terça-feira, 16 de dezembro de 2025

.: Emílio de Mello assume "A Baleia" e mergulha em história sobre culpa


Emílio de Mello interpreta Charlie em "A Baleia", espetáculo que chega a São Paulo após circulação nacional. Foto: Ale Catan

Após temporada no Rio de Janeiro e circulação por diversas cidades do país, o espetáculo "A Baleia" chega a São Paulo para uma aguardada temporada no Teatro Sabesp Frei Caneca, entre 23 de janeiro e 1º de março de 2026. No centro da cena está Charlie, um professor de inglês recluso, marcado por perdas profundas e por um corpo que se tornou, ao mesmo tempo, abrigo e prisão. A partir dessa figura, a peça constrói uma narrativa densa e delicada sobre isolamento, afeto, homofobia, intolerância religiosa e o desejo quase sempre tardio de reconciliação familiar. Em São Paulo, o personagem ganha nova leitura com o ator Emílio de Mello, que assume o papel que foi de José de Abreu sob a direção e tradução de Luís Artur Nunes.

O texto ganhou projeção mundial ao inspirar o filme homônimo dirigido por Darren Aronofsky, responsável por render a Brendan Fraser o Oscar de Melhor Ator em 2023. Leia a crítica do filme neste link: "A Baleia" fisga do início ao fim e Fraser tem tudo para levar Oscar.  No teatro, "A Baleia" revela camadas próprias, mais silenciosas e íntimas, sustentadas pela força da palavra e pela proximidade com o público. A dramaturgia de Hunter, construída em fragmentos que se articulam como um mosaico emocional, foge da linearidade e aposta em encontros que doem, mas também curam.

Luís Artur Nunes destaca a excelência do texto e a modernidade de sua estrutura. Para ele, trata-se de uma obra profundamente humana, que aborda culpa, empatia e reconexão sem simplificações. “É um material encharcado de emoção”, afirma o diretor, que ressalta a importância de tratar temas como homofobia e intolerância a partir de personagens cheios de contradições, reconhecíveis em suas fragilidades.

O elenco conta ainda com Luisa Thiré, Gabriela Freire e Eduardo Speroni, além da participação especial de Alice Borges. Juntos, eles constroem um ambiente cênico em que os não ditos pesam tanto quanto as palavras. Para dar forma ao corpo de Charlie, a produção desenvolveu um complexo trabalho de caracterização, com prótese facial, figurino com enchimento e recursos de climatização, assinados pelo figurinista Carlos Alberto Nunes e pela visagista Mona Magalhães.

A cena é completada pela cenografia de Bia Junqueira, pela iluminação precisa de Maneco Quinderé e pela trilha sonora de Federico Puppi, elementos que ajudam a traduzir um cotidiano marcado não apenas pelo excesso de peso, mas pelo acúmulo de silêncios e afetos represados. O espetáculo é apresentado pelo Ministério da Cultura e patrocinado pela CAIXA Residencial.


Serviço
Teatro Sabesp Frei Caneca
Temporada: 23 de janeiro a 1º de março de 2026
Horários: sextas e sábados, às 20h00; domingos, às 19h00

Ingressos
Plateia Baixa – R$ 160,00 (inteira) / R$ 80,00 (meia-entrada)
Plateia – R$ 140,00 (inteira) / R$ 70,00 (meia-entrada)
Plateia Alta – R$ 120,00 (inteira) / R$ 60,00 (meia-entrada)
Plateia Popular – R$ 50,00 (inteira) / R$ 25,00 (meia-entrada)

Descontos
Clientes CAIXA Residencial têm 50% de desconto na compra de até dois ingressos
Desconto para clientes CAIXA Residencial e Vivo Valoriza

Bilheteria: https://uhuu.com

Duração: 100 minutos
Classificação: 14 anos. Menores de 18 anos somente acompanhados dos pais ou responsáveis. Crianças até 24 meses, no colo, não pagam.

Tags
#ABaleia #EmilioDeMello #LuisArturNunes #teatro #TeatroSabespFreiCaneca

.: Anti-J. K. Rowling, autor TJ Klune lança fantasia queer que reivindica afeto


TJ Klune lança no Brasil “Heartsong – O Bando”, novo capítulo da saga Green Creek, aprofundando temas como pertencimento, memória e família escolhida. Capa: divulgação

Em meio ao anúncio da nova adaptação de Harry Potter para a televisão - prevista para estrear entre 2026 e 2027 e com participação direta de J.K. Rowling -, o debate em torno da responsabilidade cultural de autores e leitores volta ao centro da cena. Segundo a Forbes, a escritora pode receber cerca de US$ 20 milhões por ano com o projeto, valor que reacende críticas às suas declarações transfóbicas e ao apoio público a campanhas contrárias à comunidade trans. É nesse cenário simbólico e político que o norte-americano TJ Klune, autodeclarado “anti-J.K. Rowling”, publica no Brasil o romance "Heartsong - O Bando", reafirmando a fantasia como território de acolhimento, empatia e resistência.

Terceiro volume da saga Green Creek, sequência direta de Wolfsong e Ravensong, o novo romance aprofunda a mitologia do universo criado por Klune ao acompanhar Robbie Fontaine, um lobo marcado pela perda e pela busca insistente por pertencimento. Após a morte da mãe, o jovem vaga por diferentes lugares até ser convocado para a fortaleza dos lobos em Caswell, onde passa a viver sob a liderança de Michelle Hughes, a Alfa de todos, e encontra abrigo emocional na convivência com Ezra, um bruxo idoso. É ali que Robbie começa a compreender o que significa fazer parte de algo maior do que a família de sangue: um bando.

