segunda-feira, 29 de novembro de 2021

.: "Encanto" é linda animação Disney de roteiro que não se sustenta

Por: Mary Ellen Farias dos Santos 

Em novembro de 2021


O colorido vibrante e a musicalidade dos teasers e trailers formaram a dupla perfeita para convencer o público a ir ao cinema para assistir "Encanto", a 60ª animação da Disney. E toda a alegria visual e musical fisgam o público desde o início e seguem lado a lado até a conclusão da produção que homenageia a América Latina. "Encanto" é lindo! No entanto, há um problema grave que não cria qualquer elo com quem está do outro lado da telona e deixa a sensação de ser um novo "O Galinho Chicken Little" pela história rasa e que não se sustenta.

"Encanto", da Walt Disney Animation Studios, conta a história dos Madrigal, uma família extraordinária que vive escondida nas montanhas da Colômbia, em uma casa mágica conhecida como Encanto. Os membros da família tem dons diversos, menos Mirabel, uma jovem de 15 anos que não encontra um lugar na família. Seria a falta de mágica em Maribel que pesa a aparência e não convence em toda essa jovialidade? Está mais para uma quase balzaquiana, perto dos 30.


Enquanto a animação batalha para mostrar que todos são importantes, independente de dons, ao fim, "Encanto" retorna a ponto inicial e tudo o que conta é derrubado por terra. Um exemplo, é o fato de cada personagem se sentir bem somente caso tenha um dom mágico. Quando a casa dos Madrigal vai perdendo a magia, os habitantes sofrem também. 

A irmã fortona de Maribel chega a dizer não ser ninguém sem a força. Contudo, antes do fim de 1h 49min, ela volta a erguer peso e estampa toda felicidade. E você se pergunta: e a importância de cada um sobre ser quem é independente dos dons?! A verdade é que "Encanto" engana por vezes. 

Em resumo, pode-se dizer que é a história de uma família com dons, exceto uma, Maribel, sendo que todos vivem em uma casa mágica. Não mais do que isso, pois quando Maribel consegue se entender com a irmã metidona a perfeita que faz flores mimosas, parece que irá caminhar para as diferenças entre irmãs, algo no estilo "Frozen". Ora segue pelo caminho avó e neta, o que lembra "Pocahontas", mas logo fica claro que em nada tem a ver e ainda acontece da pior forma. A vó de Maribel é uma viúva amargurada e ainda desconta tudo na sem dom. 

É impossível não se questionar sobre todo o bullying que Maribel é vítima. Aliás, "Encanto" reforça e muito a ideia de que os primeiros ataques psicológicos são feitos justamente por familiares. Daí toda a necessidade de Maribel tentar a todo custo se encaixar em algo que não é dela, ter um dom mágico, para ao menos se fazer perceber.

Outro ponto decepcionante é que o fato de uma das filhas da vovó viver com uma nuvem acima. Contudo, raramente vemos arco-íris, enquanto que temporais e muita chuva, com frequência. Geralmente, de cara feia e querendo descontar a raiva em alguém. E não é que quando a história parece valorizar todos os personagens e sua essência, a da nuvem, segue exatamente fazendo chover?! Pois é, ela seguiu sendo raivosa.

"Encanto" anima qualquer um, mas apenas pelo visual e a sonoridade. A propósito, a trilha sonora original de Lin-Manuel Miranda e a instrumental desenvolvida pela compositora Germaine Franco, é belíssima. E tudo o que se vê no filme é a incrível explosão de cores típicas da Disney, além de referências a tantos filmes de sucesso deles como "Monstros S.A", ao apresentar uma sequência de portas. Embora quase não tenha uma história, vale a pena conferir "Encanto"!

Em parceria com o Cineflix Cinemas, o Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar Shopping. O Cineclube do Cineflix traz uma série de vantagens, entre elas ir ao cinema com acompanhante quantas vezes quiser - um sonho para qualquer cinéfilo. Além disso, o Cinema traz uma série de projetos, que você pode conferir neste link.


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Twitter:@maryellenfsm


Filme: Encanto

Data de lançamento: 25 de novembro de 2021 (Brasil)

Diretores: Byron Howard, Jared Bush

Música: Lin-Manuel Miranda

Produção: Clark Spencer; Yvett Merino Flores

Idioma: inglês

Companhia(s) produtora(s): Walt Disney Pictures; Walt Disney Animation Studios

.: Milton Nascimento tem três álbuns reeditados no streaming

 

Foto: João Couto

Um dos artistas mais originais e que criou um movimento à parte na música popular brasileira, Milton Nascimento, acaba de completar 79 anos e o marketing estratégico da Sony Music não fez por menos e, dando prosseguimento ao projeto de digitalização de seu catálogo, incluindo a restauração de tapes analógicos e projetos gráficos originais, completou a discografia do artista registrada em seus estúdios nas plataformas de streaming.

Com isto, o disco mix “RPM e Milton Nascimento” (1987) e o álbum “Miltons” (1988) chegam pela primeira vez às plataformas digitais. O exponencial “Yauaretê” (1987), que até então não estava disponível em todas as plataformas digitais, poderá ser desfrutado sem quaisquer restrições ainda esse mês. A discografia do artista na Sony também passará por um processo de otimização no YouTube, a partir deste mês de novembro, para disponibilizar todas essas músicas para os usuários da plataforma.


Produzido por Márcio Ferreira, então empresário do artista, “Miltons” (1988) era mais informal e menos grandiloquente que seus álbuns mais recentes até então, tendo na banda de base, entre outros, dois velhos amigos, o tecladista Herbie Hancock e o percussionista Naná Vasconcelos (além de Robertinho Silva em duas faixas). Composto basicamente de regravações, trazia apenas duas inéditas, “River Phoenix – carta a um jovem ator”, escrita – letra e música – por Bituca para homenagear o ídolo, após ficar encantado por sua atuação no filme “Conta Comigo” – e “Sêmen”, em parceria com o saudoso Fernando Brant. As demais faixas eram regravações de obras já consagradas. 

Uma pelo 14 Bis (“Bola de Meia, Bola de Gude”, originalmente composta para o espetáculo “O Último Trem”, do Grupo Corpo, que ganhou letra de Brant a pedido do grupo, que a estourou em seu segundo álbum, de 1980), duas por Nana Caymmi (“Fruta Boa”, outra da dupla Milton e Brant, e “Sem Fim”, do baixista Novelli com o poeta Cacaso) e outra por César Camargo Mariano (que havia registrado sua parceria com Bituca “Don Quixote” em seu álbum do ano anterior, “Ponte das Estrelas”).

Milton também gravou uma adaptação livre para o standard latino “La Bamba”, que ganharia letra de seu próprio punho somente 15 anos depois, a fim de presentear sua afilhada Maria Rita (rebatizada de “A Festa”, tornou-se o primeiro sucesso da cantora). Também releu uma canção que se tornou clássica em sua própria interpretação, “San Vicente”, que lhe abriu as portas para o intercâmbio com artistas da América Latina em 72 quando a registrou no clássico álbum “Clube da Esquina”, transformando sua casa numa república livre para artistas das Américas de passagem pelo país. Finalmente, “Feito Nós”, recente parceria gravada em dueto no ano anterior com o roqueiro Paulo Ricardo, então integrante do RPM, neste álbum ganhava novo arranjo.


