Mostrando postagens classificadas por data para a consulta crítica. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta crítica. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de maio de 2026

.: "Delírio de Loucura" coloca veneno na receita da família perfeita


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

O cinema clássico norte-americano sempre encontrou maneiras elegantes de implodir a fachada hipócrita do comercial de margarina que ilustrava o "American Way of Life" na era Eisenhower. Mas poucos diretores ousaram tanto, e de forma tão visceral, quanto Nicholas Ray. Em "Delírio de Loucura", em cartaz na plataforma de streaming Belas Artes À La Carteo cineasta pega a obsessão da classe média suburbana pelo sucesso e pela estabilidade e a injeta com uma dose cavalar de cortisona, transformando o sonho americano em um autêntico filme de terror doméstico.

Baseado no artigo jornalístico "Ten Feet Tall", publicado por Berton Roueché na revista The New Yorker em 1955, o roteiro de Cyril Hume e Richard Maibaum (com colaboração não-creditada do mestre do teatro Clifford Odets) acompanha o drama de Ed Avery. Interpretado com uma intensidade assustadora por James Mason, que também  produziu o longa-metragem, Avery é o epítome do cidadão exemplar: professor primário dedicado que, para fechar as contas do mês e mimar a esposa, trabalha secretamente como despachante de táxi. Quando crises terríveis revelam uma poliarterite nodosa, uma rara e letal inflamação das artérias, a medicina lhe oferece a salvação através de um hormônio experimental. O milagre da cura, contudo, cobra um preço alto demais quando o protagonista passa a abusar das doses e mergulha em uma psicose megalomaníaca.

O que se segue é uma das descrições mais perturbadoras da masculinidade tóxica e do totalitarismo familiar já registradas pelo CinemaScope. Ray sabota os espaços claustrofóbicos da residência dos Avery utilizando as cores e as lentes largas, geralmente reservadas para grandes faroestes, para sufocar o espectador. James Mason entrega uma atuação cirúrgica, transitando do pai amoroso ao tirano bíblico que evoca o sacrifício de Isaac para justificar um plano de homicídio seguido de suicídio. Ao seu lado, Barbara Rush brilha no papel da esposa impotente diante da heresia médica, e Walter Matthau, ainda longe de seus papéis cômicos consagrados, entrega uma performance sóbria como o amigo e a voz da razão que tenta conter a tragédia.

Curiosamente, os bastidores de "Delírio de Loucura" guardam uma pérola da Hollywood clássica. Marilyn Monroe, grande amiga de Nicholas Ray, estava filmando "Nunca Fui Santa" no estúdio vizinho e chegou a gravar uma participação especialíssima como enfermeira. Infelizmente para os cinéfilos, a cena foi totalmente cortada na sala de montagem devido a entraves contratuais rígidos entre a estrela e a Fox.

O filme também enfrentou forte resistência da indústria farmacêutica. Gigantes como a Merck, nos Estados Unidos, e a Glaxo, no Reino Unido, manifestaram séria preocupação de que a fúria psicótica de Ed Avery gerasse pânico na população e boicote ao uso legítimo da cortisona. O temor corporativo, aliado à rejeição do público americano da época, que considerou a obra sombria e melodramática demais, resultou em um retumbante fracasso de bilheteria. O crítico Bosley Crowther, do The New York Times, chegou a rotular o filme como "tedioso".

O tempo, no entanto, é o senhor da razão e o melhor curador da arte. Foram os críticos franceses da Cahiers du Cinéma os primeiros a resgatar o valor da obra. François Truffaut teceu loas à precisão de Mason e à beleza visual da produção, enquanto Jean-Luc Godard colocou o longa na seleta lista dos dez melhores filmes sonoros americanos da história. Décadas mais tarde, a crítica contemporânea reconhece "Delírio de Loucura" não apenas como um alerta médico, mas como uma brilhante e atemporal acusação contra o conformismo, a pressão econômica sobre os professores e as rachaduras ocultas na estrutura da família tradicional. Uma obra-prima violenta, lírica e desesperada que ecoa até os dias de hoje.


Ficha Técnica:
“Delírio de Loucura” | "Bigger Than Life" (título original) | "Atrás do Espelho" (título em Portugal)
Gênero: drama / melodrama / drama psicológico. Duração: 95 minutos (1h 35min). Classificação indicativa: 14 anos (Recomendado/Approved na época). Ano de produção: 1956. Idioma: inglês. Direção: Nicholas Ray. Roteiro: Cyril Hume e Richard Maibaum (baseado no artigo "Ten Feet Tall" de Berton Roueché). Elenco: James Mason, Barbara Rush, Walter Matthau, Christopher Olsen, Robert F. Simon, Roland Winters, Rusty Lane. Distribuição no Brasil: 20th Century Fox (20th Century Studios). Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte


Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming de quem leva cinema a sério
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

terça-feira, 26 de maio de 2026

.: Crítica: "Hokum: O Pesadelo da Bruxa" é terror com mocinho desagradável



Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


O terror psicológico "Hokum: O Pesadelo da Bruxa", dirigido e roteirizado por Damian McCarthy ("Oddity - Objetos Obscuros", "Madame Teia"), mergulha no folclore irlandês para entregar uma história de perdão entre mãe e filho. Contudo, um alerta precisa ser dado logo a princípio, uma vez que o protagonista, o romancista Ohm Bauman (Adam Scott, "Big Little Lies") de postura constantemente grosseira, age sempre de modo desagradável. Ainda que esteja sozinho e em outro país para espalhar as cinzas de seus pais, impede o público de torcer por sua sobrevivência numa pousada mal-assombrada por uma bruxa que arrasta correntes.

A qualidade da trama e a montagem repleta de sequências de pura tensão tornam a produção perfeita para os fãs do gênero. Muito por priorizar o desconforto psicológico por meio de silêncios e a desconstrução da realidade do protagonista em detrimento de soluções narrativas fáceis. No entanto, "Hokum: O Pesadelo da Bruxa" segue uma fórmula para assustar o público, o que vira alerta a ponto de permitir que alguns sustos sejam evitados.

