A distopia criada por Nelson Baskerville a partir da tragédia carioca de Nelson Rodrigues ressurge como um espelho cruel das hipocrisias brasileiras, amplificadas pelo recente avanço da extrema direita. Foto: Jennifer Glass
Ficha técnica
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Eliminada do “BBB 26” com 63,21% dos votos, Maxiane Rodrigues deixou a casa mais vigiada do país após enfrentar um paredão disputado contra Milena Moreira e Chaiany Andrade. A votação mobilizou o público e alcançou 3 milhões de CPFs únicos, tornando-se a maior desde a implantação do sistema que separa voto de torcida e voto único. Natural de Nazaré da Mata, em Pernambuco, a influenciadora digital faz um balanço de sua trajetória no reality, revisita alianças, comenta rupturas estratégicas e reflete sobre os conflitos que marcaram sua participação. Na conversa a seguir, Maxiane também fala sobre os aprendizados que leva da experiência e revela quais amizades pretende cultivar fora da casa.
Quais foram os momentos mais especiais do "BBB" para você?
Maxiane Rodrigues - Fazer alianças que se transformaram em amizades que quero levar para a vida toda foi muito especial. Entre elas, destaco a de Sarah e a de Marciele, que foram grandes parceiras minhas. Um dos pontos mais incríveis do programa também foi ser Líder, porque é o ápice do reality. Viver tudo aquilo foi extraordinário. A minha festa também foi marcante, pois me ajudou a me reconectar com minha identidade e origens. Em algum momento do jogo, a gente acaba se perdendo, porque a dinâmica nos faz focar demais no jogo. Mas quando olhamos para as fotos e lembramos de onde viemos, isso nos faz relaxar e sentir em casa. Sempre tive curiosidade sobre as festas do "BBB" e foi muito especial participar delas, conhecer os cantores de perto e viver todas as dinâmicas.
E os mais desafiadores?
Maxiane Rodrigues - Os momentos mais desafiadores foram lidar com a hostilidade. Aqui fora, quando não nos damos bem com alguém, simplesmente nos afastamos. Lá dentro, isso não é possível, e os embates acabam acontecendo. Muitas vezes falamos coisas que não deveríamos, por causa da raiva e da pressão. Além disso, a imprevisibilidade das dinâmicas também foi difícil. Em um dia pode haver um “sincerão” pesado, e no outro algo mais leve, o que muda completamente o clima da casa. Outro desafio foi ter que votar e tirar o sonho de alguém. Cada pessoa ali é vitoriosa e merece estar naquele lugar, então machucar e ser machucada fez parte dos momentos mais difíceis para mim.
Você começou o jogo em um grupo e depois acabou indo para o outro lado. Por que optou por esse movimento? Houve algum momento de virada?
Maxiane Rodrigues - O momento de virada foi a prova do Líder, mas isso já vinha acontecendo gradualmente. Eu e Marciele nos identificávamos mais com a forma de jogar de um grupo, especialmente com Sarah, com quem me conectei muito. Aos poucos, fomos nos afastando do outro grupo, e chegou um momento em que era preciso tomar decisões. A prova do Líder apenas consolidou essa escolha. Eu não queria ficar em cima do muro; preferia jogar com pessoas com quem me identificava, mesmo correndo o risco de sair. O "BBB" é muito sobre o dia a dia e a convivência, e foi isso que nos levou a essa mudança.
Nos últimos dias, também houve um rompimento da sua aliança com Breno e Marcelo. Por que acha que isso aconteceu?
Maxiane Rodrigues - Eu e Marciele nos identificávamos mais com Sarah, Sol, Cowboy e Jonas, enquanto Breno e Marcelo tinham afinidades com Babu, Juliano e Boneco. Essa ruptura foi acontecendo gradualmente, não de forma repentina. O jogo exige que, muitas vezes, passemos por cima de sentimentos para seguir nossas razões, porque no final só um vence, só um sai no paredão. Cada um tomou suas decisões, pensando em si, e tudo bem.
