sábado, 6 de junho de 2026

.: Espetáculo "O Mercador de Veneza", com Dan Stulbach, reestreia no Tuca


Com Dan Stulbach à frente do elenco, a peça vem realizando um feito: até agora não houve nenhuma sessão em que não tivessem sido vendidos todos os assentos. Foto: Ronaldo Gutierrez

Com ingressos esgotados no Tucarena até maio, o espetáculo “O Mercador de Veneza” migra para um teatro maior e abre novas sessões aos sábados e domingos de junho e julho, agora no Tuca, em São Paulo. A peça vem realizando um feito: até agora não houve nenhuma sessão em que não tivessem sido vendidos todos os assentos. O projeto é uma coprodução da Kavaná Produções e Baccan Produções. À frente do elenco, Dan Stulbach dá vida ao icônico agiota Shylock, já interpretado por nomes como Al Pacino, Laurence Olivier e Pedro Paulo Rangel. A direção é de Daniela Stirbulov. Mergulhando em temas como preconceito e intolerância a todos aqueles que são estrangeiros, a montagem é uma reflexão acerca das transformações nas relações humanas e tensões sociais que transcendem séculos.

“Lidar com os desafios shakesperianos é abrir espaço para o risco, para o confronto com o que somos — e com o que podemos ser. E expandir o entendimento sobre a vida: as relações humanas em sua complexidade e contradições. Tudo está ali. Vilões e heróis se confundem nas máscaras sociais. A obra, atravessada por tensões religiosas e preconceitos, nos confronta com questões sobre intolerância, identidade e justiça - tão atuais quanto no tempo em que foi escrita”, reflete a diretora, Daniela Stirbulov.

A trama acompanha Antônio, um mercador que contrai uma dívida com o agiota judeu Shylock para ajudar seu amigo Bassânio. Como garantia, estipula-se a retirada de uma libra da carne de Antônio. Com o não pagamento da dívida, o contrato desencadeia um julgamento dramático, colocando em pauta temas como justiça e preconceito. Sob a direção de Daniela Stirbulov, “O Mercador de Veneza” se desloca da Itália do século 16 para um cenário contemporâneo, em que questões como o antissemitismo, o preconceito racial, e as guerras motivadas pelo lucro e pelo capital ganham mais potência frente à narrativa. O agiota Shylock é alçado a protagonista nesta montagem, que busca narrar a história a partir de seu ponto de vista.

“Estar à frente da direção me possibilitou criar um universo contemporâneo. A história, escrita no contexto do capitalismo emergente do século XVI, foi transportada para os anos 1990 - década marcada pela aceleração da globalização e pelo surgimento de uma nova ordem mundial. Estabelecemos a Bolsa de Valores como espaço central, implantando a atmosfera das negociações financeiras do tempo presente e o dinheiro como motor principal das relações”, conta a diretora.

No centro do palco, uma estrutura acrílica transparente elevada cria um tablado para os atores. No alto, um painel circular de led desenha palavras e frases ligadas à ação. Há um operador de câmera captando imagens em tempo real, também projetadas no painel. A música é executada ao vivo por uma baterista no palco.

A produção do espetáculo é assinada pela Kavaná e pela Baccan Produções, sob a liderança de Cesar Baccan e Marcelo Ullmann, que também integram o elenco. Com atuação destacada pela qualidade, os produtores vêm consolidando uma trajetória marcada por obras de relevância artística e apelo de público, como “O Nome do Bebê”, com Bianca Bin, “A Pane”, com Antônio Petrin, e “Um Inimigo do Povo”, de Henrik Ibsen. Mais do que viabilizar montagens, Baccan e Ullmann desenvolvem projetos que transitam entre o clássico e o contemporâneo, equilibrando rigor estético, comunicação com o público e consistência de produção, enquanto avançam com novos projetos em desenvolvimento.


Ficha técnica
Espetáculo "O Mercador de Veneza"

Texto: William Shakespeare. Direção: Daniela Stirbulov. Tradução, Adaptação e Assistência de Direção: Bruno Cavalcanti. Elenco / Personagem: Dan Stulbach / Shylock; Augusto Pompeo / Duque; Amaurih Oliveira / Lorenzo e Príncipe de Marrocos; Cesar Baccan / Antônio; Gabriela Westphal / Pórcia; Júnior Cabral / Graciano; Marcelo Diaz / Lancelotte Gobbo; Marcelo Ullmann / Bassânio; Maria Clara Strambi / Jéssica; Rebeca Oliveira / Nerissa; Renato Caldas / Solânio e Tubal; Thiago Sak / Salarino e Príncipe de Aragão. Baterista em cena: Caroline Calê. Cenografia: Carmem Guerra. Cenotécnico: Douglas Caldas. Desenho de luz: Wagner Pinto e Gabriel Greghi. Figurino e visagismo: Allan Ferc. Assistente de figurino: Denise Evangelista. Peruqueiros: Dhiego Durso e Raquel Reis. Direção de movimento: Marisol Marcondes. Aderecista: Rebeca Oliveira. Consultoria sobre Shakespeare: Ricardo Cardoso. Vídeo e imagem: André Voulgaris. Fotos: Ronaldo Gutierrez. Design gráfico: Rafael Oliveira Branco. Operação de luz: Jorge Leal. Operação de som: Eder Sousa. Motorista: Cosme Araujo. Assistente de produção: Amanda Nolleto. Produção executiva: Raquel Murano. Direção de produção: Cesar Baccan e Marcelo Ullmann. Produção: Kavaná Produções e Baccan Produções. Assessoria de imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Sephany.

Serviço
Espetáculo “O Mercador de Veneza”

Reestreia sábado, dia 6 de junho, às 20h00
Teatro Tuca – Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes / São Paulo. Telefone: (11) 3670-8455.
Sábados, às 20h00, e domingos, às 17h00 (as sessões dos dias 13 de junho, 4, 5, 11 e 19 de julho dependem dos jogos do Brasil na Copa do Mundo).
Ingressos: R$ 200,00 e R$ 100,00 (meia-entrada) na bilheteria terça-feira a sábadp, das 14h00 às 20h00, e domingo, das 14h00 às 18h00, ou em https://bileto.sympla.com.br/event/118833?share_id=1-copiarlink
Capacidade: 672 espectadores
Duração: 1h50
Gênero: comédia dramática
Classificação indicativa: 12 anos
Acessibilidade: sim
Temporada: até 26 de julho


.: "Incêndios" mergulha na guerra e em um dos maiores segredos do cinema


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Poucos filmes conseguem provocar tamanho impacto emocional quanto "Incêndios", filme em cartaz na plataforma de streaming Reserva Imovision. Lançado em 2010 e dirigido por Denis Villeneuve, o drama canadense chegou aos cinemas brasileiros em fevereiro de 2011 e rapidamente conquistou espaço entre as produções mais admiradas do século. Antes de se tornar um dos cineastas mais celebrados de Hollywood com obras como "A Chegada", "Blade Runner 2049" e os dois capítulos de "Duna", Villeneuve entregou uma narrativa poderosa, construída sobre perdas, memória, violência e heranças que atravessam gerações.

