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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

.: “Hamnet: a Vida Antes de Hamlet” não "passa pano" para William Shakespeare


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

“Hamnet: a Vida Antes de Hamlet” é um filme desconcertante. Não apenas porque se constrói a partir de um vazio histórico, afinal, pouco ou quase nada se sabe sobre o menino que empresta o nome a uma das maiores tragédias da literatura ocidental, mas porque a obra parece desconfiar da própria ideia de redenção pela arte. E isso, em um filme sobre Shakespeare, soa quase como uma heresia. Bem-vinda seja.

Baseado no romance homônimo de Maggie O’Farrell, best-seller internacional e um dos livros mais celebrados da década, publicado no Brasil pela editora Intrínseca, o longa-metragem não tenta competir com a literatura nem traduzi-la de forma ilustrativa. Prefere outra aposta: transformar o luto em experiência sensorial, ainda que isso custe ritmo, conforto e empatia imediata com o espectador.

Desde os primeiros minutos, a narrativa deixa claro que não se trata de um drama de fácil digestão. O ritmo é deliberadamente arrastado, por vezes quase sonolento, como se o filme quisesse impor ao público a experiência física do luto: o tempo que não passa e a espera por algo ruim que parece sempre à espreita. A tristeza é uma atmosfera quase palpável. Tudo é sombrio. Até as crianças carregam uma tensão fúnebre que antecipa a tragédia antes mesmo de ela se anunciar. Nesse ponto, há um mérito pouco comentado: o trabalho com o elenco infantil. As crianças estão muito bem dirigidas, sem afetação nem doçura excessiva. Em especial, Jacobi Jupe, no papel-título, entrega uma atuação rara para sua idade. Não é exagero afirmar que se trata de uma interpretação digna de atenção nas categorias de coadjuvante.

Ao centrar a narrativa em Agnes, vivida por Jessie Buckley, o longa-metragem faz uma escolha ética e estética decisiva. É ela quem permanece, quem sente, quem paga integralmente a conta emocional de um casamento marcado pela ausência masculina legitimada pelo trabalho. William Shakespeare surge despido de aura: é pai ausente, marido instável, homem que cobra coragem do filho, mas não a pratica quando a vida exige presença. Quando a dor atinge seu ponto máximo, ele não está. A desculpa é antiga, conhecida e confortável: é preciso trabalhar. O filme não passa pano, e esse é o gesto mais corajoso de "Hamnet". 

A tentativa de associar diretamente a morte de Hamnet à criação de "Hamlet" é tratada com uma ambiguidade precisa. O filme sugere, mas não absolve Shakespeare de jeito nenhum. A obra-prima nasce, sim, da culpa, da perda, do luto mal resolvido, mas isso não apaga a falha humana. Em "Hamnet", a arte não cura. No máximo, sublima. E mesmo essa sublimação soa insuficiente diante do abandono emocional imposto à mulher que atravessa tudo sozinha. O gênio não redime o pai.

Se o roteiro por vezes se estende além do necessário, a fotografia compensa. A relação entre o humano e a natureza  é muito natural: o parto na floresta, as raízes expostas, a terra, as plantas, os corpos infantis e adultos em contato direto com o mundo fora das paredes. Há uma delicadeza visual que contrasta com a dureza da história, e é na natureza que Hamnet encontra respiro.

É também nesse espaço que Jessie Buckley encontra espaço para construir uma atuação de grande impacto. Agnes é mãe, mulher, curandeira, figura quase mítica, mas profundamente concreta na dor. Está em um papel com forte cheiro de Oscar: intenso, físico e emocionalmente exaustivo. Ainda assim, uma edição mais rigorosa poderia ter evitado que o filme escorregasse para a monotonia. Paul Mescal está bem, mas "Hamnet" é, indiscutivelmente, o filme dela. É um longa-metragem que exige paciência e disposição, sem oferecer concessões ao público. Ao recusar o mito do gênio redimido pela obra, o filme escolhe olhar para aquilo que a história costuma apagar: quem ficou, quem sofreu em silêncio, quem nunca teve palco.

