terça-feira, 8 de junho de 2021

.: Peaky Blinders da Netflix: O que é a inteligência DWRI?

Essa habilidade é recém-descoberta pelo PhD, neurocientista Fabiano de Abreu; ele analisa a personalidade do personagem


A produção “Peaky Blinders” chegou às telinhas do Brasil no ano passado e foi sucesso absoluto de audiência. A boa repercussão nacional não se deve apenas ao bom elenco e à estética do plano de fundo, mas também ao roteiro carregado de referências históricas.

Thomas Shelby, personagem principal da trama, é líder de uma gangue – chamada Peaky Blinders – que controla a cidade de Birmingham. Autoritário, destemido e super inteligente, ele briga com gangues rivais, enfrenta as autoridades e não mede esforços para ter sucesso nos negócios.

Tais ações, feitas com o que pensamos ser uma leve frieza, chamou a atenção do PhD, neurocientista e neuropsicólogo Fabiano de Abreu Rodrigues, diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH), que avalia suas características. "É interessante analisar a personalidade de Thomas Shelby. Ele não é exatamente uma pessoa fria, pelo contrário, ele é até bastante emotivo e extremamente racional, pois tem o poder de manipular seu próprio sistema límbico através do seu córtex pré-frontal", disse o especialista, que também acrescenta. "Todos esses âmbitos lhe confere uma inteligência DWRI", completa.

"DWRI" é a sigla para "Development of wide regions of intellectual interference" ou em português, "Amplas regiões relacionadas à inteligência desenvolvidas", e trata-se de um novo tipo de inteligência recém-descoberta pelo neurocientista onde a pessoa DWRI tem que ter alto QI, que é a lógica, mas também precisa ter a cognição desenvolvida sem nuances que causam déficit em qualquer região do cérebro correlacionada à inteligência. O conceito atribuído, de acordo com o neurocientista, "é o domínio da inteligência emocional, o qual a razão se sobressai à emoção. É conseguir utilizar e ter domínio de seu córtex pré-frontal, tendo uma maior capacidade na plasticidade cerebral".

Análise da personalidade de Thomas Shelby

Quem viu a série, sabe o quanto os planos de Thomas Shelby são muito bem calculados e certeiros, o que o faz ser bem sucedido em tudo que faz. Em relação a como o personagem se sobressai em suas ações, de acordo com o especialista, é o fato dele não se desesperar em situações difíceis, já que consegue controlar suas emoções.

"Repare que, mesmo que a situação seja caótica, ele sempre busca na calma a melhor reflexão, isso é um ato extremamente inteligente e difícil, mas pessoas DWRI não encontram dificuldade nisso, soa natural mesmo que pese mentalmente", diz o neurocientista, que também acrescenta o perfeccionismo como uma de suas personalidades.

"A maneira como ele cuida da empresa, da família, das roupas que veste, tudo nos mínimos detalhes, é um bom mecanismo de precipitação, antecipando e evitando que os problemas sejam agravados. É típico de pessoas com superdotação que premeditam possibilidades futuras", completa.

A expressão corporal, segundo Fabiano de Abreu, também faz parte das características de pessoas com inteligência DWRI, como é o caso de Thomas. O especialista explica que sua postura sempre demonstra não estar preocupado com o que acontece em sua volta e essa leveza o leva a posição de líder, já que é calmo e obtém o domínio da situação.

"Em pessoas DWRI, ser líder sem parecer ser 'chefe' e assim conquistar as pessoas, criando um vínculo de dependência, aprovação, admiração, entre outros, para conquistar as pessoas e ter menos inimigos", finalizou.

.: Carpinejar para crianças. Conheça "Médico das Roupas"!


Juliano não gosta de futebol, não gosta de redes sociais, não gosta de videogame, não gosta do que todo mundo de sua idade gosta. Mas ele se encantou com a arte da linha e costura. O que ele mais deseja na vida é fazer as próprias roupas e não depender mais do irmão para se vestir. Esta é a história de um menino solitário e peculiar que descobre a sua vocação e passa a ser reconhecido pela família e pelos amigos. Ele torna-se médico das roupas, salvando peças mortas e descartadas com o seu desenho e com a sua imaginação.

