sábado, 3 de janeiro de 2026

.: Assistir a "Um Verdadeiro Cavalheiro" é repensar o neorromantismo


Por Helder Bentes,  escritor e professor. 

O que se entende por Neorromantismo, no âmbito da literatura, é uma obra que fora produzida e publicada depois do período oficial do Romantismo literário, ou seja, posterior à segunda metade do século XIX. Eu, porém, defendo a tese de que seja Neorromântica toda arte que, posterior à oposição entre os estilos romântico e realista, traga à reflexão o aspecto lúdico entre a fuga romântica da realidade e o compulsivo confronto realista com ela. Ontem assisti a "Um Verdadeiro Cavalheiro", e lembrei-me desse querido pensamento meu.

O filme é turco, foi lançado em 2024 e está no catálogo da Netflix desde setembro de 2025. O título não parece interessante, mas o verdadeiro cavalheiro a que ele se refere é o jovem Saygin (lê-se Saigon), interpretado pelo ator Çağatay Ulusoy, um verdadeiro gato, antes de ser um verdadeiro cavalheiro. Saygin é órfão. Sua mãe morrera queimada num incêndio em sua casa, quando ele era criança. 

Abandonou a escola porque ficou traumatizado. Se não estivesse na escola à hora do incêndio, sua mãe talvez estivesse viva. Cresceu com esse pensamento tóxico na cabeça. Todo o conhecimento adquirido ao longo da vida era empírico. Ele passou a se prostituir para sobreviver e levou junto seu irmão mais velho (Haki Biçici) que não era tão bonito quanto ele, mas ele ensinava ao irmão as artimanhas da sedução adquiridas ao longo de sua experiência como acompanhante de luxo. Ele tem um caso secreto com uma mulher casada que o banca (Şenay Gürler). Essa mulher tem uma filha tímida e que se acha feia. Saygin tenta unir a filha de sua amante a seu irmão e acaba se apaixonando de verdade pela amiga dela, Nehir (Ebru Şahin).

A partir daí começam os complicadores desse drama romântico, mas também realista, porque derruba por terra a máscara dos casamentos aparentemente bem sucedidos, a abertura das relações “monogâmicas” para os relacionamentos extraconjugais, a mercantilização do ser humano, dos padrões de beleza, do sexo, o imperialismo do desejo, a compulsão das circunstâncias, a imposição da realidade e sua rota de colisão com os ideais pequeno-burgueses, a dor humana e os traumas de infância que se acumulam e vão desenhando nosso destino.

Eu não vou aqui contar como o filme acaba, mas o desfecho dessa história revela a psicoadaptação necessária à realidade e como os recomeços têm o potencial de renovar as oportunidades. Não é o melhor filme do mundo. Mas para quem gosta de romances com pitadas de realidade, uma boa fotografia e de ver atores de beleza industrializada em cena, valem a pena as quase duas horas de exibição. Eu gostei.

.: Com Zeca Baleiro e Martha Nowill, peça questiona o preço da felicidade

"Felicidade" será apresentado no Teatro Sérgio Cardoso, de 7 de janeiro a 1º de fevereiro. Quartas, quintas e sextas-feiras, às 20hoo; Sábados, às 17h00 e às 20h00; Domingos, às 17h00. Foto: Edson Kumasala

Ser feliz o tempo todo, todos os dias, também há de ter seu preço e seus conflitos. É o que pretende mostrar a protagonista vivida por Martha Nowill na peça "Felicidade", escrita por Caco Galhardo e dirigida por Dani Angelotti. Na direção musical e também no palco, o espetáculo conta ainda com a participação do cantor e compositor Zeca Baleiro, dos atores Eduardo Estrela, Luisa Micheletti, Nilton Bicudo e Willians Mezzacapa e da percussionista Layla Silva. 

 A temporada estreia no Teatro Sérgio Cardoso, equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA), em São Paulo. O espetáculo é apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Bradesco Seguros, com produção da Morente Forte Produções Teatrais, que completa 40 anos de trajetória, e realização da Cubo Produções.

