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quinta-feira, 12 de março de 2026

.: “A Pequena Amélie” transforma a infância em filosofia animada


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: divulgação

Mais do que uma narrativa infantil, a animação francesa “A Pequena Amélie” propõe uma experiência sensorial que atravessa gerações. Crianças podem reconhecer o frescor da descoberta; adultos, por sua vez, podem encontrar algo ainda mais raro: a memória do momento em que aprenderam a olhar para o mundo pela primeira vez. O filme chega à Rede Cineflix e aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 12 de março, depois de uma trajetória de destaque em festivais internacionais e na temporada de premiações, e trata da descoberta do mundo como uma aventura íntima e silenciosa.

Indicada ao Oscar de Melhor Animação e também ao Globo de Ouro na mesma categoria, a produção estreia no Brasil com distribuição da Mares Filmes e da Alpha Filmes, apostando numa narrativa sensível que transforma as primeiras experiências da vida em matéria poética. A animação traz vozes originais de Loïse Charpentier, Victoria Grobois e Yumi Fujimori, enquanto a versão brasileira conta com Beta Cinalli, Danilo Diniz e Mônica Toniolo, entre outros nomes, sob direção de dublagem de Renato Marcio. 

Dirigido por Maïlys Vallade e Liane-Cho Han Jin Kuang, o longa-metragem é uma adaptação do romance autobiográfico “Métaphysique des Tubes”, da escritora belga Amélie Nothomb. A obra literária, publicada em 2000, inspirou um filme que observa o mundo pelos olhos de uma criança - mais precisamente entre o primeiro e o terceiro ano de vida da protagonista. Nascida no Japão em uma família belga expatriada, Amélie vive os primeiros anos cercada por um ambiente que mistura encantamento, estranhamento cultural e descobertas afetivas. O vínculo com a governanta Nishio-san, figura central em sua formação emocional, conduz a menina por um universo feito de pequenas epifanias, onde natureza, linguagem e memória passam a ganhar significado.

Com 78 minutos, o filme aposta em um estilo visual delicado e autoral, explorando cores suaves e uma narrativa que privilegia sensações, lembranças e pequenos rituais da infância. A proposta dialoga com a própria origem do projeto: o livro de Nothomb revisita suas memórias de infância no Japão, país onde a autora viveu durante os primeiros anos de vida.

A repercussão internacional ajudou a consolidar a obra como uma das animações mais comentadas do circuito recente. “A Pequena Amélie” estreou mundialmente no Festival de Cannes de 2025 e circulou por eventos como o Festival Internacional de Cinema de Toronto e o Festival de Annecy, onde conquistou o Prêmio do Público. O filme também acumulou sete indicações ao Annie Awards - considerado o “Oscar da Animação” - e recebeu elogios da crítica especializada, alcançando índices de aprovação próximos de 98% em agregadores de avaliação.

Em tempos em que grandes estúdios dominam o mercado com produções de alto orçamento, a animação franco-japonesa aposta em outra direção: prefere a contemplação e a introspecção, convidando o público a revisitar o instante em que tudo ainda estava sendo descoberto - a linguagem, os afetos, o medo e o encanto diante do mundo. E, nesse processo, construir uma pequena filosofia da infância, em que cada detalhe cotidiano pode ganhar uma dimensão existencial.

Ficha técnica
“A Pequena Amélie” | “Amélie et la Métaphysique des Tubes” (título original) | “A Pequena Amélie ou a Personagem da Chuva” (título em Portugal)
Gênero: animação, aventura
Classificação indicativa: 6 anos
Ano de produção: 2025
Idioma: francês / japonês
Direção: Maïlys Vallade, Liane-Cho Han Jin Kuang
Roteiro: Amélie Nothomb, Liane-Cho Han Jin Kuang, Aude Py
Elenco (vozes originais): Loïse Charpentier, Victoria Grobois, Yumi Fujimori
Distribuição no Brasil: Mares Filmes e Alpha Filmes
Duração: 78 minutos
Cenas pós-créditos: não.

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As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos | Sala 1
De 12 da 18 de março | Sessões dubladas | 14h05 
De 12 da 17 de março | Sessões legendadas | 18h30 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

.: As seis apresentações de "O Céu da Língua" no Espaço Unimed, em SP


Com algumas sessões já esgotadas, a elogiada turnê, que já levou 167 mil espectadores ao teatro desde fevereiro de 2025, será apresentada nos dias 27, 28, 29 e 31 de janeiro e 1° de fevereiro, no Espaço Unimed. Espetáculo de Gregorio Duvivier é uma comédia sobre a presença quase invisível da poesia no cotidiano. Foto: 
divulgação/ Priscila Prade

Quem tem medo de poesia? Gregorio Duvivier não faz parte deste grupo e, como um apaixonado, faz de tudo para persuadir os outros das qualidades do seu objeto de encanto - até mesmo criar um espetáculo sobre o assunto. No monólogo cômico “O Céu da Língua”, o artista usa o seu discurso sedutor para convencer o público de que tropeçamos diariamente na poesia e o assunto é prazeroso e divertido. Nos dias 27, 28, 29 e 31 de janeiro e 1° de fevereiro de 2026, ele leva o elogiado espetáculo para o Espaço Unimed, na Barra Funda, em São Paulo. As duas sessões do dia 31, sábado, e do dia 1° de fevereiro, domingo, no Espaço Unimed já estão esgotadas. Há os últimos ingressos disponíveis para as sessões extras no dia 27, terça-feira, 28, quarta-feira e 29 de janeiro, quinta-feira. 

“O Céu da Língua” já foi visto por mais de 167 mil espectadores desde fevereiro de 2025, em turnê que já passou por 33 cidades, 12 estados e dois países, em diversos teatros do país e também em Portugal. “A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”, reconhece o ator, que cursou a faculdade de Letras na PUC do Rio de Janeiro e publicou três livros sobre o gênero literário. “Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, para isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura”.  