Você pode comprar "Médico das Roupas", de Carpinejar, aqui: amzn.to/3gl1K4b

Livro: Médico das Roupas

Autor: Carpinejar

.: Museu Casa de Portinari reabre hoje, dia 8 de junho

Museu Casa de Portinari. Foto: Leandro Lé


O Museu Casa de Portinari, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela ACAM Portinari, comunica que abrirá ao público a partir desta terça-feira (8).

De terça a domingo, o espaço cultural estará aberto das 11h às 16h, seguindo todos os protocolos de segurança sanitária para seus funcionários e visitantes. Às segundas-feiras, o Museu é fechado para manutenção e limpeza.

As atividades educativas e culturais e o tour virtual, também estão disponíveis de forma on-line pelas redes sociais e site (museucasadeportinari.org.br/culturaemcasa).

segunda-feira, 7 de junho de 2021

.: Capítulo 1: "As Winsherburgs" em "A cidadezinha de São Franciso de Assis"


Por: Mary Ellen Farias dos Santos

A Cidade de São Francisco de Assis era o lugar ideal para se viver, ao menos era o que todos os turistas pensavam ao aproveitar um final de semana no lugar que mais parecia uma pintura realista pronta para ganhar pinceladas impressionistas de Claude Monet. Parecido com “O Campo de Papoulas perto de Giverny”, “Ilha das Flores” ou “Paisagem de Vétheuil”.

As grandes montanhas arborizadas e floridas, com caminhos de terra, mesmo quando se afinavam, indicavam o caminho exato para chegar até o topo.

Era de lá do alto dessas montanhas que se via muito da vida alheia, cada um representado por uma formiguinha trabalhadeira. Saindo de suas casas ainda antes de o Sol nascer, de fato, para retornar quando a Lua já brilhava enquanto subia. No entanto, era lá no bairro de Santa Terezinha em que estava a família Winsherburg.

- Vamos, Mary! Levante-se o café da manhã já está na mesa e você ainda precisa colocar o uniforme! -gritou Ellen na cozinha. Eu não posso me atrasar, filhinha! Venha! –Insistiu mais uma vez, mas com a voz amorosa e sem sair do lugar.

Ao longe, o som misto de resmungos indecifráveis e chinelos de quarto arrastados ecoavam por todo o corredor da casa. Isso já era um bom sinal, pois o fim do corredor dava exatamente na cozinha.

Naquele finalzinho do corredor, Mary parou de olhos fechados, decidindo brincar de estátua descabelada.

Ao ver a cena, Ellen simplesmente soltou a respiração mais forte pelo nariz e virou os olhos como que procurando por paciência, o que ela já estava prestes a perder. Contudo, segurou-se.

- Aãããããn!, mãe eu madruguei ontem. A senhora sabe! Por que eu não posso ficar? Preciso descansar a minha mente, meu corpo. O que acha?, propôs mary.

Ellen também fechou os olhos e disse:

- Você vive debaixo do meu teto, mocinha! Eu não permiti que ficasse até a madrugada brincando no celular. Agora, estamos perto da hora de ir para a escola, eu vou dar aula e você estudar. Está pensando que é fácil...

Mary completou a fala da mãe: “ser professora?”

- Eu sei, mãe! Mas a live ficou tão boa. Todos! Eu disse que TODOS os meus amigos da escola estavam e eu fui ficando... ficando! Os meus olhos cada vez mais abertos... perdi o sono!

Enquanto falava, Mary escorregava pela cadeira da mesa que servia um farto café da manhã com suco de laranja puro, donuts, pães e seus acompanhamentos prediletos: requeijão, manteiga, queijo e peito de frango fatiados. Tudo colocado com capricho numa linda toalha de mesa com bordas azuis e flores arroxeadas no centro.

Mary, sabe o que eu vou fazer?, perguntou a mãe.

Não! Nãããão! Por favor! Por favorzinho!, suplicou a filha, mas Ellen a impediu que dissesse mais qualquer outra coisa.

- Eu declaro aberta a semana de confisco ao celular. Todo dia, quando voltarmos juntas da escola, o seu aparelho ultramoderno ficará sob meus cuidados. Seja solene ao avisar aos seus amiguinhos da live! Agora, encerro o meu pronunciamento a respeito do assunto. –concluiu Ellen enquanto enchia um copo d´água diante do filtro branquinho.

