Por: Mary Ellen Farias dos Santos*
Em junho de 2015*
Bom, quem é que não espera o dia do pagamento para deixar o salário escorregar um pouco para fora do bolso e fazer gastos com besteiras? Pois bem. Foi justamente em um destes "deslizes bobinhos" que meu pai chegou todo feliz com um pacote das Lojas Americanas e me entregou, logo que entrou no nosso apartamento, após receber o salário do mês.
Eu, toda empolgada, logo deduzi que a surpresa era uma Barbie. Claro! A caixa tinha o mesmo formato, só poderia ser. Ao abrir, ledo engano. Em mãos eu tinha uma boneca com cabelos grossos -que até hoje me lembram os de um Chico Bento, que também ainda guardo de lembrança-, pernas que não dobravam, cabeça grande, além de uma roupa pavorosa e cheia de glitter. Ali, eu ganhava uma boneca que hoje, no ano de 2015, é uma raridade.
Na minha cara, ficou estampada a frustração, mas segui o conselho da minha mãe que percebeu tudo. Claro! Mãe é mãe! Sabiamente, ela contornou toda a situação e fez com que o meu pai logo entrasse no banho, afinal, ele tinha acabado de chegar da rua.
Sim!! Com o meu pai fora de cena, ganhei um olhar fulminante e ela só me disse bem baixinho: "Faz cara de quem gostou, porque ele é fã e pode ficar chateado". Na verdade, eu só queria ter certeza de quem era aquela mulher para chegar a ter uma versão dela em boneca. Diante da minha cara de interrogação minha mãe logo lançou: "Quando ela aparecer na TV, eu te chamo."
O tempo passou e ela foi ficando comigo. Sim! A concretização de um "trauma" de infância foi preservado. Há alguns anos o meu pai deixou de me perguntar se eu ainda tenho a boneca. De fato, nem precisa, após tudo, eu até passei a gostar desta "caruda" brilhante!
* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do www.photonovelas.com.br. Twitter: @maryellenfsm

Em junho de 2015*
Bom, quem é que não espera o dia do pagamento para deixar o salário escorregar um pouco para fora do bolso e fazer gastos com besteiras? Pois bem. Foi justamente em um destes "deslizes bobinhos" que meu pai chegou todo feliz com um pacote das Lojas Americanas e me entregou, logo que entrou no nosso apartamento, após receber o salário do mês.
Eu, toda empolgada, logo deduzi que a surpresa era uma Barbie. Claro! A caixa tinha o mesmo formato, só poderia ser. Ao abrir, ledo engano. Em mãos eu tinha uma boneca com cabelos grossos -que até hoje me lembram os de um Chico Bento, que também ainda guardo de lembrança-, pernas que não dobravam, cabeça grande, além de uma roupa pavorosa e cheia de glitter. Ali, eu ganhava uma boneca que hoje, no ano de 2015, é uma raridade.
Na minha cara, ficou estampada a frustração, mas segui o conselho da minha mãe que percebeu tudo. Claro! Mãe é mãe! Sabiamente, ela contornou toda a situação e fez com que o meu pai logo entrasse no banho, afinal, ele tinha acabado de chegar da rua.
Sim!! Com o meu pai fora de cena, ganhei um olhar fulminante e ela só me disse bem baixinho: "Faz cara de quem gostou, porque ele é fã e pode ficar chateado". Na verdade, eu só queria ter certeza de quem era aquela mulher para chegar a ter uma versão dela em boneca. Diante da minha cara de interrogação minha mãe logo lançou: "Quando ela aparecer na TV, eu te chamo."
O tempo passou e ela foi ficando comigo. Sim! A concretização de um "trauma" de infância foi preservado. Há alguns anos o meu pai deixou de me perguntar se eu ainda tenho a boneca. De fato, nem precisa, após tudo, eu até passei a gostar desta "caruda" brilhante!
* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do www.photonovelas.com.br. Twitter: @maryellenfsm



