Quando o Marcelo foi eliminado, você chorou a saída dele, embora já não estivessem mais jogando juntos. Sentiu-se culpada pela eliminação dele?
Maxiane Rodrigues - Quando ele saiu, foi um choque. Eu realmente não acreditava que ele fosse sair, e acho que ninguém na casa imaginava. Todo mundo lá dentro acreditava que ele movimentava o jogo, que articulava, tinha presença, opinião e boas relações. Então, imaginávamos que ele protagonizava e jamais sairia. Eu até falei para ele, minutos antes, que não iria sair. Quando anunciaram o nome dele, eu pensei: “Ué, Nossa Senhora!”. A gente acaba se sentindo culpada de alguma forma, embora ele já tivesse embates com Jonas. Se Jonas o colocou, é porque tinha motivos para isso. E se o Marcelo saiu, foi porque o público quis que ele saísse. Não era minha responsabilidade. Só que eu só consegui entender isso ao longo dos dias, porque lá dentro todo mundo acreditava que era paredão falso, inclusive o meu. Ficamos naquela expectativa de que ele voltaria. Eu sou muito emoção e agi com o coração. Por mais que uma pessoa saia pela porta, você não deseja mal a ela. A gente conhece as histórias das pessoas, e quando alguém sai, é também um sonho que vai embora, junto com seus propósitos e objetivos. Sofri muito com a saída dele porque não queria que acontecesse, embora todas as dinâmicas sejam cheias de surpresas. Fui pega de surpresa no contragolpe. Mesmo que tenhamos nos afastado, eu jamais desejaria que ele estivesse fora da casa. Desejava que continuássemos juntos ali, mesmo jogando em lados opostos. Isso vem do fundo do coração..
Enquanto eles se afastavam, Jordana acabou se aproximando de você e da Marciele. As duas foram suas maiores aliadas no reality?
Maxiane Rodrigues - A Jordana era parceira da Aline, que saiu, e depois da Sol, que também saiu. Ela sempre deixava claro que estava ali e poderia jogar com a gente. Minha relação com a Jordana e com a Marciele foi acontecendo de forma gradativa, e chegou um momento em que precisei decidir se jogava ou não com ela. Foi uma excelente decisão, porque Jordana é uma mulher inteligente, articulada e que vai para o embate sem abaixar a cabeça. Às vezes eu até dizia: “Jordana, menos, segura um pouco a onda”, porque ela é intensa e enfrenta tudo de frente. Temos histórias e profissões parecidas, e antes de sair ela me disse que me admirava muito. Isso foi especial, porque sempre quis que minhas conexões fossem naturais e não forçadas.
Seus embates com a Ana Paula fizeram parte da rotina da casa nas últimas semanas. Na sua opinião, o que provocou esses conflitos?
Maxiane Rodrigues - Foram as diferenças de pensamento e de forma de jogar. Ela já tem experiência, é uma mulher inteligentíssima e estratégica, com sua maneira própria de se posicionar. Eu tenho a minha forma de ver e de jogar. Por sermos muito diferentes, o afastamento aconteceu naturalmente. Em alguns posicionamentos, ela tinha total razão, mas só conseguimos enxergar isso depois que saímos, porque viver e assistir são coisas bem diferentes. Esses embates refletem personalidades distintas, e no BBB é inevitável ir para o confronto.
Por diversas vezes o seu grupo especulou que os eliminados às terças-feiras estariam em paredões falsos, o que não aconteceu. As eliminações não davam nenhuma pista do jogo para vocês lá dentro?
Maxiane Rodrigues - Não. Por exemplo, o discurso da Sarah foi tão suave que acreditávamos que ela ficaria. Eu a via como uma pessoa coerente, cautelosa, gentil e cuidadosa com o que dizia. Ninguém imaginava que ela fosse sair. Ficamos sete dias esperando que fosse um paredão falso. Lá dentro, todos estavam sempre com essa expectativa, mas nunca se confirmava.
