segunda-feira, 2 de maio de 2011

.: Resenha crítica de "Eu Sou o Número Quatro", de roteiro fraco

Fugitivos de Lorien estão na Terra
Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em maio de 2011


Ficção científica adolescente perde com roteiro fraco. Saiba mais de Eu Sou o Número Quatro!


Um filme adolescente focado em alienígenas. O longa "Eu Sou o Número Quatro", dirigido por  D. J. Caruso, conta a triste história dos últimos habitantes do planeta Lorien, destruído pelos Mogadorianos (personagens que remetem esteticamente os vampiros de 30 Dias de Noite). Chamados apenas por números, eles têm o grande desafio de fugir dos inimigos que tem como objetivo eliminar todos os nove, na ordem certa, para que poderes especiais não possam ser usados contra eles no futuro.

Para sobreviver o lorieno Número Quatro (Alex Pettyfer), junto com o seu protetor Henri (Timothy Olyphant), vivem (camuflados) entre os habitantes do planeta Terra. Com o intuito de não serem reconhecidos, os dois constantemente mudam de cidade e de nome. No entanto, nem todo cuidado é o suficiente, pois nos minutos iniciais da trama o adolescente descobre que será o próximo da lista. 

Tal aviso é dado quando, assim como um adolescente normal, Número Quatro aproveita um dia inteiro na praia com uma garota. Já de noite, para o seu total azar, ainda na água, quando está prestes a se dar bem, ele sente a perna queimando enquanto que raios de luz são emitidos do símbolo formado em sua pele. Desesperado, ele sai da água correndo, mas todos flagram o momento inusitado. Um "ligeirinho" das águas salgadas filma e posta o vídeo na internet (Quanta modernidade!).

Após o flagrante, Henri e seu protegido mudam de cidade. Eis que o Número Quatro, que era chamado de Daniel passa a ser John Smith. Na tranquila cidade de Paradise, em Ohio, "John" descobre seus novos poderes, conhece a estudante Sarah Hart (Dianna Agron) e se apaixona por ela. Quando a história de amor fica um pouco de lado, a número Seis (Teresa Palmer) encontra o próximo da lista dos Mogadorianos e os seres inimagináveis ganham papel fundamental na trama.

O longa é um bom representante de outros tantos filmes e alguns seriados. Como? Simples. É inevitável deixar de intertextualizar Eu Sou o Número Quatro com outras películas famosas como, por exemplo, Crepúsculo (garota tímida se apaixona pelo bonitão misterioso); Duro de Matar (a cena da Número Seis explodindo a casa); Transformers (são tantas cenas!). 

Tantos momentos de suspense remetem a filmes de terror como, por exemplo, Pague para entrar, reze para sair, e, lembram também o seriado Sobrenatural (sequência no parque de diversões em que os protagonistas passeiam em um Trator Fantasma). Glee é outro seriado que será lembrado, principalmente por ser um filme adolescente americano que retrata aa rixas escolares dos novatos e os "diferentes" contra os "queridinhos do colégio". Talvez esta lembrança também ocorra pelo fato de ter Dianna Agron no elenco de ambos). 

Em um balanço geral, Eu Sou o Número Quatro pode ser classificado como bom, principalmente quando considerados os efeitos elaborados que pipocam (e muito bem) na tela, a fotografia lindíssima e a trilha sonora perfeita para o gênero. Entretanto, quando o assunto é o enredo, mesmo aqueles que acharam o filme empolgante por gostarem de filmes de ficção científica, hão de concordar que o roteiro fraquinho e insosso deixa a desejar. Resultado: Eu Sou o Número Quatro tem tudo para ser mais um filme juvenil moderninho (ou modernístico?!?!) da Sessão da Tarde.

Filme: Eu Sou o Número Quatro (I am Number Four, EUA)
Ano: 2011
Gênero: Ficção científica
Duração: 110 minutos
Direção: D. J. Caruso
Roteiro: Alfred Gough, Miles Millar e Marti Noxon, baseados no livro de Jobie Hughes e James Frey
Fotografia: Guillermo Navarro
Trilha Sonora: Trevor Rabin
Produção: Michael Bay
Elenco original: Alex Pettyfer, Timothy Olyphant, Dianna Agron, Kevin Durand.

sábado, 2 de abril de 2011

.: Resenha crítica de "Um Parto de Viagem", por Daniel Romano

Química de Downey e Galifianakis em repeteco cinematográfico
Por: Daniel Romano
Em abril de 2011


Apesar de ter uma bela fotografia, Um Parto de Viagem, deixa a impressão de ser uma refilmagem. Saiba mais!


"Um Parto de Viagem" narra a história de Peter (Robert Downey Jr.), um arquiteto um tanto quanto esquentado em uma viagem de negócios, que está prestes a se tornar pai. Sua vida vira de cabeça para baixo quando surge em sua vida o desencanado e meio infantilizado aspirante a ator Ethan (Zach Galifianakis). 

Graças a um mal-entendido no avião, os dois são colocados na lista de pessoas proibidas de voar. Após perder os seus documentos, Peter se vê obrigado a aceitar uma carona, oferecida por Ethan, de volta para Los Angeles. 

Infelizmente, o roteiro ficou bem parecido com Se Beber, Não Case (do mesmo diretor Todd Phillips). É chato quando a gente assiste algo que nos dá a impressão de repeteco. Fica previsível demais. Quem assistiu Antes Só Do Que Mal Acompanhado (de 1987, com Jonh Candy e Steve Martin) vai saber do que estou falando. Até a situação do aeroporto é parecida. Contudo, em Hollywood nada se cria, tudo se refilma. 