Ficha técnica
“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” | “Hamnet”
Gênero: drama histórico. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês. Direção: Chloé Zhao. Roteiro: Maggie O’Farrell e Chloé Zhao. Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal. Distribuição no Brasil: Universal Pictures. Duração: 2h05. Cenas pós-créditos: não.

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.: "Família de Aluguel" alerta sobre o risco emocional de relações contratuais


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

“Família de Aluguel” diz muito sobre a solidão de hoje, mas não sucumbe à tentação de transformar esse vazio, tão sintomático da sociedade contemporânea, em espetáculo melodramático. O filme começa como um cinema de frestas, evocando inevitavelmente "Janela Indiscreta", de Alfred Hitchcock: apartamentos minúsculos no Japão, famílias em convivência silenciosa, moradores solitários observando o mundo do lado de dentro. É nesse cenário que se constrói uma narrativa sobre relações que começam com um contrato e terminam como risco emocional. 

Trata-se, sem dúvida, do trabalho mais afetivo de Brendan Fraser. Não porque ele esteja “contido” ou “sensível” em contraste com os blockbusters que protagonizou no passado, mas porque o filme o empurra para um território desconfortável: o de um homem que começa interpretando tristeza e, no meio do caminho, percebe que já não está mais fingindo nada.

Phillip, personagem de Fraser, é um ator americano no Japão que já conheceu algum sucesso em comerciais, mas que, em uma fase difícil da carreira, passa a ganhar a vida preenchendo lacunas emocionais alheias. Torna-se um pai postiço aqui, um jornalista “de mentirinha” ali, um amigo que joga videogame com outro marmanjo acolá. Nesse jogo de relações provisórias, convence tão bem os outros que acaba se confundindo com o próprio papel - um ator tão eficiente que se perde na própria atuação.

O Japão apresentado pelo filme está longe de ser cartão-postal ou curiosidade exótica. Ele aparece nas rotinas, nos rituais discretos, no respeito aos ancestrais, na relação silenciosa com a natureza e no valor quase ético da lealdade, mesmo quando tudo é provisório. A direção de Hikari, pseudônimo de Mitsuyo Miyazaki, aposta na delicadeza como forma de tensão: os conflitos não explodem, mas podem ser revelados a qualquer momento, como segredos que ameaçam escapar e prejudicar muito a vida de alguém.

O elenco de apoio sustenta essa engrenagem com precisão. Shannon Mahina Gorman, que vive a “filha que não sabe que não é filha” de Phillip, é extremamente cativante, sem jamais recorrer ao excesso. Outro destaque é Mari Yamamoto, que interpreta a profissional da agência como um eixo moral ambíguo: administra mentiras com a naturalidade de quem sabe que, às vezes, elas são o único modo possível de sobrevivência, mesmo quando isso cobra um preço físico e emocional durante a execução do trabalho.

Há um contraste evidente entre a cultura estadunidense, mais direta e individualista, e a japonesa, marcada pelo não-dito, pelo gesto mínimo e pela reverência ao passado. O filme nunca escolhe um lado. Apenas coloca esses mundos em fricção e observa o que sobra. “Família de Aluguel” fala, no fundo, sobre tentar consertar a vida com as ferramentas que se têm, ainda que elas sejam frágeis, improvisadas ou emprestadas.


Ficha técnica
“Família de Aluguel” | “Rental Family”

Gênero: comédia dramática. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês e japonês. Direção: Hikari. Roteiro: Hikari e Stephen Blahut. Elenco: Brendan Fraser, Takehiro Hira, Akira Emoto, Mari Yamamoto, Shannon Mahina Gorman. Distribuição no Brasil: Searchlight Pictures. Duração: 1h50. Cenas pós-créditos: não.

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

.: Lista: 11 filmes que marcaram os cinemas em 2025

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em dezembro de 2025


Os frequentadores e fãs de cinema com pipoca quentinha foram presenteados por variadas produções no ano em que o Brasil ganhou o primeiro Oscar da história, na categoria "Melhor Filme Internacional", além de Fernanda Torres, levar o Globo do Ouro como Melhor Atriz, ambos prêmios pela produção brasileira "Ainda Estou Aqui". Ainda em 2025, alguns longas foram extremamente marcantes a ponto de serem considerados os melhores do ano. Para tanto, nós do Resenhando.com elencamos 11 filmes que fizeram sucesso nas telonas de cinema pelo mundo. Confira, porque tem filme bônus!

