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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

.: Resenha de "O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos"

Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em janeiro de 2015


A trilogia de "O Hobbit" chegou ao fim com o longa "O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos". O livro de J. R. R. Tolkien, com quase 300 páginas foi adaptado e subdividido em "O Hobbit - Uma Jornada Inesperada", "O Hobbit - A desolação de Smaug" e "O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos"

O longa que fecha o ciclo de "O Hobbit" e retorna para o início de tudo: "O Senhor dos Aneis" consegue emocionar e deixar um gostinho de quero mais. Para os fãs da grande saga é complicado administrar o amor pela história que está sendo apresentada na telona e a ideia de que não mais verá as peripécias de Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) auxiliado pelo mago Gandalf (Ian McKellen), por exemplo.

Nesta terceira e parte final da aventura que já apresenta 
os anões enfrentam as consequências de terem libertado o aterrorizante dragão Smaug sobre homens, mulheres e crianças indefesas da Cidade do Lago. Diante da vasta riqueza recuperada pelos anões, Thorin sofre a doença de Smaug e segue na busca pela lendária pedra Arken ou "O Coração da Montanha", símbolo máximo de poder.

Sem conseguir convencer Thorin do mal que sofre, devido o seu desejado desenfreado pela pedra que será o marco de seu poder, 
Bilbo, mais uma vez, toma uma decisão arriscada, apenas objetivando um final justo. Contudo, Sauron, o Senhor da Escuridão, está de volta a Terra-Média e envia exércitos de orcs para um ataque inesperado à Montanha Solitária. Assim, a batalha dos cinco exércitos acontece, culminando na esperada luta entre o anão Thorin e o orc Azog. 


Para quem NÃO se deixa envolver pela fantástica narrativa de Tolkien adaptada para as telonas, o longa dirigido por Peter Jackson é só mais um emaranhado de acontecimentos e lutas prolongadas. Contudo, seja fã ou não, não há como negar que a qualidade visual e a trilha sonora são de alto nível. "O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos " é imperdível!

Filme: O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos (The Hobbit - War of The Five Armies, Nova Zelândia/ EUA) 
Ano: 2014
Duração: 144 min 
Gênero: Ação, aventura
Direção: Peter Jackson
Roteiro: Fran Walsh, Peter Jackson, Guillermo Del Toro e Phlippa Boyens
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Cate Blanchett, Benedict Cumberbatch, Evangeline Lily, Luke Evans, Orlando Bloom, Christopher Lee, Hugo Weaving.


quarta-feira, 24 de junho de 2020

.: #ResenhandoQuizz: sabe tudo de "O Senhor dos Anéis"? Descubra!

Resenhando.com apresenta o #ResenhandoQuiz sobre o clássico da literatura universal, "O Senhor dos Anéis", escrita por J. R. R. Tolkien (John Ronald Reuel Tolkien), adaptada em animação e, nos anos 2000, como longa-metragrem, por Peter Jackson. Descubra e divirta-se em 10 questões!

Leia a crítica do livro "O Senhor dos Anéis" também. Aqui: resenhando.com/o-senhor-dos-aneis

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

.: Crítica: "Mortal Kombat II" é puro entretenimento gamer com cultura pop


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


O longa "Mortal Kombat II", dirigido por Simon McQuoid ("Mortal Kombat I"), é entretenimento gamer nostálgico estampado na telona de cinema em sua forma pura. A nítida evolução em relação ao filme de 2021, capaz de corrigir falhas do antecessor, ao focar diretamente no torneio e nas sequências de cenas de ação. Em 1 hora e 56 minutos, a produção entrega lutas coreografadas com excelência na atmosfera contagiante e facilitadora de estabelecer toda conexão com o clássico jogo.

Com muita pancadaria, sangue jorrando e momentos épicos em cenários que mudam constantemente, a produção automaticamente alimenta no público a sensação de estar assistindo a um modo história dos videogames. De fato, a ambientação com boa qualidade de computação gráfica, assim como cenários icônicos bem elaborados e as luta em meio a luz do dia ou antes do cair da noite, fugindo da constante escuridão para esconder falhas técnicas digitais, fazem o longa fluir a ponto de ser palatável, inclusive para quem não assistiu ao primeiro filme e/ou nunca jogou Mortal Kombat.