No entanto, não posso deixar de citar algumas cenas hilárias e politicamente incorretas. Em uma delas, Robert Downey Jr dá um soco no estômago de um garoto chato. Em qual filme você já viu um adulto dar um soco no estômago de uma criança insuportável? Ok, em alguns. Mas alguma vez riu disso? Outra cena bem bacana é quando o mesmo Robert Downey Jr. conta a triste história de ter sido abandonado pelo pai e o personagem de Zach Galifianakis ri descontroladamente. Uma cena (que poderia ser emocionante) e se torna cômica. 

Os dois atores estão impecáveis e a história cumpre o papel de tirar algumas risadas. Porém, pra mim, não preenche. É uma comédia gostosa, que desce geladinha (feito uma coca-cola). Mas dizem que quando estamos com sede, somente água resolve.

Sinopse: Peter Highman (Robert Downey Jr.) é um ansioso pai de primeira viagem, cuja esposa está a cinco dias de dar à luz. Peter corre contra o tempo para conseguir um vôo de volta para Atlanta a tempo de chegar para o parto, mas seus planos são atrapalhados quando ele conhece o aspirante a ator Ethan Tremblay (Zach Galifianakis). Esse encontro força Peter a pegar carona com Ethan, o que se transforma em uma travessia pelo país que vai resultar na destruição de carros, amizades e da paciência de Peter.

Filme: Um Parto de Viagem (Due Date, EUA)
Ano: 2010
Gênero: Comédia
Direção: Todd Phillips
Roteiro: Alan R. Cohen, Alan Freedland, Adam Sztykiel, Todd Phillips
Duração: 100 minutos
Fotografia: Lawrence Sher
Trilha Sonora: Christophe Beck
Elenco: Robert Downey Jr., Zach Galifianakis, Michelle Monaghan, Juliette Lewis, Jamie Foxx, Alan Arkin, Matt Walsh, RZA, James Martin Kelly, Mimi Kennedy, Rhoda Griffis.

.: Resenha crítica de "O Retrato de Dorian Gray", a décima adaptação

Um retrato (sobrenatural) de Dorian Gray
Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em abril de 2011


Décima adaptação de romance gótico de Oscar Wilde é fixada no suspense sobrenatural. Saiba mais de O Retrato de Dorian Gray!


Adaptar livros para a telona é brincar com fogo. Contudo, quando se trata de um clássico da literatura universal tudo muda ainda mais de figura, afinal, muitos já conhecem a história original e todos os seus detalhes e acabam não aceitando qualquer mínima mudança que este sofra.

"O Retrato de Dorian Gray", dirigido por Oliver Park, reconta o romance gótico, homônimo, de Oscar Wilde. Tanto quanto o texto original, o longa critica o culto desenfreado da juventude e da beleza eternizada. Qual o diferencial? O lado místico da obra é mais valorizada e, assim, torna a décima adaptação da história de Wilde em um suspense sobrenatural.

No enredo ambientado na Londes Vitoriana, o jovem recém-chegado, Dorian Gray, aspirando ingressar na alta-roda, torna-se amigo de Henry Wotton. Este, por sua vez, o apresenta à sociedade e aos prazeres que o local oferece. Sentindo-se invencível, Gray se perde em um universo confuso abarrotado de sexo, vaidade e total falta de valores. Sem limites para concretizar o que deseja, ele passa a se concentrar em um outro prazer: a própria beleza. 

Obcecado por sua beleza inquestionável (Seria Ben Barnes o mais indicado para tal papel?), Dorian permite que o pintor Basil Hallward o retrate com fidelidade e, assim, sem qualquer dúvida, o jovem dá a própria alma com a intenção de ter para sempre a aparência nele registrada. Enquanto que o aristocrata Lorde Wotton o deseduca sobre os verdadeiros valores da vida, Basil retrata a verdadeira beleza, jamais pintada por alguém. Apesar dos anos já corridos, Gray permanece jovem, belo e atraente, enquanto que o quadro, não mais exposto, mas coberto e escondido, apresenta, cada vez mais, um ar sombrio e malévolo.

"O Retrato de Dorian Gray", com direção de Oliver Park, é um bom filme, não é tão marcante quanto a leitura do livro em seu texto integral, mas no quesito figurino e maquiagem dá um banho de perfeição. Assim, passa a ser um fato comprovado, pois apesar de a beleza de Ben Barnes (que tem cara de cachorro molhado) não ter as características de um Dorian Gray, em poucos minutos de filme é possível "ver" nele aquilo que não há de fato.

Por outro lado, o nobre ardiloso Wotton, interpretado brilhantemente por Colin Firth é quem rouba a cena. Não há duvida, ele é o melhor advogado do Diabo de todos os tempos. Tal atuação, de tão marcante permite que o público analise, por conta própria, quem é o verdadeiro pintor de Dorian Gray. Vale a pena conferir O Retrato de Dorian Gray, embora a leitura do livro (texto integral e/ou original) seja indispensável!


Filme: O Retrato de Dorian Gray (Dorian Gray, Reino Unido)
Ano: 2009
Gênero: Drama
Duração: 112 minutos
Direção: Oliver Park
Roteiro: Toby Finlay, Oscar Wilde (romance)
Fotografia: Roger Pratt
Trilha Sonora: Charlie Mole
Elenco original: Colin Firth, Ben Barnes, Rachel Hurd-Wood, Rebecca Hall, Emilia Fox, Ben Chaplin, Caroline 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

.: Entrevista com João Paulo Cuenca, escritor

“O que acontece é que mulheres estão assumindo papéis cada vez mais masculinos e homens com a cabeça do século passado - eu me incluo nisso. Existe uma 'pororoca', um enfrentamento, entre os sexos.” - João Paulo Cuenca

Por: Helder Miranda
Colaboração: Mary Ellen Farias dos Santos

Em abril de 2011


Afinal, o que querem os homens? Descubra aqui no Resenhando.com na entrevista do escritor João Paulo Cuenca!


