Os meus dois ou três fiéis leitores já devem ter me ouvido dizer que eu, se pudesse, não trabalhava nunca. Ter de se lançar ao mundo e estar entre as gentes para — vejam bem — para produzir algo é, no mínimo, fazer das tripas coração (o ditado vem a calhar porque, por ora, não se apresenta outro melhor). Isso quando se tem coração para tal, ou quando ainda restam tripas. Como precisamos produzir a nossa existência, nos submetemos à tortura diária em troca de algum cobre que nos permita encher a barriga e, quem sabe, tirar algum prazer no que resta de vida.
Loja do Resenhando.com traz novos livros para venda no Shopee
Visite a lojinha do Resenhando.com!
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
.: Manual Crônico, de Thiago Sobral: Sorumbáticos da existência
Os meus dois ou três fiéis leitores já devem ter me ouvido dizer que eu, se pudesse, não trabalhava nunca. Ter de se lançar ao mundo e estar entre as gentes para — vejam bem — para produzir algo é, no mínimo, fazer das tripas coração (o ditado vem a calhar porque, por ora, não se apresenta outro melhor). Isso quando se tem coração para tal, ou quando ainda restam tripas. Como precisamos produzir a nossa existência, nos submetemos à tortura diária em troca de algum cobre que nos permita encher a barriga e, quem sabe, tirar algum prazer no que resta de vida.
.: Guimarães Rosa: as paisagens, viagens e lugares que entraram para a literatura
Da boiada conduzida em 1952 às veredas, rios, chapadas e cavernas que aparecem nos livros, João Guimarães Rosa transformou o sertão mineiro em um território literário que ultrapassa qualquer mapa
A viagem que colocou Rosa no caminho da boiada
De Três Marias a Araçaí
As veredas, os rios e os buritis
As cavernas também entram nessa geografia
Morro da Garça e a memória de Guimarães Rosa
Manuelzão, o homem que virou personagem
Um sertão que continua se movendo
- "Grande Sertão: Veredas" completa 70 anos e abre novos horizontes
- João Guimarães Rosa, o escritor que inventou um sertão universal
- “Grande Sertão” mobiliza personagens que atravessam amor, guerra e destino
- Guimarães Rosa: as paisagens, viagens e lugares que entraram para a literatura
- “Grande Sertão” é teatro, cinema e TV em diferentes versões de Rosa
- “Grande Sertão: Veredas” revela as faces de Diadorim nas telas e no palco
- Setenta anos depois: por que “Grande Sertão: Veredas” continua vivo
.: Crítica: "Verity" fisga pelo talento do elenco, mas se perde na pegada erótica
Imagem de "Verity"
Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com
Em outubro de 2026
Uma escritora desconhecida do grande público consegue a chance na carreira literária, mas como ghost writer (escritor-fantasma) de um nome de sucesso estrondoso. No suspense psicológico "Verity" com Anne Hattaway, Josh Harnett e Dakota Johnson, adaptado do livro de mesmo nome da escritora norte-americana Colleen Hoover ("É Assim Que Acaba"),um a profissional da escrita é contratada para seguir na produção de novos livros da queridinha Verity (Anne Hattaway, "Instinto Materno"). Assim, Lowen (Dakota Johnson, de "Madame Teia") ingressa mna trama ao aceitar organizar anotações da grande escritora, sem receber crédito público ou assinatura pela autoria da obra, mas embolsando uma grande bolada.
O longa começa de modo forte e num encontro ao acaso, porém tremendamente medonho entre Jeremy (Josh Harnett, de "Oppenheimer" e "Armadilha") e Lowen. O resultado é uma forte tensão entre os dois quando o destino consegue uni-los novamente, mas tendo como desculpa uma excelente oportunidade de trabalho. Embora considere por minutos recusar, Lowen aceita a proposta ao assinar um contrato de confidencialidade. Assim, vai passar alguns dias na casa da família Crawford.
Neste jogo de contar e recontar histórias, "Verity" garante bons sustos, mas põe a perder o bom do suspense em nome de pesar a mão em sequências de pegadas eróticas, o que acaba ligando a atriz Dakota Johnson novamente ao sexy "50 tons de cinza", longa que catapultou a filha de Melanie Griffith em Hollywood. Aos fãs de Josh Hartnett também cabe a leve desconfiança em torno das revelações de seu personagem -e parte dela pode ser confirmada.
Embora "Verity" traga a talentosa Hattaway na pele de um personagem inconstante, não espere algo estilo o excelente longa "Instinto Materno". Inicialmente, até se aproxima e faz lembrar, mas conforme a trama se desenrola, acaba parecendo uma releitura de "A Empregada", sem o desfecho desejado e plausível. Uma vez que Lowen mergulha de cabeça nas tragédias da família que vive na casa afastada com um lago adiante -cenário de uma morte dolorosa.