Publicada no Brasil pela Editora Morro Branco, do Grupo Editorial Alta Books, com tradução de Nathalia Marques, a obra combina fantasia, romance e reflexão social em uma narrativa que pulsa afeto. Identidade, lealdade, memória e família escolhida aparecem não como slogans, mas como forças dramáticas que atravessam cada decisão do protagonista. No entanto, a sensação de pertencimento logo é atravessada por fissuras: enviado a uma missão envolta em mistério, Robbie passa a desconfiar de tudo o que lhe foi contado e até mesmo de si.

Sussurros sobre lobos traidores, magia indomável e lembranças fragmentadas se espalham, e o nome de Kelly Bennett emerge como um ponto de tensão emocional. O lobo de olhar suave, acusado de traição, desperta em Robbie uma conexão inexplicável, como se partilhassem um passado esquecido. Ao apostar em elementos do romance de amnésia, TJ Klune embaralha a cronologia, transforma a desorientação em recurso narrativo e convida o leitor a partilhar as dúvidas do protagonista.

Um dos méritos de "Heartsong - O Bando" está na maneira como o autor utiliza a conhecida estrutura alfa–beta–ômega não apenas como convenção do gênero, mas como engrenagem ética e emocional. Em Green Creek, posições não definem valor, mas responsabilidade. Ser Alfa não é sinônimo de infalibilidade; ser Beta não implica submissão; ser Ômega não equivale à fragilidade. Klune discute poder, liderança e vulnerabilidade com delicadeza, sem abrir mão do conflito e da intensidade.

Com edição em capa dura e a inclusão dos contos "Lovesong n.º 2" e "Feralsong", o livro aprofunda relações já conhecidas pelos fãs e ilumina zonas antes nebulosas da mitologia da série. Para novos leitores, a jornada de Robbie Fontaine funciona como porta de entrada para um universo vibrante, onde a fantasia não escapa da realidade, mas a reconfigura. Ao mesmo tempo, Klune mantém uma postura ponderada sobre o boicote cultural: “Nunca devemos tirar um livro de uma criança”, afirma o autor, defendendo o diálogo e a informação como caminhos para escolhas conscientes no futuro.

Mais do que um novo capítulo de uma saga bem-sucedida, "Heartsong - O Bando" reafirma TJ Klune como uma das vozes mais relevantes da fantasia contemporânea ao transformar histórias de lobos, magia e memória em um exercício profundo de humanidade.


Serviço
Título: "Heartsong - O Bando"
Autoria: TJ Klune
Tradução: Nathalia Marques
Editora: Morro Branco / Grupo Editorial Alta Books
ISBN: 978-6560990746
Número de páginas: 544
Preço: R$ 94,90
Onde encontrar: Amazon
Redes sociais do autor: @tjklunebooks | TJ Klune Books
Editora: Morro Branco (Grupo Editorial Alta Books)

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#HeartsongOBando #TJKlune #EditoraMorroBranco #livro #literatura

.: Clássico da TV, Chaves vira experiência orquestral em apresentação única


Chaves in Concert revisita trilhas inesquecíveis do clássico da televisão em uma experiência sinfônica que une emoção, memória e afeto. Foto: divulgação

Há personagens que atravessam o tempo sem perder o frescor. Chaves é um deles. Leve, afetuoso e surpreendentemente profundo, o clássico criado por Roberto Gómez Bolaños segue arrancando risos, suspiros e memórias de gerações inteiras. Agora, esse universo ganha uma nova camada de emoção em "Chaves in Concert", espetáculo que chega ao Teatro B32, no dia 24 de janeiro, sob a regência do maestro Fernando Mathias.

A proposta vai além da simples homenagem. Em cena, uma grande orquestra revisita os temas que marcaram a história do programa, revelando nuances muitas vezes despercebidas nas trilhas originais. Os arranjos inéditos ampliam a força emocional das melodias e conduzem o público por uma experiência que oscila entre a alegria, a nostalgia e a comoção - sentimentos tão presentes no cotidiano da vila mais famosa da televisão.

Em "Chaves in Concert", a música assume protagonismo absoluto. As composições ganham fôlego sinfônico e se transformam em passagens envolventes, capazes de dialogar tanto com quem cresceu acompanhando o seriado quanto com novas gerações que seguem descobrindo sua delicadeza e humor universal. É um espetáculo que faz rir, emociona e acolhe, fiel ao espírito da obra original.

À frente da orquestra está Fernando Mathias, maestro brasileiro com carreira reconhecida internacionalmente e premiado no México em 2024. Fundador da Orquestra Filarmônica de São Bernardo do Campo e da Orquestra Sinfônica Solistas do Brasil, Mathias também atua na formação musical de jovens, tendo participado da criação de projetos que já beneficiaram mais de quatro mil crianças e adolescentes em São Paulo e no Espírito Santo.

A realização é da Live Co., produtora fundada em 2016 e formada por profissionais com mais de uma década de experiência no mercado de entretenimento. Reconhecida pela excelência em espetáculos musicais e produções infantis, a empresa já trabalhou com nomes como Ney Matogrosso, Tiaguinho, Diogo Nogueira, Arnaldo Antunes e Tiago Iorc, além de projetos no humor e tributos a artistas internacionais como Coldplay, Queen e Michael Jackson. 