A propósito, em 1987 o RPM era o grupo mais popular do país, alcançando a cifra inédita de 2.500.000 de cópias do álbum “Rádio Pirata Ao Vivo”, lançado pela então CBS, hoje Sony Music. Daí que o disco mix (no formato de um LP, mas com duas faixas) “RPM e Milton Nascimento” foi um lançamento bastante festejado à época. Produzido e mixado pelo expert Mazzola, trazia a referida faixa de trabalho “Feito Nós”, com música de Milton e letra de Paulo Ricardo, numa pegada mais roqueira; e “Homo Sapiens”, com música de Paulo e letra de Milton.

No mesmo ano, Bituca – que desde 1969 mantinha em paralelo uma exitosa carreira e discografia voltada para o mercado exterior – lançava em 87 seu primeiro álbum internacional com produção fixada no Brasil (a cargo do mesmo Mazzola). A então CBS não mediu esforços para tornar “Yauaretê” um álbum de penetração mundial, já que o anterior, mesmo sem tal ambição, havia chegado às paradas da Billboard.


Agora disponível em todas as plataformas de streaming, trata-se de uma excelente oportunidade do público redescobrir parcerias vocais de Milton com Paul Simon (“Vendedor de Sonhos”) e autorais com Cat Stevens e Márcio Borges (“Mountain”) ou reouvir seu velho hit “Morro Velho” com concepção de arranjo do mago Quincy Jones. Também ouvirá os tecladistas americanos Herbie Hancock e Don Grusin, o saxofonista Wayne Shorter e o trompetista Jerry Hey passeando por suas faixas, ao lado dos nossos Robertinho Silva, Nelson Ayres, Celso Fonseca, Túlio Mourão, Rique Pantoja, Heitor T.P., do grupo Uakti, entre outros craques.

Eles ajudaram a imortalizar temas como a politizada “Carta à República” e a existencial “Meu Mestre Coração” - as faixas mais badaladas do álbum no país - , além de “Canções e Momentos”, revelada um ano antes num dueto com Maria Bethânia em seu badalado LP “Dezembros” – todas, parcerias com o onipresente Fernando Brant.

Sua discografia na Sony Music traz ainda dois álbuns interessantes, “Txai” (1990) e “O Planeta Blue na Estrada do Sol - Ao Vivo” (1991). O primeiro foi fruto de uma viagem do cantor pelo rio Juruá, afluente do rio Amazonas, a fim de descobrir sons dos povos da Floresta Amazônica, incluindo os de diversas tribos indígenas, que foram devidamente registrados no álbum, entremeados a obras autorais que os tiveram como inspiração. 

Também havia baladas românticas como “Coisas da Vida” (com Brant) e a obra-prima “A Terceira Margem do Rio”, numa parceria com Caetano Veloso, em referência ao mais famoso conto de Guimarães Rosa. Com este álbum, tornou-se até então o único artista brasileiro e conquistar o primeiro lugar na parada de World Music da Billboard, além de Músico do Ano, pela revista Downbeat em 90, pela Downbeat Reader’s Pool, em 91 e pela Downbeat Critics Pool, em 92.

Já o seu álbum ao vivo de 1991 era o registro de um show em que mergulhava num Brasil profundo e afetivo, buscando revigorá-lo por meio de canções próprias, com letras de Fernando Brant (“Vevecos, Panelas e Canelas” e “Planeta Blue”) e de compositores de sua preferência, como Tom Jobim e Dolores Duran (“Estrada do Sol”), Caetano Veloso (“Um Índio”), Chico Buarque (“Brejo da Cruz” e “Beatriz”, esta com Edu Lobo), sem esquecer do clássico atemporal “Luar do Sertão”, de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense, composta na virada do século XIX para o XX. Com essa pequena mostra de quatro álbuns e um disco mix você pode ter ao alcance de um clique o Milton latino, o Milton africano e o Milton universal. Estão todos soltos lavando a nossa alma. Como disse certa vez Aldir Blanc, “Todos os Miltons são reNascimentos”.


.: Novo podcast aborda teorias da conspiração em histórias aterrorizantes


A escritora e roteirista Paula Febbe, uma das mais importantes autoras de terror do país e que lançou recentemente seu sétimo livro, "Vantagens que encontrei na morte do meu pai", é a apresentadora do novo podcast original Spotify. "Teorias de Quinta" acompanha teorias da conspiração mais elaboradas, as famosas Creepy Pasta. O podcast é produzido pela Pod360, maior hub brasileiro de podcasts profissionais.


O podcast "Teorias de Quinta". Um original Spotify, apresentado pela escritora e psicanalista Paula Febbe, autora brasileira de diversos livros de terror, entre eles o recém-lançado "Vantagens que Encontrei na Morte do Meu Pai", publicado pela editora Darkside Books.

"Teorias de Quinta" é produzido pela Pod360 - maior hub brasileiro dedicado exclusivamente à produção e gestão de podcasts profissionais = o programa tem episódios semanais que levam ao público histórias de fantasmas, assombrações e lendas aterrorizantes, acompanhadas das teorias da conspiração mais elaboradas, as famosas Creepy Pasta.

Nesse podcast de gelar a espinha, Paula conduzirá os ouvintes para um mundo de horror e obscurantismo, atravessando o véu da sanidade para explorar o desconhecido de forma completamente absurda e bem humorada. “Pouca gente sabe, mas os autores de terror geralmente têm muito bom humor, e o 'Teorias de Quinta' mostra esse absurdo que o terror carrega e vice-versa. Diretamente das catacumbas do Spotify para os seus ouvidos”, afirma Paula Febbe, aos risos.

“Nós, que respiramos podcast na Pod360, estamos muito felizes em saber que nossa produção e conteúdo está alinhada com os objetivos criativos e estratégicos do Spotify”, comenta Felipe Lobão, sócio e head de conteúdo da Pod360. No "Teorias de Quinta", todas as quintas-feiras estreia uma nova história de arrepiar. Ou mesmo para rir muito.


Uma apresentadora aterrorizante
Paula Febbe é autora de sete livros de terror. Ela tem uma escrita brutal e bastante característica em que expõe o pior que há no ser humano, assim, na cara, sem floreios. Escolhida como um dos novos nomes do terror nacional para integrar o time da editora Darkside Books, Paula ganhou diversos prêmios no cinema com o filme de curta metragem "5 Estrelas", que co-escreveu com o diretor Fernando Sanches. Dentre eles, o Prêmio Aquisição Canal Brasil no Festival Ibero-Americano de Cinema. 

