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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

.: Do Litoral: Vá aos teatros paulistas de metrô e divirta-se muito

Teatro Folha que fica entre a linha amarela e a linha vermelha do metrô

Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em setembro de 2018



Teatro é vida, um sopro de cultura para a mente. Contudo, quem não é da grande São Paulo pode e deve se aventurar em um dia de entretenimento de primeira utilizando transporte coletivo. Embora os #Resenhanders sejam do litoral paulista, mais precisamente da cidade de São Vicente, com escritório em Praia Grande, volta e meia subimos a Serra para ter um dia ou até um final de semana que transpira cultura. 

Confira a lista dos teatros que visitamos utilizando transporte público do litoral paulista até São Paulo, traçando todo o trajeto da viagem a partir do metrô linha azul, Jabaquara. E quando o teatro não fica pertinho da estação do metrô? A andança e a diversão são garantidas. Se o cansaço bater, chame um motorista de aplicativo ou tome um ônibus. Divirta-se também!




Teatro 033 Rooftop: Da estação Jabaquara à estação Vila Olímpia
Iniciando do Jabaquara, na linha azul do Metrô, é preciso seguir até a estação Ana Rosa, mudar para a linha verde sentido Vila Prudente, seguir até a estação Consolação. Faça a baldeação para a linha amarela, no sentido Butantã e desça na estação Pinheiros para mudar continuar o caminho de trem. Na linha Esmeralda, vá sentido Grajaú e desça na estação Vila Olímpia. O teatro fica no telhado do Teatro Santander, sendo que a entrada pode ser feita pelo Shopping JK Iguatemi. É um lugar aconchegante e com uma belíssima vista!


Estações: Jabaquara =) Ana Rosa =) Consolação =) Pinheiros =) Vila Olímpia
Endereço: Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041 - Vila Olímpia, São Paulo


Teatro Alfa: Da estação Jabaquara à estação Santo Amaro

Partindo do início da linha azul do Metrô, ou seja, do Jabaquara, desça na estação Ana Rosa e mude para a linha verde sentido Vila Prudente, siga até a estação Consolação. Tendo que usar a linha amarela, vá sentido Butantã, mas desça na estação Pinheiros. Já na estação Pinheiros, faça a baldeação do metrô para o trem da linha Esmeralda, sentido Grajaú. Desça na estação Santo Amaro. Ao sair da estação de trem, vire à esquerda, seguindo pela rua Engenheiro Francisco Pitta Brito, vire à esquerda na segunda rua, ou melhor, na Avenida Dr. Mário Vilas Boas Rodrigues. O teatro está localizado na rua Bento Branco de Andrade Filho, a locomoção pode até parecer complicada, mas o teatro é incrível! Qualquer dúvida, chame um motorista de aplicativo!

Estações: Jabaquara =) Ana Rosa =) Consolação =) Pinheiros =) Santo Amaro

Endereço: R. Bento Branco de Andrade Filho, 722 - Santo Amaro, São Paulo


Teatro Bradesco: 
Da estação Jabaquara à estação Palmeiras - Barra Funda ou Vila Madalena

Não há muito segredo para chegar até a estação de metrô Palmeiras - Barra Funda, basta embarcar num vagão da linha azul Jabaquara e seguir até a estação Sé, linha vermelha. Na estação vermelha, siga até o fim da linha, no caso a estação Palmeiras - Barra Funda. Ao descer, vire à esquerda, pela rua Deputado Salvador Julianelli até chegar a Avenida Francisco Matarazzo, nela cruze seis ruas e chegará no Shopping Bourbon, espaço que abriga o Teatro Bradesco, no segundo andar. Outra opção é a de mesclar metrô e ônibus. Partindo do Jabaquara, linha azul, siga para a linha verde, na estação Ana Rosa, sentido Vila Madalena e desça no fim da linha (Vila Madalena). Os ônibus 809U-10, 809U-21, 809U-10 e 7272-10 seguem por toda Avenida Pompéia, desça no ponto próximo a R. Palestra Itália. Qualquer dúvida é só chamar um motorista de aplicativo!

Estações: Jabaquara =) Sé =) Palmeiras - Barra Funda
OU
Estações: Jabaquara =) Ana Rosa =) Vila Madalena
Endereço: R. Palestra Itália, 500 - Loja 263 - Perdizes, São Paulo



Teatro Cetip: 
Da estação Jabaquara à estação Faria Lima
Partindo da linha azul, metrô Jabaquara, desça na estação Ana Rosa para continuar pela linha verde, siga sentido Vila Madalena, mas desça na Consolação para embarcar na linha amarela, em que descerá na estação Faria Lima. Saindo da estação Faria Lima, vire à esquerda, na própria rua do Teatro, no caso a Rua Coropé. Não é preciso andar muito e o espaço é muito bom, independente da localização de assento, a visibilidade e a acústica são perfeitas. (Enquanto produzidos esta matéria, no Google Maps, o teatro constava como "Permanentemente Fechado")

Estações: Jabaquara =) Ana Rosa =) Faria Lima
Endereço: Rua Coropé, 88 - Pinheiros, São Paulo 



Teatro Eva Hertz: Da estação Jabaquara à estação Consolação
É extremamente fácil de chegar no Eva Hertz. Seguindo da linha azul, estação Jabaquara, migre para a estação verde, descendo na Ana Rosa. Na estação verde, sentido Vila Madalena, desça na estação verde, Consolação. Desembarque na Avenida Paulista e vire à direita. O Teatro Evar Hertz fica no Conjunto Nacional, dentro da Livraria Cultura. O teatro é pequeno, porém aconchegante e muito bem localizado.

Estações: Jabaquara =) Ana Rosa =) Consolação
Endereço: Av. Paulista, 2073 - Cerqueira César, São Paulo


Teatro Folha: 
Da estação Jabaquara à estação Higienópolis ou Santa Cecília
Ao partir da linha azul, estação Jabaquara, desça na estação Ana Rosa, para seguir pela estação verde, sendo que é preciso descer na estação Consolação. Pode-se descer na estação Higienópolis ou seguir na linha amarela, fazer baldeação para a linha vermelha, sentido Barra Funda e descer na estação Santa Cecília. Caso não vá de táxi, é preciso seguir pela Avenida Angélica para chegar até a Av. Higienópolis. Para não se perder, é bom ter acesso a um mapa online ou ter um impresso. O teatro é maravilhoso, agradável e fica no último andar do belíssimo Shopping Pátio Higienópolis.