Sem tramas confusas, o longa de 2026 entrega a essência caótica e divertida da franquia clássica de lutas mortais por meio de personagens mais do que conhecidos. Assim, Johnny Cage (Karl Urban, saga "O Senhor dos Aneis", "The Boys"), personagem da série de jogos eletrônicos inspirado em Jean-Claude Van Damme, entra na história como todo o peso de ser um ator narcisista famoso por filmes de artes marciais, mas que está ultrapassado e até esquecido pelo público. No entanto, para lutar ele é necessário. Logo, o confuso Cage traz muito alívio cômico para a trama.

Contudo, cabe também a Josh Lawson ("O Fantástico Mundo de Blaze") interpretando Kano entregar muito bom humor com sacadas rápidas e divertidas, equilibrando a tensão e a violência garantindo boas risadas para o público. Destaque também para as cenas de protagonismo de Hanzo Hasashi, o Scorpion, na pele de Hanzo ("Trem Bala", "John Wick 4: Baba Yaga"), assim como a Kitana de Adeline Rudolph ("Hellboy e o Homem Torto"). 

"Mortal Kombat II" pode não ser o melhor filme de todos os tempos por ainda esbarrar em falhas pontuais, como certas representações de poderes, mas garante o seu lugar entre as melhores adaptações de videogames para o cinema. O resultado é um filme de puro entretenimento gamer regado de cultura pop que garante muita diversão. Vale a pena conferir na telona de cinema!

"Mortal Kombat II" ("Mortal Kombat II"). Gênero: Ação, artes marciais. Direção: Simon McQuoid. Roteiro: Jeremy Slater. Duração: 1h 56 minutos. Classificação Indicativa: 18 anos. Distribuição: Warner Bros. Elenco: Carl Urban (Johnny Cage), Adeline Rudolph (Kitana), Lewis Tan (Cole Young), Tadanobu Asano (Raiden), Martyn Ford (Shao Kahn), Hiroyuki Sanada (Scorpion). Sinopse: A sequência do longa de 2021 traz o aguardado torneio entre a Terra e a Exoterra.

Trailer de "Mortal Kombat II"




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quarta-feira, 2 de março de 2022

.: Crítica: "Batman" é filmaço sem lutas nitidamente coreografadas

Por: Mary Ellen Farias dos Santos 

Em março de 2022


"Batman", protagonizado por Robert Pattinson, com direção de Matt Reeves é uma tremenda surpresa. O novo filme do morcegão, apresenta um herói mais comedido numa história longa de quase 3h de duração que simplesmente vai acontecendo na telona. Em cartaz na Rede de Cinemas Cineflix, "Batman" (The Batman) contextualiza o enredo que conhecemos muito bem, mas foge o tempo todo da trama apelativa de heróis que logo começa com pancadaria ou explosões. Vale destacar também a cena pós-crédito, uma brincadeira debochada, para a Marvel e seus fãs.

O novo longa do vigilante de Gotham City é de Pattinson que deixa espaço para que Zoë Kravitz faça seu show como Selina, a Mulher-Gato. Não há o que discutir, ambos entregam muito bem seus personagens. Ele em nada se assemelha ao Edward de "Crepúsculo" ou o jovem Cedrico da saga "Harry Potter", e Zoë Kravitz também é muito diferente da marcante Bonnie de "Big Little Lies". 

E qual é o resultado desse encontro de talentos? Uma química gigante entre os dois. Assim, é fácil enraivecer quando o Homem-Morcego "promete" um beijo e não cumpre, mas aprovamos uma Mulher-Gato cheia de atitude -e beijoqueira. Juntos, formam uma dupla incrível na telona. Lindo de se ver o laço de companheirismo entre eles sendo criado pelas consequências, além de não protagonizarem lutas descaradamente coreografadas.

A verdade é que o novo "Batman" tem os traços conhecidos de Bruce Wayne que são a riqueza absurda, usada para o bem de Gotham City e seus habitantes, mas ele também tem um toque emo. Cabelos lisinhos, olhos escurecidos e a fala comedida como uma pessoa bastante depressiva. Para melhorar essa marca, ao lado dele temos o incrível Andy Serkis ("O Senhor dos Aneis" e "King Kong") que interpreta o mordomo Alfred Pennyworth. Além de ser um verdadeiro amigo do herói, ainda tem participação importante na solução das charadas do vilão da trama. 