Com que participantes deseja manter amizade fora da casa?
Maxiane Rodrigues - Estou com o coração muito tranquilo. Lá dentro sempre falei que, apesar dos conflitos, mágoas e ressentimentos, tudo ficaria naquela porta para dentro. Aqui fora quero levar apenas coisas boas. Quem quiser se aproximar de mim, estou de coração aberto; quem não quiser, está tudo bem também, porque cada um sente e reage de uma forma. Há muitas pessoas que quero levar para a vida: Marciele, Jordana, Breno, Babu, que é um cara que respeito muito, Chai, que tem uma história magnífica, Gabi, Cowboy... Enfim, muita gente. Mas isso precisa ser recíproco. Eu estou de peito aberto, porque tudo que foi ruim ficou lá dentro. Aqui é vida real.
Que aprendizados carrega dessa experiência?
Maxiane Rodrigues - Foram muitos aprendizados. Aprendi a falar menos e ouvir mais. A julgar menos. Muitas vezes é melhor refletir antes de falar ou decidir se vale a pena bater de frente. Esses são aprendizados que quero levar para a minha vida.
Já conseguiu assimilar o que muda na sua vida depois da passagem pelo "BBB"? Pretende seguir atuando como influenciadora digital?
Maxiane Rodrigues - Estou assimilando tudo aos poucos, porque é uma bomba de informações. Saímos de lá vulneráveis e desestabilizados, com a frustração de sair sem o prêmio. Acho que ainda não consegui absorver nem 10% de tudo. Mas eu amo trabalhar com o que faço. Já atuava como influenciadora na minha região, e até o Gil comentou isso no bate-papo. Quero continuar nesse caminho, mas também quero investir no meu negócio como empreendedora. Trabalhar é minha fonte inesgotável de energia e vigor, é o que me ajuda a perceber quem eu sou e aonde quero chegar. Então, quero seguir tanto como influenciadora quanto como empreendedora. Para mim, está tudo certo. É isso que eu quero.
No álbum, que tem as participações especiais do cantor Rubi nos vocais e do guitarrista Estevam Sinkovitz, Elaine Frere é acompanhada por Ricardo Prado (sanfona, teclados, baixo, violão e bateria) e Guto Gonzales (bateria). A parceria começou quando Flávvio viu um post de Elaine junto com a filha. “A foto era tão significativa, eivada de amor fraterno e de tantos outros sentimentos implícitos, que emocionado resolvi comentar o post”, conta Flávvio.
“Receber um poema de Flávvio para musicar é como atingir a maioridade! O comentário numa postagem na rede social era tão perfeito, que musiquei sem que ele soubesse. A coragem de mostrar demorou, mas rendeu uma enxurrada de escritos que me foram enviados pelo Flávvio, com uma mensagem para que eu escolhesse um para musicar. E eu musiquei praticamente todos! As melodias pulavam daquelas palavras na primeira leitura e era impossível reter aquele fluxo. Flávvio respira versos e os seus versos me tocam profundamente, fazendo perfeita aliança com as melodias que trago, engavetadas no tempo”, revela Elaine, contando sobre a conexão imediata com Flávvio e as diversas composições que brotaram depois do comentário na postagem.
“Eu me sinto traduzido nas melodias da Elaine, ela consegue encontrar o âmago das minhas palavras de uma maneira que somente o olhar feminino conseguiria. Cada parceiro transita em um universo diferente da minha criação artística, intuo para qual parceiro ou parceira devo mandar determinado tipo de letra. Encontrar este caminho me dá uma satisfação imensa”, completa Flávvio. Assim, Elaine entrou para o rol dos parceiros mais constantes de Flávvio, formado por Kleber Albuquerque, Adolar Marin e Rubi.