Em certos pontos o longa se conecta com outros. Remete ao clássico "O Chamado" pelas figuras usadas, como por exemplo, o círculo nos primeiros minutos da história paralela do longa, embora estabeleça uma maior conexão com o clássico de terror psicológico "O Iluminado", uma vez que o protagonista está isolado e confuso em um hotel assombrado. "Hokum: O Pesadelo da Bruxa" consegue usar elementos do terror (já conhecidos) a favor. Por fim, consegue ser único.

É inegável que o terror atmosférico de "Hokum: O Pesadelo da Bruxa" fisga a atenção do público ao colocá-lo para embarcar na desordem mental de Ohm e a dificuldade de lidar com um trauma de infância. Vale muito a pena assistir na telona de cinema e garantir uns bons sustos!


"Hokum: O Pesadelo da Bruxa" ("Hokum"). Gênero: Terror. Direção: Damian McCarthy. Roteiro: Damian McCarthy. Duração: 1h 47 minutos. Classificação Indicativa: 16 anos. Distribuição: Diamond Films. Elenco: Adam Scott, David Wilmot e Florence Ordesh. Sinopse: O terror psicológico e folclore acompanha um romancista de terror que visita uma pousada na Irlanda para espalhar as cinzas de seus pais, sem saber que o lugar tem fama de ser assombrado.

Trailer de "Hokum: O Pesadelo da Bruxa"

Leia+

.: Resenha: "Madame Teia" é bom início para a heroína dos aracnídeos

.: Crítica: "O Telefone Preto" gera tensão crescente diante de um sádico

.: Crítica "O Telefone Preto 2": excelente continuação promete terceiro filme

.: Crítica: "Invocação do mal 4: O último ritual" emociona enquanto assusta

.: Crítica: "Omen" é história de choque cultural em busca por pertencimento

.: Crítica: "Não Fale o Mal" entrega tensão pura com McAvoy demoníaco

.: Crítica: "Pânico 7" é retorno triunfal de Sidney Prescott e do temível Ghostface

.: Crítica: "Operação Maldoror" é thriller comovente de policial idealista

.: Porque "Todas as Manhãs do Mundo" desbancou Michael Jackson e Madonna


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

A reconstituição histórica no cinema frequentemente se perde em excessos visuais, mas há obras que abraçam a grandiosidade no recolhimento e na precisão. É esse o triunfo que o público testemunha com a estreia de "Todas as Manhãs do Mundo" na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte, uma obra-prima de 1991 dirigida por Alain Corneau. É um drama de época refinado, focado na música, na perda e na complexa transmissão de conhecimento entre duas gerações de artistas no século XVII, sob o reinado de Luís XIV.

O roteiro, escrito a quatro mãos pelo próprio diretor e pelo autor Pascal Quignard - adaptando o romance homônimo lançado no mesmo ano -, acompanha a trajetória do renomado músico Marin Marais. Na maturidade, o personagem é interpretado com o vigor habitual de Gérard Depardieu, que acumula a função de narrador da própria juventude. Filho do ator na vida real, Guillaume Depardieu, assume o papel do jovem Marais com uma entrega impressionante. 

O centro da narrativa está na busca do rapaz pelo aprendizado com o recluso e jansenista Monsieur de Sainte-Colombe, vivido magistralmente por Jean-Pierre Marielle, um mestre que se isolou do mundo e da corte após a morte da esposa para se dedicar apenas às filhas e à arte. O elenco principal se completa com Anne Brochet na pele de Madeleine, a filha mais velha do tutor, que se apaixona por Marais. Curiosamente, a crítica internacional destacou na época que esta foi a segunda vez consecutiva que Brochet e Gérard Depardieu viveram um par romântico nas telas, repetindo a química já testada no aclamado "Cyrano de Bergerac".

Além das intrigas amorosas e as desilusões que culminam em tragédia, o verdadeiro coração do longa-metragem reside na música barroca, executada na emblemática viola da gamba pelas mãos virtuosas de Jordi Savall. A trilha sonora não apenas dita o tom melancólico e poético da produção, mas também estabeleceu um fenômeno comercial sem precedentes no mercado fonográfico global. Em uma das maiores surpresas da indústria cultural da década de 1990, o álbum com as composições barrocas do filme superou as vendas de "Dangerous", de Michael Jackson, na França, e ultrapassou os números da popstar Madonna, que lançava o álbum "Erotica". Um feito histórico para a música erudita.

A consagração do filme não se limitou ao sucesso comercial da trilha sonora. "Todas as Manhãs do Mundo" foi o grande vencedor da 17ª edição do Prêmio César em 1992, faturando sete estatuetas, incluindo as de Melhor Filme, Melhor Diretor para Alain Corneau, Melhor Atriz Coadjuvante para Anne Brochet e Melhor Música para Jordi Savall. Além disso, o diretor conquistou o prestigiado Urso de Prata no Festival Internacional de Cinema de Berlim e a obra garantiu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 1993. O título poético faz referência a uma das falas mais dolorosas de Marais ao constatar a finitude da vida e o peso dos erros passados: todas as manhãs do mundo nunca mais voltam. É um cinema rigoroso, esteticamente impecável e que merece ser absorvido por quem o assiste.


