terça-feira, 12 de agosto de 2025

.: Chad Michael Murray retoma papel em “Uma Sexta-feira Mais Louca Ainda”


Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. 

Em “Uma Sexta-feira Mais Louca Ainda” (“Freakier Friday”), em cartaz nos cinemas brasileiros, o público reencontra não apenas Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan no papel das icônicas Tess e Anna Coleman, mas também um dos personagens mais queridos do filme original de 2003: Jake, vivido por Chad Michael Murray. No novo longa-metragem, Jake continua arrancando suspiros com a moto e o cabelo impecáveis, mas agora ele é proprietário da loja de discos The Record Parlour - um retorno que promete aquecer o coração dos fãs nostálgicos.

A volta de Murray ao papel é mais um capítulo de uma carreira marcada por papéis que se tornaram referências para toda uma geração. O ator ganhou projeção internacional no início dos anos 2000, especialmente com o papel de Lucas Scott no seriado “One Tree Hill” (2003–2012), drama adolescente que conquistou fãs fiéis ao longo de nove temporadas. Antes disso, já havia participado de produções populares como “Gilmore Girls” e “Dawson’s Creek”, consolidando-se como um dos rostos mais conhecidos da TV americana na época.

No cinema, um ds trabalhos mais lembrados de Chad Murray é o suspense de terror “A Casa de Cera” (2005), no qual contracenou com Elisha Cuthbert e Paris Hilton. O filme, que se tornou cult entre os fãs do gênero, mostrou um lado mais sombrio do ator, distante dos papéis românticos e dramáticos que o consagraram na televisão. Murray também participou de produções como “A Nova Cinderela” (2004), ao lado de Hilary Duff, reforçando seu status de galã juvenil da década.

Agora, em “Uma Sexta-feira Mais Louca Ainda”, o ator revisita um papel que, embora pequeno no primeiro filme, marcou presença no imaginário do público como o crush definitivo da personagem Anna. Dirigido por Nisha Ganatra e baseado no livro "Que Sexta-feira Mais Pirada!", de Mary Rodgers, o novo filme mistura nostalgia e frescor, trazendo novamente personagens e elementos que fizeram sucesso há 22 anos.

Com roteiro de Jordan Weiss e Elyse Hollander, o filme tem no elenco Maitreyi Ramakrishnan, Julia Butters, Sophia Hammons, Manny Jacinto, Vanessa Bayer, Rosalind Chao e Mark Harmon. A comédia, distribuída pela Disney no Brasil, tem 115 minutos de duração, classificação indicativa livre e uma única cena pós-créditos, que deve agradar especialmente aos fãs de longa data. Seja como o misterioso Jake, o romântico Lucas Scott ou o sobrevivente de “A Casa de Cera”, Chad Michael Murray construiu uma trajetória que atravessa diferentes gêneros e públicos. E agora, com seu retorno à franquia, prova que alguns personagens - e até mesmo alguns atores - continuam inesquecíveis.

Assista no Cineflix mais perto de você
As principais estreias da semana e os melhores filmes em cartaz podem ser assistidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.


“Uma Sexta-feira Mais Louca Ainda” | "Freakier Friday" | “Sexta-feira Ainda Mais Louca” | Sala 2
Classificação indicativa: livre. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês. Direção: Nisha Ganatra.
Roteiro: Jordan Weiss, Elyse Hollander. Elenco: Jamie Lee Curtis, Lindsay Lohan, Julia Butters, Sophia Hammons, Manny Jacinto, Maitreyi Ramakrishnan, Rosalind Chao, Chad Michael Murray, Vanessa Bayer, Mark Harmon e outros. Distribuição no Brasil: Walt Disney Studios. Duração: 115 minutos. Cenas pós-créditos: sim, uma.


Legendado
12/8/2025 - Terça-feira: 18h10 e 20h40
13/8/2025 - Quarta-feira: 18h10 e 20h40


Leia+

.: Comédia francesa "Uma Semana, Nada Mais" estreia no Teatro Uol


Versão brasileira tem direção de João Fonseca e desnuda as contradições das relações afetivas contemporâneas. Foto: Caio Gallucci

Sucesso de público na América Latina, o espetáculo "Uma Semana, Nada Mais" estreia temporada no Teatro Uol, em São Paulo, no dia 6 de setembro, onde permanece em cartaz até 26 de outubro. As sessões acontecem aos sábados e domingos, às 18h00. A montagem é uma adaptação da comédia francesa de Clément Michel, que já foi vista por mais de 400 mil pessoas em países como Argentina, Uruguai e Chile. No Brasil, a versão tem direção de João Fonseca, tradução de Priscilla Squeff e reúne no elenco Sophia Abrahão, Leandro Luna e Beto Schultz. A produção é da Viva Cultural e Zero Grau Filmes. 

Na trama, Pablo (Leandro Luna) pede ao seu melhor amigo Martín (Beto Schultz) que vá morar com ele e sua namorada Sofía (Sophia Abrahão). O objetivo é claro: desestabilizar a relação para provocar o fim do namoro. O plano se estende por uma semana - tempo suficiente para expor fragilidades, egoísmos e contradições dos três personagens.  A convivência forçada serve de pano de fundo para discutir os limites dos relacionamentos afetivos contemporâneos, por meio do humor. A encenação aposta no riso como meio de provocar reflexão sobre o modo como construímos - e desmontamos - nossas relações interpessoais. 

Para João Fonseca, que assina a direção, o interesse pela peça veio do modo como a trama se desdobra. “A forma surpreendente e divertida de como vai se desenrolando a história foi o que mais me atraiu”, comenta. Ele destaca ainda a importância do equilíbrio entre comicidade e desconforto. “Trabalhamos o ritmo cômico aproveitando ao máximo as situações propostas, para que o humor surja naturalmente, sem exageros”. 

Responsável pela tradução e adaptação do texto, Priscilla Squeff destaca que a versão brasileira partiu da montagem argentina, o que aproximou o ritmo da comédia do nosso repertório cultural. “Tive que localizar algumas referências, atualizando situações para que ressoassem com o público brasileiro sem perder o espírito original da peça. O maior desafio é ajustar o tempo cômico: os contrapontos verbais precisavam funcionar no nosso ritmo”. 

Nesse processo, o ponto de partida foi confiar nos personagens. “Eles são humanos, falhos, exagerados - e justamente por isso, engraçados. A ideia é preservar o humor, mas sem se descuidar da camada crítica: a dificuldade de comunicação nos relacionamentos, o medo do confronto, os jogos de poder afetivo. Acredito que o público vai rir de si mesmo, do amigo, do ex, daquele momento constrangedor que todos já viveram ou ouviram falar”

Sophia Abrahão aponta a ausência de comunicação como tema central do espetáculo. “O que me chama muito atenção é o retrato de como as pessoas podem se desconectar. Todas as confusões que acontecem na peça são por falta de diálogo. As situações vão ficando cada vez mais absurdas porque faltou comunicação. Gostaria muito que o público refletisse sobre isso” .