Flávvio Alves é poeta, compositor e produtor, um dos fundadores do selo Sete Sóis, que já lançou mais de 50 álbuns, já foi gravado por Ceumar, Renato Braz, Rubi, Kleber Albuquerque, Fred Martins, Zeca Baleiro, entre tantos outros. Tem composições em parceria com Alice Ruiz, Adolar Marin, Carlos Careqa, Daniel Groove, Fred Martins, Fernando Cavallieri, Kleber Albuquerque, Marco Vilane, Rubi, entre tantos outros. Lançou o CD Outras canções de Desvio, com a arte da capa feita por Lourenço Mutarelli, e com composições em parceria com diversos artistas de diferentes Estados do Brasil, lançou dois álbuns em parceria com Adolar Marin e um álbum em parceria com Kleber Albuquerque.
Elaine Frere é produtora cultural e artista independente que atua em diversas esferas da arte, como por exemplo o Circo e o Teatro. Escreveu, atuou, dirigiu, compôs trilhas sonoras e produziu espetáculos com parceiros como Hugo Possolo, Guga Stroeter e Vladimir Capela. Atuou como Coordenadora Geral de Produção, Financeira e Gestora de Comunicação no FIC - Festival Internacional de Circo de São Paulo, de 2018 a 2022. Como escritora, é autora de dois livros infantis de temática circense: “Trilha das letras” e “Napoleão”. A partir de 2019 volta-se inteiramente para a música autoral e lança seu primeiro single “Quando Adormeço”, com participação de Kleber Albuquerque. Em 2021, lançou o álbum “Quando os versos se uniram pra reclamar canção”, com produção de Felipe Mancini. Desde então, vem lançando singles em parceria ou solo.
O Encontro de Leituras de março recebe a escritora e jornalista lisboeta Catarina Gomes para uma conversa sobre o livro "Terrinhas", publicado em Portugal pela Gradiva em 2022 e no Brasil pela Dublinense em 2025. O evento acontece no dia 10 de março, terça-feira, às 19h do Brasil (horário de Brasília) e 22h de Portugal, de forma online e gratuita, pela plataforma Zoom. O clube é gratuito e aberto a todos que queiram participar. O evento pode ser acessado com o ID 842 8191 4937 e a senha 835758. Para participar, basta seguir este link.
Em "Terrinhas", vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís, acompanhamos a história de uma designer de interiores que se vê obrigada a voltar à aldeia em que seus pais nasceram - e que visitava na infância - para tratar da herança deixada por eles. A trama mergulha em memórias e afetos, explorando as tensões entre raízes familiares e escolhas pessoais.
"Terrinhas" passou a integrar o Plano Nacional de Leitura de Portugal, consolidando sua relevância literária e social, e a autora tornou-se reconhecida por investigar e narrar temas ligados à memória e à história do país. Como jornalista, Catarina Gomes foi ainda finalista do Prémio de Jornalismo Gabriel García Márquez pela reportagem Quem foi o filho que António deixou na guerra?. Compre o livro "Terrinhas", de Catarina Gomes, neste link.
Sobre o Encontro de Leituras
O Encontro de Leituras resulta da colaboração editorial entre o jornal português Público e a revista Quatro Cinco Um, focando em obras literárias disponibilizadas em ambos os países. O Encontro reúne leitores de língua portuguesa e discute romances, ensaios, memórias, literatura de viagem e obras de jornalismo literário na presença de um escritor, editor ou especialista convidado. Os encontros são gratuitos e acontecem sempre nas segundas terças-feiras de cada mês, às 19h00 do Brasil e 22h00 de Portugal.
O evento não é transmitido nas redes sociais, nem disponibilizado depois. É uma experiência para ser vivida por aqueles que se juntam à sessão. Os melhores momentos são depois publicados no podcast Encontro de Leituras, disponível no Spotify, Apple Podcasts, SoundCloud ou outros aplicativos habituais.
A parceria entre a Quatro Cinco Um e o Público conta com um espaço editorial fixo nos dois veículos e uma newsletter mensal sobre o trânsito literário e editorial entre os países de língua portuguesa. A editoria especial publica materiais jornalísticos sobre autores do Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Timor que tenham sido lançados dos dois lados do oceano. A newsletter mensal traz notas, curiosidades, imagens e informações sobre as novidades das livrarias e os eventos literários em Lisboa, São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades onde se fala português. De vez em quando, na programação de festivais e em outras ocasiões, eventos presenciais serão realizados.