O texto foi criado inspirado pela canção "Vai (Menina Amanhã de Manhã)", de Tom Zé. Com cara de quadrinhos e ambiente de show musical, o espetáculo narra a inesperada virada na vida de uma jornalista e influenciadora de sucesso, que sem nenhuma razão aparente acorda com uma felicidade radiante e inexplicável. O que poderia ser apenas um bom dia se transforma em uma desconhecida forma de existir, já que essa alegria simplesmente não vai embora. Agora, ela precisa aprender a lidar com sua nova personalidade transformada. Mas será que o mundo ao seu redor está preparado para conviver com tanta felicidade?


Serviço
Espetáculo "Felicidade"
Teatro Sérgio Cardoso
Sala Nydia Licia (Capacidade: 827 lugares). R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista / São Paulo
Classificação etária: 14 anos. Duração: 80 minutos. Instagram: @felicidadeteatro
Ingressos: De R$ 50,00 a R$ 220.00 | https://bileto.sympla.com.br/event/112106

.: "Jovens, Reais, Escandalosos" expõe o lado tóxico do glamour e da juventude


Toda história de realeza começa com uma mentira perfeita, o brilho que faz as pessoas acreditarem que viver em um palácio é sinônimo de ser feliz para sempre. Mas Ruby Carter aprende rápido que coroas pesam, holofotes queimam e a vida dentro dos muros da elite pode ser tão perigosa quanto sedutora. Esse é o enredo de "Jovens, Reais, Escandalosos: se a Coroa Serve, Use-a", lançamento da escritora londrina Katy Birchall, que chega ao Brasil pela Mood Editora. A narrativa acompanha a garota criada em uma vila tranquila, que nunca imaginou trocar tardes silenciosas pela rotina onde cada passo é observado. Essa escolha vira assunto e o erro pode ecoar pelos corredores de Londres. 

A vida de Ruby muda drasticamente quando vai morar com a excêntrica tia Tabatha. A casa parece saída de uma revista de moda, ou de um sonho meio alucinado. Ao ingressar na escola Clairmont Hall, ela descobre que existe um universo paralelo no qual jovens privilegiados vivem como se fossem personagens de um reality show sem câmera, ou quase. Ali, títulos importam, sobrenomes definem destinos e o luxo não é um detalhe: é a regra. 

É nesse cenário que surgem “os elites”: Caroline é impecável até no silêncio; Sybil guarda mistérios na ponta do sorriso; Jonty transforma qualquer festa em lenda; e Xavier é uma presença tão nociva quanto irresistível. A protagonista percebe que esse grupo influencia tudo, desde onde sentar no refeitório até quem merece ser lembrado. Ser aceita por eles é um ingresso para o estrelato; ser ignorada é o início do fim. E, ainda assim, ela sente que algo ali não fecha, como se todos carregassem segredos que poderiam implodir o glamour a qualquer minuto. 

Enquanto tenta sobreviver a esse ecossistema brilhante e tóxico, Ruby também enfrenta a dor da perda e o peso de revelações sobre sua própria família. Entre festas clandestinas em mansões históricas, romances proibidos que roubam o ar e rivalidades afiadas, ela se vê obrigada a decifrar quem realmente é e quem precisa ser para não desaparecer no meio do caos dourado do lugar. 

Katy Birchall constrói uma narrativa que mistura humor, drama, charme britânico e aquele gosto agridoce de escândalo, que faz o leitor virar as páginas sem parar. Ao explorar o que significa viver sob pressão constante, a autora desmonta a fantasia da realeza e questiona: quem somos quando ninguém nos conhece de verdade? E quem nos tornamos quando todos acham que sabem tudo sobre nós? 

"Jovens, Reais, Escandalosos" é um mergulho eletrizante no submundo brilhante da alta sociedade juvenil, na qual luxo e perigo caminham de mãos dadas e romances queimam mais rápido do que segredos. Uma história em que ninguém sai ileso dos holofotes. Compre o livro "Jovens, Reais, Escandalosos" neste link.


