quinta-feira, 14 de agosto de 2025

.: Crítica: "Drácula: Uma História de Amor Eterno" é romântico e apaixonante

Cena de "Drácula", em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em agosto de 2025


Que há muito encanto em torno da figura de Vlad, o protagonista de terror gótico escrito por Bram Stoker em 1897, há. Eis que em 2025, após "Nosferatu" ganhar uma nova versão -com direito a indicações ao Oscar-, os cinemas recebem a apaixonante super produção cinematográfica de terror e fantasia "Drácula: Uma História de Amor Eterno"dirigida por Luc Besson ("Dogman", "O Quinto Elemento"). 

O longa que esbanja lindos cenários e figurinos de fazer cair o queixo, permite que o público se deleite na atuação impecável de Caleb Landry Jones ("Corra!"), na pele do poderoso ser das trevas ao lado de Zoe Bleu ("Sinais de Amor"), como Elisabeta/Mina -filha de Rosanna Arquette do clássico filme com Madonna, "Procura-se Susan Desesperadamente" (1985). Com traços no rosto bastante similares aos das irmãs da mãe, as Arquettes (Patricia e Alexis), Zoe Bleu entrega sensualidade e inocência conforme a trama exige. É fascinante assistir o longa que respeita bastante o texto original de Stocker. 

A produção dirigida e roteirizada por Luc Besson, com uma fotografia impressionante, também dá destaque para Christoph Waltz ("Django Livre", "O Portal Secreto"), interpretando o padre que desvenda os segredos do imortal Conde Vlad e capaz de dar um desfecho a uma história de amor de dar inveja ao casal Romeu e Julieta de Shakespeare. Matilda De Angelis, na pele de Maria, amiga de Mina, também entrega muito no seu tempo de tela.

A releitura do clássico da literatura universal, Drácula: Uma História de Amor Eterno, ganha um toque moderno, sendo cativante enquanto transborda amor, mas equilibra com muita ação e até sangue jorrando -sem apelação. De toda forma, esbarra em "Drácula de Bram Stoker", de 1992, também pudera, ambos pautam-se no original e são grandes filmes que em muito acrescentam à figura de Vlad. Imperdível!

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"Drácula: Uma História de Amor Eterno" ("Dracula: A Love Tale"). Ingressos on-line neste linkGênero: terror, fantasiaClassificação: 16 anos. Duração: 2h09. Direção: Luc Besson. Roteiro: Luc Besson. Elenco: Caleb Landry Jones, Christoph Waltz, Zoë Bleu. Sinopse: O Príncipe Vladimir renega Deus após a perda brutal de sua esposa. Ele então herda uma maldição: a vida eterna. Condenado a vagar através dos séculos, ele tem apenas uma esperança: reencontrar seu amor perdido.. Confira os horários: neste link

Trailer "Drácula: Uma História de Amor Eterno"

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A semana de estreias no Cineflix Santos, no Miramar Shopping, reúne uma continuação de animação que conquistou plateias no mundo todo, um drama europeu de autor que desafia o espectador com ousadia estética e um filme italiano que mistura humor e ternura para falar de reconciliação familiar. Das aventuras dubladas para toda a família ao cinema de arte legendado, há opções para diferentes públicos e humores. Confira os lançamentos, horários e informações de cada produção. Programação completa e ingressos: clique aqui.

"Os Caras Malvados 2" ("The Bad Guys 2")
Os anti-heróis mais simpáticos da DreamWorks estão de volta – mas a vida de “gente boa” não está saindo como eles esperavam. Reabilitados e tentando seguir o caminho certo, Sr. Lobo, Sr. Cobra, Sr. Tubarão, Sr. Piranha e Srta. Tarântula acabam sequestrados por um trio de criminosas implacáveis: Kitty Kat, uma leopardo-das-neves brilhante; Pigtail, uma engenheira javali-búlgara; e Doom, uma corvo especialista em enganação. Juntos, eles obrigam os antigos vilões a participar de um assalto audacioso, colocando em xeque a moral recém-adquirida. A sequência, dirigida por Pierre Perifel com codireção de JP Sans, traz dublagem brasileira caprichada no Estúdio Delart, com McKeidy Lisita, Jennifer Gouveia, Duda Espinoza, Renan Freitas, Sérgio Moreno, Angélica Borges, Fernanda Baronne, Evie Saide, Ana Paula Martins, Pamella Rodrigues, Sérgio Stern e Isabela Quadros. Gravado entre novembro de 2024 e julho de 2025, o longa mantém o humor e a estética vibrante do best-seller de Aaron Blabey, com mais de 30 milhões de cópias vendidas.