 

O Agente Secreto

Premiado nos festivais cinematográficos, o longa dirigido e roteirizado por Kleber Mendonça Filho (Bacurau), O Agente Secreto, protagonizado por Wagner Moura é uma história repleta de brasilidade, mas também capaz de retratar um período conturbado do Brasil. O filme nacional com a cara do Brasil é um completo deleite cinematográfico que dá orgulho das produções brasileiras, dos minutos iniciais ao último segundo de duração. A produção ambientada de forma ousada em Recife entrega uma rica trama capaz de estabelecer diversas conexões com o público. 

Nos primeiros minutos, num Fusca amarelo, Marcelo (Wagner Moura) vê um corpo estendido no chão arenoso de um posto de estrada, coberto por um jornal. É esta cena que dita o rumo da história, servindo como que uma espécie de dica do que acontecerá com o professor especializado em tecnologia. Em viagem de fuga, ele é obrigado a enfrentar um passado conflituoso, ritmando um alucinante destino ao homem.


.: Crítica: "O Agente Secreto" é filmaço imperdível com a cara do Brasil

.: Crítica: furioso e envolvente, “O Agente Secreto” é a alegoria do tubarão

O longa de ação, suspense e comédia dirigido por Paul Thomas Anderson, protagonizado por Leonardo Di Caprio como Bob Ferguson, entrega ficção engenhosa e texto ágil. O roteiro assinado também pelo diretor aborda a polarização política e suas consequências máximas -imutáveis mesmo com o passar dos anos. Com elenco impecável, a caçada envolvente de 2 horas e 50 minutos tão bem aproveitadas na telona, ainda  deixa um gostinho de quero mais. Inspirado no romance "Vineland", livro de Thomas Pynchon (1990), o longa aborda temas como conflitos ideológicos, perseguição de dissidentes pelo Estado e a força da resistência, adaptando a narrativa para o contexto político contemporâneo.

.: Crítica: "Uma Batalha Após a Outra" é filmaço que vai dar Oscar a Sean Penn


O longa "Pecadores", apresenta uma história de época que esbarra na moralidade, culpa e redenção. Dirigido e roteirizado por Ryan Coogler entrega uma estética impecável. Com muito jazz e blues, o longa de 2 horas e 17 minutos, em cartaz na Cineflix Cinemas, empolga quem está diante da telona, entregando toda uma atmosfera tensa de construção dos protagonistas Fuligem e Fumaça, em inglês, Smoke e Stack. Os gêmeos que estão de volta à cidade natal para apagar um passado conturbado e refazer a vida por meio de um espaço de entretenimento musical e muita dança.

.: Resenha: "Pecadores" é experiência cinematográfica vampiresca de blues

A conclusão da épica história das bruxas de Oz acontece magistralmente com a química perfeita de Cynthia Erivo como Elphaba e Ariana Grande na pele de Glinda. O desfecho grandioso e comovente, com um visual de cenários e figurinos impecáveis, amarra as pontas soltas da trama paralela a do clássico "O Mágico de Oz". Assim, tudo é retomado durante a construção da estrada de tijolos amarelos. Pelo ar, no caminho para a Cidade das Esmeraldas, surge a demonizada Bruxa Má do Oeste dando o seu recado. 

.: Crítica: "Wicked - Parte II" é sombria conclusão épica cheia de ação

A ficção científica épica também dirigida por James Cameron, é um novelão empolgante que cativa ao pautar a trama na família e seus imbróglios, sem deixar de reforçar a importância de respeitar a mãe natureza. Mantendo o show visual, o longa que soma 3 horas e 17 minutos de puro encantamento, entrega a constante luta pela sobrevivência dos Sully, em meio a ameaças de extermínio de rivais (os humanos) e iguais (outra tribo Na'vi), enquanto os jovens tentam aprender a lidar com os ensinamentos dos ancestrais, sendo que cada um da família tenta encontrar a melhor forma de contornar o luto por Neteyam.