Sobre sua personagem, a atriz vê identificação pessoal: “A Sofía é bem parecida comigo. Ela é do diálogo, quer conversar, expressar seus sentimentos e refletir sobre a relação. Tenho bastante isso nos meus relacionamentos, gosto de deixar as coisas bem claras”

Para o ator Leandro Luna, o espetáculo levanta questões sobre padrões afetivos e relações sociais. “Todos nós nos encaixamos em um tipo de padrão de relacionamento. A peça apresenta de forma explicita, caraterísticas que se enquadram nesses padrões e nos fazem refletir sobre como estamos nos relacionando nos dias de hoje, em como reagimos ao lidar com os nossos medos e inseguranças, e o quanto conseguimos ser verdadeiros nas nossas relações”

Já Beto Schultz destaca a importância da confiança. “Acho que a reflexão que fica é que a verdade se prova, mais uma vez, peça essencial para qualquer relação, seja ela de amizade, profissional ou amorosa. Muitas vezes tomamos importantes decisões sem pensar e refletir o que pode causar problemas difíceis de resolver”

João Fonseca também reflete sobre a conexão entre o texto original e o público brasileiro: “A peça traz questões universais a respeito das relações amorosas, de fácil identificação em qualquer lugar do mundo, e por isso seu sucesso. Acredito que o talento e o timing de comédia dos atores brasileiros vai potencializar ainda mais essa comédia”


Serviço
Espetáculo "Uma Semana, Nada Mais"
De 6 de setembro a 26 de outubro.
Sessões: aos sábados e domingos, às 18h00.
Classificação etária: 14 anos.
Duração: 80 minutos.
Ingressos: R$100,00 (inteira) / R$ 50,00 (meia).
Link para vendas:
Teatro Uol - Shopping Pátio Higienópolis
Alameda Santos, 2233 – Higienópolis / São Paulo

.: Alessandra Maestrini apresenta show "Yentl em Concerto" no Sesc Pompeia


Em quatro shows autorais diferentes, série de espetáculos celebra a força cênica de grandes atrizes, que também são cantoras espetaculares. Além de Alessandra Maestrini, apresentam-se Letícia Soares, Virgínia Rosa e 
Letícia Sabatella. Foto: Priscila Prade

Atriz e cantora, Alessandra Maestrini abre a série de espetáculos "Cantrizes", no Sesc Pompeia, nesta quinta-feira, dia 14 de agosto, às 20h00, com o show "Yentl em Concerto". À frente de grandes personagens da TV brasileira e grande protagonista de musicais montados no país, Maestrini une canções de Michel Legrand a trechos do conto original de Isaac Bashevis Singer. Reconhecida pela técnica vocal impecável e com direção musical de João Carlos Coutinho, ela entrega um de seus trabalhos mais pessoais e arrebatadores.

Inspirado no conto e no filme de Barbra Streisand, o espetáculo narra a jornada de Yentl, uma jovem judia que desafia os limites impostos às mulheres por meio do conhecimento e do amor. Com roteiro e direção de Maestrini, a história é contada apenas com voz e piano, em um formato intimista e profundamente teatral. 

Outros shows da série "Cantrizes" no Sesc Pompeia: Letícia Soares em "Letícia Soares Canta Gal", sexta-feira, dia 15 de agosto, às 20h00. Virgínia Rosa em "Luz das Estrelas - Virgínia Rosa Canta Raul Seixas", sábado, dia 16 de agosto, às 20h00. Letícia Sabatella em "Letícia Sabatella, Voz e Piano", domingo, dia 17 de agosto, às 18h00.


"Cantrizes" no Sesc Pompeia
Nos dias 14, 15, 16 e 17 de agosto, no Teatro do Sesc Pompeia, acontece “Cantrizes”, série de espetáculos que celebra um grupo raro e precioso: atrizes que também são cantoras espetaculares. São intérpretes completas, que levam ao palco não apenas a afinação vocal, mas a escuta, o gesto, a presença. Mulheres que transformam cada canção numa cena, cada espetáculo num mergulho sensível.

Nesta edição, quatro artistas com carreiras consolidadas - na música, no teatro, na televisão e no cinema - apresentam seus shows autorais em quatro noites seguidas. Na quinta-feira, dia 14 de agosto, Alessandra Maestrini abre essa série de espetáculos com "Yentl em Concerto", inspirado em conto de Isaac Bashevis Singer e no filme de Barbra Streisand, com músicas de Michel Legrand. Na sexta-feira, dia 15 de agosto, Letícia Soares percorre diferentes fases da carreira de Gal Costa no espetáculo Letícia canta Gal. 

Sábado, dia 16 de agosto, Virgínia Rosa apresenta "Luz das Estrelas - Virgínia Rosa" canta Raul Seixas, em que dá voz ao lado poético, filosófico e romântico do maluco beleza. Encerrando a série, Letícia Sabatella sobe ao palco no dia 17 de agosto com o show intimista, "Voz e Piano", em que reúne canções que refletem sua trajetória interior e dialogam com temas como natureza, amor, ancestralidade e liberdade. "Cantrizes" não é apenas uma mostra de shows. É um manifesto a favor da arte feita com corpo inteiro - onde atuação e música caminham juntas, sem hierarquias, sem rótulos. Um convite para escutar com outros sentidos.


Ficha técnica
Alessandra Maestrini apresenta "Yentl em Concerto"
Idealização, roteiro, direção e intérprete: Alessandra Maestrini
Direção musical e ao piano: João Carlos Coutinho
Músicas: Michel Legrand
Letras: Alan & Marilyn Bergman
Baseado no conto de Isaac Bashevis Singer “Yentl The Yeshiva Boy” e no filme “Yentl” de Barbra Streisand
Figurino: Fábio Namatame
Visagismo: Wilson Eliodoro
Som: Mario Jorge Andrade
Design de luz: Wagner Freire
Fotografias: Priscila Prade
Diretor de produção: Deco Gedeon


Quinta-feira, dia 14 de agosto, às 20h00 - Alessandra Maestrini em "Yentl em Concerto" - Ingressos on-line neste link
Sexta-feira, dia 15 de agosto, às 20h00 - Letícia Soares em "Letícia Soares Canta Gal" - Ingressos on-line neste link
Sábado, dia 16 de agosto, às 20h00 - Virgínia Rosa em "Luz das Estrelas - Virgínia Rosa Canta Raul Seixas" - Ingressos on-line neste link
Domingo, dia 17 de agosto, às 18h00 - Letícia Sabatella em "Letícia Sabatella, Voz e PianoIngressos on-line neste link


Serviço | "Cantrizes"
Dias 14, 15, 16 e 17 de agosto
Local: Teatro do Sesc Pompeia
Rua Clélia, 93 - Pompeia / São Paulo
Ingressos: R$ 21,00 (Credencial plena), R$ 35,00 (meia-entrada), R$ 70,00 (inteira)
Ingressos à venda on-line e nas bilheterias do Sesc 
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: livre

domingo, 10 de agosto de 2025

.: "Antes do Início": Ernesto Mané encara o passado com olhos de futuro

Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: Valeria Fiorini

Doutor em física nuclear, diplomata de carreira, pesquisador em centros de excelência como o CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear) e a Universidade de Princeton - Ernesto Mané poderia, com facilidade, ser apenas um desses nomes que figuram em listas internacionais de prestígio, como a dos 100 negros mais influentes do mundo segundo a plataforma global MIPAD (Most Influential People of African Descent). Mas ele decidiu se mover por outro campo de força: o das memórias partidas.

Em "Antes do Início", livro de estreia dele publicado pela Tinta-da-China Brasil, Ernesto embarca em uma travessia que vai além do Atlântico. Vai do abandono ao pertencimento, do racismo velado às feridas expostas, da ciência para a espiritualidade, em uma escrita híbrida que combina diário de viagem, ensaio e confissão. Ao retornar à Guiné-Bissau em busca da família paterna, o autor confronta heranças esquecidas, desmancha mitos familiares e apresenta uma África real - nem exótica, nem idealizada - onde a fome e a alegria dividem o mesmo prato.

Filho de uma paraibana e de um guineense que o deixou aos sete anos, Ernesto Mané não se contenta em ser um sobrevivente da meritocracia. Quer ser ponte. Ou, como sugere nas páginas do livro escrito por ele, uma espécie de embaixador informal entre dois mundos que se evitam: o Brasil que apagou a África da memória e a África que não reconhece o Brasil como semelhante.

Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, ele fala sobre relações interrompidas, a difícil arte de construir identidade em terra movediça e os desafios de existir entre continentes, línguas, códigos e silêncios. Porque, às vezes, antes do início, há uma urgência: a de não esquecer. Compre o livro "Antes do Início", de Ernesto Mané, neste link.


