sábado, 19 de julho de 2025

.: "Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado" é bom, mas não supera o de 97

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em julho de 2025


"Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado", reboot do clássico filme de terror slash de 1997, chega ao "Cineflix Cinemas", entregando uma pegada do filme original, mas adaptada aos moldes das produções modernas. O longa de 1 hora e 51 minutos é muito bom, ainda que subverta drasticamente um personagem queridinho da primeira produção com o intuito de criar uma gigante reviravolta para o desfecho.

Com cena pós-crédito, o longa traz de volta o casal amado da franquia, Julie James (Jennifer Love Hewitt, da série "9-1-1") e Ray Bronson (Freddie Prinze Jr., "Ela é Demais"), garantindo uma piadinha sobre "Scoody-Doo", além da rainha Helen Shivers (Sarah Michelle Gellar, "Buffy, a Caça-Vampiros"), deixando de fora o retorno do ator Ryan Phillippe na reprise do papel do jovem Barry William Cox. 

As mortes conseguem impactar também, porém não há tanto mistério envolvente, essência do filme. Apesar de pecar na não exploração das mortes, algumas acontecem rapidamente, chegando com agilidade ao resultado apresentado pelo matador de Southport. Aliás, a produção embarca numa característica marcante do assassino Ghostface, da franquia "Pânico", quando se trata da revelação de quem está por trás de tudo e colocando o plano maquiavélico em prática.

Em contrapartida, há muita nostalgia com o resgate de personagens importantes do filme original, ainda que em nome de uma reviravolta chocante estrague a história de um deles, ainda mais após tantos anos. Em tempo, "Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado" é atrativo enquanto circula pelos antigos personagens, uma vez que os jovens de agora, Danica Richards (Madelyn Cline, "The Originals"), Ava Brucks (Chase Sui Wonders, "Morte, Morte, Morte"), Teddy Spencer (Tyriq Withers, "De Volta Ao Baile") e Stevie Ward (Sarah Pidgeon, "Thw Wilds: Vida Selvagem") sejam bastante insossos, bloqueando o envolvimento automático do público para que se apeguem a algum deles. 

A nova produção segue o visual dos anos 90 de filmes slashers, principalmente o da franquia "Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado", entretém, surpreende e garante sustos, porém não consegue superar uma produção de quase 30 anos com tão poucos recursos da época. Ainda assim, vale a pena conferir a novidade na telona! 

Do quarteto original, somente ator Ryan Phillippe não retorna

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"Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado" ("I Know What You Did Last Summer"). Ingressos on-line neste linkGênero: suspense, terrorClassificação: 16 anos. Duração: 1h51. Direção: Jennifer Kaytin Robinson. Roteiro: Jennifer Kaytin Robinson, Leah McKendrick, Sam LanskyElenco: Madelyn Cline, Chase Sui Wonders, Jonah Hauer-King, Tyriq WithersSinopse: Cinco amigos causam um acidente de carro fatal e encobrem seu envolvimento mantendo segredo em vez de enfrentar as consequências. Um ano depois, eles se veem perseguidos por um assassino misterioso que sabe o que eles fizeram no verão passado.. Confira os horários: neste link

Trailer "Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado"





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.: “A Mulher da Van” ou a sublime arte de não pedir licença, nem desculpas


Por 
Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: Priscila Prade

Nathalia Timberg vai além da tarefa de atuar. Ela assombra. E, em "A Mulher da Van", ela retorna não como quem impõe presença, mas como quem finca uma bandeira no tempo e declara: “Estive aqui. E ainda estou”. Aos 96 anos, a Mary Shepherd dela não é somente uma personagem: é um meteoro encardido de humanidade atravessando o palco com odor de mofo e dignidade, acidez e ternura, malcriação e mistério. Tudo ao mesmo tempo. E melhor: sem pedir a opinião alheia sobre isso. É um exemplo para quem ainda se preocupa com a opinião dos outros.

Baseada no texto autobiográfico de Alan Bennett, adaptado com elegância por Clara Carvalho e conduzida com muita sensibilidade por Ricardo Grasson, a montagem brasileira assume o risco do desencaixe. Não tenta agradar, não se curva ao politicamente correto, tampouco oferece um consolo higienizado para o envelhecimento - ela o escancara, sem filtros ou nenhum tipo de botox narrativo.

Timberg encena uma mulher amarga e, às vezes, mal-agradecida com uma grandeza que beira o indecente. É a atriz em sua forma mais crua, esculpindo silêncios, vociferando feridas, desviando do sentimentalismo fácil com a precisão de quem conhece a anatomia da emoção por dentro. A atuação dela é tão pungente que desidrata o texto e o transforma em gesto, em presença viva, em legado performático. Mas ela não está sozinha nessa empreitada existencial. 

Caco Ciocler entrega um Alan comovente e sem vaidade. É doce, mas também melancólico. Já Nilton Bicudo, ao dividir o personagem com Ciocler, protagoniza uma rara parceria:  juntos, eles tecem uma coreografia afetiva que revela o jogo de espelhos e vozes internas do escritor/personagem, um homem partido entre o acolhimento e a culpa. Juntos, os dois dançam um balé emocional em que o ego se dilui para dar espaço ao outro.

Lilian Blanc, por sua vez, aparece com seu selo habitual de encantamento cênico - é como um bom perfume: não precisa de mais do que uma borrifada para deixar a própria marca. Roberto Arduin mostra sua versatilidade camaleônica ao saltar entre personagens com a leveza de quem sabe que o teatro é, antes de tudo, transformação. E o restante do elenco, formado por nomes como Noemi Marinho, Cléo De Páris, Duda Mamberti e Lara Córdulla, forma uma engrenagem rara: coesa, pulsante e generosa. Ninguém se atropela - todos se erguem para o exato momento em que cada um brilha.

A encenação de Grasson constrói um universo que não pede explicações: a van vira casa, o lar vira prisão, a rua vira espelho. Tudo transita entre o cômico e o trágico com a fluidez de um sonho. A direção é, ao mesmo tempo, respeitosa com o texto e atrevida com a forma. Talvez daí resida o maior acerto dessa produção. O público sai transformado? Talvez. Mas sai, no mínimo, cutucado - e isso já é mais do que se espera da maioria dos espetáculos. Porque o teatro, como bem sabe Nathalia Timberg, não existe para fazer carinho no espectador, mas para deixá-lo acordado. E, se possível, ligeiramente desconfortável.

