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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

.: “Ecos do Antropoceno”: livro de Luiz Villares expõe o custo real do progresso


"Ecos do Antropoceno - Legados, Interesses e Caminhos", publicado pela Editora Casa Matinas, é o resultado de quase três décadas de trabalhos, aprendizados, estudos e reflexões do ambientalista Luiz Villares. Ele reuniu sua longa experiência que começa com a militância pela defesa do Parque Estadual de Ilhabela, passa pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo, e chega à FAS (Fundação Amazônia Sustentável), a maior organização sem fins lucrativos no Brasil pela conservação da Amazônia, da qual foi diretor financeiro por 16 anos.

Além de trazer um panorama atualizado (que inclui os resultados da recente COP30, realizada em Belém, em novembro de 2025) das grandes questões ambientais contemporâneas, Ecos do Antropoceno analista os fenômenos do aquecimento global, das catástrofes climáticas, do desmatamento e destruição da natureza, entre outros, pelo diapasão central da macroeconomia: sem transformações profundas nos modelos de crescimento econômico e na “financeirização” dominante na economia global, a transição imprescindível para um mundo sustentável não se realizará.

“Este é o paradoxo contemporâneo: quanto mais cresce o PIB global, mais crescem os desastres ambientais e ecológicos - e pior: em velocidade maior do que as soluções que poderiam mitigar os problemas”, afirma Villares. A obra demonstra claramente e com abundância de números que investimentos em prevenção dos desastres ecológicos são mais baratos (e mais sensatos) do que os dispendiosos custos — em um cenário de Estados-nações endividados — de reparação desses desastres; e que, se uma parcela dos ainda gigantescos investimentos em fontes de energia fóssil ou em armamentos fosse empregada na transição para energias limpas, poderíamos atingir com mais celeridade os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Segundo o autor, o mundo gasta mais de US$ 2,3 trilhões em armamentos. "A metade desse valor seria mais do que suficiente para o financiamento das necessidades de adaptação climática no mundo". Luiz Villares, em um dos pontos fundamentais do livro, sublinha que o desequilíbrio ambiental contribui decisivamente para o aumento da desigualdade social: as populações mais pobres sofrem mais as consequências devastadoras do aquecimento global e dos desastres climáticos, embora sejam as faixas de população que menos contribuem para a emissão de carbono, por exemplo. Nesse sentido, os mais pobres são, de maneira perversa, duplamente penalizados na época em que homens passaram a se dedicar à destruição da natureza. Desigualdade gera mais desigualdade.

Outro ponto de atenção do livro é para a mudança profunda sobre a questão ambiental que está ocorrendo na China. De maior poluidora do mundo ela está se transformando em liderança global em políticas ambientais. Na vanguarda da utilização da energia solar, na eletrificação dos carros, no uso das bicicletas como meio de transporte, na construção de data centers no fundo do mar (abastecidos por energia eólica), o programa do Estado chinês chamado de “Civilização Ecológica” é o mais planejado e estruturado de que se tem notícia. O país tem 1.100 usinas que processam 800 mil toneladas de lixo, gerando renda onde só havia desperdício; a poluição do ar diminuiu sensivelmente nos últimos 15 anos; o programa Grande Muralha Verde é o mais ambicioso em termos de se devolver matas e florestas em solo degradado.

 Antropoceno é uma palavra relativamente nova. A Humanidade precisou criá-la para classificar o período geológico que se iniciou com a Revolução Industrial, na Inglaterra, no século XVIII. Como diz o ambientalista Luiz Villares, ele marca a idade “em que começamos a extrair da natureza mais do que ela é capaz de nos oferecer”. Ou seja, o oposto da sustentabilidade, que é a capacidade de atender às necessidades do presente sem comprometer as condições de vida do futuro.

Ao lado de temas mais conhecidos sobre o ambientalismo, o livro nos apresenta conceitos que ajudam a compreender os fenômenos e ideias para superá-los, como o green new deal e o ecocentrismo. A diplomacia e a justiça climáticas, a água valendo mais do que o petróleo, as novas demandas por energia dos hiper data centers, o desaparecimento das abelhas, a morte dos recifes de corais, o ativismo jovem, além das oportunidades que se apresentam para o Brasil pós COP30, são outros assuntos abordados neste livro.

Luiz Villares é ambientalista, com formação em gestão internacional e extenso trabalho em organizações socioambientais; foi Conselheiro Estadual do Meio Ambiente de São Paulo e do primeiro time da Fundação Amazônia Sustentável, a maior organização sem fins lucrativos dedicada à Amazônia. Autor de estudos acadêmicos sobre sustentabilidade e blockchain, é colaborador de publicações internacionais. Também velejador e músico, baterista da banda Lost in Translation, liderada pelo escritor Marcelo Rubens Paiva, autor de Ainda estou aqui.

"Ecos do Antropoceno" é o primeiro livro lançado pela Casa Matinas, que se dedica a reedição de livros imperecíveis no sistema de impressão sob demanda (POD). A editora modificou seu projeto editorial pelas afinidades com as ideias defendidas no livro de Luiz Villares. Além de evitar desperdício de papel e de combustível fóssil na distribuição com o print-on-demand, a casa matinas usa o papel Polén Natural e a impressão em tinta a base de água. As capas minimalistas, o projeto gráfico limpo e a economia em uso de fontes tipográficas (criadas por artista tipográfico brasileiro) também foram pensadas para nos furtarmos aos esperdícios comuns na produção de livros.

domingo, 18 de janeiro de 2026

.: Patrick Selvatti entre envelhecimento e desejo em novo romance


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Escritor, jornalista e finalista do Concurso de Dramaturgia da TV Record, Patrick Selvatti voltou à ficção. Em “Ainda Sou Mar”, romance digital lançado pela Amazon, o autor deixa para trás a adolescência prolongada que marcou parte de sua obra e avança para um terreno mais áspero: o de um homem que já foi desejado, já foi referência e agora precisa lidar com o fim do próprio protagonismo.

Marlon Petit tenta entender onde ainda cabe. Ex-modelo internacional, ele circula pelo Rio de Janeiro entre praias, sessões de terapia improvisadas e encontros sexuais que já não prometem permanência. Selvatti constrói esse mosaico sem suavizar o universo gay masculino nem transformar seus personagens em exemplos edificantes. O sexo aparece com crueza, mas nunca como ornamento ou provocação vazia. Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, o autor fala sobre envelhecimento, desejo, racismo, apagamento profissional e o desconforto de seguir em movimento enquanto o mundo insiste em não esperar ninguém.



Resenhando.com - Você escreveu recentemente dois romances que dialogam com fases diferentes da vida: juventude e maturidade. Em que momento percebeu que precisava escrever sobre o envelhecimento do desejo com "Ainda Sou Mar"?
Patrick Selvatti - Tenho uma marca autoral registrada muito forte relacionada à juventude. Do meu romance de estreia, "Os Filhos da Revolução", até agora, com "A Orquídea e o Beija-flor", abordo muito a juventude. Coincidentemente, ambas histórias nasceram quando eu era adolescente. Percebi que precisava evoluir para a faixa madura quando eu próprio cruzei esse limiar. A partir dos 40 anos, eu comecei a notar o silêncio em torno desse tema. O desejo envelhece, mas a narrativa sobre ele some! Existe uma espécie de pacto social, especialmente dentro do meio gay, que associa erotismo à juventude eterna. Quando o corpo começa a mudar, o desejo vira algo quase vergonhoso, deslocado... Escrever sobre isso é uma tentativa de romper esse silêncio e de me recusar a aceitar que o afeto e o tesão tenham prazo de validade.


Resenhando.com - Marlon Petit foi um corpo desejado, consumido e descartado. Em algum ponto da escrita você sentiu que estava narrando menos a história de um personagem e mais a anatomia cruel de um sistema que transforma pessoas em fetiche?
Patrick Selvatti - Totalmente. Marlon Petit é menos um indivíduo isolado e mais um corpo atravessado por um sistema que valoriza, usa e descarta. A escrita foi revelando isso aos poucos: não se trata apenas de quem ele é, mas do lugar que o mercado do desejo reserva para certos corpos em determinados momentos da vida. O romance acabou se tornando uma espécie de autópsia emocional desse mecanismo cruel que, como o próprio personagem diz, "te mastiga e te cospe". E ele não se refere apenas ao desejo sexual, mas também ao comercial, onde um corpo, mesmo considerado mito para a mídia, é rapidamente substituído.


Resenhando.com - O que você pensa que mais incomoda hoje em “Ainda Sou Mar”: a explicitude do sexo ou o fato de um homem gay de 42 anos ainda desejar, sofrer e sentir medo de desaparecer?
Patrick Selvatti - Espero que incomode mais o segundo ponto, viu? Afinal, ainda há um falso moralismo em relação a tudo que envolve o sexo, né? Mas a literatura erótica não é uma ferramenta exclusiva do homem gay, que, por tantas vezes, é acusado de promiscuidade. Tanto que os maiores best sellers do gênero dialogam com mulheres, donas de casa que, hoje, consomem narrativas como as da trilogia "365 Dias" assim como minha mãe lia as coleções "Bianca", "Júlia" e "Sabrina" no passado. Aqui, o sexo explícito é quase um álibi moral para alcançar o debate real. A pornografia atrai e fascina, mas não aprofunda. E o meu intuito é que o que realmente desconcerte não seja o realismo cru da narrativa, mas a ideia de que um homem gay maduro ainda sente, deseja, erra e sofre... Existe uma expectativa silenciosa de que, passado um certo tempo, o desejo deveria se aposentar junto com o corpo, e isso é profundamente violento!


