Em “Matemática para Seres Humanos (e Alguns Robôs)”, diretor-geral do Impa reúne crônicas publicadas na “Folha de S.Paulo” e revela como números, lógica e pensamento matemático aparecem em situações que vão da cultura pop à política.
O que Taylor Swift, Michelangelo, Platão, inteligência artificial e eleições podem ter em comum? Para o matemático Marcelo Viana, a resposta está muito mais próxima do cotidiano do que muita gente imagina. Em “Matemática para Seres Humanos (e Alguns Robôs)”, lançamento da Tinta-da-China Brasil, o diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) mostra que essa ciência aparece em lugares pouco convencionais, inclusive onde o leitor talvez jamais pensasse em procurá-la.
Autor de “Histórias da Matemática”, que conquistou leitores interessados em conhecer a trajetória dessa ciência, e de “A Descoberta dos Números”, Viana reúne no novo volume textos publicados em sua coluna semanal no jornal Folha de S.Paulo. Com uma combinação de precisão científica, curiosidade e leveza narrativa, o escritor aproxima conceitos complexos de situações reconhecíveis, recorrendo a episódios históricos, anedotas e referências culturais. O resultado é um convite para observar o mundo com um pouco mais de atenção aos padrões, às relações e às perguntas que os números ajudam a formular.
Nas crônicas, a matemática encontra espaço na arte, na literatura, na política e até nas disputas da indústria musical. As esculturas inacabadas de Michelangelo, por exemplo, ajudam a apresentar uma questão antiga da filosofia: os conceitos matemáticos são descobertos ou inventados? A trajetória de James McCune Smith, médico e abolicionista, conduz a uma discussão sobre o uso da estatística para desmontar argumentos racistas sustentados por falsas justificativas científicas.
Taylor Swift e Selena Gomez também entram na conversa. A comparação entre as duas artistas serve para explicar o paradoxo de Simpson, fenômeno estatístico que demonstra como a interpretação equivocada de dados pode produzir conclusões enganosas. Já a história de Kurt Gödel aproxima lógica, filosofia e democracia, mostrando como ideias aparentemente distantes podem compartilhar questões fundamentais.
O repertório de Marcelo Viana também passa por situações bastante práticas. O funcionamento dos códigos de barras e dos QR codes, os modelos matemáticos utilizados em sistemas eleitorais e as ferramentas que ajudam atletas olímpicos a aperfeiçoar seus movimentos aparecem entre os assuntos abordados. O autor ainda apresenta o problema do caixeiro-viajante, desafio matemático com aplicações relevantes em áreas como logística e computação.
Ao aproximar matemática e literatura, Viana aproveita para questionar a divisão rígida entre as chamadas ciências humanas e exatas. Criatividade, imaginação e raciocínio lógico aparecem como elementos que podem conviver e se complementar. Afinal, a construção de uma boa história também depende de escolhas, estruturas e relações, enquanto a matemática exige inventividade para formular perguntas e encontrar caminhos.
Organizado em sete blocos temáticos - “Pioneiros e Pioneiras”; “Símbolos, Falácias e Paradoxos”; “Muito Mais do que Uma Linguagem”; “A Matemática e as Máquinas”; “Querelas e Descobertas”; “Números e Mais Números”; e “Todo Poder à Matemática” -, o livro percorre descobertas, controvérsias e personagens que ajudaram a construir o pensamento matemático. Há também atenção especial às mulheres que abriram caminhos nessa área, no Brasil e em outros países. Para quem gosta de colocar a cabeça para funcionar, uma seção final de desafios permite testar o próprio raciocínio.
Em “Matemática para Seres Humanos (e Alguns Robôs)”, Marcelo Viana demonstra que compreender números pode ser uma aventura intelectual bastante divertida. Entre referências à música pop, episódios históricos e problemas que interferem na vida cotidiana, o matemático apresenta uma ciência que continua em movimento e que tem muito a dizer sobre as escolhas, os acontecimentos e as contradições do mundo contemporâneo.
Sobre o autor
Carioca, Marcelo Viana é doutor em matemática, pesquisador titular e diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Reconhecido internacionalmente por suas pesquisas em sistemas dinâmicos, integra a Academia Brasileira de Ciências e recebeu diferentes prêmios e distinções acadêmicas. Também foi condecorado pela Presidência da República com as Ordens Nacionais do Mérito Científico e do Mérito Educacional.
Colunista da “Folha de S.Paulo”, publicou pela Tinta-da-China Brasil “Histórias da matemática: da contagem nos dedos à inteligência artificial” (2024) e “A descoberta dos números: uma aventura matemática” (2025), títulos que ajudam a aproximar o conhecimento científico de leitores com diferentes formações.
Sobre a editora
Fundada em 2012, no Rio de Janeiro, por Bárbara Bulhosa, a Tinta-da-China Brasil nasceu com a proposta de trazer ao país a excelência editorial da casa portuguesa, criada em Lisboa em 2005. Desde 2022, a editora brasileira está sob os cuidados da Associação Quatro Cinco Um, organização sem fins lucrativos sediada em São Paulo e dedicada à difusão do livro no Brasil. O catálogo reúne publicações de literatura, história e ciência, além de títulos de humor, jornalismo, quadrinhos e crítica literária.













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