Sessões dubladas na Sala 2
De 14 a 20 de agosto:
todos os dias às 15h00, 17h20 e 19h40
Classificação: livre | Duração: 105 minutos | Distribuição: Universal Pictures



"A Luz" ("Das Licht")
Tom Tykwer, de “Corra, Lola, Corra” e “Perfume”, retorna aos cinemas com um drama visualmente arrebatador e narrativamente ousado. A família Engels vive sob o mesmo teto, mas emocionalmente desconectada, até que Farrah, imigrante síria enigmática, assume o papel de governanta e apresenta uma terapia incomum envolvendo a “lâmpada de consciência” Lucia N°03. O dispositivo – que existe de fato – promete expandir percepções e desenterrar segredos, transformando para sempre a vida de cada membro da casa. O longa abriu a 75ª Berlinale e dividiu opiniões, sendo descrito pela Variety como “um espelho rachado refletindo a culpa performativa do Ocidente”. Com Lars Eidinger, Nicolette Krebitz, Taj Deen e elenco internacional, o filme aborda temas como isolamento, imigração, aborto e ativismo, misturando drama psicológico, musical, animação e surrealismo.

Sessões legendadas na Sala 1
De 14 a 20 de agosto:
todos os dias às 20h00
Classificação: 16 anos | Duração: 162 min | Distribuição: Imovision


"Faz de Conta que É Paris" ("Pare Parecchio Parigi"; em Portugal, “Parece Bastante Paris”)
Na nova comédia de Leonardo Pieraccioni, três irmãos que mal se falam precisam realizar o último desejo do pai doente: conhecer Paris. Quando percebem que ele não tem condições de viajar, criam uma farsa afetuosa e bem-humorada: transformam um haras na Toscana em uma falsa viagem de camper à capital francesa. Inspirado em uma história real, o longa mistura humor e emoção para falar sobre laços familiares, reconciliação e lembranças compartilhadas. Além de dirigir, Pieraccioni atua e assina o roteiro com Alessandro Riccio e Filippo Bologna. O elenco inclui Chiara Francini, Giulia Bevilacqua e Nino Frassica, em um papel tocante como o patriarca.


Sessões legendadas na Sala 1
De 14 a 20 de agosto:
todos os dias às 18h00
Classificação: 14 anos | Duração: 90 min | Distribuição: Pandora Filmes


Serviço Cineflix Santos
Miramar Shopping — Rua Euclides da Cunha, 21, Gonzaga, Santos/SP
Programação completa e ingressos: 
clique aqui
Disponível também no app da Cineflix
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.: CAIXA Cultural SP promove debates sobre o futuro do Jornalismo Cultural


A CAIXA Cultural São Paulo realiza, nos dias 14 e 15 de agosto, o ciclo de debates “Crônica de Uma Morte Anunciada: O Jornalismo Cultural Está Morrendo?”, com o objetivo de discutir os desafios e as transformações do jornalismo cultural contemporâneo. O evento é gratuito, aberto ao público e acontece das 10h00 às 13h00, na sede da CAIXA Cultural, próxima à estação Sé do Metrô.

A programação contempla quatro mesas temáticas com a participação de jornalistas, escritores e críticos culturais, que abordarão questões como os impactos da inteligência artificial na produção jornalística, a pluralidade de vozes no cenário cultural, os desafios da crítica especializada e as novas formas de engajamento com a cultura na era digital.

 O ciclo é uma realização da LOGOZ, com apoio da Associação Portugal Brasil 200 anos (APBRA), da Casa da Cidadania da Língua e patrocínio da CAIXA e do Governo Federal. Todas as mesas temáticas contam com tradução em LIBRAS.