“A Mulher da Van” é uma peça sobre o tempo. Mas não o tempo como calendário ou sentença - o tempo como abismo e bênção. Semelhante àquilo que escapa e, ainda assim, encaixa na vida do outro como algo que já não descola. É também uma fábula sobre encontros improváveis, sobre o cuidado que damos a estranhos enquanto negligenciamos os íntimos, sobre a beleza caótica da convivência. E é, sobretudo, uma carta de amor à arte de envelhecer com selvageria, e não com docilidade.


Ficha técnica
Espetáculo "A Mulher da Van"
Texto: Alan Bennett
Tradução: Clara Carvalho
Idealização: Nosso Cultural
Direção geral: Ricardo Grasson
Assistente de direção: Heitor Garcia
Elenco: Nathalia Timberg, Caco Ciocler, Nilton Bicudo, Noemi Marinho, Duda Mamberti, Lilian Blanc, Roberto Arduin, Cléo De Páris e Lara Córdulla.
Cenário: Cesar Costa
Desenho de luz: Cesar Pivetti
Trilha sonora e desenho de som: LP Daniel
Figurino: Marichilene Artisevskis
Visagismo: Simone Momo
Assistente de cena: Ligia Fonseca
Camareira: Beth Chagas
Diretor de palco: Victor Ribeiro
Contrarregra: JP Franco
Coordenação de comunicação: André Massa
Comunicação visual e animação: Kelson Spalato
Redes sociais: Gatu Filmes / Gabriel Metzner e Arthur Bronzatto
Estratégia digital: Motisuki PR / Régis Motisuki e Matheus Resende
Fotografia: Priscila Prade
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Direção de produção: Marco Griesi
Coordenação de produção: Bia Izar
Produção executiva: Diogo Pasquim e Tame Louise
Produção geral: Palco7 Produções


Serviço
Espetáculo "A Mulher da Van"
De 4 de julho a 3 de agosto de 2025
Sextas, às 21h00. Sábados, das 17h00 e 21h00. Domingos, às 18h00.
Teatro Bravos - Rua Coropé, 88 - Pinheiros / São Paulo
Ingressos: Plateia Premium - R$ 200,00 (inteira) I R$ 100,00 (meia). Plateia Inferior - R$ 160,00 (inteira) I R$ 80,00 (meia). Mezanino - R$ 120,00 (inteira) i R$ 60,00 (meia). Vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/106647.
Classificação: 12 anos.
Duração: 100 minutos.
Capacidade: 611 lugares.
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

.: "Forever Tango", sucesso mundial há 31 anos, ganha palco brasileiro em 2025


Com 12 dançarinos, um vocalista e uma orquestra formada por seis músicos, o espetáculo conta a história do nascimento do tango na Argentina do século XIX. Foto: divulgação

Criado e dirigido pelo argentino Luis Bravo, aclamado espetáculo "Forever Tango" estreia no Brasil no Teatro B32 no dia 19 de julho de 2025, com produção da Black&Red. Indicado ao Tony Award de Melhor Coreografia em 1998, o espetáculo foi eleito o melhor musical de turnê pelo Bay Area Theatre Critics Circle em San Francisco, onde esteve em cartaz por 92 semanas no Theatre on the Square. Reconhecido internacionalmente, o "Forever Tango" também recebeu o cobiçado Prêmio Simpatia no Festival de Spoleto, na Itália, em 1996.

Com 12 dançarinos, um vocalista e uma orquestra formada por seis músicos - incluindo o instrumento símbolo do tango, o bandoneón -, o espetáculo conta a história do nascimento do tango na Argentina do século XIX. As danças, executadas ao som de músicas originais e tradicionais, são resultado da colaboração entre cada casal e o idealizador e criador Luis Bravo.

Criador e diretor de "Forever Tango", o argentino Luis Bravo (que também assina a iluminação) é um violoncelista de renome mundial que já se apresentou com as principais orquestras sinfônicas do mundo. Seus créditos mais destacados incluem aparições com a Filarmônica de Los Angeles, o Teatro Colón de Buenos Aires, a Filarmônica de Buenos Aires e outros conjuntos de prestígio ao redor do mundo.

A equipe conta, ainda, com Argemira Affonso (figurino), Mike Miller (responsável pelo som), Jean-Luc Don Vito (maquiagem) e Víctor Lavallén (direção musical). A produção brasileira é da Black & Red, renomada companhia de teatro musical liderada pelo diretor Billy Bond, reconhecida por suas grandiosas montagens.

Luis Bravo estreou na Broadway em junho de 1997 para uma temporada de oito semanas. O sucesso foi tanto, que o espetáculo ficou em cartaz por 14 meses e desde então voltou a Nova York na Broadway em três ocasiões distintas. 

O espetáculo conta a história do nascimento do tango na Argentina do século XIX, quando milhares de homens, abandonando uma Europa em desintegração para emigrar à América do Sul, se encontraram nos matadouros lotados, nos bares, nas esquinas dos arrabaldes e nas enramadas. O tango nasceu dessa existência solitária e violenta. Originalmente evitado pela sociedade argentina como indecente, o tango tornou-se uma mania da noite para o dia na alta sociedade parisiense, quando intelectuais argentinos o ensinaram durante suas viagens ao exterior. O tango rapidamente se espalhou pela Europa e América, sendo posteriormente reimportado para a sociedade argentina, embora em forma modificada. Nascido nos bordéis de Buenos Aires, o tango pode ser o produto de exportação mais conhecido da Argentina.