.: Crítica: "Avatar: Fogo e Cinzas" é novelão empolgante pautado na família

Mais uma produção brasileira para nos deixar orgulhosos do cinema nacional. Dirigido por Gabriel Mascaro, na trama, Tereza (Denise Weinberg), uma mulher de 77 anos, muito ativa, entra automaticamente para o programa "O Futuro é Para Todos", tendo sua vida completamente bagunçada. Assim, perde o emprego e recebe somente alguns dias para se organizar antes de ir obrigatoriamente para a colônia, local em que vivem todos os idosos brasileiros. Mesmo perdida com tamanha reviravolta, ela é instigada a realizar algum desejo antes de seguir seu rumo. Assim, ela mira no sonho de voar. 

.: Crítica: "O Último Azul" usa desejo de voar como combustível na velhice

O longa que abriu o Festival de Cinema Francês do Brasil de 2025, usa a comédia com sabedoria ao tratar de xenofobia. Com direção de Julie Delpy, o filme tira boas risadas do público enquanto faz refletir sobre pensamentos impregnados de preconceitos. Contudo, há também espaço para aqueles que estão empenhados em receber os outros e suas diferenças. Um bom exemplo é a professora Joëlle Lesourd (Julie Delpy), interpretada pela diretora do longa Julie Delpy. Todavia, mesmo com boa vontade e acolhimento, não consegue convencer a todos a aceitarem a nova família na bucólica cidade de Paimpont, na região da Bretanha, França. 

.: Crítica: "Vizinhos Bárbaros" faz comédia com provocações xenofóbicas

O drama costura a relação confusa e complexa entre duas filhas e um pai. Ele, um diretor de cinema conceituado, esbarra numa atriz famosa do momento, tendo em mãos um grande projeto de produção.  Ao convidar a filha Nora, atriz dedicada ao teatro, para protagonizar o próximo filme e ter uma negativa, a queridinha Rachel Kemp é mergulhada numa história familiar com direito a algumas mentiras. A casa da família agora sem a mãe, usada como alegoria, é a causa do resgate das rusgas familiares, enquanto que as irmãs tentam esvaziar o lugar. 

.: Crítica: "Valor Sentimental" reflete as confusões nas relações familiares

Uma família transita num veículo, num lugar pouco iluminado e atropela um animal. Com problemas para seguir viagem, conseguem socorro de um morador, mas um reconhecimento confuso é capaz de tornar a trama cheia de reviravoltas e confusões. O longa franco-iraniano-luxemburguês dirigido por Jafar Panahi, nome reconhecido do cinema iraniano pós-Revolução de 1979 e tem sido associado à Nova Onda Iraniana, brinca com a dúvida em meio ao desejo de vingança e o humanismo. A produção expõe as emoções misturadas de torturados, prisioneiros do regime iraniano, diante de um homem que parece ter sido seu torturador e de uma peculiaridade: era manco. 

.: Crítica: "Foi Apenas Um Acidente" e a incerteza de torturados pela ditadura

Um filme que simplesmente acontece diante dos olhos do público. Envolvente e agradável, a produção dirigida e roteirizada por Esmir Filho, apresenta uma linda história de vida que transpira arte e se mistura com a da música brasileira. Da infância até o presente momento, na telona está estampado de modo encantador um Ney Matogrosso irreverente e completamente desnudo diante do público.  Em meio a vivências e amizades, a linha do tempo de Ney esbarra num período político conturbado e da força do vírus da HIV que ceifava vidas facilmente. Retratando também a resiliência de Ney, o filme sobre o artista originalmente mais performático do Brasil faz sucesso e ganha a todos na sala de cinema. Seja pela forma de Ney ser e ver o mundo ou a cada sucesso que faz parte da trilha sonora.