Mary sabia que não deveria abrir mais o bico, pois a mãe dela era a lei em casa. Benjamin, era dono do posto de amado papai Winsherburg, mas também sabia que, no final das contas, quem sacudia as rédeas com as meninas, era Ellen. Nunca ninguém ousava contestar.

Mamãe é chata, mas sabe o que é melhor. Ao menos é o que vivem dizendo Lolita e Samantha, pensou Mary enquanto degustava seu pão com muito requeijão, uma fatia de queijo e duas de peito de frango.

* * * 

Lola gargalha e aponta com uma das mãos para Sam, embora segure a barriga com a outra mão, enquanto se curva, mesmo estando sentada na cadeira do escritório que as duas dividiam.

- Não! Você não tem moral para me repreender por ter chorado com a cena de Ferris Buller no desfile de “Curtindo a Vida Adoidado”, Sam! Tu não tem mesmo!, sentenciou Lola.

Lola, que reclama sentir dor nas bochechas de tanto rir, completa:

- Maninha, tu chora sempre quando assiste o final de “Guardiões da Galáxia Vol. 2”. Gosta tanto assim do Yondu, é? Ou fica derretida pelo baby Groot quando ouve “Father and Son” no colinho de Peter Quill?

Lola era do tipo impaciente e séria, mas com Samantha ela agia diferente. Ela se soltava, era mais livre como se pudesse ser como gostaria, mas tinha medo. Afinal, desde criança na escola, para todos, Lola era a irmã estudiosa e centrada, enquanto que Sam era sonhadora até. Ah, Petra que o diga! As tristes histórias escolares das gêmeas foram marcadas por essa garota com coração de pedra.

Com cara emburrada, mas querendo rir, Sam rebate:

- Tá! Tá! Aguarde a sua hora vai chegar! Nada como um dia após o outro, Lolinha querida.

De repente, um vento forte invade a agência, enquanto um barulho ensurdecedor vem junto com um clarão.

* * * 


*~~~~ Capítulo 2: "As Winsherburgs" em "Parte 1: Anjos choram" ~~~~*

*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura, licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos e formada em Pedagogia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Twitter: @maryellenfsm

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.: "Era Uma Vez em... Hollywood", a estreia de Tarantino na literatura

O aclamado diretor Quentin Tarantino estreia na literatura com o livro "Era Uma Vez em… Hollywood", lançado no Brasil pela editora Intrínseca. Após uma década de trabalho mediana, Rick Dalton acha difícil engolir a ideia de que a indústria cinematográfica passa muito bem sem ele, obrigado. 

Sentindo que sua carreira de ator está cada vez mais próxima do fim e mergulhado em uma crise existencial, Rick está disposto a se submeter ao lobby cruel de Hollywood para tentar adiar sua ruína. 

Cliff Booth, seu dublê e melhor amigo, também começa a perder oportunidades, mas não necessariamente por causa do declínio do chefe. Booth, que pode ter matado a própria esposa e escapado da cadeia, é visto como assassino em quase todos os sets de filmagem. 

Mas o condecorado veterano da Segunda Guerra Mundial, mais bonito do que a maioria dos galãs, segue manobrando seu destino pelas curvas de Hollywood Hills, em meio às hordas de hippies… que em 1969 estão por toda parte e nem sempre pregando a paz e o amor. 

Um grupo de adolescentes liderado por um aspirante fracassado a astro do rock, por exemplo, vem espalhando destruição e ódio. "Era Uma Vez em… Hollywood" é uma leitura de fôlego, com ritmo de humor e recheada de pérolas sobre a era de ouro do cinema. 


Sobre o autor
Quentin Tarantino
faz sua aguardada estreia na literatura com "Era Uma Vez em… Hollywood". Dono de uma imaginação vibrante, ele é um dos maiores  expoentes do cinema de sua geração. Estreou como diretor em 1992 com "Cães de Aluguel" e em seguida escreveu, dirigiu e estrelou um de seus filmes mais adorados, "Pulp Fiction", com o qual ganhou seu primeiro Oscar de Melhor Roteiro.