A direção é da atriz Luciana Paes, parceira de Gregorio nos improvisos do espetáculo Portátil. No palco, com cenografia de Dina Salem Levy, o instrumentista Pedro Aune cria ambientação musical com o seu contrabaixo, e a designer Theodora Duvivier, irmã do comediante, manipula as projeções exibidas ao fundo da cena. O resto é só o comediante e sua lábia desafiadora:

“Acredito que o Gregorio tem ideias para jogar no mundo e, com essa crença, a coisa me move independentemente de qualquer rótulo”, diz Luciana, uma das fundadoras da celebrada Cia. Hiato, que estreia na função de diretora teatral.  “O Céu da Língua” não é um recital e tampouco o artista declamará Castro Alves, Fernando Pessoa ou Carlos Drummond de Andrade. Por outro lado, garante Luciana, a dramaturgia não deixa de ser poética neste “stand-up comedy pegadinha”, como ela bem define. 

“O Gregorio simpático e engraçado está no palco ao lado do Gregorio intelectual com seu fluxo de pensamento ininterrupto e imagino que, por isso, a plateia deve embarcar na proposta”, aposta a diretora. “Ele, graças aos seus recursos de ator, pega o público distraído e ninguém resiste quando é surpreendido por alguém apaixonado”.

Toda linguagem é um acordo e, se você entende, tudo bem. Gregorio, desde a infância, carrega uma obsessão pela palavra, pela comunicação verbal, pela língua portuguesa. Assim o protagonista, por exemplo, brinca com códigos, como aqueles que, em sua maioria, só são decifrados por pais e filhos ou casais enamorados. 

As reformas ortográficas que tiram letras de circulação e derrubam acentos capazes de alterar o sentido das palavras inspiram o artista em tiradas bem-humoradas. O mesmo acontece quando ele comenta a ressurreição de palavras esquecidas, como “irado”, “sinistro” e “brutal”, que voltaram ressignificadas ao vocabulário dos jovens. E aquelas que só de ouvi-las geram sensações estranhas, a exemplo de afta, íngua, seborreia, ou outras, inventadas, repetidas à exaustão, como “atravessamento”, “namorido” ou “almojanta”? Até destas Gregorio extrai humor.

Para o artista, a língua é algo que nos une, nos move, mas raramente damos atenção a ela. É só pensar nas metáforas usadas no cotidiano  “batata da perna”, “céu da boca”, “pisando em ovos”. Nesta hora, usamos a poesia e nem percebemos. 

Nesta cumplicidade com a plateia, Gregorio mostra gradativamente que a poesia não tem nada de hermética e, claro, homenageia Portugal, o país que emprestou ao Brasil a sua língua para que todos se comunicassem. Além de Fernando Pessoa, o ator evoca o poeta Eugênio de Andrade e lembra de que a origem de “O Céu da Língua” está relacionada ao espetáculo “Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar”. O divertido intercâmbio linguístico colocou no mesmo palco Gregório e o humorista luso Ricardo Araújo Pereira em improvisações sobre o idioma que os une. Compre os livros de Gregorio Duvivier neste link.


Ficha técnica 
Espetáculo "O Céu da Língua"
Texto: Gregorio Duvivier e Luciana Paes
Interpretação: Gregorio Duvivier
Direção: Luciana Paes
Direção musical e execução da trilha: Pedro Aune
Assistente de direção e projeções: Theodora Duvivier
Iluminação: Ana Luzia de Simoni
Cenografia: Dina Salem Levy
Assistente de cenografia: Alice Cruz
Figurinos: Elisa Faulhaber e Brunella Provvidente
Visagismo: Vanessa Andrea
Designer gráfico publicação: Estúdio M-CAU – Maria Cau Levy e Ana David
Identidade visual divulgação: Laercio Lopo
Comunicação: Raquel Murano
Marketing digital: Renato Passos
Assessoria de imprensa RJ: Pedro Neves
Assessoria de imprensa SP: Pombo Correio
Fotos: Demian Jacob, Priscila Prade, Joana Calejo Pires e Raquel Pelicano
Diretor técnico: Lelê Siqueira
Diretor de palco: Reynaldo Thomaz
Técnico de som: Dugg Mont
Assistente de palco: Daniela Mattos
Gerente de Projetos: Andréia Porto
Assistente de produção: João Byington de Faria
Produção executiva: Lucas Lentini
Direção de produção: Clarissa Rockenbach e Fernando Padilha
Produção: Pad Rok

Serviço:
Espaço "O Céu da Língua"
Local: Espaço Unimed (Rua Tagipuru, 795, Barra Funda / São Paulo 
Datas: 27, 28, 29 e 31 de janeiro de 2026 e 1° de fevereiro de 2026 
Horários:
27 de janeiro (terça-feira) - Abertura da casa: 20h | Início do show: 21h30
28 de janeiro  (quarta-feira) - Abertura da casa: 20h | Início do show: 21h30
29 de janeiro  (quinta-feira) - Abertura da casa: 20h | Início do show: 21h30
31 de janeiro  (sábado) - 1a. sessão: Abertura da casa: 16h | Início do show: 17h30
31 de janeiro (sábado) - 2a. sessão: Abertura da casa: 20h | Início do show: 21h30
1° de fevereiro (domingo) - Abertura da casa: 16h | Início do show: 17h30

Ingressos: Camarote A: 180,00 | Camarote B: 160,00 | Setor Platinum: R$ 220,00 | Setor Azul Premium: R$ 180,00 | Setor Azul: R$ 160,00 | Setores A, B, C e D: R$ 140,00 | Setores E, F, G e H: R$ 120,00 | Setores I, J e K: R$ 100,00

Compra de ingressos: on-line pelo link https://www.espacounimed.com.br/show/gregorio-duvivier-6/  e no site da Ticket 360 ou nas bilheterias do Espaço Unimed (Rua Tagipuru, 795 - 01156-000, Barra Funda - São Paulo/SP). Funcionamento de segunda a sábado, das 10h às 17h - exceto feriados. Bilheteria virtual: A compra pela bilheteria virtual não tem acréscimo de taxa de serviço e tem como forma de pagamento cartão de crédito ou pix. Para ativar a compra através do aplicativo, esteja no local no raio máximo de 500 metros (isento da taxa). 
Classificação etária: 14  anos
Acesso para deficientes: sim
Objetos proibidos: Câmera fotográfica profissional ou semi profissional (câmeras grandes com zoom externo ou que trocam de lente), filmadoras de vídeo, gravadores de áudio, canetas laser, qualquer tipo de tripé, pau de selfie, camisas de time, correntes e cinturões, garrafas plásticas, bebidas alcóolicas, substâncias tóxicas, fogos de artifício, inflamáveis em geral, objetos que possam causar ferimentos, armas de fogo, armas brancas, copos de vidro e vidros em geral, frutas inteiras, latas de alumínio, guarda-chuva, jornais, revistas, bandeiras e faixas, capacetes de motos e similares.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