Resenhando.com - Ao criar um influenciador de 19 anos como reflexo do protagonista, você quis denunciar uma herança simbólica tóxica ou admitir que todos, em alguma medida, aprendem a desejar de forma equivocada?
Patrick Selvatti - Existe uma herança simbólica sendo passada adiante, sim, mas ela não surge do nada. Todos nós aprendemos a desejar dentro de estruturas que associam valor à aparência, poder à juventude e afeto à performance. O jovem não é vilão, ele é produto e espelho. O romance tenta mostrar esse ciclo sem simplificações morais. Mas a ligação do personagem Mateus com Marlon vem em camadas que vão se apresentando de forma muito poética. E dialoga muito também com questões parentais que, segundo Freud, pautam o fetiche. Para mim, a passagem mais bonita do livro é quando os personagens que representam as três gerações se unem e, literal e poeticamente, se despem uns para os outros em uma praia de nudismo. Ali, eles falam do desejo sexual, mas também do ponto que mais os fere: suas relações parentais. É bonito e eu me emocionei escrevendo!


Resenhando.com - O vizinho negro sexagenário carrega o peso do estereótipo do “preto bem-dotado”. Ao escrever esse personagem, o que mais incomodou você: expor o racismo estrutural do desejo ou perceber o quanto ele é reproduzido dentro da própria comunidade gay?
Patrick Selvatti - Na realidade, Alex surge na narrativa como o espelho que Marlon não quer ver. Ele "despreza" o vizinho que se instala ao seu lado em plena pandemia por representar aquilo que ele enxerga que será seu futuro: um homem gay maduro e solitário que apela ao sexo pago para se sentir desejado. Isso é muito forte! Independentemente da cor da pele, Alex simboliza a velhice gay que a comunidade isola. Mas sempre me incomodou perceber o quanto esse racismo ligado à objetificação é naturalizado e reproduzido internamente. Não se trata apenas de um olhar branco sobre o corpo negro, mas de um sistema de desejo que se perpetua mesmo entre quem também é marginalizado. O próprio Alex busca corpos pretos, jovens e instrumentalmente avantajados para se satisfazer. Ele carrega essa contradição no corpo e na afetividade, e isso torna sua dor ainda mais complexa. Foi uma escolha necessária que o personagem fosse preto, sexagenário, bem-dotado e passivo. E sua profissão, bombeiro que apaga incêndios e salva-vidas no mar, não é à-toa: o personagem luta para conter suas próprias chamas e, ao mesmo tempo, não se afogar no mar revolto.


Resenhando.com - No livro, o marido dermatologista que vive da estética íntima masculina é uma provocação direta à indústria da perfeição. Você acredita que o culto ao corpo se tornou uma nova forma socialmente aceita de autoviolência?
Patrick Selvatti - Acredito plenamente. Quando o cuidado vira obsessão e a autoestima depende de procedimentos, métricas e validação externa, há violência, ainda que bem embalada. O culto ao corpo, hoje, opera como uma exigência social disfarçada de escolha individual. É uma forma elegante de coerção. No meio gay, ela também vem muito associada à distorção da virilidade e da potência: tamanho vira documento. E há o agravante de o personagem Benício sofrer de uma compulsão sexual diagnosticada. A doença está ali, sendo tratada, ainda que maquiada pelo discurso bonito da harmonização. Essa relação conjugal também espelha uma realidade atual que merece uma lente de aumento: até que ponto o amor livre é saudável e uma escolha de mão dupla? É polêmico isso...


Resenhando.com - Seu romance escancara o universo gay masculino sem suavizações. Existe uma cobrança, seja ela explícita ou silenciosa, para que narrativas LGBTQIAPN+ sejam sempre edificantes, pedagógicas ou “exemplares”?
Patrick Selvatti - Talvez se espere que personagens LGBTQIAPN+ representem uma espécie de manual de conduta ou um discurso politicamente correto permanente. Mas isso seria injusto e limitador. Personagens têm o direito de ser contraditórios, falhos, incômodos... A ficção não precisa pedir desculpas por mostrar zonas sombrias. O ser humano, por essência, é complexo. Em diversas situações, Marlon pode deixar de ser vítima para ser algoz. Uma leitora me escreveu que não sabe se sente pena ou raiva dele em diversos momentos. E é exatamente sobre isso.


Você bebe na fonte da teledramaturgia e assume o folhetim como linguagem. Em tempos de literatura que tenta parecer séria demais, o exagero emocional ainda é um ato de resistência narrativa?
Patrick Selvatti - O exagero emocional da dramaturgia sempre foi uma forma de dizer verdades que o realismo contido não alcança. O folhetim entende que sentimento também é estrutura narrativa. Em um momento em que tudo precisa parecer asséptico e intelectualizado, assumir emoção, melodrama e intensidade é, sim, um gesto de resistência. Estamos em um momento peculiar do nosso audiovisual, onde as tradicionais novelas precisam se render ao ritmo alucinante das séries e do consumo rápido do digital. Mas também é o momento em que o Brasil está se curvando ao seu cinema, sabendo valorizar narrativas mais profundas e com mais pausas. "Ainda Sou Mar", inclusive, nasceu de um argumento para um filme. E ele está pronto para se tornar um. 


As ilustrações criadas com auxílio de Inteligência Artificial tensionam o debate sobre autoria e imagem. Para você, elas ampliam a experiência literária ou revelam o quanto a literatura também está refém da lógica visual das redes?
Patrick Selvatti - As ilustrações foram uma escolha consciente e que conduziram toda a narrativa. As imagens foram nascendo junto com a história - muitas delas, aliás, fizeram com que passagens da narrativa nascessem - tal qual ocorre com o storyboard de um filme. "Ainda Sou Mar" não seria o mesmo romance sem o apelo visual, a retratação em imagens. É uma história sobre estética, e as ilustrações contam essa história. Para o leitor, elas ampliam a experiência, mas também podem escancarar essa dependência da imagem, sim. Não vejo isso como contradição, mas como sintoma do nosso tempo. A literatura sempre dialogou com outras linguagens. Ignorar o peso do visual hoje seria artificial. O importante é que a imagem não substitua a palavra, mas dialogue com ela.


Antes de perder o lugar como corpo desejável, Marlon Petit já havia perdido o lugar como referência profissional. O que dói mais: deixar de ser desejado ou deixar de ser necessário?
Patrick Selvatti - Acho que deixar de ser necessário dói mais, porque o desejo ainda pode ser negociado, reinventado, deslocado... A necessidade não. Quando você deixa de ser referência profissional, perde não só espaço, mas função simbólica. É como se o mundo dissesse: “Seguimos sem você”. Isso atinge a identidade de forma muito mais profunda do que o espelho.


O romance sugere que o mercado não envelhece ninguém, ele simplesmente substitui. Em que medida o apagamento profissional é a primeira forma de violência simbólica sofrida pelo protagonista?
Patrick Selvatti - O apagamento profissional vem antes do apagamento do corpo porque ele é silencioso. Ninguém anuncia que você ficou obsoleto, você apenas vai deixando de ser chamado. Para Marlon Petit, essa ausência de demanda antecede o declínio do desejo. O mercado opera por substituição, não por transição. Não há rito de passagem, só descarte. É uma ferida muito mais profunda, e é o que desencadeia nele a impotência sexual como um sintoma dos danos à sua saúde mental... Marlon traz muitas camadas, para além do homem narcisista que vê sua imagem o sugar para o fundo do mar.


Resenhando.com - Marlon Petit foi um “mito” e virou "passado". Você acredita que nossa cultura sabe lidar com trajetórias ou apenas com novidades? Há espaço para a experiência ou só para o próximo hype?
Patrick Selvatti - Nossa cultura é profundamente obcecada pela novidade. Ela consome histórias apenas enquanto elas rendem visibilidade, e não é à toa que vivemos a ditadura do reels. Trajetórias exigem memória, e memória dá trabalho, "Ainda Estou Aqui " e "O Agente Secreto" nos esfrega isso na cara. O hype é fácil porque é descartável. A experiência, ao contrário, exige escuta, paciência e reconhecimento. Essas coisas são cada vez mais raras, né?


Resenhando.com - Existe uma solidão específica de quem já foi alguém profissionalmente e hoje precisa se reinventar fora dos holofotes. Essa dor é menos falada do que a crise do corpo. Por quê?
Patrick Selvatti - Porque a crise do corpo é visível, e sua reparação está ao alcance dos procedimentos estéticos. Já a perda de relevância profissional é invisível e profundamente envergonhante. Admitir que você já teve importância e, hoje, não tem mais é confrontar o medo coletivo de inutilidade. É uma solidão que não rende likes, nem empatia imediata. É fato: o derrotado não engaja.