Serviço
"Forever Tango", de Luis Bravo 
Teatro B32: Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3.732
Temporada: de 19 de julho a 3 de agosto
Aos sábados, às 20h30 e aos domingos, às 18h30
R$ 200,00 a R$ 400,00
Classificação indicativa: livre
Duração: 130 minutos 
Lotação: 490 lugares
Acessibilidade: teatro acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

Bilheteria
Internet (com taxa de conveniência):  https://www.sympla.com.br/
Bilheteria física (sem taxa de conveniência): apenas em dias de espetáculos até o início da apresentação

.: "A Comunidade do Arco-Íris", de Caio Fernando Abreu, estreia no CCBB SP


Com direção de Suzana Saldanha e supervisão de direção de Gilberto Gawronski, a peça traz no elenco a atriz Bianca Byington, tem participação especial em vídeo de Malu Mader e tem sua composição-tema assinada por Tonny Belloto e seu filho João Mader. A direção musical é de João Pedro Bonfá. A direção de produção é de Jenny Mezencio e a coordenação geral é de Flávio Helder e BFV Cultura e Esporte. O espetáculo cria uma reflexão sobre temas como confiança, respeito, amizade e democracia. Foto: Kika Antunes


A coletividade e a importância de se respeitar as diferenças são pautas levantadas por "A Comunidade do Arco-Íris", o único trabalho do saudoso autor gaúcho Caio Fernando Abreu (1948-1996) voltado para o público infantil. A obra ganhou uma montagem dirigida por Suzana Saldanha, sob supervisão de Gilberto Gawronski, que estreou em 2024 e teve temporadas de sucesso em Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Agora, a peça chega ao Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, onde tem sua estreia paulista e fica em cartaz de 19 de julho a 31 de agosto, com sessões aos sábados e domingos. Este projeto conta com o patrocínio do Banco do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

O trabalho traz no elenco Bianca Byington, Raquel Karro, Tiago Herz, Lucas Oradovschi, Lucas Popeta, André Celant, Renato Reston, Patricia Regina, Aisha Jambo (stand-in) e Maksin Oliveira (stand-in). Além disso, conta com participação especial em vídeo de Malu Mader na abertura do espetáculo. Na trama, brinquedos e seres mágicos decidem viver numa comunidade na floresta, longe do mundo dos humanos, onde não há poluição e nem consumo desenfreado. A chegada de três gatos a esse recanto de paz, provoca discussões sobre confiança, respeito, amizade e democracia. 

Nesse lugar, que lembra uma espécie de rave ou festa hippie, os personagens vivem afastados do mundo humano. São eles: uma sereia cansada da poluição de mares e rios, uma bruxa de pano e uma bailarina de caixinha de música trocadas por videogame e outros eletrônicos, um soldadinho que não gosta de guerra e tem vocação para jardinagem, um mágico que deseja fazer suas mágicas sem ser criticado e um roqueiro que quer tocar sua música na tranquilidade da natureza. 

No papel da Bruxa de Pano, Bianca Byington comenta que não conhecia esse lado do autor “surpreendentemente leve, que não perde o sarcasmo em pequenas brincadeiras”. Para a atriz, chama a atenção que, em 1971, ele tenha dado importância à questão ambiental. “Abordagem simples, sem militância, mas no fundo fala o que realmente importa, a insatisfação em relação ao mundo capitalista, ao consumo”, diz. 

O cenário é composto por uma grande estrutura de ferro flexível que abrange o cenário interativo criado por Sérgio Marimba, promovendo um diálogo com a luz de Aurélio de Simoni e os figurinos de Danielly Ramos. As crianças são levadas a um mundo de faz de conta, com ambientes coloridos em que os atores podem se pendurar, penetrar, subir e passear livremente. 

Segundo Gawronski, na peça, o autor gaúcho convida as crianças à reflexão sobre convívio e coletividade. “Não é um texto sobre empoderamento da mulher, nem sobre racismo, gênero, ou etnias se colocando. Mas abrange isso tudo. O Arco-Íris de Caio é uma ode à diversidade. Simboliza um lugar ‘outsider’, alternativo, uma busca pelo utópico, onde todos vivem em harmonia e a diferença é respeitada”, comenta. 

A direção musical da peça é de autoria de João Pedro Bonfá, que mescla canções gravadas e música ao vivo. “Sempre que posso utilizar como trilha sonora o personagem Roque, interpretado pelo ator e músico Tiago Herz, é muito rico”.  Segundo Bonfá, Caio Fernando indica no texto uma letra com o hino da comunidade do Arco-Íris que, nesta montagem, é musicada por Tony Bellotto e por seu filho, João Mader. “A música virou um baita Rock n’ roll no estilo Titãs. Nós gravamos de uma vez, no estúdio, igual banda de rock, com guitarra e bateria. Isso trouxe uma sonoridade final bem interessante”, conta. 

“A Comunidade do Arco-Íris” é um espetáculo que se alinha aos valores que o Centro Cultural Banco do Brasil busca promover em sua programação, como diversidade, sensibilidade artística e estímulo ao pensamento crítico desde a infância. Ao realizar esse projeto, o CCBB SP reafirma seu papel como espaço de diálogo e formação cultural incentivando reflexões sobre respeito, convivência e a valorização das diferenças. “É uma honra receber uma obra tão simbólica e atual, que apresenta o universo do Caio Fernando Abreu às novas gerações com leveza e profundidade, pois acreditamos na força da arte para inspirar novas formas de ver e viver o mundo, e esta peça representa exatamente isso”, afirma Cláudio Mattos, gerente geral do CCBB São Paulo.


Suzana Saldanha e Caio Fernando Abreu
“Apesar de escrita há mais de 40 anos, trata-se de uma peça ecológica e atual. Caio denuncia, naquela época, o mesmo que denuncio hoje, em 2025”, diz Suzana Saldanha, que participou da fundação do inovador Grupo de Teatro Província de Porto Alegre, em 1970, onde trabalhou com Caio Fernando Abreu. “Além de jornalista e escritor, era um belíssimo ator”, lembra. Logo depois, em 1971, Caio escreveu “A Comunidade do Arco-Íris”

“O texto fala de forma poética sobre esse movimento de pessoas se organizando em comunidades, no auge da ditadura. Para nós, artistas, estava muito ruim. Mas nem todos iam da cidade para o campo. Caio foi para uma comunidade em Londres. Já eu fui morar, em 1973, com colegas de faculdade no Centro de Arte Sensibilização e Aprendizagem, onde também funcionava uma escola de teatro, em Porto Alegre”, recorda.

Quando volta ao Brasil em 1979, Caio entrega “A Comunidade do Arco-Íris” nas mãos de “Suzy Baby”, como chamava a amiga Suzana. “Eu fiquei louca com o texto”, lembra a diretora, que, no mesmo ano, estreia o espetáculo sob sua direção. Em 2008, a diretora contribui para a montagem da peça com crianças da Escola Carlitos (SP). 