.: Gaía Passarelli lança "Deslumbre" na Livraria Ponta de Lança em São Paulo


Nesta quinta-feira, 15 de janeiro, a partir das 19h00, a escritora Gaía Passarelli lança "Deslumbre - Histórias de Obsessão Musical" na Livraria Ponta de Lança em São Paulo. A autora conversa com Camilo Rocha, autor de “Bate-Estaca: como DJs, Drag Queens e Clubbers Salvaram a Noite de São Paulo”, e Rodrigo Carneiro, autor de “Crônicas de Paixão, Política e Cultura Pop”. A mediação é da jornalista Camila Yahn, que tem larga experiência na cobertura de noite, música e moda e é uma das personagens do livro de Gaía. Editor: Marcelo Viegas. Projeto gráfico: Renata Coelho. Ilustração: Tiago Lacerda.

Do mítico Espaço Retrô ao Peel Acres, passando pelo histórico after-hours Hell’s Club e pelos corredores da MTV Brasil, Gaía traça uma verdadeira linha do tempo dos gostos e descobertas da Geração X paulistana: crianças nos anos 1980, jovens nos anos 1990 e adultos nos anos 2000, atravessando as intensas transformações tecnológicas, sociais e comportamentais da virada do século. Entre cada capítulo, as seções Backstage ampliam o universo do livro com listas pessoais de músicas, discos, filmes e livros que marcaram época — referências que vão de Joy Division, Bauhaus e The Cure a Sonic Youth, Guided by Voices, Underworld, Björk, Aphex Twin, Prodigy, Battles e Crystal Castles.

“Esse é um exemplo do encanto de Deslumbre: quanto mais música Gaía descobre, mais ela descobre sobre si mesma. Com habilidade, a escrita maneja um constante zoom in e zoom out entre a pessoa Gaía, suas sensações, seus sentimentos e fases da vida, e a paisagem cultural mais ampla do momento. O livro consegue ser ao mesmo tempo um relato muito pessoal e um panorama da vida alternativa em São Paulo entre o fim e o início do segundo milênio” , afirma o mediador Camilo Rocha.

Em "Deslumbre - Histórias de Obsessão Musical", Gaía Passarelli mergulha na própria formação cultural para contar como a música atravessou e moldou sua vida. Com prefácio de Camilo Rocha e ilustrações de Tiago Lacerda, o livro mistura memória, jornalismo e crônica cultural para revisitar quatro momentos decisivos da trajetória musical da autora, que atuou como repórter e apresentadora.


Serviço
Lançamento de “Deslumbre: Histórias de Obsessão Musical”, de Gaía Passarelli
Com Camilo Rocha, Rodrigo Carneiro e Camila Yahn (mediação).
Nesta quinta-feira, dia 15 de janeiro, das 20h00 às 21h30
Livraria Ponta de Lança - R. Aureliano Coutinho, 26, Vila Buarque / São Paulo


Sobre a autora
Gaía Passarelli
é escritora, repórter e curadora de conteúdo. Desde muito jovem aprendeu que a música podia ser um mapa. Foi VJ da MTV Brasil, repórter de viagens, colaboradora de veículos como Folha de S.Paulo e Marie Claire, além de autora de "Mas Você Vai Sozinha?" (Globo Livros, 2016) e Tá Todo Mundo Tentando (Editora Nacional, 2024). Publica newsletters, apresenta podcasts e escreve ensaios sobre cultura e comportamento. Em "Deslumbre: histórias Sobre Obsessão Musical", Gaía revisita artistas, sons e cenas que moldaram sua vida – do rock alternativo dos anos 1990 às pistas de dança do início da internet. Nascida e criada em São Paulo, a autora mora em um apartamento antigo na região central da cidade com os gatos Meia-Noite, Jezebel e Café.

domingo, 11 de janeiro de 2026

.: O "Coração Acelerado" de Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento


Duas autoras, uma novela musical e o sertanejo como linguagem dramática para falar de amor, ambição e protagonismo feminino. Foto: Globo/ Léo Rosario

Toda canção sertaneja carrega um enredo pronto: amores atravessados, promessas quebradas, coragem feminina e aquela emoção que pede refrão alto. "Coração Acelerado", nova novela das sete da TV Globo, surge exatamente desse cruzamento: quando a música popular encontra o melodrama clássico da telenovela e resolve falar de mulheres que querem soltar a própria voz. Pela primeira vez escrevendo juntas uma novela, Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento transformam o universo do sertanejo - e, sobretudo, do feminejo - em território narrativo, afetivo e até político. 

Além de hits, palcos ou bastidores, a novela tratará sobre ambição, redes sociais, contratos sufocantes, heranças familiares e o direito de sonhar sem baixar a cabeça para ninguém. Nesta entrevista, as autoras falam de pesquisa, parceria, humor, música como motor dramático e da aposta em uma história popular que acelera o coração sem abrir mão de inteligência, afeto e conflito.


Como vocês definem a trama de "Coração Acelerado"?
Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento - Nossa história é uma comédia romântica musical, com protagonismo feminino no universo da música sertaneja, que fala de amor, de sonhos e conquistas.

 
De quem foi a ideia desta trama e como vocês se dividem nesta escrita? 
Izabel de Oliveira - Eu tinha vontade de falar sobre o universo sertanejo, sobretudo o feminejo, e levei a ideia para a Globo. Quando o projeto foi aprovado, pedi alguém para embarcar comigo nesta construção e foi então que convidamos a Maria Helena. A partir do argumento inicial, elaboramos a sinopse juntas e nos dividimos na escrita da trama. De modo geral, eu estruturo as escaletas e a Maria Helena desenvolve as cenas, mas trocamos ao longo de todo o processo, nos complementando nas ideias. E temos ainda um time de roteiristas, com Daisy Chaves, Dino Cantelli, Flavia Bessone, Fabrício Santiago e Isabel Muniz, que trabalham conosco e contribuem muito na construção da nossa história.