É o Charada (Paul Dano) quem movimenta totalmente a história criando armadilhas estilo "Jogos Mortais" para os corruptos de Gotham, marcando o peso que a cidade sofre diante de tanta corrupção. De fato, esse vilão é tão demoníaco quanto o Duende Verde de "Homem-Aranha". Sendo que o embate dos herói e do vilão provocativo é bastante eletrizante, mas não tanto quanto com o Pinguim (Colin Farrell). Esse outro vilão é somente um ricaço do mal que rende uma cena de perseguição pra lá de cinematográfica -com explosão e jogos de câmeras sensacionais.

"Batman" é pautado na justiça, o que justifica a mensagem do cartaz "desmascare a verdade", uma clara charada a respeito do protagonista que desempenha o duplo papel de detetive de Gotham City, dando vida ao alter ego. De um lado o morcegão justiceiro e do outro o bilionário solitário Bruce Wayne. No entanto, com o herói, está a Mulher-Gato e Jim Gordon (Jeffrey Wright, o Vigia da série "What If...", da Marvel). 

Não há como ficar indiferente à cena de resgate no início da inundação de Gotham. Batman estende a mão para as vítimas, o que remete à animação "Alladin", faltando só perguntar "você confia em mim?". Contudo, ainda fica outra má impressão que se assemelha a filmes de terror em as pessoas, perto da morte, agem de modo totalmente indiferente e errado. Apesar disso, "Batman" é um filmaço!


Em parceria com a rede Cineflix Cinemas, o Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar Shopping. O Cineclube do Cineflix traz uma série de vantagens, entre elas ir ao cinema com acompanhante quantas vezes quiser - um sonho para qualquer cinéfilo. Além disso, o Cinema traz uma série de projetos, que você pode conferir neste link.


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Twitter:@maryellenfsm

Filme: The Batman

Data de lançamento: 3 de março de 2022 (Brasil)

Diretor: Matt Reeves

Orçamento: US$ 150 milhões

Roteiro: Matt Reeves; Mattson Tomlin

Companhia(s) produtora(s): DC Entertainment

Baseado em: Batman; da DC Comics

Elenco: Robert Pattinson, Jeffrey Wright, Zoë Kravitz, Paul Dano, Andy Serkis, Colin Farrell, John Turturro.


quinta-feira, 20 de novembro de 2025

.: Crítica: "Wicked - Parte II" é sombria conclusão épica cheia de ação

 
"Wicked - Parte II", em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em novembro de 2025


A conclusão da épica história das bruxas de Oz acontece magistralmente em "Wicked - Parte II", com a química perfeita de Cynthia Erivo como Elphaba e Ariana Grande na pele de Glinda. O desfecho grandioso e comovente, com um visual de cenários e figurinos impecáveis, amarra as pontas soltas da trama paralela a do clássico "O Mágico de Oz". Assim, tudo é retomado durante a construção da estrada de tijolos amarelos. Pelo ar, no caminho para a Cidade das Esmeraldas, surge a demonizada Bruxa Má do Oeste dando o seu recado.

Enquanto Glinda reside na Cidade das Esmeraldas com o apoio do grande mágico, desfrutando de fama e poder como o símbolo da bondade (ainda sem qualquer poder mágico), e prestes a se casar com seu amado Fiyero, Elphaba mergulha no sombrio, vivendo exilada na remota floresta de Oz para escapar das autoridades da Cidade das Esmeraldas e continuar sua luta para expor a verdade sobre o Mágico. No entanto, até os moradores de Oz são embebidos de ódio contra a Bruxa verde, o que acaba unindo Elphaba e Glinda novamente.

A sequência do primeiro longa, "Wicked", que estreou nos cinemas há quase 1 ano, entrega um visual belíssimo e encantador, como por exemplo, na do casamento de Glinda e Fiyero, que são cenas de encher os olhos e perfeitamente cinematográficas. Muita ação e adrenalina ficam a cargo de uma Elphaba vingativa e muito sombria, mas que também tenta arrumar os erros alheios -e segue incompreendida. 

