sábado, 2 de agosto de 2025

.: Flavia Garrafa diante do abismo entre falar e fazer alguma coisa a respeito


Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: João Neto

Existe algo de perigoso em transformar sofrimento em risadas e Flavia Garrafa sabe disso. Psicóloga por formação, atriz por vocação e escritora por necessidade de se expressar, ela circula há mais de 30 anos por esse terreno movediço em que o comportamento humano serve de matéria-prima para a comédia que, por sua vez, revela o que as pessoas preferem varrer para debaixo do tapete.

Nos solos "Fale Mais Sobre Isso" e "Faça Mais Sobre Isso", ambos dirigidos pelo irmão dela, Pedro Garrafa, a atriz dá corpo, voz e crise à terapeuta Laura: uma mulher de 40 e poucos anos, exausta de atender o mundo, mas ainda tentando escutar a si própria. A personagem, que virou uma espécie de alter ego cênico da autora, volta aos palcos agora no Teatro Multiplan, no MorumbiShopping, em São Paulo - com sessões duplas: "Fale Mais Sobre Isso", às quintas-feiras, às 20h30 (de 7 de agosto a 25 de setembro), e "Faça Mais Sobre Isso" aos sábados, às 22h00 (de 2 de agosto a 27 de setembro).

Embora compartilhem a mesma protagonista e a mesma lente analítica sobre as dores contemporâneas, as peças não são exatamente uma sequência. "Fale Mais Sobre Isso" marca o primeiro passo: o de reconhecer e verbalizar o desconforto. Já "Faça Mais Sobre Isso" propõe o mergulho posterior - a difícil arte de agir, de sair do discurso e encarar a vida com suas lacunas e tentações de fuga. Ao completar dez anos em cartaz, "Fale Mais Sobre Isso" ganhará uma adaptação para o formato romance. O livro trará a dramaturgia original e passagens inéditas que ficaram de fora da encenação. Neste diálogo exclusivo com o Resenhando.com, Flavia fala sobre terapia, humor, esgotamento, ser paciente da própria história e o que significa fazer comédia quando o mundo parece ter esquecido de rir de si mesmo.

Resenhando.com - ⁠Você se divide entre o palco e o divã, mas se tivesse que escolher: o que cura mais,  a catarse do teatro ou o silêncio cúmplice da terapia?
Flavia Garrafa Ah... assim não vale! São coisas diferentes. Eu sou muito mais feliz quando estou no palco. É meu lugar preferido no mundo, mas não acho que ele resolva todas as questões. A terapia possibilita, entre outras coisas, um mergulho fundo em si mesmo e uma quebra de ciclos que são incomparáveis. Agora, tenho que admitir que estar longe dos palcos já me levou à terapia tamanho o meu desassossego.

Resenhando.com - ⁠⁠Laura, sua personagem, é uma terapeuta sobrecarregada. E a Flavia, onde guarda os próprios colapsos quando não há ninguém para ouvir?
Flavia Garrafa Flávia é uma pessoa que vai à terapia e que faz atividade física. Pior do que ser sobrecarregada é deixar o sistema nervoso e o emocional à mercê das pressões e agendas. Olhar para dentro e exercitar-se para mim são ferramentas essenciais para não pirar… muito , né? Porque um pouco todo mundo pira.

Resenhando.com - ⁠⁠“Fale Mais Sobre Isso” vai virar livro. O que ficou entalado na peça e só conseguiu sair no papel? Alguma censura interna foi vencida ali?
Flavia Garrafa A ideia do livro veio de tantos pedidos de trechos  da peça. As pessoas saiam do teatro depois do "Fale Mais Sobre Isso"  e me pediam, "onde posso ter o texto?". "Onde tem aquele trecho?". Então decidi, nesse aniversário de dez anos , fazer o livro. E na hora de fazer, de romancear a peça, percebi que precisava rechear um pouco mais… Mas nada que estivesse entalado. Entalada mesmo só a vontade de escrever o livro mesmo (risos).


Resenhando.com - ⁠Entre falar sobre o que dói e, de fato, fazer algo a respeito, há um abismo. Qual foi a dor da sua vida que você falou demais... mas demorou a enfrentar?
Flavia Garrafa Eu tenho um dor que toda hora me cutuca que é a pressa, o querer tudo agora, em querer resolver… Aí tenho épocas mais calmas que eu deixo a vida fazer por ela mesma, mas sempre volta esse imediatismo que me atrapalha tanto. É uma vigia constante e fazer um pouco todo dia para não perder a mão.

Resenhando.com - ⁠⁠Você já atendeu alguém na vida real que mereceria virar personagem?
Flavia Garrafa Agora uma surpresa: eu NUNCA atendi ninguém!! (Risos) Sou formada em psicologia , fiz até o fim, atendi na faculdade, mas depois fui ser atriz e nunca atendi ninguém, para o bem da humanidade, Mas... li sobre muitos atendimentos... e... nem precisa atender, né? Tem cada pessoa na vida real que é um prato cheio para dramaturgos. Algumas eu até conheço na vida real e estão na minha peça, mas aí... não posso dar nomes .


Resenhando.com - ⁠⁠Seu ex-marido, Pedro Vasconcelos, teve a ideia inicial de “Fale Mais Sobre Isso”. Hoje, com outro Pedro na direção - seu irmão -, o que mudou na maneira como você é conduzida em cena? É possível ser dirigida por um irmão sem querer fazer análise familiar em cada ensaio?
Flavia Garrafa Olha, nesse caso é tudo junto misturado mesmo. O Pedro Garrafa me conhece mais do que qualquer pessoa, então é fácil e difícil. Fácil porque sabe como me acessar, difícil porque sabe como me acessar! (Risos) Mas sabe que isso é bom? As duas peças são muito pessoais e o Pedro é muito respeitoso e criativo. Eu estou me jogando sem rede de proteção, mas sei que ele é uma pessoa e meu diretor que está absolutamente do meu lado e por mim. Vale ressaltar que ele só é o diretor porque é muito talentoso e não porque é meu irmão. Mas o fato de ser meu irmão numa construção familiar tão amorosa ajuda a ser feliz no processo.


Resenhando.com - ⁠A senhorinha Alice começa a falar o que sente aos 78. Que verdades você mesma adiou demais para dizer? Já foi Alice alguma vez?
Flavia Garrafa Tem muitas verdades que eu adio, muitas delas por falta de espaço, ou mesmo por ainda não ter tanta certeza e conhecimento. É um processo. Já fui a Alice muitas vezes. Sou mulher, né? Fui criada para ser amável e tentar agradar, uma herança do patriarcado  que carregamos muito. Mas teve uma época que falava tudo o que sentia, como se tivesse tirado uma tampa e, nesse caso, era igualmente ineficiente. Bom equilíbrio: quando falar e quando calar é o que busco. Às vezes encontro, às vezes perco de novo...


