Em “Porque Noé Escolheu a Pomba e Outras Histórias para Crianças”, escritor polonês vencedor do Nobel de Literatura ganha edição brasileira pela Nova Fronteira, com tradução de Christine Ajuz, ilustrações de Ionit Zilberman e prefácio de Ana Maria Machado
A Editora Nova Fronteira apresenta aos leitores brasileiros uma coletânea infantil assinada por um dos grandes nomes da literatura mundial. “Porque Noé Escolheu a Pomba e Outras Histórias para Crianças” reúne narrativas de Isaac Bashevis Singer, escritor polonês que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1978 e construiu uma obra reconhecida pela riqueza de personagens, pelo humor e pela maneira particular de observar o comportamento humano.
Com tradução de Christine Ajuz, ilustrações de Ionit Zilberman e prefácio da escritora e acadêmica Ana Maria Machado, o volume chega ao Brasil com 144 páginas. A publicação corresponde ao segundo volume da coletânea originalmente intitulada “Histórias para crianças”, cuja continuação tem lançamento previsto para o primeiro semestre de 2027.
No texto de apresentação, Ana Maria Machado chama atenção para a variedade de recursos narrativos encontrados nas histórias, que passeiam entre fantasia, realismo, elementos sobrenaturais e lembranças afetivas. “As diferentes histórias aqui reunidas alternam sonhos e literatura, realismo e intromissões do sobrenatural, tom didático e evocações saudosas. Podem não ser uma leitura fácil. Mas, seguramente, deixarão marcas na lembrança. O que também é uma riqueza que os livros nos trazem”, afirma.
Singer tinha uma opinião bastante particular sobre a literatura destinada aos pequenos leitores. No ensaio “São as crianças os críticos literários definitivos?”, também incluído no livro e originalmente publicado no jornal Chicago Sun-Times, o escritor defende que o público infantil merece narrativas bem construídas, capazes de respeitar sua inteligência e seu interesse por boas histórias.
"As crianças são os melhores leitores da autêntica literatura. Os adultos se deixam hipnotizar por grandes nomes, elogios exagerados, publicidade persuasiva [...] As crianças, porém, não aceitam facilmente esse tipo de crença. Elas ainda preferem clareza, lógica e até mesmo uma coisa tão obsoleta como pontuação. Mais ainda, o jovem leitor exige uma história real, com começo, meio e fim, da maneira como os contos são narrados há milhares de anos", afirma Singer.
A história que dá nome à coletânea recupera uma das passagens mais conhecidas da tradição bíblica: o Dilúvio e a construção da arca de Noé. Enquanto os animais disputam a atenção do patriarca, exibindo força, beleza e esperteza para conquistar um lugar de destaque, a pomba chama atenção por sua modéstia. Noé percebe que todos possuem valor aos olhos de Deus e escolhe a ave para desempenhar uma missão especial como mensageira.
O humor também tem lugar garantido na seleção. Em “Os anciãos de Chelm e a chave de Genendel”, por exemplo, Singer recupera o universo das histórias populares judaicas, explorando situações engraçadas e personagens envolvidos em confusões que desafiam a lógica. A comicidade ajuda a afastar qualquer leitura excessivamente moralizante, preservando a espontaneidade e a graça das narrativas.
Entre alegorias, episódios divertidos e reflexões sobre a convivência humana, a coletânea apresenta às novas gerações um escritor que dedicou atenção especial à literatura infantil, tratando seus leitores com a mesma exigência narrativa que marcou seus contos e romances destinados aos adultos.
Um Nobel que também escreveu para crianças
Nascido em 1902, na Polônia, Isaac Bashevis Singer imigrou para Nova York em 1935, onde desenvolveu grande parte de sua trajetória literária. Filho e neto de rabinos, construiu uma obra predominantemente em língua ídiche, recuperando em contos e romances aspectos da memória, da religiosidade e do cotidiano dos shtetls, comunidades judaicas da Europa Oriental.
Consagrado internacionalmente com o Nobel de Literatura de 1978, Singer tornou-se uma referência da literatura universal. Sua produção reúne histórias marcadas pela observação psicológica, pela presença do fantástico e por personagens que transitam entre dilemas morais, crenças e contradições humanas.
Com a nova publicação, a Nova Fronteira recupera uma faceta especialmente interessante desse escritor: a de alguém que reconhecia nas crianças leitores exigentes, atentos e pouco dispostos a aceitar histórias contadas de qualquer maneira.













0 comments:
Postar um comentário
Deixe-nos uma mensagem.