 
O que inspirou vocês a contar essa história?
Izabel de Oliveira - A ideia de contar uma história ambientada no universo sertanejo veio da minha paixão pela história popular e por eu identificar no sertanejo, dentro do universo da música, o que há de mais parecido com um roteiro de novela. As letras das músicas sertanejas contam uma história! Elas falam de amor, dos sentimentos, de sonhos e têm um apelo popular que comunica imediatamente com o público. Eu tenho uma fascinação por isso. Então, veio o desejo de escrever uma novela musical com a temática sertaneja. E isso aconteceu quando o feminejo estava estourando, com mulheres talentosas e potentes que estavam buscando seus espaços.
Maria Helena Nascimento - Além da riqueza dos elementos de melodrama na letra sertaneja que nos inspirou, nós duas temos no histórico novelas musicais, eu com "Rock Story", e Izabel com "Cheias de Charme". É uma temática que gostamos. Como espectadora, sempre me encanto com projetos que envolvam música.
 

Como foi o processo de pesquisa para escrever essa história?
Izabel de Oliveira e
 Maria Helena Nascimento - Estamos mergulhadas nesse universo com apoio de diferentes áreas. O departamento de Pesquisa e Desenvolvimento Artístico da Globo promoveu um ciclo de conversas em que pudemos trocar com diversos cantores do sertanejo, fizemos uma pesquisa intensa em Goiânia e estamos contando com um suporte muito grande da TV Anhanguera, afiliada da região. E isso será um processo contínuo, que nos acompanhará até o fim da novela.


A novela traz uma história que aborda o feminejo e a força feminina. Como isso será mostrado? Que assuntos da atualidade são abordados na trama?
Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento - Contaremos a história da Agrado (Isadora Cruz), uma jovem que sonha com a carreira de cantora e batalha por isso em um universo em que a presença masculina é muito forte. As pessoas se interessam pelas composições da Agrado, mas sempre querem mudar algo, e isso a deixa indignada. Agrado não abaixa a cabeça, ela tem orgulho e acredita no seu talento. É uma mulher forte, dona de si. O público verá também a trajetória da Eduarda (Gabz), que, assim como Agrado, sonha com a carreira de cantora, mas lhe oferecem poucas oportunidades. Ela lutará muito por sua carreira. Teremos ainda as personagens Zilá (Leandra Leal) e Janete (Letícia Spiller), duas mulheres fortes e empreendedoras. Mostrar a batalha dessas mulheres será inspirador. Outra pauta que traremos é sobre a relação das pessoas com as redes sociais. A história se inicia com a repercussão de um post feito pelo astro sertanejo João Raul (Filipe Bragança). E temos a personagem Naiane (Isabelle Drummond), uma influenciadora digital. Vamos discutir sobre as relações digitais, a superexposição nas redes e o impacto disso na vida dessas pessoas.
 

Estão previstas participações especiais da música sertaneja. Por que trazer estes artistas para a história?
Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento - Gostamos de fazer essa conexão entre realidade e ficção, traz verdade para a história e causa um impacto no público. É divertido ter personagens reais inseridos na trama. E, claro, é uma forma de homenagear esses artistas.
 

O horário das sete propõe histórias com temáticas mais leves e divertidas. O humor estará presente na trama?
Izabel de Oliveira e
 Maria Helena Nascimento - Nossa história é um romance musical com muito humor. Não temos um único núcleo cômico, isso está espalhado nas tramas que envolvem a história, que é leve e bem-humorada. Acontece até mesmo com os vilões ou nas situações mais dramáticas.
 

Como está sendo a parceria com Carlos Araújo? É a primeira novela que fazem juntos? 
Izabel de Oliveira - Trabalhei com Carlos Araújo em "Cheias de Charme". Ele é um diretor muito vibrante, cheio de boas ideias e tem um lado sentimental muito parecido comigo e com a Maria Helena.
Maria Helena Nascimento - O Carlos tem se mostrado muito entusiasmado, e é muito gostoso para a gente ver a forma que ele recebe o nosso trabalho. A troca tem sido muito harmônica.
 

O que o público pode esperar de "Coração Acelerado"?
Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento - Que acelere o coração de todos! Música, romance, relações de famílias intensas, humor e sonoridade.

 
O que vocês querem despertar no público com a história que estão contando?
Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento - A vontade de correr atrás dos seus sonhos. De ter coragem para batalhar por aquilo que acreditam e desejam para suas vidas. E, claro, a emoção que a música provoca.



domingo, 4 de janeiro de 2026

.: Isabel Allende convida a degustar a vida sem pudores em livro


“Arrependo-me das dietas, dos pratos deliciosos re­jeitados por vaidade, tanto como lamen­to as oportunidades de fazer amor que deixei passar para me dedicar a tarefas pendentes ou por virtude puritana. A sexualidade é um componente da boa saúde, inspira a criação e é parte do caminho da alma. Infelizmente, demorei trinta anos para descobrir isto.”
, escreveu Isabel Allende. Após 15 anos fora de catálogo, "Afrodite - Contos, Receitas e Outros Afrodisíacos", publicado pela editora Bertrand Brasil, está de volta às livrarias, em edição especial com capa nova. 

Provocante e sensorial, é a obra em que a best-seller Isabel Allende explora os vínculos entre comida, erotismo e identidade em uma prosa cheia de sabor e poesia. Um livro sedutor que revela a alquimia entre prazer e palavra, excelente opção de presente de fim de ano e um encanto para fãs da autora e amantes da boa comida. Escritora de língua espanhola mais lida no mundo, Isabel Allende já vendeu mais de 1 milhão de exemplares no Brasil e mais de 77 milhões no mundo. Seus livros já foram traduzidos para mais de 40 idiomas. A tradução da edição brasileira é de Claudia Schilling.

Entre receitas, vinhos sensuais e poções quase mágicas, Isabel Allende cria um banquete literário em que cada prato é acompanhado por histórias, lembranças e reflexões sobre o desejo, a intimidade e o poder transformador da comida. Com seu estilo inconfundível, Allende mescla memória e imaginação para evocar os prazeres que nos fazem humanos. 

O resultado é uma combinação irresistível de narrativas pessoais, contos cheios de humor e delicadeza, e pequenas provocações que questionam nossos próprios limites e tabus. O erotismo aparece não apenas como tema, mas como uma linguagem que atravessa cada página. Uma celebração do prazer em todas as suas formas.

Com nova capa, novo projeto gráfico e ricamente ilustrado, esta edição de "Afrodite" é um convite para degustar a vida sem pudores. Um livro que seduz os olhos, instiga a mente e desperta os sentidos, trazendo uma nova dimensão ao ato de comer, amar e contar histórias. Compre o livro "Afrodite - Contos, Receitas e Outros Afrodisíacos", de Isabel Allende, neste link.