Depois dos aclamados "Jackie Brown", "Kill Bill Volumes 1 e 2" e "À Prova de Morte"Tarantino lançou seu épico sobre a Segunda Guerra Mundial, "Bastardos Inglórios", e "Django Livre" — com o qual ganhou seu segundo Oscar de Melhor Roteiro. Seu trabalho mais recente, "Era Uma Vez em… Hollywood", foi indicado a cinco Globos de Ouro, dez Baftas e dez categorias do Oscar.

.: "Escola de Contos Eróticos para Viúvas" chega às livrarias


Com história picante e empoderada, "Escola de Contos Eróticos para Viúvas" chega às livrarias pelo selo Essência. Obra da autora Balli Kaur Jaswal foi escolhida para o clube de leitura da atriz Reese Witherspoon e pelo clube TAG Inéditos.

Lançamento pelo selo Essência, "Escola de Contos Eróticos para Viúvas", da autora Balli Kaur Jaswal, conta a história de Nikki, filha de imigrantes indianos que passou a maior parte de seus vinte e tantos anos distanciando-se da tradicional comunidade sikh em que nasceu, preferindo uma vida mais independente e, em outras palavras, ocidental.

No entanto, após a morte repentina de seu pai, sua família acaba ficando com problemas financeiros. Nikk largou a faculdade de direito e mesmo sem ter encontrado seu propósito na vida, se sente na obrigação de ajudar a mãe e a irmã. Ela encontra então uma oportunidade perfeita de um trabalho extra: dar aulas de escrita criativa em um centro comunitário no coração da comunidade punjabi, em Londres.

Quando chega lá, percebe que as viúvas sikh que serão suas alunas precisam primeiro aprender inglês para escrever pequenas cartas e ler placas... e não contos literários. Frustrada, Nikki duvida que seja apta a essa tarefa. Porém, ao notar uma das mulheres compartilhando um livro de contos eróticos com a turma, Nikki percebe que, por baixo de suas vestimentas brancas, suas alunas escondem uma enorme riqueza de fantasias e memórias. Logo, Nikki e as viúvas embarcam em uma jornada juntas, contando e escrevendo essas histórias que estavam guardadas dentro delas.

Sobre o autor
Balli Kaur Jaswal já participou de diversos festivais literários internacionais, além de realizar diversos workshops e palestras. Ex-aluna da Universidade de East Anglia, Jaswal ensinou Escrita Criativa no Yale-NUS College e na Nanyang Technological University, onde atualmente cursa doutorado. "Escola de Contos Eróticos para Viúvas" é seu terceiro romance e foi escolhido para o clube do livro de Reese Witherspoon em 2018, além de ter sido publicado pelo clube brasileiro TAG Inéditos. Os direitos de tradução foram vendidos para mais de dez países e no cinema foram adquiridos pela produtora de Ridley Scott.


O que Reese Witherspoon disse sobre o livro
"Essa é uma história sobre a libertação de mulheres de todas as idades, e sobre o empoderamento necessário para que possam expressar seus desejos, seus sonhos e o que faz com que elas se sintam bem. Acima de tudo, é um livro sobre como mulheres de diferentes gerações podem se unir para mudar suas comunidades." Reese Witherspoon, atriz de "Big Little Lies", "Pequenos Incêndios por Toda Parte" e "Legalmente Loira".


Ficha técnica:
Título: "Escola de Contos Eróticos para Viúvas"
Autor: 
Balli Kaur Jaswal
Editora:
Planeta
Selo: Essência
Páginas: 304
Link na Amazon: https://amzn.to/3ghSr4O

.: Em novo livro, Don DeLillo reflete sobre dependência tecnológica

“Um romance apocalíptico para os nossos tempos”, assim definiu o jornal The Guardian sobre o romance "O Silêncio", de Don DeLillo. Em um livro que radicaliza o caráter especulativo de sua ficção, o premiado escritor americano traz notícias de um mundo perplexo diante da velocidade das mudanças que nos fazem questionar certezas sobre cultura, tecnologia e identidade.

Em um dia de 2022, ao sofrer as consequências de um evento misterioso que causou pane em aviões, apagou telas de celulares e tornou inviável a civilização como a conhecemos, os personagens de "O Silêncio" — um casal que escapou de um desastre aéreo, um jovem professor de física, a ex-professora dele e seu marido fã de apostas — refletem sobre morte e sobrevivência, verdade e representação, tempo e segurança.