Um escritor e cronista carioca. Aos 33 anos, João Paulo Cuenca ostenta um currículo de encher os olhos de qualquer veterano. Já publicou pelas editoras Planeta, Agir, Companhia das Letras e, agora, lança pela Leya Brasil o roteiro da série global Afinal, O Que Querem As Mulheres?, em uma edição luxuosa. Integrante da antologia As Cem Melhores Crônicas Brasileiras, foi selecionado pela organização do festival Bogotá Capital Mundial do Livro como “um dos 39 autores mais destacados da América Latina com menos de 39 anos”. 

João Paulo Cuenca começou a trajetória em um blog de diários na internet com o nome de Folhetim Bizarro. Consequentemente, iniciou o que seria, mais tarde, o esboço de seu primeiro romance Corpo Presente. Aventurou-se ao enviar um trecho de sua primeira produção para a revista eletrônica Ficções, assim, em 2003, publicou seu livro de estreia pela editora Planeta. 

De 2003 a 2005, publicou crônicas semanalmente na Tribuna da Imprensa e no Jornal do Brasil, além de ser responsável por uma coluna mensal na Revista TPM entre 2004 e 2006 e ser cronista do suplemento Megazine do jornal O Globo de 2006 a 2010. Ainda em 2003, Cuenca foi palestrante convidado da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty. Ele que em 2007 foi considerado pelo festival Bogotá Capital Mundial do Livro como um dos 39 autores mais destacados da América Latina com menos de 39 anos, também participou de feiras internacionais, como a Feira do Livro de Madrid, na Espanha, Hay Festival Cartagena das Índias, na Colômbia, Feira Internacional do Livro de Lima, no Peru, Correntes D´escritas, em Portugal, Bienal do Livro do Rio de Janeiro, entre outros. 

Nesta entrevista ao site cultural Resenhando.com, João Paulo Cuenca fala sobre a guerra dos sexos, o amor na modernidade, a escrita de um romance, a novela que escreveria e o papel de editores na descoberta de novos autores.



RESENHANDO - Afinal, o que querem os homens?
JOÃO PAULO CUENCA - Grande parte do tempo, adivinhar o que querem as mulheres, um ser misterioso, insondável... Mas os homens se esquecem cada vez mais dessa parte da reflexão do Freud, porque já não faz mais sentido, o desejo hoje é tão fragmentado...


RESENHANDO - Então você descobriu, afinal, o que querem as mulheres?
J.P.C. - Desde a tenra infância venho tentando saber sobre isso, mas não... nada. Na verdade, acho que mostrar as mulheres como enigmas ou esfinges é uma mistificação. 


RESENHANDO - Qual é a grande diferença entre os desejos masculinos e femininos?
J.P.C. - Hoje em dia os papéis estão se misturando e ficando ainda mais confusos. O que se vê são inversões, não estou falando em “mulheres sapatonas” e “homens viados”, não é nada disso. 


RESENHANDO - O que quer dizer?
J.P.C. - Acontece que as mulheres estão assumindo papéis cada vez mais masculinos e os homens com a cabeça do século passado - eu me incluo nisso. Existe uma “pororoca”, um enfrentamento, entre os sexos.


RESENHANDO - Por haver tal transformação, há alguma interferência na orientação sexual do ser humano atual?
J.P.C. - As pessoas estão cada vez mais livres para exercer os seus desejos. Nas próximas gerações, a homossexualidade tende a não ser mais um fardo de isolamento, nem haverá mais sentido para a fragmentação social, como a Parada Gay. Assim espero.


RESENHANDO - Como foi a sua relação com a literatura quando pequeno?
J.P.C. - Leio desde pequeno, frequentava bibliotecas. Eu lia muito mais aos 10 anos do que hoje em dia.


RESENHANDO - Você gosta de escrever?
J.P.C. - Não sei exatamente. Sei que gosto mais do resultado, da sensação de que criei algo. Eu gosto de perceber que consegui me comunicar. O curioso é que enquanto escrevo, não gosto. É um processo difícil.


RESENHANDO - Como foi migrar dos livros para um seriado na Globo?
J.P.C. - Foi agradável e menos solitário do que escrever um romance que, para mim, dura em média três anos, sofrendo e perseguindo uma obsessão. O roteiro foi uma encomenda para a emissora, mas o mérito é dividido com os outros roteiristas, o diretor, o iluminador... Diferentemente do romance, em que sou o cara que faz tudo.


RESENHANDO - Depois da experiência de adaptar um livro para a TV você pensa em escrever novelas?
J.P.C. - Penso em ser colaborador. Se fosse para escrever a minha, seria sobre os bastidores de uma telenovela, abordando as relações com o diretor, os atores entre si e a imprensa, que vaza todas as novidades e os mistérios dos capítulos. Isso, sim, seria divertidíssimo.


RESENHANDO - Como é escrever um romance?
J.P.C. - Começa com uma ideia e, mais do que respostas, penso em formular uma pergunta. A partir daí, tudo se desenvolve.


RESENHANDO - O título de um de seus livros é "O Único Final Feliz Para Uma História de Amor É Um Acidente". Você não acredita em finais felizes?
J.P.C. - Acredito, mas sem que para isso seja cobrada a felicidade. Isso dá ao sentimento um fardo errôneo, sendo que deve ser algo feliz, confortável. A vida não é assim. No lançamento desse livro, contratei uns “lambes-lambes” para colocar cartazes espalhados com esse título. Alguns acharam desagradável, mas no final das contas foi só uma provocação. Relações terminam o tempo todo, seja porque um não gosta mais do outro e abandona, seja porque têm o ponto final com um acidente...