Numa dualidade mais latente, "Wicked - Parte II" retrata o poder da fama dada a um grande vilão bom de lábia (que pode até ter um laço sanguíneo), a força dos boatos, que mesmo sendo mentirosos, dificilmente são desfeitos, a verdadeira amizade entre personagens opostas capaz de superar até o amor pelo mesmo homem, mas acima de tudo, reflete a importância de aceitar as diferenças e crescer com o outro.

Assistir "Wicked - Parte II" na telona do cinema é um prazer que resgata o universo da magia tão bem trabalhada nos cinemas há mais de 20 anos com a saga Harry Potter, mas também entrega um visual de confrontos, que faz lembrar do épico "O Senhor dos Aneis", principalmente, nas sequências soturnas. É inegável que a história das bruxas agora encerrada já tem um lugar entre os clássicos filmes de fantasia. 

"Wicked - Parte II" pode não agradar a todos, pois não segue a linha da primeira produção em que é pautada nas rusgas que fortalecem o elo de amizade entre Elphaba e Glinda, logo há mais comédia e drama com magia. A segunda parte dos dois filmes dirigidos por Jon M. Chu entrega revelações fortes, embora muitas dicas tenham sido dadas, de modo discreto anteriormente. Em meio a muita ação, acaba pesando um pouco mais no drama. Tal qual acontece no espetáculo teatral, incluindo, a divisão que é exatamente igual, quando há um intervalo. No caso dos filmes, gerou uma divisão em duas partes e, para uma parcela do público, pode não justificar a necessidade de dois longas.

Não há como negar que "Wicked - Parte II" é poderoso, emociona e encanta. Fazendo valer cada centavo pago no ingresso de cinema, incluindo menção na cena final ao cartaz famoso do musical da Broadway. Mas também deixa claro que tudo em torno de "Wicked" é transformado em puro comércio, uma vez que ao longo dos anos, quando o livro de Gregory Maguire foi parar nos palcos, virando um fenômeno mundo afora. "Wicked - Parte II" é imperdível e, sem dúvida, para ser visto mais de uma vez na telona!


O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no GonzagaConsulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.

"Wicked - Parte II". (Wicked For Good). Direção: Jon M. Chu. Roteiro de Winnie Holzman e Dana Fox. Elenco: Cynthia Erivo, Ariana Grande, Jonathan Bailey, Jeff Goldblum. Duração: 2h 18 min. Gênero : Fantasia, musical. Distribuidora: Universal Pictures. Sinopse: Elphaba, agora conhecida como a Bruxa Má do Oeste, vive exilada na floresta de Oz, tentando revelar a verdade sobre o Mágico.

Trailer de "Wicked - Parte II"


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sábado, 19 de novembro de 2022

.: Crítica: "Desencantada" não é um novo "Encantada" e usa a magia da memória

Por: Mary Ellen Farias dos Santos 

Em novembro de 2022


"Desencantada" (Disenchanted), volta com o conto de fadas real de Gisele (Amy Adams) e Robert (Patrick Dempsey), após quinze anos de quando o público se maravilhou com o longa "Encantada". Para, a sequência, a nova produção retrata o depois do "felizes para sempre" usando técnica similar do filme de 2007, mas com um toque moderno, sem o livro em pop-up. Em Andalasia, logo em desenho, Pippin resume a primeira história da princesa Gisele para o filhos esquilos -e para o público. Até que guarda o livro e pega um outro, a segunda parte do conto de fadas.

Em Nova Iorque, após a passagem de tempo, a antiga moradora de Andalassia é mãe de uma linda bebezinha, continua amando a filhinha de Robert, Morgan (Gabriella Baldacchino), mesmo tendo se tornado uma adolescente cheia de sarcasmo, enquanto que Edward (James Marsden) e Nancy (Idina Menzel) são rei e rainha de Andalasia -com tempo para visitas no mundo real. E, por incrível que pareça, o personagem de Robert não tem tanto peso na trama.



De fato, "Desencantada" é uma história sobre o poder da memória, mas as construídas entre Gisele e Morgan, tanto é que a menina vê e chama a madrasta como mãe dela. Ao trabalhar a relação de mãe e filha, há ainda a bebê que esbanja talento, seja pelo lindo sorriso ou até em cena, quando, na nova casa, Gisele abraça Morgan e a pequena coloca uma das mãozinhas no braço, como que acolhendo a jovem.