O que disseram sobre o livro

"Um banquete literário no qual Allende mistura sabores e desejos com uma prosa irresistível.” - The New York Times

“Provocante e saboroso, Afrodite é um convite ao hedonismo inteligente.” - El País

 
Sobre a autora
Isabel Allende
é a autora de língua hispânica mais lida no mundo. Com livros publicados em mais de 40 idiomas, estreou na escrita em 1982, com A casa dos espíritos, título mítico da literatura latino-americana que obteve grande sucesso internacional. Em 2014, recebeu das mãos de Barack Obama a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais importante distinção civil dos Estados Unidos. Quatro anos mais tarde, seria agraciada com o National Book Award pelo conjunto de sua obra. Compre os livros de Isabel Allende neste link.


  

.: Teatro: “Palhaços” desmonta sonhos e provoca o público no Sesc Santos


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com
Foto: divulgação

Com Dagoberto Feliz e Danilo Grangheia em cena, sob direção de Gabriel Carmona, o espetáculo “Palhaços” será apresentado nos dias 9 e 10 de janeiro, às 20h00, no auditório do Sesc Santos. A montagem propõe uma experiência teatral intensa, que transita entre o humor ácido, o absurdo e a reflexão sobre as máscaras sociais que as pessoas insistem em vestir.

Na trama, Careta é o palhaço da meia-noite e treze, dono e protagonista de um circo de um homem só. Após mais uma apresentação, ele é surpreendido no camarim por Benvindo, um espectador entusiasmado que decide cumprimentar seu ídolo. O encontro, que a princípio parece cordial e carregado de admiração, rapidamente se transforma em um jogo cômico-surreal, no qual as fronteiras entre fã e artista, realidade e fantasia, admiração e crueldade começam a se dissolver.

A partir desse embate, o espetáculo mergulha em uma espécie de duelo psicológico. Com humor ferino, gestos circenses e um diálogo provocador, Careta passa a desmontar, um a um, os sonhos mais puros e os desejos mais obscuros de seu visitante. O riso surge como armadilha: ao mesmo tempo em que diverte, expõe fragilidades, frustrações e contradições humanas, conduzindo a plateia a um desconfortável - e revelador - reconhecimento de si mesma.

“Palhaços” utiliza a linguagem do circo, do teatro físico e da comédia para tensionar temas como idolatria, frustração, poder e identidade. A encenação aposta no contraste entre o lúdico e o brutal, criando uma atmosfera em que o riso nunca é inocente e o espetáculo se constrói justamente nesse território instável entre encanto e incômodo. Voltado ao público a partir de 14 anos, o espetáculo tem duração de 75 minutos. Os ingressos custam R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia-entrada) e R$ 12,00 (Credencial Plena).


Ficha técnica
Espetáculo "Palhaços"

Texto: Timochenko Webhi
Direção: Gabriel Carmona
Elenco: Dagoberto Feliz e Danilo Grangheia
Produção: Ana Barros
Cenário: Flavio Tolezani
Operação de luz: Aline Barros
Figurino: Daniel Infantini
Fotos: Ricardo Galli, Renato Silvestre, Tathi Yazigi
Arte gráfica: Raymundo Calumby
Duração: 75 minutos

Venda de ingressos
As vendas de ingressos para os shows e espetáculos da semana seguinte (segunda a domingo) começa na semana anterior às atividades, em dois lotes: on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e portal do Sesc São Paulo: às terças-feiras, a partir das 17h00. Presencialmente, nas bilheterias das unidades: às quartas-feiras, a partir das 17h00.

Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento
Terça a sexta, das 9h às 21h30 | Sábados e domingos, 10h às 18h30   

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida / Santos
Telefone: (13) 3278-9800        
Site do Sesc Santos
Instagram e Facebook: @sescsantos

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

.: Lenine: novo álbum marca um manifesto de liberdade


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: dibulgação

Com a urgência de quem transforma criação em gesto de liberdade, Lenine volta à cena com o álbum “Eita”, reafirmando sua autonomia artística e o vínculo visceral com o Nordeste. Após dez anos sem lançar um disco de estúdio, o artista retorna com uma obra que exalta a força criadora de suas origens e consolida sua posição de referência na música brasileira.

Disponível nas plataformas de streaming, o projeto vem acompanhado de um audiovisual em média-metragem, no YouTube, que amplia o universo sensorial das canções e reafirma a habilidade de Lenine de transformar som em imagem – desta vez, assumindo também o papel de intérprete visual da própria obra.

O disco é também uma celebração com seus parceiros e com seu coletivo sonoro. São 11 faixas inéditas que cruzam o contemporâneo e a tradição, com arranjos de artistas como Carlos Malta, Henrique Albino e Martin Fondse, sob direção artística do próprio Lenine e produção musical de Bruno Giorgi.

“Eita”, expressão popular que pode ser espanto, encanto ou celebração, dá nome a uma obra em que tudo parte da primeira pessoa. É o disco mais pessoal de Lenine; um trabalho de domínio total sobre criação, gravação, som e imagem. “Empoderei-me de todos os meios, todos os caminhos, todas as etapas”, pontua o artista, que assina cada camada do processo, em uma afirmação de independência e liberdade criativa.

O álbum é também uma grande homenagem ao Nordeste, território de origem e imaginação de Lenine, que ressoa em cada batida, palavra e silêncio. Não à toa, é dedicado a Dominguinhos, Hermeto Pascoal, Letieres Leite e Naná Vasconcelos. O disco reúne jovens compositores, como Carlos Posada e Gabriel Ventura; além de nomes  consagrados (Arnaldo Antunes, Dudu Falcão, João Cavalcanti, Lula Queiroga e Siba), e homenageia o Terreiro Xambá com a força ancestral da família Bongar, que traz seus toques, loas e danças.

As participações de Maria Bethânia (“Foto de Família”, de Lenine e João Cavalcanti), Maria Gadú (“O Rumo do Fogo”, de Lenine e Lula Queiroga), Siba (“Malassombro”, de Lenine e Siba) e Gabriel Ventura (“Beira”, de Lenine e Gabriel Ventura) completam o encontro. Mais do que um disco, “Eita” é uma tomada de domínio, um gesto de liberdade e uma celebração da criação como forma de existir. Uma obra que transcende fronteiras e espelha as complexidades, afetos e possibilidades do Brasil contemporâneo. Um projeto que anuncia, com poesia e verdade, que um dos maiores criadores da música brasileira traz boas novas.