Serviço
"Encontro de Leituras" com Catarina Gomes
Terça-feira, dia 10 de março
Horário: 19h00 do Brasil e 22h00 de Portugal
Modalidade: on-line e gratuito, via Zoom
Participe: https://us06web.zoom.us/j/84281914937?pwd=bbScBuXJg69a9IYhiPYxM2tmTcmbFZ.1
ID:842 8191 4937
Senha de acesso: 835758
"A Noiva!" está em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos
Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com
Em março de 2026
Transbordando energia, "A Noiva!", entrega puro caos numa história de amor monstruosa, para a criatura famosa internacionalmente, da escritora britânica Mary Shelley. O longa dirigido por Maggie Gyllenhaal, reúne na telona Cineflix Cinemas o saboroso talento de Jessie Buckley (A Noiva) e Christian Bale (Frankenstein) e o que se vê é puro deleite. As atuações memoráveis são o brilho do longa com cenas soturnas que remetem aos filmes de criminosos e vampiros, flertando com grandes filmes como "Inimigos Públicos", "Sin City", "Entrevista com o Vampiro", "30 Dias de Noite" e "Anjos da Noite".
É indiscutível que Jessie Buckley ("Hamnet: a Vida Antes de Hamlet") e Christian Bale ("Batman Begins", "Trapaça", "Vice"), numa química contagiante de um Bonnie & Clyde mesclados com terror, são o coração da produção intensa e repleta de ironia. No entanto, o longa vai além entregando uma protagonista autônoma, elétrica, anárquica, ainda que romântica, estampando com afinco a luta feminina contra o machismo. Mesmo que a história dela ao lado de Frankenstein volte a Adão e Eva. Sim! Ele estava sozinho e procurou o cientista pioneiro Dr. Euphronious (Annette Bening, de "Beleza Americana", "Meu Querido Presidente") para ter uma companheira.
Assim, Frankie vive aventuras com uma jovem ressuscitada. Os elementos literários e cinematográficos também enriquecem a produção, não pelo fato de a protagonista ter Mary (a própria Mary Shelley, escritora) como a voz da consciência, mas por fazer diversas referências, como por exemplo, instigar que a atriz favorita dela era a atriz e cantora alemã, Marlene Dietrich ("O Anjo Azul", "Julgamento em Nuremberg", "Testemunha de Acusação").
"A Noiva!" ainda presta uma linda homenagem ao cinema quando coloca Frankie como um grande consumidor de tal arte e fã do astro de musicais de Hollywood, Ronnie Reed (Jake Gyllenhaal, de "Zodíaco", "O Segredo de Brokeback Mountain", "Donnie Darko"). Como obra do destino, enquanto segue num alucinante circuito cinematográfico com a companheira, esbarra com o ator numa festa e o resultado é uma cena memorável que começa numa declaração de admiração confusa de um fã, passa por uma sequência icônica de dança e termina com tiros e muita correria.
Em tempo, ver Jake Gyllenhaal e Christian Bale frente a frente, torna a sequência ainda mais emblemática, tendo em vista que o irmão da diretora também foi um dos finalistas para interpretar o papel de Bruce Wayne em "Batman Begins" (2005), mas perdeu a disputa para Christian Bale, que estrelou a trilogia de Christopher Nolan.
Diante de tamanha ebulição de emoções estourando a cada cena, há ainda o toque apimentado do puro suco do caos ofertado pela protagonista. No efervescente thriller gótico feminista "A Noiva!" há ainda espaço para outra mulher ganhar destaque: Myrna Mallow (Penélope Cruz, de "Vanilla Sky", "Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas"), a grande mente que trabalha com o detetive Jake Willes (Peter Sarsgaard, de "A Órfã", "Plano de Voo").