Serviço
"Chaves in Concert"
Regência: Maestro Fernando Mathias
Gênero: música erudita
Duração: 70 minutos
Classificação: livre
Data: 24 de janeiro, às 20h00
Ingressos: de R$ 50 a R$ 200
Bilheteria: segunda a sexta, das 14h00 às 18h00, e uma hora antes de cada evento
Teatro B32
Capacidade: 490 lugares
Av. Brigadeiro Faria Lima, 3732, Itaim Bibi, São Paulo
Acessibilidade: sim


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#Chaves in Concert #Chaves #RobertoGomezBolanos #TeatroB32 #FernandoMathias

.: "Um Dia Muito Especial" volta em nova temporada no Teatro Bradesco


Reynaldo Gianecchini e Maria Casadevall protagonizam "Um Dia Muito Especial", adaptação de um clássico do cinema italiano que retorna em 2026 para nova temporada. Foto: Priscila Prade

Existem histórias que resistem ao tempo porque falam, antes de tudo, daquilo que nos torna humanos. "Um Dia Muito Especial" é uma delas. Sucesso de público e crítica na primeira temporada, em 2025, o espetáculo volta em cartaz no Teatro Bradesco, entre os dias 10 de janeiro e 15 de fevereiro do ano que vem, reafirmando a força de um texto que atravessa décadas sem perder a urgência. Leia a crítica do espetáculo neste link: “Um Dia Muito Especial” revela o lado mais visceral de Gianecchini.

Protagonizada por Reynaldo Gianecchini e Maria Casadevall, a montagem dirigida por Alexandre Reinecke leva ao palco a adaptação teatral do filme homônimo de Ettore Scola, lançado em 1977 e eternizado nas atuações de Sophia Loren e Marcello Mastroianni. Com tradução de Célia Tolentino, o espetáculo aposta menos no grandioso e mais no íntimo, no detalhe, no silêncio que diz tanto quanto a palavra.

A trama se constrói a partir do encontro improvável entre duas figuras socialmente deslocadas. Ele, um locutor recém-demitido por ser homossexual, prestes a enfrentar a repressão de um Estado autoritário. Ela, uma dona de casa sobrecarregada, mãe de seis filhos, confinada a um casamento atravessado por machismo e traições. Em meio ao barulho histórico da Roma fascista de 1938, nasce um diálogo delicado sobre afeto, liberdade e pertencimento.

Não é a primeira vez que "Um Dia Muito Especial" ganha os palcos brasileiros. Em 1986, uma montagem histórica dirigida por José Possi Neto reuniu Glória Menezes e Tarcísio Meira. Agora, quase quatro décadas depois, a nova versão encontra eco em questões ainda dolorosamente atuais: preconceito, solidão, opressão de gênero e a busca por dignidade em meio a estruturas que insistem em esmagar o indivíduo.

O que se vê em cena é uma história de amor que não se resume ao romance, mas se expande para a empatia, para o reconhecimento do outro como espelho e abrigo. Gianecchini e Casadevall constroem personagens cheios de fissuras, fragilidades e humanidade, conduzindo o público por um percurso emocional a partir de um encontro capaz de mudar destinos, ainda que por apenas um dia.


Serviço
"Um Dia Muito Especial"
Direção Alexandre Reinecke, com Maria Casadevall e Reynaldo Gianecchini
Temporada: 10 de janeiro a 15 de fevereiro de 2026
Apresentações: sábados, às 19h, e domingos, às 18h00
Duração: 90 minutos.
Classificação etária: 10 anos.
Teatro Bradesco – Bourbon Shopping São Paulo | Rua Palestra Itália, 500 – 3º Piso – Perdizes / São Paulo
Ingressos: de R$ 60 a R$ 200

Canais de venda oficiais
Vendas on-line: uhuu.com
Pontos físicos de venda

Bilheteria do Teatro Bradesco - sem taxa de serviço
3º Piso do Bourbon Shopping São Paulo
Horário: segunda a domingo, das 12h às 15h e das 16h às 20h. Em dias de evento, das 12h até o final do espetáculo.

Bilheteria Vibra São Paulo - sem taxa de serviço
Avenida das Nações Unidas, 17.955 – Vila Almeida / São Paulo
Horário: segunda a sexta, das 12h às 15h e das 16h às 19h. Sábados, domingos e feriados: fechado, exceto em dias de show.

Bilheteria do Teatro Sabesp Frei Caneca - sem taxa de serviço
Shopping Frei Caneca - 7º Piso
Rua Frei Caneca, 569 - Consolação / São Paulo
Horário: de terça a domingo, das 12h00 às 15h00, e das 16h00 às 19h00. Segunda-feira: fechado.

Formas de pagamento
Bilheterias: dinheiro, cartão de crédito e débito
Site e pontos oficiais: cartão de crédito
Cartões aceitos: Visa, Mastercard, Diners, Hipercard, American Express e Elo
Estacionamento: Bourbon Shopping São Paulo
Valores e horários em bourbonshopping.com.br

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#UmDiaMuitoEspecial #ReynaldoGianecchini #MariaCasadevall #teatro #TeatroBradesco

.: Prêmio Sesc de Literatura apresenta novos nomes e aposta no encontro

Abáz, Marcus Groza e Leonardo Piana, vencedores do Prêmio Sesc de Literatura 2025, durante o lançamento dos livros no Rio de Janeiro. Foto: Alexandre Brum

O lançamento dos livros vencedores do Prêmio Sesc de Literatura 2025, realizado na última segunda-feira, dia 15 de dezembro, no Rio de Janeiro, foi mais do que a apresentação de três títulos ao mercado editorial. Foi, sobretudo, a celebração de um rito de passagem: o momento em que a escrita deixa o território íntimo do inédito e passa a circular, ganhar leitores, provocar encontros. Chegam agora ao público o romance “Goiás”, do paulista Marcus Groza; a coletânea de contos “Massaranduba”, do baiano Abáz; e o livro de poemas “Escalar Cansa”, do mineiro Leonardo Piana. São obras distintas em forma, tom e percurso, mas unidas pelo mesmo ponto de partida: o Prêmio Sesc de Literatura, um dos mais importantes reconhecimentos voltados a autores inéditos no Brasil.