Ficha técnica
“Todas as Manhãs do Mundo” | “Tous les Matins du Monde” (título original)
Gênero: drama. Duração: 115 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1991. Idioma: francês. Direção: Alain Corneau. Roteiro: Pascal Quignard e Alain Corneau. Elenco: Jean-Pierre Marielle, Gérard Depardieu, Anne Brochet, Guillaume Depardieu, Carole Richert, Michel Bouquet, Jean-Claude Dreyfus, Yves Gasc, Yves Lambrecht, Jean-Marie Poirier e Myriam Boyer.
Distribuição no Brasil: BAC Films. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte


Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming de quem leva cinema a sério
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

.: TV Cultura celebra Milton Santos, um dos maiores intelectuais brasileiros


Foto Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), cedida pela família - em Madrid, prêmio Doutor Honoris Causa 1994
 

Nesta quarta-feira, dia 27 de maio, às 22h30, a TV Cultura estreia o documentário inédito "Milton Santos - O Gênio da Geografia", produção do jornalismo da emissora que celebra o centenário de nascimento de um dos maiores intelectuais brasileiros do século 20. O filme revisita a trajetória pessoal, acadêmica e política do geógrafo baiano, reconhecido internacionalmente por sua visão crítica sobre a globalização.
 
Milton Santos nasceu em Brotas de Macaúba, na Bahia, em 3 de maio de 1926. Filho de professores primários e neto de pessoas escravizadas, destacou-se ainda jovem como aluno prodígio. Durante o antigo ensino ginasial, ajudava os colegas em Matemática e dava suas primeiras aulas de Geografia - disciplina que o consagraria e o levaria a lotar auditórios em diferentes partes do mundo. Formou-se em Direito, mas nunca exerceu a profissão. Iniciou a carreira como repórter em Ilhéus, na região cacaueira da Bahia, onde conheceu sua primeira esposa, Jandira.

Em Salvador, atuou como secretário de governo e integrou um grupo de estudos que propôs a taxação sobre grandes fortunas. Também visitou Cuba em uma comitiva do presidente Jânio Quadros e, depois, escreveu uma série de artigos sobre a ilha socialista, o que desagradou os militares. Com o golpe militar de 1964, passou a sofrer perseguição política e foi preso por três meses no Batalhão de Cabula, em Salvador. Libertado após sofrer um AVC, graças à intervenção de colegas franceses, foi convidado a lecionar na Europa. Já separado da primeira esposa, viveu 13 anos no exterior.

Milton Santos foi um dos principais críticos dos rumos da globalização, que considerava perversa. Defendeu uma geografia crítica e humanista e formulou reflexões que ganharam repercussão internacional. Em uma de suas obras mais difundidas, Por Uma Outra Globalização, dividiu o fenômeno em três dimensões: “globalização como fábula” (como nos é apresentada), “globalização como perversidade” (como ocorre na prática) e “globalização como possibilidade”.

Milton Santos morreu em 24 de junho de 2001, aos 75 anos. Seus escritos seguem atuais e continuam sendo objeto de estudo de pesquisadores no Brasil e no exterior. Entre eles estão o professor Fernando Conceição, biógrafo autorizado de Milton Santos e autor da obra Milton Santos, uma biografia – Um percurso em construção; o geógrafo e pesquisador do Laboratório de Geografia Política da USP Billy Malachias; e Nina Santos, neta de Milton e doutora em Comunicação.
 
No documentário, os três ajudam o público a compreender a vida e a obra de um dos maiores intelectuais brasileiros. A produção também traz trechos de uma entrevista concedida por Milton Santos ao cineasta Silvio Tendler quatro meses antes de sua morte, material que serviu de base para o filme "Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá".

sábado, 23 de maio de 2026

.: Luiz Fernando Guimarães e Letícia Augustin na comédia “Curto-Circuito”


O espetáculo dirigido por Gustavo Barchilon estreia dia 16 de maio, em São Paulo, com 06 sessões aos finais de semana. Foto: Edgar Machado

Diferentes personagens se expõem em hilárias situações-limite de suas “pequenas grandes” vidas: um paciente prestes a ser “trancado” no tubo da ressonância magnética; um estudante que não sabe nada da matéria na hora da prova do Enem; um comissário de bordo em um voo com turbulência; uma celebridade, a 10 metros de altura, sendo homenageada por uma escola de samba; um indivíduo enfrentando a pressão de uma urina que teima em não sair no mictório masculino; um insone que luta para dormir antes que a manhã chegue. Dando vida a tudo isso e costurando as histórias, a mente ativa e hilária de um dos maiores atores do Brasil: Luiz Fernando Guimarães, que divide a cena com Leticia Augustin. Esse é o ponto de partida de ‘Curto-Circuito’, escrita por Gustavo Pinheiro especialmente para celebrar os 50 anos de carreira do ator. Após temporada de estreia no Rio de Janeiro, o espetáculo, dirigido por Gustavo Barchilon, chega a São Paulo para sua segunda temporada, em cartaz, no Teatro Renaissance. Serão no total seis sessões aos fins de semana.

Para comemorar o meio século de carreira, iniciada no grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone com a montagem de “O Inspetor Geral” (1974), Luiz se cerca de figuras fundamentais em sua história (com participações em áudios de grandes amigas e parceiras de cena, como Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Debora Bloch, Regina Casé, Patrycia Travassos), sem deixar de abrir os braços para as próximas gerações, dividindo a cena com a jovem Leticia Augustin que, entre outras intervenções, interpreta a amígdala cerebral do ator, prestes a pedir as contas e ir embora, exausta de viver dentro de uma mente que não para de pensar. “O Luiz tem uma coisa muito engraçada: um pensamento meio torto, nada óbvio e hilário para as coisas mais simples da vida. À medida em que ia conversando com ele, trocando ideia, me divertindo horrores, foi me caindo essa ficha: o jeito de ser e pensar do Luiz também tem que ser um personagem, tem que estar em cena. Então propus a ele uma comédia que se passa dentro da cabeça dele. Esse era o ponto de partida para aparecerem os personagens”, explica Gustavo Pinheiro. “Para mim, é uma enorme honra e alegria estar dividindo a cena e aprendendo com um dos maiores atores e comediantes do Brasil”, diz Leticia, em sua segunda incursão no teatro.