No passo lento e vertiginoso de sua prosa, um realismo tão acurado quanto distorcido no qual os ambientes não são bem ambientes, os diálogos não são bem diálogos, os sentidos da história parecem às vezes tão claros e às vezes tão distantes, impalpáveis, Don DeLillo dá ao romance o poder de dizer o indizível — e assim, quem sabe, reverter a impressão de que “o mundo é tudo, o indivíduo, nada”.

Sobre o autor
Don DeLillo nasceu em Nova York, em 1936. Sua obra inclui romances, contos e peças de teatro. Em 1985, recebeu o prestigioso National Book Award por Ruído branco. Também foi agraciado com o PEN/Faulkner Award e o Library of Congress Prize for American Fiction. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão "Os Nomes" (1982), "Submundo" (1997) e "Zero K" (2016), todos publicados pela Companhia das Letras.

Ficha técnica
Livro: 
"O Silêncio"
Autor: 
Don DeLillo
Tradução: Paulo Henriques Britto
Número de páginas:
112
Editora: Companhia das Letras
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Conversa com Don DeLillo


.: Obra máxima de Lévi-Strauss, marca abordagem do pensamento indígena


"O Cru e o Cozido" é o primeiro volume da série "Mitológicas", do antropólogo Claude Lévi-Strauss. A tetralogia será lançada pela zahar com prefácios inéditos, este primeiro escrito por beatriz perrone-moisés, tradutora da série.


Publicado originalmente em 1964, "O Cru e o Cozido" é o primeiro volume da extraordinária série Mitológicas, de Claude Lévi-Strauss. Partindo do mito de referência do “desaninhador de pássaros”, colhido entre os Bororo do Brasil Central, o autor vai aos poucos mobilizando centenas de narrativas de todo o continente americano. 

São mitos que falam da passagem da natureza à cultura, do contínuo ao descontínuo, e revelam uma lógica nada arbitrária de ver e pensar o mundo, que se expressa não por categorias abstratas — como os conceitos utilizados pela ciência —, mas por categorias empíricas como cru, cozido, podre, queimado, silêncio, barulho.

Ao desvelar a singularidade e a riqueza de um pensamento extremamente sofisticado e original, a obra de Lévi-Strauss lança luz sobre a inestimável contribuição da mitologia ameríndia para o conhecimento.

"O Cru e o Cozido" inaugura a edição dos quatro volumes das Mitológicas na Zahar, com prefácios inéditos elaborados por estudiosos da obra de Claude Lévi-Strauss. O primeiro deles, publicado agora, é de Beatriz Perrone-Moisés, tradutora da série. Os volumes seguintes, com lançamentos previstos até o próximo ano, serão  "Do Mel às Cinzas", com prefácio de Oscar Calavia Sáez; "A Origem dos Modos à Mesa", com prefácio de Renato Stutzman; e "O Homem Nu", com prefácio Manuela Carneiro da Cunha.

“Dessa obra mestra pode-se dizer muita coisa — e sempre haverá mais. O fato é que só pode ser apreciada e fazer sentido na execução — como música. É preciso que cada leitora e leitor execute com Lévi-Strauss cada passagem do texto, tendo como instrumento sua mente, feita ‘lugar vazio onde algo acontece’.” — Do prefácio inédito de Beatriz Perrone-Moisés, tradutora da série.

Sobre o autor
Claude Lévi-Strauss (1908-2009) foi um dos maiores nomes das ciências humanas no século XX. Criador da antropologia estrutural, escreveu obras fundamentais como Tristes trópicos, O pensamento selvagem e a tetralogia Mitológicas, dedicada aos mitos dos povos indígenas americanos.


Ficha técnica
Livro: 
"O Cru e o Cozido"
Autor: Claude Lévi-Strauss
Tradução: Beatriz Perrone-Moisés
Número de páginas:
512
Tiragem: 3 mil
Link na Amazon: https://amzn.to/3vR5PUd



domingo, 6 de junho de 2021

.: "Doramar ou A Odisseia" o novo livro de Itamar Vieira Junior, de "Torto Arado"


Em junho, Itamar Vieira Junior, autor do celebrado romance "Torto Arado", retorna à cena com histórias envolventes e emocionantes de personagens que não aceitam as condições de um Brasil paralisado na história.

