domingo, 17 de agosto de 2025

.: Entrevista: músico, Péri lança “Poesias Vermelhas” e expõe a nudez da palavra


Por 
Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: Rafael Nogueira

Há artistas que atravessam linguagens como quem muda de rua e sem medo do que vem na esquina. Péri é um desses. Cantor, compositor, produtor e agora, oficialmente, poeta, ele estreia na literatura com "Poesias Vermelhas", livro de 33 páginas que cabe no bolso, mas insiste em ocupar a cabeça por dias. São versos de resistência, desejo e liberdade que passeiam entre o quintal baiano e as esquinas paulistanas, com lirismo ora delicado, ora de combate.

Nesta conversa, reproduzida com exclusividade para o portal Resenhando.com, Péri fala sobre a cor que nomeia o livro, a travessia entre palco e papel, a herança concreta de Augusto de Campos e o que muda quando a música dá lugar ao silêncio. O resultado é um retrato sem retoques de um artista múltiplo, que agora também encontra na poesia um território para provocar, acolher e incendiar.  Compre o livro "Poesias Vermelhas", de Péri, neste link.


Resenhando.com - Você diz que agora pode se declarar oficialmente poeta. O que o impedia de fazer isso antes?
Péri - Porque até então, o que eu escrevia servia, em princípio, a só uma música. Tinha que corresponder a uma métrica musical, servia ao estilo, à forma, ao ritmo da música. Mesmo que, na minha percepção, a letra da música sempre existiu por si só, independente da música. Mas como para as pessoas, pelo menos, aquilo está associado à melodia, aquilo se transforma em canção. Então, a libertação foi poder escrever poesia sem necessariamente pensar em música. Isso foi uma libertação, uma forma boa de libertação.


Resenhando.com - “Poesias Vermelhas” nasceu fora da métrica musical. Se a canção fosse um cárcere, qual verso o libertou primeiro?
Péri - Olha, a libertação poética a que eu me refiro não quer dizer que a prisão em relação à métrica musical fosse uma coisa ruim. Era só uma questão de princípio, de rotina, de pensamento artístico. Então, a partir do momento que eu defini na minha cabeça, olhando a página em branco, puxa, não é música, é outra coisa... E poesia também não é literatura... É uma coisa diferente... É uma outra trincheira... E eu me vi liberto das amarras da métrica musical. Todos os versos me levaram pra frente.


Resenhando.com - Você cita Augusto de Campos como epígrafe. Se pudesse escolher outro poeta para duelar com você numa roda de improviso, quem seria?
Péri - Eu gosto muito de ouvir, não só ler, mas ouvir áudios e assistir vídeos do Darcy Ribeiro, um grande pensador do Brasil, foi também político, candidato a governador do Rio de Janeiro, na época, muitos anos atrás. O Rio teria muito a ganhar se ele tivesse ganho, um grande educador, um grande pensador do Brasil, um grande defensor das causas democráticas e humanistas. E eu gostava do jeito dele falar. Então, pensar uma poesia minha no sentido político, ser declamada por Darcy Ribeiro seria uma honra.


Resenhando.com - Você fala do vermelho como símbolo da paixão e da resistência. Mas e quando a poesia é azul, cinza ou bege? Ela ainda o interessa?
Péri - Esse sentimento de cores da poesia é do jeito que a gente acorda, é do jeito que a gente está aquele dia. Talvez quando o poeta põe para fora todos os seus sentimentos e resolve escrever alguma coisa, isso para mim é uma forma de cura. E o estado de espírito é fundamental. até quando o assunto não é livre quando existe um objeto literário vou escrever sobre tal assunto que está me comovendo no momento o dia que você escreve aquilo é fundamental para o desenrolar tanto é que a gente escreve depois depura muito vai afinando as palavras afinando os sentidos a sintaxe no outro dia muda de novo no outro dia muda de novo então a gente tem que publicar logo senão a gente fica mexendo sempre, porque os sentimentos se alternam sempre, a cada dia, se um dia faz sol, se um dia faz chuva, se um dia a gente acorda assim, se a gente acorda de um outro jeito, isso tudo influencia na nossa escrita. Por isso que quando se escreve, depois de burilar, é melhor publicar logo.


Resenhando.com - Entre o palco e a página, qual deixa você mais nu - o microfone ou o papel?
Péri - Hoje, com o advento das redes sociais, com a expansão das possibilidades de conexão de quem escreve para quem lê, se alargaram muito, é natural ter muitas feiras, muitos encontros em livrarias, fazer aproximação entre o público e o poeta, no caso, e ouvir o que ele tem a dizer e ouvir a forma que ele declama a sua poesia é um mapa do caminho para o leitor. Mas eu acho também que deve existir o momento do leitor sozinho, em silêncio para entender a poesia. Porque poesia, assim, você lê um dia, você entende uma coisa, se você lê uma semana depois, você vai entender outra, um ano depois, é uma outra poesia. Dez anos depois, acontece a primeira revelação uma vida inteira para você descobrir às vezes o sentido de um poema então, às vezes o silêncio a introspecção é importante e necessária.


Resenhando.com - Seu livro foi escrito entre 2020 e 2021. Que palavra o salvou durante a pandemia e que palavra você se recusa a escrever até hoje?
Péri -  Essa época 2020, 2021, uma palavra muito triste que se repetia era a "enfermidade": a enfermidade do mundo, a enfermidade das pessoas, a doença corroendo todas as coisas, os seres humanos, o seu pensamento, o seu comportamento, tanta gente sofrendo. Isso tem um impacto grande em qualquer obra artística e óbvio que teve na minha. E a emoção era tanta que só a música não foi capaz. Então, a poesia me salvou durante a pandemia. Ela foi a que realmente conseguiu me libertar E me fazer expressar o que eu estava sentindo E também dar uma contribuição de sentimento, de esperança para quem estava sofrendo tanto, né?