Baseado na peça homônima do escritor e dramaturgo Wajdi Mouawad, o longa acompanha os irmãos gêmeos Jeanne e Simon Marwan, interpretados por Mélissa Désormeaux-Poulin e Maxim Gaudette. Após a morte da mãe, Nawal Marwan, vivida de forma impressionante por Lubna Azabal, os dois recebem uma missão inesperada: localizar um pai que acreditavam estar morto e um irmão cuja existência desconheciam. A investigação conduz os personagens ao Oriente Médio e, pouco a pouco, revela um passado marcado pela guerra e por acontecimentos capazes de redefinir tudo o que julgavam saber sobre a própria família.

O roteiro, assinado por Denis Villeneuve e Valérie Beaugrand-Champagne, organiza a narrativa em diferentes tempos históricos sem perder a clareza dramática. Cada descoberta amplia a dimensão da tragédia e transforma a busca dos irmãos em uma reflexão profunda sobre identidade, culpa, perdão e sobrevivência. A força do texto encontra apoio em uma direção segura, que sabe dosar tensão e emoção sem recorrer a atalhos fáceis.

Uma das curiosidades mais comentadas sobre a produção está na inspiração indireta em acontecimentos ligados à Guerra Civil Libanesa. Embora a história não adapte fatos reais específicos, estudiosos e críticos apontam semelhanças com a trajetória da ativista libanesa Souha Bechara, presa e torturada durante anos em uma penitenciária do sul do Líbano. Essa aproximação ajuda a compreender a intensidade política e humana presente no filme.

A excelência técnica também contribui para o prestígio duradouro da obra. A fotografia de André Turpin alterna paisagens frias e tons áridos para reforçar os contrastes geográficos e emocionais da trama. Já a trilha sonora de Grégoire Hetzel acompanha a jornada sem excessos, permitindo que o peso dos acontecimentos encontre espaço para ressoar por conta própria.

O reconhecimento internacional veio rapidamente. "Incêndios" recebeu indicação ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira e consolidou Denis Villeneuve como um dos realizadores mais talentosos de sua geração. Mais de uma década depois, continua sendo apontado por parte da crítica e do público como o trabalho mais contundente de sua carreira. Em tempos de narrativas descartáveis e consumo acelerado, "Incêndios" permanece intacto, preservando a capacidade de surpreender, inquietar e emocionar com a mesma intensidade de sua estreia.


Ficha técnica
"Incêndios" | "Incendies" (título original) | "Incendies - A Mulher Que Canta" (título em Portugal)
Gênero: drama. Duração: 2h10m. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2010. Idioma: francês e árabe. Direção: Denis Villeneuve. Roteiro: Denis Villeneuve e Valérie Beaugrand-Champagne, baseado na peça de Wajdi Mouawad. Elenco: Lubna Azabal, Mélissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette e Rémy Girard. Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.

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.: "Dominados pelo Desejo" resgata alma do noir e afunda personagens no medo


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

Lançado em 1990, "Dominados pelo Desejo", que estreia na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte,  foi transformado em objeto de culto do cinema norte-americano. Dirigido por James Foley, cineasta que transitou entre o suspense, o drama e produções de grande apelo comercial, o longa-metragem adapta o romance "After Dark, My Sweet", de Jim Thompson, um dos escritores mais influentes da literatura policial americana.

A trama acompanha Kevin "Kid" Collins, interpretado por Jason Patric, um ex-boxeador atormentado que foge de uma instituição psiquiátrica e passa a vagar pelo deserto californiano. Durante a fuga, ele cruza o caminho de Fay Anderson, personagem de Rachel Ward, uma mulher fragilizada por perdas e vícios, que vive sob a influência de Garrett "Tio Bud" Stoker, papel de Bruce Dern. O encontro entre os três dá origem a um plano de sequestro que parece simples apenas na superfície. Conforme a situação se deteriora, a desconfiança, a manipulação e os impulsos autodestrutivos assumem o controle da narrativa.

James Foley, que anos antes dirigira "Quem é Essa Garota?" e posteriormente assinaria títulos como "O Sucesso a Qualquer Preço" e capítulos da franquia "Cinquenta Tons de Cinza", encontra neste filme uma de suas obras mais elogiadas pela crítica especializada. A direção aposta na construção psicológica dos personagens, mantendo o espectador preso à instabilidade emocional do protagonista.

Grande parte da força do filme reside na fidelidade ao universo criado por Jim Thompson. Conhecido por romances como "The Killer Inside Me" e "Pop. 1280", o escritor construiu uma carreira retratando criminosos fracassados, pessoas à deriva e indivíduos incapazes de escapar das próprias limitações. "Dominados pelo Desejo" preserva esse espírito sem recorrer a glamourizações, oferecendo um retrato áspero de personagens que avançam rumo ao desastre quase por inércia.

A atuação de Jason Patric costuma ser apontada como um dos pontos mais marcantes de sua trajetória. O ator confere humanidade e vulnerabilidade a um homem constantemente dividido entre a lucidez e a confusão mental. Rachel Ward evita qualquer romantização da figura da femme fatale clássica, compondo uma mulher emocionalmente ferida, imprevisível e contraditória. Já Bruce Dern entrega um personagem oportunista e desprezível na medida certa, reforçando o clima de tensão permanente.

Visualmente, o longa também chama atenção. A fotografia de Mark Plummer utiliza paisagens áridas e ensolaradas para construir uma atmosfera opressiva. O resultado aproxima o filme do chamado "neo-noir solar", vertente que substitui becos escuros e ruas molhadas pela sensação de isolamento provocada pelo calor e pelos espaços abertos. O fatalismo característico do noir clássico permanece intacto, apenas muda de cenário.