A escolha do texto se deu também por uma admiração mútua entre Luiz Fernando Guimarães e o autor. “Eu não escolhi. Na verdade, a peça me escolheu. Sempre procuro me associar a pessoas que eu tenho como exemplo. Já estava namorando o Gustavo, tenho acompanhado as peças que ele escreveu. Eu falei: ‘Gustavo, eu tenho muita vontade de trabalharmos juntos’. E eu acredito que a gente tenha muita coisa em comum. Ele tem uma brilhante escrita, é dinâmica, profunda, saborosa, divertida. Eu sou fã dele. Ele me trouxe esse texto sensacional, que foi amor à primeira vista”, explica Luiz Fernando. “Quando entreguei o texto, lemos juntos, demos muitas risadas e acho que consegui o meu principal objetivo: fazer uma dramaturgia que traduza o humor do Luiz”, celebra Gustavo Pinheiro.

Gustavo Barchilon também não esconde o entusiasmo com o texto e com o reencontro com o ator. “O que me atraiu foi justamente a oportunidade de revisitar o besteirol, do qual Luiz Fernando é uma das referências no gênero. Esse teatro tinha uma comunicação muito forte com o público jovem que, hoje em dia, já é adulto e trouxe um frescor que até hoje ecoa. Montar uma peça com ele é, para mim, uma forma de celebrar não só a carreira dele, mas os 45 anos do besteirol no Brasil”, exalta. “É um mergulho no espírito do besteirol, um teatro que nasceu da irreverência carioca, cheio de humor ácido, paródia e crítica social disfarçada de bobagem. É uma comédia que faz rir, mas também expõe nossas ansiedades e neuroses contemporâneas. O besteirol está em alta lá fora e aqui também começa a voltar, é um gênero que fala com o presente, que desarma o público e cria novas pontes com quem talvez não estivesse indo ao teatro”, acrescenta o diretor.

50 anos de carreira é um momento ímpar e Luiz Fernando Guimarães fez questão de voltar aos palcos com um texto inédito para essa celebração. “50 anos de carreira, matematicamente falando, têm um significado muito importante, porque 50 é metade de 100. E, diferente de todas as outras comemorações, é uma data para mim muito expressiva. Eu sempre procurei estar perto de pessoas que eu admiro e tenho como exemplo seguir”, afirma o ator.

A retomada da parceria com o diretor vem exatamente desse desejo de estar cercado de pessoas que admira, especialmente em uma data tão importante. “O Gustavo Barchilon foi realmente um encontro de almas, tivemos muita sintonia. Ele me convidou há um tempo para fazer ‘Ponto a Ponto’, que foi uma peça sensacional, um momento muito gostoso que a gente viveu. Ele é um diretor moderno, que está sempre à procura de soluções. É muito bom trabalhar com ele e vê-lo se divertindo, trocando com os atores, e eu me divertindo com a direção dele”, exalta Luiz Fernando.

Para Gustavo Barchilon esse reencontro também é muito importante. “Eu e o Luiz tivemos afinidade desde o nosso primeiro processo. Temos um humor parecido, gostamos das mesmas coisas e nosso dia a dia juntos é muito prazeroso. A minha função como diretor é conduzir o ritmo, as pausas, as respirações e criar o espaço para que ele brilhe. Como sempre, Luiz é generoso e, mesmo com tantos anos de carreira, ele gosta de ser dirigido, gosta quando marco intenções e proponho caminhos. Nossa troca é leve, divertida e, ao mesmo tempo, muito rica”, revela.

A história da comédia brasileira se entrelaça com a trajetória do ator Luiz Fernando Guimarães. Seja em momentos icônicos do teatro como o grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone ou a montagem das peças "Fica Comigo Esta Noite" e "5x Comédia"; seja em clássicos do humor na televisão como "TV Pirata", "Brasil Legal", "Os Normais", "Programa Legal", "Vida ao Vivo Show", entre outros. “O Luiz é herói da minha infância e juventude! Ele estava em tudo que eu amava ver! Esse espetáculo é uma declaração de amor ao Luiz, ao jeito hilário de ser e pensar desse gênio, que faz o Brasil rir há cinco décadas”, celebra Gustavo Pinheiro. “A genialidade cômica do Luiz transforma qualquer direção em algo muito melhor”, exalta Gustavo Barchilon.


Serviço
Espetáculo "Curto Circuito"
Local: Teatro Renaissance - Alameda Santos, 2233 – São Paulo / SP
Temporada até dia 31 de maio
Dias e horários: sábados, às 21h00, e domingos, às 18h30

.: Teatro: Antonio Fagundes celebra 60 anos de carreira e dirige "Sete Minutos"


A produção é assinada pelo Infoteatro e marca a primeira realização artística do Portal conduzido pela atriz Natália Beukers, que também integra o elenco. Foto: Ronaldo Gutierrez


O ator Antonio Fagundes celebra 60 anos de carreira e, sob uma nova perspectiva, retorna à casa que por tanto tempo ocupou - o Teatro Cultura Artística. Com texto de sua autoria, encenado por ele em 2002, Fagundes experimenta o papel de diretor do seu próprio espetáculo, "Sete Minutos - Uma Comédia no Tempo Certo", em temporada que vai de 21 de maio a 1º de agosto, no Teatro Cultura Artística. 

A comédia inicia com o drama de um ator veterano que abandona o palco no meio da apresentação de Macbeth, irritado com celulares e outros incômodos vindos da plateia. Nos bastidores, o episódio desencadeia um embate sobre o pacto entre os atores e o público, e os limites dessa lúdica convivência. Entre humor e crítica, a peça é também uma declaração de amor ao teatro, definido pelo protagonista como “o último reduto de humanidade”. Antecipando a crise de concentração intensificada pela tecnologia, a peça questiona uma audiência habituada a blocos de atenção cada vez mais curtos - e reafirma o teatro como espaço de presença, escuta e encontro real. No elenco estão Norival Rizzo, Walter Breda, Fábio Esposito, Ana Andreatta, Conrado Sardinha e Natália Beukers. 