.: Crítica: "Homem Com H" derrama o coração bandido de Ney Matogrosso

Uma sequência de colorido vibrante, cheia de ritmo e hilário. A animação Disney que prova a possibilidade de fazer acontecer na primeira e segunda produção. Desta vez, os agora parceiros inseparáveis na polícia de Zootopia, a oficial Judy Hopps e o detetive Nick Wilde são incumbidos de solucionar um novo mistério que envolve rastros deixados por um grupo de répteis. Assim, a dupla esbarra na serpente misteriosa, Gary. A animação que soma 1 hora e 48 minutos facilmente pode ser analisada em paralelo com a vida humana em que quem tem o poder, geralmente, o dinheiro, pode tudo, inclusive, tirar seres indesejáveis de seu caminho.

.: "Zootopia 2" é dinâmico ao tratar preconceito, discriminação e opressão


BÔNUS: Não menos importante que os 11 longas elencados, mas tão excelente quanto e não pode ser deixado de fora da seleção. Um suspense psicológico que esbarra num drama com um desfecho plausível de atingir quaisquer mulheres. O romance "A Empregada", adaptado do livro de mesmo título assinado pela escritora Freida McFadden, começa com a jovem Millie tentando e conquistando a vaga de empregada na mansão de um casal rico, os Winchester. Desesperançada em relação a vaga, uma ligação é capaz de mudar tudo.  Contudo, assim que pisa na casa para iniciar a experiência de trabalho, os indícios de que a estadia ali seria um pesadelo assombroso são dados. 

.: Crítica: "A Empregada" é suspense psicológico cheio de reviravoltas


.: Crítica: "Valor Sentimental" reflete as confusões nas relações familiares

"Valor Sentimental" está em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em dezembro de 2025


O drama "Valor Sentimental" costura a relação confusa e complexa entre duas filhas e um pai, Nora (Renate Reinsve, de "A Pior Pessoa do Mundo"), Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas, de "Uma Linda Vinda") e Gustav Borg (Stellan Skarsgård, de "Mamma Mia!"), respectivamente. Ele, um diretor de cinema conceituado, esbarra na atriz famosa do momento, Rachel Kemp (Elle Fanning, de "Malévola", "Predador: Terras Selvagens") tendo em mãos um grande projeto de produção. 

Ao convidar a filha Nora, atriz dedicada ao teatro, para protagonizar o próximo filme e ter uma negativa, tamanha oportunidade cai no colo da queridinha Rachel Kemp -que é mergulhada numa história familiar com direito a algumas mentiras. A casa da família agora sem a mãe, usada como alegoria, o que inicialmente remete ao longa "Aqui", com Tom Hanks e Robin Wright, é a causa do resgate das rusgas familiares, enquanto que as irmãs tentam esvaziar o lugar, uma vez que ali também será usado de cenário para o novo longa de Gustav. 

"Valor Sentimental" de Joachim Trier ("A Pior Pessoa do Mundo") vai muito além de "Aqui" de Robert Zemeckis ("Forrest Gump: O Contador de Histórias") ao focar na essência do título, desmembrando mágoas para religar pai e filhas. Assimdentro de 2 horas e 13 minutos de filme, aos trancos e barrancos, pai e filhas vão, apesar de muita resistência, aparando as arestas que os afastaram ao longo dos anos, uma vez que Gustav foi um pai ausente e nitidamente desinteressado em estabelecer qualquer vínculo emocional com as filhas. 

A produção norueguesa envolve com uma história de afetividade (e a falta dela, que é capaz de moldar diversas posturas de defesa e afastamento), assim como as dificuldades nas relações familiares, fatalmente conversando com o público em geral. Seja ao convidar cada um a se ver, nem que por um breve momento, no papel de Nora ou de Agnes, ou ainda, no de Gustav. Vale o ingresso de cinema!


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"Valor Sentimental". (Sentimental Value). Direção: Joachim Trier. Roteiro: Eskil Vogt e Joachim Trier. Gênero: Drama, Comédia Duração: 2h 13. País de Origem: Noruega (coprodução internacional). Distribuição no Brasil: Retrato Filmes e MUBI. Elenco Principal: Renate Reinsve (Nora), Inga Ibsdotter Lilleaas (Agnes), Stellan Skarsgård (Gustav), Elle Fanning (Rachel Kemp), Anders Danielsen Lie. Sinopse: As complexas dinâmicas de uma família após a morte da matriarca. Gustav, um cineasta outrora renomado, tenta se reconciliar com as filhas, Nora (uma atriz de teatro) e Agnes, ao oferecer a Nora o papel principal em seu novo filme autobiográfico. Diante da recusa da filha, ele escala uma jovem estrela de Hollywood (Elle Fanning), o que desencadeia novos conflitos e revisita traumas do passado. 