Considerando ainda que quem proporcionou a ressurreição da protagonista foi uma mulher (não um homem), fica inevitável afirmar que o longa punk é feminista. Todavia, o filme é totalmente libertário passando longe de estereótipos. Com uma fotografia de "absolute cinema" e figurinos impecáveis, o empolgante "A Noiva!" é um filmaço para se ver e rever. Imperdível!
O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.
"A Noiva!". (The Bride!). Gênero: terror, ficção científica. Direção e roteiro: Maggie Gyllenhaal. Duração: 127 minutos. Distribuição: Warner Bros. Elenco: Jessie Buckley como A Noiva, Christian Bale como Frankenstein, Penélope Cruz, Annette Bening, Peter Sarsgaard. Sinopse: Na Chicago da década de 1930, um Frankenstein solitário busca a ajuda da Dra. Euphronia para criar uma companheira para si. Eles revivem uma jovem assassinada, dando origem à Noiva. No entanto, ela transcende as intenções de seus criadores, desenvolvendo uma identidade própria e desencadeando um romance fervoroso e mudanças sociais radicais.
Trailer de "A Noiva!"
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Para a ocasião, Pivetti apresenta a coleção completa “Cotidiano”, composta por obras em acrílica sobre canvas. Com forte presença gestual, traço urbano e construção simbólica marcante, as peças possuem tiragem limitada a dez unidades cada, reforçando o caráter autoral e colecionável do conjunto.
A série “Cotidiano” investiga o caos urbano e as transformações emocionais provocadas pela vida nas grandes cidades. Pressões sociais, conflitos internos, vícios emocionais e a constante adaptação ao ritmo acelerado da vida contemporânea atravessam as narrativas visuais das obras, que convidam o público à identificação e ao reconhecimento de experiências universais.
O artista destaca que o público encontrará um espaço expositivo autêntico, com linguagem direta e múltiplas camadas de interpretação. “Minhas obras carregam significados claros, mas também permitem diferentes leituras. A principal sensação que desejo provocar é identificação. Todos, em algum momento, já se sentiram pressionados, sobrecarregados ou em conflito interno. Essa conexão emocional cria um diálogo imediato entre a obra e o espectador”, completa.
O amor como antídoto e último artifício em meio ao caos. Um alerta para que o sentimento ocupe maior espaço em nossas vidas. Esse é o ponto de partida de “Novos Tempos”, quarto álbum da cantora Claudia Amorim, que conta com composições de hico Buarque, Ilessi, Thiago Amud, Cacau da Bahia, Beto Guedes, entre outros.
Com arranjos feitos por Bruno Danton e Aline Gonçalves, dois jovens e premiados músicos), O show de lançamento de "Novos Tempos" conta com a direção musical de Roberto Kauffmann, responsável pela adaptação dos arranjos do disco para o palco. A cantora, sempre que possível, procura compor a banda com instrumentistas mulheres, para reforçar e amplificar a atuação feminina no cenário musical.
O disco "Novos Tempos" traz à tona a reflexão sobre a humanidade diante de tantas questões climáticas, sociais e guerras. “Diante da possibilidade do fim, o que nos resta fazer? O que sobrevive depois que tudo acaba? Que sentimento fica?” - indaga a cantora. Esse novo trabalho acredita que o sentimento do amor pela família, arte, artistas, companheiros e companheiras, natureza e por fim o planeta é o que rege o ser humano em momentos de desespero e também de reconstrução. O projeto gráfico do álbum resume este conceito de devastação, mas com a firmeza da reconstrução (representada por uma flor de algodão) ao lado do sofrimento e das perdas (representadas por um coração sangrando).
A voz de Claudia Amorim é doce e suave, assim como suas interpretações. O clima de paz, tão necessário nesses conturbados tempos atuais, predomina nos arranjos que são executados por músicos, sem usar recursos de IA ou de computadores.Isso proporcionou um resultado final bem interessante no plano musical. Destaco as faixas "Musa Música", "Prá Onde Foi o Amor" e "Sal da Terra", essa última com um arranjo mais denso do que a versão original com Beto Guedes.