Em 2018, um novo encontro com a obra: Suzana apresenta o texto ao amigo e produtor Flávio Helder, que se apaixona, e decidem remontá-lo. “Eu quero mostrar ao público o lado amoroso e divertido de Caio Fernando, um autor que ficou muito marcado como porta-voz do mundo gay e que não conheceu a fama em vida, mas que hoje é lido por todos, sobretudo o público jovem”, afirma a artista. 


Ficha técnica
Espetáculo "A Comunidade do Arco-Íris"
Texto: Caio Fernando Abreu
Direção: Suzana Saldanha
Supervisão de direção: Gilberto Gawronski
Elenco: Bianca Byington (Bruxa de pano); Raquel Karro (Sereia), Tiago Herz (Roque), Lucas Oradovschi (Mágico), Lucas Popeta (Gato Simão), André Celant (Soldadinho), Renato Reston (Gato Tião), Patricia Regina (Gata Bastiana), Stand-in ( Bruxa de Pano): Aisha Jambo, Stand-in ( Mágico): Maksin Oliveira
Participação especial em vídeo: Malu Mader
Cenário: Sérgio Marimba
Iluminação: Aurélio de Simoni
Figurinos: Danielly Ramos
Visagismo: Joana Seibel
Direção de movimento/coreografia: Sueli Guerra
Assistência de movimento/coreografia: Edney d’Conti
Composições e supervisão musical: Tony Belloto em colaboração com João Mader
Direção musical: João Pedro Bonfá
Programação visual: Juliana Della Costa
Assessoria de Imprensa em SP: Pombo Correio
Assistente de produção: Sofia Lima
Direção de produção: Jenny Mezencio
Coordenação geral e realização: Flávio Helder e BFV Cultura Esporte
Patrocínio: Banco do Brasil
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil
Instagram: @acomunidadedoarcoiris2024


Serviço
Espetáculo “A Comunidade do Arco-Íris”
Período: 19 de julho a 31 de agosto de 2025
Horário: julho | Sábados e domingos, às 11h00 e às 15h00
Agosto | Sábados, às 11h00 e às 15h00. e Domingos, às 15h00.
Local:  Teatro CCBB SP
Rua Álvares Penteado, 112 - Centro Histórico - SP
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia) disponível em bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB | Meia-entrada: para estudantes, professores, profissionais da saúde, pessoa com deficiência - e acompanhante, quando indispensável para locomoção, adultos maiores de 60 anos e clientes Ourocard. 
Capacidade: 120 lugares
Classificação: Livre
Duração: 60 minutos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.


Informações CCBB SP - Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo  
Endereço: rua Álvares Penteado, 112 - Centro Histórico | São Paulo/SP  
Entrada acessível CCBB SP: pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e outras pessoas que necessitem da rampa de acesso podem utilizar a porta lateral localizada à esquerda da entrada principal.
Funcionamento: aberto todos os dias, das 9h00 às 20h00, exceto às terças    
Contato: (11) 4297-0600 | ccbbsp@bb.com.br 
Estacionamento: o CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas - necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h00 às 21h00.    
Van: ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. Das 12h00 às 21h00.
Transporte público: o CCBB fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista.    
Táxi ou aplicativo: desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).

.: Espetáculo "Uma Peça de Comédia", em nova versão, no Teatro Nair Bello


Em uma versão atualizada, espetáculo do autor Dan Rosseto, narra os desafios enfrentados por um elenco que tenta salvar uma peça ruim e com humor ultrapassado; a montagem fará somente um fim de semana no mês de julho na capital paulista. Foto: divulgação


Nos dias 25, 26 e 27 de julho, no Teatro Nair Bello, o espetáculo “Uma Peça de Comédia”, do dramaturgo, roteirista, ator e diretor Dan Rosseto, abre as portas ao público para a nova versão da obra apresentada em 2023. No elenco, Adriano Paixão, Flávia Pucci, Felipe Caiafa, Lia Antunes e Natália Rabelo; além do próprio Rosseto, que pela primeira vez atua em um texto autoral.

 “Uma Peça de Comédia” acompanha os bastidores dos ensaios do espetáculo "The Fertilization"  (nome fictício de uma peça dentro da peça) que está a uma semana da estreia. O elenco insatisfeito com os métodos de trabalho do diretor, inseguros com o processo de criação e a qualidade duvidosa do texto, interrompem o ensaio para debater falas grosseiras e gags inadequadas, que causam desconforto e constrangimento.

Os atores, preocupados com a recepção do público, tentam convencer o diretor que o texto da peça está ultrapassado; e só enxergam o fim de suas carreiras. Mas o chefe, que tem comportamento egocêntrico e abusivo, não dá espaço e tenta convencê-los do contrário, apesar de ter rompantes de otimismo e paixão pelo ofício teatral. Quando são avisados pelo diretor que uma temida crítica está na plateia, o grupo tenta “desesperadamente” salvar a encenação! É o estopim que acendeu a fogueira das vaidades e promove as confusões. Os egos de cada um eclodem, criando uma atmosfera de competição e hipocrisia, onde as máscaras caem e a razão dá lugar à crueldade.

O espetáculo, através de uma metalinguagem tragicômica, alterna os ensaios com a vida pessoal dos atores traçando um paralelo sobre a ética; afinal tudo aquilo poderia acontecer em qualquer ambiente de trabalho. Ao repensarem o conceito do espetáculo, o texto abre um debate sobre o humor na atualidade: “Como fazer comédia sem ofender?”. Dan Rosseto se inspirou em obras importantes, mas reuniu nesta montagem histórias que ele mesmo vivenciou ao longo de seus 25 anos como artista, apresentando personagens patéticos, levianos e paranoicos, que provocam o riso nervoso por serem hipócritas, completamente ridículos e desprovidos de moral.

As transformações sociais, culturais, de gênero, machismo, sexismo, racismo, etarismo, capacitismo, entre outros temas que vem acontecendo de forma vertiginosa tem provocado debates e gerado diversas questões sobre o que é “politicamente correto”. O humor coloca todos no mesmo nível: palco e plateia, humanizando as partes, fazendo repensar os estímulos de ambos os lados.  É também uma estratégia de sobrevivência, e uma forma descontraída de contribuir para levar informação e um olhar crítico, sem perder o riso e mantendo sua responsabilidade social.