"Desencantada" não é um novo "Encantada", mas tem a mesma magia. Talvez tenha sofrido pela estreia  ter sido direto no Disney Plus, e não nos cinemas. Solar e colorido, desperta, por inúmeras vezes, o desejo de assistir nas telas enormes de cinemas. E como trata de memórias, "Desencantada" ainda esbarra no fato de o filme ter sido exibido nas telonas. Reduzí-lo, logo na estreia, a uma tela de TV, de computador ou de celular, acaba sendo frustrante. 

Em 118 minutos, ainda há espaço para trechos em animação que não estampam a mesma magia nos traços dos personagens de 2007, mas agrada. Há diversas referências aos clássicos Disney, como a vila de "A Bela e a Fera" ou quando Morgan canta e sobe numa carroça, ao se apoiar nos produtos, alguém atrás joga água como em "A Pequena Sereia", no mar, cantando na pedra. "A Princesa e o Sapo" aparece por um vagalume que voa por várias cenas e ainda, numa performance de Gisele, o críquete de "Alice no País das Maravilhas" é contemplado.

Ainda que mostre a adolescência como uma fase complicada de se lidar, "Desencantada" é sobre preservar memórias. Não espere um filme brilhante, toda a pompa segue com a primeira produção. A jovialidade perdida dos personagens que retornam a seus papeis, às vezes, salta aos olhos. Contudo, Amy Adams, que assina a produção, ainda segura  muito bem o protagonismo enquanto um personagem encantado, ainda que dê destaque para a antes criança e, agora, jovem, Morgan, que vive descaradamente o papel de Cinderella, sendo, inclusive, presa "na torre". São muitas as referências aos clássicos que amamos assistir desde a infância.


A cantoria mesmo sendo de Alan Menken, compositor de "A Bela e a Fera", "Aladdin", "A Pequena Sereia", não imprime o mesmo vigor. Não são músicas poderosamente chicletes, mas muito bonitas. Com quem fica a vilania em "Desencantada"?! Não há uma nova Narissa, personagem fabuloso, que chega a virar o dragão de "A Bela Adormecida", interpretado por Susan Sarandon. Contudo, aqui há duas vilãs. Uma com o perfil e trejeitos típicos, enquanto que outra surpreende com seu toque de dupla personalidade, que, por vezes, remete ao conturbado "Gollum/Smeagol" de "O Senhor dos Aneis"

Entretanto, o filme é lindo e resgata a magia do primeiro, sendo também uma linda homenagem aos clássicos Disney que, merecidamente, deveria estrear nos cinemas. Um erro da Disney? Sem dúvida. Aliás, mais um. Assim como "Red: Crescer é Uma Fera", "Desencantada" tem o poder de encantar nos cinemas, mas, infelizmente, esse gostinho foi tirado ao estrear diretamente no streaming. Imperdível!


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Twitter:@maryellenfsm


Filme: Desencantada (Disenchanted)

Direção: Adam Shankman 

Roteiro J. David Stem, David N. Weiss 

Canções: Alan Menken

Estreia: 18 de novembro de 2022

Elenco: Amy Adams, Patrick Dempsey, James Marsden, Idina Menzel 


.: Crítica: "Red: Crescer é Uma Fera" é sobre não fingir ser o que não se é

Trailer






sexta-feira, 2 de março de 2012

.: Entrevista com Seu Jorge, cantor, “o cara mais legal do mundo”

“Nossa proposta é mostrar que o Brasil também é um país com preocupações de primeira, além de ter problemas de terceiro mundo” - Seu Jorge


Da reportagem
Em março de 2012


Oficialmente, “o cara mais legal do mundo” - Confira a entrevista de Seu Jorge.


Seu Jorge é dono de uma façanha que talvez apenas nomes como Roberto Carlos e Ivete Sangalo alcancem: ele conversa com todas as classes. Ele costuma apresentar em reuniões com publicitários os resultados de uma pesquisa de imagem que encomendou para constatar que fala com as classes A, B, C e D. “É uma figura que não tem rejeição. Homens, mulheres, jovens, velhos, gays, héteros: todos simpatizam com Seu Jorge”, revela Ralph Choate, diretor da agência de comunicação Bigman. Choate o contratou em 2009 para fazer duas campanhas da marca Pool, da Riachuelo.