RESENHANDO - Conte uma pouco da sua história. Como você foi descoberto na literatura?
J.P.C. - Comecei a escrever um blog em 1999 e consegui publicar na revista Ficções, que está meio parada, mas publica gente nova e consagrada, como Rubens Batista Figueiredo. A partir daí, as coisas aconteceram, como lançar pela editora Planeta e a participação em outras publicações literárias. 


RESENHANDO - Considerando o início de sua história, você acredita que a internet seja um caminho?
J.P.C. - É, mas tem muita gente e, por isso, as pessoas ficam meio perdidas. Acho válido, mas não pode ser só isso. Uso a internet como interlocução, mas creio que é importante, talvez o primeiro passo, seja ter um conto publicado numa revista conceituada. É um filtro. Na internet, não tem editor, então pode se escrever tudo.


RESENHANDO - E a importância dos editores?
J.P.C. - Os editores, nesse caso, atuam como peneiras. E é muito mais fácil você ser lido em uma revista do que alguém chegar em um blog e descobrir um novo autor. 


RESENHANDO - Você foi considerado um dos 39 autores mais destacados da América Latina com menos de 39 anos. Como foi isso?
J.P.C. - Bacana. Convivi e tive a oportunidade de ler uma geração de escritores que não conhecia. Tive uma noção muito forte do que é estar na América Latina. A referência é que, infelizmente, o Brasil não se insere nisso, não participa das coisas, como se fosse algo isolado.



Publicações de João Paulo Cuenca
Romances
Corpo presente, Planeta, 2002
O dia Mastroianni, Agir, 2007
O único final feliz para uma história de amor é um acidente, Companhia das Letras, 2010

Antologias
Cem melhores crônicas brasileiras Objetiva, 2007
Cenas da Favela Geração Editorial, 2007
Missives – Nouvelles brésilliennes contemporaines Société Littéraire, França, 2008
B39 — Antologia de cuento latinoamericano Ediciones B, Uruguai 2007

Obras traduzidas
Una giornata Mastroianni Cavalo di Fierro, Itália, 2008
O Dia Mastroianni Caminho Editorial, Portugal, 2009
O único final feliz para uma história de amor é um acidente, Caminho Editorial, Portugal, 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

.: Resenha crítica de "127 Horas", dirigido por Danny Boyle

Cinebiografia de Danny Boyle é dinâmica, mas deixa o público tenso
Por: Daniel Romano
Em março de 2011


Momentos angustiantes fazem de cinebiografia de Aron Ralston uma história marcante. Saiba mais de 127 Horas!


O filme "127 Horas", de Danny Boyle (mesmo diretor de "Quem Quer Ser um Milionário"), é baseado em uma história real vivida pelo alpinista Aron Ralston (James Franco). Passeando, em abril de 2003, no Canyon Bluejohn (em Utah), o moço aventureiro cai em uma fenda e fica com o braço preso em uma rocha. Antes, uma paisagem linda é exposta na telona, deixando o espectador de queixo caído com tantos monumentos naturais, além de retratar o espírito aventureiro do rapaz. 

É no momento em que  o Aron fica preso que o público (junto), torce para que ele consiga logo se livrar da maldita rocha. De fato, James Franco está excelente em cena. Claro que o clima favorece e o personagem também, já que a filmadora é sua única forma de se expressar. E nós, espectadores, ficamos como ouvintes, como se o alpinista estivesse gritando todo o seu desespero e pedido de ajuda. 

Muito interessante quando Aron lembra que esqueceu um isotônico no carro e são mostrados vários comerciais de sucos e refrigerantes estupidamente gelados. Todas as cenas são vindas da própria imaginação do rapaz. 

Não posso deixar de lembrar que o cara valente não perde o bom humor, o que não deixa as coisas menos desesperadoras. A trama é tensa e angustiante. Danny Boyle (diretor) foi esperto e encaixou cenas extras de possíveis acontecimentos caso o incidente não tivesse acontecido. 

Aron namorando. Aron com os amigos. Aron atendendo o telefonema (não atendido) de sua mãe. Aron curtindo a vida em uma festa com as meninas que acabou de conhecer. Aron e sua antiga paixão. Aron avisando no trabalho que viajou. Coisas que ele na realidade não fez, mas é mostrado ao público. Uma jogada de mestre. Na verdade, é um trunfo que não deixa o filme cansativo. E vamos combinar que é complicado entreter um público por mais de uma hora em um mesmo ambiente. 

Contudo, Boyle deu conta do recado, tornou uma história "parada" em algo dinâmico. O que peca um pouco é a trilha sonora. Por vezes, toca uma musiquinha alegre e fica inapropriada para um momento de suspense. Mas passou despercebido. A superação de Aron Ralston é emocionante e o filme também. Vale conferir!


Filme: 127 Horas (127 Hours, Reino Unido, EUA)
Ano: 2010
Gênero: Drama
Duração: 93 min
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Danny Boyle, Simon Beaufoy, Aron Ralston (livro)
Elenco: James Franco, Lizzy Caplan, Treat Williams, Kate Burton.
Site oficial: http://www.127horas.com.br/

.: Resenha crítica de "Enterrado Vivo", com Ryan Reynolds

Crítica ferrenha ao sistema dá mais força a suspense protagonizado por Ryan Reynolds
Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em março de 2011


95 minutos de pura tensão. Saiba mais de Enterrado Vivo!


Para quem é fã de filmes que deixam os nervos à flor da pele, Enterrado Vivo é a melhor pedida entre os lançamentos do gênero suspense. Não há dúvida, o longa dirigido por Rodrigo Cortés é realmente claustrofóbico, angustiante e muito intenso. Tais palavras não são força de expressão. O filme é mesmo de tirar o fôlego!