Escrever "Ainda Sou Mar" foi também uma forma de elaborar o medo de que a relevância profissional tenha prazo de validade, especialmente para quem construiu a própria identidade em torno do reconhecimento público?
Patrick Selvatti - Sem dúvida. Para além do dilema gay, o livro nasceu desse medo que me foi apresentado em diversas entrevistas que fiz e sigo fazendo com artistas, na maioria heterossexuais. Um em especial, que se tornou meu amigo pessoal, desabafava muito comigo sobre o fato de estar com 35 anos e "não ter acontecido". Essa angústia me atravessou muito - afinal, um homem nessa faixa etária está no auge, mas não para a indústria do like. Quando sua identidade está atrelada ao olhar do outro, a perda de reconhecimento vira um abismo. Escrever foi uma tentativa de nomear essa angústia, de encará-la sem a romantização de que envelhecer é bonito. Não para resolver essa angústia, mas para entendê-la e, talvez, sobreviver a ela com mais consciência. E trazer esse tom cinzento que não aparece no colorido do arco-íris foi a cereja do bolo.


Depois de “Ainda Sou Mar”, fica a sensação de que envelhecer é um ato político. Escrever esse livro foi mais um gesto de sobrevivência pessoal ou uma forma de dizer que o desejo também tem direito à maturidade?
Patrick Selvatti - Mas é um ato político, e não sou eu quem afirmo isso, quem sou eu? (risos). Eu só constato que envelhecer, especialmente sendo gay, é resistir a uma lógica que tenta nos apagar. Escrever esse livro, para mim, foi reafirmar que o desejo não pertence apenas à juventude e que a maturidade também tem direito ao corpo, ao afeto, ao erro e ao prazer. É uma declaração de existência.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

.: “Davi: Nasce Um Rei” transforma fé em espetáculo animado


Nesta quinta-feira, dia 15 de janeiro, chega à Rede Cineflix e cinemas de todo o Brasil a animação musical “Davi: Nasce Um Rei”, que aposta na força de uma narrativa clássica para dialogar com o público contemporâneo. Inspirado na trajetória bíblica de Davi, o filme revisita a passagem do jovem pastor que, antes de ocupar o trono de Israel, enfrenta o gigante Golias e uma sucessão de provações que testam fé, coragem e caráter. 

No Brasil, a animação chega com dublagem nacional produzida pelo LEVR Estúdio, sob direção de Rodrigo Andreatto e direção musical de Felipe Firmo. O elenco brasileiro traz João Vitor Mafra na voz de Davi, Maitê Cunha como Nitzevet, Rodrigo Miallaret interpretando o profeta Samuel e Lara Suleiman como Rebecca. A versão nacional ainda conta com vozes adicionais de Alessandra Araújo, Victória Kíu, Luiza Caspary, Luci Saluzzi, Fernando Mendonça e Davi Barbosa, garantindo cuidado técnico e musical à adaptação para o português.

Com estética em animação 3D e forte presença musical, o longa acompanha a formação de Davi desde a infância, destacando não apenas o episódio do confronto com Golias, mas também os conflitos internos e políticos que antecedem sua ascensão. Munido apenas de uma funda, algumas pedras e uma convicção inabalável, o protagonista se vê diante de uma batalha que vai além da força física: trata-se de resistir ao medo coletivo, à perseguição do poder instituído e às ambiguidades da própria liderança.

A direção é assinada por Phil Cunningham e Brent Dawes, que também participa do roteiro ao lado de Kyle Portbury e Sam Wilson. O texto aposta numa abordagem acessível, sem abrir mão do tom épico, equilibrando momentos de tensão, introspecção e celebração. Produzido pela 2521 Entertainment e pela 2521 Sunrise, o filme marca mais uma parceria da Angel Studios - responsável por sucessos recentes como “Som da Liberdade” (2023) e a série “The Chosen: Os Escolhidos” - com projetos de temática espiritual voltados ao grande público.

No elenco de vozes originais, destacam-se Brandon Engman, Phil Wickham, Asim Chaudhry e Mick Wingert, além da cantora Lauren Daigle, vencedora do Grammy, cuja participação reforça a aposta musical da produção. Nos Estados Unidos, o filme estreou sob o título “David”, alcançando números expressivos de pré-venda e consolidando o crescimento do chamado cinema cristão no circuito comercial.

Ficha técnica
“Davi: Nasce Um Rei” | “David” (título original)
Gênero: animação, família, biográfico, histórico. Classificação indicativa: não recomendado para menores de dez anos. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês (original) / português (dublado). Direção: Phil Cunningham e Brent Dawes. Roteiro: Brent Dawes, Kyle Portbury e Sam Wilson. Elenco (vozes originais): Brandon Engman, Phil Wickham, Asim Chaudhry, Mick Wingert, Lauren Daigle. Dublagem brasileira: João Vitor Mafra, Maitê Cunha, Rodrigo Miallaret, Lara Suleiman, Alessandra Araújo, Victória Kíu, Luiza Caspary, Luci Saluzzi, Fernando Mendonça, Davi Barbosa. Distribuição no Brasil: Heaven Content. Duração: 109 minutos. Cenas pós-créditos: não.

Assista no Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos | Sala 2
De 15 a 21 de janeiro | Sessões dubladas | 14h00 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

.: CCBB SP apresenta mostra inédita do cineasta Todd Haynes, pioneiro


Mostra inédita do aclamado cineasta Todd Haynes traz mais de 20 títulos no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. Diretor é reconhecido por seu trabalho no cinema independente e pioneiro do movimento New Queer Cinema

 
O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo recebe, de 21 de janeiro a 12 de fevereiro, a mostra inédita do aclamado cineasta Todd Haynes, pioneiro do movimento "New Queer Cinema" e reconhecido por seu trabalho no cinema independente contemporâneo, com entrada gratuita. Com a curadoria de Carol Almeida e Camila Macedo, a mostra traz um total de 23 títulos, entre obras dirigidas por Haynes e filmes de outros realizadores que dialogam diretamente com sua filmografia. “Pensamos na retrospectiva a partir de três vibrações que atravessam toda a filmografia de Haynes: a herança vanguardista do New Queer Cinema, o diálogo entre diferentes linguagens artísticas e o melodrama como forma de expor as contradições da vida doméstica e social”, comentam as curadoras.
 
Reconhecido internacionalmente, Todd Haynes acumula importantes prêmios e indicações ao longo da carreira. O longa "Carol"​ (2016), seu maior sucesso comercial e seu filme mais distribuído ao redor do mundo, além de grande sucesso de crítica, foi indicado a seis Oscars e por "Longe do ​Paraíso" (2002), o diretor foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro, além de prêmios como o Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance (1991), o Teddy Award no Festival de Berlim (1991), o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza (2007) e a Palma Queer no Festival de Cannes (2015). Além disso, três de seus filmes foram incluídos na tradicional lista dos dez melhores do ano da revista Cahiers du Cinéma: "Velvet Goldmine" (1998), "Carol" (2016) e "Segredos de Um Escândalo" (2024).

A obra de Haynes é marcada por uma leitura crítica do chamado “sonho americano”, explorando temas como sexualidade, identidade de gênero e as normas sociais que estruturam a vida privada. O cineasta também investiga a construção da identidade artística e cultural em retratos de figuras icônicas, como David Bowie em "Velvet Goldmine" (1998) e Bob Dylan em "Não Estou Lá" (2007).

Além dos títulos citados acima, a programação apresenta também os filmes "Veneno" (1991), "Mal do Século" (1995) e o documentário "The Velvet Underground" (2021), assinados por Haynes, e obras de outros cineastas como "Uma Mulher Sob Influência", de John Cassavetes, "Desencanto", de David Lean, "Tudo que o Céu Permite", de Douglas Sirk, "Canção de Amor", de Jean Genet, "Peggy e Fred no Inferno: o Prólogo", de Leslie Thornton, Jollies, de Sadie Benning, Jeanne Dielman, de Chantal Akerman, "Vento Seco", de Daniel Nolasco, e "Primavera", de Fábio Ramalho, que estabelecem paralelos estéticos e conceituais com o trabalho de Todd Haynes.

A sessão de abertura acontece no dia 21 de janeiro, quarta-feira, às 17h00, com a exibição do filme “Longe do Paraíso", de Todd Haynes, com Julianne Moore, Dennis Quaid, Dennis Haysbert, Viola Davis e grande elenco. Na trama, Cathy (Moore), uma dona de casa com vida aparentemente perfeita descobre que seu marido Frank (Quaid) mantém um relacionamento com outro homem. Abalada, ela se aproxima de Raymond, um jardineiro negro, gerando preconceito e desconfiança na comunidade. Enquanto Cathy e Frank mantêm o casamento por aparência, nasce entre ela e Raymond uma paixão silenciosa e proibida. Após a exibição, a sessão será comentada pelo cineasta Marcelo Caetano.
 
Além das exibições, a mostra conta com atividades formativas com seis sessões comentadas, duas mesas de debate, entre eles sobre o legado de Todd Haynes para os novíssimos cinemas queer, sessão educativa, um curso de oito horas com o tema "Uma Leitura da In/Visibilidade Lésbica a Partir de 'Carol', de Todd Haynes" e ações de acessibilidade. Como parte do projeto, será lançado um catálogo em versões impressa e digital, reunindo textos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, entre eles, um texto inédito de uma das maiores referências da crítica de cinema feminista, a pesquisadora Mary Ann Doane. Para retirar o catálogo, basta apresentar os ingressos de cinco sessões e informar o CPF na bilheteria do CCBB SP.
 