Resenhando.com - ⁠⁠Dra. Laura se equilibra entre cuidar dos outros e dar conta de si. Você já sabotou sua saúde mental em nome da arte?
Flavia Garrafa Minha saúde mental já foi muita sabotada, mas não diria em nome da arte, mas em nome de um sistema que as vezes ela é inserida. Competição por papéis, necessidade de ser magra, de estar num padrão, frustrações em testes. Ser atriz não é para amadores definitivamente. Mas o mesmo remédio que cura é o que envenena, né? Pois bem, já me curei muito na arte também. A “conta fecha” e ainda me dá um saldo muito positivo.


Resenhando.com - ⁠⁠Em um país que mal escuta seus terapeutas e muito menos suas atrizes, o que ainda move você a fazer comédia reflexiva em meio ao caos?
Flavia Garrafa É exatamente o caos que me move a fazer uma comédia reflexiva. Todos estamos no caos  e é nele que temos que recorrer de recurso para sermos felizes. Uma comédia reflexiva que fale sobre a vida e mudanças no teatro é um recurso e tanto.


Resenhando.com - ⁠⁠Se a Flavia de 2025 encontrasse a Flavia de 1992, prestes a estrear no teatro com “Noite Que Te Quero Dia”, o que diria: “fale mais sobre isso” ou “faça mais sobre isso”?
Flavia Garrafa Eu diria: "Faça mais sobre isso , Flávia… Vai dar certo!". E vai dar errado também… Então Faça mais… Fale mais, viva mais... sempre focando no agora!


Serviço
Espetáculo "Fale Mais Sobre Isso"
Teatro Multiplan – MorumbiShopping - Av. Roque Petroni Júnior, 1089 – Piso G1 – Jardim das Acácias / São Paulo
Quintas-feiras, de 8 de agosto a 26 de setembro de 2025, às 20h30
Ingressos à venda na bilheteria do teatro e pelo Sympla : R$ 90 (inteira) | R$ 45 (meia)
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 60 minutos


Espetáculo "Faça Mais Sobre Isso"
Teatro Multiplan – MorumbiShopping - Av. Roque Petroni Júnior, 1089 – Piso G1 – Jardim das Acácias / São Paulo
Sábados, de 3 de agosto a 27 de setembro de 2025, às 22h00
Ingressos à venda na bilheteria do teatro e pelo Sympla : R$ 90 (inteira) | R$ 45 (meia)
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 60 minutos

.: Pinóquio é trans? Edição da Maralto mostra o que você não viu na Disney


Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com.

Em italiano toscano, a palavra "pinocchio" significa “pinhão”. De acordo com o estudioso Gérard Génot, há algo nessa simbologia: o pinhão é a carne escondida dentro da madeira, a semente dura que precisa ser arrancada antes que a pinha seja jogada ao fogo. Pinóquio, então, é a promessa de carne dentro da madeira. Uma alma tentando nascer dentro de uma casca. Por isso, a verdadeira jornada de Pinóquio não é moral, mas existencial e por isso, talvez o personagem de Carlo Collodi, seja o primeiro trans da literatura universal. 

Pinóquio é, antes de tudo, um símbolo legítimo de metamorfose - madeira tentando virar carne e osso, como alguém que espreme a alma em um corpo a que não pertence. Ele é um boneco de madeira, mas se sente um menino. E é exatamente esse lado visceral, poético e inquietante que reaparece e agora pode ser observado mais atentamente na edição luxuosa de "As Aventuras de Pinóquio", lançada pela Maralto Edições. 

Pode parecer uma heresia vincular essa teoria a uma figura tão consagrada no imaginário infantil. Mas é um personagem que, aos olhares atentos, oferece diversas interpretações. Não se engane: Pinóquio nunca foi feito para agradar ou para mudar a personalidade de crianças desobedientes - pelo contrário: talvez até incentivasse a rebeldia. Tampouco surgiu para ser mascote de estúdio de animação, ícone da cultura pop e das lojas de brinquedo, ou estampa de camiseta descolada, como acabou se tornando ao longo de gerações. 

Visualmente, o livro é uma pequena obra de arte em formato narrativo. Com projeto editorial assinado por Raquel Matsushita, tradução primorosa de Vanessa C. Rodrigues, e ilustrações da argentina Juliana Bollini, essa edição é um clássico apresentado com o cuidado gráfico meticulosamente pensada para ser um objeto de desejo. Nascida em Buenos Aires e radicada em São Paulo, a ilustradora da obra transforma lixo em milagre. No ateliê que mantém desde os 24 anos, cria personagens a partir de papel, tecido, madeira, brinquedos quebrados, garrafas pet e toda sorte de material que carregue histórias e texturas esquecidas. 

Nessa obra, cada personagem foi literalmente construído. Mais que meros enfeites de uma edição bonita e bem cuidada, as imagens do livro são esculturas fotografadas, teatralizadas e vibrantes. O tubarão, por exemplo, foi feito com um pedaço de madeira trazido pelo mar. Há, nessa materialidade, um lúdico coerente com a história que vem sendo contada. É o clássico tratado com muito respeito e reverência que merece.

Isso faz todo o sentido, porque a obra italiana, publicada originalmente em 1883, não é a história suavizada que muitos conhecem pela animação da Disney. Trata-se de um folhetim áspero e filosófico escrito por Carlo Collodi (pseudônimo de Carlo Lorenzini, jornalista e crítico teatral envolvido nos movimentos de unificação da Itália), que criou um herói insuportável: egoísta, mentiroso, impulsivo, teimoso e inconsequente que só quer ser amado por quem quer que seja. 

A tradução de Vanessa C. Rodrigues não suaviza essa crudelidade da vida perante o personagem. Pelo contrário, ao manter a ironia madrasta do texto original, a tradutora devolve ao leitor a complexidade de um texto que se recusa a ser apenas uma “fábula da moralidade”. Quando a Maralto Edições publica esse clássico - à venda no e-commerce da Maralto Edições e em livrarias parceiras - com tanta força, respeito e beleza, ela faz mais do que um resgate editorial. Seja adulto ou jovem, quem lê esse livro sai diferente. É um clássico e, talvez, um livro infantil. Pinóquio, mesmo quando mente, obriga o leitor a encarar verdades. A luta por pertencimento - o mais moderno dos desejos - faz com que Pinóquio tente ser alguém melhor do que é. Isso é lindo. 

.: "Passos": peça teatral inspirada no dorama "Navillera" está em cartaz


Com dramaturgia de Renata Mizrahi e direção de Victoria Ariante, novo trabalho do grupo conta história de um homem que, aos 70 anos, decide realizar o sonho de dançar. Foto: Mari Jacinto


Depois de encenar sua trilogia de peças - "O Legítimo Pai da Bomba Atômica", "Desobediência" e "Os Três Sobreviventes de Hiroshima" - sobre os horrores e consequências da Segunda Guerra Mundial, o Coletivo Oriente-se e a Nagai Produções propõem uma reflexão sobre o envelhecimento, as diferenças geracionais e a exclusão da população idosa em seu novo trabalho. Passos é livremente inspirado no dorama (termo usado para se referir aos dramas coreanos) “Navillera”, disponível na Netflix.

