em contato com uma cidade em plena transformação cultural e tecnológica. A investigação dos descendentes estabelece uma ponte com 1895, período em que a fotografia ganhava força e o impressionismo modificava profundamente a pintura. O próprio Festival de Cannes, onde o filme foi exibido fora de competição, descreve a estrutura como um movimento entre 1895 e 2025 a partir dos vestígios encontrados na casa.
Suzanne Lindon interpreta Adèle e divide o elenco com Abraham Wapler, Vincent Macaigne, Julia Piaton, Zinedine Soualem, Paul Kircher, Vassili Schneider, Sara Giraudeau e Cécile de France. Olivier Gourmet aparece como Claude Monet, enquanto Fred Testot interpreta Félix Nadar. A produção ainda reúne François Berléand como Victor Hugo e Philippine Leroy-Beaulieu como Sarah Bernhardt, entre outras participações. A escalação chama atenção pela presença de vários nomes ligados a famílias conhecidas do cinema francês, questão que chegou a provocar comentários na imprensa especializada e foi respondida pelo próprio Klapisch durante a divulgação do filme.
A presença de Suzanne Lindon, filha dos atores Vincent Lindon e Sandrine Kiberlain, ganhou um capítulo próprio na trajetória do filme. A atriz foi indicada ao César 2026 na categoria de Melhor Revelação Feminina, enquanto “As Cores do Tempo” também concorreu nas categorias de Melhor Direção de Arte, para Marie Cheminal, e Melhor Figurino, para Pierre-Yves Gayraud. O Centro Nacional do Cinema da França confirmou as três indicações.
Klapisch assina a direção e o roteiro ao lado de Santiago Amigorena. Conhecido por construir histórias em torno de relações humanas, juventude e mudanças de fase, o cineasta encontra aqui uma maneira particularmente visual de trabalhar esses temas. A Paris do fim do século XIX aparece ligada à fotografia, à pintura e aos artistas que ajudaram a construir a imagem moderna da cidade. Claude Monet, Victor Hugo, Sarah Bernhardt, Félix Nadar, Paul Cézanne, Pierre-Auguste Renoir, Édouard Manet, Camille Pissarro e Alfred Sisley estão entre as figuras históricas incorporadas à narrativa.
A proposta também explica o título. As cores do tempo aparecem nas pinturas, nas fotografias e na própria maneira como o filme coloca passado e presente em relação. As duas épocas acabam funcionando como espelhos para personagens que, inicialmente, se encontram por obrigação e passam a compreender melhor suas próprias histórias à medida que investigam a trajetória de Adèle. Algumas avaliações internacionais destacaram justamente a forma como Klapisch aproxima a vida cotidiana do século XIX da experiência contemporânea, enquanto outras apontaram um ritmo deliberadamente sereno e uma inclinação sentimental que pode dividir o público.
Essa mistura de memória, família e arte também está no centro da recepção do filme. Críticas e comentários reunidos no IMDb destacam a fotografia, a reconstituição de Paris e a atuação de Suzanne Lindon, além da passagem entre 1895 e 2025. Há quem veja na produção uma reflexão delicada sobre a relação entre gerações e sobre a maneira como a arte pode modificar a percepção da própria vida; outros consideram que algumas ideias são explicadas de forma excessiva e que a duração poderia ser menor. A variedade de leituras combina com um filme interessado justamente em observar como diferentes pessoas olham para as mesmas lembranças.
O resultado é uma produção que usa uma herança familiar como porta de entrada para um período decisivo da cultura francesa. A casa esquecida, os objetos guardados durante décadas e a trajetória de Adèle dão aos personagens do presente a possibilidade de conhecer uma mulher que viveu em outro mundo, mas que deixou marcas capazes de chegar até eles. Ao aproximar os dois períodos, Klapisch encontra no cinema, na fotografia e na pintura instrumentos para falar daquilo que permanece quando as pessoas e as cidades mudam.
Para quem perdeu “As Cores do Tempo” nos cinemas ou deseja revê-lo, a chegada à Reserva Imovision amplia o percurso de um dos títulos franceses apresentados pela distribuidora em 2026. O filme participou do 2º Festival de Cinema Europeu Imovision, realizado entre 23 e 29 de abril, e integrou a seleção francesa ao lado de produções como “O Grande Arco de Paris”, “A Divina Sarah Bernhardt” e “E Seus Filhos Depois Deles”.
Ficha técnica
“As Cores do Tempo” | “La Venue de l’avenir” (título original)
Gênero: comédia dramática, drama e romance. Duração: 124 minutos. Classificação indicativa: 14 anos - contém conteúdo sexual, drogas e nudez. Ano de produção: 2025. Data de lançamento no Brasil: 30 de julho de 2026 nos cinemas. Idioma: francês. Direção: Cédric Klapisch. Roteiro: Cédric Klapisch e Santiago Amigorena. Elenco: Suzanne Lindon, Abraham Wapler, Vincent Macaigne, Julia Piaton, Zinedine Soualem, Paul Kircher, Vassili Schneider, Sara Giraudeau, Cécile de France, Olivier Gourmet, Claire Pommet (Pomme), Fred Testot, François Berléand, Philippine Leroy-Beaulieu, entre outros. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.
Gênero: comédia dramática, drama e romance. Duração: 124 minutos. Classificação indicativa: 14 anos - contém conteúdo sexual, drogas e nudez. Ano de produção: 2025. Data de lançamento no Brasil: 30 de julho de 2026 nos cinemas. Idioma: francês. Direção: Cédric Klapisch. Roteiro: Cédric Klapisch e Santiago Amigorena. Elenco: Suzanne Lindon, Abraham Wapler, Vincent Macaigne, Julia Piaton, Zinedine Soualem, Paul Kircher, Vassili Schneider, Sara Giraudeau, Cécile de France, Olivier Gourmet, Claire Pommet (Pomme), Fred Testot, François Berléand, Philippine Leroy-Beaulieu, entre outros. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.
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