Quem se deslumbrou com a maestria narrativa, a sólida e delicada construção de personagens, a linguagem apurada e a temática brasileira de "Torto Arado", romance que converteu Itamar Vieira Junior em um dos nomes centrais da literatura contemporânea, vai encontrar neste "Doramar ou A Odisseia: Histórias" ainda mais motivos para celebrar a ficção do autor. Consdiderado pelo consagrado Milton Hatoum como um dos escritores mais talentosos da nova geração, Itamar Vieira Junior volta com contos.

E não são mesmo poucas as razões. Num diálogo permanente com nossas questões sociais e a tradição literária brasileira, Itamar enfeixa um conjunto de histórias a um só tempo atuais e calcadas na multiplicidade de culturas que formam o país: negros, indígenas, ribeirinhos, a força inesgotável das mulheres, as religiões de matriz afro, a sabedoria ancestral dos povos originais.

Parte dos textos deste volume foram publicados em "A Oração do Carrasco" (2017), finalista do Prêmio Jabuti em 2018. A estes, foram acrescidos outros, inéditos em livro. Lidos na sequência, atestam a vitalidade de um escritor que encontra uma boa parcela de inspiração em personagens que desafiam os limites que lhes foram impostos e abraçam a existência em toda a sua plenitude.

Assim, contos como “A Floresta do Adeus”, “Voltar” e a história que dá título a este volume falam, com sensibilidade, de personagens femininas que enfrentam as condições mais adversas. Outros, trazem luz sobre nosso passado escravocrata, evocam a cultura afro-brasileira (“Farol das Almas”, “Alma”), a ancestralidade indígena (“O Espírito Aboni das Coisas”), a marginalidade e a loucura (“Manto da Apresentação”, sobre o artista Arthur Bispo do Rosário). E há espaço inclusive na imaginação de Itamar para uma história como “Na Profundeza do Lago”, em que algo de gótico se insinua pelas franjas da trama.  Com este "Doramar ou A Odisseia: Histórias", o autor prova, mais uma vez, que está construindo uma das obras mais fecundas da língua portuguesa.


O autor
Itamar Vieira Junior nasceu em Salvador, em 1979. Seu romance "Torto Arado" (Todavia, 2019) venceu os prêmios Leya, Oceanos e Jabuti.


Ficha técnica:
Livro: "Doramar ou A Odisseia: Histórias"
Autor: Itamar Vieira Junior
Editora: Todavia
Gênero: ficção brasileira
Categoria: contos
Capa: Elisa v. Randow
Páginas: 160
Formato: 13,5 × 20,8 × 1,0 cm
Peso: 220 gramas
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.: A reedição especial de "As Mulheres de Tijucopapo", de Marilene Felinto


Ubu lança nova edição de romance emblemático de Marilene Felinto, "As Mulheres de Tijucopapo", em momento de visibilidade das lutas antirracista e feminista. Livro aponta para a excelência literária desse romance premiado, com prefácio inédito da escritora Beatriz Bracher, posfácio da pesquisadora Leila Lehnen e fortuna crítica com ensaios e resenhas de Ana Cristina Cesar, João Camillo Penna, José Miguel Wisnik, Marilena Chaui e Viviana Bosi. Mas é a nova geração, engajada nas lutas feminista e antirracista, que se apropriará do romance. Um livro para ser lido hoje. 

A potência da linguagem da escritora e tradutora Marilene Felinto se mostra mais atual do que nunca. Romance emblemático da autora, "As Mulheres de Tijucopapo" ganha nova edição, com prefácio inédito da escritora Beatriz Bracher, posfácio da pesquisadora Leila Lehnen e fortuna crítica com ensaios e resenhas de Ana Cristina Cesar, João Camillo Penna, José Miguel Wisnik, Marilena Chaui e Viviana Bosi.

Escrito em 1982, quando a autora tinha 22 anos, o livro narra a viagem de retorno da narradora Rísia a Tijucopapo, localidade fictícia onde sua mãe nasceu, que evoca a história real de Tejucupapo, no Pernambuco. No século XVII, a cidade foi palco de uma batalha entre mulheres da região e holandeses interessados em saquear o estado. Nas entrelinhas de "As Mulheres de Tijucopapo", conta-se a história das mulheres guerreiras de Tejucupapo.