Estações: Jabaquara =) Ana Rosa =) Consolação =) Higienópolis
OU
Estações: Jabaquara =) Ana Rosa =) Consolação =) Santa Cecília
Endereço: Av. Higienópolis, 618 - Santa Cecilia, São Paulo 



Teatro Gazeta: Da estação Jabaquara à estação Consolação
É um dos teatros mais fáceis de se chegar utilizando transporte público, no caso, o metrô, afinal está localizado na famosa Avenida Paulista. Partindo da estação Jabaquara, da linha azul, é preciso fazer baldeação para a linha verde, na estação Ana Rosa. Seguindo sentido Vila Madalena, basta descer na estação Trianon-Masp.

Estações: Jabaquara =) Ana Rosa =) Trianon-Masp
Endereço: Av. Paulista, 900 - Bela Vista, São Paulo 


Teatro Itália: Da estação Jabaquara à estação República
Localizado no famoso Edifício Itália, o teatro fica na linha amarela do metrô. Partindo do Jabaquara, linha azul, é preciso descer na estação Ana Rosa e seguir pela linha verde, sentido Vila Madalena, para fazer baldeação na estação Consolação. Na estação amarela, sentido Luz, siga até a estação República, saindo ao lado da Avenida Ipiranga, ao sair do metrô e subir as escadas já é possível visualizar o prédio. O teatro fica localizado na parte debaixo do edifício. 
Estações: Jabaquara =) Ana Rosa =) Consolação =) República

Endereço: Avenida Ipiranga, 344 - República, São Paulo


Teatro Porto Seguro: Da estação Jabaquara à estação Luz
Para chegar no teatro é preciso ir até o fim da linha amarela do metrô. Seguindo da linha azul, da estação Jabaquara é preciso fazer baldeação na estação Sé, da linha vermelha. Siga no trem sentido Barra Funda e desça na estação República e siga na linha amarela para descer na estação Luz. O Teatro Porto Seguro oferece vans gratuitas da Estação Luz até as dependências do Teatro. COMO PEGAR: Na Estação Luz, na saída Rua José Paulino/Praça da Luz/Pinacoteca, vans personalizadas passam em frente ao local indicado para pegar os espectadores. A última van parte 15 minutos antes do início do espetáculo.

Estações: Jabaquara =) Sé =) Luz
Endereço: Alameda Barão de Piracicaba, 740 - Campos Elíseos, São Paulo


Teatro Procópio Ferreira: 
Da estação Jabaquara à estação Consolação
Iniciando da linha azul, estação Jabaquara, migre para a estação verde, descendo na Ana Rosa. Na estação verde, sentido Vila Madalena, desça na estação verde, Consolação, da Avenida Paulista. Para encontrar a Rua Augusta, vire à direita, na esquina está o Conjunto Nacional. Desça a rua até o número 2.823. Também é possível encontrar ônibus que seguem por toda a Rua Augusta.

Estações: Jabaquara =) Ana Rosa =) Consolação
Endereço: R. Augusta, 2823 - Cerqueira César, São Paulo


Teatro Raul Cortez: 
Da estação Jabaquara à estação Consolação
Para chegar no teatro é preciso descer na linha verde do metrô, além de andar bastante. Iniciando da linha azul, estação Jabaquara, faça baldeação para a estação verde, descendo na Ana Rosa. Na estação verde, sentido Vila Madalena, desça na estação verde, Consolação, da Avenida Paulista. Ainda na Paulista, siga até o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, MASP, desça pela lateral, para chegar na Avenida 9 de Julho, siga até o número 285. 

Estações: Jabaquara =) Ana Rosa =) Consolação
Endereço: R. Dr. Plínio Barreto, 285 - Bela Vista, São Paulo


Teatro Renault: Da estação Jabaquara à estação Liberdade ou Brigadeiro
É um teatro afastado das estações de metrô, logo é aconselhável tomar um ônibus ou chamar um motorista por aplicativo. Partindo da estação Jabaquara, da linha azul, siga até a estação Liberdade e desembarque. Utilize a Praça da Liberdade, siga pela rua Dr. Rodrigo Silva e vire à esquerda para seguir pelo Viaduto Dona Paulina até chegar na Avenida Brigadeiro Luís Antônio. De noite, é desaconselhável fazer esse caminho, pois a iluminação é pouca e inexistente em alguns pontos da Praça Carlos Gomes. Outra opção, porém longa é vir da Avenida Paulista, descendo na estação Brigadeiro, linha verde do metrô. Localize a Avenida Brigadeiro Luís Antônio e tome um ônibus que siga até o fim, para descer no número 411.

Estações: Jabaquara =) Liberdade
OU
Estações: Jabaquara =) Ana Rosa =) Brigadeiro
Endereço: Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 - República, São Paulo


Teatro Ruth Scobar: Da estação Jabaquara à estação Brigadeiro
Embora esteja mais afastado das estações de metrô, é fácil chegar no Ruth Escobar. Partindo da estação Jabaquara, da linha azul, siga até a estação Ana Rosa e faça baldeação para a linha verde. Siga rumo Vila Madalena e desça na Brigadeiro. Depois é preciso andar ou chamar um motorista de aplicativo. Aos andarilhos, basta seguir pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio e seguir pela Avenida dos Ingleses até o número 209.

Estações: Jabaquara =) Ana Rosa =) Brigadeiro
Endereço: Rua dos Ingleses, 209 - Bela Vista, São Paulo


Teatro Sérgio Cardoso: 
Da estação Jabaquara à estação São Joaquim
Mais afastado das estações de metrô, para chegar nele, partindo do Jabaquara, linha azul, basta seguir até a estação São Joaquim. Lá ande bem ou chame um motorista de aplicativo. Aos andarilhos, a estimativa de andança é de 17 minutos. Log, siga na direção sul na Avenida da Liberdade em direção a Rua São Joaquim, siga pela Rua Vergueiro, vire à direita na R. Pedroso (placas para Av. 23 de Malo/Bela Vista/Consolação) e depois vire à direita na Rua Rui Barbosa e siga até o número 153.

Estações: Jabaquara =) São Joaquim 
Endereço: R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista, São Paulo


*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura e licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos. Twitter: @maryellenfsm

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

.: Sesc homenageia 110 anos de Guimarães Rosa, modernista brasileiro

Nos 110 anos de nascimento de Guimarães Rosa, uma programação especial sobre o autor no Sesc


Neste ano de 2018 celebram-se os 110 anos do nascimento de um dos maiores expoentes da terceira fase do modernismo brasileiro. Formado em medicina, foi nas letras que o mineiro de Codisburgo, João Guimarães Rosa, ganhou notoriedade ao retratar de forma ímpar o sertão de Minas Gerais. O Centro de Pesquisa e Formação do Sesc , desde o mês de novembro, realiza uma programação que propõe uma reflexão sobre a produção deste grande autor brasileiro e coloca em debate sua literatura, seu engajamento político social, a geografia e misticismo de seu sertão.