Ao realizar este projeto, o CCBB São Paulo apresenta ao público títulos raros e obras consagradas deste diretor que é considerado um dos nomes centrais do cinema independente contemporâneo, reafirmando seu compromisso com a democratização do acesso à arte. Com patrocínio do Banco do Brasil, a “Mostra Todd Haynes” é uma produção da Caprisciana Produções, com a idealização, coordenação geral e produção executiva de Hans Spelzon e a curadoria de Carol Almeida e Camila Macedo. A programação está disponível em bb.com.br/cultura e no catálogo virtual, que poderá ser baixado gratuitamente durante o período do evento. A mostra acontece também no CCBB Rio de Janeiro, de 14 de janeiro a 9 de fevereiro e no CCBB Brasília, de 3 a 22 de março.
 

Serviço
Mostra Todd Haynes
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
De 21 de janeiro a 12 de fevereiro de 2026.
Entrada gratuita: Ingressos disponíveis a partir das 9h00, no dia de cada sessão, na bilheteria do CCBB e em bb.com.br/cultura.
Classificação indicativa: consultar a classificação indicativa de cada sessão no site do CCBB SP
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico / São Paulo 
Funcionamento: aberto todos os dias, das 9h00 às 20h00, exceto às terças-feiras
Informações: (11) 4297-0600
Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14,00 pelo período de 6 horas – necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h.
Transporte público: o CCBB fica a cinco minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista.
Táxi ou aplicativo: desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).
Van: ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. Das 12h00 às 21h00.



segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

.: “Mulher em Fuga” revive o drama da mãe do escritor francês Édouard Louis


Pedro Kosovski assina a adaptação inédita e Inez Viana dirige a montagem brasileira que conta com a participação do escritor francês Édouard Louis por meio de voz off. A estreia será em 15 de janeiro, no Sesc 14 Bis - Teatro Raul Cortez. Foto: João Pacca

Chega ao teatro brasileiro “Mulher em Fuga”, a primeira adaptação nacional de "Lutas e Metamorfoses de Uma Mulher" e "Monique se Liberta", obras marcantes do escritor francês Édouard Louis que, até o momento, nunca haviam sido encenadas no país. A dramaturgia inédita é assinada por Pedro Kosovski, com direção de Inez Viana, atuação de Malu Galli e Tiago Martelli, que também é o idealizador do projeto, e coordenação geral de produção de Cícero de Andrade. A estreia nacional de “Mulher em Fuga” será em 15 de janeiro de 2026, no Sesc 14 Bis - Teatro Raul Cortez, onde fica em cartaz até o início de fevereiro. 

A narrativa da peça acompanha Monique, a mãe do autor, em diferentes momentos de sua vida: gesto literário ao mesmo tempo, íntimo e político, que expõe as engrenagens sociais que silenciam e subjugam mulheres da classe trabalhadora. Entre a luta e a libertação, o que vemos é uma mulher que insiste em recomeçar. E, nesse gesto, Monique se torna também o retrato de tantas mulheres brasileiras que, contra todas as adversidades, assumem a chefia de suas famílias e reinventam suas vidas. Édouard Louis participa da encenação “Mulher em Fuga” por meio de voz off, na cena em que ele e sua mãe conversam ao telefone.


“A história da minha mãe é a história de uma vida roubada e, portanto, também a história de uma juventude roubada, como foi a vida e a juventude de muitas mulheres e é por isso que me pareceu importante escrever este livro, rebelar-me contra isso.” – Édouard Louis


As duas obras literárias, centrais na trajetória de Édouard Louis, abordam a vida de sua mãe sob diferentes perspectivas: em "Lutas e Metamorfoses de Uma Mulher" (2021), Louis reconstrói a trajetória de sua mãe a partir do olhar do filho que testemunhou - muitas vezes à distância, outras de muito perto - um percurso marcado por pobreza, humilhações, trabalho exaustivo e um casamento abusivo. A obra narra o difícil caminho da metamorfose: o momento em que uma mulher decide romper com o ciclo de violência e buscar dignidade, liberdade e reconstrução. Louis transforma a memória íntima em gesto político, revelando como estruturas sociais moldam vidas e limitam possibilidades.

Já "Monique se Liberta" (2024) amplia essa narrativa ao devolver a palavra à própria protagonista. Pela primeira vez, Monique assume a autoria de sua história, descrevendo com força e lucidez o que significa sobreviver – e resistir – dentro de um sistema que silencia mulheres da classe trabalhadora. Ao narrar seus medos, perdas, estratégias e conquistas, ela reivindica o direito de existir para além das condições que lhe foram impostas. O livro funciona como um contraponto e uma resposta ao relato do filho, completando o movimento de emancipação que começou no primeiro volume.

A adaptação de Pedro Kosovski aproxima essas duas vozes - mãe e filho - em um gesto cênico que evidencia tanto o conflito quanto o afeto, a memória e a insurgência presentes na obra de Édouard Louis. Ao transpor essas narrativas para o teatro, o dramaturgo cria uma experiência sensorial e política que amplia o alcance dos livros, revelando suas potências dramáticas e sua urgência social.


“A dramaturgia planifica as tramas sobrepostas de duas obras literárias de Édouard Louis, cujo protagonismo está na relação ‘impossível’ que enlaça e desenlaça mãe e filho. Busquei a ação emocional da escrita autobiográfica de Louis, uma ação que rompe decisivamente com o estado de anestesia que muitas vezes marca existências em nossa sociedade. Entre dívidas e reivindicações, algo do impossível desse encontro entre mãe e filho pronuncia imperativamente um chamado emocional: é urgente que se façam sentir as existências neste mundo, apesar desse mundo.” – Pedro Kosovski

A direção sensível e precisa de Inez Viana potencializa essa dimensão íntima e política, construindo um espaço onde literatura e performance se encontram para iluminar temas urgentes do contemporâneo. Segundo a diretora, ao conduzir sua mãe para o centro da narrativa, Louis propõe um grito contra o sistema patriarcal que oprime e faz com que haja a naturalização da violência, que encontramos eco aqui e agora. 


“Através de sua ajuda para a terceira fuga de sua mãe, o filho tenta não só recuperar sua relação interrompida com ela, mas entende, e nós também entendemos, que a liberdade e o caminho não percorridos sempre poderão ser retomados, independentemente do tempo.” – Inez Viana


A montagem marca um encontro importante entre literatura contemporânea e cena teatral brasileira, propondo reflexões sobre violência de gênero, apagamento das histórias da classe trabalhadora e o poder das narrativas pessoais na construção da memória coletiva. Ao dar corpo, voz e movimento às palavras de Louis e de sua mãe, Kosovski transforma um relato íntimo em uma intervenção artística de grande impacto. Com Malu Galli e Tiago Martelli conduzindo a narrativa, a direção de Inez Viana oferece ao público uma experiência potente, que transforma a história pessoal de Monique em reflexão universal sobre emancipação, violência estrutural e a importância de reivindicar a própria voz.


“Monique é uma mulher comum: dona de casa, mãe de cinco filhos. E, como toda mulher comum, Monique é uma mulher extraordinária. Uma mulher com uma força gigantesca, um amor pela vida e uma coragem de leoa. Basta dar a ela a oportunidade de ser quem é para que todos possam comprovar isso. E, quando falamos de oportunidade, falamos de autonomia. E, quando falamos de autonomia, o dinheiro está sempre no centro.”
– Malu Galli

 
Idealizador do projeto, Tiago Martelli integra a criação artística desde sua origem, reforçando o caráter coletivo e visceral da proposta. “Na obra de Édouard Louis, encontrei uma narrativa que nos confronta com a coragem, a vulnerabilidade e a reinvenção de uma mulher que se recusa a desaparecer. Esta adaptação é um gesto de cuidado, um ato político e uma homenagem a todas as mulheres que lutam para reconquistar suas próprias vozes.” – Tiago Martelli


A estreia de “Mulher em Fuga” marca um capítulo inédito na circulação da obra de Édouard Louis no Brasil, revelando a força teatral de textos que combinam precisão política, ferocidade afetiva e profunda humanidade.