O filme também fez parte da seleção oficial do LABRFF, em Los Angeles e do Festival FANTASPOA, no ano de 2020, mesmo ano em que Paula foi a roteirista do documentário "Fetiche", de Heitor Dhalia, também inspirado por um conto da autora. Em 2021, 5 Estrelas ainda foi finalista do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

.: Autor da novela “Os Mutantes”, Tiago Santiago lança livro sobre magia


Autor de diversas novelas de sucesso, Tiago Santiago lançou o livro “Os Caminhos do Mago”, uma obra sobre a magia, na realidade. “Vivemos num universo mágico. A magia não é apenas matéria de ficção e fantasia, a magia é real, ela é a realização da vontade”, expressa o autor.

O interesse do novelista pelo tema vem de sua infância, quando queria entender por que alguns homens e mulheres conseguiam realizar milagres. Suas pesquisas sobre a magia o levaram, ainda na adolescência, à Kabbalah. “Nos estudos acadêmicos, em Sociologia e Antropologia, passei a investigar o pensamento mágico, que existe em todas as culturas humanas”, pontua.

No livro, o autor explora diversos aspectos mágicos da realidade, com o objetivo de compartilhar ferramentas para que cada leitor encontre seus próprios caminhos mágicos de realização. “Os Caminhos do Mago” narra as experiências mágicas do autor, em diversas tradições, a alquimia, o esoterismo, Helena Blavatsky, a magia de Wicca, de Abraxas, a ayahuasca, seu encontro com Paulo Coelho, a geometria sagrada, Crowley, o espiritismo, religiões de origem africana, zen, budismo, hinduísmo, xamanismo, sufismo, hassidismo, entre outras.

É um livro de filosofia, ocultismo e de autoajuda ao mesmo tempo, A obra pode ajudar o leitor a encontrar caminhos para suas realizações, sempre para o amor e o bem, sem nenhuma prática que possa fazer mal a alguém. Você pode comprar o livro neste link.


Sobre Tiago Santiago
Tiago Santiago tem uma carreira de fenômenos de audiência, desde sua estreia como roteirista, quando ajudou a escrever "Vamp", em 1991, que até hoje faz sucesso na Globoplay. Seguiram-se muitos outros sucessos em novelas da TV Globo ("Olho no Olho", "Uga Uga", "Malhação 2001", "O Quinto dos Infernos", "Kubanacan") e em programas como "Você Decide", do qual foi coordenador de roteiros durante muitos anos.

Na TV Record, o autor tirou a emissora do patamar de zero pontos de ibope, com a novela anterior, para o pico de 25 pontos de audiência, com a nova versão de "A Escrava Isaura", e 30 pontos, com "Prova de Amor", até hoje a novela de melhor média de audiência da Record, atualmente em sua terceira reprise, de novo chegando a pontuar na liderança, assim como aconteceu também com a trilogia de novelas "Os Mutantes".

Tiago Santiago credita o sucesso em TV, que lhe rendeu um contrato milionário com o SBT, durante alguns anos, a toda a grande experiência acumulada, com histórias encantadoras, inspiradas em clássicos e na vida real, com interesses para todas as gerações. Quase todos os trabalhos de Tiago Santiago em TV foram fenômenos de audiência, voltados para as grandes questões humanas, e isso os mantêm atuais, mesmo com o passar do tempo.

O autor não descarta voltar a escrever para a TV no Brasil, mas resolveu dar uma guinada em sua vida, em busca de expandir a carreira internacional. Reside há alguns anos em Los Angeles, onde tem projetos em desenvolvimento, na indústria de Hollywood. Decidiu lançar livros porque é apaixonado pela literatura, e acredita que os livros têm mais poder do que as novelas, para perpetuar suas mensagens. Como contador de histórias, o autor acredita que tem a missão de compartilhar conhecimento, ao lado do bom entretenimento.

"Os Caminhos do Mago"
Autor: Santiago, Tiago
Ano: 2021
173 páginas
Editora: TXS
Você pode comprar o livro neste link.



.: Mauricio de Sousa Produções vence 3 categorias do Oscar dos Quadrinhos

A Mauricio de Sousa Produções (MSP) será premiada em três categorias na 33ª edição do Troféu HQMIX, considerado o “Oscar” dos quadrinhos no Brasil. A premiação aconteceu em 27 de novembro, às 19h, de forma virtual, com transmissão no canal do YouTube da Unidade do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP.

A MSP foi a vencedora dos prêmios: Publicação Infantil ("Cascão - Temporal"), Publicação de Clássico ("Cebolinha 60 Anos - Dono da 'Lua'") e Publicação Juvenil ("Jeremias - Alma"). Neste ano, os vencedores do HQMIX receberam o troféu “Bruxinha”, personagem da desenhista e escritora Eva Furnari, que foi esculpido pelo artista Wilson Iguti. O evento será apresentado por Serginho Groisman, padrinho da premiação, e pela dupla Gual e Jal, criadores do troféu.


"Cascão - Temporal"
Quando seus pais viajam para um cruzeiro, só resta ao Cascão passar três dias na casa de seu tio "esquisito" Gerson. E, para piorar as coisas, a previsão é de muita, muita chuva. Em Temporal, Camilo Solano faz uma releitura do clássico personagem de Mauricio de Sousa, numa história repleta de surpresas, aventuras, imaginação e descobertas. Você pode comprar o livro neste link.

"Cebolinha 60 Anos - Dono da 'Lua'"
Desde a sua estreia, em 1960, o menino franzino, com cabelos espetados e mente inquieta viveu tantas aventuras que seria praticamente impossível colocar em palavras! Seus planos infalíveis surgiram nas tiras de jornais, passaram por tabloides até que ganhassem sua própria revista! E nunca mais deixou de se meter nas mais diversas confusões ao lado de toda a Turminha! Pode-se dizer que mesmo antes de atingir seu maior objetivo, que é se tornar o Dono da Rua, ou melhor, Dono da “Lua”, Cebolinha conquistou o mundo! E nada mais justo que uma edição mais que especial para celebrar sua incrível trajetória! Você pode comprar o livro neste link.


"Jeremias - Alma"
Rafael Calça e Jefferson Costa, vencedores do Prêmio Jabuti, na categoria Histórias em Quadrinhos, retornam ao Jeremias numa trama emocionante sobre ancestralidade, racismo, merecimento e histórias. Sejam elas fictícias ou de vida. O clássico personagem de Mauricio de Sousa ganha mais um capítulo de sua bela e forte releitura. Você pode comprar o livro neste link.



.: Estúdio 41 apresenta "Luz Teimosa", com fotografias da Galeria Utópica


A partir de terça-feira, dia 30 de novembro, o Estúdio 41 recebe a exposição "Luz Teimosa", uma seleção de 44 fotografias de 14 fotógrafos representados pela Galeria Utópica (antiga FASS), espaço que se ocupa em pesquisar a fotografia moderna, a ligação entre fotografia e literatura, o fotojornalismo e vários outros assuntos atiçados pela curiosidade e contribuições de seus colaboradores e parceiros. Essa é a terceira mostra do Estúdio 41, inaugurado em agosto de 2021. Foto: Fernando Lemos | "Luz Teimosa"

A partir desta terça-feira, dia 30 de novembro, o Estúdio 41 recebe a exposição Luz Teimosa, uma seleção de 44 fotografias de 14 fotógrafos representados pela Galeria Utópica (antiga FASS), espaço que se ocupa em pesquisar a fotografia moderna, a ligação entre fotografia e literatura, o fotojornalismo e vários outros assuntos atiçados pela curiosidade e contribuições de seus colaboradores e parceiros. Essa é a terceira mostra do Estúdio 41, inaugurado em agosto de 2021.