A brincadeira com os nomes das personagens femininas, a dona da verdade (Verity) que tem em seu caminho alguém mais baixo, considerando as três primeiras letras do nome de Lowen, é uma riqueza que mais impacta na escrita. Assim, ordenando apontamentos de Verity, uma mulher acamada, Lowen passa a desejar ser a outra e suas confusões a levam a um final duvidoso. Infelizmente, a adaptação dirigida por Michael Showalter consegue ser bastante previsível.
Trailer de "Verity"
Leia+
.: Crítica: "A Empregada" é suspense psicológico cheio de reviravoltas
.: Resenha: "Madame Teia" é bom início para a heroína dos aracnídeos
.: Crítica "Oppenheimer" é filmaço que trabalha visual e sonoplastia com louvor
.: Resenha crítica: "Instinto Materno" entrega desfecho cruel e inimaginável
.: Crítica: "Coração Selvagem" é um "Sempre Ao Seu Lado" de aventuras
.: Crítica: "Guerreiras do K-Pop" entrega modernidade na essência "Sailor Moon"
.: Crítica: "Michael" promove reencontro com figura insubstituível da mídia
.: Crítica: "As Cores do Tempo" é espiral constante de vivências geracionais
.: Crítica: "Homem-Aranha: Um Novo Dia" é "absolute cinema" dos heróis
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
.: Crítica: "A Ilha Esquecida" até lembra "Red", mas foca na amizade e encanta
Imagem de "A Ilha Esquecida"
Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com
Em setembro de 2026
A animação que mescla aventura e comédia, "A Ilha Esquecida", entrega colorido de dar inveja nas novas criações Disney, além de estampar os traços artísticos sempre presentes nas produções do mesmo gênero de "Homem-Aranha no Aranhaverso". Da DreamWorks Animation, "A Ilha Esquecida" chega a remeter o também excelente "Red: Crescer é Uma Fera", mas vai além fugindo do realismo, com traços 2D expressivos, dinâmicos e exagerados, inspirados em animes japoneses, o que faz lembrar o sucesso "As Guerreiras do K-Pop", da Netflix.
"A Ilha Esquecida" traz um peso emocional de uma das protagonistas com a avó, como também acontece em "Cara de Um, Focinho de Outro", mas é muito ágil na trama garantino várias reviravoltas. A diferença está no fato de a produção ser focada na amizade e o acerto é em sequência, muito por trazer uma trilha sonora sem defeitos, incluindo "Don't Stop Believin'", "Never Tear Us Apart" e "Nothing's Gonna Stop Us Now", por exemplo. Tanto é que os créditos finais celebra a amizade exibindo fotos reais de amigos e familiares da equipe de produção, em uma homenagem aos temas de memória e amizade do filme.
Sem muita pretensão, a produção de divulgação encabulada, é puro deleite visual e narrativo. Na animação que soma 1 hora e 40 minutos de duração, as melhores amigas Jo e Raissa criam um forte elo desde a primeira topada enquanto aguardavam atendimento da diretora após agirem de modo equivocado em aula. Elas viram adolescentes e quando tudo parecia normal, planos mudam.
No entanto, as duas se deparam com um portal misterioso que as transporta para a ilha fantástica chamada Nakali. Enquanto vivenciam o que juravam não existir, como por exemplo, criaturas mágicas, Jo e Raissa descobrem a importância da amizade verdadeira de longos anos, uma vez que o preço para voltar para casa são as memórias da relação construída por elas. Por outro lado, juntas elas buscam uma forma de sair do lugar dos sonhos sem que uma esqueça da outra para sempre. Imperdível!