A produção da montagem atual é uma iniciativa do Infoeteatro, e marca a primeira realização artística do Portal conduzido por Natália Beukers: “É muito gratificante para mim contar com o Fagundes e aprender com ele, com a sua vasta experiência, sobre a formação de público para teatro, o que tem tudo a ver com o projeto Infoteatro e com a mensagem da peça, que apenas um grande ator poderia traduzir com tanta propriedade. Um texto reflexivo, mas, ao mesmo tempo, muito engraçado”, afirma. 

A relação de Fagundes com o espetáculo é atravessada por diferentes momentos de sua carreira: “A minha relação com o texto já tinha mudado lá na primeira montagem. Eu tinha escrito aquele texto, mas ele não era para mim como ator. Só que, de repente, percebi que aquele personagem era eu, de certa forma. Então, quando resolvi atuar no espetáculo, percebi que a minha visão de ator acrescentava coisas à minha visão de autor, e isso já configurava uma relação diferente com o texto. Agora, vou observar o texto como autor e também observar outros atores interpretando esse material. Então, realmente, vai ser um terceiro salto — bastante interessante”, avalia. 

"Sete Minutos", na montagem de 2002, chegou a receber mais de 200 mil espectadores, segundo Fagundes, que afirma o desejo de repetir o feito, embora sejam outros os tempos e também a estrutura do espaço. Em 2008, o Teatro Cultura Artística foi vitimado por um incêndio de grandes proporções, que destruiu completamente as duas salas de apresentação do local. “Ele tem uma relação diferente com a plateia, a capacidade da sala é outra, mas a localização já faz bater meu coração. Só de eu pegar o carro e ir naquela direção, já lembro dos 13 anos em que ocupei o Teatro Cultura Artística”, comenta o ator. 

Também foi lá onde Antonio Fagundes escreveu parte da sua história com o teatro, considerado por ele como sede da companhia que fundou e liderou nos anos 80. “Foram, primeiro, 10 anos com a Companhia Estável de Repertório, e a sede, basicamente, era o Teatro Cultura Artística. Depois, quando encerrei as atividades da companhia, fiz mais três espetáculos lá. Foi algo muito importante na minha vida e no teatro em São Paulo. Está sendo muito emocionante voltar, inclusive com uma peça que estreei ali em 2002 e que ficou mais de um ano em cartaz só no Cultura Artística”, relembra. 


Em comum, a formação de público como missão
Faz parte, tanto do texto quanto da montagem, a iniciativa de trazer o público para perto do teatro. Por isso, duas ações fizeram parte da preparação do espetáculo. Houve, em meados de março, uma primeira leitura pública do texto, com distribuição de 150 ingressos gratuitos. E ainda antes da estreia, a produção realizará ensaios abertos nos dias 18 e 25 de abril e 2 e 9 de maio, sempre às 14h00, no auditório do teatro. Nesses encontros, o público acompanha o processo de criação do espetáculo, observando o desenvolvimento das cenas e o trabalho conjunto da equipe artística e técnica. E está previsto, ainda, que ao fim de cada apresentação da temporada, o elenco retorne ao palco para um bate-papo com a plateia (sujeito à disponibilidade dos atores). 

O espetáculo "Sete Minutos - Uma Comédia no Tempo Certo" será viabilizado exclusivamente com recursos de bilheteria, sem leis de incentivo, modelo que o Fagundes adota desde a criação da Companhia Estável de Repertório, em 1982. “Tem sido muito importante aprender com ele uma forma de produzir que permite que a gente se liberte dessa lógica dos editais e leis de incentivo, que hoje está entranhada na produção teatral. É claro que tudo isso tem sua importância e utilidade cultural, mas também é fundamental buscar outros caminhos e provar que é possível”, pontua Natália. 

Do texto à realização, "Sete Minutos - Uma Comédia no Tempo Certo" é um convite de presença ao público. Sobre o fato de o espetáculo tratar justamente do pacto entre elenco e plateia e os limites dessa convivência, Fagundes revela: “Ainda há pessoas que se recusam ou demoram a entender que a grande vantagem do teatro é exatamente a possibilidade de se entregar, sem interferências, àquele mundo mágico que o palco oferece. Um tempo mais aprofundado do que os outros veículos, como a televisão, o cinema e, principalmente, a internet, costumam proporcionar. Então, eu ainda sinto um pouco de pena das pessoas que resistem - mesmo estando dentro do teatro - a essa entrega. Mas acho que 'Sete Minutos' conversa com a plateia nesse sentido e apresenta justamente as vantagens dessa entrega. Vamos ver se o espetáculo consegue mexer um pouco com a cabeça das pessoas nesse sentido”Compre o livro "Sete Minutos", de Antonio Fagundes, neste link.


Ficha técnica
Espetáculo "Sete Minutos - Uma Comédia no Tempo Certo"

Texto e direção: Antonio Fagundes. Assistente de Direção: Patricia Gasppar. Elenco: Norival Rizzo, Walter Breda, Fábio Esposito, Ana Andreatta, Conrado Sardinha e Natália Beukers. Figurinos e Cenários: Fábio Namatame. Designer de luz: Domingos Quintiliano. Música Original e Sonoplastia: Jonatan Harold. Fotógrafo: Ronaldo Gutierrez e Monique Maquiagem para Fotos: Beto França. Direção de Produção: Sonia Kavantan. Produção Executiva: Jess Rezende Administração: Gabriela de Sá e Madu Arakaki. Mídias Sociais e Identidade Visual: Nathalia Duarte e Saul Salles. Gestão de Tráfego: Michel Waisman. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli. Idealização: Natália Beukers. Realização: Infoteatro. Coprodução: Beijo Produções Artísticas. Redes Sociais: seteminutos@infoteatro.com.br / @seteminutosteatro / @infoteatro_