 
Ficha técnica
Espetáculo "Mulher em Fuga"
Autor: Édouard Louis
Dramaturgia: Pedro Kosovski
Direção artística: Inez Viana
Elenco: Malu Galli e Tiago Martelli
Assistência de direção: Lux Nègre
Cenografia: Dina Salem Levy
Cenógrafa assistente: Alice Cruz
Desenho de luz: Aline Santini
Trilha sonora: Felipe Storino
Figurino: Ticiana Passos
Orientação de movimento: Denise Stutz
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Fotografia: João Pacca
Designer: Opacca e Fernando Vilarim
Operador de luz: Paulo Maeda
Operador de som: Cauê Andreassa
Direção de produção: Gabriela Morato | Associação Sol.te
Coordenação geral de produção: Cícero de Andrade | Mosaico Produções
Produção: Dani Simonassi, Tiago Martelli, Matheus Ribeiro, Thais Cairo
Idealização: Tiago Martelli


Serviço
Espetáculo "Mulher em Fuga"
Estreia em 15 de janeiro, quinta-feira, às 20h
Temporada: 15 de janeiro até 8 de fevereiro. Quintas, sextas e sábados às 20h e domingos às 18h. 
Sesc 14 Bis – Teatro Raul Cortez
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 2º andar - Bela Vista / São Paulo
Próximo ao Metrô Trianon-Masp (Linha 2 - Verde)
Telefone: (11) 3016-7700
Ingressos: R$ 70,00 (inteira), R$ 35,00 (meia entrada) e R$ 21,00 (credencial)
Acessibilidade: Libras nos dias 29, 30, 31/jan. e 1/fev., e audiodescrição nos dias 31/jan. e 1/fev.
Classificação: 14 anos
Duração: 80 minutos



terça-feira, 6 de janeiro de 2026

.: "Dois Patrões", a versão atualizada da comédia que mudou a história


Dirigido a quatro mãos por Neyde Veneziano e Giovani Tozi, que assinam, respectivamente, tradução e adaptação, o espetáculo apresenta dez artistas em cena. A nova versão é ambientada em uma festa de noivado organizada por um bicheiro poderoso. Foto: Priscila Prade

O ano de 2006 marcou o encontro de dois artistas de forma definitiva. Neyde Veneziano abria testes para seu novo espetáculo “Arlequim e Seus Dois Patrões”, e um jovem chamado Giovani Tozi, então bailarino e estudante de teatro, tentava o primeiro trabalho no teatro profissional. O teste deu certo. A estreia aconteceu pelas mãos de uma das diretoras mais importantes quando o assunto é teatro popular e, em especial, a commedia dell’arte. Para celebrar vinte anos desde esse primeiro encontro, Tozi e Veneziano retornam ao título que os aproximou. Dividem a direção e a nova montagem de “Il Servitore di Due Padroni”, de Carlo Goldoni, estreia no dia 16 de  janeiro de 2026, no Teatro Itália, com tradução de Neyde Veneziano e adaptação de Giovani Tozi. A dramaturgia mantém o enredo central e os arquétipos fundamentais, como Pantaleão, Doutor e Arlequim, mas desloca tudo para uma atmosfera contemporânea, brasileira e urbana.

Segundo Tozi, o ponto de partida da adaptação foi o conceito das máscaras da commedia dell’arte: “Elas não representam animais ao pé da letra, mas carregam traços animalizados que indicam instinto, energia e função social. A partir dessa lógica, surgiu a associação com algo profundamente brasileiro, popular e simbólico: o jogo do bicho. Essa aproximação me abriu portas para uma leitura atualizada das figuras clássicas”, revela ele. “A adaptação do Giovani ficou genial, maravilhosa”, pontua Neyde, que acolheu a sugestão de Tozi para dirigirem a quatro mãos. “Com texto extenso, elenco de dez atores e várias cenas, a dinâmica de dois encenadores resolveu a questão de aproveitar melhor o pouco tempo disponível dos ensaios até a estreia”, conta.

Na divisão de tarefas, Neyde procura ambientar o elenco no cenário e dá atenção à composição física das personagens, especialmente na transposição da dramaturgia para a atualidade, já que o espetáculo se passa em 2025. Tozi cuida de deixar o elenco pronto em aquecimentos e leituras, além de dar foco nas intenções, em como eles devem se expressar.


Versão brasileira tem bicheiro e social media
Nesta versão, Pantaleão é um bicheiro que deseja casar a filha para estabilizar (e lucrar) a divisão de territórios vizinhos. O Doutor segue advogando, mas agora presta serviço para os bicheiros que aumentam sua fortuna. A história inteira acontece dentro de uma festa de noivado que nunca termina, um ambiente onde todos parecem ser “inimigos do fim”. O clima mistura o absurdo de Buñuel em “O Anjo Exterminador” com a lógica caótica e sedutora de “Vale o Escrito”. O resultado é uma comédia de ritmo acelerado, com linguagem de 2025, que respeita a tradição da commedia dell’arte ao mesmo tempo em que a reinventa dentro da realidade social brasileira vibrante, contraditória, perigosa e irresistivelmente cômica.

Na versão que estreia em janeiro no Teatro Itália, a trama ganha novos contornos e personagens inseridos no universo brasileiro de 2025. O Arlequim de Goldoni se transforma em Tico Sorriso, vivido por Felipe Hintze. Além de carnavalesco de uma escola de samba de quarta divisão, Tico é um PJ que acumula empregos para conseguir pagar as contas no fim do mês. Esmeraldina, interpretada por Mila Ribeiro, torna-se assessora e social media de Clarice Lombardi, personagem de Camilla Camargo, que está decidida a assumir os negócios da família assim que se casar com Silvio Salvatti. Silvio, interpretado por Marcus Veríssimo, é um playboy que vive à sombra do pai, o Doutor Salvatti, papel de Jonathas Joba, um advogado influente que, sempre que bebe, passa a falar em latim. Como ninguém para de beber na festa, suas conversas com Pantaleão Lombardi, vivido por Marcelo Lazzaratto, tornam-se cada vez mais confusas.


DJ em cena
A história se embaralha de vez quando Beatriz Rasponi, interpretada por Larissa Ferrara, aparece vestida como o próprio irmão, Frederico Rasponi, para tentar recuperar o dinheiro que ele havia deixado escondido com Pantaleão. Como esse irmão tinha um casamento arranjado com Clarice, Frederico precisa sustentar a farsa e simular um interesse amoroso que nunca existiu.

O sedutor e esforçado Luca Aretusi, personagem de Gabriel Santana, casado com Beatriz, é o principal suspeito do assassinato do cunhado e surge em busca da esposa desaparecida. Para tentar ajudá-lo, ou complicar ainda mais a situação, entra em cena Briguela, interpretado por Gabriel Ferrara, dono do Hotel Goldoni Palace e responsável por receber todos e manter a festa funcionando. Essa celebração interminável é embalada pela música original, e ao vivo, de Nando Pradho, que dita o ritmo dessa comemoração que simplesmente se recusa a acabar.


O encontro de Veneziano-Tozi e o clássico
“Naquele ano em que fui chamada para dirigir um espetáculo no Hopi Hari, o parque temático estava em seu auge, vivia um período áureo de produções, além de estar localizado numa região próxima à Unicamp. Como eu ainda estava na universidade, convidei vários atores de lá para fazerem o teste, além de abrirmos a oportunidade para outros estudantes. De repente, Giovani me encantou: uma cara boa para viver um dos tipos, sensibilidade, um menino gentil, talentoso e disponível para trabalhar. Adaptei a peça e montei com máscaras para deixar o espetáculo mais leve e bonito. Foi assim: aquele ator coube muito bem no personagem escolhido para ele, o  enamorado.” Arlequim, Servidor de Dois Amos, de Carlo Goldoni, estreou em 1745 em Milão. A peça marcou uma revolução estética no teatro europeu, pois transformou a commedia dell’arte improvisada em uma comédia escrita, estruturada em texto dramático, sem perder o humor popular e a vitalidade dos tipos tradicionais.


Ficha técnica 
Espetáculo "Dois Patrões"
Texto: Carlo Goldoni.
Tradução: Neyde Veneziano.
Adaptação: Giovani Tozi.
Direção: Neyde Veneziano e Giovani Tozi.
Elenco: Camilla Camargo, Felipe Hintze, Gabriel Ferrara, Gabriel Santana, Larissa Ferrara, Jonathas Joba, Marcelo Lazzaratto, Marcus Veríssimo, Mila Ribeiro e Nando Pradho.
Cenógrafo e diretor de arte gráfica: Giovani Tozi.
Design de luz: Cesar Pivetti.
Figurinista: Gi Marcondes.
Trilha Sonora Original: Nando Pradho.
Assessoria de Imprensa: Arteplural – M Fernanda Teixeira e Maurício Barreira. Fotografia: Priscila Prade. Video: Luz Audiovisual. Redes socais: André Massa. Design gráfico: Gigi Prade.
Direção de Produção: Giovani Tozi.
Produção Executiva: Thomas Marcondes.
Assistente de Produção: Pedro Sousa.
Assessoria de Imprensa: – Arteplural – M Fernanda Teixeira e Maurício Barreira
Administração Financeira: Carlos Gustavo Poggio. Realização: Corpos Sensores Produtores Culturais.


Serviço
Espetáculo "Dois Patrões"

Teatro Itália. estreia 16 de janeiro de 2026. Temporada de sexta a domingo até 1 de março de 2026. Sessões - Sextas e sábados 20h, domingo 18h. Ingressos 80,00 (inteira)  e 40,00 (meia). Classificação 12 anos. Link de vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/114186/d/354232/s/2389020

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

.: #LeituraMiau: as sequência de "Poesias Polêmicas" de Amador Maia


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

Em "Poesias Polêmicas 2", Amador Maia reafirma a poesia como território de confronto, denúncia e memória. A obra se debruça sobre uma das feridas mais abertas da sociedade contemporânea - o feminicídio - e o faz sem suavizações, sem metáforas confortáveis ou distanciamento estético. Trata-se de um livro que não busca apenas emocionar, mas inquietar, desestabilizar e exigir posicionamento.

Os poemas que compõem o livro funcionam como um memorial poético às mulheres assassinadas pela violência de gênero. Cada verso carrega a dor interrompida, o silêncio imposto, os sonhos abortados. Maia escreve a partir da urgência: seus poemas não pedem licença, não ornamentam a tragédia, não transformam a violência em espetáculo. Pelo contrário, expõem o horror cotidiano que muitas vezes é naturalizado, reduzido a números frios ou notícias efêmeras.