Sobre a autora
Katy Birchall
é conhecida por seus romances juvenis e comédias românticas encantadoras. Começou sua carreira como jornalista e rapidamente conquistou leitores com seu estilo divertido, espirituoso e cheio de personalidade. Entre suas obras mais populares estão as séries "The It Girl" e "Hotel Royale". Katy escreveu uma versão adaptada de "Emma", de Jane Austen, para jovens leitores. Vive em Londres com seu parceiro, Ben, e seu cachorro resgatado, Bono, que, segundo ela, trava batalhas épicas com esquilos no parque. Instagram: @katybirchallauthor. Compre os livros de Katy Birchall neste link.

.: Peça expõe o desgaste emocional do presente pós-pandêmico


Solidão, criação e ruído urbano se cruzam em "Um Dia de Semana Qualquer", espetáculo dos Notívagos Burlescos que mistura teatro, dança, música e vídeo. Uma experiência sensível sobre existir em tempos de excesso e ansiedade. Em cartaz no Teatro Alfredo Mesquita, com entrada gratuita. Foto: Nathan Lisboa

Livremente inspirada em "Request Concert", de Franz Xaver Kroetz, o espetáculo "Um Dia de Semana Qualquer" apresenta um mergulho na solidão urbana e no caos criativo. A montagem da Associação Teatral Notívagos Burlescos, de Botucatu, celebra 23 anos de trajetória artística. A peça traz uma abordagem contemporânea que integra vídeo mapping, dança, teatro e música ao vivo, com dramaturgia de Sheyla Coelho e Robert Coelho e direção de João Alves. Em cena estão Sheyla Coelho, Murilo Andrade e Dael Vasques. As apresentações ocorrem dias 14, 15, 16, 17 e 18 de janeiro, de quarta a sábado, às 20h00, e domingo, às 19h00. Sessão extra em 17 de janeiro, sábado, às 17h30.

A proposta, viabilizada pelo PROAC 22/2024 para obras inéditas, rompe as fronteiras do hiper-realismo de Kroetz para criar uma experiência mais fluida entre o épico e o lírico, abordando temas urgentes como solidão, depressão e ansiedade, acentuados no período pós-pandêmico. Na trama, uma mulher atravessa uma rotina saturada pelo barulho da cidade, das redes e dos fluxos incessantes de mídia, afundando em uma solidão povoada e intensa. Em paralelo, acompanhamos uma atriz perdida em seu caos criativo e ideológico, tentando acessar meios de produção para realizar um trabalho transformador em meio às exigências do presente. Essas duas figuras se encontram e buscam se reconstruir, apesar de uma sociedade fragmentada que desgasta quem tenta sobreviver às suas dinâmicas.


Serviço
Espetáculo "Um Dia de Semana Qualquer"

Dias 14, 15, 16, 17 e 18 de janeiro, de quarta a sábado, às 20h00, e domingo, às 19h00. Sessão extra em 17 de janeiro, sábado, às 17h30.
Teatro Alfredo Mesquita - Av. Santos Dumont, 1770 - Santana / São Paulo
Ingressos: gatuitos, presencial
Bilheteria presencial: uma hora antes de cada sessão.
Capacidade: 198 lugares.
Acessibilidade: o Teatro é acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida na plateia.

.: Livro investiga como a antipoesia desmonta a tradição lírica


“A Grande Comédia da Antipoesia: ensaios Sobre Nicanor Parra”
, do poeta, dramaturgo e ensaísta João Mostazo, se debruça sobre a obra poética do chileno Nicanor Parra (1914-2018), um dos mais importantes e influentes poetas hispano-americanos do século 20, particularmente sobre seu conceito de “antipoesia”. Segundo o autor, saber em que medida a poesia pode almejar a uma representação da vida real, vivida pelas pessoas comuns, e não apenas dos sentimentos sublimes de poucos poetas eleitos, é a questão central posta pelo conceito de “antipoesia”. 

Os ensaios buscam compreender como a obra de Parra se coloca diante dessa questão e que ferramentas ele utiliza para formulá-la e, em seguida, para buscar respondê-la. Publicado pela Edusp, o livro questiona até que ponto é possível afirmar, no âmbito de uma literatura moderna da segunda metade do século 20, que a antipoesia parriana representa uma ruptura radical com a poesia tradicional. 