Trailer de "A Ilha Esquecida"
Leia+
.: Crítica: "Red: Crescer é Uma Fera" é sobre não fingir ser o que não se é
.: Crítica: "Homem-Aranha: Através do Aranhaverso" é arte na telona Cineflix
.: Crítica: "Guerreiras do K-Pop" entrega modernidade na essência "Sailor Moon"
.: Crítica: "A Pequena Amélie" deixa de ser Deus, esbarra no apego e amadurece
.: Crítica: "Cara de Um, Focinho De Outro" une avó e neta pela natureza
.: Crítica: "Toy Story 5" aborda realidade provocando a emoção do público
.: Crítica: "Um Gato Em Paris" é cinema noir animado para todas as idades
.: Crítica: "Moana" é o live action que ninguém pediu, mas é agradável
.: Crítica: "Michael" promove reencontro com figura insubstituível da mídia
.: Crítica: "As Cores do Tempo" é espiral constante de vivências geracionais
.: Crítica: "Homem-Aranha: Um Novo Dia" é "absolute cinema" dos heróis
.: Crítica: "Uma Infância Alemã" é história de amadurecimento e devoção
.: “Grande Sertão” mobiliza personagens que atravessam amor, guerra e destino
Riobaldo, Diadorim, Joca Ramiro, Hermógenes, Zé Bebelo e outros jagunços formam uma galeria de personagens que transforma o sertão de João Guimarães Rosa em território de conflitos, afetos e escolhas
Riobaldo conta a própria história
Diadorim guarda o segredo do romance
Joca Ramiro representa a liderança
Hermógenes encarna a ameaça
Zé Bebelo coloca o sertão em disputa
Medeiro Vaz, Otacília e Nhorinhá ampliam o caminho de Riobaldo
Quelemém escuta o homem que ficou
- "Grande Sertão: Veredas" completa 70 anos e abre novos horizontes
- João Guimarães Rosa, o escritor que inventou um sertão universal
- “Grande Sertão” mobiliza personagens que atravessam amor, guerra e destino
- Guimarães Rosa: as paisagens, viagens e lugares que entraram para a literatura
- “Grande Sertão” é teatro, cinema e TV em diferentes versões de Rosa
- “Grande Sertão: Veredas” revela as faces de Diadorim nas telas e no palco
- Setenta anos depois: por que “Grande Sertão: Veredas” continua vivo
terça-feira, 29 de setembro de 2026
.: João Guimarães Rosa, o escritor que inventou um sertão universal
Da infância em Cordisburgo à medicina, da diplomacia na Europa às viagens pelo interior de Minas, a trajetória de Guimarães Rosa reúne experiências que alimentaram uma das obras mais singulares da literatura brasileira
Um menino entre histórias e palavras
O médico que conheceu o interior
Entre o sertão e o mundo
Durante a permanência na Alemanha, os dois participaram da emissão de vistos para pessoas perseguidas pelo regime nazista, contrariando restrições impostas pelo governo brasileiro da época. A experiência europeia colocou o escritor em contato com outra realidade histórica, distante geograficamente do sertão mineiro, mas igualmente marcada por conflitos humanos e políticos.
“O sertão é do tamanho do mundo”
1956: o ano de “Grande Sertão: Veredas”
Um escritor que deixou o livro aberto
- "Grande Sertão: Veredas" completa 70 anos e abre novos horizontes
- João Guimarães Rosa, o escritor que inventou um sertão universal
- “Grande Sertão” mobiliza personagens que atravessam amor, guerra e destino
- Guimarães Rosa: as paisagens, viagens e lugares que entraram para a literatura
- “Grande Sertão” é teatro, cinema e TV em diferentes versões de Rosa
- “Grande Sertão: Veredas” revela as faces de Diadorim nas telas e no palco
- Setenta anos depois: por que “Grande Sertão: Veredas” continua vivo
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
.: Crítica: "Coração Selvagem" é um "Sempre Ao Seu Lado" de aventuras
Imagem de "Coração Selvagem"
Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com
Em setembro de 2026
O longa de aventura "Coração Selvagem" (Heart of the Beast), estrelado por Brad Pitt ("Trem-Bala", "F1 - O Filme") com participação de J.K. Simmons ("Homem-Aranha", 2002) e de Anna Lambe (The Grizzlies) entrega a potência que um cachorro pastor-alemão Odin (Uber) é capaz de imprimir numa história de amor e parceria. A produção dirigida por David Ayer de fotografia impecável trabalha o desenvolvimento da sensibilidade e sintonia entre um homem e um animal.
O intenso drama de sobrevivência começa quando uma moça na estrada tem seu caminho "pausado" por um cachorro. Dali, em diante o público vivencia a aventura de sobrevivência do ex-agente das forças especiais James Belmont (Brad Pitt) ao lado de seu cão de combate aposentado, o pastor-alemão Odin (interpretado pelo cão Uber). Após esbarrar no andarilho Witkins (J. K. Simmons) e ser avisado sobre a tempestade que estava vindo, James e Odin acabam perdidos no Alasca após um acidente aéreo.
No entanto, Odin sofre de estresse pós-traumático tendo pesadelos de guerra, assim como seu parceiro James. Logo, o sofrimento dos dois vira um. Humanizando o cachorro e colocando-o no posto de um autêntico veterano de combate. Em enquadramentos amplos de uma natureza digna de ser apreciada com alegria, a telona do cinema enche os olhos do público com encontros animais. Seja a tensão pura diante de um urso ou quando lobos atacam de modo coordenado a dupla.
"Coração Selvagem" consegue ser uma nova leitura do clássico "Sempre Ao Seu Lado" (2009), com adrenalina, mas passa longe da cidade e seus deveres agitados, pois é repleto de pesadelos do passado e aventuras em busca de sobrevivência na natureza indomada. É notório que Brad Pitt entrega interpretação intensa e teatral, ainda que por vezes tenha seu brilho roubado pelo carisma e olhar expressivo do cachorro. Vale a pena conferir!
Trailer de "Coração Selvagem"
Leia+





