Programação de dezembro: 

O encontro do menino Rosa com os miúdos portugueses
Dias 1 e 8/12, sábados, das 10h às 14h
Inscrição - R$50,00 / R$25,00 / R$15,00

O curso irá mostrar as aproximações e as diferenças entre os brinquedos sertanejos de Guimarães Rosa e os brincares de alguns escritores portugueses, como por exemplo: Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, José Saramago. 

Com Selma Maria, graduada em artes visuais pela FAAP é artista plástica, atriz e arte-educadora, autora de 15 livros para crianças, três deles sobre brinquedos, tem se dedicado a pesquisa sobre esse tema em exposições, livros, espetáculos e palestras.

A música na prosa de João Guimarães Rosa
Dia 7/12, sexta, das 14h30 às 16h30
Inscrição - R$15,00 / R$7,50 / R$4,50

Uma das características das Ciências Humanas é a relação entre as disciplinas por meio de diferentes abordagens. Música e Literatura há muito cooperam visando o incremento da obra de arte com o intuito de propiciar experiências estéticas mais complexas. A compreensão do fenômeno sonoro organizado e suas correlações na língua e na música proporcionam virtualidades que cada compositor utiliza à sua maneira e conforme o seu talento. 

No caso de João Guimarães Rosa, formas, arquiteturas de signos e arcabouços lógicos perpassam as mútuas influências entre musicalidade e literariedade.
A oficina irá apresentar o modus operandi da criação da prosa poética do autor por meio de exemplos e aproximações entre música e literatura. Os ensaios de criação de Guimarães e os autores que mais o influenciaram são alguns dos tópicos de interesse.  

Fruto de tese de doutorado, de pesquisas etnográficas e visitas a locais que plasmaram afetividades rítmicas e sonoras na obra do autor, o tema interessa pela efervescência da interdisciplinaridade no nosso tempo e também pela inesgotável qualidade da obra. 

Sendo uma temática de crescente interesse, as relações entre Música e Literatura ainda carecem de estudos sistemáticos no Brasil. A palestra se encerra com um breve apanhado dessas pesquisas.

Com Ivan Siqueira - Professor na ECA/USP. Doutor pela FFLCH/USP em estudos comparados sobre música erudita e popular em João Guimarães Rosa. Foi professor visitante na Kyoto University of Foreign Studies (Japão). Lançou recentemente o álbum "Outono da Infância" (www.ivansiqueira.com). 

A Literatura de Guimarães Rosa e o Nazismo
Dia 11/12, terça, das 19h30 às 21h30
Inscrição - R$15,00 / R$7,50 / R$4,50

A palestra apresentará exemplos da recepção da cultura alemã por João Guimarães Rosa, com base em declarações do escritor  e documentos e anotações disponíveis no Instituto de Estudos Brasileiros (USP). 

Problematizará a postura assumida por Rosa diante da Alemanha, tendo em vista o fato biográfico de sua atuação como diplomata em Hamburgo, entre 1938 e 1942, e a clara remissão a esse fato em três contos publicados em "Ave, palavra". As referências sempre elogiosas à cultura alemã e a parcimônia nas manifestações sobre o nazismo, por parte de Rosa, são curiosamente suspensas nos aqui chamados "contos alemães" ("O mau humor de Wotan", "A senhora dos segredos" e "A velha"). 

Os textos são marcados pelo olhar crítico e autorreflexivo de um diplomata brasileiro em Hamburgo, que nos três contos aparece como narrador-personagem. Destaca-se aí o problema da concessão de vistos de imigração pelo Estado brasileiro, capítulo delicado de nossa história, vivido de perto pelo autor de "Grande sertão: veredas".

Com Paulo Soethe, docente da UFPR. De 2012 a 2015, foi presidente da Associação Latino-americana de Estudos Germanísticos (ALEG). É detentor do Prêmio Jacob e Wilhelm Grimm do DAAD (2015), distinção para germanistas atuantes fora dos países de língua alemã. No projeto CAPES/PrInt da UFPR, é coordenador do subprojeto SmartMinds, na área de Digital Humanities.

O Livro da Vez: Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa
Dia 13/12, quinta, das 19h30 às 21h30
Inscrição - R$15,00 / R$7,50 / R$4,50

A palestra trata do modo como em Grande Sertão: Veredas  João Guimarães Rosa integra as culturas orais e iletradas do interior do país na representação literária culta por meio de dois gêneros, dramático e narrativo. Assim, no presente da leitura, o personagem Riobaldo, um velho que é fazendeiro às margens do rio São Francisco,  mantém um diálogo  com um visitante da cidade sobre a sua vida passada como jagunço de bandos em luta pelo poder no Brasil central. 

A palestra trata da sua narrativa sobre  como  conheceu e amou Diadorim, no passado, fazendo  um pacto com o diabo para obter o poder no sertão. No presente, Riobaldo discute com o visitante temas como  Deus, o demônio, o amor, a memória, o tempo, o sentido da vida etc. pondo em cena  várias representações do Brasil produzidas desde os tempos coloniais.

Com João Adolfo Hansen, professor titular do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade de São Paulo, membro da FAPESP e CNPQ. Tem 13 livros publicados, além de ser autor de dezenas de artigos e capítulos de livros. Recebeu os prêmios Jabuti (1990) e o Grande Premio da Crítica 2014 da APCA.

Leituras poéticas de Guimarães Rosa
De 11 a 13/12, terça a quinta, das 10h às 13h
Ingresso - R$15,00 / R$7,50 / R$4,50

O minicurso é um mergulho na produção textual do autor, através de uma seleção de obras que serão lidas e trabalhadas em três encontros. A impressão que tem quem se aproxima da obra de João Guimarães Rosa (1908-1967) é a de que ela parece continuar crescendo, em uma profusão contínua de ramificações artísticas, literárias, científicas e filosóficas. 

Nos encontros, conheceremos um pouco sobre o autor e nos debruçaremos sobre contos, poemas, trechos de romances, trechos de contos maiores. Além de experimentarmos as leituras, vamos nos aproximar de obras inspiradas pela produção literária, conhecendo canções, filmes, imagens. Vamos apontar, em outras palavras, as potências da arte desse nosso escritor em uma abordagem comparatista.

Rosa é convite a um mundo emaranhado, em uma língua só sua, uma lindeza!, Em erudição e com sensação de familiaridade, convoca em sua escrita um povo. Ele não reproduz a vida, tampouco funciona no apenas registro de memórias. Não é imaginação nem imaginário. Ele dá vida, cria a vida, explorando a poeticidade e também o descompasso da violência, das dores, da morte, do sofrer. Na estética se manifesta o sentido ético de sua produção.