A alegria do primeiro livro impresso atravessou os depoimentos dos vencedores. Abáz, contemplado na categoria Conto, destacou a dimensão afetiva e simbólica do prêmio. Para ele, a possibilidade de circular pelo país e dialogar diretamente com leitores marca o verdadeiro início da trajetória literária. “Agora que tenho um livro nas mãos, estou muito ansioso para trocar experiências e conversar com os leitores”, afirmou.

Já Marcus Groza, vencedor na categoria Romance, refletiu sobre o gesto solitário da escrita e o desejo de compartilhamento que se impõe quando o texto ganha o mundo. “Se uma pessoa ressoar algo das emoções que tentei transmitir no livro, será muito gratificante”, disse, apontando para o que talvez seja o sentido mais profundo da literatura: criar vínculos invisíveis entre quem escreve e quem lê.

Na poesia, Leonardo Piana falou da expectativa de ver seus versos em circulação e da experiência de percorrer o Brasil ao lado do Sesc. “Esse contato é muito especial para mim”, comentou, antecipando o diálogo que se estabelece quando o poema encontra sua escuta.

O evento reuniu leitura de trechos das obras, interpretados por estudantes da Escola Sesc de Artes Dramáticas, uma roda de conversa mediada pela escritora Eliana Alves Cruz - integrante da comissão julgadora desta edição - e sessão de autógrafos. Um encontro que reforçou o caráter formativo e público do prêmio, pensado não apenas como distinção, mas como política cultural de acesso à literatura.

Os livros vencedores já estão disponíveis em livrarias físicas e online de todo o país e também serão distribuídos pela rede de bibliotecas e escolas do Sesc, ampliando o alcance das obras e consolidando o compromisso do projeto com a democratização da leitura. A edição de 2025 recebeu 2.451 originais, distribuídos entre poesia, conto e romance, números que revelam a vitalidade da produção literária contemporânea no Brasil.

Publicados pela Editora Senac Rio, os autores vencedores receberam prêmio em dinheiro no valor de R$ 30 mil cada. Também foram concedidas menções honrosas a Lúcio Cordeiro, Lucas Alves e Eduardo Marques, finalistas nas categorias, incluindo a premiação destinada a trabalhadores e trabalhadoras do comércio de bens, serviços e turismo.

Criado em 2003, o Prêmio Sesc de Literatura já recebeu cerca de 24 mil originais e revelou ao mercado editorial 43 novos autores. Comissões julgadoras formadas por escritores, jornalistas e críticos literários de diferentes regiões do país avaliam os trabalhos sob rigoroso anonimato, garantindo independência e mérito literário como critérios soberanos. Um percurso que começa no silêncio da escrita e encontra, no livro publicado, a possibilidade de permanência.


Livros vencedores do Prêmio Sesc de Literatura 2025
Romance:
“Goiás”, de Marcus Groza
Conto: “Massaranduba”, de Abáz
Poesia: “Escalar cansa”, de Leonardo Piana
Disponibilidade: livrarias físicas e on-line em todo o Brasil e rede de bibliotecas e escolas do Sesc

Próxima edição – inscrições
Período:
de 2 de fevereiro a 2 de março de 2026

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#PremioSescDeLiteratura #MarcusGroza #Abaz #EscalarCansa #LeonardoPiana

.: Gal Costa vira musical e tem sua liberdade cantada do começo ao fim


Gal, o Musical estreia em março de 2026 no 033 Rooftop e revisita a vida e a obra de uma das maiores vozes da música brasileira. Arte: divulgação

Depois de transformar em cena figuras centrais da cultura brasileira, como Silvio Santos e Ney Matogrosso, Marília Toledo e Emílio Boechat voltam a unir forças para prestar homenagem a uma artista cuja voz atravessou gerações, estéticas e disputas simbólicas da música popular brasileira. "Gal, o Musical" estreia no dia 6 de março de 2026, no 033 Rooftop, no Complexo JK Iguatemi, em São Paulo, e permanece em cartaz até 10 de maio, integrando a programação comemorativa dos dez anos do Teatro Santander, que serão celebrados em 2026.

Idealizado por Marília Toledo, que também assina o texto e a direção ao lado de Kleber Montanheiro, o espetáculo propõe um mergulho profundo na trajetória de Maria da Graça Costa Penna Burgos, nascida em Salvador, em 26 de setembro de 1945, e que o Brasil aprenderia a chamar simplesmente de Gal. Mais do que revisitar fatos biográficos, o musical se interessa pelo percurso íntimo, simbólico e artístico que transformou Gal Costa na musa da Tropicália, em um ícone feminista e em uma das maiores intérpretes do século XX, reconhecida internacionalmente - a cantora foi eleita pela revista Time como uma das dez maiores vozes femininas do mundo.

A dramaturgia começou a ser gestada em janeiro de 2024, quando Marília Toledo entrou em contato com o livro "A Todo Vapor - O Tropicalismo Segundo Gal", de Taissa Maia. A leitura acendeu o desejo de colocar no centro da narrativa uma protagonista feminina, após uma sequência de obras dedicadas a artistas homens. “Sem sombra de dúvidas, a história de Gal é a que mais se aproxima da minha essência”, afirma a autora e diretora, que encontrou na trajetória da cantora uma chave potente para falar de arte, liberdade e resistência.

Outro pilar conceitual do musical é "A Jornada da Heroína", da psicóloga junguiana Maureen Murdock, que propõe um percurso feminino distinto da narrativa clássica do herói. A equipe contou ainda com a colaboração do pesquisador Tallys Braga, responsável por uma biografia oficial da artista. A partir dessas referências, Gal, o Musical se afasta da ideia de uma sucessão cronológica de sucessos para apostar em uma abordagem psicológica, simbólica e assumidamente feminista.

