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terça-feira, 23 de junho de 2026

.: Crítica: "Toy Story 5" aborda realidade provocando a emoção do público

Cartaz de "Toy Story 5"

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em junho de 2026


Quem poderia imaginar que a história dos brinquedos do pequeno Andy ganhariam tantos capítulos, ou melhor, tantos desdobramentos a ponto de ter cinco sequências? Eis que em junho de 2026 nas telas de cinema está em cartaz "Toy Story 5" presenteando o público com duas cenas pós-créditos. Uma que funciona como complemento do desfecho, enquanto que a última é uma número musical dos brinquedos.

Sem Andy, toda a história acontece em torno da pequena Bonnie, a garotinha que herdou todos os brinquedos do jovem que foi para universidade. Ainda encantada como o universo da imaginação, ela cria situações diversas, mas quando tenta um contato com os irmãos gêmeos da casa vizinha, é tomada pela timidez.

Assim, a vaqueira Jessie segue como a dona do coração da menina que também faz a boneca ser par romântico do astronauta Buzz Lightyear (é bom se preparar para uma invasão massiva do herói, gerando boas sequências e risadas). Sem amigos e muito envergonhada, surge uma tábua de salvação para que Bonnie crie elos com seus amigos: o eletrônico Lilypad, um tablet tecnológico que acaba assumindo o posto de vilã da trama.

Contudo, "Toy Story" mergulha na realidade do isolamento social em que todos se "conhecem" sem se ver e realmente conversar, reforçando o quanto Bonnie continua sem amigas mesmo tendo uma Lilypad e passando por uma festa do pijama com as meninas que nunca lhe deram bola. Em tempo, a cena de Bonnie mostrando o tablet para as "amigas" faz lembrar a de Lilo mostra a Xepa para as garotas em "Lilo & Stitch". Embora sejam situações distintas, o desinteresse das meninas pela garotinha e seu item termina quase que igual.

Desta vez, o foco da trama de "Toy Story" está no isolamento e o medo do abandono, refletido não somente em Bonnie, mas também em Jessie. Aliás, o peso da carga emocional vem também da vaqueira que recorda da primeira dona, a garota Emily. Por obra do destino, a boneca faz um volta ao passado que  agora está alterado e um pouco modernizado. No entanto, tal arco na trama se faz importante para  que Bonnie alcance o maior objetivo: fazer amizade.

Com o vibrante e encantador colorido Disney "Toy Story 5" emociona ao entrelaçar a história de Bonnie e Jessie, resgata Woody e Betty Bop para dar uma forcinha e solucionar um problema, traz o Garfinho agora casando, enquanto insere novos personagens, como por exemplo, o incrivelmente divertido Amigo Rolinho e, com sabedoria faz refletir ao chamar a atenção do público a respeito das conturbadas e distantes relações atuais. Imperdível!


"Toy Story 5" (Toy Story 5). Gênero: Animação, Comédia e Aventura. Direção: Andrew Stanton e McKenna Harris. Roteiro: Andrew Stanton e McKenna Harris. Duração: 1h 40 minutos. Classificação Indicativa: 6 anos. Distribuição: Walt Disney Pictures. Elenco: Woody: Tom Hanks (EUA) / Marco Ribeiro (BR), Buzz Lightyear: Tim Allen (EUA) / Guilherme Briggs (BR), Jessie: Joan Cusack (EUA) / Mabel Cezar (BR), Lilypad (O Tablet - Vilã): Greta Lee (EUA) / Maisa Silva (BR), Amigo Rolinho: Conan O'Brien (EUA) / Rafael Infante (BR). Sinopse: O trabalho de Buzz, Woody, Jessie e do resto da turma fica exponencialmente mais difícil quando eles enfrentam uma nova ameaça na hora da brincadeira.

Trailer de "Toy Story 5"




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.: Crônica: apresentação da modalidade filha à distância

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em junho de 2026


Em tempos de postar a vida na internet fica difícil entender atitudes alheias, principalmente quando se sabe que o outro tem uma pessoa idosa para cuidar. A verdade é que pouco antes da pandemia fui testemunhando uma modalidade um tanto que curiosa, por ser "à distância".