A história do longa estrelado por Ryan Reynolds tem como cenário o interior de um caixão sob a terra. E só. Tudo acontece nesta rústica caixa de madeira. Inicialmente, no escuro (total), é possível escutar o motorista de caminhão, Paul Conroy, ofegante, que após alguns segundos encontra um isqueiro. A partir do momento em que se faz a luz, os olhares apavorantes de Paul permitem que o público tenha uma ideia da dimensão do problema que viverá junto ao protagonista nos próximos 90 minutos. 

Após conseguir tirar a mordaça e desamarrar as mãos, um celular, em árabe, toca. É então, que o pavor (contagiante) de Conroy aumenta. Afinal, o que querem de um simples motorista da CRT que trabalhava no Iraque para os norte-americanos? Eis que a pergunta sobre o real motivo de Paul ter sido enterrado vivo ganha forma, enquanto que a ameaça de morte se torna cada vez mais real e próxima de se concretizar. 

No entanto, o celular (tecnologia que, quando funciona, auxilia na solução de grandes dificuldades) é o instrumento que dá agilidade para toda a trama. Nem mesmo a grande cobra que faz uma visitinha para Paul consegue dar tanto medo quanto as vezes que o celular recebe uma chamada árabe. Contudo, o longa prova que de nada adianta ter em mãos tamanha tecnologia quando não se tem competência daquele que está do outro lado da linha. 

Dentro de um velho caixão, lutando para sobreviver, Conroy demora para conseguir contatar Dan Brenner, representante da Embaixada que trata da busca por reféns. Eis que o longa embarca na crítica ferrenha ao sistema (o governo, o meio corporativo e a política internacional). Entretanto, com a tensão oscilando, Enterrado Vivo que conta totalmente com a atuação de Ryan Reynolds (ator considerado fraco pelos críticos), não desaponta. Vale a pena passar por minutos de nervosismo com Enterrado Vivo!

Filme: Enterrado Vivo (Buried, Espanha, EUA)
Ano: 2010
Gênero: Suspense
Duração: 95 minutos (
Direção: Rodrigo Cortés
Roteiro: Chris Sparling
Elenco: Ryan Reynolds (Paul Conroy), José Luis García Pérez (Jabir), Robert Paterson (Dan Brenner), Stephen Tobolowsky (Alan Davenport), Samantha Mathis (Linda Conroy), Ivana Miño (Pamela Lutti), Warner Loughlin (Maryanne Conroy / Donna Mitchell / Rebecca Browning), Erik Palladino (Agente especial Harris), Kali Rocha (Operador 911 / Voz), Chris William Martin (Representante do Departamento de Estado ), Cade Dundish (Shane Conroy), Mary Songbird (Operadora 411/ Voz), Kirk Baily (Operador 411 / Voz), Anne Lockhart (Operador CRT / As Voz)
Site oficial: http://www.enterradovivo.com.br

.: Resenha crítica de "Homens em Fúria", enredo que não convence

Longa traz elenco de qualidade, mas decepciona por trama fraca
Por: Daniel Romano
Em março de 2011


Enredo não convence, apesar de trazer elenco de primeira. Saiba mais do longa Homens em Fúria!


O filme "Homens em Fúria", do diretor John Curran, começa bem, fazendo o público pensar sobre o direito que temos de julgar os outros. Senti aversão ao personagem principal logo no início da trama. Que moral tem um homem que comete chantagem com a própria mulher para que ela não o abandone? Como ele pode avaliar e julgar alguém? Esse tema tinha tudo para obter um roteiro bem elaborado. Não foi o caso. 

Tudo citado acima, apenas faz parte da primeira cena, que chega a ter cinco ou dez minutos de duração. No decorrer da trama, só nos deparamos com um detento tentando convencer um agente de condicional a antecipar sua saída da prisão. E o moço não está sozinho, ele conta com a ajuda e sensualidade de sua bela esposa. Mas a história não emplaca, não há surpresas. Não tem jogada de cena, rítmo, nada. Uma mesmice entediante. 

A parte positiva é que o elenco está excelente, o que sustenta o filme, com atuações impecáveis. Frances Conroy talvez tenha ficado com a parte mais complicada, interpretando Madelyn. Uma mulher esgotada com o casamento, infeliz e melancólica. E deu conta do recado, conseguindo um feito não muito fácil: superar Robert De Niro. Mesmo com um texto tão pobre para sua personagem, Conroy fez bonito. Edward Norton e Milla Jovovich também estão em suas melhores fases, com papeis muito bem interpretados. 

Milla conseguiu finalmente se desvencilhar dos zumbis, mostrando que pode mais do que pular de um lado para o outro em um filme de ação. É o quarteto que sustenta o longa, fazendo com que o público continue animado de assistir até o fim. Não espere um filmaço e nem se anime com o título. São apenas pessoas cometendo erros durante a vida. E, dependendo do tempo que se perde, fica tarde demais para recomeçar. Nada mais.


Curiosidades sobre Homens em Fúria:

* O orçamento de Homens em Fúria foi de US$ 22 milhões.

* Esta é a segunda parceria (em filme) do diretor John Curran e o ator Edward Norton trabalham juntos. O anterior foi O Despertar de uma Paixão (2006);

* Edward Norton e Robert De Niro atuaram juntos anteriormente em A Cartada Final (2001);

* As cenas na detenção foram rodadas na Prisão de Southern Michigan, que já foi o maior presídio fechado no mundo. Com o encerramento de atividades, o local se tornou bastante disputado como locação de filmes e séries de TV.

Filme: Homens em Fúria (Stone, EUA)
Ano: 2010
Gênero: Drama
Duração: 105 minutos
Direção: John Curran
Roteiro: Angus MacLachlan
Elenco: Milla Jovovich (Lucetta), Robert De Niro (Jack Mabry), Edward Norton (Gerald Creeson), Frances Conroy (Madylyn)

.: Resenha crítica de "Barbie e o Segredo das Fadas"

Barbie ganha novas asas
Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em março de 2011


Enredo fraco em um colorido encantador e vibrante. Saiba mais da nova animação da garota que é tudo o que deseja, Barbie e o Segredo das Fadas!