Como destaca Emílio Boechat, a intenção nunca foi apenas recontar a história de Gal, mas reposicionar seu papel dentro da Tropicália e da música brasileira. “O livro da Taissa Maia defende que a participação de Gal foi muito maior do que a nossa imprensa machista e patriarcal gostaria de admitir. A partir disso, entendemos que o musical precisava ir além da cronologia e mergulhar em um prisma mais profundo, menos factual e mais sensível”, explica o autor.

A trama acompanha momentos decisivos da vida da artista: a infância em Salvador e a relação com a mãe solo, Mariah; o encontro com Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Tom Zé, ainda no Teatro Vila Velha; o início da carreira e a parceria com o empresário Guilherme Araújo; e a adoção do filho Gabriel, em 2008. Esses episódios são atravessados por canções que marcaram época e ajudaram a definir o imaginário afetivo do país, como “Força Estranha”, “Baby”, “Divino, Maravilhoso”, “Vaca Profana”, “Azul”, “Vapor Barato”, “Sorte”, “Brasil” e “Balancê”.

No espetáculo, a música não funciona como ilustração, mas como matéria dramatúrgica. “As canções expressam sentimentos e ajudam a contar a história de maneira mais musical do que narrativa”, observa Marília Toledo. Segundo ela, os grandes hits estão presentes, ainda que o espetáculo reserve algumas surpresas ao público. A encenação nasce do diálogo constante entre Marília Toledo e Kleber Montanheiro, parceiro de longa data da diretora. 

A escolha se justifica pela visão ampla de Montanheiro, que reúne experiência como ator, cenógrafo, figurinista, iluminador e diretor. “Ele olha para todas as etapas do fazer teatral, e isso sempre me encantou”, comenta Marília. Para Montanheiro, dividir a direção de um espetáculo sobre Gal Costa com uma mulher era não apenas coerente, mas necessário. “Gal foi uma artista que resistiu ao seu tempo e quebrou padrões. Não faria sentido contar essa história sem uma parceria feminina na direção”, afirma.

A cenografia, assinada por Carmen Guerra, transforma o 033 Rooftop em uma experiência imersiva. Inspirado nas instalações de Hélio Oiticica, o espaço sugere ambientes e estados emocionais por meio de elementos plásticos e artísticos, convidando o público a ocupar a cena junto com os intérpretes. Os figurinos, criados por Montanheiro, atravessam a segunda metade do século XX e funcionam como uma camada adicional de dramaturgia, acompanhando as transformações estéticas e simbólicas da artista ao longo do tempo.

A direção musical e os arranjos são de Daniel Rocha, que partiu de transcrições dos arranjos originais com adaptações pensadas para a cena. A montagem também dialoga com o universo espiritual e cultural que atravessa a obra de Gal, incorporando referências ao Candomblé, aos Orixás e às manifestações da cultura popular brasileira. As coreografias e a direção de movimento, assinadas por Semadha S Rodrigues, incluem ainda a presença da LIBRAS, ampliando o campo sensorial e comunicativo do espetáculo. Com produção da Paris Cultural e apresentação da Esfera, Gal, o Musical se anuncia como uma celebração da artista e, ao mesmo tempo, como um gesto político e poético: o de recolocar Gal Costa no centro de sua própria história, como mulher, criadora e voz que ajudou a reinventar a música brasileira.

Serviço
"Gal, o Musical", de Marília Toledo e Emílio Boechat
Temporada: 6 de março a 10 de maio de 2026
Horários: sextas-feiras, às 20h30. Sábados, às 16h30 e 20h30. Domingos, às 15h30 e 19h30.
Duração: 2h30, com intervalo
Primeiro ato: 1h15. Intervalo: 15 minutos. Segundo ato: 1h00.
Local: 033 Rooftop | Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041, Itaim Bibi, São Paulo – Complexo JK Iguatemi
Classificação etária: 14 anos. Menores de 14 anos apenas acompanhados dos pais ou responsáveis legais.

Setores e valores:
Mesa: de R$ 150,00 (meia) a R$ 300,00 (inteira)
Bistrô Alto: de R$ 125,00 (meia) a R$ 250,00 (inteira)
Plateia: R$ 100,00 (meia) e R$ 200,00 (inteira)
Popular: R$ 25,00 (meia) e R$ 50,00 (inteira)
Clientes Santander têm 30% de desconto nos ingressos inteiros, limitados a dois ingressos por CPF, conforme disponibilidade e regulamento.

Ingressos:
Internet: www.sympla.com.br

Bilheteria física:
Teatro Santander
Funcionamento: todos os dias, das 12h às 18h. Em dias de espetáculo, até o início da apresentação.
A bilheteria conta com totem de autoatendimento para compras sem taxa de conveniência, 24 horas por dia.

Descontos:
Meia-entrada: 50% de desconto, mediante apresentação de documento previsto em lei.
Cliente Santander: 30% de desconto, limitado a 20% da lotação do teatro, não cumulativo com meia-entrada, conforme legislação vigente.


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#GalOMusical #GalCosta #teatro #musical #teatromusical

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

.: Mental Trigger lança álbum de estreia e se firma como nova força do metal


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

A banda paulistana Mental Trigger lançou em todas as plataformas digitais o seu primeiro álbum auto-intitulado. Um trabalho que reúne intensidade emocional, peso sonoro e uma entrega artística que consolida o grupo como uma das novas promessas da cena metal nacional.