Resenhando.com - Você é doutor em Física Nuclear e diplomata. Agora se lança como autor de um diário afetivo sobre ancestralidade. Onde termina o cientista cético e começa o filho órfão de continente, tentando religar os fios rompidos da Kalunga?
Ernesto Mané - Da maneira como vejo, existe um contínuo entre o cientista e o filho da diáspora africana. Quando fui estudar física na Europa, me sentia incomodado com todo o processo. Havia uma relação quase colonial, em que eu, um jovem negro vindo de um país periférico, estava sendo “civilizado” pelos europeus. Essa tensão sempre esteve presente. Por outro lado, desde o final da adolescência vinha nutrindo o desejo de conhecer a Guiné-Bissau e minha família paterna, de modo que só consegui reunir as condições materiais para realizar a viagem depois de ter completado o doutorado.


Resenhando.com - 
No livro, seu pai surge como uma figura dividida entre a fuga e o abandono. Que palavras o Ernesto de hoje, pai e diplomata, diria ao pai que partiu quando você tinha sete anos?
Ernesto Mané Diria para ele ainda que, embora eu hoje entenda mais sobre as complexidades da vida, ainda tenho dificuldade de entender a escolha que ele fez de abandonar seus filhos tanto da África quanto os do Brasil, sobretudo se considerar que morávamos na mesma cidade, em João Pessoa. Sua falta foi sentida e precisávamos de uma referência e de alguém que nos protegesse do racismo e da branquitude. Na falta dele, tive que aprender a lidar com essas questões do jeito mais doloroso.


Resenhando.com - Você já foi chamado de “macaco” nas ruas do Brasil e de “branco” nas ruas de Bissau. O que significa para você habitar essa encruzilhada racial em que nenhuma identidade parece bastar?
Ernesto Mané Não me resta dúvidas de que sou um homem fenotipicamente negro, embora seja mestiço. Ter sido chamado de “branco” pelas crianças da Guiné-Bissau tem muito a ver com o fato de eles considerarem o Brasil como “terra de gente branca”, ou seja, não está presente no imaginário de uma criança guineense que o Brasil seja um país majoritariamente negro - o segundo maior país negro depois da Nigeria. Além disso, ser “branco” está relacionado a uma questão de poder, e eu, pelo fato de ser estrangeiro, projetava esse poder através da forma de me vestir, de falar e de portar comigo uma câmera fotográfica digital - todos códigos relacionados com o poder financeiro e com a branquitude no imaginário deles.


Resenhando.com - Em “Antes do Início”, você revela que ninguém em sua família africana toca tambores ou veste roupas tradicionais, mas você ensina capoeira angola às crianças da Guiné. A cultura afro-brasileira está mais próxima da África do que a própria África?
Ernesto Mané Algumas mulheres da minha família, inclusive a minha avó, usam roupas tradicionais. De fato, não tive contato com nenhum parente que tocasse instrumentos musicais locais. Mas isso não os torna menos africanos. São indivíduos pertencentes a um continente que possui uma diversidade cultural riquíssima e que continua sendo a fonte de referência para toda a diáspora, incluindo o Brasil.


Se fosse possível colocar seu livro nas mãos de uma única pessoa - viva ou morta - para que ela o lesse com atenção, quem seria essa pessoa?
Ernesto Mané Seria o meu pai, seguramente. Na verdade, o diário de viagem que serviu de inspiração para o livro ficou por algum tempo guardado junto com alguns dos meus pertences na casa do meu pai. Tenho algumas evidências de que ele talvez tenha lido o diário, embora nem ele nem eu jamais tenhamos puxado o assunto em nossas conversas.


Em algum momento, entre o transporte de uma galinha viva e os silêncios da memória familiar, você se sentiu um estrangeiro em sua própria origem?
Ernesto Mané Eu me senti bastante acolhido pela minha família africana. A etnia a qual pertenço, a balanta, é patrilinear, de modo que todos reconheceram que eu era guineense, a única diferença sendo a de que eu fui “parido fora” da Guiné-Bissau. Hoje, minha leitura sobre os silêncios da memória familiar tem muito a ver com o dano causado pelo colonialismo ao tecido social e familiar do país, que sofreu com a presença colonial portuguesa por mais de 500 anos. Esse dano causou e causa muita dor, sofrimento e vergonha para todos os afetados, de modo que eu entendo que estava sendo poupado pela minha própria família dos detalhes acerca de um capítulo triste da história recente da Guiné-Bissau.


Você é um diplomata que lida com desarmamento e segurança internacional, mas seu livro desmonta outro tipo de armamento: o emocional, o simbólico, o familiar. Foi mais difícil negociar com líderes mundiais ou com seus próprios fantasmas?
Ernesto Mané Se, por um lado, minha decisão de publicar livro sobre a viagem que fiz a Guiné-Bissau foi fruto de uma negociação interna, em que tive que lidar com meus próprios fantasmas, por outro, a questão do armamento nuclear está intimamente vinculada com as relações coloniais. Portugal, por exemplo, já fazia parte da Organização do Tratado do Atlantico Norte - OTAN, durante a luta pela independência da Guiné-Bissau. Cabe lembrar que a OTAN é uma aliança fundada em cima do poderio nuclear de seus membros. Atualmente vivemos em um período de grande tensão internacional, que tem colocado em xeque a segurança de toda a humanidade. Meu trabalho como diplomata e como físico tem sido guiado pela convicção de que essas armas precisam ser eliminadas, pois representam um grande risco existencial. Sem dúvidas, essa tarefa é urgente e muito mais difícil do que lidar com meus próprios fantasmas, uma vez que o livro foi publicado, mas os países nuclearmente armados seguem aumentando seus arsenais.


O crioulo é falado por todos na Guiné-Bissau, mas não é língua oficial. No Brasil, o racismo é falado em silêncio, mas rege as relações sociais. Em qual idioma se traduz melhor o que é ser negro entre dois mundos?
Ernesto Mané Fiz essa reflexão no livro, em que verifiquei ser o crioulo a língua franca da Guiné-Bissau, ao passo que o português ainda está associado com a língua do colonizador. Registrei que minha avó simplesmente se recusava a falar o português, ao mesmo tempo em que há guineenses que deixam de ensinam o crioulo a seus filhos, por acreditarem ser o português o melhor veículo para ascensão social. No Brasil, país que se tornou independente a mais tempo, acabamos por moldar o português através das contribuições dos africanos trazidos para cá e das nações originarias, como nos ensinou Lélia Gonzales. Em ambos os casos, o crioulo e o português brasileiro trazem consigo a marca da resistência contra o colonizador.


Sua trajetória parece negar a ideia de origem fixa - como se você tivesse que começar sempre outra vez. Qual é o seu ponto de partida hoje?
Ernesto Mané Essa sensação de ter que recomeçar constitui experiencia definidora dos processos diaspóricos. Ao longo de cinco séculos, sofremos violências físicas, psicológicas, epistêmicas e materiais. Muitas vezes, o que temos é apenas nosso corpo. Meu ponto de partida é saber que carrego comigo esse legado e tenho que seguir a diante, reconstruindo pontes e criando possibilidades de existir. Isso passa, por exemplo, em ser capaz de garantir as condições para que as próximas gerações não tenham que começar do zero.


Para quem acredita na meritocracia como dogma, sua trajetória seria um exemplo da famosa “superação”. Mas você parece rejeitar esse rótulo. O que existe por trás do homem que venceu - e o que ele ainda precisa perder para se reencontrar?
Ernesto Mané Existe uma pessoa que cobra de si o tempo inteiro excelência em tudo o que faz, porque não consegue esquecer uma frase que ele escutou ainda quando criança, vinda de pessoas próximas: “o preto quando não caga na entrada, caga na saída”. Essa frase é de um fatalismo gigantesco, porque não importa o quanto você seja um “vencedor”, a branquitude sela o seu destino, ao dizer que você, em dado momento, vai colocar tudo a perder, pelo fato de ser preto. Eu trabalho tanto para assegurar que esse dia nunca chegue, mas, se chegar, preciso ser capaz de reivindicar minha humanidade, porque como cantava o mestre Jorge Bem, “errare humanum est”.


sábado, 9 de agosto de 2025

.: Bernadete Moraes revela como a mente sabota e como reprogramá-la

Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: divulgação

Em um cenário em que a busca por autoconhecimento e saúde mental ganha cada vez mais urgência, Bernadete Moraes - psicanalista, pedagoga sistêmica e hipnoterapeuta - chega para desafiar o leitor a encarar a maior armadilha que as pessoas criam: as mentiras internas que bloqueiam o desenvolvimento e paz interior. Coautora do best-seller "Seja (Im) Perfeito", ela lança agora o livro "Pare de Mentir para Si Mesmo", publicado pela Editora Gente.