Serviço
Espetáculo "Sete Minutos - Uma Comédia no Tempo Certo"
Estreia 21 de maio, quinta, às 20h00.
Temporada: até 1º de agosto - Sessões sexta e sábado, às 20h00, domingo, às 18h00.
Não haverá espetáculo nos dias 14 e 21 de junho, e 3 de julho.
Ingressos: R$ 120,00 a R$ 180,00 (inteira) / de R$ 60,00 a R$ 90,00 (meia).
Site https://culturaartistica.org/
Não é permitida a entrada após o início do espetáculo.
Planeje sua chegada ao teatro com antecedência. O espetáculo começa rigorosamente no horário marcado. Não haverá troca do ingresso e/ou reembolso dos valores pagos. É proibido fotografar ou filmar durante a apresentação.
Duração: 80 minutos
Gênero: comédia
Classificação: 12 anos
Teatro Cultura Artística - Rua Nestor Pestana, 196, Consolação/São Paulo
Telefones: (11) 3256-0223 / (11) 3258-3595



sexta-feira, 22 de maio de 2026

.: Crítica musical: Sergio Santos lança CD "Todo Samba"

O cantor e violonista Sérgio Santos ao lado do clarinetista Nailor Proveta. Foto de divulgação: Isabela Espíndola

Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Chegou às plataformas o novo álbum do compositor, violonista, cantor e arranjador Sergio Santos. “Todo samba” reúne 13 canções inéditas, baseadas no samba e suas diferentes possibilidades, para o qual Sergio convidou o clarinetista, compositor e arranjador Nailor Proveta, mestre na linguagem do samba e do choro.

As canções de “Todo Samba” (Biscoito Fino) bebem da raiz fundamental, mas cada uma delas foi construída a seu modo, evitando os jargões melódicos e harmônicos. No repertório, “Serenadas Pedras” tem a autoria da melodia dividida com Francis Hime, e letra sensível de Olivia Hime. Quanto à poética, Sergio Santos recorreu à sua parceria com Paulo César Pinheiro, ícone da poesia musical brasileira, com quem já compôs mais de 300 canções. Há também, além de suas próprias letras, a estreia da parceria de Sergio com o escritor e poeta Marcílio Godói.

O trabalho conta ainda com participações especialíssimas, que dividem os vocais com Sergio em três faixas: em "Trate Bem Seu Bem", o compositor canta com Maíra Manga, jovem e talentosíssima cantora de suas Minas Gerais. Já “Inquietude” é dividida com a magnífica Leila Pinheiro. A canção “Preciosas Pedras” conta com a participação impecável dos parceiros Francis Hime e Olivia Hime.

"Todo Samba' é um disco que mostra bem a proposta de trabalho de Sérgio Santos, além de comprovar a genialidade de Nailor Proveta. Vai agradar quem curte a nossa MPB de qualidade.


Senhoras do Samba



Entortando o samba


A Ordem do Rei



quinta-feira, 21 de maio de 2026

.: Vencedor em Berlim, drama revela como progresso redesenha as relações


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

Vencedor do Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim, o filme “Living the Land” chega ao Brasil em estreia exclusiva na plataforma de streaming Reserva Imovision, nesta sexta-feira, dia 22 de maio, interessado em preservar gestos e modos de vida prestes a desaparecer. Dirigido e roteirizado pelo chinês Huo Meng, o longa-metragem mergulha na China rural de 1991 para observar, com rigor quase etnográfico, o impacto das transformações socioeconômicas sobre uma comunidade agrícola.

A trama acompanha Chuang (interpretado por Shang Wang), um menino de dez anos que permanece na aldeia enquanto parte da família migra para os centros urbanos. Ao redor dele, o vilarejo de Bawangtai se reorganiza diante da modernização que chega em ondas: tecnologia, industrialização e novas formas de trabalho começam a redesenhar a paisagem humana e simbólica. No elenco, destacam-se ainda Chuwen Zhang e Zhang Yanrong, que ajudam a compor um mosaico geracional em que tradição e ruptura coexistem em tensão permanente.

Huo Meng, que já havia chamado atenção com seu longa de estreia “Crossing the Border - Zhaoguan”, aprofunda aqui um cinema de observação, marcado pelo uso de não-atores e por uma encenação que dilui as fronteiras entre ficção e documentário. A câmera de Guo Daming percorre os espaços com discrição e horizontalidade, como se recusasse qualquer hierarquia dramática: tudo importa, o plantio, o luto, o casamento, o trabalho coletivo. 

A produção teve estreia mundial na competição oficial do Festival Internacional de Cinema de Berlim de 2025, onde rendeu a Huo Meng o Urso de Prata de Melhor Direção, reconhecimento que consolidou o filme no circuito internacional. Desde então, “Living the Land” vem acumulando recepção crítica amplamente positiva, com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes e elogios de veículos como The Hollywood Reporter, que destacou a precisão visual da obra, e Screen Daily, que a classificou como “imersiva e ambiciosa”.

Há também um componente autobiográfico que fica evidente o projeto. O diretor afirmou que buscava retratar o choque entre políticas coletivistas e tradições milenares, além de evidenciar as pressões - sobretudo em relação às mulheres - em um contexto de transição abrupta. Esse olhar se materializa em personagens como Xiuying, cuja trajetória evidencia o peso das estruturas familiares e sociais. Sem concessões ao ritmo acelerado do cinema comercial, “Living the Land” aposta na duração - são mais de duas horas - como estratégia de imersão. 


Ficha técnica
“Living the Land” | “Sheng Xi Zhi Di” (título original) | “Vivendo a Terra” (título em Portugal)
Gênero: Drama. Duração: 2h15. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: mandarim. Direção: Huo Meng. Roteiro: Huo Meng. Elenco: Shang Wang, Chuwen Zhang, Zhang Yanrong. Distribuição no Brasil: Autoral Filmes. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.

Assine a Reserva Imovision, o streaming que respeita a sua inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Assine a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

.: Crítica: "Mortal Kombat II" é puro entretenimento gamer com cultura pop


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


O longa "Mortal Kombat II", dirigido por Simon McQuoid ("Mortal Kombat I"), é entretenimento gamer nostálgico estampado na telona de cinema em sua forma pura. A nítida evolução em relação ao filme de 2021, capaz de corrigir falhas do antecessor, ao focar diretamente no torneio e nas sequências de cenas de ação. Em 1 hora e 56 minutos, a produção entrega lutas coreografadas com excelência na atmosfera contagiante e facilitadora de estabelecer toda conexão com o clássico jogo.