Resenhando.com - Você já foi gravado por vozes como Gal Costa e Margareth Menezes. Se pudesse colocar uma das suas poesias na boca de alguém improvável - digamos, um político, um pastor ou um influencer - quem você escolheria?
Péri - Olha, Augusto de Campos é uma grande referência para mim, a poesia concreta, junto com Décio Pignatari e Haroldo de Campos, sempre uma referência, uma descoberta, eu sempre estou descobrindo coisas novas, vendo a poesia concreta. E, além do mais, Augusto é um grande tradutor de outras obras, de outros artistas, um grande recriador, e ele me trouxe conhecimento da poesia do mundo. isso foi fantástico. Então, eu tenho uma referência muito forte em relação a ele como poeta e como recriador, tradutor. Mas eu pensaria também em Gregório de Matos, o baiano Boca do Inferno, porque é um dos primeiros que a gente tem notícia, escrevendo, fazendo poesia dentro de uma realidade do princípio de Salvador, do princípio da Bahia, do começo de tudo que a gente entende hoje como Salvador, como Bahia, como a classe dominante, a elite que comandava as coisas, a divisão com a religião. Gregório de Matos foi um vanguardista.


Resenhando.com - A performance é parte do lançamento. Você acredita que a poesia hoje precisa de espetáculo para ser ouvida, ou é o leitor que ficou distraído demais para escutá-la em silêncio?
Péri - O papel é muito mais íntimo. O microfone a gente se expõe muito mais, né? Se expõe na voz, se expõe no que está cantando, se expõe o corpo, a alma, espíritos, né? Subir no palco, olhar para as pessoas. É uma sensação muito forte, é uma ligação muito forte, o artista com o público na relação do palco. Quando está no papel, aí é uma intimidade, entendeu? É quase como eu posso fazer o que eu quiser e não vou ser julgado, mesmo que alguém valer aquilo depois, você colocou aquilo no papel de uma forma tão íntima que o julgamento não importa das pessoas. O que importa é o exercício do que você fez, do que você pôs ali, do que você revelou. E mesmo assim você escreve poesia de uma forma que às vezes não se revela e fica ali o mistério para sempre, ou pelo menos por algum tempo.


Resenhando.com - Como seria uma playlist para acompanhar a leitura de “Poesias Vermelhas”? Tem mais Djavan, Fela Kuti ou silêncio mesmo?
Péri - Olha, eu não consigo ler poesia ouvindo música, principalmente se tiver letra, para mim não tem como. No máximo, um Devu-si, Eric Sati, Vila-Lobos, você ouve mais as melodias tocadas por instrumentos, não com letra, porque aí existe o conflito, você está fazendo o embate entre duas poesias, a que você está lendo e da letra da música que você está ouvindo, eu acho que não combina talvez o silêncio seja a melhor companhia no máximo uma música clássica.


Resenhando.com - Se “Poesias Vermelhas” fosse um corpo, o que ela tatuaria na pele, esconderia sob a roupa e gritaria na praça pública?
Péri - Uma boa tatuagem seria: "meu sangue é vermelho e o seu também". Mostrando para todo mundo que nós todos somos iguais nesse pontinho azul perdido no meio do espaço. Somos uma obra maravilhosa da natureza, ao mesmo tempo somos tão pequenininhos e às vezes a gente se aborrece com coisas tão pequenininhas, a gente se aporrinha com minúsculas coisas, sem a menor importância. Acho que a gente tem que dar mais importância ao que nós somos de verdade, todos iguais. Pessoas passeando na poeira do espaço.







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.: Entrevista: Mateus Honori celebra o poder das narrativas nordestinas


Em entrevista ao portal Resenhando.com, Mateus Honori fala sobre fé, ancestralidade, música e as contradições de interpretar personagens que atravessam a história do sertão e da cultura nordestina. Foto: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. 

Celebrar as raízes é mais do que um gesto de afeto, pode ser também um ato político e artístico. O ator e músico Mateus Honori parece saber disso desde sempre. Nordestino de Fortaleza, ele se entrega a personagens que não apenas contam histórias, mas também acionam memórias coletivas - de Lampião a Rodger Rogério, da poeira do sertão às canções do “Pessoal do Ceará”. Em "Guerreiros do Sol", a novela do Globoplay, é Lucínio, um coiteiro que vive entre lealdades e traições; na minissérie "Alucinação", no Canal Brasil, dá vida a Rodger, parceiro de Belchior e figura central de um dos movimentos mais efervescentes da música brasileira.

Mas a arte de Honori não se limita às telas. Ao lado da atriz e cantora Lua Martins, ele criou o projeto musical "Luar", que revisita clássicos e composições autorais com a força poética de quem olha para o passado sem perder a invenção do presente. Em setembro, eles partem em turnê pelo Ceará, levando palco adentro essa fusão de música, memória e destino. Entre quedas de cavalo milagrosamente sem arranhões, encontros com ídolos vivos e a visceralidade de filmar no sertão, Mateus Honori compartilha com exclusividade para o portal Resenhando.com a trajetória recente - e não hesita em enfrentar perguntas que cutucam o visível e o invisível.

Resenhando.com - Em “Guerreiros do Sol”, você se embrenha no cangaço com suor, poeira e transcendência. Em que momento da gravação você sentiu que não era mais o Mateus, mas sim um corpo ancestral reencarnado naquele chão?
Mateus Honori - Após a morte de Josué, quando justiça e vingança viram uma coisa só. Quando Josué morre, Lucinio, começa a trabalhar com Rosa e começa a se envolver em tramas cada vez mais perigosas, pra ele mesmo. Está vindo uma grande guerra, o ápice da série, Josué morto, sua bebê sequestrada, cabeças expostas em praça pública, Arduino um completo assassino, todo esse momento, foi marcante, pelo clima de tensão que se criou. Nessas cenas senti tudo gritando no corpo.

 
Resenhando.com - Lucínio, Jararaca, Rodger Rogério… São personagens reais ou realistas, com vidas marcadas por contradições. Qual deles mais abalou suas certezas pessoais e exigiu que você desmontasse suas próprias verdades?
Mateus Honori - Nenhum, eu não julgo os personagens, sempre encontro pontos de conexão com eles, todo ser humano é contraditório e eu acredito ser essa uma boa estratégia de abordar personagens complexos, sem hipocrisias. Encontrei três pessoas diferentes, com razões, ideais e valores diferentes, mas todos reais.