O autor investiga também se é lícito afirmar que a obra de Nicanor Parra articula uma dimensão comum de linguagem. Além disso, o livro apresenta uma antologia com as traduções para o português de todos os poemas de Parra reproduzidos nos ensaios, oferecendo ao leitor uma breve coletânea. Compre o livro “A Grande Comédia da Antipoesia: ensaios Sobre Nicanor Parra”, de João Mostazo, neste link.

.: "O Pequeno Príncipe" convoca crianças a refletirem no Festival do Teatro Uol


O príncipe compartilha histórias sobre os planetas que visitou e os personagens únicos que conheceu, como um rei solitário, um homem muito vaidoso até chegar à raposa sábia, que lhe ensina que o essencial não se vê com os olhos. Foto: Ronaldo Gutierrez.


De 5 de janeiro a 1º de fevereiro, o Teatro Uol, em São Paulo, recebe sete clássicos infantis que atravessam gerações e seguem vivos no repertório afetivo de muita gente. Dentro da programação do 42º Festival de Férias do Teatro Uol, às quintas-feiras, às 16h00, será apresentado o espetáculo "O Pequeno Príncipe".  No espetáculo, baseado no livro de Antoine de Saint Exupéry, em uma viagem encantadora pelo universo, um piloto que caiu com seu avião no deserto do Saara encontra uma figura curiosa: o Pequeno Príncipe vindo de um distante asteroide. 

Durante a sua jornada, o príncipe compartilha histórias sobre os planetas que visitou e os personagens únicos que conheceu, como um rei solitário, um homem muito vaidoso até chegar à raposa sábia, que lhe ensina que o essencial não se vê com os olhos. Elenco:  Leandro Flores, Leandro Mariz e Titzi Oliveira. Texto e direção: Leandro Mariz. Realização: Morada da Cultura. De 8 a 29 de janeiro, quintas-feiras, às 16h00. Duração: 60 minutos. Classificação:livre - indicação a partir de 3 anos. Compre o livro "O Pequeno Príncipe" neste link.

Sobre o Festival de Férias do Teatro Uol
Graças a uma curadoria rigorosa e consistente desde a primeira edição, o Festival de Férias do Teatro Uol, que em 2026 completa 25 anos de atividade, consolidou-se como o mais longevo de São Paulo. Localizado no Shopping Pátio Higienópolis, o Teatro Uol oferece uma experiência completa, reunindo conforto, segurança e fácil acesso, criando um cenário ideal para um programa de férias completo: entrar na sala, desligar o celular, se encantar com as histórias e sair com a cabeça cheia de arte e imaginação.


Serviço
Festival de Férias do Teatro Uol
De 5 de janeiro a 1º de fevereiro
Ingressos: R$ 100,00 (inteira) | R$ 50,00 (meia-entrada)
Televendas: (11) / 3823-2423 / 3823-2737 / 3823-2323
Vendas on-linewww.teatrouol.com.br
Horário de funcionamento da bilheteria em janeiro: segundas e terças, das 14h00 às 16h00, quartas, quintas e sextas das 14h00 às 20h00, sábados, das 13h00 às 22h00, e domingos, das 13h00 às 20h00. Não aceita cheques. Aceita os cartões de crédito: todos da Mastercard, Redecard, Visa, Visa Electron e Amex.  Estudantes e pessoas com 60 anos ou mais têm os descontos legais. Clube Uol e Clube Folha têm 50% desconto.


Teatro Uol
Shopping Pátio Higienópolis - Av. Higienópolis, 618, Terraço. Tel.: (11) 3823-2323 
Acesso para cadeirantes- Ar-condicionado- Estacionamento do Shopping: consultar valor pelo tel: 4040-2004- Venda de espetáculos para grupos e escolas: (11) 3661-5896, (11) 99605-3094 – Patrocínio do Teatro UOL: UOL, Folha de S. Paulo, Germed e Interfood.

.: Maísa Arantes sobe ao palco do Sesc Santos com o show “Baile da Maisinha”


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: divulgação. 