Formada em 2024 na cena de São Paulo, a Mental Trigger surge com o propósito de dar voz às emoções mais viscerais e profundas. O grupo canaliza a energia crua do metalcore em cada nota, verso e grito, incorporando ainda influências de deathcore, new metal, djent e groove metal para criar uma sonoridade interessante.

A banda é integrada por Luis Bom Angelo (vocal), João Pedro Surian (bateria), Gustavo Aliberti (guitarra), Luiz Barreto (guitarra) e Raphael Esteves (baixo) que carregam em seus DNAs a força da inovação e intensidade emocional que marcam o metal contemporâneo.

Com oito faixas autorais e uma faixa bônus especial - um cover poderoso de “Perry Mason”, de Ozzy Osbourne - o álbum presta homenagem ao ícone do metal, falecido em julho deste ano, revisitando sua obra com respeito, agressividade e identidade própria. Produzido por Ryu Morita, o álbum foi gravado na capital paulista, foi mixado por João Felipe Favaro e masterizado por João Pedro Surian. A identidade visual do projeto ganha vida pelas mãos de Gustavo Aliberti, que assina a arte de capa. 

Mental Trigger - "Where Angels Sin"


.: Johnny Hooker faz show que celebra liberdade, diversidade e amor


Johnny Hooker revisita seus maiores sucessos e transforma o palco do Sesc 24 de Maio em um espaço de celebração da liberdade, da diversidade e do amor. Foto: Carlos Sales

O cantor Johnny Hooker retorna aos palcos paulistanos nos dias 3 e 4 de janeiro de 2026, às 18h00, com um show vibrante no Sesc 24 de Maio, em São Paulo. A apresentação revisita os principais sucessos da trajetória dele e reafirma o artista como uma das vozes mais promissoras da música brasileira contemporânea ao abordar temas como liberdade, diversidade e amor. 

No repertório, não faltam canções que se tornaram marcas da carreira dele, como "Amor Marginal", "Flutua" e "Alma Sebosa", músicas que dialogam diretamente com afetos dissidentes, identidades plurais e narrativas à margem, marcas constantes do trabalho de Hooker. O espetáculo propõe um encontro intenso com o público, combinando emoção, energia e uma celebração coletiva da diferença.

Johnny Hooker - nome artístico de John Donovan Maia - é cantor, compositor, ator e roteirista. Vencedor do Prêmio da Música Brasileira como Melhor Cantor na categoria Canção Popular, o artista também tem canções presentes em trilhas de filmes e novelas, como "Volta" (do longa "Tatuagem"), "Amor Marginal" (da novela "Babilônia") e "Alma Sebosa" ("Geração Brasil"), produção na qual atuou como o personagem Thales Salgado. Ao longo da carreira, consolidou-se como um artista que une performance, discurso político e forte carga emocional.


Serviço
Show "Johnny Hooker - Ao Vivo"
Dias 3 e 4 de janeiro de 2026, sábado e domingo, às 18h00
Sesc 24 de Maio | Rua 24 de Maio, 109 - Centro/São Paulo (a 350 metros da estação República do metrô)
Ingressos à venda em sescsp.org.br/24demaio, pelo aplicativo Credencial Sesc SP (a partir de 16 de dezembro) e nas bilheterias das unidades Sesc SP (a partir de 17 de dezembro)
Valores: R$ 60,00 (inteira), R$ 30,00 (meia) e R$ 18,00 (Credencial Sesc)
Classificação: 12 anos
Duração: 90 minutos
Serviço de van: transporte gratuito até as estações República e Anhangabaú.
Saídas a cada 30 minutos: terça a sábado, das 20h00 às 23h00. Domingos e feriados, das 18h00 às 21h00.

.: Aos 80, "O Pequeno Príncipe" ganha exposição imersiva no MIS Experience


O MIS Experience inaugura no dia 20 de dezembro a exposição "O Pequeno Príncipe - 80 Anos", mostra imersiva e inédita no Brasil que celebra oito décadas da primeira edição francesa da obra de Antoine de Saint-Exupéry. Considerado um dos livros mais traduzidos e lidos do mundo, "O Pequeno Príncipe" ganha uma homenagem de grande escala, que combina tecnologia, artes visuais e narrativa sensorial para revisitar seu universo poético.

A exposição propõe uma jornada cronológica e simbólica que tem início na França dos anos 1920, período decisivo na formação artística e intelectual de Saint-Exupéry. Ao longo do percurso, o público é apresentado a momentos marcantes da vida e da obra do autor, incluindo a atuação dele como escritor, inventor e aviador, além de sua relação profunda com a aviação - elemento central de sua trajetória pessoal e literária.

Composta por cinco salas expositivas e uma sala de imersão 360° inédita, a mostra conduz os visitantes por uma viagem narrativa que atravessa estrelas, planetas e o deserto, recriando, em grande escala, passagens emblemáticas do livro. As aquarelas originais de Saint-Exupéry ganham vida por meio de projeções, animações, trilha sonora exclusiva e recursos visuais que ampliam a experiência sensorial.

Personagens icônicos como o Pequeno Príncipe, a raposa e a rosa surgem ao longo do percurso, reforçando os temas centrais da obra, como amizade, afeto, perda e responsabilidade. Pensada para públicos de todas as idades, a exposição busca dialogar tanto com leitores que cresceram com o livro quanto com novas gerações, reafirmando a atualidade e a força emocional do clássico.