"Luz Teimosa" é a primeira de um projeto contínuo do Estúdio 41 que trará, anualmente, acervos fotográficos de outras galerias brasileiras. Segundo o curador da mostra, o escritor Diógenes Moura, a ideia é oferecer ao público a oportunidade de contemplar a seleção de um determinado acervo a partir do olhar de um outro espaço. "É a possibilidade de uma outra leitura, como se fossem novas páginas de um livro a partir dessa seleção", argumenta. Os fotógrafos que constam na exposição Luz Teimosa são Annemarie Heinrich, Fernando Lemos, German Lorca, Wilhelm von Plüschow, Jean Manzon, Luiz Carlos Barreto, Martín Chambi, Miro, Wilhelm von Gloeden, Guillermo Srodek-Hart, Guadalume Miles, Juca Martins, Hiroshi Watanabe e Carlos Moreira

O título da exposição, "Luz Teimosa", é também o nome de uma das cinco fotografias de Fernando Lemos (1926 - 2019) que compõem a mostra. "Ela é uma fotografia profundamente literária; tem a ver com o desejo de um fotógrafo de enxergar o que está do outro lado, algo que só é possível quando se tem luz", argumenta Diógenes, reforçando que Lemos foi um fotógrafo e poeta de nome definitivo na história da fotografia. "Luz Teimosa é a poética de Fernando Lemos e todas as declinações, desejos e possibilidades para alguém que leia esse título possa criar", afirma.

A seleção de fotografias que compõem a mostra cria novas relações entre as imagens do acervo da Galeria Utópica, possibilitando que o público conheça as obras curadas por um escritor, editor e curador de fotografia. É necessário lembrar que um dos intuitos do Estúdio 41 é reforçar a profunda ligação entre fotografia, imagem e literatura.

No dia 9 de dezembro, quinta-feira, 18h, Diógenes se reúne com Pablo de Giulio, fundador da Galeria Utópica, para uma conversa aberta ao público no Estúdio 41. Atualmente, a Utópica representa as obras de 17 fotógrafos. Além deles, seu acervo conta com obras de mais de 30 artistas consagrados, como os brasileiros Luiz Carlos Barreto e Voltaire Fraga.

Estúdio 41
Um espaço voltado à reflexão e discussão sobre o fazer artístico da fotografia. Esse é o mote do Estúdio 41, projeto que ocupa o conjunto 41 do prédio 1254 da Rua Pedroso Alvarenga, no Itaim Bibi, zona sul de São Paulo. Com direção artística do curador e escritor Diógenes Moura e comandado pela fotógrafa Dani Tranchesi e sua sócia Paula Rocha, o novo espaço cultural vai apresentar projetos de fotógrafos emergentes e consagrados em uma programação de exposições, exibição de filmes, lançamento de livros e conversas sobre a linguagem fotográfica.


Serviço:
"Luz Teimosa"
Período expositivo:
30 de novembro de 2021 a 8 de janeiro de 2022
Endereço: Rua Pedroso Alvarenga, 1254, cj 41, Itaim Bibi
Funcionamento: terça a sexta, das 13h às 18; e sábados, das 11h às 13h, com horários agendados via Whatsapp: 55 11 99452 3308.

Conversa com o fotógrafo e galerista Pablo de Giulio e o curador Diógenes Moura
Quando:
9 de dezembro, quinta-feira, às 18h
Lotação: 15 pessoas
Presencial e gratuita

domingo, 28 de novembro de 2021

.: #ResenhaRápida: Catharina Conte atriz, diretora e ex-“Futuro Ex-Porta”

Depois de ler a entrevista exclusiva com Catharina Conte, você vai querer que ela seja a sua melhor amiga. Foto: Victoria Venturella

Radicada em Londres desde 2018, Catharina Conte é uma atriz e diretora que resolveu se aventurar no reality show "Futuro-Ex-Porta"do grupo Porta dos Fundos. “Acho que eu me colocaria mais no jogo, não chegaria tão tímida e arriscaria mais, cheguei muito como atriz e menos como comediante. Foi minha primeira inserção na comédia, mas já aprendi tanto! Eu faria tudo de novo mil vezes. Agora não quero mais parar!”, diz ela sobre a bem-sucedida participação no programa.

Mas a carreira dela não se resume à participação no reality. Catharina Conte já atuou  em espetáculos como "Closed Lands", que lhe rendeu elogios da crítica especializada. Também na Inglaterra, estreou no "Southwark Playhouse", em agosto de 2021, quando dirigiu “The Sky Five Minutes Before a Storm'' (O Céu Cinco Minutos Antes da Tempestade), da brasileira Silvia Gomez. Atualmente, escreve e protagoniza a microssérie "Fragmentada", no YouTube, Instagram e TikTok, que discute temas como sexualidade, feminismo, diferenças culturais e TDAH. Com tantas experiências e talentos, Catharina chamou a atenção do Resenhando.com e agora estrela, também, o panteão de entrevistados do #ResenhaRápida. 