Embora não tenha obtido sucesso expressivo nas bilheterias durante o lançamento, "Dominados pelo Desejo" conquistou admiradores ao longo das décadas. Muitos críticos o consideram uma das adaptações mais consistentes da obra de Jim Thompson para o cinema, justamente por compreender que seus personagens não são gênios do crime, mas seres humanos frágeis, guiados por impulsos, ilusões e decisões equivocadas. Um suspense psicológico que prefere explorar a deterioração moral e emocional de seus protagonistas a oferecer respostas fáceis. Uma experiência marcada pela inquietação, pela melancolia e pela certeza de que, naquele universo, cada escolha carrega consequências difíceis de evitar.


Ficha técnica
"Dominados pelo Desejo" | "After Dark, My Sweet" (título original)
Gênero: romance, suspense, drama, policial, mistério (neo-noir). Duração: 114 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1990. Idioma: inglês. Direção: James Foley. Roteiro: James Foley e Robert Redlin, baseado no romance de Jim Thompson. Elenco: Jason Patric, Rachel Ward, Bruce Dern, George Dickerson, Ira Wheeler e Rockne Tarkington. Distribuição no Brasil: disponibilidade em plataformas e distribuidoras varia conforme o período de exibição. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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.: "Bem Brasil" de volta à TV Cultura com show ao vivo de Carlinhos Brown


Carlinhos Brown abre a nova fase do clássico programa de música brasileira neste domingo, dia 7 de junho. Na foto, Roberta Martinelli e Wandi Doratiotto. Foto: Henrique Bacana/Acervo TV Cultura

Neste domingo, dia 7 de junho, um dos mais importantes programas musicais da televisão brasileira volta à grade da TV Cultura: o "Bem Brasil". Com exibição ao vivo aos domingos, ao meio-dia, diretamente do Sesc Itaquera, em São Paulo, a atração será transmitida na TV Cultura e no YouTube da emissora, e terá apresentação de Wandi Doratiotto, nome histórico do programa e já conhecido do público que acompanhou fases anteriores da produção. A nova etapa também contará com a participação da jornalista Roberta Martinelli, que irá interagir com o apresentador e o público em um clima descontraído.
 
O artista convidado para a primeira apresentação será o cantor, compositor e percussionista baiano Carlinhos Brown, que apresenta o show “Começos de Um Encontro”. O espetáculo propõe uma experiência musical vibrante e afetiva ao revisitar diferentes momentos da trajetória do artista em arranjos intimistas que unem ijexá, pop e referências da música brasileira. No repertório, sucessos como “Vilarejo”, “Amor I Love You” e “Meia Lua Inteira” se misturam a clássicos ligados ao universo dos Tribalistas e ao carnaval baiano. 

Com formação enxuta de percussão, voz, teclado e guitarra, a apresentação ganha ainda mais emoção com a participação especial das cantoras Clara e Ceci Buarque, filhas de Brown, ampliando o caráter sensível e celebrativo do show. Reconhecido como um dos mais importantes programas musicais da TV pública brasileira, o Bem Brasil se consolidou como um registro vivo da diversidade e da riqueza da música do país, contribuindo para a democratização do acesso à cultura.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

.: Crítica: "Mestres do Universo" tem a força para manter a essência e inovar


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em junho de 2026


A essência da animação de sucesso dos anos 80, chega aos cinemas em 2026 mesclada a uma releitura cinematográfica humanizada para os tempos de hoje. Eis "Mestres do Universo" a aguardada produção do herói fortão de tanguinha e botas que, diante do perigo, para salvar seu povo, ergue a espada do poder a um sonoro: "pelos poderes de Grayskull... eu tenho a força!". Vale destacar aos saudosistas que é uma boa priorizar a versão dublada do longa, uma vez que Garcia Júnior reinterpreta o príncipe Adam (Nicholas Galitzine, de "Continência ao Amor"), com bônus de ter a voz da dubladora Marisa Leal (Ariel na animação Disney, Baby em "Família Dinossauro") como Roboto.

Com direção de Travis Knight ("Bumblebee"), o filme de 2026 é um resgate de nova roupagem que absorve um pouco da história de "Superman". Quando criança, o pequeno príncipe Adam sobrevive a um ataque tenebroso de Esqueleto (voz de Luiz Carlos Persy como Esqueleto, Jared Leto, de "Esquadrão Suicida", "Morbius" e "Tron-Ares") a Eternos. Enviado para a Terra junto de sua espada os dois se desencontram. 

A produção não retrata como Adam se formou, se foi adotado ou cresceu num orfanato. Agora, um homem que ainda tenta encontrar a espada perdida e também sua cara-metade, tenta sobreviver no maçante trabalho para se manter vivo. Outra falha do longa, no caso visual, está no primeiro embate do herói em Etérnia com um vilão, numa ponte estreita em que com um gancho, o rival marca o chão. Contudo, em todo o confronto, tal feito simplesmente some da tela, deixando a ponte em perfeitas condições.

Perdido na Terra, vivendo como um reles mortal com lembranças curiosas da infância, após 10 anos, ele é reencontrado por Teela numa situação de puro enfrentamento. Toda a pancadaria remete muito a sequência de "Homem-Aranha De Volta para Casa" (2021) quando doutor Octopus encontra o cabeça de teia na ponte ou ainda o mais antigo "Deadpool" (2016) no confronto que acontece durante os créditos iniciais do filme. Em tempo, Adam tem Hussein (Christian Vunipola) como amigo na Terra, o que também remete a nova franquia de "Homem-Aranha" com Ned Leeds (Jacob Batalo).

Bebendo da fonte de "Superman""Mestres do Universo" faz lembrar da cena das cartas na saga "Harry Potter", sendo que aqui o que voa pelo ambiente são os desenhos do menino que retratam lembranças de sua infância. Há também um pouco de "O Senhor dos Anéis" na Montanha da Perdição quando Adam joga um rival direto no fogo ardente.

Assim, Adam volta para Etérnia que está destruída tendo o Esqueleto no comando, estando sedento pelo poder absoluto, almejando ter em mãos a espada do poder. Sem ter conhecimento da força descomunal que tem, por carregar o descrédito do pai, o jovem Adam tenta se enturmar com as figuras que conheceu na infância e pareciam sem sentido para os humanos. Afinal, Adam prioriza a conversa antes de partir para o braço o que só alimenta a desconfiança dos outros.

Ao ser enjaulado com Teela, Adam reencontra Mentor, que acaba sendo a representação viva do que Esqueleto fez com Etérnia. Destruído, o pai de Teela encontra a força que precisava no regresso do herói, voltando a seus tempos áureos de auxiliar a família do rei de Etérnia. Em meios a diversos embates, Adam se redescobre e a magia do herói da música brasileira do "Trem da Alegria", acontece na telona de cinema. Sim! "Mestres do Universo" é o tipo de produção para se assistir na telona de cinema com estilo.