Com Davina Marques, graduada em Letras e pedagoga, Mestre em Educação (UNICAMP) e Doutora em Estudos Comparados de Literaturas de L. Portuguesa (USP). Em sua tese, Entre literatura, cinema e filosofia: Miguilim nas telas, trabalhou "Campo Geral" (1956), de J. Guimarães Rosa, em relação ao filme Mutum, de S. Kogut (2007).

O Som dos Meninos Quietos
Dia 1/12, sábado, das 16h às 18h
Inscrição - Grátis 

Espetáculo lítero-musical, inspirado na obra Roseana. O menino quieto sempre observando a natureza, criando seus próprios brinquedos, brincando de imaginar é o protagonista desse espetáculo, que faz uma viagem pela infância sertaneja, inspirada na obra de João Guimarães Rosa.
Com Jean Garfunkel (narração, violão e voz), Joana Garfunkel (narração e voz) e Pratinha Saraiva (bandolim e flauta)

Sobre o CPF Sesc: Inaugurado em agosto de 2012, o Centro de Pesquisa e  Formação do Sesc é uma unidade do Sesc São Paulo voltada para a produção de conhecimento, formação e difusão e tem o objetivo de estimular ações  e desenvolver estudos nos campos cultural e socioeducativo.
Além do Curso Sesc de Gestão Cultural - que visa a qualificação para a gestão cultural de profissionais atuantes no campo das Artes, tanto de instituições públicas como privadas - a unidade proporciona o acesso à cultura de forma ampla, tematicamente, por meio de cursos, palestras, oficinas, bate-papos, debates e encontros nas diversas áreas que compreendem a ação da entidade, como artes plásticas e visuais, ciências sociais, comportamento contemporâneo e cotidiano, filosofia, história, literatura e artes cênicas, voltadas para o público em geral.

Serviço:
Recomendação etária: 16 anos. 30 vagas.
Tradução em Libras disponível. Faça sua solicitação com no mínimo dois dias de antecedência da atividade através do e-mail centrodepesquisaeformacao@sescsp.org.br.
Informações e inscrições pelo site (sescsp.org.br/cpf) ou nas unidades do Sesc no Estado de São Paulo. Serviço de van até a estação de metrô Trianon-Masp, de segunda a sexta, às 21h30, 21h45 e 22h05, para participantes das atividades.

sexta-feira, 9 de junho de 2023

.: Rosa Passos e Lula Galvão em voz e violão para clássicos da MPB


Projeto, que leva o nome dos dois artistas, celebra os 38 anos de parceria musical de Rosa Passos e o músico brasiliense Lula Galvão. Arte da capa: Mello Menezes. Foto: Ayub.

Nesta sexta-feira, dia 9 de junho, chega às plataformas o álbum inédito de voz e violão de Rosa Passos e Lula Galvão, um lançamento da gravadora Biscoito Fino. O projeto, que leva o nome dos dois artistas, celebra os 38 anos de parceria musical de Rosa Passos e o músico brasiliense Lula Galvão. “Começamos a tocar na noite, em Brasília, ainda na década de 1980, e logo nasceu uma grande afinidade entre nós. Dentre os 22 álbuns que gravei, 19 tiveram arranjos de Lula Galvão”, pontua a cantora e violonista baiana Rosa Passos.

Com capa criada especialmente pelo artista gráfico, plástico e escritor Mello Menezes, o álbum "Rosa Passos e Lula Galvão" reúne clássicos como “Conversa de Botequim”, de Noel e Vadico; “Ilusão à Toa”, de Johnny Alf; “Cansei de Ilusões”, de Tito Madi, e “Folhas Secas”, de Nelson Cavaquinho e Guilherme Brito. O repertório traz ainda duas canções de autoria de Rosa Passos em parceria com Fernando de Oliveira (“Outono” e “Verão), além de um tema de Lula Galvão (“Piatã”).

Por Hermínio Bello de Carvalho

Rosa Passos. Não me lembro quando a ouvi pela primeira vez - mas foi há muito tempo. O que logo me impressionou foi a absoluta ausência de malabarismos vocais, sem estonteantes e desnecessários vibratos e - importante! - com um extremo cuidado para com os versos que os poetas a ofertam. Rosa tem uma digital própria, minimalista, inconfundível, que se impõe da primeira à última faixa deste mais do que oportuno trabalho e que a coloca, merecidamente, no patamar onde estão as modernas cantoras brasileiras. 

E que logo se esclareça: este não é mais um disco de voz e violão - mas sim um trabalho artesanal onde Lula Galvão se assemelha a um jardineiro-escultor, tecendo tramas belíssimas em seu instrumento para que Rosa Passos possa atravessar, com tranquilidade, esse vasto jardim encharcado de beleza. Tudo sob o olhar atento de Rafael Paulista, produtor desta obra prima. E a capa, do grande Mello Menezes, traduz toda essa atmosfera com aquele toque de mestre que ele tem.   

Fico muito feliz com a inclusão do "Doce de Coco" de Jacob do Bandolim, no repertório. Ouvindo e reouvindo não sei quantas vezes a linda versão desse choro letrado por mim, parece que vejo o grande "chorão" em seu estúdio caseiro. Ele acompanhando em seu instrumento a gravação da cantora e exclamando a toda hora: "lindo, lindo"


Repertório do álbum

1. “Folhas Secas” - Nelson Cavaquinho / Guilherme Brito

2. "De Conversa em Conversa" - Lúcio Alves / Haroldo Barbosa

3. “Outono” “Verão - Rosa Passos / Fernando de Oliveira

4. “Verão - Rosa Passos / Fernando de Oliveira

5. “Piatã” - Lula Galvão

6. “Ilusão à Toa” - Johnny Alf

7. "Palhaço" - Nelson Cavaquinho / Oswaldo Martins / Washington Fernandes

8. “Cansei de Ilusões” - Tito Madi.

9. "Doce de Coco": Jacob do Bandolim / Hermínio Bello de Carvalho    

10.“Conversa de Botequim” - Noel Rosa / Vadico 

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

.: Virgínia Rosa canta Raul Seixas no Sesc Pompeia no show "Cantrizes"


Em quatro shows autorais diferentes, série de espetáculos celebra a força cênica de grandes atrizes, que também são cantoras espetaculares. Além de 
Virgínia Rosa, apresentam-se Alessandra Maestrini,  Letícia Soares Letícia Sabatella. Foto: Kim Leekyung

Atriz e cantora, Virgínia Rosa apresenta "Luz das Estrelas - Virgínia Rosa Canta Raul Seixas", dentro da série de espetáculos "Cantrizes", no Sesc Pompeia, neste sábado, dia 16 de agosto, às 20h00. Com atuações marcantes em novelas da Rede Globo como "Babilônia" (2015)," Pega Pega" (2017) e "Éramos Seis" (2019), Virginia Rosa também construiu uma sólida e admirada trajetória musical. 