Não é de hoje que a boneca Barbie protagoniza animações de longa-metragem. A primeira apresentação animada da mocinha que ama a cor-de-rosa aconteceu em 1987, no desenho "Barbie e a Estrela do Rock". O desenho, sem os poderes da magia da computação gráfica, não deixa a desejar para a época. Detalhe que este veio acompanhado de 12 canções: 01. Barbie e os Roqueiros, 02. Lá Vem Meu Amor, 03. Todos Nesse Rock, 04. Você Acredita em Mágica, 05. Um Sonho para Alcançar, 06. Você quer Dançar, 07. Amigos, 08. Você é um Amor, 09. Produção, 10. Me Pegue se Puder, 11. Energia, 12.Dançar com Você. Após 14 anos, sem lançar desenhos, Barbie voltou com "Barbie em O Quebra Nozes" e, após 10 anos de retorno, em abril de 2011, o novo lançamento é "Barbie em O Segredo das Fadas".

A nova aventura da musa das meninas começa quando, após mais uma vez ser mal tratada por Raquelle, ela decide tirar satisfação deste comportamento tão austero. Enquanto discutem, Ken é raptado pela princesa de Gloss Angeles. Qual o motivo? A fadinha está apaixonadíssima por ele e está decida a se casar com ele. Desta forma, Barbie e suas amigas precisam entrar no universo das fadas para resgatá-lo. 

É claro que na nova produção as arqui-inimigas, Barbie e Rachelle, ganham um par de asas e aprendem a usá-las. Enquanto tentam invadir o palácio de Gloss Angeles para salvar Ken, as duas descobrem a poderosa magia da amizade. Como? Simples. A inimizade pode surgir de um mal-entendido e, assim, uma conversa pode acertar tudo. 

O enredo de Barbie e o Segredo das Fadas, além de repetitivo, ou seja, Barbie ganhas asas (de novo!), não consegue convencer por ser muito fraco, principalmente se comparado com o seu anterior, Barbie Moda e Magia. Enquanto que a produção do segundo semestre de 2010 conseguiu melhorar a imagem (no quesito animação) da boneca que vive no mundo cor-de-rosa, este caiu na mesmice de Fairytopia e seus "remakes". Comprar a boneca é a melhor pedida. Confira Barbie e o Segredo das Fadas por sua conta e risco!

Fimografia da Barbie:
* Barbie e a Estrela do Rock [1987]
* Barbie em O Quebra Nozes [ 2001]
* Barbie como Rapunzel [2002]
* Barbie em O Lago dos Cisnes [2003]
* Barbie em A Princesa e a Plebéia [2004]
* Barbie Fairytopia [2005]
* Barbie em A Magia de Aladus [2005]
* Barbie Fairytopia Mermaidia [2006]
* O Diário da Barbie [2006]
* Barbie em As 12 Princesas Bailarinas [2006]
* Barbie Fairytopia A Magia do Arco-Íris [2007]
* Barbie em A Princesa da Ilha [2007]
* Barbie Butterfly [2008]
* Barbie e o Castelo de Diamante [2008]
* Barbie em A Canção de Natal [2008]
* Barbie em A Pequena Polegar [2009]
* Barbie em As Três Mosqueteiras [2009]
* Barbie em Vida de Sereia [2010]
* Barbie Moda e Magia [2010]
* Barbie e o Segredo das Fadas [2011]

Filme: Barbie em O Segredo das Fadas (A fairy secret, EUA)
Ano: 2011
Gênero: Animação / Fantasia
Duração: 105 minutos
Elenco original: Diana Kaarina (voz da Barbie), Adrian Petriw (voz do Ken), Raquelle (voz de Britt Irvin), Cassandra Morris (Carrie), Kate Higgins (Taylor), Silvio Pollio (Zane), Brittney Wilson (Crystal)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

.: Resenha crítica de "Enrolados", animação Disney

Princesa e ladrão em um 3D incrivelmente fascinante
Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em fevereiro de 2011


Em produção Disney, Rapunzel faz história em um lindo dia de passeio. Saiba mais de Enrolados!


A reinvenção de histórias infantis conhecidas mundialmente é a grande moda que garante o sucesso das animações da atualidade. Enrolados, dos estúdios Disney volta a beber da fonte que lhe deu tanta credibilidade, ou seja, apresenta as aventuras de uma princesa por meio de adaptações (com o intuito de conquistar um novo público). Na versão Disney, Rapunzel (Porque a Disney demorou tanto para elaborar um desenho protagonizado por esta princesa?) não é tão linda e delicada, quanto as que estampavam os esboços divulgados pela Disney. Contudo, os efeitos das novas tecnologias (como por exemplo, os cabelos belamente realísticos) contribuem para a rápida aceitação da forma final desta personagem.

A 50ª animação produzida pela Walt Disney Pictures apresenta o colorido fascinante (já famoso) e as cenas musicadas (que marcaram os clássicos dos estúdios do Mickey Mouse). Eis que já deixo um alerta! Não pense que irá escutar músicas "pop" atuais no desenrolar do filme, como acontece em sucessos da Dreamworks, como por exemplo, a quadrilogia de Shrek. No entanto, "Sua Mãe Sabe Mais" e a cena musical no bar sobre os sonhos encaixam-se perfeitamente na trama e somente enriquecem o longa. 

Outro ponto positivo é a diversão proporcionada pelo texto leve e sagaz. Este, tem o poder de fazer com que Enrolados não seja cansativo. Desta forma, há agilidade suficiente para que o público mantenha total atenção no longa e acompanhe Rapunzel descobrindo o mundo que não conhece sem perceber cada minuto que passa. Você que acompanha os desenhos Disney deve estar com a impressão de conhecer esta personagem. Acredite, você já viu algo parecido em Aladdin. De fato, a princesa Jasmine não sabe o que há além dos muros do palácio de Agrabah, neste meio tempo conhece um ladrão e se apaixona. Que coincidência!