Não abordo aqui o ensino à distância, modalidade de educação mediada por tecnologias em que alunos e professores não precisam estar no mesmo espaço físico ou tempo. Afinal, na época da pandemia, tal forma de estudo foi a única saída para contornar a proibição de aglomeração.

A verdade é que em pleno 2026 testemunho a modalidade filha à distância no seu mais alto grau, tendo no foco uma idosa de 93 anos. De fato, fazer a leitura do "tô nem aí" chega a ser algo assombroso e inimaginável, mesmo acontecendo diante de seus olhos.

Com toda a distância agarrada como desculpa perfeita para a fuga do que se espera de alguém que se diz e se mostra como muito cristão, a devolutiva é de um choroso "eu te amo" para um idoso que segue sem nem mesmo uma visita desta, há mais de um ano. 

De nada adianta enviar áudio com desculpas e choro como resposta para a outra filha que suporta o trato diário sem que a irmã contribua, mesmo com muitos meses de insistentes pedidos de divisão no trato daquela que também é mãe das duas.

Outro ponto assustador de toda a situação é descolamento da realidade em que a mamãe de 93 anos enfrenta. No imaginário e fotos antigas postadas, retratam a seus "amigos virtuais" uma mulher totalmente distinta, inclusive sem dificuldade de locomoção e, claro, independente.

Enquanto cantam louvores e posam para fotos nas redes sociais, ao telefone choram miséria, restando a quem está ao lado da idosa, total indignação diante de tamanho trabalho que resta apenas para uma filha, embora sejam duas. 

Eis a modalidade filha à distância.


sábado, 20 de junho de 2026

.: Crítica: "Uma Infância Alemã" é história de amadurecimento e devoção


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em junho de 2026


Em busca de realizar o desejo da mãe, garotinho Nanning (Jasper Billerbeck) descobre que além do rio há uma realidade ainda mais cruel e capaz de fazê-lo romper a inocência diante da escassez de itens comuns como a farinha de trigo, por exemplo. Ambientado na primavera de 1945, "Uma Infância Alemã" (Amrum), apresenta uma aventura épica na ilha isolada de Amrum, no Mar do Norte.

O drama que acontece ainda nas semanas finais da Segunda Guerra Mundial, leva o menino de 12 anos que aguarda o retorno do pai do front, a protagonizar uma verdadeira jornada do herói com uma trajetória emocionante, que o faz caçar focas, pescar à noite, trabalhar no campo para sustentar a mãe grávida e até o faz cair no erro de cometer alguns delitos. 

O longa exibido no Festival de Cinema Europeu IMOVISION 2026, baseado em memórias reais que pincelam o fim da guerra e segredos familiares profundos, entrega uma perspectiva emocional e psicológica sobre a Segunda Guerra Mundial. Logo, "Uma Infância Alemã" é um retrato delicado sobre o amadurecimento diante da realidade, assim como o impacto do fascismo e do trauma por meio dos olhos de uma criança criada dentro da ideologia nazista.

"Uma Infância Alemã" (Amrum). Gênero: Drama. Direção: Fatih Akin. Roteiro: Fatih Akin e Hark Bohm. Duração: 1h 33 minutos. Classificação Indicativa: 14 anos. Distribuição: Imovision. Elenco: Laura Tonke, Jasper Billerbeck e Diane Kruger. Sinopse: drama histórico que acompanha a perda da inocência de um garoto durante o colapso do Terceiro Reich. 


Trailer de "Uma Infância Alemã"


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terça-feira, 16 de junho de 2026

.: Crítica: "Backrooms: Um Não Lugar" faz refletir sobre "eus"


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em junho de 2026


Suspense psicológico "Backrooms: Um Não Lugar" promove encontros de "eus" de modo criativo e bastante assustador. No longa de ficção científica tudo começa com um paciente, dono de uma loja de móveis, Clark (Chiwetel Ejiofor, de "12 Anos de Escravidão³"), e uma psicóloga, Mary Kline (Renate Reinsve, de"Valor Sentimental"), em uma consulta profissional.