Espetáculos como "Palavra de Mulher", "Cartola - O Mundo É Um Moinho" e, mais recentemente, a minissérie "Rota 66", evidenciam sua versatilidade como artista. Neste show, ela mergulha no universo poético, filosófico e romântico de Raul Seixas, revelando novas camadas de sentido com sua voz expressiva e sua presença cênica sempre arrebatadora.

Outros shows da série "Cantrizes" no Sesc Pompeia:  Alessandra Maestrini em "Yentl em Concerto", quinta-feira, dia 14 de agosto, às 20h00; Letícia Soares em "Letícia Soares Canta Gal", sexta-feira, dia 15 de agosto, às 20h00; Letícia Sabatella em "Letícia Sabatella, Voz e Piano", domingo, dia 17 de agosto, às 18h00.


"Cantrizes" no Sesc Pompeia
Nos dias 14, 15, 16 e 17 de agosto, no Teatro do Sesc Pompeia, acontece “Cantrizes”, série de espetáculos que celebra um grupo raro e precioso: atrizes que também são cantoras espetaculares. São intérpretes completas, que levam ao palco não apenas a afinação vocal, mas a escuta, o gesto, a presença. Mulheres que transformam cada canção numa cena, cada espetáculo num mergulho sensível.

Nesta edição, quatro artistas com carreiras consolidadas - na música, no teatro, na televisão e no cinema - apresentam seus shows autorais em quatro noites seguidas. Na quinta-feira, dia 14 de agosto, Alessandra Maestrini abre essa série de espetáculos com "Yentl em Concerto", inspirado em conto de Isaac Bashevis Singer e no filme de Barbra Streisand, com músicas de Michel Legrand. Na sexta-feira, dia 15 de agosto, Letícia Soares percorre diferentes fases da carreira de Gal Costa no espetáculo Letícia canta Gal. 

Sábado, dia 16 de agosto, Virgínia Rosa apresenta "Luz das Estrelas - Virgínia Rosa" canta Raul Seixas, em que dá voz ao lado poético, filosófico e romântico do maluco beleza. Encerrando a série, Letícia Sabatella sobe ao palco no dia 17 de agosto com o show intimista, "Voz e Piano", em que reúne canções que refletem sua trajetória interior e dialogam com temas como natureza, amor, ancestralidade e liberdade. "Cantrizes" não é apenas uma mostra de shows. É um manifesto a favor da arte feita com corpo inteiro - onde atuação e música caminham juntas, sem hierarquias, sem rótulos. Um convite para escutar com outros sentidos.


Ficha técnica
Virgínia Rosa em "Luz das Estrelas - Virginia Canta Raul Seixas"
Idealização e intérprete: Virgínia Rosa
Direção musical, guitarra e programação eletrônica: Rovilson Pascoal
Baixo acústico e elétrico: André Bedurê
Bateria e percussão: Michele Abu
Técnico de som: Kiko Carbone
Iluminação: Christiano Paes
Figurinos: Guilherme Rodrigues
Produção executiva e direção geral: Fernando Cardoso


Quinta-feira, dia 14 de agosto, às 20h00 - Alessandra Maestrini em "Yentl em Concerto" - Ingressos on-line neste link
Sexta-feira, dia 15 de agosto, às 20h00 - Letícia Soares em "Letícia Soares Canta Gal" - Ingressos on-line neste link
Sábado, dia 16 de agosto, às 20h00 - Virgínia Rosa em "Luz das Estrelas - Virgínia Rosa Canta Raul Seixas" - Ingressos on-line neste link
Domingo, dia 17 de agosto, às 18h00 - Letícia Sabatella em "Letícia Sabatella, Voz e PianoIngressos on-line neste link


Serviço | "Cantrizes"
Dias 14, 15, 16 e 17 de agosto
Local: Teatro do Sesc Pompeia
Rua Clélia, 93 - Pompeia / São Paulo
Ingressos: R$ 21,00 (Credencial plena), R$ 35,00 (meia-entrada), R$ 70,00 (inteira)
Ingressos à venda on-line e nas bilheterias do Sesc 
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: livre

domingo, 5 de maio de 2019

.: Escritos de Rosa Luxemburgo ganham edição acrescida de textos inéditos


Dividida em três volumes, a obra é a mais importante coletânea de textos da pensadora socialista polonesa já publicada em português e agora incrementada com textos inéditos

"Liberdade é sempre a liberdade de quem pensa de modo diferente", pontificou a pensadora socialista polonesa Rosa Luxemburgo em seu A Revolução Russa, de 1918. Esse e outros escritos igualmente importantes compõem os três volumes de Rosa Luxemburgo: textos escolhidos, publicação organizada pela professora de Filosofia da Unesp Isabel Loureiro e que chega à segunda edição, numa parceria entre a Editora Unesp e a Fundação Rosa Luxemburgo, com um novo projeto gráfico e inclusão de novos textos.

"Os três volumes de Rosa Luxemburgo: textos escolhidos constituem a coletânea mais importante já publicada em português de escritos da socialista nascida numa região polonesa sob ocupação russa", anotam, na apresentação, Gerhard Dilger e Jorge Pereira Filho, da Fundação Rosa Luxemburgo. "Organizados por Isabel Loureiro, uma das principais estudiosas do pensamento luxemburguista na América Latina, os textos aqui selecionados apresentam uma formulação teórica comprometida com a causa revolucionária e o espírito democrático radical".

Apresentam-se nos dois primeiros volumes obedecendo à cronologia, desde traduções revisadas de clássicos como “Reforma social ou Revolução?”, “Greve de Massas, Partido e Sindicatos”, “A Crise da Social-democracia” e “A Revolução Russa”, até originais escritos em polonês que nunca antes haviam sido publicados em português, como “Credo” e “O que Queremos?”.

Já o terceiro volume dedica-se a examinar as cartas produzidas por Rosa Luxemburgo, nas quais se observam características acentuadamente humanistas e literárias, como nesta passagem, em que a pensadora escreve, da prisão, a uma amiga: “No fundo eu me sinto muito mais em casa num pedacinho de jardim como aqui ou no campo entre as vespas e a relva do que num congresso do partido. Para você posso dizer tudo isso sem preocupação: você não vai farejar logo uma traição ao socialismo. Você sabe que eu, apesar de tudo, espero morrer a postos: numa batalha urbana ou na penitenciária”.