"Eita!"

"Meu Xamego"

"Confia em Mim"

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

.: Vicente de Carvalho: resgate do poeta santista por Flávio Viegas Amoreira


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

A obra "Vicente de Carvalho - Redescoberto", organizada por Flávio Viegas Amoreira, representa um marco para a preservação e revitalização da obra do icônico poeta santista Vicente de Carvalho. Com uma seleção cuidadosa de poemas e o ineditismo de um conto resgatado, a obra é um convite ao mergulho na lírica do “Poeta do Mar” e nos sentimentos da alma caiçara.

Além do encanto e da relevância de um conto publicado há 90 anos, o livro ganha um brilho especial com o prefácio escrito por Vicente Augusto de Carvalho (neto do autor) e por Ives Gandra Martins (membro da Academia Brasileira de Filosofia e ex-presidente da Academia Paulista de Letras). A edição em capa dura reforça o caráter de preservação cultural que esta obra representa.

Para a cidade de Santos, o resgate da obra de Vicente de Carvalho é muito mais do que uma homenagem; é um gesto de recuperação e valorização da história literária regional. Suas poesias, que celebram o mar, a natureza e o cotidiano, refletem o espírito do povo santista e reavivam uma conexão afetiva com as origens culturais da cidade. Esse livro não apenas enriquece a biblioteca da literatura brasileira, mas também reitera a importância de preservar a herança literária para futuras gerações. A edição organizada por Flávio Viegas Amoreira é, portanto, uma joia literária e um presente para os amantes da poesia e da cultura santista.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

.: "{FÉ}STA", do Coletivo Prot{agô}nistas, celebra o circo negro no Sesc Pompeia


O trabalho torna o picadeiro em um altar de resistência e beleza, onde o corpo negro é eternamente fonte de criação. Elenco de "{FÉ}STA", com estreia marcada para o dia 16 de janeiro no Sesc Pompeia, em São Paulo. Foto: Sergio Fernandes


Transformando o circo negro em território de memória e invenção, o Coletivo Prot{agô}nistas estreia "{FÉ}STA" no dia 16 de janeiro de 2026, no Sesc Pompeia em São Paulo, abrindo a programação 2026 do teatro. A temporada, que segue até 8 de fevereiro, tem sessões às sextas e aos sábados, às 20h00, e aos domingos, às 18h00. Nas sextas-feiras dos dias 23 e 30 de janeiro e 6 de fevereiro, há sessões extras às 16h00.

Depois de sete anos de trajetória e do impacto de primeira obra da companhia, Prot{agô}nistas - O Movimento Negro no Picadeiro, o coletivo aprofunda sua pesquisa entre circo, dança e música em "{FÉ}STA" e marca a presença do circo contemporâneo negro ocupando um dos palcos mais importantes da cidade. Com concepção e direção geral de Ricardo Rodrigues, a partir do argumento em parceria com Renato Ribeiro, Ricardo Rodrigues e Washington Gabriel, o espetáculo enaltece a música, a dança e as artes circenses com estética afro-diaspórica, permeada por poesia, humor e o risco inerente do circo que se entrelaça à força ancestral de quem celebra seus ritos.

O trabalho está amparado nos quatro eixos que atravessam a existência humana: morte, união, vida e fé. Tudo é abordado de maneira metafórica, imagética e sensorial. Nesse sentido, "{FÉ}STA" nasce como um convite para celebrar a vida em toda a sua totalidade. Entre acrobacias, música ao vivo e dança, a cena evoca a espiritualidade, a coletividade e o renascimento constante que marcam o caminhar da população negra. Cada gesto é atravessado por histórias coletivas que ecoam nas rodas, nos terreiros e nas ruas.

"Em linhas gerais, a morte é representada pela travessia. Estamos homenageando quem cruzou o Atlântico e chegou em Pindorama. A união está simbolizada pelo encontro em uma nova terra. A vida está expressa em números aéreos para mostrar a beleza do corpo. Aqui fé não tem rótulos: ela parte de uma roda de samba e caminha para o encanto sublime”, diz Rodrigues.


Sobre a encenação
Ao contrário do espetáculo anterior, "PROT{AGÔ}NISTAS - O Movimento Negro no Picadeiro", que deu foco à produção autoral dos integrantes, {FÉ}STA, desenvolve cenas coletivas. “Trabalhamos juntos para encontrar um repertório comum, pensando nessa força conjunta. Todos fazem acrobacias, dançam e cantam”, comenta Ricardo. São nove intérpretes no palco: Zanza Santos, Wilson Guilherme, Tatilene Santos, Robert Gomez, Ricardo Rodrigues, Keithy Alves, Jéssica Turbiani, Helder Vilela e Guilherme Awazu. Todos interagem com um andaime.

"Essa estrutura é nosso aparelho circense, que recebe as apresentações de dança e as acrobacias. Ele começa deitado, até que passa a desafiar à física ao ficar em várias outras posições, como em losango, em diagonal e em pé, além de girar”, conta o diretor. A trilha sonora é executada ao vivo em cena pelos artistas Guilherme Awazu, Jaque da Silva, Mariana Per, Melvin Santhana, Pitee Batelares e Vinícius Ramos. A direção musical é assinada por Melvin Santhana. O Figurino de Karine Lopes traz referências do afrofuturismo para ressaltar a elegância e realeza do elenco, apostando em tons claros que recebem o complemento do dramaturgismo na iluminação de Danielle Meireles, que ressalta cores e recria os ambientes da narrativa.

"{FÉ}STA" olha para o ciclo da vida não apenas como passagem, mas como permanência. Trata-se de um gesto político e poético que faz do circo um altar de resistência e beleza, onde o riso é fé, o encontro é renascimento, e o corpo negro, em sua travessia, é eternamente fonte de criação.


Oficinas
O Coletivo Prot{agô}nistas realiza uma série de oficinas formativas que atravessam circo, dança e música como linguagens integradas à cena contemporânea, tendo o corpo, o ritmo e o som como territórios de criação, memória e comunicação. As atividades propõem vivências práticas e reflexivas que articulam técnica, experimentação e expressividade, partindo de referências afrodiaspóricas e das pesquisas artísticas do coletivo. Destinadas a artistas, estudantes, pesquisadores, educadores e pessoas interessadas nas artes da cena, as oficinas convidam os participantes a explorar o corpo em movimento, a dança como celebração e a música como potência narrativa e política.