Programação
14 de agosto (quinta-feira)
• Mesa 1 – O Jornalismo Está Morrendo ou se Transformando?
Os impactos da inteligência artificial na produção jornalística e os dilemas éticos contemporâneos.
Convidados: Eliane Trindade (Folha de S.Paulo) e Julio Maria (jornalista, crítico de música e biógrafo)
Moderação: Daniella Zupo (escritora, jornalista e documentarista)
Horário: 10h00

• Mesa 2 – Jornalismo Cultural e Pluralidade
A presença de vozes diversas e os desafios da representatividade no jornalismo cultural.
Convidados: Naief Haddad (Folha de S. Paulo) e Tom Farias (jornalista e escritor)
Moderação: José Manuel Diogo (jornalista português, colunista da CNN Brasil)
Horário: 11h30


15 de agosto (sexta-feira)
• Mesa 3 – Desafios da Crítica Cultural no Século XXI
O impacto dos algoritmos, das redes sociais e das novas expectativas de público na crítica cultural.
Convidados: Giselle Vitoria (criadora de conteúdo) e Guilherme Werneck (Ladrilho Hidráulico)
Moderação: Daniella Zupo
Horário: 10h00

• Mesa 4 – O Futuro do Jornalismo Cultural na Era Digital
Inovação narrativa, ferramentas digitais e novas formas de engajamento com a cultura.
Convidados: Fernando Mattar (Grupo Bandeirantes de Comunicação) e Walter Porto (Folha de S. Paulo)
Moderação: José Manuel Diogo
Horário: 11h30


Serviço
Ciclo de Debates "Crônica de Uma Morte Anunciada – O Jornalismo Cultural Está Morrendo?"
CAIXA Cultural São Paulo
Praça da Sé, 111, a 200m da Estação Sé do Metrô
Datas: 14 e 15 de agosto de 2025 (quinta e sexta-feira)
Horário: das 10h às 13h
Entrada: gratuita | Todas as atividades são gratuitas, sujeitas à lotação do espaço
Ingressos: gratuitos, disponíveis via link ( Link ) ou na bilheteria uma hora antes do início de cada mesa
Classificação indicativa: a partir de 14 anos
Acessibilidade: acesso para pessoa com deficiência, com tradução em Libras em todas as mesas
Informações: (11) 3321-4400 | caixaculturalsp | Site CAIXA Cultural SP
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

.: Crítica: "A Prisioneira de Bordeaux" e a lição recebida por uma desconhecida

Cena de "A Prisioneira de Bordeaux", em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em agosto de 2025


Uma pobre mulher riquíssima ociosa tem seu caminho cruzado por uma jovem mãe solteira, sagaz e sem dinheiro. Eis o drama francês  "A Prisioneira de Bordeaux", que coloca duas mulheres na fila de visitantes de um presídio. De um lado, Alma (Isabelle Huppert, "Sra. Harris Vai a Paris", "A Sombra de Caravaggio") está para entrar, enquanto que Mina (Hafsia Herzi, "O Segredo do Grão"), atrasada, protagoniza uma cena teatral com direito a queda no chão. 

Contudo, Alma fica comovida com a situação de Mina e, com um gesto de gentiliza, inicia uma história cheia de surpresas. Ao se darem conta de que suas vidas giram em torno das visitas que fazem a seus companheiros presidiários, Alma e Mina estreitam um laço de amizade. E como a vida não é um conto de fadas, segredos contados são capazes de garantir surpresas para a trama dirigida por Patricia Mazuy ("Paul Sanchez Est Revenu!")

Não-linear, provocante, reflexivo e complexo, o longa de 1 hora e 48 minutos de duração, une dois mundos opostos numa amizade improvável. Ainda mais quando Mina esbarra com sua dura realidade na realidade da mulher cercada por tudo de valor, menos por alguém que realmente a ama. Por fim, um desfecho surpreendentemente revelador complementa o título "A Prisioneira de Bordeaux". Vale a pena conferir!


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"A Prisioneira de Bordeaux" ("La Prisionnière de Bordeaux"). Ingressos on-line neste linkGênero: dramaClassificação: 14 anos. Duração: 1h48. Direção: Patricia Mazuy. Roteiro: Pierre Courrège, François Begaudeau, Patricia Mazuy. Elenco: Isabelle Huppert, Hafsia Herzi, Noor Elsari, Jean Guerre Souye, William Edimo, Jana Bittnerova, Magne-Håvard Brekke. Sinopse: Alma vive sozinha em uma enorme casa. Mina é uma mãe solo que mora em um conjunto habitacional em outra cidade. Elas organizaram a vida em torno das visitas que fazem aos respectivos companheiros na prisão. Quando as duas mulheres se encontram na sala de espera da área de visitação, uma amizade improvável tem início entre elas.  Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes e no Festival de Busan. Confira os horários: neste link