 
Resenhando.com - Você rezou no túmulo de Jararaca antes de interpretá-lo. A queda de cavalo sem nenhum arranhão foi sinal, proteção ou aviso? Você é do tipo que escuta o invisível?
Mateus Honori - Eu sou uma pessoa bastante sensível a todas as questões espirituais. Acho que foi proteção, eu pedi e ela veio.

 
Resenhando.com - Rodger Rogério brincou dizendo que você é bonito demais pra ser ele. A vaidade e a fidelidade ao retratado travaram algum duelo durante a caracterização? Já teve que ficar “menos bonito” por um papel?
Mateus Honori - Acho que não, eu estou sempre a serviço do personagem. Durante os processos de caracterização, quanto mais eu mudo, mais gosto, amo trocar de cabelo, de roupa de estilo, acho essa inclusive, uma das partes mais legais do meu trabalho. A minha vaidade não luta com isso.
 

Resenhando.com - No set de “Alucinação”, vocês recriaram o espírito de trupe dos anos 70. Existe algo de hoje que você trocaria pela liberdade (ou ilusão dela) que aquele grupo viveu na Praia de Iracema?
Mateus Honori - Gostaria de ter vivido a segurança dos 70. Violão nas ruas, cantoria nas praças, praia até de madrugada. Essa liberdade nos perdermos, pra violência.
 

Resenhando.com - Em “Luar”, você e Lua Martins criam canções que entrelaçam “natureza, o etéreo e o destino”. Alguma dessas músicas nasceu de um sonho, um delírio ou um silêncio cheio de sentido?
Mateus Honori - Todas (risos). Todas as canções autorais nascem de uma reflexão silenciosa e uma observação sensível. “A Reza” da Lua Martins, nasceu de uma só vez, ao pegar no violão, como uma psicografia. A minha “Jacarandá” nasceu de um sonho, literalmente. Era uma árvore grandiosa, cujas raízes faziam música.

 
Resenhando.com - Qual foi o momento mais delicado do processo de cantar e tocar ao vivo nas gravações de "Alucinação"? Você já teve medo de não estar à altura da memória musical do personagem?
Mateus Honori - O trabalho de prosódia, de falar e cantar como os personagens foi muito importante, meu trabalho de instrumentista me deixou confortável, em relação ao violão. Mesmo assim, bate um nervosismo, viver na tela, artistas tão importantes pra nossa história. Fagner, Rodger, Amelhinha, Ednardo e Belchior, são muito vivos na memória.


Resenhando.com - A mística nordestina do sertão está presente nos seus papéis, nas suas músicas e até nas quedas de cavalo. Qual foi o ensinamento mais cabra-macho (ou mais cabra-sensível) que o sertão já deu para você?
Mateus Honori - O sertão ensina sobre o nosso lugar no mundo. A vegetação, a aridez, o sol. Eu sempre aprendo com ele, sempre que chego em seta assim, fico mais calado e concentrado, fico bem sensível. O ser humano não é o centro do universo, viver muito tempo na cidade, faz a gente acreditar nessa falácia, ninguém ganha contra a natureza.


Resenhando.com - Ao revisitar nomes como Zé Ramalho, Dorival Caymmi e Amelinha em “Luar”, você se sente parte de uma linhagem artística? Ou ainda se vê como um curioso apaixonado, à margem da tradição?
Mateus Honori - Eu me sinto como parte dessa linhagem. Somos artistas nordestinos, todos começaram de baixo, lutaram muito pra colocar sua voz no mundo, todos fazendo uma música “alternativa” ao mainstream. No fim das contas, salvo às particularidades, somos iguais.


Resenhando.com - Se pudesse reunir Lucínio, Jararaca, Rodger e você mesmo numa mesa de bar em Fortaleza, o que eles diriam uns aos outros? Quem pagaria a conta?
Mateus Honori - Boa pergunta, engraçado pensar nisso. Todos se dariam super bem, Rodger e eu estaríamos tocando violão, Jararaca e Lucinio conversando sobre a seca e as histórias do cangaço. Rodger impressionaria a todos falando sobre de uma máquina que voa, aviação é uma grande paixão sua. Entre um violeiro boêmio, um coiteiro informante e um cangaceiro, acho que a conta ia sobrar para mim.

sábado, 16 de agosto de 2025

.: Bernardo Vilhena estará no programa "Memória da Poesia Brasileira"


Evento terá entrada gratuita e transmissão ao vivo pelo YouTube

 
O poeta carioca Bernardo Vilhena será o próximo convidado do programa “Memória da Poesia Brasileira”, da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) – vinculada ao Ministério da Cultura (MinC). Vilhena será entrevistado na próxima quinta-feira, dia 21 de agosto, a partir das 15h00, pelo também poeta e curador do projeto, Sergio Cohn. O evento será realizado no Auditório Machado de Assis, na sede da FBN, no Centro do Rio, com entrada gratuita e transmissão ao vivo pelo canal da instituição no YouTube (@fundacaobibliotecanacional).

 
Sobre Bernardo Vilhena
Nascido em 1949 no Rio de Janeiro, Bernardo Vilhena começou a escrever poesias na década de 70. Seu primeiro texto, “Vida Bandida”, foi posteriormente musicado pelo cantor e compositor Lobão, tornando-se um dos maiores sucessos da carreira do músico. Entre 1972 e o início dos anos 80, Vilhena integrou o coletivo Nuvem Cigana, composto por artistas de diferentes áreas profissionais. Inserido no contexto da “poesia marginal”, o coletivo agitou a cena cultural carioca e brasileira com a produção de publicações e eventos culturais que misturavam diversas expressões artísticas – incluindo intervenções em espaços públicos que desafiavam a repressão da ditadura militar.

Ao longo da trajetória, Bernardo Vilhena assinou mais de 430 canções, com parceiros como Lobão, Lulu Santos, Claudio Zoli, Cazuza e Ritchie, entre outros. Em 2015, lançou o livro “Vida Bandida e Outras Vidas” (Azougue Editorial), no qual reuniu poemas já lançados e textos inéditos.