#ResenhaRápida com Catharina Conte

Nome completo: Catharina Cecato Conte.
Apelidos: Catha, Cath, Cathinha (risos).
Data de nascimento: 18 de julho de 1991.
Altura: 1,70m.
Qualidade: criatividade hiperfocada.
Defeito: ansiedade e desorganização.
Signo: câncer.
Ascendente: aquário.
Religião: Religião da Fé na Deusa do Acaso e na confiança nos Mistérios da Vida.
Time: gremista por pura e espontânea pressão do meu pai.
Amor: aceitar o pior de si para se abrir para o outro.
Sexo: uma parte importante do encontro comigo mesma e a alegria de ter um corpo!
Mulher bonita: Michaela Coel.
Homem bonito: Caetano Veloso na época de "Transa", ninguém ganha dele.
Família é: a conexão maior com a origem de tudo.
Ídolo: Miranda JulyMichaela Coel, Phoebe Waller Bridge.
Inspiração: mulheres criativas que escrevem, dirigem e fazem seus trabalhos autorais acontecer.
Arte é: um espaço onde novos pensamentos e visões de mundo podem nascer, mas há que se ter vontade de abrir os olhos.
Brasil: o melhor país do mundo nas mãos das piores pessoas do mundo.
Fé: necessária.
Deus é: o incompreensível, o inominável que eu busco. Como a utopia de Galeano: dou dois passos, ele se afasta dois passos, mas existe para que eu continue andando. E eu sigo.
Política é: tudo que nos rodeia como sociedade.
Hobby: fazer vários nadas sem hora para acabar.
Lugar: Lisboa.
O que não pode faltar na geladeira: uma cerveja bem gelada.
Prato predileto: uma massa bem cheia de molho vermelho e queijo!
Sobremesa: SORVETE!
Fruta: morango.
Bebida favorita: cerveja IPA, suco de laranja ou vinho.
Cor favorita: esmeralda.
Medo de: fracassar, de não tentar, de estancar. De me arrepender.
Uma peça de teatro: "In On It" foi um espetáculo que me marcou muito quando assisti. Mas também não sai da minha cabeça a Glen Close em "Sunset Boulevard", que assisti em NY. Foi absurdo.
Um show: o melhor show da minha vida foi da Ivete Sangalo em um planeta Atlântida quando eu era adolescente (risos).
Um ator: Wagner Moura, Gabriel Leone, Michel Melamed, Fabio Porchat, Clive Owen, Joaquin Phoenix.
Uma atriz: Letícia Colin, Barbara Paz, Georgette Fadel, Glenn Close, Cate Blanchett.
Um cantor: Caetano Veloso mil vezes.
Uma cantora: aqui no Brasil eu amo a Luísa Sonsa, acho que ela tá arrasando. Gloria Groove, Liniker, Elis Regina e Cássia Eller.
Um escritor: Milan Kundera e Valter Hugo Mãe
Uma escritora:
ando encantada com o trabalho da escritora Clara Corleone. Mas adoro Alice Ruiz, Ana Cristina Cesar, Alexandra Pizarnik, Clarissa Pinkola. Estes... Escritora boa é o que não falta.
Um filme: "Closer"; "Inside", "Cisne Negro", qualquer um que fale sobre algum personagem perturbado.
Um livro: "A Insustentável Leveza do Ser", Milan Kundera
Uma música: atualmente, meu hino tem sido "GIGANTESCA", da Mariana Volker.
Um disco: "Pearl", da Janis Joplin. Apaixonada.
Um personagem: Fleabag.
Uma novela: "O Clone" EU AMAVA!
Uma série: "I May Destroy You", da Michaela Coel.
Um programa de TV: adoro esses programas de humor da TV brasileira hoje, "Lady Night", "Que História É Essa, Porchat?", "Dani-se"… E, na internet, "Diva Depressão", amo.
Uma saudade: de ser um bebê e poder caber no colo de minha mãe.
Algo que me irrita: gente que culpa os outros e o mundo por tudo em vez de buscar a sua parte na questão.
Algo que me deixa feliz é: pensar que vou ser mais feliz do que consigo imaginar.
Uma lembrança querida: eu com meu pai, um dia antes de ele sair de casa, quando meus pais se separaram. Chorávamos em silêncio, mas foi um momento de muita conexão.
Um arrependimento: não ter passado mais tempo com o meu irmão enquanto ele estava vivo.
Quem levaria para uma ilha deserta? Atualmente, levaria minha amiga Julie, ela é a melhor planner que já conheci e simplesmente só ela poderia ser capaz de nos tirar de lá.
Se pudesse ressuscitar qualquer pessoa do mundo quem seria e por quê? Janis Joplin! Queria tomar um trago com ela e indicar um antidepressivo também.
Se pudesse fazer uma pergunta a qualquer pessoa do mundo, seria... Ando obcecada com a série "Impeachment", então eu perguntaria para a Monica Lewinsky de onde ela tirou a força que teve pra superar o grande slut shaming que sofreu nos anos 90.
Não abro mão de: meu tempo sozinha. Amo estar com os outros, mas preciso do meu tempo comigo mesmo pra organizar os pensamentos e desejos e vontades.
Do que abro mão: balada eletrônica. Não faço menor questão.
Um talento oculto: desenhar, cozinhar, costurar. Eu sou ótima em trabalhos manuais.
Você tem fome de quê? Acolhimento.
Você tem nojo de quê? Arrogância.
Se tivesse que ser um bicho, eu seria: uma cachorrinha louca por um carinho, certo.
Um sonho: estar em um set de filmagem com pessoas que admiro e pensar “quem diria, hein, Catharina? Sabia que ia dar tudo certo”. Ainda sei que vai se realizar.
Humor em uma palavra: distorção.
"Porta dos Fundos" em uma palavra: crítica.
Teatro em uma palavra: poesia.
Televisão em uma palavra: festa.
O que seria se não fosse artista: uma pessoa que sonha ser artista.
Ser artista é: assumir que a criação, meu corpo e meu eu são subsídios para meu trabalho. E é delicioso também.
O que me tira do sério: gente que quer contar vantagem ou que se leva muito a sério. Cafona!
Ser mulher, hoje, é: ter a difícil tarefa de redescobrir o prazer de existir sem medo.
Palavra favorita: DICOTOMIA
Catharina Conte por Catharina Conte: uma grande gostosa esquisita em busca de afeto subversivo.





.: "Raízes do Amanhã": coletânea de oito contos afrofuturistas e nove autores


"Raízes do Amanhã" é uma coletânea de oito contos organizada por Waldson Souza e escrita por nove autores brasileiros de destaque – um projeto da editora Gutenberg e coedição da editora Plutão. Uma das marcas deixadas pelo colonialismo é a existência de um presente que dificulta a projeção de futuros para a população negra. Por isso, contar e protagonizar histórias é tão importante para ampliar o campo de possibilidades.

No século XXI, nove herdeiros dessa luta se unem para imaginar noções de futuro próximas e longínquas em oito contos afrofuturistas e afro-brasileiros. Com organização do autor e pesquisador Waldson Souza, G. G. Diniz, Kelly Nascimento, Lavínia Rocha, Pétala e Isa Souza, Petê Rissatti, Sérgio Motta e Stefano Volp traçam em suas histórias, ora um respiro - em que o amor, a superação das adversidades e a liberdade são possíveis -, ora um alerta para nos lembrar de que estamos reféns de uma realidade que muitas vezes nos proíbe de sonhar.

Esse movimento de ficção especulativa de autoria e protagonismo negros, que mistura tecnologia, fantasia e possui a negritude como temática é chamado de afrofuturismo e ele se expressa em diversos campos, como o cinema, a literatura, a moda, a música, entre outros.

Wakanda, por exemplo, pode ser fictícia, mas sua simbologia extrapola o universo cinematográfico e constrói um mundo onde nações africanas sejam tão poderosas e respeitadas como todas as outras. "Raízes do Amanhã" é um livro incrível e potente de ficção especulativa, afrofuturista e afro-brasileira.

Se o real nos impõe, então, tais impedimentos, o exercício de especular, dentro e fora da ficção, é o que nos permite resgatar o passado, questionar o presente e construir futuros. É o que fortalece as raízes do amanhã, que perfuram solo brasileiro e vão fundo em direção ao desconhecido.

Evidenciando noções de futuro próximas ou longínquas, os contos de "Raízes do Amanhã" é oferecem respostas diversas sobre o tempo e o espaço da juventude negra, proporcionando um espaço revolucionário de experimentação ficcional. A ilustração da capa é de Nazura Santos, que conseguiu captar muito bem a essência do projeto. Você pode comprar o livro neste link.