A obra que mergulha fundo nas ilusões mentais que sustentam a autossabotagem e oferece um método psicossistêmico para desmontar essas narrativas falsas e resgatar a autonomia emocional. Nesta entrevista exclusiva para o Resenhando.com, ela conversa sobre as complexas dinâmicas entre mente, trauma, crenças limitantes e liberdade emocional - e desafia você a parar de se enganar e reescrever uma história de vida com coragem e clareza. Compre o livro "Pare de Mentir para Si Mesmo", de Bernadete Moraes, neste link.


Resenhando.com - A mente humana é expert em criar narrativas para se proteger - até que ponto essa autossabotagem pode ser considerada uma forma de autopreservação legítima e quando ela se torna um cárcere mental?
Bernadete Moraes - A autossabotagem é, muitas vezes, um grito de autopreservação. A mente cria narrativas ilusórias para evitar o sofrimento, repetindo padrões que mantêm o indivíduo em uma zona conhecida - ainda que dolorosa. No olhar psicossistêmico, isso é compreendido como uma estratégia inconsciente de sobrevivência, enraizada em traumas, lealdades familiares e crenças limitantes. Ela se torna um cárcere mental quando impede o fluxo natural da vida, bloqueando o movimento da alma rumo ao crescimento, à liberdade e à verdade pessoal.


Resenhando.com - Seu método integra ciência, psicanálise, hipnose e abordagens sistêmicas. Você acredita que o autoconhecimento profundo pode substituir, em algum momento, a necessidade de medicação para transtornos mentais, ou essas ferramentas devem sempre caminhar juntas?
Bernadete Moraes - A medicina tem seu lugar e deve ser respeitada. No entanto, muitas vezes a medicação trata o sintoma, não a causa. O autoconhecimento profundo, quando conduzido de forma ética, amorosa e integrada, pode transformar o terreno onde o sofrimento se instala. Já acompanhei casos em que a transformação foi tão significativa que a medicação se tornou desnecessária — sempre com acompanhamento médico. O psicossistêmico não substitui, mas complementa. Ele convida o paciente a se tornar o protagonista da própria cura.


Resenhando.com - No seu livro, você fala em “mentiras que contamos a nós mesmos”. Qual é a mentira mais comum e mais perigosa que as pessoas se contam, e que poucos têm coragem de confrontar?
Bernadete Moraes - A mais comum e perigosa é: “Eu sou assim mesmo, não tem jeito”. Essa mentira cristaliza a identidade em um lugar de impotência, como se a pessoa estivesse condenada a repetir o que viveu. No fundo, ela esconde medo, dor e vergonha. Confrontar essa mentira exige olhar para as feridas da infância, para os condicionamentos herdados - e isso dói. Mas é aí que começa a libertação.


Resenhando.com - Em sua experiência, até que ponto as “lealdades familiares” inconscientes moldam nossas escolhas - e como se libertar dessas amarras sem romper com a própria história?
Bernadete Moraes - As lealdades familiares moldam nossas escolhas de forma profunda. No inconsciente, existe o desejo de “pertencer” à família, mesmo que isso signifique repetir fracassos, doenças ou dores ancestrais. Libertar-se dessas amarras não é desrespeitar a história, mas honrá-la de forma madura: reconhecendo que é possível continuar o legado familiar com mais saúde, consciência e liberdade. No Método Psicossistêmico, trabalhamos esse rompimento simbólico com amor, inclusão e verdade.


Resenhando.com - O que você diria a quem está preso no ciclo da autossabotagem, mas teme encarar as próprias feridas porque tem medo do que pode encontrar?
Bernadete Moraes - Eu diria: você já está convivendo com a dor - só que ela está disfarçada de rotina. Encarar as feridas dói, sim. Mas negar esse enfrentamento gera um sofrimento silencioso, contínuo e, muitas vezes, devastador. O medo passa. A cura fica. Enfrentar as sombras é um ato de amor-próprio - e no caminho, você vai descobrir uma força que nem imaginava que tinha.


Resenhando.com - Como psicanalista e educadora, você vê a educação formal atual preparada para integrar saúde mental de forma efetiva, ou ainda seguimos numa lógica obsoleta que alimenta crenças limitantes?
Bernadete Moraes - Ainda vivemos uma educação que prioriza notas, desempenho e controle. Pouco se fala sobre emoções, pertencimento e sentido de vida. A criança é vista como um “aluno”, não como um ser sistêmico com uma história, uma família e uma subjetividade. A mudança já começou, mas ainda é tímida. Precisamos educar para o ser, não apenas para o fazer.


Resenhando.com - Você liderou projetos em políticas públicas para autoestima e autoconhecimento. Qual é o maior desafio para que as esferas públicas e privadas adotem a saúde emocional como prioridade real?
Bernadete Moraes - O maior desafio é a mentalidade de curto prazo. Muitos gestores ainda enxergam a saúde emocional como algo secundário ou intangível. O olhar psicossistêmico mostra que o emocional impacta diretamente nos resultados - seja na educação, na produtividade ou na saúde pública. Falta coragem política e visão humanizada. O futuro será de quem compreender isso agora.


Resenhando.com - O seu livro propõe exercícios vivenciais para desbloquear emoções. Na sua opinião, por que a maioria das pessoas prefere soluções rápidas, como remédios ou fórmulas mágicas, ao invés de se engajar nesse processo de autorresponsabilidade?
Bernadete Moraes - Porque fomos educados a não sentir. A sociedade nos vendeu a ilusão de que curar é apagar o sintoma - e não entender o que ele quer dizer. O remédio, muitas vezes, alivia. Mas só o mergulho consciente cura. As pessoas fogem da autorresponsabilidade porque ela exige mudança, atitude e enfrentamento. Mas só ela nos devolve o poder da vida.


Resenhando.com - A autossabotagem muitas vezes é invisível até para quem a vive. Quais sinais sutis indicam que alguém está preso nessa armadilha mental?
Bernadete Moraes - Sinais como: procrastinar sonhos, atrair relacionamentos tóxicos, ter medo de crescer, sentir culpa quando se sente feliz, repetir padrões familiares de fracasso. Tudo isso são vozes internas dizendo: “Você não pode”, “Você não merece”, “É melhor não tentar”. O olhar psicossistêmico ajuda a ouvir essas vozes e ressignificá-las.


Resenhando.com - Se você pudesse implantar uma mudança radical no modo como a sociedade enxerga a mente e o sofrimento psíquico, qual seria o ponto central dessa revolução?
Bernadete Moraes - Eu implantaria a consciência de que o sofrimento psíquico é um pedido de escuta da alma, ou da mente profunda. Não é fraqueza, não é falha, não é desvio. É uma tentativa de reorganizar a história interna. Se a sociedade aprendesse a acolher a dor com presença, sem julgamento e com responsabilidade, viveríamos em uma cultura de saúde integral - não de repressão emocional.