Em contrapartida, é ressaltado no trailer que "é preciso dois para ficar enrolados". Enrolados não é voltado somente para o "Clube da Luluzinha", mas também para o "Clube do Bolinha", pois o ladrão Flynn Ryder é o personagem que impulsiona todos os grandes acontecimentos do enredo. Ao fugir com a coroa roubada de uma princesa sumida, ele torna-se "refém" de Rapunzel, dona de madeixas fortes e implacáveis e seu amigo camaleão, chamado Pascal (que lembra Mulan e seu amigo dragão"zinho"?). Como? A mocinha tem sua torre invadida pelo ladrão Flynn (e seu produto de roubo). Entretanto, o cafajeste é "rastreado" pelo cavalo Maximus que nutre profunda antipatia pelo galanteador de mão leve. 

O 3D da nova produção Disney não impacta e nem irrita os olhos como o longa Avatar, apenas mexe com o imaginário do público deixando a sensação de total interatividade com a história da princesa perdida. Tanto é que não é difícil perceber que há pessoas próximas tentando "pegar" as imagens reproduzidas em três dimensões. Não há uma dúvida sequer, Enrolados é imperdível!

Sinopse: Flynn Ryder (Zachary Levi) é o bandido mais procurado e sedutor do reino. Um dia, em plena fuga, ele se esconde em uma torre. Lá conhece Rapunzel (Mandy Moore), uma jovem prestes a completar 18 anos que tem um enorme cabelo dourado, de 21 metros de comprimento. Rapunzel deseja deixar seu confinamento na torre para ver as luzes que sempre surgem no dia de seu aniversário. Para tanto, faz um acordo com Flynn. Ele a ajuda a fugir e ela lhe devolve a valiosa tiara que tinha roubado. Só que a mamãe Gothel (Donna Murphy), que manteve Rapunzel na torre durante toda a sua vida, não quer que ela deixe o local de jeito nenhum.

Filme: Enrolados (Tangled, EUA)      
Ano: 2010
Gênero: Animação / Aventura / Comédia
Duração: 92 min
Direção: Nathan Greno, Byron Howard
Roteiro: Dan Fogelman
Elenco original: Mandy Moore, Zachary Levi, Donna Murphy, Ron Perlman
Site Disney: http://www.disney.com.br/filmes/cinema/enrolados


sábado, 12 de fevereiro de 2011

.: Resenha crítica de "Santuário", por Daniel Romano

Avatar é Avatar, Santuário é Santuário
Por: Daniel Romano
Em fevereiro de 2011


Técnicas visuais de Avatar realçam os mistérios de uma caverna. Saiba mais de Santuário!


O simples fato de ter o nome de James Cameron envolvido em um projeto, seja como diretor, roteirista ou produtor executivo, como em "Santuário", já é garantia de bilheteria. Não é à toa que este suspense inspirado em uma história real teve, no final de semana de sua estreia, a maior abertura em 3D já registrada no Brasil, com 207 salas 3D. 

Não gosto de fazer comparações, mas é impossível não falar que a filmagem obteve as mesmas técnicas de fotografia tridimensional das lentes desenvolvidas por Cameron em Avatar, que já tem duas sequências confirmadas para 2014 e 2015. 

O visual continua incrível e a trama talvez prenda ainda mais a atenção do público. Não por ter superado o brilhantismo de Avatar, mas por tratar de uma história real vivida pelo roteirista Andrew Wight, que ficou preso em uma caverna junto a outras 14 pessoas por dois dias. Isso, com certeza, traz um realismo fascinante. 

Prefiro até separar um filme do outro. Avatar é Avatar. Santuário é Santuário. Não precisa haver uma comparação, igualdade ou superação de um para o outro. São filmes diferentes, que utilizam da mesma filmagem e quem sai ganhando somos nós, espectadores. O enredo é que não muda muito, são pessoas tentando escapar de uma caverna e traz também conflitos entre pai e filho. Alguns personagens morrem no caminho, como em outras tramas que já vimos anteriormente. Nada surpreendente. Porém, isso pouco importa. 

As cenas visualmente perfeitas, com cores vibrantes e sombrias é que deixam o público sem fôlego. Um filme fantástico, chegando mais uma vez a um nível de perfeição que vai ser difícil de alcançar. Equipe e produtores, meus parabéns!

Filme: Santuário (Sanctum, Austrália, EUA)      
Ano: 2010
Gênero: Ação / Aventura
Duração: 109 min
Direção: Alister Grierson
Roteiro: John Garvin, Andrew Wight, Andrew Wight
Elenco: Ioan Gruffudd, Richard Roxburgh, Rhys Wakefield, Alice Parkinson
Site: www.santuariofilme.com.br/

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

.: Resenha crítica de "Cisne Negro", com Natalie Portman

A obsessão e o total desequilíbrio de uma bailarina
Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em fevereiro de 2011


Insanidade de Nina revela seu outro eu, sombrio e destrutivo. Saiba mais de Cisne Negro!


No novo filme dirigido por Darren Aronofsky, "Cisne Negro", Nina Sayers (Natalie Portman), filha de uma bailarina aposentada, é uma moça sem liberdade para ser quem e fazer o que quiser. Contudo, há algo que a move com mais fervor: o sonho de protagonizar, com perfeição, "O Lago dos Cisnes". Obcecada, Nina decide modificar seu rumo de vida, passiva até então. Ao passar "da água para o vinho" e chegar ao estrelado, Nina precisa superar "as pedras e os espinhos" sangrentos do balé. 