Referência da nova geração do forró pé-de-serra e da cultura popular brasileira, Maísa Arantes sobe ao palco do Sesc Santos com o show “Baile da Maisinha” na próxima quinta-feira, 8 de janeiro, às 20h00, na comedoria da unidade. A apresentação promete uma noite de celebração das tradições nordestinas, marcada por dança, afeto e pela força coletiva da música popular.

Cantora, compositora, rabequeira, pifeira e arranjadora, Maísa Arantes construiu uma trajetória sólida e respeitada no cenário da música brasileira, unindo pesquisa, ancestralidade e criação contemporânea. É fundadora e integrante da banda Mestre Zé do Pife e as Juvelinas, criada em 2007, além de integrar projetos como Forró do B (2017) e idealizar a banda Chinelo de Couro (2012). Sua atuação artística também dialoga com outras expressões da cultura popular, como a Quadrilha Arroxa o Nó e o Mamulengo Fuzuê, ambos do Distrito Federal.

No “Baile da Maisinha”, Maísa convida o público a vivenciar um forró vibrante, que respeita as raízes do gênero e, ao mesmo tempo, dialoga com novos arranjos e sonoridades. O repertório transita entre composições autorais, releituras e ritmos que atravessam o sertão, criando uma atmosfera festiva e acolhedora, pensada para todas as idades.

É um baile que convida a dançar, ouvir e sentir, reafirmando o forró como espaço de encontro, resistência e alegria. Além desse projeto, a artista também se apresenta com o trabalho autoral “Maísa Arantes” e com o duo Outros Sertões, em parceria com Marcelo Neder, ampliando ainda mais seu diálogo musical com diferentes territórios sonoros do Brasil.

Ficha técnica
Show “Baile da Maisinha” 

Maísa Arantes: voz, rabeca e pífano
Marcelo Neder: violão
Tâmara Terra: triângulo
Roberto Kauffmann: sanfona
Leo Cortes: zabumba
Anderson Lopes: produção
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) | R$ 20,00 (meia) | R$ 12,00 (Credencial Plena)
Classificação: livre para todas as idades


Venda de ingressos
As vendas de ingressos para os shows e espetáculos da semana seguinte (segunda a domingo) começa na semana anterior às atividades, em dois lotes: on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e portal do Sesc São Paulo: às terças-feiras, a partir das 17h00. Presencialmente, nas bilheterias das unidades: às quartas-feiras, a partir das 17h00.

Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento
Terça a sexta, das 9h às 21h30 | Sábados e domingos, 10h às 18h30   

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida / Santos
Telefone: (13) 3278-9800        
Site do Sesc Santos
Instagram e Facebook: @sescsantos

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

.: "Os Nomes", romance que discute as várias faces da violência doméstica


Em "Os Nomes", romance de estreia de Florence Knapp, a autora escreve sobre o poder das palavras, a fragilidade das relações familiares e o peso das decisões aparentemente pequenas que definem o rumo de uma vida. A história se passa na Inglaterra, em 1987, quando uma tempestade devastadora atinge o país. No rescaldo desse evento, Cora, uma mulher de trinta e poucos anos, decide sair de casa com a filha de nove anos, Maia, para registrar o nascimento do filho recém-nascido. 

O marido dela, Gordon, um médico respeitado na comunidade e controlador em casa, exige que o menino receba o seu nome - uma tradição de família, símbolo de continuidade e autoridade. Mas Cora hesita. Nesse gesto de dúvida, entre a obediência e a autonomia, o romance descreve três realidades paralelas, uma para cada nome escolhido, explorando como as experiências da infância, a violência, o amor e as expectativas familiares podem moldar destinos. A tradução é de Juliana Romeiro, e a capa, de Gabriela Heberle. 

No romance, em uma das versões dos nomes, o menino é chamado Bear, nome sugerido pela irmã mais velha, Maia - e cresce como um garoto sonhador, sensível e criativo. Em outra, recebe o nome Julian, a escolha silenciosa de Cora, e segue uma trajetória marcada por empatia e introspecção. Na terceira, leva o nome Gordon, como queria o pai - e carrega o peso da expectativa, da autoridade e da repetição de padrões abusivos familiares.