Trailer de "Valor Sentimental"

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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

.: Crítica: "Anaconda" é pura diversão e ainda prega bons sustos

"Anaconda" está em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em dezembro de 2025


"Anaconda" volta aos cinemas e está em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos, com um reboot que foge da forma original, o terror lançado em 1997. Em 2025, a versão é uma comédia de ação metalinguística que deixa qualquer brasileiro que ama cinema feliz. Não somente por fazer o público rir bastante com os trocadilhos do roteiro, mas por trazer o querido ator Selton Mello -recebendo até certo destaque ainda que acabe sendo vítima do ser rastejante de grandes proporções.

Dirigido por Tom Gormican ("Um Tira da Pesada 4", 2024), a trama apresenta um grupo de amigos que fazia filmes caseiros quando jovens. Agora, passando por uma crise de meia-idade e batendo o fatídico questionamento a respeito do que fizeram na vida, o quarteto composto por Doug (Jack Black, de "Escola do Rock", "King Kong"), Ronald (Paul Rudd, de "Homem-Formiga", "Romeu e Julieta"), Kenny (Steve Zahn, de "Diário de Um Banana") e Claire (Thandiwe Newton, de "Crash: No Limite" e da série "Westworld") embarca na ideia de fazer um remake amador de "Anaconda".

Para tanto, pisam na floresta tropical do Brasil e esbarram no adestrador de animais e especialista em cobras, o brasileiro, Carlos Santiago (Selton Mello). Contudo, durante as gravações um acidente muda todo o rumo da trama, uma vez que o grupo precisa de um novo animal para seguir com as gravações e o destino coloca diante deles uma Anaconda original e de um tamanho extraordinário. De quebra, a portuguesa Daniela Melchior ("Guardiões da Galáxia Vol. 3") interpreta Ana, uma vilã armada e que também coloca o enredo de ponta-cabeça, dando mais agilidade e muita ação.

A produção que entrega puro entretenimento, garante ainda bons sustos e, numa boa farofa despretensiosa, consegue envolver o público de modo brilhante. O alvo acertado de "Anaconda" está em não se levar a sério criando novas possibilidades que prendem a atenção do público até o último minuto do longa. E, de fato, a cena final diz muito, não por, minutos antes, resgatar dois personagens importantes do filme de 97,  Ice Cube (interpretando a si mesmo) e um encerramento com Jennifer Lopez, sugerindo uma possível sequência. Há um tiro certo em não cortar um personagem que pode dar muito ainda para a franquia que agora mescla terror e muita graça. 

Para quem busca entretenimento puro e simples, aliado a uma trama de ficção científica com um toque de "Jurassic World" ou "King Kong", filme que também tem Jack Black na pele de um ambicioso "cineasta", a nova produção, é repleta de boas piadas e tem o tempero de um brasileiro indo além de seus papéis dramaticamente sérios. "Anaconda" é para ser assistido já. Vale o ingresso do cinema!

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"Anaconda". (Anaconda). Direção: Derek Drymon Roteiro: Pam Brady, Matt Lieberman, Marc Ceccarelli. Gênero: Ação, Comédia, Terror, Aventura. Direção e Roteiro: Tom Gormican e Kevin Etten. País: Estados Unidos (EUA). Ano de Lançamento: 2025 (estreia em 25 de Dezembro nos EUA) Distribuição: Sony Pictures. Duração: 1h 39min. Estúdio: Columbia Pictures. Sinopse: Doug (Jack Black) e Griff (Paul Rudd) recriam seu filme favorito da juventude, mas uma anaconda gigante real surge, transformando a comédia em perigo mortal. A produção tenta satirizar a indústria de Hollywood e o filme original de 1997, com um ritmo rápido. 

Trailer de "Anaconda"


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