Se o mundo dual da Guerra Fria ficou para trás e o capitalismo "venceu", o que se apresenta hoje como modelo social e econômico está longe de solucionar múltiplas crises. Entretanto, ao olhar os textos de Rosa Luxemburgo reside, ainda, algo de atual. "Rosa, é claro, não tem as respostas para nossa época", escrevem Gerhard Dilger e Jorge Pereira Filho. "No entanto, para além da mitologia que envolve seu nome, sua produção teórica – amputada e adormecida por décadas pelos dirigentes do 'socialismo real' – ainda contém uma potência transformadora capaz de inspirar gerações de inconformados e inconformadas mundo afora".

Título: "Rosa Luxemburgo: Textos Escolhidos – Volume 1 (1899-1914)"; "Volume 2 (1914-1919)"; "Volume 3 - Cartas"
Autora: Rosa Luxemburgo
Organizadora: Isabel Loureiro
Tradução "Volume 1": Grazyna Maria Asenko da Costa, Stefan Fornos Klein, Pedro Leão da Costa Neto, Bogna Thereza Pierzynski
Tradução "Volume 2": Isabel Loureiro
Tradução "Volume 3": Pedro Leão da Costa Neto, Mário Luiz Frungillo, Grazyna Maria Asenko da Costa
Número de páginas: 511 ("V. 1"); 413 ("V. 2"); 397 ("V. 3")
Formato: 16 x 23 cm
Preço: R$ 80 (cada)
ISBN: 978-85-393-0676-3; 978-85-393-0677-0; 978-85-393-0678-7

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

.: Crítica: "Salve Rosa" é filme denúncia sobre vilania por trás das câmeras

Cena de "Salve Rosa", em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em outubro de 2025


Rosa é a influencer dos pequenos que parece viver num conto de fadas ao lado de Dora (Karine Teles) a mãe, empresária da filha e professora. No cenário de encher os olhos de puro encantamento de "Salve Rosa" há muito mais do que se pode imaginar de uma mãe controladora a ponto de vigiar o que a filha recebe e envia no aparelho celular. Todavia, há uma justificativa para tanto, talvez para barrar qualquer abuso externo por conta da exposição da jovem nas redes sociais.

Em contrapartida, Rosa segue feliz criando conteúdo com o apoio da mãe, ainda que seja induzida até a fazer fotos no meio de uma madrugada chuvosa. Contudo, num dia na nova escola, praticando esporte, a garota passa mal e, ao acessar o resultado de um exame descobre irregularidades na saúde. Esperta, passa a ligar os pontos (mas nem todos, como por exemplo, as escapadelas noturnas de Dora) e chega até a amiga de infância Zoe. Assim, tudo o que acontece por trás das câmeras passa a ser assustador.

Num jogo de gato e rato, Rosa descobre muito mais do possivelmente imaginável. De modo assustador, o suspense "Salve Rosa" acaba remetendo ao sofrimento de Gypsy Rose, na série "The Act", enquanto que conversa com a denúncia do influencer Felca, sobre a adultização de crianças, que ganhou grandes proporções na mídia, ainda que Rosa represente uma garota de 13 anos (e Klara Castanho convence perfeitamente) dominada por uma mãe seguidora da síndrome de Peter Pan.

A produção nacional que também é uma denúncia, tem um elenco perfeito em cada cena. A dobradinha Klara Castanho e Karine Teles está irretocável, perfeitas como mãe e filha. A primeira entregando a meiguice e inocência de uma menina perto da puberdade e a segunda com uma sensualidade transbordando pelos poros aliada a uma vilania de fazer o queixo cair. O longa dirigido por Susanna Lira entrega muita tensão na trama cheia de reviravoltas capazes de surpreender qualquer mente criativa. Vale a pena conferir "Salve Rosa" nas telonas!


"Salve Rosa". Gênero: terror. Diretora: Susanna Lira. Elenco: Klara Castanho, Karine Teles, Ricardo Teodoro e Indira Nascimento. Sinopse: Após sofrer um desmaio na escola, a jovem Rosa resolve partir para a investigação sobre o seu passado. A descoberta dela acaba colocando, não apenas a relação com a sua mãe muito protetora em risco, como a sua própria vida.


O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no GonzagaConsulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.

Trailer


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segunda-feira, 25 de agosto de 2025

.: Pedro Süssekind coloca Shakespeare, Homero e Guimarães Rosa na conversa


Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: divulgação

Finalista da 2ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, na categoria Letras, Linguística e Estudos Literários, o livro "O Mar, o Rio e a Tempestade: sobre Homero, Rosa e Shakespeare", publicado pela editora Tinta-da-China Brasil, confirma Pedro Süssekind como um dos mais inquietos intérpretes da relação entre filosofia e literatura no Brasil. Professor titular da Universidade Federal Fluminense, pesquisador do CNPq e autor de obras como "Shakespeare, o Gênio Original" e "Hamlet e a Filosofia", Süssekind propõe em sua mais recente publicação um diálogo improvável - e ao mesmo tempo necessário - entre a "Odisseia", de Homero, "Rei Lear", de William Shakespeare, e "Grande sertão: veredas", de Guimarães Rosa.

Com uma escrita que desafia fronteiras acadêmicas, o autor percorre desde a Grécia Antiga até o sertão mineiro, costurando filosofia, estética e crítica literária para revelar como essas obras ecoam entre si. Em entrevista exclusiva ao Resenhando.com, Süssekind comenta os riscos de colocar clássicos em confronto, o papel da filosofia como mediadora da literatura e até os dilemas do pesquisador que também escreve ficção. Compre o  livro "O Mar, o Rio e a Tempestade: sobre Homero, Rosa e Shakespeare", de Pedro Süssekind, neste link.