Trailer "A Prisioneira de Bordeaux"





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.: Lindomar Wessler Boneti fala sobre a educação como antídoto


Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: divulgação

Doutor em Sociologia, professor e pesquisador do curso de Ciências Sociais e dos Programas de Pós-Graduação em Educação e em Direitos Humanos e Políticas Públicas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Lindomar Wessler Boneti é uma voz de referência quando o assunto é cidadania, políticas públicas e convivência democrática. Agora, como um dos organizadores do livro "Uma Pedagogia para o Viver em Comum - Direitos e Deveres dos Seres Humanos e das Comunidades", lançado pela PUCPRESS, ele propõe — junto a especialistas nacionais e internacionais — um olhar crítico e inovador sobre como educar para a vida em sociedades fragmentadas, articulando direitos e deveres como dimensões inseparáveis do viver em comum. Nesta entrevista, Boneti reflete sobre os desafios contemporâneos da democracia, a urgência de uma educação cidadã e os limites do individualismo em tempos de polarização e desigualdade. "Compre o livro "Uma Pedagogia para o Viver em Comum - Direitos e Deveres dos Seres Humanos e das Comunidades" neste link.


Resenhando.com - Em um cenário global onde direitos humanos parecem cada vez mais contestados, como “Uma Pedagogia para o Viver em Comum” desafia a dicotomia entre direitos e deveres sem cair no risco de restringir liberdades individuais?
Lindomar Wessler Boneti - "Uma Pedagogia para o Viver em Comum" propõe uma superação da dicotomia entre direitos e deveres ao deslocar o foco da individualidade isolada para o sujeito inserido em um tecido social, histórico e ético. Em vez de tratar direitos e deveres como polos opostos ou negociações formais entre o Estado e a pessoa cidadã, essa pedagogia os entende como dimensões interdependentes da convivência humana. Ela desafia a ideia de que o exercício de direitos precisa ser condicionado ao cumprimento de deveres, propondo, ao contrário, que ambos se sustentam na lógica da corresponsabilidade e da amorosidade. Ao promover uma ética do cuidado, do reconhecimento mútuo e da interdependência, essa pedagogia evita o risco de restringir liberdades individuais. Em vez de impor deveres como formas de controle, ela convida à participação ativa, consciente e solidária na vida coletiva. Isso significa que a liberdade individual não é negada, mas ressignificada: ela não se exerce à revelia da outra pessoa, mas no encontro de ambos, no entendimento de que o meu existir está condicionado ao existir da outra pessoa.


Resenhando.com - A obra propõe superar o individualismo liberal e os particularismos identitários - é possível criar uma convivência comum sem diluir as identidades culturais e políticas que definem grupos minoritários?
Lindomar Wessler Boneti - Sim, é possível criar uma convivência comum sem diluir as identidades culturais e políticas de grupos minoritários. A chave está em construir um espaço ético-político de reconhecimento mútuo, onde a diferença não seja vista como ameaça, mas como componente da própria tessitura do comum. A proposta é pensar o “viver em comum” não como uniformidade, mas como convivência solidária e dialogada, uma pedagogia da escuta, do cuidado e da coabitação respeitosa. Assim, faz-se necessário a superação tanto do individualismo liberal, que absolutiza a liberdade desvinculada da outra pessoa, quanto dos particularismos identitários, que podem cristalizar diferenças e dificultar o diálogo. A convivência comum exige o reconhecimento recíproco das vulnerabilidades, dos direitos e das potências de cada grupo, sem que isso signifique apagamento de suas singularidades. Portanto, é na valorização da pluralidade, mediada por uma ética da alteridade, que se constrói um comum inclusivo e justo.