Com muita pancadaria, sangue jorrando e momentos épicos em cenários que mudam constantemente, a produção automaticamente alimenta no público a sensação de estar assistindo a um modo história dos videogames. De fato, a ambientação com boa qualidade de computação gráfica, assim como cenários icônicos bem elaborados e as luta em meio a luz do dia ou antes do cair da noite, fugindo da constante escuridão para esconder falhas técnicas digitais, fazem o longa fluir a ponto de ser palatável, inclusive para quem não assistiu ao primeiro filme e/ou nunca jogou Mortal Kombat.

Sem tramas confusas, o longa de 2026 entrega a essência caótica e divertida da franquia clássica de lutas mortais por meio de personagens mais do que conhecidos. Assim, Johnny Cage (Karl Urban, saga "O Senhor dos Aneis", "The Boys"), personagem da série de jogos eletrônicos inspirado em Jean-Claude Van Damme, entra na história como todo o peso de ser um ator narcisista famoso por filmes de artes marciais, mas que está ultrapassado e até esquecido pelo público. No entanto, para lutar ele é necessário. Logo, o confuso Cage traz muito alívio cômico para a trama.

Contudo, cabe também a Josh Lawson ("O Fantástico Mundo de Blaze") interpretando Kano entregar muito bom humor com sacadas rápidas e divertidas, equilibrando a tensão e a violência garantindo boas risadas para o público. Destaque também para as cenas de protagonismo de Hanzo Hasashi, o Scorpion, na pele de Hanzo ("Trem Bala", "John Wick 4: Baba Yaga"), assim como a Kitana de Adeline Rudolph ("Hellboy e o Homem Torto"). 

"Mortal Kombat II" pode não ser o melhor filme de todos os tempos por ainda esbarrar em falhas pontuais, como certas representações de poderes, mas garante o seu lugar entre as melhores adaptações de videogames para o cinema. O resultado é um filme de puro entretenimento gamer regado de cultura pop que garante muita diversão. Vale a pena conferir na telona de cinema!

"Mortal Kombat II" ("Mortal Kombat II"). Gênero: Ação, artes marciais. Direção: Simon McQuoid. Roteiro: Jeremy Slater. Duração: 1h 56 minutos. Classificação Indicativa: 18 anos. Distribuição: Warner Bros. Elenco: Carl Urban (Johnny Cage), Adeline Rudolph (Kitana), Lewis Tan (Cole Young), Tadanobu Asano (Raiden), Martyn Ford (Shao Kahn), Hiroyuki Sanada (Scorpion). Sinopse: A sequência do longa de 2021 traz o aguardado torneio entre a Terra e a Exoterra.

Trailer de "Mortal Kombat II"




Leia+

.: Crítica: "Trem-Bala" é proibidão do mundo do crime. Imperdível!

.: "John Wick 4: Baba Yaga" é perfeição do gênero com visual avassalador

.: Crítica: "Não Fale o Mal" entrega tensão pura com McAvoy demoníaco

.: Crítica: "Charuto de Mel" é fuga de aprisionamento feminino nos anos 90

.: Crítica: "Michael" promove reencontro com figura insubstituível da mídia

.: Crítica: "A Noiva!" é saboroso delírio em thriller gótico feminista efervescente

.: Crítica: "Frankenstein" de Guillermo del Toro é deleite visual em trama gótica

.: Crítica: imperdível "Velhos Bandidos" faz rir e entrega desfecho inesperável

.: Resenha: "Fome Animal", comédia e terror gore de Peter Jackson

.: #ResenhandoQuizz: sabe tudo de "O Senhor dos Anéis"? Descubra!

.: Crítica: "Omen" é história de choque cultural em busca por pertencimento


"Omen" pode ser assistido no site e aplicativo Reserva IMOVISION

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


O primeiro longa congolês a estrear em uma mostra competitiva do Festival de Cannes, vencedor do prêmio Nova Voz, o drama fantástico "Omen" (Augure), é um mergulho em histórias distintas que se assemelham quando apresentadas em quatro capítulos que permeiam crenças que fortalecem feridas coloniais. De estética exuberante, repleta de simbolismos e sequências fascinantes, o filme que soma 1 hora e 30 minutos é uma crítica social onírica, que transita em contos de fadas, imprimindo a dinâmica do exílio, luto e desconexão com o próprio povo.

A narrativa de choque cultural pautada nas vidas de cultura africana, escrita e dirigida pelo artista belga-congolês Baloji apresenta histórias paralelas que se conectam por meio dos personagens Koffi (Marc Zinga), o rejeitado pela mãe na juventude por nascer com uma grande marca de nascença, Paco (Marcel Otete Kabeya), o menino de rua que lidera uma gangue que veste em roupas rosa e está em luto pela morte da irmã, Tshala (Eliane Umuhire), a irmã de Koffi, adepta do poliamor que se prepara para imigrar para a África do Sul e Mujila (Yves-Marina Gnahoua), mãe de Koffi, uma figura forte e controversa.

Ainda que Koffi seja introduzido primeiro na trama, a força da matriarca da família, Mama Mujila, o pilar da família, desenha o rumo do filho, Koffi que volta da Bélgica para a República Democrática do Congo acompanhado de sua noiva grávida. Sem conhecer a própria cultura devido a seu banimento, a relação conturbada com a mãe que o mandou para viver longe por considerá-lo feiticeiro. No entanto, é o desconhecido que conecta mãe, filho, filha (Tshala) e um garoto de rua. Todos marcados como um zabolo (feiticeiro maligno na língua suaíli).