Resenhando.com - 
Seu livro aproxima Homero, Shakespeare e Guimarães Rosa - três universos culturais e históricos distintos. O que seria mais arriscado: reduzir Rosa a um “Homero do sertão” ou enxergar Shakespeare como um “dramaturgo de jagunços”?
Pedro Süssekind - Dizer que Guimarães Rosa é um “homem do sertão” não o reduz, se pensarmos a partir da perspectiva dele. Numa célebre entrevista que deu a um crítico alemão, ele concorda inteiramente com essa classificação e ainda acrescenta que não se trata só de uma afirmação biográfica, e sim de uma determinação essencial. Porque “o sertão é do tamanho do mundo”, como diz Riobaldo. Não é um lugar determinado, mas uma dimensão existencial. Isso tem a ver com um “super-regionalismo”, para usar um termo de Antonio Candido. Segundo a concepção que aparece na tal entrevista e que remete a "Grande sertão: veredas", Goethe também é do sertão, assim como Tolstoi, Flaubert e Balzac. Me parece que tanto Homero quanto Shakespeare entrariam nessa lista também. Agora, de fato falar de Shakespeare e de jagunços no mesmo livro pode ser estranho. Um trabalho de Literatura Comparada corre sempre o risco de forçar aproximações, ou estabelecer conexões arbitrárias, entre autores que pertencem a contextos culturais distintos. Penso que evitei esse risco no livro, por escrever ensaios dedicados a cada obra (dois sobre a "Odisseia", dois sobre "Rei Lear" e dois sobre "Grande sertão: veredas"), sempre com o cuidado de considerar o contexto histórico dos autores. As aproximações dizem respeito a temas (como por exemplo a errância, que é abordada nas três obras de modos diversos), ou à forma de narrar as histórias (por exemplo, a incorporação de elementos épicos e dramáticos na construção do romance de Guimarães Rosa).


Resenhando.com - Na sua análise, a filosofia funciona como ponte entre literatura e pensamento. Mas até que ponto a filosofia não corre o risco de engessar a força poética da literatura, transformando metáfora em tese?
Pedro Süssekind - Eu diria que o pensamento funciona como ponte entre a filosofia e a literatura. A relação entre as duas foi tradicionalmente carregada de tensão, desde a Antiguidade, quando a filosofia afirmou seu domínio como discurso verdadeiro, em contraposição ao discurso falso (ficcional) da poesia. Isso remete, claro, às críticas a Homero na República de Platão. Mas essa separação foi repensada e posta em questão muitas vezes, em especial desde o Romantismo, no final do século XIX. Em todo caso, concordo que a tentativa de extrair filosofia de uma obra literária pode levar a um engessamento, como se essa obra fosse a ilustração metafórica de determinadas ideias ou correntes de pensamento. Esse tipo de exercício não me interessa muito, ou me interessa só como um aspecto a ser usado a serviço de uma tentativa de entender o que você chamou de força poética da literatura. Podemos chamar isso também de criação literária de uma instância de reflexão. Certamente, como mostrei nos ensaios desse livro, Shakespeare e Guimarães Rosa dialogam com a filosofia, ou seja, incorporam elementos filosóficos em suas obras. Aliás, Riobaldo é um personagem altamente filosófico, à altura de Hamlet... Mas numa peça ou numa narrativa as questões que foram objeto de reflexão teórica por parte de filósofos são apresentadas e pensadas de outra maneira. Não basta identificar questões ou remeter a teorias. Isso é só um aspecto. O trabalho do crítico é discutir essa maneira de pensar da literatura, que muitas vezes põe em xeque teorias e questões do campo da filosofia.


Resenhando.com - "A Telemaquia", "Rei Lear" e "Grande sertão: veredas" podem soar, para muitos, como textos distantes do leitor comum. O que esse “diálogo erudito” oferece ao público que não vive na academia?
Pedro Süssekind - Por que ler os clássicos? Essa pergunta foi usada por Ítalo Calvino no título de um livro do qual gosto muito. Pensei nesse livro muitas vezes enquanto escrevia os ensaios de O mar, o rio e a tempestade. Até usei uma frase dele na orelha: “um clássico é um livro que nunca terminou de dizer o que tinha para dizer”. Não considero que a literatura De Homero, de Shakespeare ou de Guimarães Rosa seja objeto de estudo acadêmico, assunto de eruditos, peça de museu. A erudição da leitura, no sentido de recorrer a um aparato crítico, tem a ver com a intenção de revelar as marcas das leituras precendentes, porque elas fazem parte de uma história da recepção que vai sendo incorporada a cada um desses livros. Mas esse tipo de erudição fica a cargo do crítico, ou do professor, e só faz sentido se enriquecer a descoberta que é feita numa primeira leitura: a descoberta de algo inédito, inesquecível, inesperado, que vai muito além do que se imagina conhecer por ouvir falar de um clássico. Então, penso que o leitor, qualquer leitor que se interessa por literatura, tem muito a ganhar ao dedicar seu tempo a livros como a Odisseia, Rei Lear ou Grande sertão: veredas. Quando escrevi sobre eles, ou quando dou aula sobre eles, também quero proporcionar um caminho de aproximação para leitores e alunos, tentando mostrar a riqueza, o encantamento e a atualidade desses livros.


Resenhando.com - Quando coloca Adorno e Horkheimer para “lerem” a Odisseia, você não teme que a filosofia crítica alemã se sobreponha a Homero - como um ruído moderno que silencia a oralidade arcaica?
Pedro Süssekind - Nesse caso específico, tomei como ponto de partida a leitura da Odisseia que esses autores fazem na Dialética do esclarecimento. Uma obra literária da Antiguidade lida numa obra de filosofia do século XX. Isso me pareceu um bom ponto de partida não só para pensar a relação entre filosofia e literatura, como também para discutir a atualidade de Homero de um ponto de vista contemporâneo. Mas eu não quis simplesmente adotar a leitura que esses filósofos fazem, para não perder de vista a leitura direta da Odisseia e a minha própria compreensão desse poema, que eu amo profundamente e releio sempre que posso. Explico as hipóteses de Adorno e Horkheimer, ligadas à Teoria Crítica, para discutir e problematizar alguns aspectos da intepretação deles, justamente porque, como você disse, ela silencia elementos importantes da epopeia, ligados à passagem da oralidade para a escrita. É isso que discuto no ensaio “As Sereias e o Narrador”.


Resenhando.com - Shakespeare, Guimarães Rosa e Homero são três autores “canônicos”. O que seria mais subversivo: retirar esses gigantes do pedestal ou recolocá-los em diálogo com vozes literárias marginalizadas?
Pedro Süssekind - Certamente esses autores entraram para o cânone, se pensarmos na História da Literatura, com maiúsculas. Mas essa ideia de um cânone literário me parece problemática por dois motivos. Primeiro, recuperando o que já discutimos, porque distancia as obras dos leitores, nesse sentido de posicioná-las num pedestal, como se só pudessem ser lidas por grandes eruditos, ou como se já tivessem seu lugar determinado e estivessem ali fechadas, prontas, definidas. Um livro fechado não tem vida, um livro já entendido não precisa ser relido. Em segundo lugar, porque o cânone não pode ser nunca definitivo. Uma tradição só continua a existir na medida em que continua a influenciar e alimentar o que é criado atualmente. Aliás, é isso que nos mostraram as vanguardas artísticas, ao criar suas próprias tradições e seus próprios cânones, muitas vezes tirando do esquecimento obras que não eram mais lidas e que se tornaram clássicas a seu modo. Nesse sentido, eu estava mais interessado no meu cânone pessoal de obras clássicas que li e reli ao longo da vida. Mas vou tomar como exemplo "Grande sertão: veredas", que se tornou um grande clássico da literatura brasileira. Como Silviano Santiago comenta em seu ótimo estudo Genealogia da ferocidade, a importância histórica desse livro tem a ver com o impacto destruidor que ele teve sobre o cânone literário: o quanto ele bagunçou as categorias da história da literatura, como regionalismo, modernismo etc. A cada vez que lemos esse romance - e o mesmo se pode dizer sobre obras de Homero ou de Shakespeare -, ele sai daquele pedestal e se torna uma coisa viva, em aberto, a ser interpretada segundo a perspectiva do leitor agora. O diálogo com vozes literárias marginalizadas, por exemplo, faz parte dessa experiência viva da leitura e da crítica.