Hoje, o cantor vive um momento de mudanças. Foi assim que ele definiu, na edição de agosto da revista ALFA, que trouxe uma reveladora entrevista com ele. Agora, Seu Jorge desvenda a alma para os leitores do Resenhando.com, em uma entrevista que concedeu, ano passado, por ocasião do lançamento do CD “Seu Jorge & Almaz”, que foi uma parceria com os integrantes da banda Nação Zumbi. 

Ele mudou de casa e de bairro, do Pacaembu para o Morumbi, se separou da esposa e anunciou que o novo álbum “Músicas Para Churrasco – Volume 1”, lançado em julho, marcou a despedida do ritmo que o alçou à glória, o samba rock de “Burguesinha” e “Mina do Condomínio”, hits que o levaram à lista dos 50 artistas que mais faturaram com direitos autorais no país em 2009. “Estou cansado de ser o único representante de um gênero que nem eu consigo definir. Posso fazer mais pela música”, disse, à revista ALFA.

O último álbum de Seu Jorge, até então, se saiu bem, assim como todos os anteriores que bateram recordes de vendas, mesmo em tempos de crise da indústria fonográfica. “Músicas Para Churrasco...” é o disco mais povão da carreira do cantor, com letras como “A Doida”, que fala de um homem que paga a conta de uma moça na noite – “E ela no Absolut, misturando ice, uísque e Red Bull”. Não é a primeira vez que marcas de bebidas servem de inspiração para o cantor. Em 2007, ele compôs para a cachaça Sagatiba a música “Eterna Busca”. Na ocasião, recebeu pela encomenda. Desta vez, afirma que não é uma campanha.

A edição da revista ainda afirmou que o cantor vai virar erudito. Ele já começou a compor um álbum de voz e violão com orquestra, em parceria com o maestro Miguel Atwood-Ferguson, de Los Angeles. “Quero viajar o mundo com o maestro, a partitura e só. Tocar com todas as filarmônicas, depois vir para o Brasil. Imagina o prefeito de Nova York me recebendo? É isso que desejo para a minha vida”, diz.

De família pobre, de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Seu Jorge virou sonho de consumo das burguesinhas. Depois dos shows, brinda com Veuve Cliquot. Na garagem de sua casa guarda uma Lamborghini Gallardo, um Mustang GT e um Porshe Panamera S. Quando questionado se está rico, balança a cabeça em negativo e fala que não se dá ao luxo nem de comer sobremesa. ”Comprei os carros porque preciso estar preparado para o caso de algum diretor me chamar para fazer um filme de ação”, diz.



RESENHANDO - Sendo um dos artistas mais conceituados no exterior, o que sobrou de periferia em você?
Seu Jorge - Tudo. Está tudo lá. A gente sai da favela, mas a favela não sai da gente, não, já dizia Mano Brown. Quando eu olho para a minha infância, eu vou lembrar daquilo lá. Não vou me lembrar do Morumbi, eu nunca estive lá quando era moleque, nem de Ipanema, eu não sei nem nadar (risos).

RESENHANDO - Todo músico conhece o ditado de que um CD não se termina, ele se abandona. O que você pensa sobre isso?
S.J. - Eu continuo ouvindo. Na minha carreira, por exemplo, o CD “Seu Jorge & Almaz” é o melhor disco que eu já fiz, e penso vagamente que virão outros. Espero que sim! E que a criatividade nos ajude. Porque inspiração é uma coisa importante e é uma coisa que a gente tem que cuidar. 


RESENHANDO - Como cuidar do processo criativo no dia a dia, para manter o “deus da música” com você?
S.J. - Eu acredito que esse “deus” é mantido com alegria e com desobstrução dos problemas também. Tem de ter disposição física, porque, por exemplo, se você tem três concertos, não adianta estar bem para fazer o de amanhã e o de depois de amanhã. Você pode não conseguir fazer direito porque deu tudo no primeiro, aí você está com lentidão física. Acho que tem de ter uma preparação para tudo. A gente que trabalha com música, por exemplo, um guitarrista não pode ter tendinite na mão, não pode ter problema nesse sentido, no braço, ele tem que estar fisicamente disponível. Então, tem uns cuidados que a gente tem de tomar, físicos e espirituais até, para a fertilidade poder acontecer.