Memória da Poesia Brasileira
A iniciativa objetiva o registro e a divulgação gratuita da poesia brasileira contemporânea para o público em geral. A curadoria e a apresentação ficam por conta do poeta e editor Sergio Cohn – também responsável pela edição da revista Poesia Sempre, da FBN. Os eventos são divididos em duas partes: a partir das 13h, de forma privada, é realizada uma gravação do(a) poeta recitando seus textos, em registro audiovisual; às 15h, é realizado um depoimento público, com cerca de duas horas de duração, sobre a trajetória pessoal e poética do(a) autor(a).

Na primeira temporada, em 2024, o programa teve as participações de Guilherme Zarvos, Claudia Roquette-Pinto, Antônio Cícero, Salgado Maranhão, Manoel Ricardo de Lima, Afonso Henriques Neto e Viviane Mosé. A segunda temporada teve início no mês de julho de 2025, com Eucanaã Ferraz como convidado. Os vídeos estão disponíveis no canal do YouTube da FBN.


Serviço
"Memória da Poesia Brasileira" com Bernardo Vilhena
Data: quinta-feira, dia 21 de agosto
Horário: das 15h00 às 17h00
Local: Auditório Machado de Assis, Biblioteca Nacional.
Endereço: Rua México, s/nº - Centro (entrada pelo jardim).
Transmissão ao vivo: https://www.youtube.com/watch?v=DNvbMwC_yOU
*Evento gratuito.

.: "Périsséxtas": Heloísa e Luisa Périssé protagonizam minissérie inspirada

"Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda", em cartaz nos cinemas, apresenta “Périsséxtas”, que traz mãe e filha em situações do dia a dia. O longa-metragem traz de volta Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis nos papéis de Anna e Tess Coleman. Agora, 20 anos depois dos acontecimentos de "Sexta-Feira Muito Louca" (2003), elas vivem a famosa troca de corpos junto com as adolescentes Harper (Julia Butters), filha de Anna, e Lily (Sophia Hammons), filha de Eric (Manny Jacinto) – futuro marido de Anna.

Para promover a nova produção com foco no público brasileiro, a Disney Brasil apostou em uma parceria com Heloísa e Luisa Périssé, mãe e filha famosas, para criar uma campanha que destaca a relação espontânea e divertida entre elas, alinhada à trama, e que traz autenticidade e humor à comunicação.

A primeira ação da campanha é a minissérie digital "Périsséxtas", que conta com três episódios em formato reels, estrelados pelas Perissé em cenas cotidianas que ilustram as diferenças de personalidade. Os episódios são publicados nas redes sociais das artistas em collab com a Disney Studios Brasil, e já estão disponíveis.

Além disso, Heloísa e Luisa participaram do programa "Maternidelas", apresentado por Tata Estaniecki e Claudia Raia, onde debateram temas como o choque geracional - elemento central do filme - aproximando ainda mais o público da narrativa de "Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda". O episódio está disponível no YouTube e também em uma versão especial no Instagram @disneystudiosbr.


Assista no Cineflix mais perto de você

As principais estreias da semana e os melhores filmes em cartaz podem ser assistidos na rede Cineflix Cinemas. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN. O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.


“Uma Sexta-feira Mais Louca Ainda” | "Freakier Friday" | “Sexta-feira Ainda Mais Louca” | Sala 2

Classificação indicativa: livre. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês. Direção: Nisha Ganatra.

Roteiro: Jordan Weiss, Elyse Hollander. Elenco: Jamie Lee Curtis, Lindsay Lohan, Julia Butters, Sophia Hammons, Manny Jacinto, Maitreyi Ramakrishnan, Rosalind Chao, Chad Michael Murray, Vanessa Bayer, Mark Harmon e outros. Distribuição no Brasil: Walt Disney Studios. Duração: 115 minutos. Cenas pós-créditos: sim, uma.

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

.: Jarid Arraes rompe o silêncio na obra mais pessoal e corajosa da carreira


A autora Jarid Arraes enfrenta dores do passado neste volume, a obra mais pessoal da autora até então, dedicando a voz poética a um tema doloroso. Foto: divulgação
 


Em "Caminho para o Grito", uma das autoras mais notáveis da literatura brasileira contemporânea rompe o silêncio e dedica sua voz poética a um tema doloroso. No livro lançado pela editora Alfaguara, Jarid Arraes enfrenta dores do passado neste volume, a obra mais pessoal da autora até então, dedicando a voz poética a um tema doloroso: o abuso sexual, a pedofilia e marcas profundas de uma vida.

Dividido em três partes que acompanham o amadurecimento - da infância vulnerável à maturidade reflexiva -, o livro traça um percurso íntimo de elaboração do trauma, no qual cada verso é um passo rumo à libertação. Não é uma leitura fácil, nem pretende ser. É um convite para encarar as feridas abertas pela violência de gênero, pelo abuso infantil e pelo machismo estrutural. Compre o livro "Caminho para o Grito", de Jarid Arraes, neste link.


Relato de Jarid Arraes sobre o processo de escrita de "Caminho para o Grito"
Este não é um texto qualquer sobre processo criativo. A escrita do meu novo livro envolve um passeio de trem-fantasma pela casa de horrores que é o meu interior. Não esqueça que gritar faz parte da experiência. Era uma quinta-feira, bem no meio da tarde. Na tela do computador, as cenas de "Imaculada", com Sydney Sweeney, seguiam sem interrupções. 

Não foi o primeiro filme de horror que vi em 2024, mas foi o primeiro que registrei na minha conta anônima do Letterboxd. A única coisa que me interessava era assistir a filmes de horror, meu gênero favorito. Todos os dias. Não conseguia trabalhar. Acordava de qualquer jeito, caminhava alguns passos do quarto ao banheiro e do banheiro ao escritório, clicava no play, avaliava com estrelinhas, próximo, clicava no play, repetia. Entre os dias 5 e 31 de maio, assisti a 41 filmes de horror. Nos intervalos, dormi.  

Lembro pouquíssimo de 2024. Depois que a crise depressiva começou, tudo ficou borrado. Acredito que fiquei em estado de dissociação na maior parte do tempo. Consigo resgatar uma memória do dia em que assisti "Imaculada": pela manhã, na terapia, eu disse “ontem me questionei, por algumas horas, se eu era uma pessoa real”. Quase no final da sessão, desabafei: “o que me deixa mais incrédula é que ele tenha coragem de me seguir com o perfil pessoal”.  