.: Teatro: "A Vela" com Herson Capri e Leandro Luna em temporada on-line

Prestes a se mudar, Gracindo (Herson Capri) precisa empacotar suas coisas e acaba revirando seu passado enquanto a falta de luz o obriga a usar uma vela. Porém, quem chega para ajudar nessa mudança é Cadú (Leandro Luna), ou melhor, Emma Bovary, seu filho drag queen que retorna para tentar as pazes com seu velho pai e entender o que fez um homem tão culto agir de forma tão violenta. Mas, Cadú, ou Emma é categórico: eles têm apenas o tempo da vela que o pai acendeu se consumir para essa conversa se resolver. Foto: Caio Gallucci

Herson Capri e Leandro Luna interpretam pai em filho no espetáculo "A Vela", escrito por Raphael Gama. Com direção de Elias Andreato, a montagem está em cartaz em temporada on-line até 10 de dezembro, on demand, ou seja, o espectador pode acessar o conteúdo a qualquer momento. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site Eventim por R$10.

Na trama, o velho professor Gracindo decide se mudar para um asilo, por conta própria, depois de se ver muito sozinho após o falecimento de sua esposa. Ele rompeu relações com o filho há muito tempo, quando descobriu sobre sua orientação sexual, o expulsando de casa.

Prestes a se mudar, Gracindo precisa empacotar suas coisas e acaba revirando seu passado enquanto a falta de luz o obriga a usar uma vela. Porém, quem chega para ajudar nessa mudança é Cadú, ou melhor, Emma Bovary, seu filho drag queen que retorna para tentar as pazes com seu velho pai e entender o que fez um homem tão culto agir de forma tão violenta. Mas, Cadú, ou Emma é categórico: eles têm apenas o tempo da vela que o pai acendeu se consumir para essa conversa se resolver.

“É uma história contada com delicadeza para que o espectador possa se identificar com os personagens. O nosso objetivo é mergulhar numa relação verdadeiramente teatral e humana. O teatro sempre será a arena necessária para debater todas as formas de preconceitos”, fala o diretor Elias Andreato.

Para Leandro Luna, o espetáculo aborda as relações humanas e as feridas familiares que todos temos e nos identificamos. “É muito importante, principalmente nos dias de hoje, estarmos em constante discussão sobre as diferenças e estimularmos a tolerância e o respeito ao próximo. Vivemos tempos muito polarizados, onde o conceito de moral e conservadorismo tem alimentado a sociedade com discursos odiosos, segregacionistas, em vez de criar o diálogo respeitoso e democrático. Precisamos, através da Arte, propor o discurso de temáticas que incentivem o respeito entre os indivíduos, principalmente, a partir do ponto de vista da educação familiar”. 

Já Herson Capri ressalta a atualidade do tema. “A peça discute preconceito, acolhimento e a relação familiar de uma forma inteligente e sensível. Os preconceitos estão por aí, à nossa volta, o tempo todo. Convivemos, de uma forma ou outra, com pessoas conservadoras e até negacionistas. Acho que a arte tem o dever de abordar os temas que tocam e afligem a sociedade. Acolher as diferenças é um deles. E negá-las, também é preciso ser discutido”.

Para a construção do texto, o autor Raphael Gama recorreu da percepção que teve ao constatar a dificuldade em dialogar com sua avó, uma mulher tradicional, com resistência em entender as mudanças que aconteciam na sociedade; e o quanto a incompreensão familiar afetava as escolhas de vida das drag queens em geral. “Eu convivo com diversos artistas queers de São Paulo. Conheço pessoas que foram expulsas de casa e o fato dessa comunidade seguir sendo tão negligenciada e odiada, mesmo em meio à tanta informação, me fez querer falar do assunto no ambiente familiar e sobre a importância do diálogo como ferramenta de cura”, explica.


Relações humanas
Entre álbuns de fotos, livros clássicos, música e poesia, os personagens vão revirando o passado para entender o presente e enfrentar o futuro. Ambientada em uma casa com poucos móveis e algumas caixas, o elemento central em cena é uma janela, onde o tempo e os segredos são discutidos.

A peça é entremeada por trechos de famosos escritores e pensadores, com músicas que definiram gerações como Carpenters, Edith Piaf e Dalva de Oliveira. O drama, vivido entre pai e filho, pretende aproximar as questões pertinentes da sociedade contemporânea, levando o espectador a entrar em contato de maneira sensível, com temáticas extremamente relevantes: as relações humanas e os preconceitos instaurados na estrutura social e familiar.

“A Vela não é sobre mocinhos e bandidos, não é sobre vítimas e vilões. É sobre algo que todos nós conhecemos intimamente. É sobre família e amor. Sobre erros humanos. Sobre conflito de gerações e de identidades. E a importância do diálogo em tempos tão odiosos. Mais do que falar sobre quaisquer tabus ou polêmicas, quando falamos sobre amor falamos sobre reflexão e cura”, conclui Raphael Gama.


Sinopse
O solitário professor Gracindo (Herson Capri) está de mudança para um asilo quando é surpreendido pela visita do filho gay que expulsou de casa há vinte anos. Cadu (Leandro Luna) agora é a drag queen Emma Bovary. Em meio a uma queda de energia, os dois têm apenas o tempo de uma vela para acertar as contas. 


Ficha técnica: "A Vela"
Texto:
Raphael Gama. Direção, cenário e figurino: Elias Andreato. Elenco: Herson Capri (Gracindo) e Leandro Luna (Cadú/Emma Bovary). Assistente de direção e produção: Rodrigo Frampton. Iluminador e operador de luz e som: Cleber Eli. Contrarregragem e camarim: Renato Valente. Foto: Caio Gallucci. Caracterização: Brechó Minha Avó Tinha. Visagista: Márcio Merighi. Designer Gráfico: Luciano Angelotti. Vídeo: Otávio Pacheco e Douglas B. Silva. Produtora de vídeo: Trapézio Produções Culturais. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli. Produtores: Leandro Luna e Priscilla Squeff. Produção: VIVA Cultural e Luna Produções Artísticas. Realização: Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura e Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.


Serviço:
Espetáculo "A Vela" - Temporada on-line
Duração:
60 minutos.
Classificação etária: 14 anos.
Até 10 de dezembro de 2021 - On demand.
Ingressos: R$ 10 (preço popular).
Transmissão: Eventim.


.: Cia Articularte apresenta o espetáculo de sombras "Histórias Pintadas"


Dentro do projeto Biomas Cadentes, as apresentações acontecem de maneira online na página do Facebook da Cia entre os dias 28 de novembro a 8 de dezembro. Foto: Dario Uzam

E se de repente o mundo começar a girar ao contrário? Assim começam as aventuras e desventuras de um moço que vai fazer de tudo para tentar resolver os problemas que estão acontecendo com a natureza que ficou tão irritada. Nessa caminhada pelos seis cantos da terra, o personagem vai se deparar com animais, pessoas diferentes, terras estranhas e seres fantásticos esquecidos. 