RESENHANDO – Você pretende voltar para o cinema?
S.J. - Sempre! Poxa, é uma felicidade muito grande, dez anos se passaram, e fazer parte de um grande filme brasileiro, depois de “Cidade de Deus”, “Tropa de Elite 2”, com uma participação muito pequena. Mas eu estou muito feliz com o que eu fiz, do resultado.


RESENHANDO - Você assustou em “Tropa de Elite 2”!
S.J. - Foi muito legal, muito importante, e gostei da repercussão desse filme justo porque vem colocar a situação do Rio de Janeiro e até do Brasil de uma forma geral, como a problemática da política de segurança, a corrupção. É um filme investigativo, que trata desse assunto sem “alisar cabelinho” de ninguém. Acho que da minha contribuição e a de todo mundo envolvido nessa obra, saiu o sucesso desse trabalho. Graças a Deus, eu também tive sorte nos roteiros que escolhi e espero que cheguem mais filmes para estudar.


RESENHANDO - Interpretar um marginal é um papel que não tem nada a ver você. Como que surgiu todo aquele ódio?
S.J. - A Fátima Toledo ajuda bastante. Eu já tinha trabalhado com ela e, uma vez, o Padilha chegou e falou: “Pois é, eu queria que você fizesse uma ponta, uma participação pequena”. E eu falei: “Ah, não tem nada não! Eu só quero dois dias com a Fátima Toledo”. E ele falou: “Como? Está todo mundo correndo dessa mulher e você quer?”. Aí falei: “Eu sei o resultado que eu vou ter com ela”. E tive dois dias com a Fátima, que na verdade foi um só, porque o outro foi com a equipe dela.


RESENHANDO - Você se preparou em um dia só?
S.J. - É, um dia só com ela. Mas eu entendi o contexto e, do jeito que ela contou para mim, absorvi aquilo rápido.


RESENHANDO - Ela é brava?
S.J. - É nada! Ela é intensa, séria, mas brava... não. Ela consegue tirar ou colocar em você as coisas que ela precisa no filme e você tem que estar aberto, senão fica difícil, porque os exercícios são intensos, machuca às vezes. Eu fazia parte do Comando Vermelho e tinha que fazer os exercícios com o BOPE, então o pau comia mesmo, a porrada rolava. A gente se machucava e tinha que sair para “tomar uma” depois, senão você leva para o hotel, sabe? Aquele negócio, você trata todo mundo mal, é horrível. 



RESENHANDO – Alguma história marcou mais durante as gravações?
S.J. - Eu me lembro muito do Leandro, do Zé Pequeno. Vou contar uma história rapidinho. Foi a primeira vez que vi Fátima. Ela me botou na cadeira e falou: “Quem é você?”. Eu respondi: “Eu sou o Seu Jorge”. Ela rebateu: “Não. Eu quero o cara, você mesmo! Conte sua história”. E aí, quando eu estava contando minha história, de repente, eu estava chorando e ela falou: “Traz o Leandro aí!” e botou ele para rodar. Eu na frente dele, ela virou para mim e falou: “Pega a galinha!”. E eu falei na hora: “Não!”. E ela, de novo: “Pega a galinha!”. Na hora, o pau comeu e eu não tinha força. Ela virou e falou no telefone: “Está pronto! O cara está pronto!”. Então, foi mais ou menos assim e foi maravilhoso. Aconselho a qualquer um ir lá e procurar a Fátima, se tiver um filme pra fazer!


RESENHANDO – “Tropa de Elite 2” teve uma estreia em circuito internacional. Como vê isso para o cinema nacional?
S.J. - Importante. Não deu mais para “O Senhor dos Aneis”, não deu mais para o “Homem Aranha”, não teve pra ninguém. E é a nossa casa, a nossa terra, então é importante a gente também ter. Vamos bater palmas para o Vik Muniz, que concorreu ao Oscar com o documentário dele (“Lixo Extraordinário”), um projeto reconhecido. É o cinema no Brasil imprimindo a nossa marca, desde “O Quatrilho”, que tem essa evolução no cinema brasileiro, Lulinha Carvalho, Ricardo de La Rosa, Padilha, Walter, Fernando Meirelles... 