.: O cotidiano é mais bonito pelo olhar de Maria Ribeiro em novo livro de crônicas


A atriz, escritora e documentarista Maria Ribeiro estreia na editora Record com "Não Sei Se É Bom, Mas É Teu", compilação de crônicas escritas desde 2018. Com prefácio de Anitta, posfácio de Caetano Veloso e texto de orelha de Alexandre Machado, o livro traz reflexões sobre questões contemporâneas, de futebol a menopausa, de João Gilberto a maternidade. Muitas das crônicas têm viralizado nas redes por meio da leitura da autora

Maria Ribeiro lança o livro no dia 14 de agosto, às 19h00, na livraria Argumento (Rua Dias Ferreira, 417 - Leblon, Rio de Janeiro). No último sábado, ela participou da Casa Record na Flip, diante de centenas de pessoas, conversando com Dani Arrais sobre o novo livro na mesa Ultimamente têm passado muitos anos. A frase, do ídolo Rubem Braga, é epígrafe de "Não Sei Se É Bom, Mas É Teu", resumindo as transformações de Maria Ribeiro que agora vemos nestas páginas

Dez anos após o último livro escrito por ela, Maria Ribeiro retorna com "Não Sei Se É Bom, Mas É Teu", reunião de mais de 70 textos. Aqui a autora escreve como quem conversa, registrando o cotidiano com seu olhar aguçado de cronista. O título remete a uma fala de Paulo José no filme "Todas as Mulheres do Mundo", de Domingos Oliveira, que foi um grande amigo e parceiro profissional de Maria Ribeiro.

Nas páginas de "Não Sei Se É Bom, Mas É Teu", acompanhamos desde fatos da vida comum a grandes acontecimentos, sempre a partir da sensibilidade de uma mulher que vem se transformando radicalmente junto com o Brasil e o seu tempo. Compre o livro "Não Sei Se É Bom, Mas É Teu", de Maria Ribeiro, neste link.


Sobre os textos
“Nenhum dia é apenas mais um dia. Maria tem um olhar clínico da vida, sua clínica é especializada em dramaturgia. Ela não perde as esperanças no mundo nunca, e decide que ele vai ser um lugar belo.” - Anitta

“Tomemos muito cuidado com o que podemos produzir ou encontrar de beleza. Você não tem ideia do quanto, me assustando, me encorajou.” - Caetano Veloso

“Maria Ribeiro é uma grande revelação da crônica brasileira.” - Zuenir Ventura

“Maria, minha amiga, mais uma vez, me emocionei com seu texto. O coração bate mais forte lendo o que você escreve. Temos assuntos, projetos para inventar e, principalmente, muito afeto para download.” - Heloisa Teixeira

“Conheço bem algumas Marias. Como atriz, me deslumbrei quando a vi no palco e a chamei para atuar numa peça que dirigi. A cada apresentação, ela me surpreendia. Pelo carisma. Pela comunicação com a plateia. Conheço a Maria colunista, entrevistadora, amiga, gaiata, indignada, diretora de cinema, apaixonada, apaixonante, artista, inquieta, ativista, indignada, feliz. Agora, desvendarei mais Marias em suas crônicas. Com licença…” - Marcelo Rubens Paiva

“Maria é dessas mulheres que escrevem com liberdade, audácia e coragem, e fazem o mundo ir para frente com seus livros, filmes, séries e peças. Dessas que eu recomendo e quero por perto.” - Alexandre Machado

“Quem não conhece a Maria vai ter a impressão, com este livro, de ter se tornado um amigo íntimo, e quem já é amigo íntimo vai ter a certeza de que é um sortudo. Em ambos os casos, não deixe de ler a Maria. Tudo o que a gente precisa agora. Um livro de amor a granel, em escala industrial.” - Gregório Duvivier


Sobre a autora
Maria Ribeiro
é atriz, escritora e documentarista, formada em jornalismo pela PUC-Rio. No cinema, fez, entre outros, os filmes "Como Nossos Pais", "Tropa de Elite" e "Tolerância". Dirigiu os documentários "Domingos", "Los Hermanos" e "Outubro", além de assinar o roteiro de "Larissa - O Outro Lado de Anitta". É responsável, com Domingos Oliveira, pelo argumento da adaptação de "Todas as Mulheres do Mundo" para a TV. Fez parte do elenco de inúmeras peças e novelas, com destaque para "Pós-F", "Feliz Ano Velho", "Capitu", "Império", "História de Amor" e "Desalma".

Apresentou o programa "Saia Justa", no GNT, de 2013 a 2016, foi colunista do jornal O Globo, das revistas Veja Rio e Tpm. Atualmente, escreve na revista Gama e no portal Uol, onde também comanda o "Maria Vai com os Outros". É autora de "Tudo o Que Eu Sempre Quis Dizer, Mas Só Consegui Escrevendo" e "Trinta e Oito e Meio", editado também em Portugal. Está nas coletâneas "Dias de Domingo" e "Crônicas Pra Ler em Qualquer Lugar". O livro "Não Sei Se É Bom, Mas É Teu" é a estreia de Maria Ribeiro na Editora Record. Compre os livros de Maria Ribeiro neste link.

.: Livro propõe 201 filmes para fortalecer vínculos entre pais e filhos


Na correria do dia a dia, encontrar tempo de qualidade com os filhos pode parecer um desafio. Mas e se bastasse escolher um bom filme, preparar a pipoca e se deixar levar pela história para construir memórias, ensinar valores e estreitar laços? É essa a proposta do livro “201 Filmes para Assistir com Seus Filhos de 9 a 18 anos”, de Maurício Passaia, lançado pela Literare Books International.

A obra é um verdadeiro guia afetivo pensado por um pai, e para pais, que desejam transformar o cinema em ferramenta de diálogo, aprendizado e conexão com os filhos. Em cada uma das 464 páginas, Passaia apresenta um filme cuidadosamente selecionado, explicando por que ele é especial, quais valores ele transmite e sugerindo perguntas que incentivam conversas significativas após a sessão.

O livro é dividido por faixas etárias e conta com títulos clássicos e contemporâneos que tratam de temas como empatia, coragem, amizade, superação, respeito às diferenças, entre outros. Mais do que uma lista, o autor propõe uma experiência familiar contínua, com espaço para anotações e impressões, uma espécie de diário cinematográfico intergeracional.

Para o Dia dos Pais, a ser celebrado no segundo domingo de agosto, a publicação surge como uma sugestão simbólica e sensível de presente. Afinal, assistir a um filme com os filhos, de forma presente e intencional, pode ser um gesto tão poderoso quanto qualquer declaração.

Natural de Bento Gonçalves (RS) e pai de dois filhos, Maurício Passaia é oficial do Registro de Imóveis em Santa Catarina e apaixonado por cinema desde jovem. A ideia do livro surgiu a partir de suas próprias vivências familiares. “Além de entreter, os filmes nos ajudam a conversar sobre a vida com os filhos. E isso é essencial para a formação deles, e nossa também, como pais”, destaca o autor. Compre o livro “201 Filmes para Assistir com Seus Filhos de 9 a 18 anos” neste link.

.: "Brasil de Susto e Sonho", nova mostra de Rivane Neuenschwander em SP


Mostra mescla obras inéditas, releituras e trabalhos consagrados como Quarta-feira de Cinzas/Epílogo, de 2006. Entre vídeos, esculturas, pinturas, instalações e desenhos, os trabalhos abrangem diferentes caminhos artísticos percorridos por Rivane nos últimos 30 anos. 
Na imagem, a obra "A.E. (Nunca Mais Brasil)". Foto: Eduardo Ortega


No dia 14 de agosto, o Itaú Cultural abre para o público "Brasil de Susto e Sonho: um Panorama da Obra de Rivane Neuenschwander". A exposição segue em cartaz até 2 de novembro e apresenta obras inéditas, releituras e trabalhos consagrados de Rivane, como "Quarta-feira de Cinzas/Epílogo", de 2006. No conjunto, entre vídeos, esculturas, pinturas, instalações e desenhos, os trabalhos abrangem diferentes caminhos artísticos percorridos por ela nos últimos 30 anos.