O livro se constrói como um fluxo de consciência literário cujo teor histórico, feminista e antirracista se evidencia no trajeto que a narradora faz de volta a essa terra mítica, iluminando as contradições inerentes à sociedade e à cultura multirracial brasileira. Nas palavras da poeta Ana Cristina Cesar, a narrativa autobiográfica é "traçada em ziguezague, construída toda em desníveis, numa dicção muito oral, atravessada de balbucios, repetições, interrupções, associações súbitas".

Em trajeto reflexivo, a personagem vai em busca das origens, para assimilar as experiências da infância e a dor da diferença vivida na capital paulista. Quanto mais ela se aproxima de Tijucopapo, mais perto chega de se tornar, ela própria, uma mulher de Tijucopapo. A força das guerreiras pernambucanas é a imagem invertida da fraqueza de Rísia, menina pobre de muitos irmãos, que se refugia na gagueira por impossibilidade de exprimir seu ódio.

A obra rompe com definições normativas, ocupando um espaço novo entre a narrativa ficcional, o depoimento pessoal e o discurso poético. De acordo com Caio Fernando Abreu, "com voz inconfundível, sensibilidade, talento e precisão, a autora demarca um território novo na literatura brasileira".


Sobre a autora
Marilene Felinto nasceu em Recife, em 1957, foi criada em São Paulo e é formada em Letras pela USP. Seu primeiro romance, "As Mulheres de Tijucopapo", lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Autor Revelação (1983) e o prêmio de Melhor Romance Inédito da União Brasileira de Escritores (1982) e foi traduzido para o inglês, o francês, o holandês e o catalão. Felinto tem outros romances publicados, coletâneas de contos e ensaios diversos, entre eles "Autobiografia de Uma Escrita de Ficção", ou "Porque as Crianças Brincam e os Escritores Escrevem" (ed. de autora, 2019); "Fama e Infâmia: Uma Crítica ao Jornalismo Brasileiro" (ed. de autora, 2019); "Contos Reunidos" (ed. de autora, 2019); "Sinfonia de Contos de Infância" (ed. de autora, 2019); "Obsceno Abandono" (Record, 2002); "Jornalisticamente Incorreto" (Record, 2000); "O Lago Encantado de Grongonzo" (Imago, 1992); "Outros Heróis e Este Graciliano" (Brasiliense, 1983). 

É também tradutora do inglês (Edgar Allan Poe, Virginia Woolf, Ralph Ellison, Tom Wolfe, Richard Burton, entre outros). Foi escritora convidada da Universidade da Califórnia, Berkeley (Estados Unidos, 1992), da Haus der Kulturen der Welt (Alemanha, 1994), do Ministério da Cultura da França (1998), da Universidade de Utrecht (Holanda, 2012) e da Universidade de Coimbra (Portugal). Atuou em órgãos de imprensa, como a Folha de S.Paulo e a revista Caros Amigos. Foi autora convidada da Feira Literária Internacional de Paraty 2019 e do Festival de Literatura Latino-Americana 2019, em Houston e San Antonio, nos Estados Unidos.

Trechos do livro

"Só sei que minha mãe nasceu em Tijucopapo. Lugar de lama escura. O resto, mistério, nem ela sabe. Só eu que sei."

"Me disseram que eu vivo é em guerra. Em pé de guerra. E vivo mesmo, e acrescento que vivo em batalha, em bombardeio, em choque. E só vou conseguir sossegar quando matar um."

"Minha mãe foi dada numa noite de luar. Minha vó não podia. Era o seu décimo e tanto filho. Não podia matar mais um daquela fome que era toda de farinha e charque e falta d'água."

"Parar de brincar é parar de viver. Eu parei de brincar muitas vezes por causa de mamãe. Mamãe foi quem me deu a vida e a morte. Mamãe me cansava de indiferença, mamãe era uma merda."

"E o meu sentimento-choro era de que: para onde iam aqueles barcos que eu não podia ir? A palavra 'coisa' é a própria indefinição de tudo."

"O entardecer é o desembocar de todas as ausências. É o vento soprando saudade e dores. Não sei como ainda não morri. Mas estou morro não morro. E acho que é mesmo no entardecer que desemboco a morrer, cada tarde um bocado."