Ficha técnica
Espetáculo "Uma Peça de Comédia" 
Texto e direção: Dan Rosseto
Direção de produção: Fabio Camara
Direção residente e de movimento: Viviane Figueiredo
Elenco:  Adriano Paixão, Flavia Pucci, Dan Rosseto, Felipe Caiafa, Lia Antunes e Natália Rabelo
Preparação vocal: Gilberto Chaves
Preparação corporal: Marize Piva
Iluminação: Beto Martins
Maquiagem: Tainá Araújo
Perucaria: Maurício Somanzari
Arte gráfica e fotografias: Erik Almeida
Assessoria de imprensa: Fabio Camara
Produção executiva: Natália Rabelo Ortega
Realização: Applauzo Produções, Lugibi Produções, Nyn Realizações e EACC.


Serviço
Espetáculo "Uma Peça de Comédia" 
Local: Teatro Nair Bello – Shopping Frei Caneca (Rua Frei Caneca 569 - Consolação). 200 lugares.
Datas: 25, 26 e 27 de julho (Sexta e sábado, às 20h00, e domingo, às 18h00)
Ingressos: R$ 100,00 (inteira) e R$ 50,00 (meia-entrada)
Informações: (11) 3472 2414
Vendas pela internet: https://bileto.sympla.com.br/event/107544
Duração: 100 minutos
Classificação: 14 anos

.: Comédia "O Marido da Minha Mulher" em nova temporada no Teatro D-Jaraguá


Espetáculo mistura humor e fantasia com grande elenco e estreia uma curta temporada, em São Paulo, no dia 26 de julho. Foto: Ronaldo Gutierrez


Depois do sucesso de sua primeira montagem, a comédia “O Marido da Minha Mulher” retorna aos palcos em nova e curta temporada no Teatro-D-Jaraguá, a partir de 26 de julho, com sessões aos sábados e domingos. A peça, que mistura humor rasgado com elementos sobrenaturais, marca presença na programação do recém-inaugurado teatro e aposta em um elenco carismático formado pela atriz e influenciadora digital Fefe (em sua estreia no teatro) e pelos atores Daniel Rocha, Ton Prado e Conrado Caputo.

Na trama escrita por Sérgio Abritta e dirigida por Carlinhos Machado, o fanfarrão Alex (Daniel Rocha) morre após um acidente inesperado, mas retorna do além para impedir que sua esposa, Bruna (Fefe), se case com seu maior desafeto, o esnobe Nico (Conrado Caputo). Para atrapalhar os planos do rival, Alex contará com a ajuda de seu melhor amigo Paulo (Ton Prado), num enredo repleto de situações hilárias, mal-entendidos e pitadas de emoção.

O espetáculo marca a estreia teatral da influenciadora digital Fefe, que soma mais de 17 milhões de seguidores. “No palco tudo é diferente. É um desafio de postura, timing, linguagem... mas vale muito a pena”, comenta. Já Ton Prado, que participou das montagens anteriores, vê essa nova versão como uma oportunidade de renovação: “É uma nova geração assistindo. Mesmo quem não acredita em fantasmas vai se divertir com a analogia sobre evolução e libertação da alma”, diz.

Para Daniel Rocha, conhecido do grande público por sua participação em diversas novelas na TV Globo, o personagem Alex é um tipo totalmente distante dele: “É um torcedor inflamado do Corinthians que deixa de viver momentos importantes com a família pra farrear com os amigos. Faz tudo errado. Eu não faria isso”, brinca o ator.


Um susto nos bastidores
Durante a gravação de uma versão da peça para a HBO Max, feita em Paranapiacaba, cidade conhecida por suas histórias de assombração, Daniel Rocha passou por um momento curioso: “Uma senhora tinha acabado de limpar e trancar um vagão. De repente, uma mão de criança apareceu no vidro... e não havia crianças no set”, relembra. Agora, o susto dá lugar à gargalhada - pelo menos no palco.


Ficha técnica
Espetáculo "O Marido da Minha Mulher"
Texto: Sérgio Abritta
Direção: Carlinhos Machado
Elenco: Conrado Caputo, Daniel Rocha, Fefe e Ton Prado
Assistente de direção: José Grando
Desenho de luz: Cesar Pivetti
Trilha sonora: Charles Dalla
Operação de luz: Pablo Perosa
Operação de som: Kaique Andrade
Direção de palco: Bruno Caraíba
Cenário: Thiago Wenzler
Cenotécnico: Tony Medugno
Fotografia: Ronaldo Gutierrez
Mídias sociais: Ton Prado
Assessoria de imprensa: Dobbs Scarpa Multiplataformas – Fábio Dobbs


Serviço
Espetáculo "O Marido da Minha Mulher"
Temporada: de 26 de julho a 7 de setembro de 2025, sábados, às 20h00, e domingos às 19h00
Duração: 75 minutos
Classificação Indicativa: 12 anos
Local: Teatro-D-Jaraguá Rua Martins Fontes, 71, Centro (Metrô Anhangabaú)
Capacidade: 260 lugares
Bilheteria: presencial a partir de 2 horas antes do início do espetáculo ou pelo link Sympla - https://bileto.sympla.com.br/event/107657
Ingressos: R$ 150,00 (inteira) e R$ 75,00 (meia)
Estacionamento: Estapar na entrada principal do hotel com valor reduzido ao teatro de R$ 20,00 por até quatro horas, valorizando a experiência do teatro + restaurantes do hotel

.: "Laudelina" propõe mergulho na luta das trabalhadoras domésticas negras


Com direção de Luiza Loroza, solo protagonizado por Rafaele Breves é inspirado na trajetória de Laudelina de Campos Mello, figura importante na luta pelos direitos trabalhistas no país. Foto: Juliana Nascimento

A SP Escola de Teatro - Centro de Formação das Artes do Palco recebe em julho o espetáculo "Laudelina", solo poético-documental que costura memória, política e ancestralidade a partir da trajetória de Laudelina de Campos Mello - trabalhadora doméstica, militante e uma das figuras mais emblemáticas da luta por direitos trabalhistas no Brasil. O espetáculo cumpre temporada até dia 27 de julho, na Sala Alberto Guzik, com apresentações gratuitas às sextas e sábados, às 20h30, e domingos, às 18h00.