Ele? Um pedófilo, hoje com mais de 50 anos, que me enviou pornografia infantil ao mesmo tempo que me contava ter tomado o Chá Hoasca durante uma cerimônia de sua religião, União do Vegetal, e que a bebida teria mostrado um sonho no qual a polícia entrava em sua casa, pegava seu computador e o prendia. “Eu tenho que parar” foi a última coisa que digitou no chat antes de mandar fotos que não pedi e abri sem saber do conteúdo. Eu tinha 12 anos. 

Depois de relatar a situação para minha psicóloga, abri o bloco de notas do celular e escrevi o poema windows xp, que agora faz parte do meu novo livro, intitulado "Caminho para o Grito". Em 2003, conheci esse homem, que vou chamar de Antônio, pela internet, num canal de conversas da minha cidade. Ele parecia um cara gente boa, tinha ótima reputação, podia ser considerado bonito, nem sequer se enquadrava na ideia do predador esquisito e solitário. Em pouquíssimo tempo, já tínhamos vários amigos em comum, frequentávamos os mesmos lugares e, sim, estava tudo errado. 

Eu tinha 12 anos, passava meus finais de semana em ambientes cheios de adultos, bebia e escutava o tempo inteiro que parecia ser mais velha e madura para minha idade. Quando eu e Antônio nos encontramos pessoalmente pela primeira vez, ele conversou comigo sobre música por cerca de 2 horas antes de me chamar para passear no seu carro e dirigir até uma estrada de terra no meio do nada. Por muitos anos, não admiti que Antônio também tinha sido um dos homens que abusou de mim. Aceitar esse fato me obrigaria a encarar outras coisas profundamente dolorosas, então evitei até quando pude.  

No entanto, cerca de duas semanas antes de ser seguida por Antônio no Instagram, no dia em que cheguei em Manaus para participar como convidada do cruzeiro literário "Navegar é Preciso", recebi uma mensagem de um homem que vou chamar de José. Na mensagem, ele me chamou de “potranca” e me convidou para encontrá-lo pessoalmente. Demorei um pouquinho para ligar os pontos, já que, pelas fotos, ele estava bem mais velho e eu jamais imaginaria que ele estaria morando em Manaus. Quando José me estuprou, eu tinha 13 anos e ele tinha 42.  

Toda a questão é que, num intervalo de poucas semanas, Antônio e José apareceram de novo na minha vida. E eu, aos 33 anos, não suportei. "Caminho para o Grito" foi escrito durante os meses que vieram depois desses impactos. Eu não sei dizer em que dia a crise depressiva “começou”, não sei detalhar muitas coisas devido ao intenso estado de dissociação, e até escrever este texto - sim, este aqui que você está lendo agora - eu não sabia o que havia desencadeado todo o sofrimento que vivi em 2024. Eu lembrava da maratona sem fim de filmes de horror e das noites escrevendo poemas e poemas sem nenhum objetivo consciente, até perceber que quase todos eles falavam sobre como foi ter sido vítima de pedofilia dos 3 aos 14 anos.  

Ao perceber o que meu corpo estava fazendo, como ele estava inflamado, expurgando o que precisava expulsar, lutando para se manter vivo, reuni os poemas que estavam interligados, apresentei para minha editora na Alfaguara, falei que aquilo tudo era minha história real e perguntei se queriam publicar.  Escrever mais, a partir de então com intencionalidade para construir uma obra que é uma narrativa, desde a menina de três anos até a mulher de 33 que por muito pouco não escolheu morrer, não foi a parte mais difícil. 

Hoje sei que o processo de criação de "Caminho para o Grito" era a manifestação literária de algo que acontecia no meu corpo inteiro: enquanto eu expurgava o trauma, também tentava tratar uma mastite, uma infecção no seio direito, que me fazia chorar de dor, demorou meses para ser curada e deixou uma baita cicatriz. Então quando afirmo que escrever não foi a parte mais difícil, quero dizer que reconheço como meu corpo lutou por mim.

Mesmo com as infecções, ao longo dos meses em que não consegui fazer nada além de sobreviver dia após dia dentro de um quarto escuro, quando eu ainda não entendia por que estava escrevendo, minha mente me protegeu da melhor maneira alcançável e, à medida que a infecção física era despejada do meu corpo, minha criatividade me ajudava a encarar e nomear o trauma. 

Quando terminei de escrever, precisei de tempo para decidir se de fato publicaria o livro. Sabendo que isso tudo aconteceu em 2024, pode parecer que as coisas caminharam com rapidez. Mas o tempo do calendário não é o mesmo tempo da criança interior que tem as feridas cuidadas. Para meu namorado, que esteve ao meu lado e deu tudo de si, talvez a percepção sobre esse tempo tenha tons ainda mais específicos. 

E há tanta coisa que ainda quero compartilhar sobre a escrita de Caminho para o grito , a história real narrada em poemas e todos os passos indispensáveis para que uma obra como essa chegue até os leitores. Um pouco já foi dito na minha newsletter e eu te convido a continuar acompanhando a divulgação do livro e todas as ações que acontecerão por causa dele. Como este texto jamais poderia ter fim, vou concluir este recorte com um poema inédito que está em Caminho para o grito. Espero que goste da leitura e desejo que você sempre consiga ouvir o próprio corpo. Compre os livros de Jarid Arraes, neste link.


.: Poeta Daniel Perroni Ratto lança o livro "Destemida Ferrabraz" em São Paulo


Conhecido pelas palavras fortes e que impactam os leitores, o escritor e jornalista Daniel Perroni Ratto se prepara para lançar seu sétimo livro da carreira: “Destemida Ferrabraz” traz consigo uma metáfora que grita resistência, força, energia e resiliência. Nele, a mulher é o centro do debate, onde suas lutas seculares são expostas como marcas que seguem em passo de batalha. O livro, inclusive, já chega às livrarias premiado pelo ProAC PNAB de obra inédita no estado de São Paulo.