Resenhando.com - Em que medida a educação formal no Brasil está preparada - ou não - para assumir o papel central de formar cidadãos para o viver em comum, especialmente diante da fragmentação social crescente e da banalização da intolerância?
Lindomar Wessler Boneti - A educação formal no Brasil ainda não está plenamente preparada para assumir o papel central de formar cidadãos para o viver em comum, especialmente diante da fragmentação social e da banalização da intolerância. Isso se deve a alguns fatores estruturais e culturais: Currículo centrado no conteúdo e no rendimento individual: a lógica escolar ainda valoriza fortemente o desempenho técnico e a competição, em detrimento da formação ética, da empatia e da convivência democrática; Ausência de uma pedagogia crítica e dialógica: embora exista uma base legal que promova os direitos humanos e a cidadania, como a BNCC, a prática pedagógica muitas vezes não incorpora de fato metodologias voltadas ao diálogo, à escuta ativa e à valorização da diversidade; Falta de formação docente contínua: faz-se necessário intensificar a formação docente  para lidar com conflitos sociais, discursos de ódio ou questões identitárias de maneira construtiva, isto na perspectiva do enfrentamento da intolerância e da exclusão dentro do ambiente escolar; Desigualdade estrutural: a educação ainda reproduz as desigualdades sociais. Escolas em contextos vulneráveis enfrentam dificuldades básicas que dificultam qualquer proposta de convivência ética e democrática. Portanto, apesar de haver potencial e diretrizes legais para que a educação contribua com o viver em comum, a prática cotidiana ainda está distante dessa proposta. Para que isso se concretize, é necessário investir em uma educação humanizadora, voltada à formação de sujeitos ético-políticos capazes de conviver com o diferente e agir no coletivo.


Resenhando.com - O livro aponta riscos de uma pedagogia estatal que pode se transformar em controle social. Como distinguir uma educação emancipadora de uma pedagógica autoritária em tempos de polarização política?
Lindomar Wessler Boneti - Uma educação emancipadora se distingue de uma pedagogia autoritária, especialmente em tempos de polarização política, por sua capacidade de promover autonomia crítica, diálogo e reconhecimento da pluralidade, enquanto a autoritária impõe valores únicos silenciando as pessoas. A educação emancipadora parte do reconhecimento da dignidade de cada sujeito e da complexidade do tecido social. Ela não instrumentaliza a formação para servir a um projeto político-partidário, mas estimula a construção coletiva de sentidos, o respeito às diferenças e o compromisso com os direitos humanos. Por outro lado, uma pedagogia autoritária, mesmo travestida de projeto nacional ou moral, tende a reduzir a diversidade ao consenso forçado, usando a escola como aparelho de controle e uniformização. Em contextos de polarização, o risco aumenta: o Estado pode usar a educação como ferramenta ideológica, suprimindo o pensamento crítico sob o pretexto da ordem ou da tradição. Portanto, a chave da distinção está na finalidade: se a educação visa formar sujeitos críticos, participativos e conscientes de seu papel na democracia, é emancipadora; se busca formar obedientes e homogêneos, é autoritária. O "por quê" está na própria essência da democracia: ela exige cidadãos, não apenas súditos.  É o caso, por exemplo, da distinção entre o ensinar pensar e o ensinar fazer a partir do pensamento de Paulo Freire. No Brasil se faz presente, muito mais neste momento histórico, uma defesa explícita pelas elites econômicas na perspectiva de uma política educacional voltada ao ensinar fazer mais que o pensar, interferindo em algo essencial dos direitos humanos, a autonomia pessoal.


Resenhando.com - Como o senhor avalia o papel das políticas públicas na promoção de uma cidadania ativa e solidária? Elas têm sido eficazes em romper com a exclusão estrutural ou apenas reproduzem velhas desigualdades?
Lindomar Wessler Boneti - As políticas públicas têm um papel fundamental na promoção de uma cidadania ativa e solidária, na medida em que podem criar condições concretas para o exercício de direitos, a participação social e a construção de vínculos coletivos. No entanto, sua eficácia em romper com a exclusão estrutural ainda é limitada. Em muitos casos, elas acabam por reproduzir desigualdades históricas ao priorizar interesses de grupos hegemônicos, manter práticas burocráticas excludentes ou adotar abordagens meramente compensatórias. Faz-se necessário levar em consideração que as políticas públicas não se constituem de uma outorga do Estado à sociedade civil simplesmente a partir do preceito do direito, mas resultam de uma correlação de forças sociais carregando diferentes projetos a partir de diferentes segmentos sociais.  Neste caso, são concebidas de forma verticalizada, desconectadas da realidade vivida pelos grupos sociais com maior necessidade. Porém, quando formuladas a partir de processos democráticos, com participação de diferentes segmentos sociais, com escuta ativa das comunidades e foco na justiça social, podem de fato promover a transformação social necessária. Portanto, para que sejam instrumentos de emancipação e solidariedade, as políticas públicas precisam ser pautadas por princípios de equidade, participação cidadã e reconhecimento das diversidades. Isso exige uma ação deliberada contra os mecanismos de exclusão e uma redefinição contínua do próprio sentido de cidadania.