A linguagem direta e, por vezes, áspera, é uma escolha ética e estética. Ao evitar eufemismos, o autor recusa qualquer forma de complacência com a violência. Sua poesia é denúncia, mas também é luto coletivo. É o reconhecimento de que cada mulher assassinada representa uma falha social, política e cultural. Nesse sentido, o livro ultrapassa o campo individual da dor e aponta para estruturas históricas de opressão, machismo e silenciamento.

"Poesias Polêmicas 2" também se constrói como um gesto de resistência. Ao dar voz às que foram caladas Maia transforma a palavra poética em ato político. Há, nos poemas, uma tentativa de resgatar humanidade onde houve brutalidade, de devolver nome, corpo e memória a quem foi reduzida à estatística. A poesia surge, assim, como ferramenta de enfrentamento e de permanência: enquanto se escreve, a violência não é esquecida.

Mais do que um livro de poesia, a obra é um chamado à consciência. O autor convoca o leitor a sair da posição confortável de espectador e a refletir sobre seu papel diante dessa realidade persistente. Ler "Poesias Polêmicas 2" é aceitar o desconforto e compreender que a literatura pode - e deve - intervir no mundo.

Essencial e necessário, o livro de Amador Maia, Costelas Felinas Editora,  Reafirma o poder da poesia como instrumento de denúncia social e transformação. É um lembrete contundente de que a palavra, quando comprometida com a vida, pode manter acesa a memória das mulheres que partiram cedo demais e fortalecer a luta por justiça, dignidade e igualdade.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

.: "Os Nomes", romance que discute as várias faces da violência doméstica


Em "Os Nomes", romance de estreia de Florence Knapp, a autora escreve sobre o poder das palavras, a fragilidade das relações familiares e o peso das decisões aparentemente pequenas que definem o rumo de uma vida. A história se passa na Inglaterra, em 1987, quando uma tempestade devastadora atinge o país. No rescaldo desse evento, Cora, uma mulher de trinta e poucos anos, decide sair de casa com a filha de nove anos, Maia, para registrar o nascimento do filho recém-nascido. 

O marido dela, Gordon, um médico respeitado na comunidade e controlador em casa, exige que o menino receba o seu nome - uma tradição de família, símbolo de continuidade e autoridade. Mas Cora hesita. Nesse gesto de dúvida, entre a obediência e a autonomia, o romance descreve três realidades paralelas, uma para cada nome escolhido, explorando como as experiências da infância, a violência, o amor e as expectativas familiares podem moldar destinos. A tradução é de Juliana Romeiro, e a capa, de Gabriela Heberle. 

No romance, em uma das versões dos nomes, o menino é chamado Bear, nome sugerido pela irmã mais velha, Maia - e cresce como um garoto sonhador, sensível e criativo. Em outra, recebe o nome Julian, a escolha silenciosa de Cora, e segue uma trajetória marcada por empatia e introspecção. Na terceira, leva o nome Gordon, como queria o pai - e carrega o peso da expectativa, da autoridade e da repetição de padrões abusivos familiares.

Knapp aborda temas delicados como abuso doméstico, patriarcado, autonomia feminina e reconstrução após o trauma, com uma sensibilidade rara e sem recorrer ao sensacionalismo. Em cada universo paralelo, ela oferece nuances diferentes de redenção, fracasso e esperança, criando um retrato multifacetado da condição humana.


O que disseram sobre o livro
“Deslumbrante, um livro surpreendentemente alegre... Florence Knapp reproduz com incansável beleza não apenas a perda e o luto, mas também infinitos renascimentos e encantamentos.” - The Washington Post

“Com fios meticulosamente entrelaçados e uma prosa generosa, Os nomes é uma estreia delicada e comovente sobre a esperança, o amor e as expectativas que podem tanto abençoar quanto pesar sobre uma criança.” - Book Of The Month
 

Sobre a autora
Florence Knapp nasceu no Reino Unido e é artista têxtil, escritora e pesquisadora. Antes de publicar seu primeiro romance, ela se destacou com obras de não-ficção sobre arte e técnicas de quilting, além de participar de projetos em museus e residências artísticas. "Os Nomes" é a estreia dela na ficção - um trabalho que combina sua sensibilidade visual, sua atenção ao detalhe e um olhar profundamente humano sobre as relações familiares.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

.: "Bob Esponja 4" desce ao fundo do mar para provar que personagem cresceu

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

A estreia de "Bob Esponja: em Busca da Calça Quadrada" recoloca nos cinemas o personagem mais longevo e reconhecível da Nickelodeon em um momento estratégico do calendário: o Natal, quando o público familiar domina as salas. Em cartaz na rede Cineflix e em cinemas de todo o Brasil, o longa aposta na combinação de aventura inédita, humor autorreferente e uma atualização estética que dialoga com a nova geração sem perder o vínculo afetivo com quem acompanha a série desde o fim dos anos 1990. Dirigido por Derek Drymon - veterano do universo do personagem e um dos responsáveis pela linguagem visual que consolidou a série -, o filme apresenta Bob Esponja às voltas com uma missão tão simbólica quanto literal: provar que é “um grandão”, enfrentando seus próprios limites ao seguir o enigmático Holandês Voador rumo às regiões mais profundas do oceano.

A trama se estrutura como um rito de passagem, algo recorrente nos filmes do personagem, mas aqui conduzido com maior ênfase no imaginário da aventura clássica, evocando narrativas marítimas e o fascínio pelo desconhecido. O roteiro, alinhado ao espírito nonsense que consagrou a franquia, alterna sequências de ação com comentários metalinguísticos e gags visuais que remetem tanto à série original quanto aos longas anteriores. A presença do Holandês Voador como eixo dramático não é casual: trata-se de um dos antagonistas mais populares da animação televisiva, resgatado aqui com contornos mais épicos, segundo anteciparam veículos da imprensa internacional ao destacar a ambição visual do projeto e a ampliação do universo subaquático.

No elenco de vozes original, o filme mantém os intérpretes clássicos, reforçando a continuidade afetiva da franquia, ao mesmo tempo em que abre espaço para participações especiais. Uma das curiosidades mais comentadas na imprensa cultural é a participação da rapper Ice Spice, que além de dublar uma personagem inédita, também assina a música “Big Guy”, usada como elemento narrativo e promocional do longa. A estratégia dialoga com movimentos recentes da indústria de animação, que busca integrar artistas pop ao storytelling para ampliar o alcance entre públicos mais jovens, algo já observado em produções de grandes estúdios nos últimos anos.


A campanha de divulgação no Brasil tem sido intensa. A Paramount Pictures Brasil promoveu o chamado “Yellow Day”, ação digital que tomou as redes sociais da distribuidora com intervenções do próprio personagem, antecipando o tom lúdico e interativo do filme. Paralelamente, parcerias comerciais - como a ação do Burger King®, que levou personagens da Fenda do Biquíni ao Combo King Jr.™ - reforçam a presença do longa no cotidiano do público, numa estratégia transmídia que a grande imprensa costuma associar à força mercadológica e simbólica da marca Bob Esponja.

Produzido pela Paramount Animation em parceria com a Nickelodeon Movies, Domain Entertainment e MRC, o filme aposta em tecnologia de animação atualizada, sem abandonar o traço caricatural que sempre definiu o personagem. Críticos estrangeiros que acompanharam prévias destacaram o equilíbrio entre nostalgia e renovação, apontando o longa como uma tentativa bem-sucedida de reafirmar Bob Esponja como um ícone pop capaz de atravessar gerações. 


Ficha técnica
“Bob Esponja: em Busca da Calça Quadrada” | “The SpongeBob Movie: Search for SquarePants” | “SpongeBob: à Procura das Calças Quadradas” (título em Portugal)
Gênero: animação, aventura, comédia.
Classificação indicativa: 10 anos.
Ano de produção: 2025.
Idioma: Inglês.
Direção: Derek Drymon.
Roteiro: equipe criativa da Nickelodeon (baseado nos personagens de Stephen Hillenburg).
Elenco: Tom Kenny, Bill Fagerbakke, Rodger Bumpass, Clancy Brown, entre outros.
Distribuição no Brasil: Paramount Pictures Brasil.
Duração: 1h36m.
Cenas pós-créditos: não.


Assista no Cineflix mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.


Cineflix Miramar | Santos | Sala 2
26/12/2025 a 30/12/2025 | Sessões legendadas | Sala 4 | 14h20
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos/SP. Ingressos neste link.


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quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

.: Otto apresenta show apocalíptico no Sesc Belenzinho em janeiro


O cantor pernambucano traz o show "Otto Apocalíptico" com músicas autorais criadas ao longo da sua carreira. Foto: Moric
 

Nos dias 9 e 10 de janeiro de 2026, o Sesc Belenzinho recebe o cantor Otto. As apresentações acontecem na sexta e sábado, às 20h30, na Comedoria da unidade. Os ingressos estão disponíveis no portal sescsp.org.br e nas bilheterias físicas das unidades Sesc, a R$ 60,00 (inteira), R$ 30,00 (meia-entrada) e R$ 18,00 (Credencial Sesc). O show "Otto Apocalíptico" tem músicas autorais, das marcantes até as apocalípticas, criadas ao longo de sua carreira. Com temas como vida, morte, esperança, saudade, paz, amor, guerras, questões climáticas e relações interpessoais, a apresentação busca explorar a essência humana na sociedade.