Para alguns que imaginavam ver nos cinemas a reprodução das animações dos anos 80, "Mestres do Universo" pode ser frustrante. Contudo, para amarrar todo o histórico do príncipe Adam, certas mudanças são aceitáveis. Vale lembrar que o herói dos músculos de aço já ganhou um longa-metragem em 1987 que fracassou, mesmo tendo Dolph Lundgren como protagonista. E ele marca presença na nova produção em um encontro do tipo o antigo e o atual Adam, numa academia quando o jovem pede um conselho de iniciante. 

Com três cenas pós-créditos, "Mestres do Universo" pode não ser um filmaço que preencha os requisitos de fãs de produções da Marvel, mas consegue ser um super filme de resgate saudosista com potencial para sequências de qualidade. Imperdível!


"Mestres do Universo" ("Masters Of The Universe"). Gênero: Ação, Aventura e Fantasia. DireçãoTravis Knight. Roteiro: Chris Butler, Aaron Nee e Adam Nee. Duração: 2h 13 minutos. Classificação Indicativa: 14 anos. Distribuição: Sony Pictures. Elenco: Nicholas Galitzine como Príncipe Adam / He-Man, Camila Mendes como Teela, Idris Elba como Duncan / Man-At-Arms, Jared Leto como Esqueleto, Alison Brie como Maligna. Sinopse: O filme acompanha a jornada do Príncipe Adam para salvar Eternia e aceitar seu destino como He-Man

Trailer de "Mestres do Universo"



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.: Crítica musical: os 60 anos dos Afro-Sambas


Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Guilherme Ligiero

A gravadora Biscoito Fino lançou “Afro-Sambas 60 Anos”, novo álbum de Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker, dedicado à celebração das seis décadas de "Os Afro-Sambas", obra seminal de Baden Powell e Vinicius de Moraes, lançada em 1966. Mais do que uma homenagem, o disco propõe uma leitura contemporânea de um dos capítulos mais importantes da música brasileira. A partir do encontro essencial entre voz e violão - eixo que também estrutura o álbum original - Sacramento e Becker revisitam as oito canções de "Os Afro-Sambas" e incorporam outras quatro composições que orbitam esse mesmo universo poético, rítmico e espiritual: “Berimbau”, “Consolação”, “Tempo de Amor” e “Labareda”.

O ponto de partida do álbum é a formação íntima e potente construída pela voz de Marcos Sacramento, um dos grandes intérpretes da música brasileira, e pelo violão de Zé Paulo Becker, responsável também pela direção musical e pelos arranjos. A partir dessa base, o disco se expande, acolhendo participações especiais que ampliam as camadas sonoras, afetivas e simbólicas do projeto. Entre os encontros vocais, um dos momentos mais aguardados é a participação de Ney Matogrosso em “Canto de Ossanha”. O dueto com Marcos Sacramento reúne duas vozes de forte personalidade, presença cênica e enorme reconhecimento no campo da interpretação brasileira.

O álbum também recebe Roberta Sá em “Canto de Yemanjá” e Fabiana Cozza em “Tristeza e Solidão”, duas cantoras de trajetórias sólidas e profundamente ligadas à canção brasileira, ao samba e às matrizes afro-brasileiras. Suas participações reforçam a dimensão feminina, ritualística e emocional do repertório; A nova geração aparece representada por Juliane Gamboa, em “Bocochê”, e Ilessi, em “Canto de Xangô”, artistas que trazem frescor, intensidade e novas perspectivas para o universo dos afro-sambas.

O disco ganha densidade instrumental com presenças de grande destaque. Yamandu Costa participa de “Tempo de Amor”, ampliando o diálogo violonístico do álbum em um encontro com Zé Paulo Becker. O Trio Madeira Brasil participa de “Consolação”, reafirmando a relação de Becker com a música instrumental brasileira. Já Silvério Pontes se soma ao Samba do Sacramento em “Labareda”. Os percussionistas Netinho Albuquerque e Leonardo Dias também participam de algumas faixas ;.

Com direção musical e arranjos de Zé Paulo Becker, direção artística de Phil Baptiste e produção musical de Diego do Valle, “Afro-Sambas 60 anos” celebra a permanência e a atualidade de uma obra que, seis décadas depois, segue abrindo caminhos para a música brasileira.

"Tempo de Amor"

"Canto de Ossanha"

"Consolação"


.: Três veredas para "Grande Sertão": livros que celebram 70 anos do clássico


Em 2026, "Grande Sertão: Veredas" completa 70 anos de publicação. Para celebrar a data, a Autêntica Editora lança um projeto especial dedicado à obra do autor, reunindo lançamentos que revisitam o romance, seu processo de criação e sua permanência e reinvenção no imaginário brasileiro. A proposta reúne três livros bastante distintos entre si, mas atravessados pela mesma pergunta: como um clássico permanece vivo? Em comum, as obras mostram que a história de Guimarães Rosa continua sendo uma fonte de releitura e descoberta, capaz de mobilizar leitores, pesquisadores e espectadores. 

Dentre os livros do projeto, "Diário do Grande Sertão", de Bruna Lombardi, livro que recupera os bastidores da adaptação televisiva da obra de Rosa exibida pela Globo nos anos 1980. A partir dos diários escritos durante as gravações, Lombardi apresenta a experiência de interpretar Diadorim enquanto atravessa, junto à equipe, o sertão mineiro em busca de traduzir para as telas o universo roseano. Combinando memória, relato pessoal e making of, o texto foi originalmente incentivado por Caio Fernando Abreu, que viu nos fragmentos escritos por Lombardi um documento não apenas sobre a realização desafiadora de um seriado, mas sobre uma experiência de transformação pessoal possibilitada pela literatura. Quarenta anos depois da primeira publicação, o livro finalmente sai “da maneira como sempre quis”, afirma Bruna, e ganha material inédito, trechos, fotos e desenhos feitos pela autora. Entre o desafio de interpretar um dos personagens mais enigmáticos da literatura brasileira e a adaptação à vida no sertão durante as gravações, Lombardi revela em sua escrita as formas como um clássico pode ser revisitado e vivido.  