Bem acomodados, tudo segue dentro do habitual, até que a doutora pede para que o cliente simule que ela é a "ex" dele. Apesar da relutância, a encenação acontece, porém o "faz-de-conta" vai muito além, a ponto de ser a ponta do iceberg que é desenvolvido na profunda trama que vai além das aparências, esbarra na perda de referências, da noção de tempo e espaço.

Com direção de Kane Parsons (websérie  "Backrooms"), jovem cineasta e YouTuber norte-americano que ganhou notoriedade na internet com curtas de terror e animação, que chegou a Hollywood, como o diretor mais jovem da produtora A24, o longa de 1 hora e 50 minutos de duração provoca reflexões diversas. De fato, Backrooms é uma lenda urbana digital (creepypasta) sobre uma dimensão paralela infinita, formada por corredores labirínticos vazios, paredes amareladas e luzes.

A produção cinematográfica costura todo um jogo de sentidos enquanto assusta e desperta a mente buscando alternativas para sair de um espaço que tecnicamente não existe. A provocante viagem mental de "Backrooms: Um Não Lugar" acontece numa arquitetura infinita e corredores vazios, representando uma crítica existencial profunda ao isolamento moderno, ao capitalismo e às armadilhas da psique humana em meio à repetição do cotidiano. Imperdível!

"Backrooms: Um Não Lugar" (Backroom). Gênero: Terror, Ficção Científica e Suspense Psicológico. DireçãoKane Parsons. Roteiro: Will Soodik. Duração: 1h 50 minutos. Classificação Indicativa: 16 anos. Distribuição: Imagem Filmes. Elenco: Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve, Mark Duplass, Finn Bennett, Lukita Maxwell e Avan Jogia. Sinopse: Em 1990, o vendedor de móveis Clark descobre em sua loja um portal para os Backrooms. Fascinado e obcecado por mapear as anomalias do labirinto infinito de escritórios amarelados, ele acaba desaparecendo no local. A sua terapeuta, Dra. Mary Kline, mergulha na dimensão impossível para resgatá-lo, sendo forçada a confrontar seus próprios traumas e os horrores dos espaços vazios.

Trailer de "Backrooms: Um Não Lugar"



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terça-feira, 9 de junho de 2026

Crítica: "Todo Mundo em Pânico 6" é deboche saudosista imperdível



Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em junho de 2026


A volta dos irmãos Wayans no controle do roteiro da franquia de deboche "Todo Mundo em Pânico", que chega ao sexto filme, é recheada de críticas divertidas e pesadas. Desde as bobeiras sem sentido da internet como o "six seven", até altas lições de pura consciência sobre os absurdos naturalizados da atualidade, incluindo o preconceito racial muito bem representados pelos grandes nomes da franquia Cindy (Anna Faris, de "Casa das Coelhinhas") e Brenda (Regina Hall, de "Uma Batalha Após a Outra").

Ver "Todo Mundo em Pânico 6" dirigido por Michael Tiddes ("Inatividade Paranormal" e "Cinquenta Tons de Preto"), na telona do cinema, resgatando o tempero perfeito da comédia mesclada a paródias de importantes produções, como os indicados e vencedores do Oscars 2026, "Pecadores""Uma Batalha Após a Outra". Sendo que o segundo filme abocanhou seis estatuetas, entre elas a de "Melhor Filme", e divide a atuação da atriz Teyana Taylor, que, na comédia entrega tudo com uma barriga tanquinho de entortar a faca do Ghostface enquanto empunha o Globo de Ouro com poder. 

O longa é uma verdadeira explosão de nostalgia durante 1 hora e 36 minutos de duração. Ao promover encontros e reencontros, com roteiro de Marlon Wayans, Shawn Wayans, Keenen Ivory Wayans, Craig Wayans e Rick Alvarez, volta à raiz. Ao colocar  Teyana como a primeira garota do sexto longa, resgata que Carmen Electra foi a primeira das garotas quando atendeu o telefonema do Ghostface em "Todo Mundo em Pânico" (2000), sendo perseguida pelo jardim de casa e tem o silicone retirado.