Resenhando.com - Diante do enfraquecimento dos marcos normativos universais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, qual o papel das comunidades locais e da educação para fortalecer esses princípios? 

Lindomar Wessler Boneti - Diante do enfraquecimento dos marcos normativos universais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, as comunidades locais e a educação assumem um papel estratégico na resistência e revitalização desses princípios. Em contextos marcados por retrocessos democráticos, intolerância e relativização dos direitos, são os espaços locais – escolas, movimentos sociais, associações comunitárias – que se tornam guardiões vivos da dignidade humana. A educação, nesse cenário, deve ir além da instrução técnica para o simples exercício do fazer, ou da transmissão de conteúdos neutros. Ela precisa cultivar uma pedagogia crítica, ética e dialógica, que forme individualidades capazes de reconhecer a dignidade da outra pessoa, agir com solidariedade e se comprometer com a justiça social. Faz-se essencial promover uma pedagogia para o viver em comum, que una o respeito às diferenças com a busca de valores universais, como liberdade, igualdade e fraternidade. Por outro lado, as comunidades locais, enraizadas em realidades concretas, podem traduzir os princípios abstratos dos direitos humanos em práticas cotidianas, mobilizando saberes populares e vínculos de solidariedade. Elas têm o potencial de reconstruir o sentido dos direitos a partir da base, tornando-os mais acessíveis, contextualizados e legítimos. Portanto, em tempos de tamanha destruição dos consensos globais, é na articulação entre educação transformadora e mobilização comunitária que reside a esperança do reencanto e da defesa dos direitos humanos.


Resenhando.com - A obra trata também das questões de gênero como eixo estruturante da convivência democrática. Como a pedagogia para o viver em comum pode lidar com os conservadorismos e retrocessos no debate sobre gênero no Brasil?
Lindomar Wessler Boneti - A pedagogia para o viver em comum entende que as questões de gênero constituem temáticas centrais na discussão com a perspectiva da construção de uma convivência verdadeiramente democrática. Isto por entender que tais questões dizem respeito diretamente à justiça, à igualdade e ao reconhecimento da diversidade humana. Diante do conservadorismo e do retrocesso no debate sobre gênero no Brasil, essa pedagogia propõe um caminho baseado no diálogo, no respeito às diferenças e na formação ética dos sujeitos. Em vez de impor verdades absolutas, ela busca criar espaços educativos onde as desigualdades de gênero possam ser problematizadas de forma crítica, mas também sensível, com a perspectiva do acolhimento em sua pluralidade. Essa abordagem é fundamental porque o conservadorismo tende a reforçar hierarquias e estigmas, enquanto a pedagogia para o viver em comum aposta na emancipação e na convivência solidária. Lidar com retrocessos, portanto, exige uma educação que não apenas informe, mas forme sujeitos capazes de reconhecer e transformar realidades excludentes.


Resenhando.com - Na sua experiência, que práticas pedagógicas concretas conseguem transformar a educação cidadã em uma experiência genuína de reconhecimento e cuidado com o outro?
Lindomar Wessler Boneti - Na minha experiência, práticas pedagógicas que promovem a educação cidadã como uma experiência genuína de reconhecimento e cuidado com a outra pessoa envolvem, especialmente: 1. Dialogicidade e escuta ativa: criar espaços onde as crianças possam expressar suas vivências, ouvir os (as) colegas e refletir coletivamente. Isso fortalece o respeito às diferenças e o reconhecimento da outra pessoa como sujeito; 2. Aprendizagem colaborativa, com atividades em grupo que exigem cooperação e responsabilidade compartilhada estimulam o cuidado mútuo e a solidariedade; 3. Projetos de intervenção social, envolvendo estudantes em ações concretas na comunidade com a perspectiva de despertar o senso de pertencimento e compromisso ético, aproximando o ambiente escolar com a prática da vida; 4. Educação envolvendo subjetividades, emoções e empatia, trabalhar o reconhecimento dos próprios sentimentos das outras pessoas ajuda a construir relações baseadas no respeito e na compreensão. Essas práticas são importantes porque reforçam o sentimento do ser social assim como o do ser cidadão, cidadã, não entendendo a cidadania como um conceito abstrato, mas com fortalecimento de vínculos entre as individualidades e a comunidade. O processo educativo deixa de ser uma simples transmissão de conteúdos para se tornar uma experiência transformadora, de convivência e de solidariedade.