Com dramaturgia de Renata Mizrahi e direção de Victoria Ariante, a peça tem sua temporada de estreia no Teatro Itália, de 1º a 31 de agosto, com apresentações às sextas-feiras, às 20h00; aos sábados, às 19h00; e aos domingos, às 18h00. O elenco conta com Edson Kameda, Caio Mutai, Gilberto Kido, Winnie Moriyama e Emilia Kiyohara.

A montagem conta a história de Aurélio, que sempre amou dançar, mas não pôde seguir essa paixão, porque precisava garantir o sustento de sua família. Quando finalmente se aposenta, aos 70 anos, decide se matricular em uma escola de dança. No entanto, o que ele não esperava era enfrentar o preconceito do próprio professor, o jovem Hugo, que o provoca constantemente sobre seus limites físicos.

Ao explorar esse embate entre gerações, a peça propõe uma série de reflexões sobre os sonhos, a resiliência, os preconceitos contra pessoas de 60+, a exclusão, o choque intergeracional, mas também sobre a possibilidade do encontro e aprendizado entre gerações, da empatia e da transformação através da arte.


Ficha técnica
Espetáculo "Passos"
Texto: Renata Mizrahi.
Direção: Victoria Ariante.
Elenco: Edson Kameda, Caio Mutai, Gilberto Kido, Winnie Moriyama e Emilia Kiyohara.
Produção executiva: Giuliana Pellegrini.
Idealização, direção de produção e coordenação geral: Rogério Nagai.
Criação e operação de luz: Ícaro Zanzini.
Locução, voz em off, video e operação de som: Alexandre Mercki.
Cenografia e figurinos: Telumi Hellen.
Visagismo: Claudinei Hidalgo.
Composição original: Yugo Sano Mani.
Preparação corporal e coreografia: Keila Fuke.
Fotografia: Mari Jacinto.
Design gráfico e mídias sociais: Lol Digital.
Assessoria de imprensa: Pombo Correio.
Produtores associados: Caio Mutai, Edson Kameda e Rogério Nagai.
Realização: Prefeitura Municipal de São Paulo, Secretaria Municipal de  Cultura e Economia Criativa, Lei de Fomento ao Teatro, Coletivo Oriente-se e NAGAI Produções.
Este projeto foi contemplado pela 44° edição do programa municipal de fomento ao teatro para a cidade de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.


Serviço
Espetáculo "Passos", com o Coletivo Oriente-se
Temporada: até dia 31 de agosto de 2025
Às sextas-feiras, às 20h00;  aos sábados, às 19h00; e aos domingos, às 18h00
Teatro Itália - Av. Ipiranga, 344 - Subsolo - República / São Paulo
Ingressos populares: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada)
Bilheteria: abre duas horas antes de cada apresentação
Classificação: 10 anos
Duração: 80 minutos
Capacidade: 274 lugares (4 cadeiras para pessoas obesas)
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

.: Grátis: versão de “A Casa de Bernarda Alba”, dos Satyros, será apresentada


Espetáculo revisita clássico de Federico García Lorca em versão provocadora sobre repressão, gênero e desejo. Foto: André Stefano, Tai Zatolinni e Aloander Oliveira


O grupo Os Satyros leva aos palcos do Teatro Sérgio Cardoso o espetáculo "A Casa de Bernarda Alba", clássico de Federico García Lorca escrito em 1936. A montagem acontece nesta segunda-feira, dia 4 de agosto, às 20h00, com entrada gratuita. No espetáculo, após a morte do marido, Bernarda Alba impõe um rigoroso luto às cinco filhas, confinando-as dentro de casa sob uma disciplina inflexível. Neste espaço de reclusão e desejo contido, rivalidades, paixões proibidas e tensões crescentes anunciam uma tragédia prestes a eclodir. 

A versão dos Satyros atualiza a potência simbólica da obra ao propor múltiplas formações de elenco: exclusivamente feminina, exclusivamente masculina e elenco misto. Com isso, os criadores ampliam os sentidos da narrativa, abordando de forma crítica o patriarcado, o machismo estrutural e as normas de gênero. Com direção de Rodolfo García Vázquez e adaptação de Ivam Cabral, a encenação une drama intenso à investigação estética, vocal e corporal. A trilha sonora original é assinada por Felipe Zancanaro e as canções foram compostas por André Lu, que também integra o elenco. A proposta é provocar reflexões sobre poder, silenciamento e liberdade numa sociedade ainda marcada por opressões.


Ficha técnica
Espetáculo "A Casa de Bernarda Alba", com Os Satyros
Direção artística: Rodolfo García Vázquez
Assistente de direção: Renatto Moraes
Pesquisa: Ivam Cabral
Tradução: Rodolfo García Vázquez
Adaptação: Ivam Cabral
Cenografia: Caio Rosa
Aderecista: Elisa Barboza
Iluminação: Flavio Duarte
Desenho de som: Thiago Capella e Felipe Zancanaro
Canções originais: André Lu
Trilha sonora Original: Felipe Zancanaro
Voz Off: Ivam Cabral
Berimbau gravado: Zé Vieira
Operação de luz: Flavio Duarte
Operação de som: Jota Silva
Preparação vocal: André Lu
Direção de coreografia e Flamenco: Neni Benavente
Figurino: Senac Lapa Faustolo – Curso livre de criação e desenvolvimento de figurino
Docentes: Maíra D. Pingo e Fábio Martinez
Idealização: Os Satyros
Elenco: Alessandra Rinaldo, Alex de Felix, André Lu, Anna Paula Kuller, Augusto Luiz, Beatriz Diaféria, Diego Ribeiro, Eduardo Chagas, Elisa Barboza, Felipe Estevão, Gabriel Mello, Guilherme Andrade, Guilherme Colosio, Gustavo Ferreira, Heyde Sayama, Isa Tucci, Julia Bobrow, Karina Bastos, Luís Holiver, Marcia Dailyn, Mariana França, Tai Zatolinni, Tammy Aires, Vitor Lins e Wil Campos.