Com dramaturgia inédita assinada por Cristiane Sobral e Rafaele Breves e direção de Luiza Loroza, a montagem é protagonizada pela atriz Rafaele Breves, que entrelaça a história de Laudelina com memórias íntimas de sua própria linhagem familiar. “É um corpo em cena que traz não só a força das lutas passadas, mas também o peso e a beleza do que herdei das mulheres da minha família, que como Laudelina, foram cozinheiras, faxineiras, babás. E com esse solo, eu conto essa história como quem costura um tecido ancestral, ponto por ponto”, afirma Rafaele.

Realizado pela Dupla Companhia, grupo sediado no interior paulista, o projeto reúne uma equipe formada majoritariamente por mulheres negras de diferentes regiões do país, conectando experiências do Rio de Janeiro, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo e Pará. Para Lucas Gonzaga, diretor artístico da companhia, o espetáculo dá continuidade a uma pesquisa que atravessa diversas montagens do grupo: “Temos como eixo a investigação entre Território, Memória e Identidade. 'Laudelina' surge como um gesto de escuta e permanência. Não é uma biografia encenada, mas uma evocação poética das vozes que foram apagadas da história oficial”.

Entre relatos íntimos, registros históricos e imagens de resistência, a peça convida o público a refletir sobre os impactos do trabalho doméstico na vida de milhares de mulheres negras brasileiras, muitas vezes invisibilizadas, exploradas e esquecidas. “Descolonizar, às vezes, é descansar. É interromper o ciclo da exaustão, da obediência forçada, da entrega sem retorno. Com esse trabalho, queremos propor imaginação, invenção e desordem como formas de resistência”, pontua Rafaele.

Laudelina também destaca o esforço coletivo da Dupla Companhia em propor novas narrativas e estéticas para os palcos brasileiros. O grupo, que já encenou montagens como "As Três Marias" (2022), "Ícaros" (2024) e ”Nise em Nós” (2025), mantém seu compromisso com produções que promovem interseções entre arte, educação e memória. “Estamos falando de um teatro que parte do chão da vida real, mas que se permite sonhar - porque, como dizia Fanon, 'não se pode construir o que não se pode imaginar’”, conclui Gonzaga. O espetáculo tem realização da Dupla Companhia, em parceria com o Ministério da Cultura do Governo Federal e a Secretaria de Estado da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo.


Ficha técnica
Espetáculo "Laudelina"
Atuação, texto inédito e idealização: Rafaele Breves
Direção e cenografia: Luiza Loroza
Texto inédito: Cristiane Sobral
Figurinos: Nilo Mendes
Iluminação: Dara Duarte
Visagismo: Claudinei Hidalgo
Assistente de cabelo e maquiagem: Pedro Torriani
Cenotécnica: Bruna Boliveira
Trilha sonora: João Loroza
Identidade visual: Laís Oliveira
Fotografia: Juliana Nascimento
Direção de comunicação: Rafaele Breves
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Idealização, direção de produção, vídeos e operação de som: Lucas Gonzaga
Produção executiva: Miranda Gonçalves


Serviço
Espetáculo "Laudelina"
Às sextas e aos sábados, às 20h30, e aos domingos, às 18h00
SP Escola de Teatro - Sala Alberto Guzik (R1) - Praça Franklin Roosevelt, 210, Consolação, São Paulo
Ingressos: Gratuitos. Retiradas somente pela internet na Sympla SP Escola de Teatro - www.sympla.com.br/produtor/spescoladeteatro
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 80 minutos
Capacidade: 60 lugares
Acessibilidade: sala acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida, tradução simultânea para língua brasileira de sinais, audiodescrição, visita tátil para pessoas não videntes.

sexta-feira, 18 de julho de 2025

.: Entrevista com Edson Aran: Machado, Drácula e outras heresias deliciosas


Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: arte feita a partir de foto publicada no Instagram @edsonaran.

Imagine o seguinte: Brás Cubas andando distraidamente pelas ruas do Rio de Janeiro enquanto Capitu, mais instável do que nunca, recebe uma visita noturna do conde Drácula - e tudo isso sob o olhar nada complacente de Quincas Borba, que talvez tenha finalmente encontrado um adversário à altura do Humanitismo. Se essa cena parece um delírio febril de um crítico literário viciado em absinto, é porque você ainda não leu "Quincas Borba e o Nosferatu", o novo e audacioso romance de Edson Aran, autor que há anos reescreve, com ironia e precisão, os manuais de estilo da literatura nacional.

Aran - que já foi cartunista, editor de revistas masculinas, roteirista de TV, criador de memes, cronista ácido, conspirólogo confesso e um dos poucos homens que podem dizer que superaram a revista Playboy - volta ao romance com um livro que mistura Machado de Assis, Bram Stoker e um senso de humor afiado como as presas do vampiro em questão. O resultado? Uma obra que desafia puristas, diverte iconoclastas e talvez incomode mortos ilustres.

Nesta entrevista exclusiva para o Resenhando.com, Aran abre o caixão de suas ideias, morde o pescoço dos clássicos e lembra a todos, com irreverência e elegância, que a literatura continua sendo o melhor dos vícios - mesmo quando escrita com sangue e sarcasmo. É uma conversa sem crucifixos nem pudores. Compre o livro "Quincas Borba e o Nosferatu" neste link.


Resenhando.com - Como foi transformar a ironia machadiana em terreno fértil para criaturas das trevas?
Edson Aran - Esse foi um desafio dos mais divertidos. “Quincas Borba e o Nosferatu” é um romance polifônico construído com cartas, diários e notícias de jornal, exatamente como o “Drácula” de Bram Stoker. Só que dois dos narradores - Brás Cubas e Bento Santiago - não são confiáveis. Cubas continua sendo o dândi cínico de “Memórias Póstumas” e entra na história mais por tédio e vaidade, do que para entender a natureza dos fatos. Bentinho é ciumento, inseguro e não tem muita convicção do que presenciou. A mistura do romance gótico de Bram Stoker com a narrativa irônica do Machado reforça o horror da história. Porque, veja bem, “Quincas Borba e o Nosferatu” não é um livro de humor. É uma história de terror com momentos bem-humorados, é outra coisa.