Na oficina "Acrobacias e Corpo em Movimento", os artistas circenses Wilson Guilherme e Tatilene Santos conduzem exercícios e jogos corporais que investigam apoios, rolamentos, tônus muscular e precisão do gesto, integrando preparação física e criação cênica. Já "Corpo em Festa: Dança e Ritmo", conduzida por Keithy Alves e Washington Gabriel, propõe uma imersão em ritmos da música preta - como samba rock, funk, step e gumboot dance - enfatizando musicalidade, ancestralidade e presença cênica. Encerrando o ciclo, "Som e Circo: o Processo de Criação Musical e Dramaturgia Sonora para a Cena" mergulha nas relações entre música, corpo e dramaturgia, com Melvin Santhana e Mariana Per, destacando o som como linguagem fundamental das artes cênicas e espaço de resistência, memória e criação coletiva.


Sobre o Coletivo Prot{agô}nistas
Com estreia em 2019, no Festival Internacional de Circo de São Paulo FIC-SP, Prot{agô}nistas - O Movimento Negro no Picadeiro, realizou a abertura do Projeto “Novos Modernistas” no Theatro Municipal de São Paulo, na noite de 8 de maio de 2019 com ingressos esgotados. A partir daí participou das principais programações do Mês da Consciência Negra: Sesc Pompéia, 1º Fórum de Performance Negra de São Paulo, SescTV, Centro de Memória do Circo, Teatros Paulo Autran, Anchieta, Antunes Filho, CCSP, entre outros.

Recebeu o troféu do Prêmio Arcanjo de Cultura em 2019 na categoria teatro como “Espetáculo Teatral que une as Artes Circenses a outras formas de Expressão Artística com Protagonismo Negro”. Em 2020, foi contemplado pela 1ª Edição do Fomento à Cultura Negra, e produziu o documentário “Estar Vivo é Nossa Maior Resistência''. Integrou os festivais como: FIC-SP 2020, Sesc Circos 2021, Mostra Bagaceira, Mostra Saruê, FIT-BH, Festival de Curitiba, Festival Folia de Circo, Festival Omodé e Festival Culturas Negras do SESCSP.

Em 2022, com patrocínio master da Unilever Brasil, realizou a Circulação Prot{agô}nistas em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Recife e São Paulo via Lei de Incentivo à Cultura. Em 2023, recebe o Prêmio Leda Maria Martins de Teatro Negro, na categoria Projetos Cênicos - Ancestralidade. Em 2024 comemorou cinco anos de existência com lançamento do Baile Black e atualmente, em 2025 realiza a circulação pelo projeto Viagem Teatral do SESI-SP, por cidades do interior paulista.


Ficha técnica
Espetáculo "{FÉ}STA"
Criação: Coletivo Prot{agô}nistas
Argumento: Ricardo Rodrigues, Renato Ribeiro e Washington Gabriel
Direção geral: Ricardo Rodrigues
Assistência de direção: Washington Gabriel
Direção musical: Melvin Santhana
Desenho e operação de luz: Danielle Meireles
Técnica de som: Bia Santos
Figurino: Ocorre entre linhas | Karine Lopes
Cenografia: Ricardo Rodrigues
Serralheiros: Gilson Toquearte e Jovani Almeida
Visagismo: Fagner Saraiva
Preparação circense: Erickson Almeida

Artistas criadores
Circo: Guilherme Awazu, Helder Vilela, Jéssica Turbiani, Keithy Alves, Ricardo Rodrigues, Robert Gomez, Tatilene Santos, Wilson Guilherme e Zanza Santos
Música: Guilherme Awazu, Jaque da Silva, Mariana Per, Melvin Santhana, Pitee Batelares e Vinícius Ramos.
Composições: Ayo Kuntima, Jaque da Silva, Mariana Per, Melvin Santhana, Ricardo Rodrigues e Vinicius Ramos
Coreografias: Keithy Alves, Washington Gabriel, Wilson Guilherme e Zanza Santos
Social Mídia: Rafael Americo
Designer gráfico: Lais Oliveira
Fotografia: Sergio Fernandes
Assessoria de imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques, Daniele Valério e Marina Franco
Produção geral e executiva: Jéssica Turbiani e Ricardo Rodrigues
Realização: Exuberante Arte


Serviço
"{FÉ}STA"
Data: 16 de janeiro a 8 de fevereiro, às sextas e aos sábados, às 20h00; e, aos domingos, às 18h00. Nas sextas, dias 23 e 30 de janeiro e 6 de fevereiro, também às 16h00 (sessão dupla)
*Atenção: 23 de janeiro, 30 de janeiro e 6 de fevereiro, sessões com intérprete de Libras às 20h00
Local: Sesc Pompeia - R. Clélia, 93 - Água Branca, São Paulo, SP
Ingresso: R$ 40,00 | R$ 20,00| R$ 12,00
Formativas/Oficinas: As oficinas terão a taxa de inscrição de R$ 10,00 | R$ 5,00 | R$ 3,00. Com inscrições via app e portal Sesc.
Duração: 1h15m
Classificação: livre


Oficinas do Coletivo Prot{agô}nistas
Oficina 1 - "Circo"
Acrobacias e Corpo em Movimento
Ministrantes: Wilson Guilherme e Tatilene Santos
Vagas: 20 | Público: A partir de 16 anos

Oficina 2 - "Dança"
Corpo em Festa: Dança e Ritmo
Ministrantes: Keithy Alves e Washington Gabriel
Vagas: 30 | Público: A partir de 16 anos

Oficina 3 - "Música"
Som e Circo: o processo de criação musical e dramaturgia sonora para a cena
Ministrantes: Melvin Santhana e Mariana Per
Vagas: 30 | Público: A partir de 16 anos

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

.: "Zootopia 2" é dinâmico ao tratar preconceito, discriminação e opressão


 "Zootopia 2" está em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em dezembro de 2025


Uma sequência de colorido vibrante, cheia de ritmo e hilário. Eis "Zootopia 2", animação Disney que prova a possibilidade de fazer acontecer na primeira e segunda produção. Desta vez, os agora parceiros inseparáveis na polícia de Zootopia, a oficial Judy Hopps e o detetive Nick Wilde são incumbidos de solucionar um novo mistério que envolve rastros deixados por um grupo de répteis. 