Serviço
Espetáculo "A Casa de Bernarda Alba", com Os Satyros
Segunda-feira, dia 4 de agosto, às 20h00
Ingressos: Gratuitos | Retirada na bilheteria 1 hora antes do início do espetáculo
Duração: 100 minutos
Capacidade: 143 lugares + 6 espaços para cadeirantes
Classificação indicativa: 16 anos
Local: Teatro Sérgio Cardoso – Sala Nydia Lícia - Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo/SP

.: Cia. do Pássaro apresenta “Baquaqua - Documento Dramático Extraordinário”


A Cia. ocupa a sede na Rua Álvaro de Carvalho, no Anhangabaú, com uma intensa programação e criações voltadas ao combate do apagamento histórico das pessoas negras. Foto: Noelia Nájera

O espetáculo “Baquaqua - Documento Dramático Extraordinário”, da Cia do Pássaro - Vôo e Teatro, é inspirado na única autobiografia conhecida de um africano escravizado em terras brasileiras, Mahommah Gardo Baquaqua. A peça, estreada em 2016, volta em cartaz com Alessandro Marba e Breno da Matta para reinaugurar a sede do grupo, em São Paulo, após uma reforma realizada por meio do Edital Fomento CULTSP PNAB 38/2024, para Manutenção e Modernização de Espaços Culturais no Estado de São Paulo. A temporada acontece entre os dias 2 e 24 de agosto, aos sábados, às 20h00, e aos domingos, às 19h00. Todas as sessões são gratuitas e contam com acessibilidade em Libras.

A peça conta a história de Baquaqua, nascido em uma família muçulmana no final dos anos 1820, no reino de Bergoo (atual Borgoo, no Benin). Ele  foi traficado para o Brasil na década de 1840, trabalhando em uma embarcação comercial até escapar, em 1847. Com o auxílio de abolicionistas na cidade de Nova Iorque, ele seguiu para o Haiti, onde viveu com missionários batistas. Em 1849, retornou aos Estados Unidos, mas logo optou por morar no Canadá. Nesse país, trabalhou com o editor Samuel Moore, responsável pela publicação de seu livro de memórias. Em 1857, ninguém mais teve notícias de Baquaqua.

"Baquaqua- Documento Dramático Extraordinário" recebeu muitos reconhecimentos ao longo da sua trajetória. A peça ganhou um selo da York University do Canadá, como uma fonte oficial de pesquisa para a história de Baquaqua, já que contaram com a assessoria de Bruno Véras, um importante pesquisador da instituição. Além disso, uma ação do MEC - Ministério da Educação do Brasil incluiu fotos e informações da peça em um livro didático de Artes para a oitava série. 

 
Trilogia do Resgate
A Trilogia do Resgate é um projeto teatral que busca recuperar histórias negras silenciadas e refletir sobre o racismo estrutural. O primeiro espetáculo, “Baquaqua - Documento Dramático Extraordinário”, estreou em 2016 e é baseado na autobiografia de Mahommah Gardo Baquaqua, africano escravizado no Brasil que registrou sua história em livro. “Na época, a obra ainda não tinha tradução em português. Hoje tem, e isso mostra a força desse trabalho”, comenta Alessandro Marba. 

“Também queremos mostrar que, apesar dos muitos avanços sociais, o racismo segue presente no cotidiano. Por isso, a cada temporada, atualizamos o texto com referências recentes, como o caso do assassinato de George Floyd ou de Genivaldo de Jesus Santos, que foi asfixiado por policiais com uma bomba de gás”, comenta o diretor e um dos dramaturgos Dawton Abranches - ele assina o texto com a dramaturga Dione Carlos. 

A segunda montagem, “Jacinta – Você só Morre Quando Dizem seu Nome Pela Última Vez”, relembra Jacinta Maria de Santana, mulher preta que teve seu corpo exposto por 30 anos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. O terceiro espetáculo está em criação e tem previsão de estreia em 2026. 


Sobre a encenação
“Baquaqua - Documento Dramático Extraordinário” é um espetáculo que trabalha com alegorias. Os dois atores em cena se alternam entre o papel de narradores, do personagem-título e de figuras opressoras que brotam das cenas. Em um canto do palco, ficam posicionados alguns manequins brancos com figurinos que remetem às figuras como a justiça, a liberdade, a religião e a polícia. “E me transformo nesses personagens ao longo da encenação”, diz Breno da Matta. 

O cenário evoca um navio negreiro, com a plateia embarcando junto com o personagem em suas múltiplas viagens. Pedro de Alcântara utilizou ripas de madeira em cor natural para criar essa ambiência. Ao fundo, um mapa pintado à mão ilustra a trajetória de Baquaqua pelos países percorridos. A trilha sonora é de LP Daniel que mescla instrumentais clássicos com elementos de música tribal africana. Nem todas as canções são autorais, mas Breno e Alessandro compuseram um repente para o trabalho. “Nossa trilogia pretende refletir sobre as heranças da escravidão para que possamos criar estratégias de combate a essa realidade".
 

Atividades paralelas
Além das oito apresentações do espetáculo "Baquaqua - Documento Dramático Extraordinário", a programação de reinauguração da Cia do Pássaro para 2025/26 envolve núcleos de pesquisa, a abertura do espaço para ensaios gratuitos de grupos, uma mostra de trabalhos em pequenos formatos, uma temporada de "Jacinta - Você só Morre Quando Dizem seu Nome Pela Última Vez" e um festival musical.

São dois os núcleos de pesquisa que estão com inscrições abertas no período de 28/07 a 10/08:  “Núcleo Políticas Públicas para Cultura e Arte: disputas, conflitos e vetos”, com orientação de Judson Cabral; e “Núcleo de Estudos em Produção Cultural e Elaboração de Projetos para Artistas e Produtoras(es) Independentes”, com Fernando Gimenes. As informações completas encontram-se no Instagram da Cia do Pássaro (@cia_do_passaro). 

A iniciativa foi viabilizada pelo Fomento CULTSP, Política Nacional Aldir Blanc, ProAC Editais 38/2024, Secretaria da Cultura Economia e Indústria Criativas e Ministério da Cultura. Com 14 anos de trajetória, a companhia mantém sua sede em uma verdadeira calçada cultural paulistana, vizinha ao Instituto Capobianco, ao Grupo Redimunho e à Ocupação Nove de Julho.

 
Ficha técnica
Espetáculo "Baquaqua - Documento Dramático Extraordinário"
Elenco: Alessandro Marba e Breno da Matta
Dramaturgia: Dione Carlos e Dawton Abranches
Direção: Dawton Abranches
Assistência de direção: Dione Carlos
Produção: Plataforma - Estúdio de Produção Cultural
Direção de Produção: Fernando Gimenes
Produção Executiva: Rafael Procópio
Consultoria de pesquisas: Bruno Véras
Cenário e figurinos: Pedro de Alcântara
Costureira e confecção de Abaiomys: Maria de Lourdes Ventura
Trilha sonora: LP Daniel
Composição da música ao vivo: Breno da Matta e Alessandro Marba
Operação de som: Dawton Abranches
Orientação musical e de movimentos: Laruama Alves
Criação de luz: Alice Nascimento
Adaptação e operação de luz: Rebeka Teixeira
Painel e aquarelas: Renato Caetano
Designer gráfico: Murilo Thaveira
Fotos: Noelia Nájera
Redes Sociais: Jorge Ferreira
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques, Daniele Valério e Flávia Fontes


Serviço
Espetáculo "Baquaqua - Documento Dramático Extraordinário"
De 2 a 24 de agosto, aos sábados, às 20h00 e, aos domingos, às 19h00
Local: Sede da Cia do Pássaro, Vôo e Teatro - Rua Álvaro de Carvalho, 177 – Centro – São Paulo – SP
Ingressos: gratuitos | Retirar na bilheteria uma hora antes do espetáculo – Sujeito à lotação
Classificação etária: Livre Duração do espetáculo: 60 minutos Capacidade: 40 pessoas
Acessibilidade: O espaço é acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Além disso, todas as apresentações contam com intérpretes de LIBRAS.