Intérprete com repertório diverso, Claudia Amorim é uma das pioneiras da música independente no Brasil e tem mais de 25 anos de estrada. Possui quatro álbuns lançados, sendo o disco “Sede” pré-selecionado ao Prêmio da Música Brasileira em 2013 e com menção honrosa como um dos 100 melhores álbuns do ano. E nesse novo trabalho ela confirma a sua vocação para produzir música com qualidade e bom gosto. Espero que continue lançando novos discos e se apresentando ao vivo. Os ouvintes da boa música irão agradecer de bom grado.
A crueldade avassaladora movida e arquitetada pela supremacia bélica sionista sobre populações árabes civis indefesas, inclusive crianças, ressoa, grita e nos abala nas páginas de “Canto do Alaúde” de Rosani Abou Adal (Edição da Autora sob o selo Linguagem Viva). A arma da poética da indignação é manuseada pela autora com imenso pesar, um versejar pungente e, ao mesmo tempo, de denúncia e alerta contra a aflição que envolve um cotidiano repleto de sofrimentos, perdas e escombros. A sonoridade plangente do instrumento musical milenar ecoa através das cenas retratadas em cada verso. O pesadelo que se abate diariamente com mísseis, tanques e drones, vem escancarar de maneira cruel e insensível a tragédia humanitária que se abate sobre os indefesos habitantes das áreas ocupadas.
A guerra em balbúrdia, navalha que dilacera.
Utilizando uma linguagem crua e direta, Rosani absorve, reflete e expõe a ausência de futuro infantil imediato, os pesadelos e horrores do dia a dia, a falta de perspectiva alimentar e de moradia para uma imensa quantidade de famílias destroçadas e de um séquito de órfãos atônitos e desamparados. Notamos que o livro torna-se atemporal, enquanto manifesto pacifista, ético e humanista. Uma poética consciente, consistente e sobretudo combatente contra os desvios perpetrados pelo autoritarismo militarista que campeia e nos ameaça neste início de milênio.
Dormir acordado entre os destroços, sem sonhos.
O prefácio de Ronaldo Cagiano intitulado “Uma poética aguerrida num cântico de intervenção” avaliza todo o teor de coerência e combatividade em que Rosani Abou Adal maneja sua adaga fonética, e ainda, emoldurado pela capa e ilustrações de Janaina Adal da Costa Millan temos em mãos um livro contundente a refletir o trágico e dramático quadro das relações de prepotência militar e de desigualdade entre os povos.
Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com
Em março de 2026
Uma animação cativante que revela a forte essência Disney de seus tempos áureos focando nos laços da relação familiar e a necessidade de preservação da natureza. "Cara de Um, Focinho De Outro" apresenta a garotinha Mabel, muito raivosa até que passa a conviver com a avó em um espaço natural de encher os olhos e acalmar qualquer estressado.
A produção da Pixar Animation Studios, dirigida e escrita por Daniel Chong, remete a clássica animação "Pocahontas", quando avó e neta interagem, criando forte conexão entre ambas tendo a força da natureza. O carinho com os avós em idade avançada também estabelece uma conexão com o belo "Viva! A Vida é uma Festa" (neste, neto e avó). "Cara de Um, Focinho De Outro" ainda lembra de outra animação um pouco mais recente, "Operação Big Hero" quando caminha pela tecnologia e, inclusive, tem como cenário um laboratório de experimentos, mas é definitivamente uma nova e única história.
Com personalidade forte e determinada, como as protagonistas de "Mulan" e "Valente", Mabel ainda garotinha é apresentada em fuga após resgatar animais mantidos em gaiolas na escola. Ao aprender com a avó a importância da biodiversidade em um espaço natural perto de casa, ela cresce amando os animais e a natureza. Na tentativa de proteger os animais que habitam o espaço que sempre lhe deu paz, vive em pé de guerra com o prefeito Jerry.