Resenhando.com - Com tantos especialistas nacionais e internacionais colaborando, quais foram os principais desafios de articular uma visão interdisciplinar para enfrentar crises tão complexas como as de identidade, democracia e justiça social?
Lindomar Wessler Boneti - Os principais desafios de articular uma visão interdisciplinar para enfrentar crises complexas como as de identidade, democracia e justiça social residem, sobretudo, na diversidade de perspectivas, metodologias e linguagens próprias de cada área do conhecimento. Especialistas nacionais e internacionais trazem saberes distintos que, muitas vezes, partem de pressupostos técnicos, teóricos e valores diversos, dificultando a construção de um diálogo fluido e integrado. Além disso, essas crises são multifacetadas e interligadas, identidades envolvendo aspectos culturais, psicológicos e sociais. Mas a democracia perpassa as dimensões políticas, históricas e econômicas e a justiça social exige entendimento jurídico, ético e econômico. Por isso, articular um olhar interdisciplinar exige não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade para reconhecer as interdependências e evitar reducionismos. Outro desafio importante é o contexto sociopolítico, marcado por polarizações e tensões que dificultam consensos e a formulação de estratégias conjuntas. Nesse sentido, a interdisciplinaridade precisa também incorporar a dimensão ética e política da escuta e do respeito às diferenças para promover respostas efetivas e democráticas. Por essas razões, construir uma visão interdisciplinar não é apenas um exercício acadêmico, mas um processo dinâmico de mediação e diálogo que busca integrar saberes e práticas para enfrentar crises que, por sua complexidade, não podem ser resolvidas isoladamente.


Resenhando.com - Como o senhor vislumbra o futuro da sociologia da educação e dos direitos humanos diante do avanço das tecnologias digitais que, ao mesmo tempo que aproximam, também podem aprofundar a fragmentação social?
Lindomar Wessler Boneti - O futuro da sociologia da educação e dos direitos humanos, diante do avanço das tecnologias digitais, apresenta-se como um campo de grandes desafios e ao mesmo tempo de oportunidades. As tecnologias digitais têm o potencial de ampliar o acesso ao conhecimento, criar novas formas de comunicação e fortalecer redes de solidariedade, aproximando pessoas de diferentes contextos sociais e culturais. Contudo, esse mesmo avanço pode aprofundar a fragmentação social ao intensificar desigualdades no acesso às tecnologias, reforçar bolhas informacionais e facilitar a disseminação de discursos de ódio e de intolerância. Além disso, algo mais grave vislumbra-se com o avanço das tecnologias digitais, a invasão da essência do ser humano, o ato do pensar. Nesse cenário, a sociologia da educação precisa ampliar seu olhar para compreender essas novas dinâmicas, investigando como a educação pode contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico e da cidadania digital. A mediação pedagógica deve promover o uso consciente e ético das tecnologias, combatendo as desigualdades estruturais e incentivando a construção de espaços democráticos de diálogo. Os direitos humanos, por outro lado, enfrentam o desafio de se reafirmar em ambientes digitais, onde a privacidade, a liberdade de expressão e o combate à discriminação se tornam temas centrais. É fundamental que políticas públicas e práticas educativas dialoguem para garantir que as tecnologias não sejam instrumentos de exclusão, mas sim de inclusão e fortalecimento dos direitos fundamentais. Portanto, o futuro desses campos depende de uma ação interdisciplinar e crítica, capaz de aproveitar o potencial das tecnologias digitais para promover uma educação emancipadora, uma sociedade mais justa e solidária e a autonomia humana.





.: Letícia Soares canta Gal Costa no Sesc Pompeia em show "Cantrizes"


Em quatro shows autorais diferentes, série de espetáculos celebra a força cênica de grandes atrizes, que também são cantoras espetaculares. Além de 
Letícia Soares, apresentam-se Alessandra Maestrini, Virgínia Rosa e Letícia Sabatella. Foto: Jonatas Marques


Letícia Soares, vencedora do Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Atriz pela atuação impactante em "A Cor Púrpura", interpreta a obra de Gal Costa no espetáculo "Letícia Canta Gal", dentro das apresentações da série de shows "Cantrizes", nesta sexta-feira, dia 15 de agosto, às 20h00, no Sesc Pompeia. Com potência vocal, carisma e leitura cênica refinada, Letícia percorre diferentes fases da carreira de Gal, num tributo vibrante e sofisticado.