Lançada pela editora Algaroba, a obra será lançada em São Paulo neste sábado, dia 16 de agosto, a partir das 17 horas. O evento acontecerá na Livraria Patuscada, localizada no bairro de Pinheiros, Zona Oeste da capital. “Espero sempre que seja uma festa da literatura por onde passar e acima de tudo, chegar cada vez mais em mais leitores”, afirma Daniel Perroni Ratto, escritor e jornalista

Em “Destemida Ferrabraz”, Ratto traz à tona e imprime em suas páginas o feminino do seu "eu lírico". Somos capazes de detectar uma voz poética que demanda as questões da nossa época e denuncia a violência de gênero. A obra é, sobretudo, um convite para os prazeres da estética, da linguagem, da liberdade criadora da vida. De página em página, a poética se constrói e se reconstrói como se fosse um caleidoscópio mágico de vertigens abissais da alma do poeta. Um "eu poético" insubmisso põe a mulher como epicentro de toda a obra, dando-lhe dimensão de heroína do destino dele desde sempre. Seja como mãe, seja como avó, tia, amor ou fantasia, a mulher avulta na narrativa “poemática” densa, profunda, intrincada e visceral.

“O livro é uma seleta dos últimos anos, pós pandemia, onde selecionei poemas com a verve do feminino e das lutas das minorias”, afirma Daniel Perroni Ratto, escritor e jornalista. Entre os prêmios vencidos por Daniel ao longo de sua carreira como escritor, destacam-se o Prêmio Guarulhos de Literatura em 2019 com o livro, "Alucinação", o projeto E-Vivências – Memórias, Experiências e Teorias, da Prefeitura de São Paulo de 2020 e seu poema “Coisa Simples” foi premiado no 32° Prêmio Moutonneé de Poesias em 2024.

“O poeta troca um lugar de masculinidade dita ‘confortável’ por um exercício de empatia, um relato onde o autor faz uma imersão no feminino e retorna à superfície, a partir de seus amores e suas ancestrais, da citada tia Mirtes, da avó Dagmar, da poeta Laís, edificando uma potente homenagem às mulheres da sua vida”, define a poeta Íris Cavalcante sobre o trabalho de Daniel Perroni Ratto em “Destemida Ferrabraz”.



Sobre o autor
Daniel Perroni Ratto é poeta, jornalista, músico e editor da Editora Algaroba. Pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA/USP, autor dos livros "Urbanas Poesias" (Ed. Fiúza, 2000), "Marte Mora em São Paulo" (A Girafa/Escrituras, 2012), "Marmotas, Amores e Dois Drinks Flamejantes" (Ed. Patuá, 2014), "VoZmecê" (Ed. Patuá, 2016), "Alucinação" (Algaroba, 2018), "Grinalda de Um Poeta" (Algaroba, 2021) e "Destemida Ferrabraz" (Algaroba, 2025).

Serviço
Livro "Destemida Ferrabraz"
Lançamento:
dia 16 de agosto, a partir das 17 horas, na Livraria Patuscada (R. Luís Murat, 40 - Pinheiros, São Paulo)
Autor: Daniel Perroni Ratto (@daniel.perroni.ratto)
Editora: Algaroba
Páginas: 92
Disponível para compra através do link.

.: Letícia Sabatella se apresenta no Sesc Pompeia em show "Cantrizes"


Em quatro shows autorais diferentes, série de espetáculos celebra a força cênica de grandes atrizes, que também são cantoras espetaculares. Além de Letícia Sabatella, apresentam-se Alessandra Maestrini, Letícia Soares e Virgínia Rosa

Atriz e cantora, Letícia Sabatella sobe ao palco com um show intimista, de voz e piano, neste domingo, dia 17 de agosto, às 18h00, dentro das apresentações do projeto "Cantrizes". Com uma sólida carreira nas artes cênicas e no audiovisual, ela se revela em outro registro: o musical. No repertório, canções que refletem sua trajetória interior e dialogam com temas como natureza, amor, ancestralidade e liberdade. Uma experiência delicada e intensa, como ela mesma.

Outros shows da série "Cantrizes" no Sesc Pompeia:  Alessandra Maestrini em "Yentl em Concerto", quinta-feira, dia 14 de agosto, às 20h00; Letícia Soares em "Letícia Soares Canta Gal", sexta-feira, dia 15 de agosto, às 20h00; Virgínia Rosa em "Luz das Estrelas - Virgínia Rosa Canta Raul Seixas", sábado, dia 16 de agosto, às 20h00.


"Cantrizes" no Sesc Pompeia
Nos dias 14, 15, 16 e 17 de agosto, no Teatro do Sesc Pompeia, acontece “Cantrizes”, série de espetáculos que celebra um grupo raro e precioso: atrizes que também são cantoras espetaculares. São intérpretes completas, que levam ao palco não apenas a afinação vocal, mas a escuta, o gesto, a presença. Mulheres que transformam cada canção numa cena, cada espetáculo num mergulho sensível.

Nesta edição, quatro artistas com carreiras consolidadas - na música, no teatro, na televisão e no cinema - apresentam seus shows autorais em quatro noites seguidas. Na quinta-feira, dia 14 de agosto, Alessandra Maestrini abre essa série de espetáculos com "Yentl em Concerto", inspirado em conto de Isaac Bashevis Singer e no filme de Barbra Streisand, com músicas de Michel Legrand. Na sexta-feira, dia 15 de agosto, Letícia Soares percorre diferentes fases da carreira de Gal Costa no espetáculo Letícia canta Gal. 

Sábado, dia 16 de agosto, Virgínia Rosa apresenta "Luz das Estrelas - Virgínia Rosa" canta Raul Seixas, em que dá voz ao lado poético, filosófico e romântico do maluco beleza. Encerrando a série, Letícia Sabatella sobe ao palco no dia 17 de agosto com o show intimista, "Voz e Piano", em que reúne canções que refletem sua trajetória interior e dialogam com temas como natureza, amor, ancestralidade e liberdade. "Cantrizes" não é apenas uma mostra de shows. É um manifesto a favor da arte feita com corpo inteiro - onde atuação e música caminham juntas, sem hierarquias, sem rótulos. Um convite para escutar com outros sentidos.