Knapp aborda temas delicados como abuso doméstico, patriarcado, autonomia feminina e reconstrução após o trauma, com uma sensibilidade rara e sem recorrer ao sensacionalismo. Em cada universo paralelo, ela oferece nuances diferentes de redenção, fracasso e esperança, criando um retrato multifacetado da condição humana.


O que disseram sobre o livro
“Deslumbrante, um livro surpreendentemente alegre... Florence Knapp reproduz com incansável beleza não apenas a perda e o luto, mas também infinitos renascimentos e encantamentos.” - The Washington Post

“Com fios meticulosamente entrelaçados e uma prosa generosa, Os nomes é uma estreia delicada e comovente sobre a esperança, o amor e as expectativas que podem tanto abençoar quanto pesar sobre uma criança.” - Book Of The Month
 

Sobre a autora
Florence Knapp nasceu no Reino Unido e é artista têxtil, escritora e pesquisadora. Antes de publicar seu primeiro romance, ela se destacou com obras de não-ficção sobre arte e técnicas de quilting, além de participar de projetos em museus e residências artísticas. "Os Nomes" é a estreia dela na ficção - um trabalho que combina sua sensibilidade visual, sua atenção ao detalhe e um olhar profundamente humano sobre as relações familiares.

.: Palhaços investigam de onde vem a água em peça para todas as idades


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.comImagem: divulgação

"Água, de Onde que Tu Vens?" é o espetáculo circense apresentado pela Trupe do Mar que convida crianças e adultos a refletirem, com leveza e bom humor, sobre um tema essencial para a vida: a água. A atração acontece neste domingo, dia 4 de janeiro, às 17h30, no espaço de Convivência do Sesc Santos, com entrada gratuita e classificação livre para todas as idades.

Em cena, os palhaços Plocki e Tapioca percebem que algo está fora do lugar: a água, antes abundante, começa a faltar. A partir dessa constatação simples, mas urgente, surgem perguntas que conduzem toda a narrativa - de onde a água vem? Para onde ela vai? O que acontece quando ela desaparece? Munidos de curiosidade, imaginação e muita comicidade, os personagens embarcam em uma jornada divertida para compreender o ciclo da água e suas transformações na natureza.

A montagem aposta em esquetes cômicas, jogos corporais e músicas originais, criando uma linguagem acessível e envolvente, que estimula a participação do público ao longo da apresentação. O espetáculo transforma conceitos científicos em experiências sensíveis, aproximando o conhecimento ambiental do universo infantil sem abrir mão da reflexão crítica. Ao rir e interagir, o público é convidado a pensar sobre a importância da preservação dos recursos naturais e sobre a relação cotidiana que todos mantemos com a água.

Com uma estética circense marcada pela palhaçaria, pelo movimento e pela música ao vivo, “Água, de Onde que Tu Vens?” reforça o poder do riso como ferramenta pedagógica e da arte como meio de conscientização. A Trupe do Mar constrói uma experiência que alia diversão, aprendizado e afeto, despertando a curiosidade e a responsabilidade ambiental desde cedo.


Ficha técnica
Espetáculo “Água, de Onde que Tu Vens?”
Elenco e direção de movimento: Thays Oliveira
Elenco, direção geral e composição musical: Alan Plocki
Músico e produção musical: Vini Costa
Realização: Trupe do Mar

Venda de ingressos
As vendas de ingressos para os shows e espetáculos da semana seguinte (segunda a domingo) começa na semana anterior às atividades, em dois lotes: on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e portal do Sesc São Paulo: às terças-feiras, a partir das 17h00. Presencialmente, nas bilheterias das unidades: às quartas-feiras, a partir das 17h00.

Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento
Terça a sexta, das 9h às 21h30 | Sábados e domingos, 10h às 18h30   

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida / Santos
Telefone: (13) 3278-9800        
Site do Sesc Santos
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.: #VivoLendo: "Os 70 Ausentes de Pedra Branca", de Cláudio Feldman


Por 
Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.