Resenhando.com - Qual foi o limite ético (ou estético) que você precisou ignorar para colocar Brás Cubas e Capitu sob o mesmo teto que um vampiro sedento e aristocrata? A provocação foi literária ou existencial?
Edson Aran - Ao contrário de Capitu, eu sou fiel aos meus amores. Os personagens do Machado estão lá com todas suas características originais. Quincas Borba ainda é o filósofo meio doido que criou o Humanitismo. Capitu ainda é uma mulher sedutora e impulsiva de olhar oblíquo e dissimulado. Bento Santiago ainda é o marido ciumento e melindrado (talvez apenas um pouquinho mais cruel no meu livro do que em “Dom Casmurro”). Escobar é o mesmo Escobar, Sancha é a mesma Sancha e Drácula é o mesmo Drácula. Só Capituzinha, a filha de Sancha e Escobar, é um pouco mais levada no meu livro, mas criança tem que ser levada mesmo.


Resenhando.com - Você acredita que Machado de Assis teria rido ou processado você? E, no Tribunal das Letras, quem seria seu advogado: Kafka, Stan Lee ou Ariano Suassuna?
Edson Aran - Acho que Machado se divertiria muito com “Quincas Borba e o Nosferatu”. Bram Stoker também, por falar nisso. Antes de serem capturados e mantidos em cativeiro pelos acadêmicos, esses escritores produziam folhetins publicados regularmente em jornais e revistas. Era o streaming da época. Se Machado estivesse vivo, ele estaria escrevendo a novela das nove, talvez com Bram Stoker na sala de roteiro. Literatura é pra ser lida, não pra juntar poeira na estante. Tenho a impressão de que Machado gostaria de ver seus personagens ganhando vida numa narrativa contemporânea, mas com raízes na obra que ele escreveu. Eu não ia precisar de advogado, não. Principalmente se fosse o Kafka, que nunca ganhou um processo.


Resenhando.com - No Brasil atual, o que assusta mais: um Nosferatu rondando o Paço Imperial ou a ascensão de políticos que não leem nem bula de remédio?
Edson Aran - Ando bastante desanimado com o Brasil. Quer dizer, deixa eu explicar. Por um lado, sou muito fã da minha geração e acho que a gente mandou e manda muito bem na cultura, no jornalismo e na literatura. Estou com 62, então coloco nessa turma gente como a Fernanda Torres, a Debora Bloch, o Claudio Manoel, o Marçal Aquino, o Renato Russo...não dá pra reclamar, né? Agora, na política, foi um desastre. Fizemos o mesmo que todas as gerações anteriores: falhamos totalmente em tirar o país da estagnação burocrática, política e econômica. Mas olha, você acha que “Quincas Borba e o Nosferatu” não reflete essa melancolia? Achou errado, pois reflete.


Resenhando.com - Você tem um histórico marcante com o humor gráfico e a cultura pop. Quais personagens dos gibis ou da pornografia elegante dos anos 90 você gostaria de ver em um “cross-over literário” nos moldes de Quincas Borba e o Nosferatu? 
Edson Aran - Os quadrinhos vivem fazendo crossover desde sempre, então não tenho muito o que acrescentar não. E a literatura erótica não tem personagens muito marcantes. A não ser que a gente inclua “Drácula” nesta categoria, coisa que faz sentido pra mim. E talvez “Dom Casmurro”, já pensou? Será que Bentinho, no fundo, no fundo, não se excita com a ideia de Capitu se entregar ao Escobar? Será que aquilo tudo não é a fantasia sexual de um seminarista travado? Mas, voltando à pergunta, é bem possível que eu promova outros encontros inusitados no futuro. Será que “Quincas Borba e o Nosferatu” é o início de um multiverso? Quem sabe, quem sabe...


Resenhando.com - Existe alguma personagem da literatura brasileira que você jamais ousaria parodiar? É por reverência, medo ou falta de graça mesmo? 
Edson Aran - O humor é por natureza irreverente. Quando a reverência entra pela porta da frente, o humor sai pela porta dos fundos. Mas eu não faria paródia com o José de Alencar, por exemplo. Eu teria que reler os livros dele e a vida é muito curta. É a mesma coisa com “O Ateneu” do Raul Pompéia, com aqueles paragrafões de cinco quilômetros sem ponto final. Seria divertido zoar isso, mas quem leu esse troço até o fim? Quem ia entender a piada? A paródia é uma forma de homenagem e, quando é bem-feita, também é uma declaração de amor.


Resenhando.com - Você já criou a Telma Luíza, o Romero morto-vivo e até um livro de epitáfios. Quem você gostaria que assinasse seu próprio obituário - e o que gostaria que dissesse? 
Edson Aran - O obituário é um ótimo gênero literário porque o personagem nunca reclama, mas eu prefiro ser autor do que objeto. Já o meu epitáfio está no “Aqui Jaz – O livro dos epitáfios”: “Agora sim... espirituoso”.


Resenhando.com - No seu livro anterior, você brincou de reescrever a história literária brasileira. Se pudesse reescrever a história do jornalismo cultural brasileiro, qual revista você salvaria do esquecimento - e qual apagaria com gosto?
Edson Aran - De muitas maneiras, “Quincas Borba e o Nosferatu” é uma continuação de “Histórias Jamais Contadas da Literatura Brasileira”, só que num outro gênero, o horror. O jornalismo cultural teve bastante coisa interessante: Senhor, VIP, Playboy, Realidade, Oitenta, Pasquim... muita coisa boa. Mas eu não apagaria nenhuma revista da história não. A gente sequer lembra delas, pra quê apagar?