Ficha técnica
Letícia Sabatella em "Letícia Sabatella, Voz e Piano"
Idealização, roteiro, direção: Letícia Sabatella e Paulo Braga
Intérprete: Letícia Sabatella
Direção musical, arranjos e piano: Paulo Braga
Videografismo: Renato Krueger
Figurinos: Bruno Muniz
Iluminador: Wagner Pinto
Assistente de produção: Gabriela Newlands Calu Tornaghi
Coordenação de produção: Bianca De Felippes


Quinta-feira, dia 14 de agosto, às 20h00 - Alessandra Maestrini em "Yentl em Concerto" - Ingressos on-line neste link
Sexta-feira, dia 15 de agosto, às 20h00 - Letícia Soares em "Letícia Soares Canta Gal" - Ingressos on-line neste link
Sábado, dia 16 de agosto, às 20h00 - Virgínia Rosa em "Luz das Estrelas - Virgínia Rosa Canta Raul Seixas" - Ingressos on-line neste link
Domingo, dia 17 de agosto, às 18h00 - Letícia Sabatella em "Letícia Sabatella, Voz e PianoIngressos on-line neste link


Serviço | "Cantrizes"
Dias 14, 15, 16 e 17 de agosto
Local: Teatro do Sesc Pompeia
Rua Clélia, 93 - Pompeia / São Paulo
Ingressos: R$ 21,00 (Credencial plena), R$ 35,00 (meia-entrada), R$ 70,00 (inteira)
Ingressos à venda on-line e nas bilheterias do Sesc 
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: livre

.: Crítica musical: "Help", há 60 anos, a perda da inocência dos Beatles

Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto:divulgação

Há 60 anos, os Beatles lançavam a trilha de seu segundo filme, "Help". O disco simbolizou uma mudança de postura na produção musical, com composições que exploravam mais os recursos do estúdio. Ainda que os hits que marcaram a beatlemania ainda estivessem presentes no repertório, era possível notar uma postura diferente dos Fab Four.

Em relação a trilha do primeiro filme, o "A Hard Day's Night" (que no Brasil se chamou "Os Reis do Ie-Ie-Ie"), e ao álbum "Beatles For Sale", os Fab Four estavam dando um passo adiante. A começar pela faixa título, considerada uma obra prima do período da beatlemania, com backing vocals colocados de forma genial em cima de um arranjo igualmente excelente.

John Lennon revelaria anos mais tarde que esse período da banda foi um dos mais difíceis para ele, em função da superexposição na mídia da época. E que a música era realmente um pedido de ajuda que ele procurou expor. Isso inclusive pode ser facilmente notado na letra: “When I was younger, so much younger than today/ I never needed anybody's help in any way/ But now these days are gone, I'm not so self assured/ Help me if you can, I'm feeling down”. ("Quando eu era jovem, muito mais jovem que hoje/Nunca precisei da ajuda de ninguém em nenhum sentido/Mas agora estes dias se foram, não sou seguro de mim mesmo/Agora descobri que mudei de ideia e abri as portas/Ajude-me se você puder, estou triste").

Outro momento brilhante desse álbum foi a balada "You've Got To Hide Your Love Away", também composta por John Lennon que foi inspirada no estilo de Bob Dylan. . Foi esse período que os Beatles conheceram Dylan pessoalmente. Eles se conheceram em 1964 e, desde então, desenvolveram uma relação de admiração mútua e colaboração, com trocas criativas e influências mútuas, apesar de algumas tensões ocasionais. 

O disco segue com momentos de protagonismo de Paul McCartney nas faixas "The Night Bewfore" e "Another Girl". Lennon volta a solar o vocal nas faixas "You´re Going To Lose That Girl" e na incrível "Ticket To Ride", com um memorável trabalho de Ringo Starr na bateria. As demais faixas contam com duas ótimas composições de George Harrison ("I Need You e You Like Me Too Much") e dois covers, sendo um deles cantado por Ringo (a canção folk "Act Naturally") e o rock´n roll raiz de "Dizzy Miss Lizzy" (de Larry Williams) cantado por John Lennon.

Não poderia deixar de citar a balada "Yesterday", que foi gravada por Paul McCartney acompanhado por um quarteto de cordas, o que era uma novidade para o grupo na época. Essa canção se tornaria uma das mais regravadas do repertório dos Beatles nos anos seguintes. As faixas "It´s Only Love", "I´ve Just Seen" a "Face e Tell Me What You See" complementam o disco mantendo aceso o clima da Beatlemania na sonoridade da banda.

A trilha de "Help" simboliza o início de mudança de paradigma musical. Eles passariam a utilizar mais os recursos que tinham no estúdio de gravação na época, ampliando os horizontes da música e se consolidando como uma das referências da história do rock.

"Help"

"You´ve Got To Hide Your Love Away"

"I Need You"

.: Virgínia Rosa canta Raul Seixas no Sesc Pompeia no show "Cantrizes"


Em quatro shows autorais diferentes, série de espetáculos celebra a força cênica de grandes atrizes, que também são cantoras espetaculares. Além de 
Virgínia Rosa, apresentam-se Alessandra Maestrini,  Letícia Soares Letícia Sabatella. Foto: Kim Leekyung

Atriz e cantora, Virgínia Rosa apresenta "Luz das Estrelas - Virgínia Rosa Canta Raul Seixas", dentro da série de espetáculos "Cantrizes", no Sesc Pompeia, neste sábado, dia 16 de agosto, às 20h00. Com atuações marcantes em novelas da Rede Globo como "Babilônia" (2015)," Pega Pega" (2017) e "Éramos Seis" (2019), Virginia Rosa também construiu uma sólida e admirada trajetória musical. 

Espetáculos como "Palavra de Mulher", "Cartola - O Mundo É Um Moinho" e, mais recentemente, a minissérie "Rota 66", evidenciam sua versatilidade como artista. Neste show, ela mergulha no universo poético, filosófico e romântico de Raul Seixas, revelando novas camadas de sentido com sua voz expressiva e sua presença cênica sempre arrebatadora.

Outros shows da série "Cantrizes" no Sesc Pompeia:  Alessandra Maestrini em "Yentl em Concerto", quinta-feira, dia 14 de agosto, às 20h00; Letícia Soares em "Letícia Soares Canta Gal", sexta-feira, dia 15 de agosto, às 20h00; Letícia Sabatella em "Letícia Sabatella, Voz e Piano", domingo, dia 17 de agosto, às 18h00.