...dos inertes saiu uma constante movimentação

A finitude da existência individual movimenta-se incessantemente qual uma fatídica sombra sobre a trajetória fugaz de cada personagem. Em  "Os 70 Ausentes de Pedra Branca", de Cláudio Feldman (Editora Taturana), setenta contos curtos nos conduzem através da fatalidade implacável da morte a ceifar vidas e a selar trágicos destinos compulsoriamente. Com um estilo conciso, o autor nos apresenta os últimos momentos de vida de alguns habitantes de Pedra Branca, pequena cidade ficcional, detentora de uma heterogênea fauna urbana de biotipos.

A narrativa sustenta-se em clara e precisa performance onde um halo de humor tênue atravessa os momentos finais de cada conto. Com maestria Feldman constrói fatos, acasos e atitudes que acabam culminando com a tragicidade inerente de cada contexto. A construção dos personagens obedece a uma elaborada arquitetura narrativa onde somente o fundamental, no momento fatal da morte, se destaca. Não há verborragia excessiva, nem descrições enfadonhas que venham a alongar, desnecessariamente, o teor literário da escrita. Outro ponto de destaque é a identificação dos habitantes da cidade. Todos, sem exceção, possuem nomes originais, sonoros e caricatos fazendo com que adentremos a novos e diferentes cenários a cada página e isto estimula nossa curiosidade à medida que se desenrola a leitura.

Cada conto traz ilustração em preto e branco, porém com detalhes em vermelho, criação de Perkins Teodoro Moreira (Ideografia), a realçar o âmbito trágico das narrativas. Com 80 anos e 62 livros publicados, Cláudio Feldman demonstra vigor e criatividade literária incansável e constante construindo uma obra marcante e original desde os tempos em que militava na poesia marginal da década de 1970 quando já se destacava como um nome de peso entre os pioneiros da geração mimeógrafo.

.: Lenine: novo álbum marca um manifesto de liberdade


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: dibulgação

Com a urgência de quem transforma criação em gesto de liberdade, Lenine volta à cena com o álbum “Eita”, reafirmando sua autonomia artística e o vínculo visceral com o Nordeste. Após dez anos sem lançar um disco de estúdio, o artista retorna com uma obra que exalta a força criadora de suas origens e consolida sua posição de referência na música brasileira.

Disponível nas plataformas de streaming, o projeto vem acompanhado de um audiovisual em média-metragem, no YouTube, que amplia o universo sensorial das canções e reafirma a habilidade de Lenine de transformar som em imagem – desta vez, assumindo também o papel de intérprete visual da própria obra.

O disco é também uma celebração com seus parceiros e com seu coletivo sonoro. São 11 faixas inéditas que cruzam o contemporâneo e a tradição, com arranjos de artistas como Carlos Malta, Henrique Albino e Martin Fondse, sob direção artística do próprio Lenine e produção musical de Bruno Giorgi.

“Eita”, expressão popular que pode ser espanto, encanto ou celebração, dá nome a uma obra em que tudo parte da primeira pessoa. É o disco mais pessoal de Lenine; um trabalho de domínio total sobre criação, gravação, som e imagem. “Empoderei-me de todos os meios, todos os caminhos, todas as etapas”, pontua o artista, que assina cada camada do processo, em uma afirmação de independência e liberdade criativa.

O álbum é também uma grande homenagem ao Nordeste, território de origem e imaginação de Lenine, que ressoa em cada batida, palavra e silêncio. Não à toa, é dedicado a Dominguinhos, Hermeto Pascoal, Letieres Leite e Naná Vasconcelos. O disco reúne jovens compositores, como Carlos Posada e Gabriel Ventura; além de nomes  consagrados (Arnaldo Antunes, Dudu Falcão, João Cavalcanti, Lula Queiroga e Siba), e homenageia o Terreiro Xambá com a força ancestral da família Bongar, que traz seus toques, loas e danças.