Histórias Pintadas, por Dario Uzam:
A ideia de desenvolver uma peça de teatro com o nome Histórias Pintadas surgiu a partir da existência de muitos contos populares ou folclóricos que envolvem onças, conhecidas também como animais misteriosos e surpreendentes. Sob o signo das onças, diversas histórias indígenas e sertanejas já foram criadas e transmitidas oralmente através de várias gerações, envolvendo noções de imaginário, perigo e crendices, entre variadas outras metáforas.

No campo dos contos populares, quase tudo é possível, desde pequenos acontecimentos banais, até eventos de certa forma “milagreiros”, tal é a força desses contos de onças difundidos pelo memorial, dentro de lendas e costumes populares.

Nossa história é narrada por uma onça aos seus pequenos filhotes. A onça conta histórias “pintadas” sobre terras distintas (no caso, biomas), bem como possíveis ações apressadas ou desenfreadas de homens que podem acabar resultando em reações robustas vindas da natureza bruta como respostas.

Contamos de forma teatral para o público infantojuvenil as andanças de um personagem que se chama Moço, que recebe um chamado para cumprir uma trajetória urgente. Tudo começa quando o personagem e o seu querido boi Buriti apostam uma corrida e acabam pisando no rabo de uma onça (mítica ou ancestral). A partir daí, o mundo se ressente, estremece e começa a girar ao contrário. Surgem relâmpagos sem chuva, secas surpreendentes, estiagens inesperadas, além de estouros de barragens, entre outros acidentes, causados por descuidos ou falta de planejamentos. 

O personagem tenta ajudar a consertar o mundo à sua volta e, nas suas andanças, acaba conhecendo mais de perto outras realidades. Assim o Moço se relaciona com pessoas e animais, diante de suas mazelas. E acaba sofrendo uma transformação que lhe traz um novo olhar sobre o convívio com todos os seres e biomas.

Em nossa história teatral, o personagem Moço carrega um Berrante, representando o legado da amizade afetiva entre o animal e o homem. O berrante significa um instrumento sonoro antigo e agregador, com o poder de reunir, organizar, conduzir e agregar. Berrantes podem ser ouvidos até três quilômetros de distância, tal o seu poder de comunicação. É também um instrumento que carrega o signo de permanência e presença no campo, como aliado de uma jornada ou causa de importância.

O personagem Moço pode representar novas tendências e ações, além possibilidades de novas atitudes. E a sonoridade “mágica” do seu berrante que ajuda a consertar as mazelas da terra - pode sugerir novos respiros ou atitudes mais humanas. 

Dentro dos nossos biomas nada está sozinho, tudo está interligado e cada ação pode repercutir na vida ou no sistema de cada animal, planta ou paisagem. E o homem faz parte de tudo isso. A convivência nessa biodiversidade incrível pode estar cheia de surpresas, tanto positivas como negativas.

A natureza se renova a um simples comando consciente representado aqui pelo som do berrante. Em nossa história, pisar no rabo de uma onça tem o significado metafórico de agressão desmedida diante da natureza.

Ficha técnica - "Histórias Pintadas"
Elenco:
Surley Valerio, Tânagra Andria e William Lobo.
Direção e texto: Dario Uzam.
Bonequeiras: Surley Valerio e Thaís Uzan.
Iluminação: Eric Valerio.
Produção: Cia. Articularte – Teatro de Bonecos.
Site: www.articularte.com.br.
Fotos: Dario Uzam.

Transmissão: www.facebook.com/cia.articularte/live_videos/ 
Peça de Teatro de Sombras – Histórias Pintadas (20 minutos). Oficina de Teatro de Sombras (15 minutos).

  • 28 de novembro de 2021 - 17h - 27º Festival de Artes de Itu.
  • 30 de novembro de 21 - 15h - Ceu Pera Marmelo (aniversário e festividades).
  • 1º de dezembro de 2021 - 14h30 - Biblioteca Villa-Lobos - BVL
  • 1º de dezembro de 2021 - 15h30 - Biblioteca São Paulo - BSP.
  • 2 de dezembro de 2021 - 9h30 e 13h30 - Associação Sal da Terra (duas sessões).
  • 2 de dezembro de 2021 - 15h - Atibaia/SP - Secretaria da Cultura.
  • 3 de dezembro de 2021 - 13h30 - Guaraçaí/SP - Escola - Secretaria da Educação.
  • 8 de dezembro de 2021 - 10h e 14h30 - Projeto Quixote - (duas sessões) - Vila Mariana.
  • 9 de dezembro de 2021 - 15h - Americana/SP - Secretaria da Educação e Cultura.
  • 14 de dezembro de 2021 - 15h - Itapira/SP - Secretaria da Cultura.


.: Atração infantil da Bienal do Livro Rio terá espaço inclusivo e imersivo


O Espaço Metamorfoses, patrocinado pela Petrobras Cultural, vai brincar com a imaginação dos pequenos em mundo repleto de mudanças.

Se o maior festival de cultura do país quer estimular, este ano, o debate sobre que “histórias queremos contar a partir de agora”, o espaço infantil da Bienal do Livro do Rio também traz esse mesmo propósito: usar a criatividade para desenhar novos futuros. Batizado de “Espaço Metamorfoses”, a atração foi cui-dadosamente idealizada mesclando diversos aspectos lúdicos e hi-tech para encantar crianças de todas as idades.

Patrocinada pela Petrobras Cultural, a área infantil tem como intuito despertar nos pequenos visitantes e nos pré-adolescentes o interesse pelas histórias, pelos livros e pela natureza. Com curadoria do LERCONECTA, o Espaço Me-tamorfoses convida as crianças e suas famílias a descobrirem nas histórias a potência necessária para reescrever a trajetória do mundo pós-pandemia.

O público presente vai vivenciar experiências sensoriais em ambientes plane-jados, com uma exposição imersiva que traz cenários interativos. O que pro-porcionará a cada visitante a possibilidade de viver uma viagem literária em diversas linguagens, criando conexões com a natureza, o planeta e o futuro. "A metamorfose é um mote cheio de possibilidades. Escolhemos a imagem da borboleta para concretizar o conceito do espaço, pois sabemos que somos seres em constante transformação - assim como as leituras e suas ferramentas", explica Martha Ribas, uma das curadoras.

Alinhado ao momento atual, o espaço infantil seguirá protocolos para preservar o bem-estar dos visitantes. Haverá controle de entrada do número de crianças e visita guiada especial para os pequenos com deficiência visual. O agendamento deve ser feito pelo e-mail visitaguiada@glbr.com.br. A visita-ção guiada será de segunda a sexta-feira, às 8h30; e sábado e domingo, às 9h30 – recebendo 15 crianças por dia.

Salas coloridas e tecnológicas
O espaço infantil é composto por 4 salas principais. A primeira apresenta a exposição interativa "Leitura em metamorfose", com os imperativos: "Entre", "Fale", "Brinque", "Ouça", "Leia" e "Jogue". Casulos sensoriais de alturas distintas são disponibilizados para as crianças trabalharem os sentidos nesse desafio imersivo.