Outro destaque é Ítalo Moriconi dá a largada na coleção "Para Ler", dedicada a aproximar o público de autores e obras considerados canônicos ou desafiadores, com um olhar distinto em relação à obra-prima de Rosa. Em "Para Ler 'Grande Sertão: Veredas'", o autor combina diário de leitura e um resumo da trama, para que o leitor não se perca na imensidão da linguagem do escritor mineiro. Em vez de simplificar ou  domesticar o calhamaço, na primeira parte do livro, o crítico literário apresenta sua própria travessia como leitor, compartilhando dificuldades e descobertas. Na segunda metade, Moriconi reconstitui o enredo de Grande sertão, apontando analiticamente os principais conflitos e personagens da narrativa. 

Completa o projeto "Sertão-Veneza: Retornos e Travessias Roseanas", de Jacques Fux. O ensaio investiga a relação entre o universo de Rosa, suas viagens pelo sertão mineiro e sua passagem pela Itália, sobretudo por Veneza. O livro parte da viagem feita pelo escritor à cidade, em 1949, e dos registros deixados em seus diários para discutir de que forma essa experiência aparece transformada em sua literatura. No livro, Fux também recupera o período em que Rosa viveu na Alemanha às vésperas da Segunda Guerra Mundial e discute como as experiências de deslocamento, exílio, memória e travessia atravessam sua obra. O autor brasileiro registrou em seus cadernos de viagem impressões, paisagens, sensações e reminiscências que mais tarde reapareceriam em Grande sertão. 

Sobre os autores
Bruna Lombardi
é poeta, escritora, atriz, roteirista, diretora, produtora e ativista ambiental. Publicou vários livros, entre eles os best-sellers: "No Ritmo Dessa Festa", "Gaia", "O Perigo do Dragão", "Filmes Proibidos", "Jogo da Felicidade" e "Clímax". Desde "No Ritmo Dessa Festa", primeira publicação como autora, com prefácio de Chico Buarque de Holanda, os trabalhos dela receberam excelentes matérias e elogios de grandes escritores e poetas, como Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Ferreira Gullar, Rubem Fonseca, Vinicius de Moraes. Na televisão e no teatro, participou de produções marcantes, como a minissérie "Grande Sertão: Veredas", em que interpretou Diadorim. No cinema, escreveu, produziu e protagonizou filmes como "O Signo da Cidade", "Onde Está a Felicidade?" e "Amor em Sampa". Também criou, roteirizou, produziu e protagonizou a série "A Vida Secreta dos Casais", da HBO, e fundou a Rede Felicidade, plataforma digital voltada ao bem-estar e ao autoconhecimento. Compre os livros de Bruna Lombardi neste link.

Ítalo Moriconi é professor, escritor, curador literário.  Organizador da antologia "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século" (ed. Objetiva), assim como de "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", pela mesma editora. Autor da biografia da poeta "Ana Cristina Cesar (O Sangue de Uma Poeta"), organizador das "Cartas de Caio Fernando Abreu", ambos em 2ª. ed. pela e-galaxia).  Outros livros são "Como e Por Que Ler a Poesia Brasileira do Século 20" (2002, Objetiva) "Literatura Meu Fetiche" (2020, Cepe Editora). Entre 2022 e 2024 publicou quinzenalmente uma coluna-diário no Blog Virtual do Pensamento Social (BVPS). Compre os livros de Ítalo Moriconi neste link.

Jacques Fux é escritor, com doutorado em literatura comparada pela UFMG e pela Université de Lille 3. Foi pesquisador na Universidade de Harvard de 2012 a 2014. É autor de 23 livros, entre eles: "Antiterapias", vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura; "Meshugá", vencedor do Prêmio Manaus; Literatura e Matemática, vencedor do Prêmio Capes e finalista do APCA; "O Enigma do infinito", Selo FNLIJ e semifinalista do Prêmio Jabuti; "As Coisas de Que Não Me Lembro, Sou", vencedor do Prêmio FNLIJ e finalista do Prêmio Jabuti; "Nunca Vou Te Perdoar por Você Ter Me Obrigado a Te Esquecer", finalista do Prêmio Jabuti e vencedor do Prêmio Manaus, e "Uma Impostora em Harvard". Sobre João Guimarães Rosa, publicou a biografia para jovens "As Fábulas do Fabuloso Fabulista Joãozito", que recebeu o selo FNLIJ. Seus ensaios, romances e contos já foram publicados na Itália, México, Peru, Israel, Estados Unidos e França. Compre os livros de Jacques Fux neste link.

.: José Roberto de Castro Neves lança novo romance em evento na terça-feira


Imortal da Academia Brasileira de Letras, o escritor José Roberto de Castro Neves lança o romance "Onar’82", publicado pela Editora Intrínseca, em sessão de autógrafos em São Paulo na terça-feira, dia 9 de junho, na Livraria da Vila, a partir das 18h00. No livro, o autor cria uma narrativa dinâmica, repleta de humor, além de referências literárias e culturais. O escritor carioca entrelaça luto e memória para refletir sobre os silêncios e as ausências que povoam as relações familiares.

"Onar ’82" conta com uma narrativa dinâmica, repleta de humor, além de referências literárias e culturais. O escritor carioca entrelaça luto e memória para refletir sobre os silêncios e as ausências que povoam as relações familiares. O enredo apresenta a vida do cronista esportivo Samuel Janowitz, um apaixonado pelo Botafogo e pela seleção brasileira, mas incapaz de se conectar com seu filho Daniel. Após um período afastados, sem nenhuma comunicação entre os dois, Samuel é informado da morte repentina do filho e recebe um manuscrito deixado por ele - uma obra dedicada ao pai. 

Nesse livro, Daniel se inspira na peça "Sonho de Uma Noite de Verão", de William Shakespeare, para construir o universo fictício do Morro de Ardenas. Sob uma ótica mística e esperançosa, a história reimagina o fatídico ano de 1982: enquanto na vida real Samuel perdia a possibilidade de cobrir os jogos devido a uma cirurgia e amargava pela televisão a derrota do Brasil na Copa, na ficção os personagens inspirados na obra do Bardo vivem encontros e desencontros amorosos e tragicômicos e o destino da seleção brasileira é outro.

Ambientada durante a Copa do Mundo de 1982, a história celebra o poder reparador da literatura. Ficção e realidade se mesclam em acontecimentos importantes da trama ocorridos durante partidas verídicas da seleção brasileira. A obra é, sobretudo, um acerto de contas afetivo entre um filho e um pai — e uma redenção literária para milhões de amantes da seleção Canarinho. Compre o livro "Onar’82", de José Roberto Castro Neves, neste link.