Serviço
Exposição "O Pequeno Príncipe - 80 Anos"
MIS Experience - Museu da Imagem e do Som
Rua Cenno Sbrighi, 250 - Água Branca / São Paulo
Sessões a cada 30 minutos
Terça-feira: entrada gratuita (ingressos apenas na bilheteria)
Quarta a sexta-feira: R$ 40 (inteira) | R$ 20 (meia)
Sábados, domingos e feriados: R$ 60 (inteira) | R$ 30 (meia)
Classificação indicativa: livre para todas as idades
Menores de 18 anos apenas acompanhados de um dos pais ou responsável
Gratuidade: crianças até 7 anos
Acessibilidade: espaço acessível para pessoas em cadeira de rodas
Duração: variável, conforme o ritmo do visitante

.: Entrevista: Camila Pitanga volta para virar novela de cabeça para baixo


Ellen (Camila Pitanga) reencontra a filha Sofia (Elis Cabral) em Dona de Mim: retorno inesperado promete mexer com os afetos e os rumos da trama. Foto: Globo/Estevam Avellar 


A volta de Camila Pitanga promete sacudir os próximos capítulos de "Dona de Mim". A atriz retorna à trama como Ellen em meio a uma reviravolta que envolve morte, herança milionária e um reencontro capaz de dividir o coração do público. Ao lado de Hudson (Emílio Dantas), Ellen descobre que a filha Sofia (Elis Cabral) se tornou herdeira de parte da Boaz e decide deixar o interior rumo ao Rio de Janeiro, dando início a um plano que mistura afeto, ambição e contas mal-resolvidas com o passado. As cenas marcam um novo fôlego na novela e recolocam a personagem no centro do conflito dramático. A atriz Camila Pitanga falou sobre a volta da personagem.


Como foi receber a notícia de que Ellen estaria de volta?
Camila Pitanga -
Foi uma surpresa maravilhosa quando a Rosane me contou sobre a ideia do retorno da Ellen. Eu gravei o início da novela achando que era uma participação, mas, ao passo que ela foi me contando, fiquei plenamente convencida de que seria muito especial poder fazer a personagem voltar. E não deixava de ser também um reconhecimento dela e do diretor artístico Alan Fiterman de que a Ellen tinha valor na trama para retornar, então fiquei muito feliz.
 

Qual é a importância da Ellen para o desfecho dessa história?
Camila Pitanga -
Eu acho que a Ellen vem com a missão de dar uma perturbada no coração da Leo (Clara Moneke). Ela vai, de alguma maneira, ter uma situação de disputa, de mistério, de desvendamento e de muito amor também. Acho que a Ellen vem para trazer alegria para essa criança que ama, que sempre foi criada renovando o vínculo com a sua mãe, mas com novas relações. A família Boaz ama muito a Sofia (Elis Cabral). Então, acho que o público vai ficar com o coração dividido. Essa mãe ama a filha, mas também é uma personagem contraditória, que faz coisas erradas. Por isso, vou entender a torcida contra a Ellen, mas eu estou ali, com meu coração inteiro, a favor de Ellen, mas também a favor do gosto do público, que é o redentor. 


Ela retorna mostrando um lado que ninguém conhecia. Como você descreve a Ellen?
Camila Pitanga -
A Ellen tem essa dualidade de ser alguém que ama de verdade, mas que teve de sublimar o seu próprio amor em face do que ela considerou melhor para a filha dela. E acho que ela vai trazer múltiplas leituras, porque também é alguém que aplica golpes, que faz coisas erradas. Então, é para o público ficar dividido, torcer, discutir, pensar. Mas, se fosse para definir, ela é alguém que ama de verdade, alguém que realmente nutre um amor verdadeiro pela filha, mas que tem muitas contradições. Uma pessoa humana com muitas falhas.


Fale sobre a relação dela com Hudson.
Camila Pitanga -
Um casal trambiqueiro, golpista, cambalacheiro. A Ellen faz cambalachos e ama o Hudson (Emílio Dantas). Eles aplicam golpes, e o Hudson respeita muito o amor que a Ellen tem pela Sofia (Elis Cabral). O que leva a Ellen a voltar à filha é descobrir que o Vanderson (Armando Babaioff) morreu e que agora a filha está protegida da violência que ela própria foi submetida no passado. E que ela, em favor do amor e da proteção da filha, precisou desaparecer. Essa foi a escolha triste, difícil, dolorosa feita pela Ellen. Mas agora ela retorna para amar essa filha. E o Hudson respeita muito isso. Então, a gente vai ver flashbacks que contam a história de como eles se conheceram. Foi um prazer imenso trabalhar com o Emílio, esse cara gente boa, paizão, apaixonado pelos filhos, pela família dele. Está sendo muito legal trabalhar com ele.


Como tem sido contracenar com Elis Cabral e Theo Matos?
Camila Pitanga -
Contracenar com a Elis e com o Theo está sendo um sonho, porque são dois seres de tanta luz. São duas crianças, então a gente dá vazão ao lúdico, a campeonato de desenhos, a contar piadas. Mas ao mesmo tempo a gente passa o texto, se ajuda para concentrar. Porque, se deixar eu, Emílio, Elis e Theo juntos viramos quatro crianças, mas a gente se diverte, se curte, se admira. Está sendo muito prazeroso, uma honra enorme poder acompanhar de pertinho duas crianças que são muito amadas, que têm famílias lindas, que realmente abraçaram e são abraçadas pela família da novela.
 

Como foi a construção para dar vida a Ellen?
Camila Pitanga -
Foi deixar o coração vazar e também se divertir. Eu estou pegando a reta final da novela e vim com alegria, com alegria de gostar de jogar, de brincar com os atores, com a equipe técnica. A sorte de poder estar junto e comungar desse projeto tão lindo, tão feliz, que já está fazendo o maior sucesso, e poder somar nessa reta final. Foi uma honra contracenar com Tony Ramos e, pela primeira vez, com a Cláudia Abreu, uma atriz fantástica, amada pelo Brasil e por mim, sempre admirei o trabalho dela. E estar numa novela protagonizada por Clara Moneke é um luxo, é uma honra.