As participações de Maria Bethânia (“Foto de Família”, de Lenine e João Cavalcanti), Maria Gadú (“O Rumo do Fogo”, de Lenine e Lula Queiroga), Siba (“Malassombro”, de Lenine e Siba) e Gabriel Ventura (“Beira”, de Lenine e Gabriel Ventura) completam o encontro. Mais do que um disco, “Eita” é uma tomada de domínio, um gesto de liberdade e uma celebração da criação como forma de existir. Uma obra que transcende fronteiras e espelha as complexidades, afetos e possibilidades do Brasil contemporâneo. Um projeto que anuncia, com poesia e verdade, que um dos maiores criadores da música brasileira traz boas novas.


"Eita!"

"Meu Xamego"

"Confia em Mim"

.: 30 anos depois, o caso ET de Varginha volta ao centro do debate nacional


Com coprodução da Globo e da EPTV, o documentário valoriza a memória, resgata arquivos inéditos e reforça protagonismo da emissora na cobertura do caso

Trinta anos depois de um dos episódios mais misteriosos do Brasil, a EPTV reconstrói, com profundidade e rigor jornalístico, os acontecimentos que transformaram a cidade de Varginha após a suposta aparição de um ser extraterrestre na cidade. A série “O Mistério de Varginha”, produzida pela Globo e com coprodução da EPTV, apresenta ao público um mergulho na história que mobilizou o país e segue despertando curiosidade em diferentes gerações. 

Em 20 de janeiro de 1996, três jovens disseram ter visto uma criatura estranha em um terreno baldio de Varginha: um ser com pele marrom, grandes olhos vermelhos e cabeça grande em forma de coração com três protuberâncias. Outras testemunhas teriam observado objetos e movimentações estranhas no céu da região nos dias anteriores.

A EPTV foi a primeira emissora a registrar o caso, dando início a uma cobertura que rapidamente ganharia dimensão nacional com grande destaque no Fantástico, da Globo. Três décadas depois, a equipe retorna às ruas, revisita arquivos e personagens que vivenciaram o fenômeno, agora com novos recursos, novas fontes e acesso amplo a registros que nunca haviam sido exibidos, além de entrevistas reveladoras sobre a narrativa construída pelos ufólogos à época.

Entre outubro e dezembro de 2025, a equipe percorreu cidades de Minas Gerais, São Paulo e Brasília para compreender em profundidade a cadeia de eventos que cercou o suposto avistamento e as repercussões do caso. Mais do que recontar a história, a série propõe uma reflexão sobre como o episódio moldou a identidade local, influenciou gerações de moradores e permaneceu vivo no imaginário nacional. 

Kátia Andrade, Liliane Silva e Valquíria da Silva são as principais testemunhas do caso que parou o Brasil e ganhou o mundo. Um dos focos centrais do trabalho foi revisitar os bastidores da cobertura original feita pela própria EPTV, hoje parte de um acervo histórico que integra o documentário. O resgate dessas imagens, aliado a novos depoimentos e a encontros com personagens que nunca haviam falado publicamente, amplia a compreensão sobre como o caso foi vivido pela cidade e pelos profissionais que testemunharam a repercussão diária do fenômeno. 

Com direção de Ricardo Calil, da Globo, e Paulo Gonçalves, da EPTV, o documentário conta ainda com assinatura de diversos profissionais das duas empresas sendo que toda a produção, captação de imagens e entrevistas foram feitas pela EPTV. A série, composta por três episódios, também celebra a relação da emissora com seu público regional. Varginha, cidade que se tornou sinônimo do caso em todo o mundo, é também sede da EPTV Sul de Minas. Como parte das ações promocionais, a cidade receberá no uma pré-estreia exclusiva, reforçando o vínculo entre a EPTV e a comunidade. 

A exibição pública e gratuita do primeiro episódio de “O Mistério de Varginha” será no dia 4 de janeiro a partir das 17h00 no Memorial do ET, museu erguido em 2022 justamente para relembrar o caso e cenário para algumas das entrevistas. A série completa vai ao ar na Globo nos dias 6, 7 e 8 de janeiro, após “O Auto da Compadecida”, na segunda linha de shows do horário nobre, e estará disponível também no Globoplay.

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