Sobre o autor
José Roberto de Castro Neves é advogado, escritor e professor universitário — mestre pela Universidade de Cambridge e doutor em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Autor e organizador de dezenas de livros sobre literatura, história, arte e direito, foi eleito imortal pela Academia Brasileira de Letras em 2025. Pela Intrínseca, também publicou o romance Ozymandias. Casado com a Bel, tem três filhos: Guilherme, João e Duda. Foto: Rafaela Cassiano. Compre os livros de José Roberto Castro Neves, neste link.


Serviço
Sessão de autógrafos de "Onar ‘82", de José Roberto de Castro Neves
Terça-feira, dia 9 de junho, a partir de 18h00
Livraria da Vila - Avenida Pres. Juscelino Kubitschek, 2041 - Loja 335/336 - Piso 2 - Itaim Bibi, São Paulo 
Entrada franca

.: A carne, o mar e a ruptura: a juventude desenfreada de "Paixão Juvenil"


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

Lançado em 1956 e dirigido com maestria por Kô Nakahira, "Paixão Juvenil", que estreia na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte, hoje é reverenciado como clássico, mas já representou uma transgressão perigosa quando foi lançado. É nesse terreno de provocação que se posiciona o cinema japonês daquele período, batizado de Nuberu Bagu (a "Nouvelle Vague" japonesa). O movimento focava em pequenas crises cotidianas e no registro da intensidade de uma geração que buscava escapar do autoritarismo e da mesmice, sem a preocupação de entregar respostas fáceis ao público. 

As grandes transformações políticas e os traumas das guerras historicamente deixam marcas profundas na produção artística, gerando movimentos que ecoam diretamente no comportamento das novas gerações. Nos anos 1950 e 1960, a efervescência cultural moldou um estilo de vida rebelde, cuja atitude muitas vezes foi confundida com mera imaturidade ou contestação vazia. No cinema, essa necessidade de crueza e urgência encontrou paralelo perfeito com a entrega dos jovens daquela época, uma mistura explosiva de audácia e coragem para desafiar sistemas corrompidos. 

O filme acompanha a trajetória de dois irmãos de classe média alta que aproveitam o verão em uma estância balnear. Natsuhisa, o mais velho, esbanja autoconfiança e experiência com as mulheres; já Haruji, o caçula, carrega uma timidez crônica diante do sexo oposto. A dinâmica pacata e tediosa desse grupo de jovens ricos sofre uma ruptura quando ambos se apaixonam pela mesma mulher, Eri, uma figura misteriosa que o irmão mais novo conhece ao desembarcar na estação de trem. À medida que o enredo avança, descobre-se que a jovem esconde segredos densos, incluindo um casamento com um estrangeiro mais velho, transformando o conflito fraterno em um triângulo amoroso obsessivo e destrutivo.

A construção da personagem feminina representa uma verdadeira revolução para os padrões da cinematografia japonesa da época, historicamente pautada por figuras femininas frágeis e submissas. Eri surge como uma femme fatale de filme noir, uma mulher dotada de uma liberdade incomum que usa a beleza e a aparente fragilidade como isca para manipular e devorar os homens ao seu redor. Nakahira explora o erotismo e o toque corporal com uma audácia impressionante para o ano de 1956, inundando a tela com uma efervescência juvenil focada na busca incessante pelo prazer individual, onde o sentimento amoroso é relegado a um plano secundário.

O longa-metragem escancara a massiva influência dos Estados Unidos no Japão pós-guerra, visível tanto nos figurinos inspirados na moda norte-americana quanto na trilha sonora dominada pelo ritmo das big bands ocidentais. Contudo, essa dominação cultural é ironizada pelo diretor em momentos cirúrgicos, como nas piadas direcionadas ao rapaz que passou uma temporada em solo americano ou na própria escolha de colocar um estrangeiro no papel de marido traído. Em termos técnicos, a produção abraça a cartilha de Hollywood com maestria: a narrativa possui um ritmo frenético, construída com cortes rápidos, planos curtos, variações constantes de tomada e um desenho de som ativo que impede qualquer ameaça de monotonia.

A relevância estética de "Paixão Juvenil" é tamanha que a produção serviu de inspiração direta para os realizadores da Nouvelle Vague francesa, como François Truffaut. O enredo, que remete aos conflitos passionais de "Jules e Jim", caminha para um desfecho violento e febril, comparável ao terceiro ato das tragédias de Tennessee Williams, em que as emoções reprimidas transbordam e provocam a ruína completa dos personagens. Trata-se de um registro temporal audacioso e atemporal, cuja contextualização histórica apenas amplia o prazer de testemunhar o nascimento de uma nova linguagem cinematográfica.


Ficha técnica
“Paixão Juvenil” | "Kurutta kajitsu" (título original) | "Fruto de Paixão" (título em Portugal)
Gênero: drama, cult. Duração: 1h 26min (86 minutos). Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1956. Idioma: japonês e inglês. Direção: Kô Nakahira. Roteiro: Shintaro Ishihara. Elenco: Yûjirô Ishihara (Takishima Natsuhisa), Masahiko Tsugawa (Takishima Haruji), Mie Kitahara (Eri), Harold Conway (Marido de Eri), Taizô Fukami (Pai), Masumi Okada, Eiko Higashiya, Atsuko Akashi, Yoko Benisawa, Ayuko Fujishiro, Keiko Hara, Shigeo Hayashi, Eiko Higashitani, Hiroshi Kondo. Distribuição no Brasil: sem distribuidor oficial nos cinemas (lançado diretamente em festivais e mídia física de colecionador). Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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.: "Kokuho" desafia o cinema ao tentar filmar a alma do kabuki


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

O cinema contemporâneo raramente se atreve a flertar com a grandiosidade dos épicos que exigem tempo, fôlego e entrega absoluta. Sob a assinatura do cineasta Lee Sang-il, "Kokuho - O Preço da Perfeição", que estreia na plataforma de streaming Reserva Imovision, é uma dessas raras e monumentais exceções. O longa-metragem consegue a proeza de transportar o espectador para o coração pulsante do teatro kabuki, mapeando cinquenta anos de história com uma força dramática que evoca os grandes clássicos do cinema asiático. 

A produção desembarcou nas telas brasileiras precedida por uma trajetória robusta no circuito internacional, que incluiu uma première mundial na prestigiosa Quinzena dos Cineastas do Festival de Cannes, além de passagens celebradas pelos festivais de Toronto e Busan. Fenômeno comercial histórico em seu país de origem, a obra arrastou mais de 12 milhões de espectadores aos cinemas, tornando-se o live-action de maior bilheteria da história do Japão.