"Nos últimos anos, tanto as crianças quanto os adultos estão carentes de espaços mais lúdicos. Então, no fundo, o Metamorfoses é para todas as idades. Sabemos que dia de semana o fluxo de visitações escolares é maior, e no fim de semana recebemos mais famílias", comenta a curadora Rona Hanning.

A sala "Somos todos natureza" traz painéis de LED coloridos com imagens da natureza e folhas caindo em tempo real. Já a sala "Ainda Há Tempo" propõe imaginação, leitura, metamorfose, diálogo e aventuras. A ideia é sugerir que o tempo também está nas mãos dos pequenos e que eles são fundamentais nessa transformação.

O último ambiente é a sala "Inspirar para Mudar", que exibirá um vídeo em formato de livro, apresentando da dupla de artistas Mundo Aflora com depoimentos sobre a importância da criatividade, da literatura, da arte e da imaginação. O filme, que também estará disponível no site do festival, intercala músicas, imagens da natureza e entrevistas de autores prestigiados.

Para deixar registrada a experiência que é participar de um evento que "dá asas às crianças", as crianças poderão tirar fotos em um painel de borboleta, localizado na saída do Metamorfoses. Além da fotografia, 60 mil revistinhas com atividades serão distribuídas para os pequenos que visitaram o espaço.

"Queremos desmistificar que a educação não pode caminhar de mãos dadas com o entretenimento. Criamos uma área sedutora para os olhos e com efeitos visuais contemporâneos como táticas de aproximar as crianças da leitura. Ao formar leitores na contemporaneidade, não dá para se afastar das tendências de leituras por meio das telas", defende a curadora Carolina Sanches.

"Depois de um período tão desafiador, a nossa comemoração de 20 edições precisaria ser inesquecível, ratificando o propósito de transformar o país através da leitura e com toda a responsabilidade que o momento exige. Estamos entregando um festival ainda mais plural, aproveitando o reencontro para enri-quecer nossos olhares, trocas e reflexões com muita cultura e estímulo à imaginação", afirma Tatiana Zaccaro, diretora da GL events, responsável pela Bienal.

A Bienal acontece de 3 a 12 de dezembro, no Riocentro, na Barra da Tijuca, e os ingressos já estão à venda no site do evento. O festival é realizado pela multinacional francesa GL events, uma das líderes mundiais no mercado de eventos, e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), que há 80 anos representa a classe editorial no país.


sábado, 27 de novembro de 2021

.: Crítica: "Casa Gucci" é filmaço de ritmo frenético e elenco estelar


Por: Mary Ellen Farias dos Santos 

Em novembro de 2021


Gucci é uma grife italiana fundada em 1921 e, claro, ao longo desses 100 anos foi envolvida em muitas histórias -nem todas positivas. Logo, a mais macabra delas é a representada em 2h 38min, no longa dirigido por Ridley Scott, "Casa Gucci", em cartaz no Cineflix. 

Nesse recorte acompanhamos a história do casal Patrizia Reggiani e Maurizio Gucci, entre 1970 a 1990, que termina nos registros policiais e, fatalmente, respingando na marca da família, fundada por Guccio Gucci. Contudo, a relação conturbada, não se restringe ao casal, mas entre os que construíram uma marca gigante.

Assistir a adaptação da história de grandes nomes da moda é sempre uma chance de dar fim a certas curiosidades ou entender como fatalidades aconteceram. Seja no formato seriado, como foi para Versace, em "American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace", ou, no caso de "Casa Gucci", nos cinemas.

A produção que apresenta uma trama cheia de caminhos surpreedentes tem um ritmo, por vezes, frenético. Além de um elenco com grandes nomes para os personagens importantes, como por exemplo, Lady Gaga interpretando Patrizia Reggiani, quem faz a história acontecer e deixa tudo de pernas para o ar. Ela é o personagem agente da trama que assume o protagonismo descaradamente.

Maurizio Gucci (Adam Driver), filho de Rodolfo Gucci (Jeremy Irons) leva uma vida comum, até o fim da primeira página, pois embora ande pela cidade de lambreta, vive sendo observado por um segurança do pai. Claro! Ele é um herdeiro Gucci. E, sim, do personagem o que se vê na telona é uma apatia marcante. Um cara chato, até esbarrar em Patrizia -ou ela perseguí-lo e forçar uma aproximação que deu justamente no casamento deles.

Patrizia entra para a família, pois numa briga com o pai, Maurizio dá uma -mais ou menos- de São Francisco de Assis e abandona a riqueza. Assim, ele passa a viver na humilde casa dos Reggiani e ajuda a cuidar dos caminhões do pai da moça. E como toda história precisa de um ou vários "mas", em "Casa Gucci", Patrizia e Maurizio recebem uma ligação do tio, Aldo Gucci (Al Pacino). 

É justamente aí que tudo começa a mudar, Patrizia consegue se aproximar do tio Gucci. É assim  que conhecemos o alucinado Paolo Gucci (Jared Leto), primo de Maurizio, numa brincadeira esportiva em família. E não há como deixar de elogiar, o camaleão Jared Leto. Inicialmente, está irreconhecível, além de convencer totalmente no papel de um excêntrico e ignorado pelo pai, Aldo.

Nesse meio tempo de história, já se cria uma barreira com Rodolfo Gucci, homem frio que só se importa com a fortuna da família e, assim como Aldo, ignora o filho e, consequentemente, a esposa dela. Embora, ao saber que Patrizia espera um filho, melhora um pouco no quesito respeito por Maurizio.

A trama que é uma verdadeira cama de gato para Maurizio Gucci acontece de modo ágil, do tipo que não permite distração, nem mesmo uma piscadela e, muito menos, um cochilo do espectador mais dorminhoco que seja. 

"Casa Gucci" é envolvente e traz o melhor dos atores que nele encenam, com espaço para Salma Hayek brilhar no papel de Giuseppina "Pina" Auriemma, personagem que também faz a história acontecer em um ritmo acelerado. A produção de Ridley Scott com roteiro de Becky Johnston e Roberto Bentivegna tem glamour, amor, ódio, vingança e a dose certa para grande elenco brilhar em cena. Filmaço imperdível!

* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Twitter:@maryellenfsm

Em parceria com o Cineflix Cinemas, o Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar Shopping. O Cineclube do Cineflix traz uma série de vantagens, entre elas ir ao cinema com acompanhante quantas vezes quiser - um sonho para qualquer cinéfilo. Além disso, o Cinema traz uma série de projetos, que você pode conferir neste link.


Filme: Casa Gucci (House of Gucci)

Data de lançamento: 25 de novembro de 2021 (Brasil)

Diretor: Ridley Scott

Música: Harry Gregson-Williams

Roteiro: Becky Johnston; Roberto Bentivegna

Distribuição: United Artists (Estados Unidos); Universal Pictures (Internacional)

Companhia(s) produtora(s): Metro-Goldwyn-Mayer; Bron Creative; Scott Free Productions

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