 Ao longo de quase três décadas de estrada, o cantor, percussionista e compositor nascido no agreste pernambucano experimentou diversos estilos - do maracatu à brega, passando por manguebeat, samba, rock, eletrônica e além -, criando uma sonoridade notavelmente peculiar. Sua trajetória artística iniciou-se há mais de 30 anos, quando era percussionista das bandas Mundo Livre e Chico Science e Nação Zumbi (precursoras do movimento Mangue Beat). 

O disco "Samba pra Burro" (1998), primeiro álbum após sua saída do Mundo Livre S/A, banda em que tocava percussão. Aclamado pela crítica, foi eleito o melhor disco do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), com sua mistura arrojada entre música eletrônica, rap e ritmos folclóricos brasileiros. Cultuado até hoje, o trabalho motivou, em 2018, uma turnê em comemoração aos 20 anos do lançamento, com músicas simbólicas, como Ciranda de Maluco e Bob.

 Depois de dar as caras com seu “som do novo milênio”, como foi saudado à época, Otto lançou, em 2001, o sugestivo Condom Black. Movido pelo desejo de inovar, tomou um novo caminho e prestou sua homenagem à negritude brasileira. Flutuante, o Galego - como é chamado pelos mais íntimos - partiu para uma sonoridade mais ambiental, psicodélica e melódica em seu disco de 2003, "Sem Gravidade". Encerrando a trilogia iniciada com "Samba pra Burro" e seguida em "Condom Black", Otto revelou sua faceta mais densa e pensante. Composições inspiradas, "Como Lavanda", "Tento Entender", "Avisa Gil" e "Pra Quem Tá Quente" dão a tônica do álbum.

Após gravar seu primeiro DVD ("MTV Apresenta Otto"), em 2005, e carregando na bagagem trabalhos elogiados e apresentações em festivais como o Heineken Concerts, Otto já havia caído nas graças do Brasil com sua originalidade inata, mas ainda existia mais por vir: o mundo o aguardava. E isso aconteceu em 2009, com o lançamento de Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos.

Tido por muitos como sua grande obra-prima, o quarto álbum de estúdio do músico foi inspirado no clássico literário de Kafka ("A Metamorfose"). Com seu lirismo visceral, o disco converteu em poesia os lamentos de dor e desabafos pessoais do compositor, como "Crua", "Janaína", "6 Minutos" e "Filha", algumas das canções mais celebradas pelos fãs nos shows, fazem parte do disco.

Reunindo um pouco de tudo o que já tinha vivido, o pernambucano pariu, mais recentemente, em 2017, sua Ottomatopeia. Nela, Otto canta o amor e a política, tópicos aparentemente antagônicos, mas profundamente embrenhados em seus pensamentos, revelando-se mais maduro que nunca, porém ainda incansável. "Bala", "Carinhosa", "Meu Dengo" e "Atrás de Você" são algumas das principais faixas do álbum, que contou com participação de Roberta Miranda, Andreas Kisser e Zé Renato.

Durante a pandemia que acometeu todo o mundo, iniciou a criação e gravação do novo disco "Canicule Sauvage", este produzido e gravado pelo artista e seu fiel escudeiro Apollo 09 (o mesmo produtor musical de seu primeiro trabalho solo). A partir do aplicativo “garage band”, o inquieto e criativo artista, conseguiu tocar todos os instrumentos e criar músicas imersivas e dançantes como "Anna", "Você Pra Mim é Tudo" e "Canicule Sauvage", originando mais um respeitado trabalho em sua história musical. 

Neste ano encontra-se em turnê com o show "Otto Apocalíptico", verdadeiro espetáculo musical, permeado de músicas autorais, impactantes e proféticas criadas ao longo de carreira do artista. Temas musicais profundos como vida, morte, esperança, saudade, paz, amor, guerras, aspectos climáticos e relações interpessoais, revelarão as profundezas do homem em sua essência na sociedade. O repertório será baseado em músicas de sua extensa discografia, adentrando em outras obras de sua longeva carreira.


Serviço
Show "Otto Apocalíptico"
Dias 9 e 10 de janeiro de 2026. Sexta e sábado, às 20h30
Local: Comedoria (1000 lugares)
Valores: R$ 60,00 (inteira); R$ 30,00 (meia-entrada), R$ 18,00 (Credencial Sesc)
Ingressos à venda no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc
Classificação: 14 anos
Duração: 90 minutos
 
Sesc Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000 - Belenzinho / São Paulo
Telefone: (11) 2076-9700
 

Estacionamento
De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.
Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 12,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional.

Transporte público
Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

.: #VivoLendo: "Um Bolo de Vingança", de Murilo Alonso de Oliveira


Por Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.

O espaço do homem
é o tempo em que ele vive.
Todo o resto é memória.


Observamos em "Um Bolo de Vingança", de Murilo Alonso de Oliveira, publicado pela Costelas Felinas Editora, a vingança alçada ao patamar de terapia redentora. O protagonista tem como meta, para suplantar o marasmo interior e a ínfima auto estima cotidiana, a desforra contra desafetos que o humilharam fisicamente em diferentes períodos de sua adolescência e juventude. A trama muito bem alinhavada pelo escritor e professor Murilo Alonso de Oliveira, tem como elemento motriz a memorização insistente de fatos preponderantes inconclusos, fazendo com que o personagem projete um acerto de contas unilateral ante seus rivais e, em conseqüência, consigo mesmo e com seu próprio passado.

A trama tem um elo interno elaborado a partir de diferentes sub-tramas enriquecendo a leitura e nos abastecendo de elementos vivenciais agudos na movimentação constante do chamado “agon” ou o “conflito” entre o protagonista e os antagonistas. Embora o instinto vingativo esteja furtivamente atrelado à sua hereditariedade, o personagem procura sempre agir racionalmente nos momentos cruciais em que se depara fisicamente com seus “rivais”. Mesmo quando o acaso os traz subitamente, do passado, à sua fatídica e fatal presença.

Além disso, o livro é ambientado em Santos e adjacências, fazendo com que sua leitura nos remeta a um “tour” pela urbanidade santista. O personagem principal foi criado, reside, trabalha e se movimenta na cidade e o autor nos leva pelos bairros, praias, residências, bares e estabelecimentos comerciais colorindo magistralmente o livro em uma atmosfera litorânea cativante para todos nós que nutrimos uma grata memória afetiva por esta região.

Em meio à intensa movimentação literária, os capítulos trazem, ainda, elucidativas epígrafes de nomes como Shakespeare, Robert Arlt, Rubem Fonseca... e traz diálogos preenchidos com toques, dicas e informações adicionais sobre psicologia, filosofia, literatura, cultura pop, música contemporânea, publicidade e redes sociais. E, para complementar, transcrevo um trecho do prefácio escrito por Flávio Viegas Amoreira: “...aqui a poesia se revela no prosaísmo cotidiano, nos vestígios da vida e na persistência da memória”.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

.: Arte urbana no Rio conecta "Avatar: Fogo e Cinzas" às queimadas brasileiras


Empena no Rio de Janeiro transforma cinzas de queimadas em imagem de Varang, nova antagonista de Avatar: Fogo e Cinzas. Intervenção do projeto Cinzas da Floresta utiliza pigmentos produzidos a partir de incêndios florestais em biomas brasileiros. Ação conecta arte urbana, cinema e debate ambiental no lançamento do novo capítulo da franquia. / Foto: divulgação

Da redação do portal Resenhando.com

O lançamento de "Avatar: Fogo e Cinzas" ganha uma intervenção urbana de grande escala no Rio de Janeiro. A ação, realizada em parceria com o projeto Cinzas da Floresta, ocupa a lateral de um edifício com a imagem de Varang, nova antagonista da franquia, e propõe um diálogo direto entre cinema, arte urbana e questões ambientais contemporâneas. O filme está em cartaz na rede Cineflix Cinemas após uma pré-estreia bem-sucedida na última quarta-feira.

A empena foi produzida com tintas elaboradas a partir de cinzas de incêndios florestais coletadas em diferentes biomas do Brasil. O material utilizado carrega, em sua própria composição, vestígios da devastação ambiental, transformando a superfície urbana em espaço simbólico de reflexão sobre fogo, destruição e memória.

Criado em 2021 pelo artivista Mundano, o projeto Cinzas da Floresta nasceu da atuação direta do artista como brigadista voluntário durante incêndios que atingiram a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal. A partir dessa experiência, o coletivo passou a desenvolver murais e grafites com pigmentos feitos das próprias cinzas do desmatamento, utilizando a arte como instrumento de mobilização social. Desde então, o projeto realizou ações em diversas cidades brasileiras e estabeleceu parcerias com organizações como WWF, Greenpeace e Global Witness.

No Rio de Janeiro, a escolha de Varang como figura central da empena estabelece uma conexão entre a narrativa do novo filme e a realidade dos biomas brasileiros afetados pelo fogo. A personagem, líder do chamado clã das cinzas, surge como elo simbólico entre o universo ficcional de Pandora e os impactos ambientais provocados por queimadas no mundo real. A obra foi desenvolvida e executada pelos artistas Denys Evol, Snek e André, integrantes do projeto.

Segundo Mundano, a proposta da intervenção está ligada à potência comunicativa da arte. Para o criador do projeto, a junção entre uma tinta feita de cinzas e a temática ambiental presente na franquia amplia o alcance da mensagem e reforça a ideia de preservação como necessidade coletiva. 