Aliás, o ponto central de "Omen" (Augure) está no estigma de cada personagem ser rotulado pela sociedade local tradicional como "diabo" ou portador do "sinal do diabo". De um ritual para o descrédito instantâneo no outro seguindo uma crença para a anulação de cada indivíduo, a marcante colisão entre antigas crenças tribais, misticismo e as expectativas do mundo moderno, fazem com que a produção afrofuturista entregue um choque cultural brutal em meio a tentativas de pertencimento. Imperdível!

Assine a Reserva Imovision, streaming com qualidade e inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas.

"Omen" (Augure). Gênero: Drama, fantasia, thriller. Direção: Baloji. Roteiro: Baloji e Thomas van Zuylen. Duração: 1h 30 minutos. Classificação Indicativa: 14 anos. Distribuição: MUBI. Elenco: Marc Zinga (Koffi), Lucie Debay (Alice), Eliane Umuhire (Tshala), Yves-Marina Gnahoua (Mama Mujila) . Sinopse: A trama segue quatro personagens estigmatizados e acusados de serem "bruxos" ou "feiticeiros", que encontram uma maneira de se ajudar mutuamente para escapar de seus destinos socialmente impostos.

Trailer de "Omen"



Leia+

.: Crítica: "Não Fale o Mal" entrega tensão pura com McAvoy demoníaco

.: Crítica: "Charuto de Mel" é fuga de aprisionamento feminino nos anos 90

.: Crítica: "Michael" promove reencontro com figura insubstituível da mídia

.: Crítica: "Barba Ensopada de Sangue" é excelente suspense introspectivo

.: Crítica: "Narciso" entrega magia ao tratar a dura realidade de órfãos negros

.: Crítica: "A Noiva!" é saboroso delírio em thriller gótico feminista efervescente

.: Crítica: "Frankenstein" de Guillermo del Toro é deleite visual em trama gótica

.: Crítica: imperdível "Velhos Bandidos" faz rir e entrega desfecho inesperável

.: Crítica: "Um Gato Em Paris" é cinema noir animado para todas as idades

"Um Gato Em Paris" pode ser assistido no site e aplicativo Reserva IMOVISION

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


A animação francesa "Um Gato Em Paris" (Une vie de chat) é uma perfeita história de gato e rato, cabendo ao felino em questão o trabalho de costurar toda a trama. De estética artesanal feita à mão, numa atmosfera inspirada no Cinema Noir (estilo cinematográfico, fortemente associado a suspenses e dramas criminais de Hollywood), a produção dirigida por Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol, apresenta a história da garotinha Zoé que perdeu o pai nas mãos de um mafioso e tem uma mãe policial muito atarefada.

A menina muda cuida de seu animal de estimação, o gato Dino, sem imaginar que seu bichinho é um autêntico representante da vida boêmia a ponto de levar uma vida dupla, uma vez que no cair da noite ele é parceiro de um gatuno, o ladrão de bom coração, Nico. Contudo, o crime volta a bater de frente com a pequena Zoé que ao ser raptada, acaba sendo a chave para a solução de uma rede de criminalidade e ajuda a mãe a chegar em quem tanto deseja.

O longa de 1 hora e 10 minutos de duração, tem traços à mão em visual vibrante e cores quentes que remetem a pinturas em movimento que contribuem para a criação da atmosfera perfeita de suspense. Logo, o enredo policial, em cenários de linhas tortas e distorcidas, prende a atenção, gerando curiosidade em torno das reviravoltas e do desfecho. 

De enorme prestígio internacional e indicado ao Oscar de Melhor Filme de Animação, "Um Gato Em Paris" é voltado para todas as idades por transitar com maestria por temas diversos como luto, traumas, vingança e corrupção com maturidade e sobriedade. Vale a pena conferir na Reserva IMOVISION!

PRÊMIOS: A produção de trajetória celebrada em eventos do cinema mundial acumulou indicações a prêmios, além do Oscar (2012), na categoria de Melhor Filme de Animação, também esteve entre os favoritos do Prêmio César (2011), na categoria Melhor Filme de Animação (a principal premiação do cinema francês), no European Film Awards (2011) na categoria Melhor Filme de Animação Europeu e no Annie Awards (2012) esteve na categoria de Melhor Direção em uma Produção de Longa-Metragem.

Assine a Reserva Imovision, streaming com qualidade e inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas.

"Um Gato Em Paris" (Une vie de chat). Gênero: Animação, aventura, policial, infantil. Direção: Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli. Roteiro: Alain Gagnol e Jacques-Rémy Girerd. Duração: 1h 10 minutos. Classificação Indicativa: livres. Distribuição: Bonfilm. Vozes originais: Dominique Blanc (Jeanne, a comissária de polícia), Bruno Salomone (Nico, o ladrão), Jean Benguigui (Victor Costa, o principal gângster/vilão), Bernadette Lafont ( Claudine), Oriane Zani (Zoé, a garotinha), Patrick Descamps (Lucas), Patrick Ridremont (Sr. Sapo). Sinopse: Dino, um gato que vive uma vida dupla: de dia mora com uma garotinha muda, e à noite ajuda um simpático ladrão a escalar os telhados da cidade.

Trailer de "Um Gato Em Paris"



Leia+

.: Crítica: "Não Fale o Mal" entrega tensão pura com McAvoy demoníaco

.: Crítica: "Charuto de Mel" é fuga de aprisionamento feminino nos anos 90

.: Crítica: "Michael" promove reencontro com figura insubstituível da mídia

.: Crítica: "Barba Ensopada de Sangue" é excelente suspense introspectivo

.: Crítica: "Narciso" entrega magia ao tratar a dura realidade de órfãos negros

.: Crítica: "A Noiva!" é saboroso delírio em thriller gótico feminista efervescente

.: Crítica: "Frankenstein" de Guillermo del Toro é deleite visual em trama gótica

.: Crítica: imperdível "Velhos Bandidos" faz rir e entrega desfecho inesperável

Próximas postagens → Página inicial
Tecnologia do Blogger.