Resenhando.com - Seu livro tem Capitu, mas e Bentinho, foi cancelado, virou coach ou está preso na Cracolândia dos ciumentos anônimos?
Edson Aran - Bentinho foi um homem demasiadamente apaixonado e inseguro. Tudo o que ele fez na vida - largar o seminário, aproximar Sancha de Escobar - foi por causa de Capitu. E aí ele foi traído. Por Capitu e Escobar, seu melhor amigo. E, veja, Bentinho vivia no Rio de Janeiro do Segundo Império, não no Leblon do Terceiro Milênio. A infidelidade na época era um tremendo problema social, principalmente quando era explícita (e o romance é cheio de detalhes sobre isso, todo mundo sabia). Só que a traição de Capitu o tornou um homem demasiadamente cruel, característica eu ressalto em “Quincas Borba e o Nosferatu”. Agora, essa bobagem de que Capitu nunca traiu, que vejo muita gente defendendo, é uma atitude moralista sem-noção. Coisa de seminarista católico, igual ao Bentinho. Como assim, não traiu? Capitu deu sim. Deu muito. E daí? Ela continua sendo uma personagem fascinante, intrigante e apaixonante. Talvez porque tenha pulado a cerca sem medo de ser feliz. Deixa ela, pô.


Resenhando.com - Se fosse possível exumar um autor morto para conversar sobre seu novo romance, quem você traria à vida por uma noite - e o que pediria que ele lesse em voz alta para você e o Drácula?
Edson Aran - Conversei algumas vezes com o Millôr Fernandes, mas ele faz muita falta neste Brasil empacado no tempo. Então eu o traria de volta não apenas por mim, mas pelo país. Também enviaria uma cópia do livro para o Ivan Lessa, claro, que certamente retribuiria com um e-mail econômico, mas cheio de sacadas. Quando escrevi o “Delacroix Escapa das Chamas”, foi o Ivan quem inventou o conceito “um romance em quatro tempos” para um livro de quatro narrativas independentes. E com certeza eu mandaria o livro para o Jô Soares. Com certeza. A gente trocava muitas mensagens nos meus tempos de Playboy e tive a honra de ler “As Esganadas” antes de todo mundo. Eu gostaria muito de ouvir o autor de “O Xangô de Baker Street” sobre “Quincas Borba e o Nosferatu".


.: Crítica musical: Beto Viana estreia com a "Matriz Infinita do Sonho"


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Flora Negri

"Matriz Infinita do Sonho" é o nome do disco de estreia do músico pernambucano Beto Viana. Um trabalho de camadas interessantes e aparentemente simples nas composições, que traz novo frescor para a MPB. Segundo o autor, o trabalho é sobre como todos carregamos em nós a possibilidade e a necessidade de sonhar, a capacidade de criar mundos dentro do mundo, que é o ofício do compositor e do artista em geral. "Matriz Infinita do Sonho" é um verso de Joaquim Cardozo que se encontra no seu poema "Visão do Último Trem Subindo ao Céu", a quem o disco presta homenagem.

Para lançar seu álbum de estreia, Beto abriu a gaveta onde guardava, há anos, poemas, construções melódicas e boa parte das suas inspirações. Esse material foi a matéria prima com a qual ele começou a transformar, em parceria com Negro Leo, produtor do álbum, suas construções poéticas. Da palavra sentida e escrita para a palavra cantada. As nove canções de “Matriz Infinita do Sonho” são o resultado final de um processo de criação que já duram alguns anos e que mira a visão particular e peculiar de Beto sobre o sagrado e o sensível.

“Matriz Infinita do Sonho” conta com mais de 20 profissionais da música, num trajeto que une estúdios no Rio de Janeiro, Recife e Gravatá, no Agreste pernambucano. Nomes como o Junio Barreto, que divide os vocais com Beto na música “Dandara”, além do pianista Vitor Araújo, o percussionista Gilu Amaral, o baterista Thomas Harres, Pedrinhu Junqueira e Thiago Nassif, nas guitarras, e Pedro Dantas, no baixo.


"Dandara"

"Yara do Mar"

.: Netflix leva Valter Hugo Mãe à Flip em mesa sobre adaptação de livro


O escritor português Valter Hugo Mãe é presença confirmada na 23ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty. A convite da Netflix, a mesa com participação do autor une cinema e literatura: no espaço Esquina piauí + Netflix, Valter falará pela primeira vez sobre a adaptação do livro "O Filho de Mil Homens", que chega à Netflix ainda em 2025. O diretor e roteirista do longa, Daniel Rezende ("Bingo - O Rei das Manhãs", "Turma da Mônica - Laços"), e a diretora de filmes da Netflix Brasil, Higia Ikeda, também participam da conversa, que contará com a mediação de Alejandro Chacoff, editor de literatura da Revista piauí. Acontece no dia 1° de agosto, às 17h30. 

Já a mesa "Escritor de Dois Mundos - Valter Hugo Mãe", anunciada e incluída na programação oficial da Flip, conta com a mediação de Walter Porto, e celebra a volta do escritor 14 anos depois de uma das mesas mais icônicas da Flip, para falar de sua obra que continua a fazer sucesso no Brasil, assim como de desdobramentos importantes, como o lançamento do filme baseado no livro "O Filho de Mil Homens". Ela acontece no dia 1° de agosto, às 13h30 e em breve, os ingressos estarão disponíveis para compra no site do evento. Compre o livro "O Filho de Mil Homens" neste link.


Do livro à tela
Com Rodrigo Santoro no papel principal, o filme "O Filho de Mil Homens" conta a história de Crisóstomo, um pescador solitário que, aos 40 anos, sente o vazio da ausência de um filho e sonha em ser pai. Em sua busca por relacionamentos verdadeiros e profundos, ele encontra Camilo, um menino órfão, e decide criá-lo, construindo uma família atípica e singular. Gravado entre Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, e em Iguatu (Chapada da Diamantina),  na Bahia, o longa é produzido pela Biônica Filmes e Barry Company. O elenco conta também com Rebeca Jamir, Johnny Massaro, Miguel Martines, Juliana Caldas, Grace Passô, Inez Vianna, Lívia Silva e Antonio Haddad. Mais informações sobre a programação da Esquina piauí + Netflix serão divulgadas em breve. Compre o livro "O Filho de Mil Homens" neste link.


Serviço
Esquina piauí + Netflix: FLIP 2025
Mesa "O Filho de Mil Homens - do Livro às Telas: Esquina piauí + Netflix"
Dia 1° de agosto, às 17h30
Rua Dr. Pereira 139, Centro Histórico de Paraty/Rio de Janeiro
De 31 de julho a 3 de agosto de 2025

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