Núcleos de Pesquisa
Inscrições até dia 10 de agosto
·Políticas Públicas para Cultura e Arte: disputas, conflitos e vetos. Coordenação: Judson Cabral
· Estudos em Produção Cultural e Elaboração de Projetos. Coordenação: Fernando Gimenes
Inscrições e informações na bio da @cia_do_passaro

.: Musical infantil ensina conceitos de finanças e empreendedorismo


Com dramaturgia de Renata Mizrahi e direção de Leandro Mariz, a peça faz da imaginação dos pequenos um espaço fértil para solidificar boas ideias e práticas. Nova montagem estreia no dia 2 de agosto no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo. Foto: Priscila Prade

Com a missão de ensinar para as crianças, de forma leve e divertida, que o dinheiro não nasce em árvore e que é possível empreender, poupar e realizar sonhos, a peça "De Onde Vem o Dinheiro" ganha uma nova montagem com temporada entre os dias 2 a 31 de agosto no Teatro Ruth Escobar.O trabalho é apresentado pelo Ministério da Cultura, com patrocínio da Nubank, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).  A direção artística é de Leandro Mariz e o elenco traz Aurélio Lima, Inês Munhoz e Titzi Oliveira. 

A realização é do Instituto Arte e Cultura Para Todos, e conta com a produção da WB Produções, comandada por Bruna Dornellas e Wesley Telles, responsável por grandes espetáculos como "Misery", de Stephen King, com Mel Lisboa e Marcello Airoldi; e "Três Mulheres Altas", de Edward Albee, com Suely Franco, Deborah Evelyn e Nathalia Dill. Na história, conhecemos Tina e Antônio, dois melhores amigos de 8 anos que vivem separados por muitos quilômetros, mas unidos pela saudade e pela vontade de se reencontrar. Quando Tininha pede à mãe para visitar o amigo, descobre que a viagem custa dinheiro, e que esse tal de dinheiro tem um caminho até chegar nas nossas mãos.

É então que começa a brincadeira! Inspirada pelos jogos digitais que os dois personagens adoram, Marta, a mãe de Tina, cria um “game da vida real”, transformando a sala de casa em um cenário mágico. Entra em cena a Rainha Dim-Dim  (sua própria versão gamificada) e propõe desafios cheios de música, perguntas e fases. Tudo para ensinar, de forma divertida, sobre poupança, esforço, planejamento e educação financeira. O que parece sonho vira aprendizado e o aprendizado vira conquista. Ao final, Tininha percebe que aprender a lidar com o dinheiro também é uma forma de crescer. "De Onde Vem o Dinheiro?" é um espetáculo que ensina sem ser didático, diverte sem subestimar a inteligência da criança e faz do teatro um espaço vivo para aprender sobre economia, amizade, família e respeito.


Ficha técnica
Espetáculo "De Onde Vem o Dinheiro?"
Idealização: Bruna Dornellas e Wesley Telles
Dramaturgia: Renata Mizrahi
Direção artística: Leandro Mariz
Assistente de direção: Leandro Flores
Elenco: Inês Munhoz, Titzi Oliveira e Aurélio Lima
Direção de produção: Bruna Dornellas e Wesley Telles
Trilha sonora original: Carlos Careqa
Cenografia e figurinos: Paula di Paoli
Iluminação: Leandro Mariz
Visagista: Bruna Recchia
Produção executiva: Leandro Flores e Clarice Coelho 
Produção executiva turnê: Aline Gabetto 
Assistente de produção: Guilherme Balestrero
Designer de LED: Rogério Cândido 
Técnico e operador de luz: GB Tech Art
Técnica e operadora de áudio: Vinicius Soares
Contrarregra: Anderson Assis (Popó)
Intérprete de Libras: Karina Zonzini
Designer gráfico: Alana Karralrey e Jhon Lucas Paes
Gestão de comunicação: Ismara Cardoso
Motion design: JL Estúdio
Fotos de cena: Moises Pazianotto
Fotos de estúdio: Priscila Prade
Vídeos: Stone Vídeos
Ilustrações: Rayan Casagrande
Assessoria jurídica: Maia, Benincá & Miranda Advocacia
Coordenação administrativa: Vianapole Arte e Comunicação
Gestão administrativa: Deivid Andrade
Assessoria contábil: Gavacon Contabilidade
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Gestão de patrocínio: AFAF CONSULTORIA
Produção: WB Produções e WB Entretenimento
Apresentado por: Ministério da Cultura e Nubank
Realização: Instituto Arte e Cultura para Todos


Serviço
Espetáculo "De Onde Vem o Dinheiro?"
Temporada: de 2 a 31 de agosto de 2025
Aos sábados e domingos, às 15h00
Teatro Ruth Escobar - Rua dos Ingleses, 209 - Morro dos Ingleses, São Paulo 
Ingressos: R$ 80,00 (inteira) e R$ 40,00 (meia-entrada)
Vendas on-line em  www.teatroruthescobar.com.br
Gênero: teatro infantil
Classificação: livre
Duração: 60 minutos
Acessibilidade: intérprete de Libras, Programa em Braile e Acessibilidade para Pessoas com Mobilidade Reduzida

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

.: "Amores Materialistas" parece filme francês, mas acaba do jeito americano

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em agosto de 2025


Um longa com pegada de filme francês por conta da carga dramática e rumo diferente da trama -pouco antes do término. Eis que o romance "Amores Materialistas", em cartaz na "Cineflix Cinemas"acontece sem pressa e segue totalmente fora da receita atropelada dos filmes atuais. Todavia, ao se aproximar do desfecho veste a formatação dos longas de jeitinho americano. A produção com direção e roteiro de Celine Song ("Vidas Passadas"), faz rir devido ao sarcasmo do texto, mas, definitivamente, não pode ser enquadrado no gênero comédia.