A narrativa, estruturada a partir do roteiro preciso de Satoko Okudera, adapta o celebrado romance em dois volumes de Shûichi Yoshida, lançado em 2018. A trama acompanha a saga de Kikuo Tachibana, jovem que carrega o estigma de ter nascido em uma família ligada à yakuza. Após o brutal assassinato de seu pai, o destino do garoto de 14 anos sofre uma guinada radical quando ele acaba acolhido pelo lendário mestre do kabuki, Hanai Hanjiro II, papel defendido com a habitual crueza e generosidade paternal de Ken Watanabe. Nos bastidores da tradicional dinastia artística de Kamigata, Kikuo passa a dividir os dias com Shunsuke Ogaki, o herdeiro legítimo do clã. Juntos, os dois garotos mergulham em um universo onde a busca pela excelência artística exige a renúncia de qualquer vestígio de normalidade cotidiana, iniciando uma jornada que flutua constantemente entre a irmandade mútua e uma rivalidade silenciosa e devastadora.

O núcleo dramático gira em torno da obsessão dos protagonistas em alcançar o título de Kokuho - a honraria máxima de "Tesouro Nacional Vivo", concedida pelo governo japonês aos grandes mestres da arte tradicional. Ambos dedicam-se à complexa especialidade do onnagata, os atores que assumiram os papéis femininos na cena teatral desde que o xogunato baniu as mulheres dos palcos no Período Edo por questões morais. A dinâmica entre os dois adultos, interpretados com assombrosa entrega por Ryo Yoshizawa e Ryusei Yokohama, expõe um embate clássico: de um lado, o talento bruto e instintivo de um órfão marginalizado; de outro, o peso esmagador da hereditariedade e a cobrança pelo sangue azul de uma linhagem artística. O diretor conduz esse emaranhado de orgulho e dor sem pressa, permitindo que o tempo dilate o sacrifício físico e emocional dos personagens.

A obsessão do filme pela autenticidade transborda em cada plano trabalhado pelo diretor de fotografia Sofian El Fani. Para conferir o realismo necessário aos bastidores e camarins, o autor do livro original, Shuichi Yoshida, passou três anos infiltrado como um Kurogo - o assistente de palco que se veste inteiramente de preto para se tornar "invisível" aos olhos do público. Essa vivência íntima reverbera na tela na meticulosa preparação dos atores. 

O protagonista Ryo Yoshizawa submeteu-se a um intenso e rigoroso treinamento de 18 meses com profissionais do kabuki para dominar a precisão cirúrgica de cada gesto, postura e olhar. Não por acaso, a produção garantiu uma indicação ao Oscar na categoria de Melhor Maquiagem e Cabelo, honrando a deslumbrante transformação dos intérpretes na alvura impecável das maquiagens tradicionais, contrapondo-se ao universo rústico e melancólico da masculinidade tóxica que rege a vida fora dos palcos.

A trilha sonora sublime de Marihiko Hara, pontuada por canções interpretadas por Miu Sakamoto e Iguchi Osamu, eleva a voltagem dramática da produção, especialmente nas sequências em que a câmera rompe a barreira do "teatro filmado" para rodopiar de forma imersiva ao redor dos corpos em cena. Embora a montagem execute saltos temporais bruscos que por vezes sacrificam o desenvolvimento das personagens femininas - como a matriarca interpretada por Shinobu Terajima -, a obra compensa as arestas com uma força visual avassaladora. "Kokuho – O Preço da Perfeição" se consolida como um registro sofisticado sobre uma manifestação cultural tricentenária que tenta sobreviver ao avanço da modernidade no Japão pós-guerra, expondo sem filtros as cicatrizes incuráveis de quem decide vender a própria alma em troca do vislumbre eterno da divindade artística.


Ficha técnica
“Kokuho  O Preço da Perfeição” | “Kokuhō” (título original)
Gênero: drama. Duração: 175 minutos (2h55m). Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: japonês. Direção: Lee Sang-il. Roteiro: Satoko Okudera (baseado no romance de Shûichi Yoshida). Elenco: Ryo Yoshizawa, Ryusei Yokohama, Sōya Kurokawa, Keitatsu Koshiyama, Ken Watanabe, Mitsuki Takahata, Shinobu Terajima, Nana Mori, Ai Mikami, Kumi Takiuchi, Masatoshi Nagase, Emma Miyazawa, Takahiro Miura, Kyusaku Shimada, Tateto Serizawa, Nakamura Ganjirō IV, Min Tanaka. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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quinta-feira, 4 de junho de 2026

.: "Rebelião Silenciosa" fala sobre o peso do silêncio e a força da emancipação


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

A aparente calmaria das paisagens bucólicas da Suíça historicamente serviu como uma espécie de biombo para esconder tensões morais e contradições profundas. É justamente nesse cenário de isolamento e aparente virtude que se constrói a narrativa de "Rebelião Silenciosa", o contundente longa-metragem de estreia da diretora Marie-Elsa Sgualdo, que estreia na plataforma de streaming Reserva Imovision. Ambientado no ano de 1943, em meio ao turbilhão da Segunda Guerra Mundial, o drama evita as frentes de batalha tradicionais para focar em um front íntimo, doloroso e profundamente político: o corpo e a autonomia de uma jovem de 15 anos.

A trama acompanha Emma, interpretada com uma vivacidade impressionante por Lila Gueneau, cuja atuação contida e emocionalmente inteligente rendeu elogios da imprensa internacional e o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Fargo. Emma é inicialmente descrita como uma adolescente exemplar na pequena comunidade rural protestante onde vive. No entanto, sua visão de mundo começa a ruir quando ela testemunha a vila recusar abrigo a refugiados franceses que fogem do conflito. O senso de justiça da jovem é testado ao limite quando ela mesma se torna vítima de uma violência sexual brutal. Grávida após o estupro, Emma se recusa a aceitar o papel de mártir ou de vergonha comunitária que a hipocrisia moral local tenta lhe impor.

O roteiro, assinado por Nadine Lamari, Pauline Ouvrard e pela própria diretora, evita o melodrama. A narrativa prefere acompanhar o processo de reconstrução dessa jovem, transformando um trauma devastador no elemento catalisador de sua emancipação e autodeterminação. Enquanto o vilarejo se fecha em dogmas e preconceitos, Emma busca forças para trilhar o próprio caminho e enfrentar as expectativas sufocantes daquela sociedade patriarcal.