De seus trabalhos inéditos tem Mestre Zenóbio e o Cordão da Bicharada, vídeo comissionado que marca o retorno das parcerias de Rivane e Cao Guimaraes. "Dream.lab/São Paulo", inédita no Brasil, foi apresentada no fim do ano passado e início deste na Áustria e agora ela é exibida feita com crianças brasileiras e seus sonhos desenhados. Também entre as novidades há dois conjuntos formados por seres surreais que representam a realidade: "As Insubmissas" e "Perversos, Marcianos, Canibais e Alienados". Ainda, tem uma nova escultura, "Apocaplástico", que evoca a região do rio Tocantins, onde há mais templos do que hospitais e escolas, e cinco pinturas inéditas acrescidas à série Notícias de Jornal.

Em suma, a mostra apresenta o olhar atento de Rivane sobre assuntos que vêm movendo os brasileiros na história contemporânea do país - dos anos de 1970 aos atuais. A inspiração trafega entre registros de manifestações diversas captadas por ela em solo firme, no espaço das redes sociais, em sonhos de crianças, em festas folclóricas e em observações subjetivas capturadas em suas andanças pelo país. A curadoria da exposição é de Fabiana Moraes e a concepção e realização são do Itaú Cultural. 


Até dia 2 de novembro no Itaú Cultural
"Dream.lab/São Paulo", obra inédita no Brasil, apresentada no fim do ano passado e início deste na Áustria, agora feita com crianças brasileiras e seus sonhos desenhados; "Mestre Zenóbio e o Cordão da Bicharada", vídeo comissionado realizado em colaboração com o cineasta Cao Guimarães; "As Insubmissas" e "Perversos, Marcianos, Canibais e Alienados", dois conjuntos formados por seres surreais que representam a realidade; "Apocaplástico", que evoca a região do rio Tocantins, onde há mais templos do que hospitais e escolas, e cinco pinturas inéditas acrescidas à série "Notícias de Jornal". Estas são as novas peças da artista visual Rivane Neuenschwander, que, com outras obras construídas por ela ao longo de sua trajetória de três décadas, compõem a exposição "Brasil de Susto e Sonho: um Panorama da Obra de Rivane Neuenschwander".

Com abertura no Itaú Cultural (IC) na noite de 13 de agosto - e visitação do público do dia seguinte, 14, até 2 de novembro -, a mostra tem curadoria da pesquisadora (Universidade Federal de Pernambuco/UFPE) e jornalista Fabiana Moraes e realização da equipe do IC. A exposição se estende pelos três pisos do espaço expositivo da instituição dedicados às mostras temporárias. No conjunto, Brasil de susto e sonho: um panorama da obra de Rivane Neuenschwander apresenta o olhar atento da artista sobre assuntos que vêm movendo os brasileiros na história contemporânea do país  dos anos de 1970 aos atuais. 

Os suportes artísticos são variados: vídeos, esculturas, pinturas, instalações e desenhos. A inspiração trafega entre registros de manifestações diversas captadas por ela em solo firme, no espaço das redes sociais, em sonhos de crianças, em festas folclóricas e em observações subjetivas capturadas em suas andanças pelo país.


Piso 1
Este andar acolhe duas de suas obras inéditas: "Dream.lab/São Paulo", ainda não vista pelo público brasileiro, e a estreia de "Mestre Zenóbio e o Cordão da Bicharada". A primeira navega pelos sonhos de crianças, cuja colaboração, como uma espécie de coautores de produção espontânea, marca outros trabalhos da artista. Apresentada no museu de arte moderna KinderKunstLabor, na Áustria, com curadoria de Mona Jas e Andreas Hoffer, esta é a primeira montagem da obra no Brasil após um processo de pesquisa denso e específico para a exposição. Resultado de oficinas conduzidas pela equipe de mediação cultural do Itaú Cultural, ao lado da artista, com alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Abrão de Moraes e da Emef Desembargador Amorim Lima, as atividades partiram de uma leitura do livro "Sonhozzz" (editora Salamandra, 2021), de Silvana Tavano e Daniel Kondo, que também assina as ilustrações. As crianças fizeram exercícios para a produção de desenhos nos quais manifestaram seus sonhos, desembocando em uma delicada investigação sobre a infância, o inconsciente coletivo e os sonhos desses brasileiros em crescimento.

A segunda obra, "Mestre Zenóbio e o Cordão da Bicharada", é um vídeo de cerca de 20 minutos dirigido por Cao Guimarães e Rivane, que retomam uma parceria já vista na obra "Quarta-feira de Cinzas/Epílogo" (2006), também presente na exposição. O trabalho versa sobre o cordão que lhe dá nome, fundado por Mestre Zenóbio na Vila de Juaba, em Cametá, interior do Pará, na primeira metade dos anos de 1970. Em um tempo em que a Copa do Mundo e a Transamazônica dominavam as telas e os discursos do regime ditatorial, Zenóbio enchia uma pequena embarcação com representações de animais de países e climas distintos para chamar a atenção para a preservação da natureza, em um cortejo que se repete todos os anos no Carnaval das Águas (tradição centenária da cultura paraense). Rivane e Cao registraram o mais recente, resultando neste filme que mescla sonho e susto, beleza e plástico jogado fora, ontem e agora. A trilha é da dupla performer brasileira O Grivo, que também aparece em trabalhos como Erotisme.

Ainda fazem parte deste piso "Atrás da Porta e L.L." ("O Vendedor de Furos"). A primeira é de 2007, uma serigrafia sobre madeira composta de 140 peças de dimensões variadas com desenhos e rabiscos, que a artista foi capturando ao longo dos anos nas portas de banheiros públicos. De 2023, a segunda reúne pequenas esculturas, que se espalham pelos três andares da exposição. A obra é baseada em uma memória de infância de L.L., amiga de Rivane, na qual ela imaginava um comerciante que ganhava dinheiro vendendo buracos, e faz uma conexão precisa sobre o mundo em que vivemos na atualidade.


Piso -1
Aqui, o público encontra mais dois trabalhos inéditos: "As Insubmissas" e "Perversos, Marcianos, Canibais e Alienados". Uma ema antifascista, um tubarão verde com lenço amarelo pronto para atacar, arapongas e tigrinhos, entre outros, representam personagens que falam da história mais recente do país. Somando os dois conjuntos, são 23 figuras, entre bichos, frutas, plantas na composição desses bonecos, feitos de tecido, papel machê, garrafas de vidro, bordados e outros materiais.

"As Insubmissas" reúne os personagens A Ativista; O Brasil; O Comunista; O Socialista; A Anti-fascista e O Ministro. Em "Perversos, Marcianos, Canibais e Alienados" estão A Agência de Vigilância; A Alta Patente; A Emenda Parlamentar; A Força Aérea Expedicionária; A Funcionária Fantasma; A Inflação; A Patriota; O Algoritmo; O Autocrata; O Deputado Federal; O Empresário; O Jogo de Apostas; O Magnata da Fé; O Oligarca; O Tarifaço e O Tecnocrata.

Estes trabalhos derivam da obra "O Alienista" (2019), atualmente exposta no Instituto Inhotim e baseada no livro de Machado de Assis. Nela, estão personagens como O Orador de Sobremesas, O Juiz de Fora, O Terraplanista, O Barbeiro, A Viúva e João de Deus (personagem de O alienista, de Machado de Assis), entre outros.

Também está neste piso o vídeo digital Enredo, produzido por Rivane em 2016 com o neurocientista Sérgio Neuenschwander. O audiovisual se inspira na coletânea de contos populares do Oriente Médio "As Mil e Uma Noites" (edição em português) para acompanhar uma aranha tecendo a sua teia com o seu fio entremeado por confetes feitos de pequenos trechos do livro, entre palavras que atravessam o seu caminho e ao som de um tamburello (versão italiana da pandeireta) tocado pelo cantor e compositor Domenico Lancellotti.  