Assim, a dupla esbarra na serpente misteriosa, Gary. Sem direito a viver em Zootopia, Gary se junta a Hopps e Wilde na tentativa de revelar o grande segredo da fundação do lugar que tinha como ideia a ser para todos os animais. Assim, a animação que soma 1 hora e 48 minutos facilmente pode ser analisada em paralelo com a vida humana em que quem tem o poder, geralmente, o dinheiro, pode tudo, inclusive, tirar seres indesejáveis de seu caminho.

"Zootopia 2" explora a ideia de que o fofinho aos olhos pode não querer o bem para todos, assim apresenta a história sombria de como os répteis se tornaram excluídos na cidade. Desta forma, a produção dirigida por Jared Bush ("Encanto") e Byron Howard ("Bolt, supercão"), unidos novamente após "Zootopia", aprofunda temas de preconceito, discriminação e opressão sistêmica. Todavia, aprofunda o relacionamento de amizade e parceria do casal de protagonistas.

Há em "Zootopia 2" em toque de "Elementos" a respeito das distinções ora veladas, ora escancaradas. No entanto, com boas piadas e dinamismo, a animação empolga do início ao fim, sendo capaz de deixar no público o gostinho de um terceiro filme. Mesmo sem o mesmo frescor e originalidade do filme de 2016, a nova produção consegue ser genial e garantir mais meandros para uma outra história. Vale a pena assistir nas telonas dos cinemas. Imperdível! 

O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no GonzagaConsulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.

"Zootopia 2". (Zootopia 2). Gênero: Animação, Aventura, Comédia. Direção: Jared Bush e Byron Howard. Roteiro: Will Tracy. Duração: 1 hora 48 minutos. Produção: Walt Disney Animation Studios Distribuição: Walt Disney Studios / Disney. Elenco de Voz Original (Personagens Principais): Judy Hopps: Ginnifer Goodwin Nick Wilde: Jason Bateman Gary (novo personagem): Ke Huy Quan Chefe Bogo: Idris Elba. Elenco de Dublagem Nacional (Personagens Principais): Judy Hopps: Monica Iozzi Nick Wilde: Rodrigo Lombardi Gary: Danton Mello Dra. Fuzzby: Thaila Ayala. Sinopse: 

Trailer de "Zootopia 2"


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.: Crítica: "O Agente Secreto" é filmaço imperdível com a cara do Brasil

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

.: Crítica: "O Agente Secreto" é filmaço imperdível com a cara do Brasil

Cena de "O Agente Secreto", em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em novembro de 2025


O filme nacional com a cara do Brasil, "O Agente Secreto", protagonizado por Wagner Moura é um completo deleite cinematográfico que dá orgulho das produções brasileiras, dos minutos iniciais ao último segundo de duração. Facilmente classificado como filmaço, dirigido por Kleber Mendonça Filho (Bacurau), a produção ambientada de forma ousada em Recife entrega uma rica trama capaz de estabelecer diversas conexões com o público.

Nos primeiros minutos, num Fusca amarelo, Marcelo (Wagner Moura) vê um corpo estendido no chão arenoso de um posto de estrada, coberto por um jornal. É esta cena que dita o rumo da história, servindo como que uma espécie de dica do que acontecerá com o professor especializado em tecnologia. Em viagem de fuga, ele é obrigado a enfrentar um passado conflituoso, ritmando um alucinante destino ao homem.

Para tanto, ele tenta se mudar para São Paulo e recomeçar a vida. Rendendo sequências tocantes como a em que ele reencontra o filho, grande fã do sucesso de cinemas da época, "Tubarão". O garoto que vai no banco de trás do carro, sentado justamente no meio do banco traseiro, apoia os braços nos bancos do motorista e carona, com um olhar cheio de encanto, compartilha sonhos com o pai. Linda sequência em que a relação pai e filho chega a parecer inabalável.

Em plena semana do Carnaval na quente e agitada capital pernambucana, Marcelo chega de modo clandestino, numa vizinhança cheia de segredos. Com ajuda, assume um posto de trabalho e passa a buscar informações da própria mãe. Contudo, a mira acaba direcionada para ele, passando a ser espionado, colocando a vida em risco, assim como os que lhe cercam.

No clima contínuo de pura tensão gerada de modo orgânico, o longa transborda brasilidade nas falas, trabalhando o lúdico de uma lenda, no caso, a da perna peluda que entra na história dentro de um tubarão. "O Agente Secreto" homenageia o cinema, não por somente fazer referência ao longa de Steven Spielberg, mas também por ter o espaço como cenário, uma vez que o sogro do protagonista, Alexandre, trabalha como projecionista de cinema.

Nada no longa sobra. Tudo se conecta com excelência. No gato com duas caras, batizado com dois nomes, há o retrato da ambiguidade da vida, destacando o certo e o errado. Afinal, Marcelo compra briga ao enfrentar grandões endinheirados e seus desmandos, o que coloca a vida de Marcelo de pernas para o ar. No entanto, "O Agente Secreto" vai além desta trama frenética da caça, pois nos dias atuais, apresenta duas jovens trabalhando na digitalização do conteúdo ocorrido nos anos 70.

Assim, leva para o cinema brasileiro a paixão atual pelo gênero crime real ("true crime"). Popular e capaz de gerar debates, ao inserir a temática em "O Agente Secreto", Kleber Mendonça Filho ainda lança provocações sobre as histórias vividas por gerações anteriores e seu legado, quando parte dela é apagada. Filmaço imperdível!


"O Agente Secreto". Gênero: thriller, drama. Diretor: Kleber Mendonça Filho. Elenco: Wagner Moura, ao lado de Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone. Sinopse: Em 1977, Marcelo trabalha como professor especializado em tecnologia. Ele decide fugir de seu passado violento e misterioso se mudando de São Paulo para Recife com a intenção de recomeçar sua vida. Marcelo chega na capital pernambucana em plena semana do Carnaval e percebe que atraiu para si todo o caos do qual ele sempre quis fugir. Para piorar a situação, ele começa a ser espionado pelos vizinhos. Inesperadamente, a cidade que ele acreditou que o acolheria ficou longe de ser o seu refúgio.


O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no GonzagaConsulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.

Trailer de "O Agente Secreto"



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