Nos primeiros minutos, "Amores Materialistasleva o público a uma era em que o cortejo do parceiro era marcado pela companhia e até simples mimos. Sem uma palavra, o casal do tempo da cavernas imprime muito. Assim, o drama romântico chega aos tempos atuais em que a maior casamenteira da Agência Adore, Lucy (Dakota Johnson), celebra o nono enlace matrimonial com seu toque de Midas.

Nos festejos, antes de acalmar a noiva em pânico, a cupido solteirona entra na mira de um homem rotulado pelas casamenteiras de unicórnio, um homem dos sonhos. Portanto, o irmão do noivo, Harry (Pedro Pascal) é quem promete derrubar a premissa levantada no próprio longa de que uma mulher casada com um ricaço é o mesmo que viver na solidão. Em meio aos cortejos na festa do casamento, surge um homem do passado de Lucy, trabalhando no evento como garçom, John (Chris Evans).

O longa de 1 hora e 56 minutos deixa transparecer a necessidade de uma melhor edição, uma vez que prolonga situações em que nada acrescentam para o enredo da apática e insossa Lucy e, talvez por sua beleza, consiga ter a atenção de dois homens distintos, de variadas qualidades e que vivem em seu encalço.

A produção que parece ser diferente, tal qual os filmes franceses, incluindo a estética que imprime na telona e a provocação a refletir sobre as relações, acaba embarcando no romance água com açúcar para mostrar que de nada vale viver num mar de dinheiro e não ter amor. O maior pecado fica no desfecho em que coloca a mulher seguindo seu parceiro, abrindo mão de seu sustento para viver uma história de amor -que não garante um final feliz. A cena enquanto sobem os créditos reforça a ideia de que ainda vale a pena casar -lá estão Lucy com seu amado, assim como o primeiro casal apresentado na trama.

De toda forma, "Amores Materialistas" vale o entretenimento e por reunir atores que defenderam heróis da Mavel como o recente Senhor Fantástico de Pedro Pascal ("Quarteto Fantástico: Primeiros Passos"), a protagonista Madame Teia de Dakota Johnson, assim como Chris Evans, quem deu vida ao Tocha Humana dos antigos filmes de "Quarteto Fantástico" (2005 e 2007) e Capitão América. Só não espere muito!


O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN


"Amores Materialistas" ("Materialists"). Ingressos on-line neste linkGênero: romance, dramaClassificação: 14 anos. Duração: 1h56. Direção: Celine Song. Roteiro: Celine Song. Elenco: Dakota Johnson, Chris Evans, Pedro Pascal, Zoe Winters. Sinopse: Uma casamenteira de Nova York vê seus negócios complicados ao se envolver num triângulo amoroso entre seu ex, agora garçom, e um rico pretendente. Confira os horários: neste link

Trailer "Amores Materialistas"





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: Crítica musical: Vannick Belchior, um novo talento que surge


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto:divulgação

Santos terá a oportunidade de conhecer um pouco da obra de Vannick Belchior, filha do consagrado cantor e compositor Antonio Carlos Belchior.  Ela irá se apresentar no dia 14 de agosto a partir das 20h00 no Quintal da Veia (Rua Julio Conceição, 263 - Vila Mathias), trazendo o seu "Concerto a Palo Seco", com foco na rica obra autoral de Belchior.

Uma curiosidade: até 2020, Vannick Belchior estava muito certa de que seguiria o caminho do Direito e que cantar seria só um sonho de criança. Mas, faltando poucos meses para o mundo ganhar uma nova advogada, ela encontrou o músico Tarcísio Sardinha, velho amigo de seu pai e um dos mais experientes e admirados da cena cearense, que a convida para fazer um show. Foi o que bastou para mostrar o caminho da música para ela, que dois anos mais tarde lançaria o seu primeiro EP. Apresentações na televisão em programas como o "Altas Horas" do Serginho Groisman, serviram para mostrar que a cantora Vannick estava na área.

Nesse "Concerto a Palo Seco", Vannick traz um show mais acústico com releituras de composições consagradas, mescladas com outras canções menos conhecidas do grande público. Dessa forma ela inclui joias como "De Primeira Grandeza", que se mesclam com os conhecidos hits belchiorianos, como "Medo de Avião", "Paralelas" e "Divina Comédia Humana", entre outros. Direção musical e violões: Lu D'Sosa.

Vannick pretende levar o "Concerto a Palo Seco" em outras cidades  no segundo semestre. Para 2026, ela prepara um novo projeto ainda com foco na obra de seu pai e depois pretende investir na carreira como autora, uma coisa que vem amadurecendo aos poucos. “Quando o meu pai faleceu, que eu vi outras pessoas incessantemente regravando e cantando aquela coisa toda. Eu fiquei feliz. Eu pensei: ‘cara, ele merece. Ele merece ser cantado, ele merece estar em cada esquina com alguém cantando mesmo a música dele, a obra dele. Ele merece esse reconhecimento”. Informações sobre o show da Vannick em Santos podem ser acessadas no link https://www.bilheteriaexpress.com.br/ingressos-para-um-concerto-a-palo-seco-com-vannick-belchior-quintal-da-veia-shows-444256910214118.html

"Comentário a Respeito de John"

"De Primeira Grandeza"

"Galos Noites e Quintais"

quinta-feira, 31 de julho de 2025

.: Entrevista: Peter LaRubia e o romance que surgiu de uma cena insuportável


Por 
Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: divulgação

Quando o silêncio fala mais do que a palavra, é porque alguma coisa já morreu - e ninguém teve coragem de enterrar. É nesse terreno movediço entre o que se cala e o que se insinua que o escritor carioca Peter LaRubia finca o quarto romance escrito por ele e, talvez, o mais provocativo: "Dos Quatro Nenhum Sentou à Cabeceira". O título já é um soco educado. A história, um jantar que ninguém digere. E o autor, uma dessas presenças raras: feroz na escrita, mas discreto o suficiente para deixar desconfiado até o leitor mais atento.

Com uma trajetória marcada por frases cortantes, influências díspares (de Eurípides a Mutarelli) e um olhar clínico herdado da psicologia que nunca exerceu, Peter não oferece respostas, mas distribui feridas abertas. O novo livro, publicado pela Editora Patuá, será lançado na Flip 2025, nasceu do impacto de uma cena real: um suicídio presenciado em família. Mas o autor não buscou espetáculo, e sim abismo simbólico. Quem sobrevive a um jantar desses? Nesta entrevista, Peter encara perguntas que talvez preferisse manter sob o tapete da sala de estar. Afinal, como ele mesmo já escreveu, o silêncio também pode ser uma arma. Compre o livro "Dos Quatro Nenhum Sentou à Cabeceira", de Peter LaRubia, neste link.