Neste andar, ainda, o público encontra mais um vídeo de Rivane e Cao Guimarães: "Quarta-feira de Cinzas/Epílogo", realizado em 2006. O filme de 10 minutos articula a folia em fim de festa. A obra Repente, de 2016, apresenta etiquetas de tecido bordadas, painel de feltro, caixas de madeira, alfinetes de cabeça e de segurança, em um trabalho que a artista vem atualizando ao longo dos anos com novas palavras de ordem em um remix de protestos, mobilizações e lutas dos brasileiros. 

No trabalho "Noites Árabes" (2008), ela evoca a claridade volátil da Lua mobilizando um número palíndromo, assim como na obra "Enredo, as Mil e Uma Noites de Sherazade". Aqui, o rolo de filme de 16 milímetros se desdobra em 1.001 pequenos furos atravessados pela luz, entre 1.001 noites, histórias e recomeços. 

"À Espreita", acrílica sobre papel preto acid free, reúne 24 pinturas que investigam tanto o lado psicanalítico quanto político do medo. Rivane vem investigando há anos a infância como um lugar também político. Neste trabalho ela exibe formas sombrias desenhadas pelas próprias crianças, a partir de oficinas realizadas na pesquisa O nome do medo. As formas remetem a monstros, fantasmas e espíritos que além de viverem nas casas, habitaram porões e delegacias no período ditatorial brasileiro.

Piso -2
"Apocaplástico", obra exibida com destaque neste andar, também é inédita. Trata-se de uma escultura composta de madeira, massa e tinta acrílica, corda, plástico e papel, com dimensões variadas. Tem origem na viagem que a artista fez ao lado de Cao Guimarães, na região do rio Tocantins, para a produção de Mestre Zenóbio e o Cordão da Bicharada. Lá, Rivane observou uma grande quantidade de plásticos e outros materiais jogados após o Carnaval, cujas imagens aparecem no vídeo e nestas obras.

A artista também anotou pontos de reflexão sobre o projeto de colonização dos interiores do norte do país, que segue firme e cada vez mais forte por meio da religião, e as depositou em "Apocaplástico". A localidade é a que abriga mais templos religiosos no país – 459 deles a cada 100 mil habitantes; mais do que hospitais e escolas.

Também neste andar, "Notícias de Jornal (...)", de 2025, expõe o noticiário cotidiano – em especial os tantos casos de feminicídio – em uma série de cinco novas pinturas baseadas em ex-votos – sem santos, mas com sangue. São elas: Notícias de Jornal(Simone),Notícias de Jornal (Natália),Notícias de Jornal (Érica), Notícias de Jornal (Jaciara) e Notícias de Jornal (Suely), todas realizadas neste ano.

Em "A Conversação" (2010-2025), Rivane se inspirou no filme homônimo dirigido por Francis Ford Coppola em 1974. Nesta instalação composta de papel de parede, carpete, forro para carpete, cola, gravadores de áudio, aparelho de som e alto-falantes, também de dimensões variadas, o mote é a paranoia da espionagem, que transforma todos em suspeitos e alvos – dos celulares e drones, da entrega e monetização dos dados de cada pessoa, notícias sobre grupos e pessoas espionados pela gestão federal encerrada em 2022. Neste trabalho, há escutas escondidas no assoalho e nas paredes e microfones camuflados.

"M.C." ("Sete Exu da Lira/Chacrinha"), de 2025, é um bordado de miçangas e lantejoulas sobre sarja de algodão. O trabalho vai buscar o Brasil de 1971 – quando, em pleno governo militar, os brasileiros assistiam ao programa do Chacrinha aos domingos. Ele tem foco especialmente no último domingo de agosto daquele ano, no qual a umbandista Mãe Cacilda de Assis recebia a entidade Seu Sete Rei da Lira e promovia um transe coletivo no programa da TV Globo (e, depois, no famoso show de Flávio Cavalcanti, na TV Tupi). Andrógina, negra e à frente de uma prática não cristã, Mãe Cacilda se tornou alvo do discurso moralista e racista das mais poderosas representantes do catolicismo conservador do país.

No vídeo "Erotisme", produzido por Rivane em 2014, a trilha sonora é de O Grivo. Nele, uma mão interpreta o alfabeto desobedecendo a sua sombra. Entre umas imagens e outras, vão aparecendo palavras em francês, usuais ou inventadas, riscadas a canivete na madeira: masturber, nidifier, occulter (masturbar, aninhar, ocultar), entre outras. A obra faz referência direta ao verbete “erotismo”, atribuído a Georges Bataille, na obra surrealista Le memento universel Da Costa, e passeia por dualidades do sexo, visto como prazer ou arma; gozo ou ferida, remetendo à violação.

"M.F. (Road Trip)", de 2015, poderia ser resumido como um buraco de 1 x 2 cm feito na parede, para exalar o cheiro de gasolina. Mas é muito mais do que isso. Trata-se de uma referência ao Brasil militar-desenvolvimentista e suas grandes estradas que cortaram aldeias e florestas, já a partir da década de 1970.

Em "A.E. (Nunca Mais Brasil)", de 2023, uma tapeçaria de 1,70m x 1,70m, Rivane apresenta uma costura de retalhos de medos e lembranças, infância e geografia, arquivos e pavores: monstros e nomes de locais que serviram como espaços de tortura e desova de corpos, em uma referência ao livro "Brasil: Nunca Mais" (1985; editora Vozes) – organizado por Dom Paulo Evaristo Arns, Hélio Bicudo e Jaime Wright, reúne documentos de episódios de tortura durante a ditadura militar no Brasil. Aqui, a artista mescla a pesquisa "O Nome do Medo" (iniciada em 2015) a outro tema que demarca suas investigações: o regime autoritário que por duas décadas enterrou pessoas em locais como a Ponta da Praia (RJ).

"R.R. (90 Milhões em Ação)", de 2025, também remete aos anos de 1970, quando o Brasil conquistou o tetra na Copa de Futebol, com jogadores como Pelé, Rivelino, Tostão, Gerson e Jairzinho em campo. A vitória foi capitalizada pelo governo Médici (1969-1974) e embalada pela marchinha de Miguel Gustavo transformada em uma espécie de hino: “Noventa Milhões em Ação / Pra Frente, Brasil, do Meu Coração”. Nas telas brilhava o Canal 100, fundado em 1957 pelo produtor Carlos Niemeyer, que exibia zooms de rostos em sua maioria desconhecidos acompanhando partidas de futebol enquanto, longe das câmeras, gestões autoritárias sequestravam, torturavam e matavam. 


Serviço
Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149 – próximo à estação Brigadeiro do metrô.

.: Entrevista: Tony Ramos e a morte que chocou o Brasil na novela


A partida de Abel inaugura uma nova fase na trama das sete, com histórias que se desdobram e outras que emergem, prometendo agitar ainda mais os rumos da narrativa. Foto: Globo / divulgação


A morte de Abel, personagem de Tony Ramos na novela "Dona de Mim", chocou o Brasil e deixou fãs e telespectadores emocionados. A inesperada perda do patriarca da família Boaz abriu um novo capítulo dramático na trama, mexendo com os corações e expectativas do público. A emoção dominou o ambiente, especialmente quando Rosa (Suely Franco) faz um comovente discurso sobre a gratidão por ter sido mãe do empresário.

A partida de Abel inaugura uma nova fase na trama das sete, com histórias que se desdobram e outras que emergem, prometendo agitar ainda mais os rumos da narrativa, como antecipou a autora Rosane Svartman. Sempre muito querido pelo público, Tony Ramos se despede de "Dona de Mim" com palavras de gratidão aos fãs que já sentem sua falta. 


Como foi para você saber que Abel tem esse destino na novela?
Tony Ramos - Eu fui convidado para fazer essa novela em um jantar com Rosane Svartman e Allan Fiterman, nosso querido e amado diretor, no final de setembro do ano passado. E, neste momento, eles me contaram o que seria a personagem, então, eu entrei nesse projeto já sabendo o destino do Abel, que ele e Rebeca, personagem de Silvia Pfeiffer, sofreriam um grave acidente. E isso faz parte, inclusive, do desenvolvimento e da narrativa da trama. Faz parte do ofício do ator se entregar à personagem, seja qual for sua trajetória. O texto é de Rosane Svartman, competente escritora, então nem preciso falar. É uma roteirista que ama escrever novela e sabe o que está fazendo.