Do encontro entre a potência vocal de Letícia Soares e a força poética da música popular brasileira, nasce o espetáculo Letícia Soares canta Gal. Nesta homenagem, Letícia - vencedora do Prêmio Bibi Ferreira e referência consagrada no teatro musical brasileiro - mergulha nas camadas sutis e intensas do repertório de Gal Costa, uma das maiores vozes da nossa história.

Outros shows da série "Cantrizes" no Sesc Pompeia:  Alessandra Maestrini em "Yentl em Concerto", quinta-feira, dia 14 de agosto, às 20h00; ; Virgínia Rosa em "Luz das Estrelas - Virgínia Rosa Canta Raul Seixas", sábado, dia 16 de agosto, às 20h00. Letícia Sabatella em "Letícia Sabatella, Voz e Piano", domingo, dia 17 de agosto, às 18h00.


"Cantrizes" no Sesc Pompeia
Nos dias 14, 15, 16 e 17 de agosto, no Teatro do Sesc Pompeia, acontece “Cantrizes”, série de espetáculos que celebra um grupo raro e precioso: atrizes que também são cantoras espetaculares. São intérpretes completas, que levam ao palco não apenas a afinação vocal, mas a escuta, o gesto, a presença. Mulheres que transformam cada canção numa cena, cada espetáculo num mergulho sensível.

Nesta edição, quatro artistas com carreiras consolidadas - na música, no teatro, na televisão e no cinema - apresentam seus shows autorais em quatro noites seguidas. Na quinta-feira, dia 14 de agosto, Alessandra Maestrini abre essa série de espetáculos com "Yentl em Concerto", inspirado em conto de Isaac Bashevis Singer e no filme de Barbra Streisand, com músicas de Michel Legrand. Na sexta-feira, dia 15 de agosto, Letícia Soares percorre diferentes fases da carreira de Gal Costa no espetáculo Letícia canta Gal. 

Sábado, dia 16 de agosto, Virgínia Rosa apresenta "Luz das Estrelas - Virgínia Rosa" canta Raul Seixas, em que dá voz ao lado poético, filosófico e romântico do maluco beleza. Encerrando a série, Letícia Sabatella sobe ao palco no dia 17 de agosto com o show intimista, "Voz e Piano", em que reúne canções que refletem sua trajetória interior e dialogam com temas como natureza, amor, ancestralidade e liberdade. "Cantrizes" não é apenas uma mostra de shows. É um manifesto a favor da arte feita com corpo inteiro - onde atuação e música caminham juntas, sem hierarquias, sem rótulos. Um convite para escutar com outros sentidos.


Ficha técnica
Letícia Soares no show "Letícia Canta Gal"
Direção, idealização e intérprete: Letícia Soares
Direção musical: Rogério Rochlitz
Design e operação de som: Murillo Leme
Iluminadora: Gabriele Souza
Músicos: Rogério Rochlitz, Yara Oliveira, Beatriz Lima, Letícia Praxedes, Renan, Claudio Faria e Dado Magnelli
Produção executiva: Lucas Silverio


Quinta-feira, dia 14 de agosto, às 20h00 - Alessandra Maestrini em "Yentl em Concerto" - Ingressos on-line neste link
Sexta-feira, dia 15 de agosto, às 20h00 - Letícia Soares em "Letícia Soares Canta Gal" - Ingressos on-line neste link
Sábado, dia 16 de agosto, às 20h00 - Virgínia Rosa em "Luz das Estrelas - Virgínia Rosa Canta Raul Seixas" - Ingressos on-line neste link
Domingo, dia 17 de agosto, às 18h00 - Letícia Sabatella em "Letícia Sabatella, Voz e PianoIngressos on-line neste link


Serviço | "Cantrizes"
Dias 14, 15, 16 e 17 de agosto
Local: Teatro do Sesc Pompeia
Rua Clélia, 93 - Pompeia / São Paulo
Ingressos: R$ 21,00 (Credencial plena), R$ 35,00 (meia-entrada), R$ 70,00 (inteira)
Ingressos à venda on-line e nas bilheterias do Sesc 
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: livre
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