.: #LeituraMiau: "O Sagrado e o Além-Túmulo", de Carlos Carvalho Cavalheiro


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

Em "O Sagrado e o Além-Túmulo - Milagreiros e Santos Profanos de Sorocaba", Carlos Carvalho Cavalheiro reúne décadas de observação, pesquisa de campo e levantamento documental para lançar luz sobre um tema tão fascinante quanto negligenciado pela historiografia tradicional: a devoção popular aos chamados “santos de cemitério”. O autor se volta a personagens cuja trajetória, marcada por tragédias, mortes prematuras ou circunstâncias excepcionais, transformou-os - pela força da fé popular - em intercessores capazes de operar graças e milagres.

Ao explorar a cidade de Sorocaba e seus cemitérios históricos, Cavalheiro faz emergir uma cartografia emocional da fé local. Cada tumba, cada inscrição e cada objeto deixado pelos devotos constituem fragmentos de uma narrativa construída coletivamente ao longo de gerações. O livro, assim, não é apenas um inventário dos milagreiros sorocabanos, mas um estudo aprofundado sobre a forma como comunidades ressignificam a morte e constroem uma espiritualidade muito própria, alheia às fronteiras formais entre religiosidade oficial e crença popular.

A escrita de Cavalheiro alia precisão historiográfica a uma sensibilidade etnográfica rara. O autor articula depoimentos, documentos, crônicas, registros iconográficos e tradições orais para reconstruir o percurso de cada figura sagrada. Há um cuidado especial em não apenas descrever fatos, mas contextualizá-los dentro de um universo cultural mais amplo, revelando como cada “santo profano” se insere na vida cotidiana da cidade.

A presença das fotografias, cuidadosamente selecionadas, amplia significativamente o alcance da obra. Elas não funcionam como simples ilustrações, mas como material de leitura paralela, que convida o leitor a percorrer os mesmos caminhos do pesquisador. Os registros visuais revelam túmulos ornamentados, placas de agradecimento, velas, flores, marcas de devoção silenciosa - elementos que, somados ao texto, constroem uma experiência quase imersiva. A materialidade da fé, assim, é apresentada com força e dignidade.

Cavalheiro demonstra, ao longo da obra, que a devoção aos santos de cemitério não é apenas sobrevivência de uma prática antiga, mas também uma forma contemporânea de resistência, memória e identidade comunitária. Suas análises evidenciam a complexidade sociocultural que envolve essas crenças: a interseção entre dor e esperança, morte e permanência, anonimato e consagração.

Em um momento histórico no qual as expressões da religiosidade popular ainda são subestimadas ou tratadas como curiosidades folclóricas, "O Sagrado e o Além-Túmulo" reafirma seu valor como documento imprescindível. A obra contribui para o debate sobre o sagrado no espaço urbano, amplia o repertório de estudos sobre Sorocaba e oferece ao leitor uma rara oportunidade de compreender como a fé se manifesta nos interstícios da vida e da morte.

domingo, 14 de dezembro de 2025

.: Crítica: "Uma Jornada de Bicicleta" é road movie de bela fotografia

 "Uma Jornada de Bicicleta" exibido durante o Festival de Cinema Francês do Brasil de 2025, na Cineflix Cinemas de Santos


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em dezembro de 2025


O drama "Uma Jornada de Bicicleta"exibido durante o Festival de Cinema Francês do Brasil de 2025, na Cineflix Cinemas de Santos, uma história de família, focada num pai e filho, mas que firma uma linda amizade. Assim, no road movie de fotografia impecável Mathias (Mathias Mlekuz, de "O Americano Tranqüilo") e Philippe (Philippe Rebbot, de "Terapia nas Montanhas") vão cruzando cidades da Europa e saindo do país, ou seja, de La Rochelle até Istambul, Turquia.

Os dois, cada um numa bicicleta, levam um cachorrinho sentido a uma aventura em que a memória acaba sendo o verdadeiro guia, uma vez que conforme avançam até o ponto final, refazem caminhos e registram a passagem no mesmo lugar do filho de Mathias, Youri, já falecido. Num caminho fora de ser em linha reta e plano, Mathias e Philippe passam até pelo Mar Negro, na tentativa de refazer o percurso que Youri havia iniciado antes da morte trágica.

"Uma Jornada de Bicicleta" é de uma fotografia belíssima que emociona, sensível e humano, mescla na dose certa, a comédia e o drama, conseguindo ser tocante ao abordar a amizade, o luto e a superação. É por meio da viagem cheia de surpresas que a dor da perda do jovem consegue encontrar uma forma de cura. Vale a pena conferir o longa!


O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no GonzagaConsulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.


"Uma Jornada de Bicicleta"(“À bicyclette!”). Gênero: comédia, drama. Duração: 1h29. Direção: Mathias Mlekuz. Roteiro: Mathias Mlekuz e Philippe Rebbot. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025 (estreia oficial em 2024 na França). Idioma: francês. Elenco: Mathias Mlekuz, Philippe Rebbot, Josef Mlekuz (além de participações de Adriane Gradziel, Marzieh Rezaee, Laurent Jouault entre outros). Distribuição no Brasil: Bonfilm. Cenas pós-créditos: não. Sinopse: Mathias leva seu melhor amigo Philippe numa viagem de bicicleta por diferentes cantos da Europa. De La Rochelle até Istambul, do Atlântico até o Mar Negro, os dois amigos de longa data partem numa aventura em a memória é o verdadeiro guia.

Trailer de "Uma Jornada de Bicicleta"




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