Sem esconder a fórmula da franquia, "Todo Mundo em Pânico 6" a segue com muita acidez e promove o resgate de personagens clássicos como o quarteto Cindy, Brenda, Ray (Shawn Wayans, de "As Branquelas") e Shorty (Marlon Wayans, de "GOAT"), além de reintegrar o elenco com Greg (Lochlyn Munro, de "As Branquelas"), Gail (Cheri Oteri), Doofy (Dave Sheridan, de "O Pequenino"). Até o ex de Cindy, Bobby (Jon Abrahams, de "A Casa de Cera") e o mordomo Hanson (interpretado pelo comediante Chris Elliott), conhecido como o Mãozinha, retornam. Sabiamente, o sexto filme abre espaço para discutir e criticar as escolhas tomadas dentro da própria franquia de paródias irônicas.

Em meio ao elenco estelar de "Todo Mundo em Pânico 6" há novidades. Assim como alguns filmes do gênero terror encontraram uma saída para dar um novo fôlego, "Todo Mundo em Pânico 6" também apresenta os filhos dos sobreviventes que agora estão na mira do grande vilão da trama. Surge na história Waldinha ou Tuesday, não Wandinha ou Wednesday como em "Família Addams" (Savannah Lee Nassif), uma das duas filhas adotas de Cindy Campbell, assim como Sara (Olivia Rose Keegan). 

Criticando o medo moderno de ser cancelado e a patrulha ideológica da internet, o comportamento das pessoas nas redes sociais, retratando o vício em internet como uma "doença crônica", cutuca ainda a política abusiva de Trump e a função efetiva do ICE. "Todo Mundo em Pânico 6" ironiza até a onda de filmes de terror intelectuais ou "cult", abraçando abertamente a chacota e os clichês óbvios.

Resgatando os personagens marcantes da franquia e com grande elenco, "Todo Mundo em Pânico 6"  diverte, mas dá um recado maior dado e reforça que os personagens matrizes não podem ser substituídos, nem mesmo por seus filhos. De fato, não é a nova geração que entrega saudosismo, mas os coroas. A autocrítica também marca presença quando debate na telona os desvios nas tramas da franquia assim como a trocas de atores ou a ausência deles.

Cheio de referências críticas a filmes que  dão liga para cada narrativa diversa estão "Escape Room", "Terrifier", "M3gan", "Pânico", "Pecadores", "Halloween", "Sorria", "A Substância" e o prazo de validade da idade feminina aceita em Hollywood, citando até Demi Moore. "Todo Mundo em Pânico 6"  contempla com deboche um dos maiores marcos do cinema LGBTQIA+ e do drama romântico moderno "O Segredo de Brokeback Mountain", assim como o recente sucesso nos cinemas "Michael"

Vale muito a pena assistir "Todo Mundo em Pânico 6" dublado, uma vez que as vozes na versão nacional são de Priscila Amorim (Anna Faris como Cindy), Marisa Leal (Regina Hall como Brenda), Duda Ribeiro (Shawn Wayans com Ray) e Jorge Lucas (Marlon Wayans como Shorty). Boa diversão e não perca!


"Todo Mundo em Pânico 6" ("Scary Movie"). Gênero: Comédia, Paródia. Direção: Michael Tiddes. Roteiro: Marlon Wayans, Shawn Wayans, Keenen Ivory Wayans, Craig Wayans e Rick Alvarez. Duração: 1h 36 minutos. Classificação Indicativa: 18 anos. Distribuição: Paramount Pictures. Elenco: Anna Faris como Cindy Campbell, Regina Hall como Brenda Meeks, Marlon Wayans como Shorty Meeks, Shawn Wayans como Ray Wilkins, Jon Abrahams como Bobby Prinze, Lochlyn Munro como Greg Phillipe, Dave Sheridan como Doofy Gilmore, Cheri Oteri como Gail Hailstorm, Chris Elliott como Hanson, Anthony Anderson. Sinopse: A trama se passa 26 anos após os eventos originais. O grupo de amigos formado por Cindy, Brenda, Shorty e Ray encontra-se novamente na mira de um assassino mascarado implacável, em uma história recheada de sátiras aos maiores sucessos recentes do cinema de terror (como Halloween, Sorria e Pecadores).


Trailer de "Todo Mundo em Pânico 6"



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