O Cinzas da Floresta é um projeto de artivismo que transforma resíduos da destruição ambiental em imagem, memória e ação. Desde sua criação, já realizou mais de dez empenas e doze murais, ocupando cerca de 4.800 metros quadrados de paredes em ao menos quinze cidades brasileiras. Parte dos recursos arrecadados com obras e ações é destinada à formação de brigadistas voluntários, compra de equipamentos e fortalecimento da Rede Nacional de Brigadas Voluntárias.

Além das intervenções urbanas, o coletivo promove exposições e oficinas de pintura com as cinzas, ampliando o contato do público com o gesto simbólico de criar a partir do que foi destruído e estimulando reflexões sobre emergência climática e futuro.

Dirigido por James Cameron, "Avatar: Fogo e Cinzas" retorna ao planeta Pandora acompanhando Jake Sully (Sam Worthington), Neytiri (Zoe Saldaña) e a família Sully em uma nova jornada. O elenco inclui ainda Sigourney Weaver, Stephen Lang, Oona Chaplin, Cliff Curtis, Britain Dalton, Trinity Bliss, Jack Champion, Bailey Bass e Kate Winslet. O filme estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, duia 18 de dezembro, e está em cartaz na rede Cineflix Cinemas.


Ficha técnica
“Avatar: Fogo e Cinzas” | “Avatar: Fire and Ash” 
Gênero: Ficção científica, aventura. Classificação indicativa: a definir. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês. Direção: James Cameron. Roteiro: James Cameron, Rick Jaffa e Amanda Silver. Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Oona Chaplin, Cliff Curtis, Britain Dalton, Trinity Bliss, Jack Champion, Bailey Bass e Kate Winslet. Distribuição no Brasil: Walt Disney Studios Motion Pictures Brasil. Duração: 3h17. Cenas pós-créditos: não 

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As principais estreias da semana podem ser assistidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.


Cineflix Miramar | Santos | Sala 4
18/12/2025 a 23/12/2025 | Sessões dubladas | Sala 1 | 20h00
18/12/2025 a 23/12/2025 | Sessões dubladas | Sala 4 |  16h40
18/12/2025 a 23/12/2025 | Sessões legendadas | Sala 1 | 14h10
18/12/2025 a 23/12/2025 | Sessões legendadas | Sala 3 | 16h20 e 20h10
18/12/2025 a 23/12/2025 | Sessões legendadas | Sala 4 | 20h30
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos/SP. Ingressos neste link.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

.: Teatro: solo vencedor do Mix Brasil, "Aqui, Agora, Todo Mundo" estreia


Cena de "Aqui, Agora, Todo Mundo", solo teatral de Felipe Barros que estreia no Teatro Sérgio Cardoso em janeiro de 2026. Foto: Kim Leekyung

Da redação do portal Resenhando.com

Vencedor do Coelho de Prata de melhor espetáculo no 33º Festival Mix Brasil, "Aqui, Agora, Todo Mundo" chega a São Paulo para a temporada de estreia no Teatro Sérgio Cardoso entre 24 de janeiro e 1º de março de 2026. O solo marca a estreia de Felipe Barros nos palcos como ator e dramaturgo, sob direção de Heitor Garcia, e propõe uma reflexão direta e necessária sobre saúde mental, identidade e pertencimento, a partir de uma narrativa fragmentada e sensorial.

Inspirado no livro autobiográfico homônimo de Alexandre Mortagua, o espetáculo acompanha um homem gay que tenta reconstruir a própria história depois de atravessar um limite extremo da existência. A depressão, tema central da obra, não surge como explicação clínica ou discurso didático, mas como estrutura narrativa: uma mente em colapso, feita de memórias interrompidas, silêncios prolongados, afetos mal resolvidos e imagens que insistem em voltar fora de ordem.

As cenas se apresentam como flashes. Família, amores, dores íntimas e traumas se sobrepõem em um fluxo não linear, que espelha o funcionamento de uma mente atravessada pela depressão. Não há cronologia fixa nem progressão tradicional. O espetáculo assume uma lógica labiríntica, em looping, convidando o público a participar ativamente da organização dos acontecimentos. A cada sessão, a ordem das cenas pode se transformar, fazendo com que a experiência seja sempre diferente.

Esse jogo cênico reforça a ideia de que lembrar também é escolher, ainda que inconscientemente, quais peças do passado permanecem visíveis. Entre o real e o imaginário, entre o trauma e a tentativa de reinvenção, o personagem se constrói diante do público como alguém em permanente estado de reconstrução.

Mais do que um relato individual, "Aqui, Agora, Todo Mundo" articula uma dimensão coletiva. O título funciona como um chamado à presença e à escuta, evocando questões que atravessam corpos dissidentes em uma sociedade que ainda marginaliza experiências fora da norma. A dramaturgia aborda temas como adolescência gay, autoimagem, pressão por desempenho social, afetividade e solidão, sem recorrer a conclusões fechadas ou soluções fáceis.

A trilha sonora desempenha papel estruturante na encenação. As canções de Jaloo atravessam o espetáculo como um fio condutor emocional, dialogando diretamente com as memórias e estados internos da personagem. A obra da artista paraense foi escolhida a partir de um processo de pesquisa que identificou, em suas letras e sonoridades, reflexões consistentes sobre saúde mental, influência externa e construção de identidade.

Nesse processo, a DJ Agatha foi responsável pela decupagem e curadoria musical, selecionando trechos e propondo sua adaptação para o desenho de som da peça. O trabalho sonoro estabelece uma relação direta entre música e cena, permitindo que cada faixa dialogue com o ritmo emocional da narrativa e contribua para a compreensão dessa encenação fragmentada.

Com cenografia de Marco Paes, luz de Rodrigo Pivetti e figurinos assinados por Heitor Garcia e Felipe Barros, o espetáculo constrói uma atmosfera íntima e instável, coerente com o universo interno apresentado em cena. O resultado é uma experiência teatral que articula corpo, palavra e som para tratar de sobrevivência emocional, memória e identidade sem recorrer a juízos de valor ou discursos moralizantes.


Serviço
"Aqui, Agora, Todo Mundo"
Temporada: 24 de janeiro a 1º de março de 2026 (exceto de 12 a 15 de fevereiro)
Sessões aos sábados, domingos e segundas-feiras, às 19h00
Dias 2, 9 e 23 de fevereiro: roda de conversa com convidados após o espetáculo

Teatro Sérgio Cardoso
Rua Rui Barbosa, 153 - Bela Vista / São Paulo
Ingressos: R$ 80,00 (inteira) | R$ 40,00 (meia-entrada)
Lista Trans Free: aquiagoratodomundo@gmail.com
Vendas on-line: Sympla
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 60 minutos
Capacidade: 144 lugares
Instagram: @aquiagoratodomundo

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

.: Critica: "Predador: Terras Selvagens" é sequência impecável de bravo caçador

"Predador: Terras Selvagens", em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em novembro de 2025


"Predador: Terras Selvagens", com Elle Fanning (a Bela Adormecida de "Malévola" e "Um Completo Desconhecido") robótica e em dose dupla, revigora a franquia pautada no personagem de sucesso lançado em 1989, estrelado por Arnold Schwarzenegger na pele do Major Alan Schaeffer. Desta vez, uma cria do grande Predador, chamado de Dek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi) visto como fraco e destinado à morte, é expulso do seu clã.

Enviado numa missão nível impossível, ou seja, mandado para a morte, o alienígena defeituoso segue rumo a uma jornada cheia de nuances assombrosas em que a luta pela sobrevivência é o primeiro ponto. Assim, o caçador alienígena e a aliada improvável, Thia (Elle Fanning) que está pela metade, enquanto tentam se entender, colocando seus objetivos à frente, lutam pela própria valorização.

Bela analogia entre os dois personagens vistos por todos como incompletos e descartáveis até virarem o jogo. Num ambiente arenoso estilo Mad Max, mesclado ao do clássico filme, a tecnologia moderna entram como um terceiro elemento, acrescentando muito para toda a ambientação. Os embates cinematográficos na perfeita ambientação do planeta remoto junto ao design das criaturas, que misturam efeitos práticos e maquiagem de forma realista, são impecáveis.

Logo, a busca pelo adversário supremo gera uma montanha-russa no enredo a ponto de surpreender com boas reviravoltas tornando a continuação melhor das já lançadas. Embora aconteça, de fato, uma humanização do protagonista, "Predador: Terras Selvagens" consegue reiniciar uma franquia desacreditada, a ponto de ser a maior estreia nas bilheterias de todas as sequências do caçador espacial. Vale muito a ida ao cinema!

"Predador: Terras Selvagens". (Predator: Badlands). Direção: Dan Trachtenberg. Roteiro: Patrick Aison. Elenco: Elle Fanning, Dimitrius Schuster-Koloamatangi. Gênero: Ficção Científica. Duração: 1h55min. Sinopse: Um jovem predador, rejeitado por seu clã, se une à sobrevivente humana Thia em uma perigosa jornada em busca de um adversário digno. Os dois precisam trabalhar juntos para sobreviver e aprimorar suas habilidades, com a missão de o predador recuperar o respeito de seu povo. 


O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no GonzagaConsulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.


Trailer de "Predador: Terras Selvagens"


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