A produção é da Suíça, Bélgica e França, com locações que exploram as paisagens do cantão de Vaud, incluindo a histórica comuna de Romainmôtier, além de Goumoëns e Colombier. A escolha desses cenários rurais funciona como um contraponto visual perfeito para o sufocamento psicológico vivido pela protagonista. A primorosa direção de fotografia de Benoît Dervaux e a montagem precisa de Karine Sudan conferem ao filme uma sofisticação estética que não passou despercebida pela crítica especializada, garantindo ao longa os prêmios de Melhor Fotografia e Melhor Montagem no prestigiado Swiss Film Awards de 2026, premiação na qual a obra figurou como uma das grandes líderes com sete indicações, incluindo Melhor Filme e Melhor Roteiro.

Após uma elogiada estreia mundial na mostra Venice Spotlight do 82º Festival Internacional de Cinema de Veneza em setembro de 2025, o filme percorreu um circuito internacional robusto, passando por festivais em Sevilha, Palm Springs, Cairo e Estocolmo. A recepção crítica destacou a sutileza com que Marie-Elsa Sgualdo aborda os direitos das mulheres na década de 1940, construindo um retrato de época que conversa diretamente com as discussões contemporâneas sobre feminismo, corpo e consentimento.

Ficha técnica
"Rebelião Silenciosa" | "À bras-le-corps" (título original)

Gênero: Drama / História. Duração: 96 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: francês / alemão. Direção: Marie-Elsa Sgualdo. Roteiro: Nadine Lamari, Pauline Ouvrard e Marie-Elsa Sgualdo. Elenco: Lila Gueneau, Grégoire Colin, Thomas Doret, Aurélia Petit, Sandrine Blancke, Sasha Gravat Harsch, Cyril Metzger. Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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.: A poética do asfalto de Steve Martin ganha as telas em "L.A. Story"


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

Há cidades que não passam de cenários, mas Los Angeles, no olhar afiado de Steve Martin, é uma piada pronta que insiste em se levar a sério. Sob a direção do britânico Mick Jackson, o comediante de cabelos brancos concebeu uma crônica ácida, porém estranhamente terna, sobre a capital mundial das aparências. Longe de ser apenas mais uma comédia romântica desmiolada para preencher as tardes de domingo, o longa-metragem "L.A. Story", que estreia na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte, é uma sátira sofisticada que bebe diretamente na fonte do neorrealismo italiano e no teatro clássico inglês, oferecendo um espelho deformado e cirúrgico do modo de vida californiano. A poética do asfalto, que afirma que "o sol brilha para todos", é destrinchada neste filme.

A trama acompanha as desventuras de Harris K. Telemacher, um homem que carrega o fardo de um doutorado em artes e humanidades, mas ganha a vida como o "meteorologista maluco" de um telejornal local. Em uma cidade onde o clima se resume a um eterno e imutável ensolarado, a função de Harris é a própria definição da inutilidade elegante. Ele patina por galerias de arte destilando resenhas excêntricas e recita Shakespeare em esquinas movimentadas, tateando qualquer resquício de significado em meio a um oceano de futilidades. A vida do protagonista entra em parafuso quando ele descobre que sua namorada ambiciosa o trai há três anos com seu próprio agente, e que uma previsão errada de temporal acabou por afundar o iate de seu chefe, custando-lhe o emprego.

O ponto de virada surge na solidão da rodovia, quando o carro de Harris quebra e um painel eletrônico de sinalização de trânsito começa a piscar mensagens enigmáticas, direcionadas exclusivamente a ele. Essa entidade mecânica e conselheira passa a guiar seus passos românticos em direção a Sara, uma jornalista londrina que desconfia do estilo de vida local, mas que se vê presa ao desejo de reconciliação de seu ex-marido. Para complicar o quadrante amoroso, Harris se envolve com SanDeE*, uma jovem e desinibida aspirante a modelo cuja maior profundidade intelectual reside na grafia peculiar de seu próprio nome.

A genialidade do roteiro de Steve Martin está na capacidade de extrair humor da neurose urbana sem descambar para a grosseria. A antológica cena do restaurante "California Cuisine", onde os frequentadores pedem variações milimetricamente pretensiosas de café descafeinado com toques de limão e reagem a um terremoto com a naturalidade de quem espanta uma mosca, resume o espírito da obra. Martin escreveu o texto como uma resposta da Costa Oeste ao clássico "Contos de Nova York", provando que a futilidade de Los Angeles também merecia sua própria poesia. A própria abertura do filme, inclusive, faz uma reverência direta e refinada a "A Doce Vida", clássico de Federico Fellini.

O longa também carrega marcas de bastidores. Martin dividiu o protagonismo com Victoria Tennant, com quem era casado na vida real durante a produção. O elenco de apoio brilha com Sarah Jessica Parker entregando uma atuação inspirada como a bimbette californiana e Patrick Stewart roubando a cena como o maître do pomposo restaurante L'Idiot. Curiosamente, grandes nomes como John Lithgow e Scott Bakula chegaram a rodar participações importantes como um agente de cinema e um vizinho, respectivamente, mas tiveram suas cenas completamente limadas na sala de edição para garantir o ritmo da narrativa - embora referências aos diálogos de Lithgow ainda ecoem na versão final. Outros astros, como Chevy Chase, Woody Harrelson e Rick Moranis, dão as caras em aparições rápidas e não creditadas que divertem o espectador atento.

A embalagem sonora do filme ganha um tom místico com a presença da música de Enya, criando o contraponto perfeito para as bizarrices visuais e as perseguições nas autoestradas. Para os cinéfilos detalhistas, uma curiosidade de bastidor une esta produção a clássicos posteriores: a placa de carro "2GAT123", utilizada no veículo de Harris, tornou-se um dos maiores easter eggs de Hollywood, reaparecendo anos depois em produções de peso como "Traffic", "Cidade dos Sonhos" e "A Corrente do Bem". Entre o deboche e o lirismo, o filme sobrevive ao tempo como um registro afetuoso de uma cidade que insiste em inventar sua própria realidade.


Ficha técnica
"Loucuras em Los Angeles" | "L.A. Story" (título original) | "Viver e Amar em Los Angeles" (título em Portugal)
Gênero: comédia, romance, fantasia. Duração: 98 minutos. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 1991. Idioma: inglês. Direção: Mick Jackson. Roteiro: Steve Martin. Elenco: Steve Martin, Victoria Tennant, Richard E. Grant, Marilu Henner, Sarah Jessica Parker, Susan Forristal, Kevin Pollak, Patrick Stewart. Distribuição no Brasil: Tri-Star Pictures / Columbia TriStar Home Video. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte


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