"Quando você morreu eu vou fazer uma elegia. Não me levanto em crer. Quando você morreu eu vou buscar, em todas as fotos de antes, os meus sorrisos. Não terei mais risos? Quando você morreu eu choro minhas lágrimas de sal. E o mar estronda lá mas eu queria que fosse aqui dentro de mim. E que eu engolisse ondas d'água para esse vazio, oco, seco. Quando você morreu eu desembesto campina afora como égua acuada. E, ironia, eu corro de novo a liberdade das minhas pernas de égua. Não quero mais o mundo e ninguém."

"Hoje estou tomada por um asco ao mundo. Há uma ânsia de vômito inerente a mim; é ela manifestar-se como hoje e todos os cheiros me fazem pior. Não posso com cheiro de nada."

"No meu caminho há babaçus e mocambos. Não sei direito por que vou aqui afora, talvez por minha crueldade. Quero ver flores."

"Saí de São Paulo porque lá, se eu quisesse eu não podia. Porque lá não chovia, não tinha areia, não tinha pitomba. Lá, se eu quisesse não podia. No centro da cidade de São Paulo havia concreto armado contra mim."

"Quando eu acordei havia mulheres em volta da cama onde me tinham deitado. Eu estava seminua e molhada. Havia dez mulheres minhas mães. Dez rostos de mulheres minhas mães. Tinha dez mães. Nenhuma servia. Eu estava tão fraca e desprotegida que nem dez mães serviriam. Nem dez abraços. Eu estava no lugar solitário que é o lugar de uma queda, o arraso quase que total. Nenhuma mãe serviria mais."

"Meu sentimento muitas vezes é assim de chuva, molhado, pingado. Sentimento chorado, lágrimas espessas sobre a natureza que me parece tão cruel desse mundo que não se lava, que nem chuva lava. Pois, se chovesse lá fora, eu olhando da janela, como definir esse meu sentimento senão como vindo do alto cume de mim, o meu céu, para bater, gotas grossas, no fundo de mim, o meu poço? Eu me alago e entristeço. Eu quase me sufoco nesse sentimento pluvial. Ele me escorre dos cabelos molhados e se prega em minha roupa grudando-a no corpo, ele me abandona acocorada, encharcada e tremida na encruzilhada duma esquina sem abrigo."


O que falaram sobre o livro
"Obra de trauma e triunfo, criança recém-nascida [...] que esperneia e estraçalha o céu em um canto temerário. [Marilene tem] a força inaugural de quem é capaz de se impor como escritora e de ser a primeira a atiçar as energias que poderão desencantar literariamente a sua geração." – José Miguel Wisnik

"A história de Rísia é a história de uma mulher – ou mesmo de muitas mulheres – pobres, negras, nordestinas, retirantes. Mulheres que sofrem a violência interseccional e que revidam esta violência com a força de sua criatividade." – Leila Lehnen

"Literatura é de um material como que estrangeiro, que nos separa dessa proximidade do sentimento bruto, nos descola de nós e da língua das nossas pessoas. Não é preciso [...] ‘androgenizar-se’ (como queria Virginia Woolf) para fazer grande literatura. A trip de Marilene terá direção: literária." – Ana Cristina Cesar

"[A obra] possui o raro valor de unir força de sentimento e de linguagem. É um livro comovente [...], que alterna ritmos pesados e leves, em cadência de arrebentação: espraia e reflui, arreganha ou alarga." – Viviana Bosi

"Embora seja um primeiro livro, Marilene já nasce com identidade própria. Não é uma 'estreia promissora', mas um autor com face definida, guardando em seus traços certa rispidez como a de Graciliano Ramos, aliada à paixão de dizer até o fundo (e dizer de forma cristalina o aparentemente indizível) que caracterizava Clarice Lispector." – Caio Fernando Abreu


Ficha técnica
Livro: 
"As Mulheres de Tijucopapo"
Autora: Marilene Felinto
Prefácio: Beatriz Bracher
Posfácio: Leila Lehnen
Fortuna crítica: Ana Cristina CesarJoão Camillo PennaJosé Miguel WisnikMarilena ChauiViviana Bosi
Formato: brochura
Páginas: 240
Link na Amazon: https://amzn.to/2SewXxJ

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