Assim, o anti-animal age de modo selvagem devastando a região, mesmo que afete as áreas naturais da cidade. Na tentativa de conter o homem, Mabel descobre uma grande inovação tecnológica de "salto", ainda em teste, pela professora e cientista, a Dra. Sam. O grande feito é o de transferir a consciência de um humano para um castor robótico, explorando o equilíbrio entre natureza e tecnologia com humor e consciência ambiental.
Impulsiva, Mabel faz uso da tecnologia a seu modo e gera um caos, levando até mesmo o seu adversário de ideias, o prefeito Jerry, a fazer o mesmo. Contudo, a maior surpresa vem da própria natureza, mais precisamente de uma pupa. Refletindo sobre empatia e coexistência, a animação é puro deleite, mesmo misturando política urbana com preservação ambiental, pois até os embates acontecem com uma pitada de graça.
Sem apresentação de um curta-metragem antes do início, "Cara de Um, Focinho De Outro" faz valer esperar os créditos, com a exibição de cenas, uma no meio e outra após rolarem todos os nomes envolvidos na produção. Imperdível e para assistir com toda a família!
A equipe Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar Shopping. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.
"Cara de Um, Focinho De Outro". (Hoppers). Gênero: Animação. Direção e roteiro: Daniel Chong. Duração: Aprox. 106 minutos. Distribuição: Pixar Animation Studios / Walt Disney Pictures. Vozes: Piper Curda (Mabel), Jon Hamm (Prefeito Jerry). Sinopse: A história acompanha Mabel, uma amante dos animais que utiliza uma tecnologia revolucionária para transferir sua mente para um castor robô hiper-realista. Ao se infiltrar no mundo animal, ela descobre mistérios inimagináveis e precisa agir contra os planos de Jerry, um prefeito hostil aos seres não humanos.
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Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com
Em março de 2026
A história de amor de Lionel (Paul Mescal, de "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" e "Todos Nós Desconhecidos") e David (Josh O'Connor, de "Rivais") costura o sensível e intenso longa "A História do Som". O drama romântico sutil, melancólico e com fotografia deslumbrante ambientado durante a primeira guerra mundial, apresenta o primeiro encontro de Lionel e David já proporcionado pela música. Numa paixão fulminante, ambos se entregam e tentam aproximação usando a preservação da música folk americana.
Após um afastamento, os dois voltam a ficar juntos quando partem em viagem pelos Estados Unidos , mesmo em guerra, gravar as vidas e as vozes de seus compatriotas. Assim, a música não é somente o pano de fundo da narrativa, mas um gesto de preservação das emoções humanas, colocando o cancioneiro no posto de verdadeiro protagonista do longa dirigido por Oliver Hermanus ("Beleza", "O Rio Sem Fim").
Tal qual a postura da época, o reflexo é impresso na telona em ações e reações educadas demais entre David e Lionel, sem explorar a paixão dos personagens de forma mais vibrante. De fato, além de se apoiar na atuação impecável de Mescal e O'Connor, há sustentação e fortalecimento da trama de "A História do Som" para a conclusão surpreendente da história de amor dos dois. Assim como "O Segredo de Brokeback Mountain", escrito por Annie Proulx, o texto original vem de um conto, de Ben Shattuck. Filmaço imperdível!
* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Siga: @maryellen.fsm
"A História do Som". (The History of Sound, 2025). Gênero: Drama, Romance, Histórico, Musical. Direção: Oliver Hermanus. Duração: Aprox. 2h08. Distribuição: Universal Pictures Brasil. Elenco Principal: Paul Mescal (Lionel), Josh O'Connor (David). Sinopse: Ambientado em 1917, dois homens se conhecem no Conservatório de Boston e iniciam uma jornada para registrar vozes e músicas tradicionais de americanos durante a Primeira Guerra, apaixonando-se no processo. O filme é baseado no conto de Ben Shattuck.
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