RESENHANDO – Quais são os grandes nomes do cinema nacional na atualidade?
S.J. - Estamos no início de uma década que ainda tem muita água para descer. O cinema brasileiro está imprimindo essa independência. Wagner Moura, que teve atuações brilhantes nos dois “Tropa de Elite”. Rodrigo Santoro, fantástico ator, que já está no cenário internacional... Alice Braga também... Eu estou beliscando meus filmes fora do Brasil. A dona Fernanda Montenegro, por favor, não vamos deixar de falar dessa mulher que é reconhecida e respeitada no mundo inteiro por todos os filmes e por tudo o que faz. O Padilha, que criou “Tropa de Elite” completamente independente, e depois as companhias chegaram, a mesma coisa com Fernando Meirelles. Isso é uma atitude, é o mercado se regulando, é uma cena de um horizonte para um Brasil que está se preparando para uma economia um pouquinho mais forte e, quem sabe, até no futuro o cenário político venha proporcionar mais investimento em cultura.


RESENHANDO - Com relação ao Almaz, você tem receio de comparações do público com seus projetos anteriores?
S.J. - Desculpe, mas vou ter que até usar um termo. Quem tem medo de cagar não come, né?


RESENHANDO – Como surgiu o projeto do CD “Seu Jorge & Almaz”?
S.J. - Começou em 2008, nada foi focado. Descobrimos a sonoridade juntos, a gente tocava cantando, dando canja. O Antonio fez músicas para “Cidade de Deus”. Eu já tinha feito esse filme, e descobrimos a sonoridade juntos. A gente notou que, naquele momento, o Brasil não tinha muito, fora a “Nação Zumbi”, grupos que tinham essa preocupação com a música, sonoridade. A gente falou: “Vamos nos encontrar amanhã, depois do expediente. Cada um traz meia dúzia de cerveja, capitais do Vinícius, vamos ouvindo e a gente vai gravar”. Em uma semana gravamos, acho que umas 18 canções. E, em sete, oito dias, a gente gravou. Muito rápido e muito “relax”, era ao vivo, no estúdio do Antonio. É cômodo, confortável, o Pupillo estava em uma sala, eu, em outra, e Antonio e ele na cabine. Nós podíamos tocar ao vivo e as coisas, na maioria das vezes, foram tudo “good take". Tirando as músicas em inglês que ninguém fazia, não fala a língua, é complicado.


RESENHANDO - Foi difícil?
S.J. - Não, não foi, por que eu já tinha intimidade com as músicas. Mas tinha uma preocupação. O Antonio fala inglês desde criança, então ajudava na correção. O Mário Caldato, que é americano, ajudou na correção, no entendimento das palavras, e acho que foram só essas canções em particular que deram um pouquinho mais de trabalho, mas as outras saíram de primeiro take. O Mário adorou o projeto e fez a pós-produção, mas no momento, lá em 2008, eu, a Nação e o próprio Antonio tínhamos muitos compromissos, então tivemos que esperar um pouco e achar um momento. Quando foi em 2010, a “Now Again” com a “Stone Stroke” fizeram uma proposta. O Mário introduziu, o Lúcio sugeriu quem fizesse a capa e rapidamente acertamos e fomos para os Estados Unidos. Lançamos o disco lá depois tive a felicidade de soltar o disco no Brasil.


RESENHANDO - Como foi a receptividade do público com o “Almaz” no exterior?
S.J. - Incrível, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. A surpresa particularmente foi ver a receptividade da imprensa nos Estados Unidos. O público, já imaginávamos, mas a imprensa foi uma bela e grata surpresa. A gente teve as melhores rádios dos Estados Unidos e o prestígio de tocar ao vivo nessas rádios com um público ouvindo na hora, e também mídia especializada de música. Os lugares que a gente tocou também criou uma boa impressão. Na Europa já era mais fácil. Eu, pelo menos, estava bem em casa na Europa. A França foi majestosa com a gente, Inglaterra, enfim... Em todos os lugares que a gente passou recebemos carinho.
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