A oportunidade de ser a nova bailarina perfeita surge quando o diretor artístico Thomas Leroy (Vincent Cassel) decide atualizar a adaptação que o consagrou: "O Lago dos Cisnes". Como? Simples. A bailarina consagrada Beth McIntyre (Winona Ryder), que já não tem mais a juventude necessária para representar a Rainha Cisne, irá se aposentar no final da temporada, com uma apresentação especial. Desta forma, Leroy precisa de uma nova "little princess", ou seja, uma nova princesinha.

Nina, como toda dançarina, sonha ocupar o posto principal. Embora seja meiga e virginal, característica importante para o papel de Odete (Cisne Branco), Nina terá que mostrar a sua sensualidade para interpretar Odile (Cisne Negro). Eis que dois mundos opostos colidem em Nina. Afinal, é preciso ser e ter o "bem" e o "mal" para ser a Rainha Cisne. Em contrapartida, Lily (Mila Kunis), a concorrente, tem a volúpia necessária para interpretar Odile. 

Uma mãe bipolar, um diretor canastrão e uma concorrente venenosa intensificam os problemas de Nina na busca pelo papel de seus sonhos. Contudo, após ser escolhida para interpretar a Rainha Cisne, Nina inicia a "autoflagelação", pois precisa ser má, o que desconhece, até então. Portanto, a mocinha da história sofre uma mudança drástica de comportamento.

Enquanto Nina passa pela metamorfose do autoconhecimento -conhecer o próprio lado sombrio-, perdida em seus conflitos internos, ela não mais percebe os limites entre seus desejos (sonhos ou seriam pesadelos?) e a realidade em que vive. Neste processo perturbador, a nova Nina é devorada por seu sonho ambicioso. 

Não há como negar,  Cisne Negro é um belo filme, além de ser muito envolvente. A fotografia do longa intensifica o sofrimento de Nina e permite definir (previamente ao evento, Oscar) Natalie Portman como a grande vencedora da estatueta do Oscar de Melhor Atriz. Cisne Negro não é um grande filme, mas está muito mais acima da média de outros filmes recém-lançados, como por exemplo, Burlesque e O Turista. Vale a pena assistir!

Filme: Cisne Negro (Black Swan, EUA)    
Ano: 2010
Gênero: Suspense / Drama
Duração: 108 min
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz, John J. McLaughlin
Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder, Benjamin Millepied, Ksenia Solo, Kristina Anapau

.: Resenha crítica de "O Turista" com Angelina Jolie e Johnny Depp

O Turista é um entretenimento redondinho
Por: Daniel Romano
Em fevereiro de 2011


Embora o mistério do filme seja desvendado na metade da trama, longa de Florian Henckel von Donnersmarck é uma boa pedida. Saiba mais de "O Turista"!


Em "O Turista", dirigido por Florian Henckel von Donnersmarck, Angelina Jolie vive uma inglesa que está sendo vigiada pela Interpol, porque seu amado é um fugitivo da justiça. Ela (escolhe e) usa um turista dos Estados Unidos como isca, no caminho até Veneza, para poder se reencontrar secretamente com o ladrão. Obviamente, nada sai como planejado. 

Johnny Depp interpreta o turista, com uma cara de inocência fantástica. Temos que concordar que reunir Johnny Depp e Angelina Jolie numa superprodução é uma estratégia e tanto para levar o público ao cinema. As provocações de Ricky Gervais na cerimônia do Globo de Ouro foram afiadas e, como sempre, bem colocadas. 

No entanto, discordo dos comentários e "zoações" contra O Turista. Muita gente tem criticado o filme. Na minha opinião, O Turista é um suspense charmoso, fugindo um pouco daqueles exageros das cenas de ação que a Angelina costuma fazer. Totalmente válido. O cineasta trouxe uma certa elegância para o casal, trabalhando perfeitamente com toda a sensualidade e exuberância de Angelina Jolie. 

As cenas nas águas de Veneza são excelentes, a fotografia do filme é linda e ainda podemos contar com um ar cômico entre os dois personagens (principalmente o Johnny Depp). É engraçado ver um professor de matemática correndo pelos telhados das casas. O texto da trama é generoso com Depp ao lhe entregar um personagem um tanto caipira que acha que o idioma falado na Itália é o... espanhol! 

Apesar de não ter grandes surpresas na história, o entretenimento redondinho não ofende a ninguém (a não ser a Ricky Gervais). E existe sim um suspense em torno do tal "bandidão", Alexander Pearce. Mesmo que a maioria do público descubra a identidade do moço logo na metade da trama (assim como eu, desculpa a modéstia), o filme não se torna pior e nem perde qualidade por conta disso. Eu curti pra caramba!

Curiosidades sobre O Turista:

* Johnny Depp interpreta um professor de matemática em 'O Turista'. Na vida real, o ator largou a escola aos 15 anos de idade.

* Durante as filmagens, um boato revelava que a esposa de Johnny Depp, Vanessa Paradis, tinha medo de sofrer da mesma dor de Jennifer Aniston, que perdeu Brad Pitt para Jolie enquanto filmavam 'Sr. e Sra. Smith'.

* Tom Cruise e Sam Worthington ('O Exterminador do Futuro - A Salvação') abandonaram a produção.

*O papel de Angelina Jolie passou pelas mãos de Charlize Theron, que abandonou a produção.

Filme: O Turista (The Tourist, França, EUA)
Ano: 2010
Gênero: Suspense / Ação
Duração: 103 min
Direção: Florian Henckel von Donnersmarck
Roteiro: Florian Henckel von Donnersmarck, Christopher McQuarrie, Julian Fellowes
Elenco: Johnny Depp, Angelina Jolie, Paul Bettany, Timothy Dalton, Steven Berkoff, Rufus Sewell, Christian De Sica
Site oficial: http://www.oturistaofilme.com.br/

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