"Cantrizes" no Sesc Pompeia
Nos dias 14, 15, 16 e 17 de agosto, no Teatro do Sesc Pompeia, acontece “Cantrizes”, série de espetáculos que celebra um grupo raro e precioso: atrizes que também são cantoras espetaculares. São intérpretes completas, que levam ao palco não apenas a afinação vocal, mas a escuta, o gesto, a presença. Mulheres que transformam cada canção numa cena, cada espetáculo num mergulho sensível.

Nesta edição, quatro artistas com carreiras consolidadas - na música, no teatro, na televisão e no cinema - apresentam seus shows autorais em quatro noites seguidas. Na quinta-feira, dia 14 de agosto, Alessandra Maestrini abre essa série de espetáculos com "Yentl em Concerto", inspirado em conto de Isaac Bashevis Singer e no filme de Barbra Streisand, com músicas de Michel Legrand. Na sexta-feira, dia 15 de agosto, Letícia Soares percorre diferentes fases da carreira de Gal Costa no espetáculo Letícia canta Gal. 

Sábado, dia 16 de agosto, Virgínia Rosa apresenta "Luz das Estrelas - Virgínia Rosa" canta Raul Seixas, em que dá voz ao lado poético, filosófico e romântico do maluco beleza. Encerrando a série, Letícia Sabatella sobe ao palco no dia 17 de agosto com o show intimista, "Voz e Piano", em que reúne canções que refletem sua trajetória interior e dialogam com temas como natureza, amor, ancestralidade e liberdade. "Cantrizes" não é apenas uma mostra de shows. É um manifesto a favor da arte feita com corpo inteiro - onde atuação e música caminham juntas, sem hierarquias, sem rótulos. Um convite para escutar com outros sentidos.


Ficha técnica
Virgínia Rosa em "Luz das Estrelas - Virginia Canta Raul Seixas"
Idealização e intérprete: Virgínia Rosa
Direção musical, guitarra e programação eletrônica: Rovilson Pascoal
Baixo acústico e elétrico: André Bedurê
Bateria e percussão: Michele Abu
Técnico de som: Kiko Carbone
Iluminação: Christiano Paes
Figurinos: Guilherme Rodrigues
Produção executiva e direção geral: Fernando Cardoso


Quinta-feira, dia 14 de agosto, às 20h00 - Alessandra Maestrini em "Yentl em Concerto" - Ingressos on-line neste link
Sexta-feira, dia 15 de agosto, às 20h00 - Letícia Soares em "Letícia Soares Canta Gal" - Ingressos on-line neste link
Sábado, dia 16 de agosto, às 20h00 - Virgínia Rosa em "Luz das Estrelas - Virgínia Rosa Canta Raul Seixas" - Ingressos on-line neste link
Domingo, dia 17 de agosto, às 18h00 - Letícia Sabatella em "Letícia Sabatella, Voz e PianoIngressos on-line neste link


Serviço | "Cantrizes"
Dias 14, 15, 16 e 17 de agosto
Local: Teatro do Sesc Pompeia
Rua Clélia, 93 - Pompeia / São Paulo
Ingressos: R$ 21,00 (Credencial plena), R$ 35,00 (meia-entrada), R$ 70,00 (inteira)
Ingressos à venda on-line e nas bilheterias do Sesc 
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: livre

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

.: Crítica: "Drácula: Uma História de Amor Eterno" é romântico e apaixonante

Cena de "Drácula", em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em agosto de 2025


Que há muito encanto em torno da figura de Vlad, o protagonista de terror gótico escrito por Bram Stoker em 1897, há. Eis que em 2025, após "Nosferatu" ganhar uma nova versão -com direito a indicações ao Oscar-, os cinemas recebem a apaixonante super produção cinematográfica de terror e fantasia "Drácula: Uma História de Amor Eterno"dirigida por Luc Besson ("Dogman", "O Quinto Elemento"). 

O longa que esbanja lindos cenários e figurinos de fazer cair o queixo, permite que o público se deleite na atuação impecável de Caleb Landry Jones ("Corra!"), na pele do poderoso ser das trevas ao lado de Zoe Bleu ("Sinais de Amor"), como Elisabeta/Mina -filha de Rosanna Arquette do clássico filme com Madonna, "Procura-se Susan Desesperadamente" (1985). Com traços no rosto bastante similares aos das irmãs da mãe, as Arquettes (Patricia e Alexis), Zoe Bleu entrega sensualidade e inocência conforme a trama exige. É fascinante assistir o longa que respeita bastante o texto original de Stocker. 

A produção dirigida e roteirizada por Luc Besson, com uma fotografia impressionante, também dá destaque para Christoph Waltz ("Django Livre", "O Portal Secreto"), interpretando o padre que desvenda os segredos do imortal Conde Vlad e capaz de dar um desfecho a uma história de amor de dar inveja ao casal Romeu e Julieta de Shakespeare. Matilda De Angelis, na pele de Maria, amiga de Mina, também entrega muito no seu tempo de tela.

A releitura do clássico da literatura universal, Drácula: Uma História de Amor Eterno, ganha um toque moderno, sendo cativante enquanto transborda amor, mas equilibra com muita ação e até sangue jorrando -sem apelação. De toda forma, esbarra em "Drácula de Bram Stoker", de 1992, também pudera, ambos pautam-se no original e são grandes filmes que em muito acrescentam à figura de Vlad. Imperdível!

O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN



"Drácula: Uma História de Amor Eterno" ("Dracula: A Love Tale"). Ingressos on-line neste linkGênero: terror, fantasiaClassificação: 16 anos. Duração: 2h09. Direção: Luc Besson. Roteiro: Luc Besson. Elenco: Caleb Landry Jones, Christoph Waltz, Zoë Bleu. Sinopse: O Príncipe Vladimir renega Deus após a perda brutal de sua esposa. Ele então herda uma maldição: a vida eterna. Condenado a vagar através dos séculos, ele tem apenas uma esperança: reencontrar seu amor perdido.. Confira os horários: neste link

Trailer "Drácula: Uma História de Amor Eterno"

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