Resenhando.com - Em sua trajetória, você também escreveu romances. O ficcionista Pedro Süssekind sente inveja da liberdade do filósofo Pedro Süssekind ou é o contrário? Há algum momento em que a filosofia atrapalha a literatura? Ou, ao contrário?
Pedro Süssekind - As formas de escrita da filosofia e a da literatura são muito diferentes. O jargão acadêmico e as exigências formais de artigos e teses atrapalham quem quer desenvolver uma forma própria de pensar, por isso tento escapar das fórmulas e do jargão quando escrevo ensaios. Mesmo assim, quando estou escrevendo teoria, tenho a impressão de que nunca poderia escrever ficção. Mas o contrário não se aplica, e acho meio difícil explicar o motivo. Tem a ver com a imaginação e a carga afetiva do texto de ficção... Por outro lado, meus interesses teóricos alimentam o trabalho ficcional, como aconteceu com meu último romance, "Anistia", que recria o enredo da primeira parte da "Odisseia", a chamada Telemaquia, no contexto brasileiro dos anos de chumbo da ditadura militar. Ou seja, o romance tem uma conexão com os ensaios da primeira parte de "O Mar, o Rio e a Tempestade". No fundo, eu gostaria de aproximar as duas formas de escrita, ficcional e teórica, ou escrevendo ensaios mais literários, ou escrevendo uma ficção ensaística. Mas até o momento me sinto sempre dividido, oscilando de uma forma para outra.


Resenhando.com - Grande parte da crítica insiste em fazer de Rosa um “enigma intraduzível”. O que a sua leitura revela: Rosa é realmente intraduzível ou os críticos é que têm medo de encarar a simplicidade por trás de algo complexo?
Pedro Süssekind - Não considero Guimarães Rosa intraduzível, de modo algum. E a fortuna crítica da obra dele é muito vasta e muito rica, composta por diversas abordagens: leitura sociológica, crítica genética baseada na pesquisa de arquivo, leitura mística e filosófica, discussão linguística. A coisa parece inesgotável. Não rejeito nem adoto em definitivo nenhuma dessas abordagens em particular, mas respeito cada uma delas e tento aprender com os trabalhos de críticos de diversas linhas, até porque me parece que a literatura de Rosa de fato abre a possibilidade de todas essas leituras. Aliás, ela não só está aberta para várias possibilidades, como também se mantém ambígua, inclassificável, desafiadora apesar de todas. Por isso, desconfio de críticas que procuram resolver tudo de uma vez e propõem interpretações definitivas, dogmáticas. Dogmatismo não tem nada a ver com Guimarães Rosa. Considero que os bons críticos lidam com a complexidade e a riqueza da obra dele sem medo.


Resenhando.com - O Prêmio Jabuti Acadêmico é recente e já começa a moldar um cânone acadêmico. Você acredita que prêmios desse tipo consolidam ou engessam o pensamento crítico no Brasil?
Pedro Süssekind - Acho iniciativas como essa importantes porque dão visibilidade ao trabalho acadêmico e contribuem para romper essa barreira entre o que é produzido nas universidades e os leitores que não pertencem a esse mundo. Mas no meu caso, como eu trabalho com literatura e não com uma área mais técnica ou mais árida das ciências, não faço muita distinção entre obras de divulgação (para leigos) e obras acadêmicas. Quando escrevo ensaios sobre literatura e filosofia, a serem publicados em livro, procuro usar uma linguagem clara, sem exigir conhecimento técnico prévio ou formação numa determinada área. Claro que o leitor precisa ter interesse no assunto, em literatura, em filosofia, em história, essas coisas. Sou professor universitário e pesquisador, então faço um trabalho dentro do mundo acadêmico, mas nunca quis ser um especialista. A forma do ensaio me dá liberdade para discutir questões literárias e filosóficas, propor comparações e recorrer a diferentes áreas do conhecimento.


Resenhando.com - Se Homero, Shakespeare e Guimarães Rosa entrassem em uma taberna imaginária, como profundo conhecedor dos três, o que eles discutiriam primeiro - política, poesia ou a tragédia de ser humano?
Pedro Süssekind - Homero, Shakespeare e Guimarães Rosa entram num bar. Talvez seja um bom começo de anedota para literatos... Aliás, Guimarães Rosa gostava muito de anedotas, como sabemos pelo prefácio de Tutaméia. Nesta, ele teria que fazer a tradução simultânea da conversa de um poeta cego da Grécia Arcaica (que não sabemos se existiu de verdade) com um dramaturgo elisabetano. Até porque ele é, dos três, quem leu e poderia reconhecer os outros dois. Mas essa conversa que você imaginou só poderia ser sobre poesia, eu acho. Porque a política, a tragédia e a comédia fazem parte da poesia. O encontro poderia ser no reino dos mortos, como aquele que Dante pôs em "A Divina Comédia". E talvez os três pudessem falar a mesma língua, uma língua original, anterior a todas as outras segundo o mito da Torre de Babel. Estou elaborando a cena porque não sou capaz de inventar uma tirada para encerrar a anedota... Mas um lado bom de autores serem considerados clássicos é que eles foram traduzidos para diversas línguas, por décadas (Rosa), séculos (Shakespeare) ou milênios (Homero), de modo que continuam a reverberar, a despertar interesse e a ter leitores em épocas, lugares e culturas diferentes. Isso me remete às ideias de Walter Benjamin sobre a tradução poética como tarefa que remete àquela língua original, adâmica, capaz de capturar a essência das coisas. Enfim, nem precisamos inventar uma conversa imaginária, já que o encontro entre os três autores existe, na verdade, por meio de suas obras. Como procurei mostrar nos meus ensaios, podemos ler essas obras e fazê-las dialogar.


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