Resenhando.com - Você escreve sobre o silêncio como quem traduz um grito abafado. Já pensou se, no fundo, a literatura é só um disfarce elegante para a nossa covardia de falar o que realmente sentimos?
Peter LaRubia - Gostei muito da analogia, obrigado. Agora, esse disfarce elegante algumas vezes é movido, sim, pela covardia, outras pela vaidade, outras pela curiosidade, outras vezes também pelo altruísmo, muitas vezes por uma necessidade de autocura e quase sempre por tudo isso junto. A literatura permite que o artista fale de si, mas também abre essa porta maravilhosa que é a da imaginação, a da chance de vestir várias peles e de mostrar muitos mundos.


Resenhando.com - “Dos Quatro Nenhum Sentou à Cabeceira” tem peso de tragédia grega, mas o cenário é um jantar em família. O que é mais insuportável: as tragédias mitológicas ou os almoços de domingo?
Peter LaRubia - Nenhum dos dois supera os jantares de Natal. Porque nada pode trazer alegria mais autêntica ou machucar mais fundo do que as pessoas mais próximas. O que há de trágico desde três mil anos atrás até hoje são os ciclos viciosos e a sensação de inescapibilidade deles. A sensação de que algo está escrito e que é impossível fugir. Como os comportamentos repetitivos que temos com os outros e de como não conseguimos - quase sempre nem nos damos conta - escapar dessa repetição.


Resenhando.com - Um homem se mata diante da ex-mulher e das filhas. Você rumina essa cena há 20 anos. Não seria esse tempo uma espécie de luto emprestado, uma tentativa de ressignificar a própria dor através da dor alheia?
Peter LaRubia - Pode ser. Não saberia dizer. Precisaria de alguns anos de análise pra dar essa resposta. Mas fugi da análise. Talvez por isso tenha escrito o livro. De qualquer forma, o livro acaba tomando um rumo bem diferente da história que ouvi. É a tal porta da imaginação que permite retrabalhar um material num diferente - alquimia das letras.


Resenhando.com - Seu livro é atravessado por mal-entendidos. Qual foi o maior mal-entendido da sua vida que, se não tivesse existido, talvez você nem escreveria?
Peter LaRubia - Impossível dizer. Mas de vez em quando lembro que quase fiz o ensino médio em zootecnia, eu gostava muito de animais e queria estudar e trabalhar com eles, principalmente insetos. Sempre me pego pensando que minha vida seria mais simples e prática, e eu seria muito mais feliz e satisfeito se tivesse tomado esse rumo.


Resenhando.com - Raduan Nassar, Cormac McCarthy, Mutarelli, Eurípides e Sófocles. Numa mesa de bar, com esses cinco, quem você acha que quebraria o silêncio primeiro?
Peter LaRubia - Nenhum. Eles se levantariam um a um se desculpando em gestos confusos e tímidos com a cabeça, sairiam do bar e tomariam o rumo de casa.


Resenhando.com - Frases curtas, imagens densas, diálogos como cordas bambas. Isso é estilo ou é o seu jeito de não deixar o leitor confortável demais?
Peter LaRubia - As duas coisas. A forma é indissociável do conteúdo. O estilo surgiu justamente porque eu precisava deixar o leitor no mesmo desconforto dos personagens.


Resenhando.com - “Entre as coisas humanas que podem nos assombrar, vem a força do verbo em primeiro lugar”, diz a epígrafe. Mas e a ausência do verbo? O que mais lhe assombra: o que foi dito ou o que nunca foi?
Peter LaRubia - O que pode ser dito é o que me dá medo. O que não consigo dizer é o que me persegue.


Resenhando.com - Você estudou Psicologia e Letras, mas nunca atuou. Isso diz mais sobre a universidade brasileira, sobre o mercado de trabalho, ou sobre sua recusa em lidar com a vida real fora da ficção?
Peter LaRubia - A terceira opção. Essa é uma resposta pro divã do terapeuta.


Resenhando.com - Campo Grande, tragédias gregas, bandas de rock alternativo e livros que não consolam. Quem é o Peter LaRubia que você teme que descubram - e quem é o que você tenta proteger?
Peter LaRubia - Independente do que eu responda cada um vai ver o que conseguir/quiser ver. E além do mais, sou apenas um rapaz latino-americano qualquer sem importância nenhuma, a não ser para a minha família e amigos íntimos. O importante mesmo para os outros, espero, são meus livros.


Resenhando.com - Você diz que cada livro é uma tentativa de responder perguntas que nem sabia que tinha. Já cogitou que talvez escreva justamente para não precisar responder a nenhuma?
Peter LaRubia - Pelo contrário, cada vez percebo mais que cada livro é justamente uma tentativa de me conhecer melhor e de lidar melhor com meus demônios.


.: Netflix revela primeiras imagens do filme "O Filho de Mil Homens"


Com direção de Daniel Rezende, produção emocionante chega globalmente à Netflix em 2025; confira a caracterização dos personagens principais. Filme com Rodrigo Santoro e grande elenco é baseado na obra homônima de Valter Hugo Mãe. Fo
to: Marcos Serra Lima / Netflix


A Netflix divulgou, nesta quarta-feira, as primeiras imagens dos personagens principais da adaptação de "O Filho de Mil Homens", filme baseado no livro homônimo de Valter Hugo Mãe. Com direção e roteiro de Daniel Rezende, o longa-metragem é protagonizado por Rodrigo Santoro, Miguel Martines, Rebeca Jamir e Johnny Massaro. "O Filho de Mil Homens" estreia na Netflix em 2025. 

Primeira adaptação de um livro do escritor Valter Hugo Mãe, a obra é um best seller e acompanha Crisóstomo (Rodrigo Santoro), pescador solitário que tem o sonho de ter um filho. Sua vida muda quando ele encontra Camilo (Miguel Martines), um menino órfão que decide acolher. Em uma tentativa de fugir de sua própria dor, Isaura (Rebeca Jamir) cruza o caminho dos dois, e, em seguida, Antonino (Johnny Massaro), um jovem incompreendido, também se conecta com eles. Juntos, os quatro aprendem o significado de família e o propósito de compartilhar a vida.

Com produção da Biônica Filmes e da Barry Company, também fazem parte do elenco Antonio Haddad, Carlos Francisco, Grace Passô, Inez Viana, Juliana Caldas, Lívia Silva, Marcello Escorel, Tuna Dwek, entre outros. 

"O Filho de Mil Homens" foi gravado entre Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, e na Chapada Diamantina, na Bahia. As imagens divulgadas estarão em exposição para o público, a partir de amanhã, 31 de julho, na casa literária Esquina piauí + Netflix, durante a 23ª edição da Flip - Festa Literária Internacional de Paraty, mesma ocasião em que o autor do livro, Valter Hugo Mãe, se reúne com o diretor e roteirista do longa, Daniel Rezende, e a líder de filmes da Netflix Brasil, Higia Ikeda, para debater sobre os aspectos mais relevantes dessa adaptação. Compre o livro "O Filho de Mil Homens", de Valter Hugo Mãe, neste link.