 
Para os fãs que já dizem sentir falta do personagem, qual o seu recado?
Tony Ramos - A admiração do público é sempre muito bem-vinda. Quando se tem uma boa história, você tem o público ao seu lado. Essa é uma equação simples. Eu amo o que faço e, sem dúvida, o carinho e o reconhecimento do nosso trabalho são combustíveis na hora de subir ao palco ou entrar num set de gravação. A reação mostra que deu certo e a novela é um sucesso. A novela ainda promete muitas emoções e surpresas. Então, meu recado pro público é que não deixem de acompanhar essa história.
 

Como analisa a novela e a parceria com a pequena Elis e os colegas de elenco?
Tony Ramos - Rosane Svartman e equipe são muito talentosos, e a jornada da novela tem sido linda. Elis é uma revelação, é uma atriz vocacionada. Ela é espontânea. E o bonito é que ela é criança, com a mãe e o pai presentes. E nós também a tratamos como criança, como deve ser. Isso é fundamental. Contracenar com os jovens é reaprender. Com eles aprendo muita coisa, até o palavreado. São momentos de explosão de afeto, de humor, como eu sou. Fui muito feliz reencontrando Cláudia Abreu, Marcello Novaes, Suely Franco, Camila Pitanga, Rafa Vitti, e conhecendo o Juan Paiva, Bel Lima e Clara Moneke nesse belo e lindo trabalho.

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

.: Crítica: "Uma Sexta-feira Mais Louca Ainda" entrega nostalgia em bom filme

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em agosto de 2025


A confusão causada pela troca de corpos entre mãe e filha que fez sucesso em 2003, adaptada de livro para filme, virou clássico cinematográfico juvenil e agrada sempre que passa na televisão aberta, volta aos cinemas, mas com uma nova situação. Desta vez, mais de 20 anos depois, em "Uma Sexta-feira Mais Louca Ainda", a troca acontece entre mãe, filha, avó e futura enteada. Logo, Tess (Jamie Lee Curtis, "Halloween", "Scream Queens") e Anna (Lindsay Lohan, "Operação Cupido") descobrem que um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar -para a nossa sorte. 

Em cartaz na "Cineflix Cinemas"produção dirigida por Nisha Ganatra ("A Batida Perfeita") causa uma confusão muito maior, sem largar a nostalgia de lado, mescla tudo o que há de moderno em pleno 2025 quando "saltam" LPs na telona, seja o de Britney Spears, "In The Zone" ou de Madonna estampada na capa de seu álbum "True Blue". Ao som de Britney Spears e Spice Girls, tudo acontece com direito ao retorno do "gatinho" dos filmes da época, o ator Chad Michael Murray ("Lances da Vida", "A Nova Cinderela"), na pele de Jake, ex-namorado de Anna.

Com os antigos personagens, novas carinhas ajudam a costurar a trama continuada em grande estilo. Logo o tempero da história chega com Harper (Julia Butters), a filha de Anna, Eric (Manny Jacinto), noivo de Anna e Lily (Sophia Hammons), filha de Eric, entrando no balanço da história Ella (Maitreyi Ramakirshnan) como uma cliente de Anna. No início da troca pode até confundir um pouco, mas rapidamente tudo entra nos eixos da compreensão de quem assiste a todo o caos familiar.

Enquanto inúmeros desafios pipoquem quando as duas famílias estão prestes a virar uma só, Harper e Lily precisam aprender se unir, ainda que se odeiem com todas as forças, ou dar seu melhor para afastar os pombinhos apaixonados. "Uma Sexta-feira Mais Louca Ainda" também entrega muito do lado cômico da ganhadora do Oscar, em "Tudo Em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo"Jamie Lee Curtis. A rainha do grito arrasa mais uma vez ao lado de Lindsay Lohan, capaz de despertar o gostinho de que "Herbie - Meu Fusca Turbinado" (2005), ganhe uma sequência também. 

O enredo que é um verdadeiro "terremoto" juvenil, assinado pela roteirista Jordan Weiss, empolga do início ao fim, traz o melhor das produções Disney do início dos anos 2000. Com alguns minutos a mais do que seu antecessor, a produção não desaponta em nada. "Uma Sexta-feira Mais Louca Aindaé sem dúvida uma excelente produção para se ver e rever com a família -capaz até de arrancar algumas lágrimas de seu público próximo do fim. Não há como negar, o filme é incrível. Não perca!


O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN


"Uma Sexta-feira Mais Louca Ainda" ("Freakier Friday"). Ingressos on-line neste linkGênero: comédiaClassificação: 10 anos. Duração: 1h51. Direção: Nisha Ganatra. Roteiro: Jordan Weiss. Elenco: Jamie Lee Curtis, Lindsay Lohan, Chad Michael Murray, Manny Jacinto, Sophia Hammons, Maitreyi RamakirshnanSinopse: Após os eventos inusitados de Sexta-Feira Muito Louca, onde Anna (Lindsay Lohan) e Tess (Jamie Lee Curtis), que são mãe e filha, trocaram de corpos e aprenderam lições valiosas, as coisas agora tomam um rumo ainda mais estranho. Anna agora é mãe de uma filha e se prepara para ser madrasta, enquanto Tess, agora avó e ganhadora de um Oscar, também está em um momento de grandes mudanças. Quando suas vidas se cruzam novamente, enfrentando os desafios de duas famílias se unindo, Tess e Anna descobrem que, de algum modo, o raio pode cair duas vezes. Uma nova crise de identidade se aproxima, e as duas terão que aprender mais uma vez a lidar com a transformação de suas vidas de maneira inesperada e cheia de surpresas. Confira os horários: neste link

Trailer "Uma Sexta-feira Mais Louca Ainda"




Leia + 

.: “Scream Queens” só é parecido com “American Horror Story”

.: Crítica: "Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo" e relações conturbadas

.: Crítica: "Halloween Ends" dá fim a Michael Myers, mas sem chave de ouro

.: Crítica: "Quarteto Fantástico: Primeiros Passos" faz juz ao nome e impressiona

.: Resenha crítica do filme "Quarteto Fantástico"

.: Perfeita, série "WandaVision" é novo marco no Universo Marvel


.: Cinema de graça: pais acompanhados de filhos não pagam ingresso no Cineflix


Neste domingo, dia 10 de agosto, a rede Cineflix Cinemas preparou uma surpresa especial para homenagear aqueles que estão sempre por perto, nos bons filmes e na vida. Em comemoração ao Dia dos Pais, a rede oferece uma promoção imperdível - pais acompanhados de filhos não pagam ingresso em qualquer sessão do dia 10. É a oportunidade perfeita para reforçar os laços em frente à tela cheia, com pipoca, emoção e boas histórias.

Em Santos, a semana também marca a chegada de novas estreias no Cineflix, localizado no Miramar Shopping, no Gonzaga. Entre os destaques, a comédia "Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda" é a pedida certa, com situações inusitadas e risadas do começo ao fim. O filme brasileiro "A Melhor Mãe do Mundo" traz uma emocionante história familiar que combina humor e delicadeza.

Para quem gosta de romance e suspense, "Drácula - Uma História de Amor Eterno" revisita o mito do vampiro mais famoso do mundo sob uma nova perspectiva. E o drama francês "A Prisioneira de Bordeaux" promete envolver o público com uma trama densa e cheia de reviravoltas. Programação completa e ingressos: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.


🎟️ Serviço Cineflix Santos
📍 Miramar Shopping - Rua Euclides da Cunha, 21, Gonzaga, Santos/SP
🌐 Programação completa e ingressos: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN
📱 Acompanhe também no app da Cineflix
🤝 O portal Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021

← Postagens mais recentes Postagens mais antigas → Página inicial
Tecnologia do Blogger.