Ficha técnica
"O Filho de Mil Homens"
Direção: Daniel Rezende
Produzido pela Biônica Filme
Roteiro: Daniel Rezende (adaptação do livro O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe)
Produção: Karen Castanho, Juliana Funaro, Bianca Villar, Fernando Fraiha, Krysse Melo, René Sampaio.
Produção Executiva: Bianca Villar, Daniel Rezende, Juliana Funaro, Karen Castanho, Rodrigo Santoro
Elenco: Luciano Baldan
Direção de Fotografia: Azul Serra
Direção de Arte: Taísa Malouf
Figurino: Manuela Mello
Caracterização: Martín Macías Trujillo
Montagem: Marcelo Junqueira
Música: Fábio Góes
Supervisão de Efeitos: Juliano Storchi
Supervisão de pós-produção: Bruno Horowicz Rezende
Produtor associado: João Macedo 


.: Escritora narra o rompimento com a fé em romance com traços autobiográficos


Em "Mulher de Pouca Fé", romance de formação com tintas autobiográficas, Simone Campos conta a jornada de uma menina carioca desde a infância, quando se converte a uma renomada denominação evangélica, até a vida adulta - momento em que rompe com a igreja. Uma história de amadurecimento, vínculos familiares e convicções que, muitas vezes, podem cair por terra. Lançado pela Companhia das Letras, o livro de 240 páginas tem capa de Alles Blau.

Nascida em uma família católica nos anos 1980, a narradora de "Mulher de Pouca Fé" se converte, ainda criança, a uma influente igreja evangélica no Rio de Janeiro depois que o pai decide abraçar a doutrina pentecostal e se torna um fiel fervoroso. Para quem nunca se sentiu acolhida na escola, entre colegas, e pela sociedade de modo geral, a religião surge como resposta para a dor da solidão.

Fazer parte da igreja passa a ter muitos significados. Vestir o rótulo de “crente” num meio de classe média em que eles são minoria a enquadra em um estigma, mas por outro lado faz com que a menina se sinta parte de algo maior. Criança precoce, desde cedo é chamada a cumprir papéis importantes na comunidade religiosa: orar na rádio, cantar no púlpito e, já na adolescência, participar da campanha política de um candidato-pastor e trabalhar como sua ghost-writer.

Ao descrever o desabrochar da sexualidade e do interesse por música e por literatura, a protagonista relata seu percurso espiritual, afetivo e profissional desde a infância até o começo da vida adulta. O machismo aparece como plano de fundo imprescindível da trama, pelo olhar de uma narradora que sente na pele o peso dos comportamentos que a doutrina evangélica rotula como desviantes e condenáveis.

No auge da juventude, alguns episódios fazem com que a personagem passe a questionar as próprias convicções, e ela decide romper com a igreja. Já adulta, recebe o diagnóstico de autismo e busca se reaver com o passado a partir de novas interpretações para os momentos e as situações que a formaram. Mulher de pouca fé é uma obra de ficção que parte de um testemunho real para narrar uma trajetória pouco convencional, em que a religião se apresenta, num primeiro momento, como acolhimento e, mais tarde, como privação. Compre o livro "Mulher de Pouca Fé", de Simone Campos, neste link.

Sobre a autora
Simone Campos nasceu no Rio de Janeiro em 1983. É doutora em literatura pela UERJ e autora de "No Shopping" (7 Letras, 2000), "A Feia Noite" (7 Letras, 2006), "A Vez de Morrer" (Companhia das Letras, 2014) e "Nada Vai Acontecer com Você" (Companhia das Letras, 2021), entre outros livros. Fopto: Luiza Sigulem. Compre os livros de Simone Campos neste link.


.: Nei Lopes traduz conceitos dos direitos humanos para a linguagem cotidiana


Vencedor do Prêmio Jabuti e considerado um dos principais intelectuais brasileiros em atividade, Nei Lopes lança "Dicionário de Direitos Humanos e Afins" pela Editora Civilização Brasileira. Na obra, o autor, compositor e cantor “traduz” quase 500 verbetes para a fala popular, esclarecendo conceitos e práticas ligadas aos direitos humanos. Nei é um dos autores confirmados na programação oficial da Flip 2025.

Figura essencial para o pensamento brasileiro, no livro ele oferece ferramentas para ampliar a leitura de mundo de pesquisadores, ativistas, educadores e estudantes. Mais do que palavras impressas no papel, os significados listados no livro têm implicações na vida prática. A obra reúne quase 500 verbetes que explicam, em linguagem acessível, termos relacionados a esse vasto campo teórico e de prática que assegura a dignidade a todas as pessoas, principalmente àquelas pertencentes a grupos não hegemônicos. E faz isso apresentando com a mesma clareza e profundidade tanto conceitos populares, como “periferia”, “discurso de ódio” e “samba”, quanto os que circulam mais restritamente, como “decolonialidade”, “Estado democrático de direito” e “lugar de fala”.

Como Carlos Alberto Medeiros afirma no prefácio do livro, este "Dicionário de Direitos Humanos e Afins" poderia ser descrito como manual antirreacionarismo. "Capaz de transmitir os princípios básicos a serem defendidos por todos aqueles que valorizam a convivência harmônica e o apoio mútuo entre os seres humanos”, define.

Com obras que vão da música à literatura, Nei Lopes se consagra como um dos intelectuais mais prolíficos e multifacetados do país. Seu mais novo livro desmitifica conceitos e expressões que antes ficavam restritos à esfera acadêmica. Dessa forma, além da obra ser uma rica fonte de estudo, o autor traz, para as massas, a clareza no que diz respeito a defesa dos direitos da cidadania de todo o povo brasileiro. Compre o livro "Dicionário de Direitos Humanos e Afins" neste link.


Sobre o autor
Nei Lopes
(Rio de Janeiro, 1942) é bacharel em Direito e Ciências Sociais pela UFRJ e doutor honoris causa por quatro prestigiosas universidades: UFRJ, UERJ, UFRRJ e UFRGS. Autor de mais de quarenta livros, incluindo ficção e poesia, assina também diversas obras de referência, como "Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana" (Selo Negro) e "Novo Dicionário Banto do Brasil" (Pallas). 

Na música popular, sobretudo no samba, é compositor premiado, com parcerias renomadas e obras interpretadas por grandes artistas, como Alcione, Candeia, Clara Nunes, Dona Ivone Lara e Zeca Pagodinho. Recebeu a prestigiosa medalha da Ordem do Rio Branco pela importância de sua obra sobre cultura africana e afro-diaspórica. Pela editora Civilização Brasileira, publicou "Dicionário da História Social do Samba", vencedor do Prêmio Jabuti de Livro do Ano de Não Ficção, e "Filosofias Africanas: uma Introdução" (ambos em parceria com Luiz Antonio Simas), além de "Dicionário da Antiguidade Africana". Compre os livros de Nei Lopes neste link.

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